Por Cláudio Ricardo (*)
O Ceará perde um de seus mais
extraordinários homens públicos: Ariosto Holanda. Sua partida entristece
profundamente todos os que acreditam no poder transformador da educação, da
ciência, da tecnologia e da vida pública exercida com dignidade. Mais do
que um gestor, parlamentar ou intelectual, Ariosto foi um verdadeiro visionário,
daqueles raros que enxergam antes dos outros o caminho que o futuro exige.
Muito antes de se tornar consenso falar em
inovação, qualificação profissional, desenvolvimento científico e inclusão
tecnológica, Ariosto já defendia, com firmeza e lucidez, que o Brasil só
alcançaria um novo patamar de desenvolvimento se investisse seriamente no
conhecimento e na formação de seu povo. Era, acima de tudo, um professor por
essência. Tinha o dom de ensinar, inspirar, orientar e mobilizar. Sua vida foi
uma permanente aula de compromisso com o futuro.
Na vida pública, destacou-se pela retidão,
seriedade e coerência ética. Honrou cada função que exerceu com espírito
republicano, respeito ao interesse coletivo e fidelidade aos mais nobres
valores do serviço público. Em tempos tão desafiadores, sua trajetória se impõe
como referência de integridade e decência.
Mas Ariosto também foi grande no plano
humano. Homem de afetos sólidos, cultivou com zelo a família e os amigos,
compreendendo que os vínculos humanos são parte essencial de qualquer legado
verdadeiro. Sua generosidade, lealdade e sensibilidade marcaram todos os que
tiveram o privilégio de conviver com ele.
Entre suas contribuições permanentes,
destacam-se a criação e o fortalecimento de instituições como o NUTEC e o
CENTEC, a criação do Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da
Câmara dos Deputados, além de inúmeros projetos voltados à educação, ciência,
tecnologia e inovação.
Ariosto parte fisicamente, mas permanece
vivo em suas ideias, em suas obras e no exemplo que deixa ao Ceará e ao Brasil.
Foi, de fato, um homem à frente do seu
tempo.
(*) Professor doutor e ex-reitor do
IFCE.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Opinião. p.20.

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