terça-feira, 14 de abril de 2026

CÂNCER COLORRETAL NÃO É INEVITÁVEL

Por Alessandrino Terceiro (*)

Todos os anos, no mês de março, a comunidade médica no Brasil se reúne em uma causa que deveria estar no centro das prioridades da saúde pública: a conscientização e a prevenção do câncer colorretal. A campanha Março Azul acontece com a intenção de alertar, sobretudo, que vivemos um problema de saúde coletiva, diretamente ligado a escolhas de estilo de vida, acesso à saúde e a cultura de prevenção.

Sim, o câncer colorretal pode ser evitado e é uma das formas de câncer que estão mais susceptíveis à prevenção e à cura principalmente quando é detectado em fases iniciais. Exames como colonoscopia permitem identificar pólipos e lesões em fases iniciais e que podem ser removidos antes de se transformarem em câncer, elevando as chances de cura para até 90% dos casos.

Infelizmente, muitos casos só são diagnosticados tardiamente por falta de rastreamento adequado ou por medo ou desconhecimento do paciente sobre a importância dos exames de prevenção ou até pela realidade nos serviços de saúde pública. Um estudo baseado no Registro Hospitalar de Câncer aponta que mais de 60% dos casos são identificados em fases avançadas, o que dificulta o tratamento, tornando-o mais complexo, doloroso e com chances de cura reduzidas.

O problema é preocupante principalmente pelas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que mostra que o câncer colorretal figura entre os três tumores mais incidentes no Brasil, com mais de 45 mil novos casos esperados anualmente e cerca de 20 mil mortes por ano por câncer de cólon, reto e ânus. Essa realidade evidencia não apenas a alta incidência, mas a letalidade desta neoplasia, que permanece muitas vezes silenciosa até estágios avançados.

Nesse contexto, a campanha Março Azul assume o papel de chamar a atenção da sociedade, gestores públicos e profissionais de saúde para que se repense a estratégia de prevenção, invista em rastreamento sistemático e amplie o acesso a exames fundamentais, além de conscientizar sobre fatores de risco modificáveis, como obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada, tabagismo e consumo excessivo de álcool. Nunca é demais reverberar que a prevenção salva vidas.

(*) Presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva - Ceará (SOBED-CE)

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/03/26. Opinião. p.14.


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