Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)
Em 1981, quando
da defesa de minha Tese de Professor Catedrático, na UFC, defendi que quatro
são os fatores determinantes do nível de desenvolvimento econômico em qualquer
época e em qualquer país. São eles, os fatores institucionais, os fatores
históricos, os fatores naturais e os fatores aleatórios. E que o mais
importante deles, em qualquer situação, é o fator institucional.
Em 2024 os
economistas que defenderam essa tese receberam o Nobel de Economia.
Em muitos
trabalhos em que analisei o sistema econômico brasileiro e nordestino, utilizei
essa tese.
Hoje volto ao
tema. O "leit motiv" foi uma reportagem publicada no O POVO em
6/1/2026, sobre a logística de transporte no Estado, um dos fatores mais
importantes para explicar o péssimo desenvolvimento econômico do Brasil.
Apenas para
tratar dos aspectos mais recentes, cito como o primeiro grande erro, no Brasil,
em termos de desenvolvimento econômico, a decisão do presidente do Brasil em
estabelecer, nos anos 1950 um modelo de crescimento baseado no transporte
rodoviário, o tipo de transporte terrestre mais caro que existe.
O transporte
marítimo é o tipo de transporte mais barato que existe, e como temos uma costa
medindo entre 7.491 km a 10.900 km, dependendo da estimativa, não se compreende
como até hoje essa dádiva não é bem aproveitada.
Mas poderíamos
ter escolhido o transporte ferroviário, o segundo mais barato. E também não o
fizemos. Por isso estamos pagando até hoje.
Dado este quadro,
o que nos cabe discutir no que diz respeito à situação atual do Ceará?
O trabalho
publicado no O POVO, acima citado, mostra que o desenvolvimento do Ceará é
prejudicado pela falta de equipamentos adequados para o escoamento de produtos.
Os eixos, dentro
deste contexto, mais importantes são: a) as rodovias federais: BR 116, 222 e
020, estradas que não são duplicadas (a BR 116 apresenta, apenas, pouca
quilometragem de duplicação); elas também apresentam índices apenas razoáveis
de adequação para o transporte o que é seguido pelas CEs que apresentam um
percentual de 62,5% como condição regular, ruim ou péssima; b) o Anel Viário,
que deveria ligar as três rodovias federais (110, 222 e 020) e as rodovias
estaduais (CEs 010, 040, 060 e 065), cujo projeto começou em 2010 e com
extensão prevista de 32km. Estamos em 2026 e não sabemos quando ele estará
pronto; c) a Ferrovia Transnordestina.
Sobre esta já
escrevi um pouco neste mesmo Jornal. Não vale aqui repetir minhas críticas.
Para terminar,
lembro o trabalho do Dr. Marcos Holanda "Qualidade x Quantidade",
publicado no Blog do Eliomar, no dia 6/1/2026. Ali, o autor escreve
textualmente que o Estado investiu R$ 121,0 milhões para gerar um acréscimo de
R$ 1,00 na renda das famílias cearenses. E para mostrar o descalabro desses
investimentos, ele assegura que o VLT que vai ser expandido até o Castelão transportará
em um mês apenas 60% dos passageiros que o sistema de ônibus transporta em um
dia.
Será possível se
imaginar investimentos mais dispendiosos, em termos per capita, do que esses?
Tendo em vista
que é a ação do homem o fator que mais influencia a trajetória do
desenvolvimento econômico de uma sociedade, não é de se admirar o atual estágio
de subdesenvolvimento do Ceará.
(*)
Economista e professor titular aposentado da UFC,
Fonte:
O Povo,
de 8/03/26. Opinião. p.18.

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