terça-feira, 14 de abril de 2026

VIDA LONGA OU VIDA FELIZ?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

É comum desejarmos a outrem muitas felicidades e 'muitos anos de vida', sobretudo, em ocasiões especiais, como sói acontecer nas comemorações natalícias.

Ora, quem não quer viver muitos anos?

Antes e acima de tudo, nossas vidas estão nas mãos de Deus. Isto não implica que não possamos fazer algumas considerações sobre o estar-do-ser-no-mundo.

O dom da vida é uma dádiva inquestionável, e promissora de sobrevida, após a travessia temporo-espacial, pelo menos, para os que creem. No entanto, é desejável, bom e saudável o convívio nesta maravilhosa viagem telúrica.

O tempo urge e, muitas vezes, fazemos mau uso do tempo, com muitos minutos perdidos com ouropéis e com vazios de amor, de amizade e de empatia. E fazemo-nos vítimas(!).

Nossa importantíssima e única viagem já se inicia com um choro e, provavelmente, terminará com um lamento, quer seja de dor ou de vitória.

O tempo da infância é, deveras, curto, talvez o único que podemos chamar assim, pois, ainda não temos o bastão timoneiro de nosso périplo.

O curto tempo da infância, então, catapulta-nos à adolescência e à juventude, que, com todas as suas fantasias e (dis)sabores, vão desaguar no estirão da adultície. É, nesse espaço, que o tempo queremos esticá-lo o mais que pudermos. É também nesse espaço que o desgaste biológico impõe, forte e atrozmente, suas limitações existenciais. É, a esta altura, que a longevidade é almejada e perseguida, a vida gritando por mais tempo de viagem.

Para que esta viagem seja agradável, entram em cena elementos biológicos, mentais, psicológicos e espirituais. O corpo pode definhar, rugas podem aparecer, porém, se há maturidade psicológica e espiritual, a mente comanda os mais dias a serem vividos, cá, nesta jornada.

Nesta última fase de nossa passagem por entre flores, frutos e espinhos, almejamos mais e mais dias, buscamos proteger nossos descuidos anteriores e lutamos contra o que resta do tempo. Lutamos ou dançamos com o tempo? Achamos que o tempo não nos deu tempo para nossos sonhos? Ora, todo o tempo ficou à nossa disposição e o que dele fizemos cabe responsabilidade a nós.

A esta altura, podemos falar de longevitalidade, ao invés de apenas longevidade: aquela respira ares impregnados de suspiros cônscios e luzentes de 'felicidade', ainda que prazeres fiquem nos devaneios, enquanto esta só ganha sentido, com a lucidez de nossa mente, diante de nossas propostas, princípios e objetivos de vida. Daí que, mais do que muitos anos, são importantes os augúrios de vida feliz até o fim.

A travessia inexorável enseja a concretude do cumprimento de propósitos.

E o choro inicial, que alegrara o entorno, converter-se-á, agora, em emoções personalíssimas da surpresa do desembarque. Não haverá vozes nem palmas de aplausos, apenas o nosso bumerangue a nos reviver a nossa história construída de esperança, de fé, de amor ou de seus antípodas.

Vida longa não basta. Vida feliz basta! Vida longa e feliz se basta!

Tenhamos uma boa quarta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 11/03/26.


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