Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
É comum desejarmos a outrem muitas
felicidades e 'muitos anos de vida', sobretudo, em ocasiões especiais, como sói
acontecer nas comemorações natalícias.
Ora, quem não quer viver muitos anos?
Antes e acima de tudo, nossas vidas estão
nas mãos de Deus. Isto não implica que não possamos fazer algumas considerações
sobre o estar-do-ser-no-mundo.
O dom da vida é uma dádiva inquestionável,
e promissora de sobrevida, após a travessia temporo-espacial, pelo menos, para
os que creem. No entanto, é desejável, bom e saudável o convívio nesta
maravilhosa viagem telúrica.
O tempo urge e, muitas vezes, fazemos mau
uso do tempo, com muitos minutos perdidos com ouropéis e com vazios de amor, de
amizade e de empatia. E fazemo-nos vítimas(!).
Nossa importantíssima e única viagem já se
inicia com um choro e, provavelmente, terminará com um lamento, quer seja de
dor ou de vitória.
O tempo da infância é, deveras, curto,
talvez o único que podemos chamar assim, pois, ainda não temos o bastão
timoneiro de nosso périplo.
O curto tempo da infância, então,
catapulta-nos à adolescência e à juventude, que, com todas as suas fantasias e
(dis)sabores, vão desaguar no estirão da adultície. É, nesse espaço, que o
tempo queremos esticá-lo o mais que pudermos. É também nesse espaço que o
desgaste biológico impõe, forte e atrozmente, suas limitações existenciais. É,
a esta altura, que a longevidade é almejada e perseguida, a vida gritando por
mais tempo de viagem.
Para que esta viagem seja agradável, entram
em cena elementos biológicos, mentais, psicológicos e espirituais. O corpo pode
definhar, rugas podem aparecer, porém, se há maturidade psicológica e
espiritual, a mente comanda os mais dias a serem vividos, cá, nesta jornada.
Nesta última fase de nossa passagem por
entre flores, frutos e espinhos, almejamos mais e mais dias, buscamos proteger
nossos descuidos anteriores e lutamos contra o que resta do tempo. Lutamos ou
dançamos com o tempo? Achamos que o tempo não nos deu tempo para nossos sonhos?
Ora, todo o tempo ficou à nossa disposição e o que dele fizemos cabe
responsabilidade a nós.
A esta altura, podemos falar de
longevitalidade, ao invés de apenas longevidade: aquela respira ares
impregnados de suspiros cônscios e luzentes de 'felicidade', ainda que prazeres
fiquem nos devaneios, enquanto esta só ganha sentido, com a lucidez de nossa
mente, diante de nossas propostas, princípios e objetivos de vida. Daí que,
mais do que muitos anos, são importantes os augúrios de vida feliz até o fim.
A travessia inexorável enseja a concretude
do cumprimento de propósitos.
E o choro inicial, que alegrara o entorno,
converter-se-á, agora, em emoções personalíssimas da surpresa do desembarque.
Não haverá vozes nem palmas de aplausos, apenas o nosso bumerangue a nos
reviver a nossa história construída de esperança, de fé, de amor ou de seus
antípodas.
Vida longa não basta. Vida feliz basta!
Vida longa e feliz se basta!
Tenhamos uma boa quarta-feira, com as
bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 11/03/26.

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