quinta-feira, 23 de abril de 2026

O feminino na irmandade da Santa Casa

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Em 14 de março, ao completar seus 165 anos de existência, a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza já tinha decidido, por aclamação da Assembleia Geral Ordinária, escolher a primeira mulher para ocupar a Provedoria da instituição, no triênio 2026-2029.

Destacamos essa característica de pioneirismo da Irmandade: na radiologia, obstetrícia, tratamento da tuberculose, serviço de urgência, além do apoio à Faculdade de Medicina do Ceará e ao Curso de Enfermagem das Vicentinas.

Historicamente, as mulheres estiveram presentes nessa história, seja pela figura da Rainha Dona Leonor de Viseu que, em Portugal, criou a primeira Santa Casa, seja aqui pelas Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo (Irmãs Vicentinas), esteio do atendimento humanizado direto aos pacientes da Santa Casa, desde 1861.

Em 1943, com a criação da Escola de Enfermagem São Vicente de Paulo, com as Irmãs Vicentinas responsáveis pela sua direção, a Santa Casa de Fortaleza passou a funcionar como hospital-escola oficial, o que se manteve com a criação do Curso de Enfermagem da UFC.

Mas, a presença feminina vem desde os primeiros momentos, com as Irmãs Vicentinas presentes na estruturação da Irmandade e na sua consolidação, a partir das bases de enfermagem, humanização e assistência, antes mesmo da profissionalização.

No entanto, a visão patriarcal destinava aos homens os cargos de direção, apesar de ser um serviço que exige muito mais sensibilidade do que formação técnica, com uma visão mais humanizada, o que é mais característico do universo feminino.

Uma simples pesquisa da última relação dos 36 Mordomos, a chamada Mesa Administrativa da Irmandade, mostra a presença de apenas seis mulheres, nenhuma delas entre os oito ocupantes dos cargos da Provedoria.

Para a nova Mesa, foi ampliado esse número para nove mulheres e, o que é mais relevante, quatro ocupando cargos na Provedoria, encabeçadas pela Provedora Magda Busgaib, indício de maior sensibilidade no futuro desta Instituição. Afinal, o trabalho de Magda como a Mordomo responsável pelo Hospital Psiquiátrico São Vicente de Paulo é disto um claro exemplo.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Opinião. p.20.


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