Por Alessandrino
Terceiro (*)
Todos os anos, no mês de março, a
comunidade médica no Brasil se reúne em uma causa que deveria estar no centro
das prioridades da saúde pública: a conscientização e a prevenção do câncer
colorretal. A campanha Março Azul acontece com a intenção de alertar,
sobretudo, que vivemos um problema de saúde coletiva, diretamente ligado a
escolhas de estilo de vida, acesso à saúde e a cultura de prevenção.
Sim, o câncer colorretal pode ser evitado e
é uma das formas de câncer que estão mais susceptíveis à prevenção e à cura principalmente
quando é detectado em fases iniciais. Exames como colonoscopia permitem
identificar pólipos e lesões em fases iniciais e que podem ser removidos antes
de se transformarem em câncer, elevando as chances de cura para até 90% dos
casos.
Infelizmente, muitos casos só são
diagnosticados tardiamente por falta de rastreamento adequado ou por medo ou
desconhecimento do paciente sobre a importância dos exames de prevenção ou até
pela realidade nos serviços de saúde pública. Um estudo baseado no Registro
Hospitalar de Câncer aponta que mais de 60% dos casos são identificados em
fases avançadas, o que dificulta o tratamento, tornando-o mais complexo,
doloroso e com chances de cura reduzidas.
O problema é preocupante principalmente
pelas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que mostra que o
câncer colorretal figura entre os três tumores mais incidentes no Brasil, com
mais de 45 mil novos casos esperados anualmente e cerca de 20 mil mortes por
ano por câncer de cólon, reto e ânus. Essa realidade evidencia não apenas a
alta incidência, mas a letalidade desta neoplasia, que permanece muitas vezes
silenciosa até estágios avançados.
Nesse contexto, a campanha Março Azul assume
o papel de chamar a atenção da sociedade, gestores públicos e profissionais de
saúde para que se repense a estratégia de prevenção, invista em rastreamento
sistemático e amplie o acesso a exames fundamentais, além de conscientizar
sobre fatores de risco modificáveis, como obesidade, sedentarismo, alimentação
inadequada, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Nunca é demais reverberar
que a prevenção salva vidas.
(*) Presidente
da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva - Ceará (SOBED-CE)
Fonte:
Publicado In: O Povo, de 11/03/26.
Opinião. p.14.

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