Por
Izabel Gurgel (*)
O espetáculo nos altos. No térreo, o
público de pé olha em direção ao primeiro andar da edificação que, ao lado do
Theatro José de Alencar, sediava, então, o Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional. Vizinhos, TJA e Iphan.
Ambas em movimento, cena e plateia aqui
citadas se realizaram há pouco mais de dez, doze anos. Era programação do Zé de
Alencar. O Theatro havia completado cem anos em 2010. Há décadas já existia com
uma dimensão para além do desenho do Theatro que Fortaleza inaugurou em 1910. A
peça teatral acolhida pelo vizinho Iphan foi um dos modos que o Zé de Alencar
fez uso, sobretudo pós-segundo restauro, finalizado em 1991, para estar em
interlocução com o pensamento, a imaginação, a necessidade dos dias atuais.
Como tudo que é vivo, que se quer vivo, o
que chamamos TJA não cessa de mudar.
Até o comecinho da década de 1970, o
Theatro era "só" a edificação histórica, os dois blocos mediados por
um pátio. O da fachada, todo em alvenaria, e o da sala de espetáculo com
estrutura metálica. Sai de cena o vizinho do outro lado, instituição pública
ligada à saúde. A área recebe o que se tornou a primeira versão do jardim, já
um projeto do escritório do paisagista Burle Marx.
Em janeiro de 1991, reabre restaurado, com
um outro desenho de jardim, a caixa cênica tinindo de nova, com mais amplitude
e equipada, bastidores com qualidade de uso para trabalhadoras, trabalhadores.
O campo das artes é canteiro de obra. Chão de muito serviço. A inserção da
"cortina de vidro" talvez seja uma das mudanças melhor sentidas pelo
público. Tornou possível o fechamento que permite a climatização da sala de
espetáculos sem comprometer a visualização do monumento.
O TJA aguarda um restauro integral. Será o
seu terceiro. Quando do segundo, existia a ideia de desapropriar a quadra onde
está o TJA, deixando-o abraçado por jardins, áreas livres, com passagem direta
para a Casa Juvenal Galeno; contemplado com espaços de estudo, pesquisa, guarda
de acervos etc., espaços passíveis de oxigenar o tanto de vida que ali pode e
precisa florescer. O prédio anexo, com entrada também pela rua 24 de Maio, foi
um primeiro suspiro.
Dá gosto pensar que um novo caminho se abre
com a incorporação, pelo TJA, da antiga sede do Iphan. É uma conversa entre
Governo do Estado e UFC, que já conversaram quando do destino da área onde está
o atual "anexo". Uma instituição de ensino, pesquisa e extensão como
a UFC, desde o início ela própria campo para as artes, pode tocar melhor ainda
o modo singularmente bonito de expansão do TJA para abrigar e abraçar o que não
pode nem deve ser contido.
Os pés de jasmim e castanhola do antigo
Iphan estão em festa. E não só pela chuva. Viva São José. E Viva o Zé.
P.S.: E bora ver outro nome para o terminal
de transporte ali vizinho. Antes que toque o terceiro sinal e comece o
espetáculo.
(*) Jornalista de O Povo.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/03/26. Vida & Arte, p.2.

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