Por
Vladimir Spinelli Chagas (*)
Em 14 de março, ao completar seus 165 anos
de existência, a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza já tinha
decidido, por aclamação da Assembleia Geral Ordinária, escolher a primeira
mulher para ocupar a Provedoria da instituição, no triênio 2026-2029.
Destacamos essa característica de pioneirismo
da Irmandade: na radiologia, obstetrícia, tratamento da tuberculose, serviço de
urgência, além do apoio à Faculdade de Medicina do Ceará e ao Curso de
Enfermagem das Vicentinas.
Historicamente, as mulheres estiveram
presentes nessa história, seja pela figura da Rainha Dona Leonor de Viseu que,
em Portugal, criou a primeira Santa Casa, seja aqui pelas Filhas da Caridade de
São Vicente de Paulo (Irmãs Vicentinas), esteio do atendimento humanizado direto
aos pacientes da Santa Casa, desde 1861.
Em 1943, com a criação da Escola de
Enfermagem São Vicente de Paulo, com as Irmãs Vicentinas responsáveis pela sua
direção, a Santa Casa de Fortaleza passou a funcionar como hospital-escola
oficial, o que se manteve com a criação do Curso de Enfermagem da UFC.
Mas, a presença feminina vem desde os
primeiros momentos, com as Irmãs Vicentinas presentes na estruturação da
Irmandade e na sua consolidação, a partir das bases de enfermagem, humanização
e assistência, antes mesmo da profissionalização.
No entanto, a visão patriarcal destinava
aos homens os cargos de direção, apesar de ser um serviço que exige muito mais sensibilidade
do que formação técnica, com uma visão mais humanizada, o que é mais
característico do universo feminino.
Uma simples pesquisa da última relação dos
36 Mordomos, a chamada Mesa Administrativa da Irmandade, mostra a presença de
apenas seis mulheres, nenhuma delas entre os oito ocupantes dos cargos da Provedoria.
Para a nova Mesa, foi ampliado esse número
para nove mulheres e, o que é mais relevante, quatro ocupando cargos na
Provedoria, encabeçadas pela Provedora Magda Busgaib, indício de maior
sensibilidade no futuro desta Instituição. Afinal, o trabalho de Magda como a
Mordomo responsável pelo Hospital Psiquiátrico São Vicente de Paulo é disto um
claro exemplo.
(*) Professor aposentado
da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do
CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Opinião. p.20.

Nenhum comentário:
Postar um comentário