sexta-feira, 24 de abril de 2026

Crônica: “Aplicando um ‘aí dentro!’ no centro de Londres” ... e outros causos

Aplicando um ‘aí dentro!’ no centro de Londres

Das Chagas e Tabosa, compadres hoje aposentados, amigos do Colégio 7 de Setembro - tempos do Dr. Edilson Soares Brasil. Solângela, filha primeira de Das Chagas, orgulho do pai, casou-se faz já algum tempo e mora na capital da Inglaterra, para onde foi o pai, "mês trasado", a convite dela, para "beber o mijo" de Chagas Neto nascido há pouco.

- Vem, pai! Aqui é maior que o Pacoti! Tem até pizza!

Das Chagas foi, e deu o maior ponto. Porém, teve um porém - conforme consta do áudio que enviou pra Tabosa ainda em solo europeu, a mim encaminhado só pra eu me abrir da marmota.

- Macho, a Sol me levou pra conhecer a torre dum tal relógio do Big 'Bento' e eu quase saio no tabefe com um brancão lá, caba escovado, metido a mudo, se fazendo de estauta. Pensou que me enganava! Enquanto Solângela foi pegar uma água mineral - peste de cidade quente aquela, eu futurei falar com um soldado do chapéu preto bem grande, que parece uma casa de cupim, peluda. O samango véi num se bole, num faz pantim... Eu dou por vista se der uma coceira nos ovos, quem é que vem coçar por ele?"

Das Chagas continua empolgado o recado gravado, passando pros finalmente de um relato empolgado que, confesso, por pouco não causaria um embaraço diplomático entre o Brasil e o país da finada rainha Elizabeth.

- Macho, como a gente aqui no Ceará é muito dada, eu sapequei um 'rauáriu!!!' na cara dele e tu me acredite que ele nem piscou os ói!?! 'Rauariei' umas cinco vezes na cara dele e nada. Antes que Sol chegasse com a água, me enfezei e sabe o que eu falei pra ele? Aí dentro, nessa loca de jumento!

E finalizou o áudio:

- Ele só não deu uma carreira em mim porque a espingarda era muito pesada!...

Histórias de Dedé Odrin

Nosso vetusto fabricante de veneno pra rato me mandou essas três historinhas:

1 - Arrumei uma criatura acolá e a mulher descobriu. Cheguei em casa cheirando a Charisma e ela veio esparrar:

- Raparigando de novo, né seu Dedé!?!

- Minha filha, aguente que é só uma fase!

2 - Dona Jarina, a tal mulher de Dedé, não tinha nome pra botar no menino dela que acabará se nascer, tem uns 20 anos isso, e um amigo do casal, o Carlos Panariço, sugeriu:

- Conheço um doído em Quixadá que se chama Alfredo... Bota esse nome no menino de vocês!

- Alfredo, Alfredo... Belo nome! - defendeu Dedé.

E botaram o nome do menino de Alfredo. Hoje com 45 anos, gordo e corado.

3 - Tem gente que faz análise para não ficar doido. E eu quero um doutor desses pra ficar mental do juízo. Tô muito certim da cabeça, pro meu gosto!

Cearensês novíssimo

- A três por dois mil - Muito, demais - gente, coisa.

- Acender vela pra defunto ruim - Coisa mais sem futuro do mundo - perder tempo com o que (quem) não presta.

- Acordei de manhã, o canto mais limpo!!! - Acordei, que cacei o cachorro, o bicho tinha ido embora, com coleira e tudo!

- Agora deu!!! - Agora pronto! Marrapaz, num tô dizendo mesmo! Interjeição de espanto que equivale a "nossa!", "arre égua!"

Fonte: O POVO, de 27/03/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

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