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sábado, 31 de agosto de 2024

MARIO RIGATTO – vida e legado de um professor de medicina

 

Por Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg, médica e historiadora

Meu enleio vem de que um tapete é feito de tantos fios que não posso me resignar a seguir um fio só; meu enredamento vem de que uma história é feita de várias histórias.

Clarice Lispector - Os Desastres de Sofia (conto).

É missão das mais honrosas apresentar o livro “MARIO RIGATTO – VIDA E LEGADO DE UM PROFESSOR DE MEDICINA” de autoria da Profa. Dra. Helena Pitombeira, aqui no HEMOCE - Templo Sagrado da Medicina Cearense.

É, também, motivo de alegria e prazer tecer considerações sobre essa vultosa e relevante obra que, além de resgatar a vida e o legado de Mario Rigatto, para familiares e amigos, enriquecerá os anais da História da Medicina.

Por outro lado, é grande a responsabilidade de expor um livro de conteúdo raro, pois trata-se do memorial de um dos maiores luminares da medicina brasileira do século XX.

Rompendo o abismo e a pátina do tempo, Helena evoca o passado e nos brinda, depois de 24 anos da partida de seu amado, com uma obra primorosa revestida de uma aura que exala amor, carinho e reconhecimento do legado de Mario Rigatto.

A frase que abre livro “SAUDADE É UM ELOGIO AO PASSADO” e o texto que antecede o sumário foram retirados da “Aula da Saudade”, proferida por Rigatto no término do curso médico, da turma de 1974, da UFC, e que ensejou o espraiamento dessas aulas por todo o Brasil.

O elogio ao passado levou a autora, em parceria com sua amiga e cunhada, Helena Rigatto Kauer, a gestar esse livro, uma grande colcha de retalhos afetivos, como ressaltou sua filha Maria Helena.

Helena cerziu a colcha com textos seus e de Mario, além de tocantes depoimentos de familiares e amigos.  Depois, embelezou-a com fotos históricas de documentos e momentos mágicos da vida de Rigatto e de seus ancestrais.

O livro, impresso nas oficinas da gráfica Expressão Gráfica e Editora, com a Coordenação Editorial de Ítalo Gurgel, Projeto Gráfico/Capa de Geraldo Jesuíno e fotografias do acervo da família, é carinhosa e generosamente dedicado aos sete filhos de Mario Rigatto: Virginia, Paulo, Beatriz, Luiz, Marília, Maria Helena e Roberto.

Os Agradecimentos são dirigidos à Helena Rigatto Kauer, com quem a autora divide os méritos do livro, ao dr. Carlos Antônio Mascia Gottschall, ao jornalista Ítalo Gurgel, ao professor Geraldo Jesuíno, à Tereza Gurgel e a todos que dedicaram a Rigatto textos de profundo sentimento, no dizer de Helena.

O Prefácio de Carlos Gottschall, discípulo, amigo e companheiro de trabalho de Mario Rigatto por quatro décadas, além de amoroso, enaltece ao virtudes e as belas facetas da personalidade do amigo e engrandece suas atividades profissionais.

é um resumo da vida de Rigatto, com foco em suas atividades profissionais.

A Apresentação de Maria Helena, filha de Rigatto e Helena, fala do pai encantando plateias, lembra um pai carinhoso e atencioso com os filhos, mostra o esforço de sua mãe em selecionar fotos e organizar o livro com ajuda de sua tia Leninha e ressalta que a obra é uma visita intimista aos amigos e espaços percorridos por Rigatto.

Os Capítulos são teias que se interligam em uma dança mágica para contar a história de Rigatto, enveredando-se por outras histórias.

Como nos ensina o provérbio chinês, atribuído a Confúcio, “Uma imagem vale mais que mil palavras”, Helena recheou oito, dos dez capítulos, com imagens.

O Capítulo I, OS RIGATTOS E OS PILLMANNS DO RIO GRANDE DO SUL, evoca as raízes italianas e alemãs de Mario, reverenciando os antepassados.

O Capítulo II, INFÂNCIA FELIZ, JUVENTUDE IRREQUIETA, nos apresenta um Rigatto que, apesar de ter perdido o pai com apenas 12 anos, não perdeu a alegria de viver.

O Capítulo III, SERVIÇO MILITAR E O AMOR PELO ESPORTE, ressalta o orgulho de Rigatto em servir à pátria e a paixão pelo remo, esporte que cultuou durante toda a vida.

O Capítulo IV, IMENSA DEDICAÇÃO À FAMILIA, nos brinda com a transcrição da homenagem que Rigatto fez à sua mãe, Anna Luiza, em sua posse na Academia Nacional de Medicina, no dia 12.08.1991, e, também nos fala de sua dedicação sem limites à ampla família.

Os Capítulos V, VI, VII, VIII e IX são consagrados à vida profissional de Rigatto, como médico, professor e pesquisador. É dado um estaque especial às campanhas antifumo, que Rigatto abraçou com pioneirismo, lançando, em 1975, no Rio Grande do Sul, a primeira campanha formal de luta antitabágica no Brasil; enaltece o pesquisador que mostrou a existência de seis corações do homem e o conferencista sedutor, mestre da palavra que encantava e deleitava qualquer auditório e que proferiu 1035 conferências.

Como cientista, a produção de Rigatto foi abrangente:  430 publicações nacionais e internacionais, 82 artigos, 147 resumos, seis livros publicados, 57 capítulos de livros, 18 teses orientadas, 110 ensaios, 239 temas livres, 195 participações em congressos.

O Capítulo X, MARIO RIGATTO NÃO MORREU – DEPOIMENTOS, é composto por 33 comoventes relatos de filhos, irmãos, familiares e amigos.

Dois textos fecham o livro com “Chave de Ouro”. A homenagem que Helena presta a sua cunhada, “ODE A UMA GRANDE AMIGA, HELENA RIGATTO KAUER e a notável biografia de Rigatto, destacando a homenagem póstuma do Conselho Federal de Medicina – Comenda Mario Rigatto – Medicina e Humanidades Médicas.

O estilo da escrita de Helena remete a “teoria do iceberg” elaborada pelo afamado escritor estadunidense Ernest Hemingway (1899-1961), ganhador do Nobel da Literatura, em 1954, com seu magnífico livro “O Velho e o Mar”.

Podando seus textos, Hemingway dizia que o significado mais intenso de suas histórias está imerso, está nas entrelinhas.

Em seu livro de memórias, “Paris é uma festa”, ele explica que a parte omitida fortalece a história, comparando-a a um iceberg.

Como frisou Maria Helena na apresentação do livro “Com certeza nem tudo foi dito aqui. Esta obra não tem a pretensão de ser completa, mas sim de ser sincera, traduzindo através de seus textos e imagens o amor que Mario Rigatto espalhou.”

O livro de Helena, de uma elegância ímpar, ostenta em sua capa azul marinho uma foto icônica de Mario Rigatto, com sua emblemática gravata borboleta, adornada com sua artística assinatura.

Na quarta capa, o romântico texto de Rigatto:

“De acordo com o poeta, a sede do amor é o coração. Alguns anos depois de eu me haver dedicado ao estudo do pulmão, partindo de uma formação de cardiologista, comecei a ter serias dúvidas sobre a legitimidade dessa localização do amor. Afinal de contas, o que pode o amor fazer ao coração? Acelerar-lhe um pouco a frequência? Por outro lado, o pulmão tem muito a ver com a nossa vida afetiva. Pois não é com o pulmão que nós rimos? Não é com o pulmão que choramos? Não é o pulmão que soluça? Não é do pulmão que partem todas as interjeições afetivas, de onde nascem todos os ais de amor? E aos meus relutantes companheiros cardiologistas, tenho ponderado: o que pode uma discreta taquicardia sinusal comparada à respiração arfante de uma mulher apaixonada?”

Obrigada pela atenção!

(*) Discurso de apresentação do livro “Mario Rigatto – vida e legado de um professor de medicina”, de autoria da Profa. Dra. Helena Pitombeira, pronunciado por Ana Margarida Furtado Arruda Rosemberg no Auditório do Hemoce, em Fortaleza, em 30 de agosto de 2024.


sábado, 6 de janeiro de 2024

ENTREGA DO TÍTULO DE DR. HONORIS CAUSA DA UECE AOS PROFESSORES ADIB JATENE E MANASSÉS FONTELES

 

Mesa diretora e alguns docentes convidados na Sessão Solene da entrega título de Dr. Honoris Causa da Uece aos professores Adib Jatene Manassés e Fonteles

Ocorreu na noite da sexta-feira, 6 de outubro de 2023, no Auditório Paulo Petrola, a sessão solene do Conselho Universitário (Consu) da Universidade Estadual do Ceará (Uece), com o propósito da entrega (in memoriam) do título de Doutor Honoris Causa do professor doutor Adib Domingos Jatene e da outorga desse título ao professor doutor Manassés Claudino Fonteles.

Compuseram a mesa diretora o vice-reitor em exercício na reitoria e vice-presidente do Conselho Universitário (Consu), professor Dárcio Ítalo Alves Teixeira; os ex-reitores da Uece, os professores Cláudio Régis de Lima Quixadá, Jader Onofre de Morais; José Jackson Coelho Sampaio e Manassés Claudino Fonteles; o conselheiro e decano dos diretores Prof. Luciano Moura Cavalcante; e o Prof. José Glauco Lobo Filho, como representante da família Jatene.

Prestigiando e acompanhando a cerimônia, também se fizeram presentes outros conselheiros do Consu, professores da Uece e de outras instituições de ensino superior e autoridades convidadas, a exemplo do reitor da Universidade Mackenzie, Prof. Marco Túlio Vasconcelos, nesse ato também representando o presidente da Igreja Presbiteriana do Brasil, reverendo Roberto Brasileiro, e do presidente da Academia Cearense de Medicina, o Dr. Janedson Baima Bezerra, que se fazia acompanhar de um bom número de confrades e confreiras do sodalício médico cearense.

Coube ao docente Marcelo Gurgel Carlos da Silva, professor titular de Saúde Pública da Uece, discursar em homenagem ao professor Adib Jatene, realizando um resgate histórico de sua vida, a partir do seu nascimento em Xapuri, no Acre, em 4 de junho de 1929 até o seu falecimento, em São Paulo, aos 85 anos de idade, em 14 de novembro de 2014.

O Prof. Marcelo Gurgel discorreu sobre as grandes realizações do homenageado, tanto as pessoais como as profissionais, realçando as inovadoras colaborações cirúrgicas, de reconhecimento internacional, e as contribuições como gestor público, pelos cargos altos que ocupou, como Secretário Estadual da Saúde de São Paulo e Ministro da Saúde, e ainda por seu papel de pesquisador e formador de recursos humanos no âmbito da cardiologia e da cirurgia cardíaca.

Em seu elóquio, o professor doutor Marcelo Gurgel aproveitou a oportunidade para recordar que o professor Adib Jatene esteve presente na Uece, proferindo a aula magna inaugural do Curso de Medicina da Uece (MedUece), em 25 de março de 2003, causando grande impacto nos meios médicos e na comunidade acadêmica cearenses e escreveu o prefácio do livro “Medicina da Uece: a década que levou ao máximo”, de autoria de João Brainer Clares de Andrade e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, obra que narra os feitos dos primeiros dez anos de funcionamento do curso.

Nos termos da Resolução Nº 946-CONSU, de 4 de março de 2013, o Conselho Universitário da Uece aprovou, por unanimidade, a proposta de concessão do título de Doutor Honoris Causa ao professor Adib Domingos Jatene apresentada pela conselheira Gláucia Maria Posso Lima, então diretora do Centro de Ciências da Saúde.

A entrega do título ainda em vida, originalmente prevista para ser um dos atos comemorativos dos dez anos de existência do curso médico da Uece, não fora possível devido a vários problemas de saúde do agraciado que culminou com o seu desaparecimento terreno. Entrecortados pelo período da pandemia de Covid-19, dez anos se passaram então para que se ajustasse a entrega do galardão acadêmico, como parte da programação alusiva aos 20 anos da MedUece, ao representante indicado pela família Jatene, o professor doutor José Glauco Lobo Filho, ex-vice-reitor da Universidade Federal do Ceará, e considerado um grande amigo e discípulo de Adib Jatene no Ceará.

Após a leitura da Resolução Nº 946-CONSU, feita pela secretária dos Órgãos de Deliberação Coletiva (SODC), senhora Ana Valda Pinheiro Lima, o presidente da sessão solene do Consu, professor Dárcio Ítalo Alves Teixeira, fez a entrega in memoriam do título honorífico do professor doutor Adib Domingos Jatene ao professor José Glauco Lobo Filho, representante da família Jatene, que, com muita sensibilidade e propriedade, dada a sua longa relação de amizade e de afeição profissional com o professor Adib Jatene e também com os filhos do homenageado, relatou passagens importantes da vida de Adib Jatene e registrou os agradecimentos da família Jatene em face da honraria conferida pela Uece.

Ato contínuo, a mestra de cerimônia convidou a secretária dos Órgãos de Deliberação Coletiva (SODC), senhora Ana Valda Pinheiro Lima, para proceder à leitura da Resolução Nº 1.878-CONSU, de 30 de junho de 2023, oriunda da proposição apresentada pelo professor Marcelo Gurgel Carlos da Silva, em que o Conselho Universitário da Uece aprovou, por unanimidade, a proposta de concessão do título de Doutor Honoris Causa ao professor Manassés Claudino Fonteles.

Competiu ao ex-reitor da Uece e professor titular de Saúde Pública, José Jackson Coelho Sampaio, saudar o professor Manassés Claudino Fonteles, apresentando em seu discurso, de forma pormenorizada, os títulos principais da carreira acadêmica do laureado, acessíveis em seu vasto curriculum vitae disponível em plataforma virtuais, que justificavam a outorga honorífica ueceana.

Para o professor Jackson Sampaio, o professor Manassés Fonteles é detentor de extenso currículo dentro e fora da Uece. Ocupou a reitoria da Uece por dois mandatos, e nesses exercícios, apenas para citar algumas de suas realizações, criou: o curso de medicina da Uece em Fortaleza, o Programa de Pós-Graduação em Ciências Fisiológicas, o Instituto Superior de Ciências Biomédicas – ISCB, o Núcleo de Pesquisa e Inovação em Saúde Coletiva – NUPEINSC, o Núcleo de Computação Científica e Aplicada – NCCA e o Núcleo de Educação Ambiental – NEA.

Antes do seu ingresso na Uece, vindo como professor aposentado da Universidade Federal do Ceará, onde exercera uma profícua atividade acadêmica, já era uma referência nacional na pesquisa em farmacologia e possuidor de descobertas científicas que lhe aportavam vistosos créditos no cenário internacional.

Em sua atuação após os mandatos à frente da Reitoria da Universidade Estadual do Ceará, o professor Manassés Fonteles exerceu a Reitoria da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e deu sequência as suas atividades de pesquisas junto à Universidade Federal de São Paulo.

Após o cumprimento da liturgia da outorga, com a aplicação simbólica da borla pelo Magnífico Reitor ao laureado docente, ficou a cargo da Dra. Graça Fonteles, presidente da Academia Fortalezense de Letras e digníssima esposa do professor Manassés Fonteles, agradecer a concessão do título, fazendo a leitura de um discurso em nome do seu consorte, e proferir algumas palavras sobre o percurso profissional do seu dileto marido, agradecendo a todos que contribuíram com sua caminhada. Ao término, o professor Manassés também verbalizou algumas palavras em agradecimento ao título a ele concedido e manifestou a sua gratidão aos ali presentes no evento.

Encerrando a cerimônia, o professor Dárcio Teixeira falou sobre os dois agraciados da noite, anunciando que o título de Doutor Honoris Causa é um reconhecimento que a Universidade reserva a “indivíduos cujas contribuições excepcionais transcenderam as fronteiras do conhecimento, enriquecendo a vida de inúmeras pessoas em todo o mundo”.

A esplendorosa solenidade teve por Mestre de Cerimônia a jornalista Adriana Rodrigues que cumpriu, rigorosamente, o protocolo elaborado por Ana Paula Leite da Silva, a Chefe do Cerimonial da Uece, e por Itamara Jéssica da Silva Barros, sua Assistente do Cerimonial.

Para abrilhantar essa noite festiva, a audiência foi brindada com a apresentação do trio de violões da Uece, sob a coordenação do professor Marcos Maia, denominado Grupo Quartzo Verde, composto por alunos do curso de licenciatura em música e bolsistas de projeto de iniciação artística. Esse grupo conta com repertório de músicas brasileiras, em arranjos próprios, visando à performance como meio de educação musical.

Finda a solenidade, o casal Manassés e Graça Fonteles ofereceu aos convidados um coquetel, com farta e diversificada oferta de canapés, da chef Solange Gurgel, gerando um momento de intenso congraçamento entre tantos amigos, colegas e admiradores do recém-laureado.

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor titular de Saúde Pública-Uece

*Publicado In: Jornal do médico digital, 3(45): 41-45, novembro de 2023. (Revista Médica Independente do Ceará). 


domingo, 31 de dezembro de 2023

Discurso de lançamento do livro "A HISTÓRIA DE ELDA"

 

Por Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Pela família Gurgel Carlos

Elda Gurgel Coelho nasceu em 11 de setembro de 1930, em Senador Pompeu, no Ceará, filha do casal Paulo Pimenta Coêlho e Almerinda Gurgel Coelho.

Cursou, na capital cearense, o Primário no Grupo Escolar São Gerardo e o Ginasial no Colégio da Imaculada Conceição e no Colégio Santa Isabel.

Elda contraiu núpcias com o professor Luiz Carlos da Silva em 14 de agosto de 1947, em uma cerimônia simples, passando ela a assinar o nome Elda Gurgel e Silva.

Os primeiros anos de vida em comum do casal foram bem difíceis, coincidindo a contenção de numerários com a sucessão de gestações, compondo uma prole de treze filhos.

A trajetória de vida de dona Elda, entretanto, não se restringe ao relato de seu “glorioso” passado reprodutivo. Ela foi o esteio para a criação e a educação de tantos filhos, hoje convertidos em cidadãos de bem e de largo crédito no seio social cearense.

No entremeio de muitos afazeres domésticos, dona Elda ainda achou tempo para voltar a cultivar seus dons artísticos e para assumir compromissos religiosos e comunitários na Paróquia de Nossa Senhora das Dores, participando de diferentes pastorais e exercendo o Ministério Extraordinário da Eucaristia, por anos a fio.

Nos quinze anos seguintes ao desaparecimento de nosso pai, falecido em 20 de novembro de 2000, ela passou a dedicar-se mais intensamente aos seus trabalhos de tapeçaria, assumindo, na viuvez, a postura de “matriarca” da família, sendo festejada e cortejada por seus diletos filhos, bem como seus genros e noras.

Nos seus derradeiros anos, marcados por insidiosa enfermidade, ela encontrou no carinho dos filhos o alicerce para manter-se fiel ao cumprimento das virtudes teologais que pautaram a sua longa existência, finda na madrugada de 9 de abril de 2022.

Na semana seguinte à sua Missa da Ressurreição, expus aos meus irmãos a proposta da feitura de um livro em homenagem à nossa mãe a ser lançado em setembro do ano pretérito. A receptividade à proposição em epígrafe foi muito boa; porém, para alguns dos meus familiares, em razão dos aspectos emocionais, decorrentes de tão sentida perda, emergiu a ponderação para que se esperasse o percurso de, pelo menos, um ano, da partida materna, para que a obra fosse posta em marcha e viabilizado o seu lançamento.

Espelhado na experiência de organizar dois livros sobre o nosso genitor, convidei os irmãos Paulo e Mirna, respectivamente, o primogênito e a caçula do clã Gurgel-Carlos, para juntos cuidarmos da organização da obra tendo a nossa mãe como a protagonista principal, resultando em pronto acolhimento e engajamento de ambos.

Este livro, ora apresentado, contém a participação efetiva de todos os filhos do casal Luiz e Elda que, ao exibirem a trajetória de vida da perfilada, aqui disposta em oito partes, reverenciam a figura materna modelar que muito concorreu para formar e educar uma extensa prole, composta de cidadãos honrados e laboriosos, em prol da nossa tessitura social tão necessitada de gente de bem.

De forma consensual, os filhos de Elda, cientes do valor que ela atribuía à família, escolheram este encontro natalino que reúne muitos familiares, sobretudo, os descendentes de Almerinda Gurgel para lançar esta obra e distribuir exemplares aos participantes, já autografados e com os seguintes dizeres: “Alegramo-nos por compartilhar conosco do lançamento deste livro em homenagem a Elda Gurgel e Silva”.

Que a leitura desta publicação estimule outras famílias cearenses a produzirem registros dos feitos notáveis de seus progenitores.

* Pronunciado por ocasião do lançamento do livro “A História de Elda: a matriarca da família Gurgel-Carlos”, realizado no Espaço MGM, em Fortaleza, em 23 de dezembro de 2023.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 24/12/2023.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2023/12/discurso-de-lancamento-do-livro.html


terça-feira, 15 de novembro de 2022

CONVITE – Lançamento de “Elóquios Acadêmicos”

A Editora da Universidade Estadual do Ceará (EdUECE), por ocasião da XIV Bienal Internacional do Livro do Ceará, convida para o lançamento do livro ELÓQUIOS ACADÊMICOS”.

A obra de autoria do Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva, produzida no formato de e-book, foi prefaciada pelo Dr. Neuzemar Gomes de Moraes, advogado, sócio efetivo do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico) e ex-presidente da Academia Cearense de Retórica, que partiu ao encontro do Pai em 22/08/2021.

Data: 16 de novembro de 2022 (quarta-feira), às 19h, durante a “Bienal do Livro do Ceará”.

Local: Stand da EdUUECE, no Centro de Eventos do Ceará (stand 140, localizado entre a Praça Gilmar de Carvalho e lanchonete Cheia de Arte).

Profa. Cleudene Aragão

Diretora da EdUECE


domingo, 2 de outubro de 2022

DISCURSOS DE RECEPÇÃO EM POSSE DE TITULARES DA ACADEMIA CEARENSE DE MEDICINA

 

Manda a tradição que as academias e confrarias congêneres realizem uma sessão solene de posse de seu novo membro, momento em que o mesmo é saudado por um confrade veterano, fazendo as honras da casa em nome da entidade de acolhida.

A Academia Cearense de Medicina (ACM) quando deu posse, simultaneamente, aos seus 26 fundadores, teve um primoroso discurso inaugural, pronunciado pelo Acad. Paulo de Mello Machado, disponível para leitura às páginas 17 a 22, do Volume I dos Anais da ACM, publicado em 1984. Por sua natureza seminal, era natural que esse discurso não traçasse os elementos biográficos particulares de cada fundador.

Os primeiros membros titulares (MT) da ACM, após o ato fundacional, tomaram posse, em março de 1982 e, desde então, a ACM tem religiosamente cumprido o figurino de indicar um dos acadêmicos para saudar o novo MT, fazendo o discurso de saudação ao recipiendário, a quem anfitriona expondo à audiência as justificativas para a admissão do novel árcade, baseado nos pujantes feitos do sócio a empossar.

Naquele ano de 1982, em decorrência do aumento do número de cadeiras recém-criadas, a ACM deu posse a 15 MT, sendo dez recebidos pelo Acad. Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves e cinco pelo Acad. Caetano Ximenes Aragão.

Ao todo, os 102 MT, até junho de 2022, em suas correspondentes posses foram recepcionados, por 34 oradores, comportando anunciar que os acadêmicos mais recorrentes nessas saudações, com as suas respectivas quantidades, foram: Geraldo Wilson da Silveira Gonçalves (11), João Martins de Souza Torres (6), Raimundo Hélio Cirino Bessa (6), Caetano Ximenes Aragão (5), Pedro Mauro Rola de Souza (5), Francisco Flávio Leitão de Carvalho (4), Gerardo Frota de Sousa Pinto (4), João Evangelista Bezerra Filho (4) e Marcelo Gurgel Carlos da Silva (4).

Por fim, vale informar que esses elóquios de saudação proferidos nas posses de MT estão publicados nos diversos Volumes dos Anais da ACM.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18

Publicado In: Jornal do médico digital, 3(29): 33-34, setembro de 2022.

RD-setembro-2022-app.pdf (jornaldomedico.com.br)

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Discurso de Abertura do IX Simpósio Internacional de Ecocardiografia

Por Dr. José Eloy da Costa Filho

Exmos. Srs.

Distintos convidados do IX Simpósio Internacional de Ecocardiografia.

Prezados colegas participantes do evento,

Senhoras e senhores que aqui estão: 

Meu maior capital, como ser humano é ser digno e só a presidência deste simpósio, já me confere uma dignidade ímpar. José Eloy da Costa Filho

Já foi dito que há momentos na vida em que, qualquer que seja a posição do corpo, a alma está de joelhos.

Pois bem, é assim como me sinto, diante de suas presenças.

A genuflexão diz bem do meu estado de espírito, de puro encantamento e intensa satisfação interior.

Trago comigo a certeza de ter contribuído com total dedicação e redobrado esforço, para realização de um grande acontecimento.

Não que eu queira fazer convergir para mim, os louros da vitória.

Fui, tão somente, um “entre tantos”, nesse processo exitoso, desde sua concepção.

Como presidente, no entanto, do IX Simpósio Internacional de Ecocardiografia, tenho que calar a minha timidez e me fazer de forte, com o fez Nijinski, ao receber um troféu de ouro, na consagração da primavera.

Ele que só sabia dançar, ainda que sua dança o fizesse subir aos céus, ao ser agraciado, tropeçou e caiu no palco que era seu.

Eu, que estou a milhões de ano luz da genialidade do bailarino, temo fazer o mesmo, neste instante de glória.

Sou um simples mortal e a honra do privilégio de abrir este evento, faz aflorar em mim, sentimentos tão contraditórios, quanto perigosos: o orgulho do ecocardiografista, saído de uma região adusta, como a do Nordeste brasileiro e a humildade do profissional, premido pelos limites da geografia; a fidelidade obstinada ao meu ideal de fazer deste, um acontecimento sem precedentes e o temor injustificado de que as galas desta noite não alcancem o brilho merecido.

Não me pejo de dizer que tenho medo.

Mesmo sabendo o que já disse Castañeda: “o medo é o maior inimigo do homem”.

Comigo tenho, porém, o antídoto para essa fraqueza do espírito: a fé inabalável em deus e a crença na inteligência e na audácia empreendedora dos meus pares.

De verdade, estou vivendo a magia de um dos “instantes” de Jorge Luiz Borges: “a vida é feita só de momentos” e este, talvez que seja o mais importante da minha vida pessoal e profissional.

Meu maior capital, como ser humano é ser digno e só a presidência deste simpósio, já me confere uma dignidade ímpar.

Não disse ainda da minha felicidade: primeiro, por viver em minha terra; segundo, por poder recebê-los aqui e dividir com todos, esse prazer de vivenciar fortaleza, na generosidade do seu povo e na grandeza das suas tradições.

O bairrismo me leva às raias do improvável, mas não deixo de imaginar que os renomados convidados americanos, possam, de volta ao seu país, entoar “Fortaleza, on my mind”, como se “Georgia” fosse, a imortal canção transmitida ao mundo, nas últimas Olimpíadas de Atlanta.

Também não me privo de pensar no que já disse o autor de “Morte e Vida Severina”, João Cabral de Melo Neto, sobre o gênio do simbolismo francês, compatriota, portanto, dos eméritos professores, aqui presentes, Daniel Sidi e Jerôme Lebidois: “depois de Beaudelaire, tudo o que disserem, já foi dito por ele”. Quem sabe, ao falar dos sentimentos humanos-vaidade, alegria, medo, satisfação, eu não esteja só repetindo o vate, ainda que seja uma obrigação de quem o conheça, não deixar que diminua o facho que iluminou o mundo.

Já me fiz extenso na minha fala e muito pouco disse sobre o motivo real de suas vindas ao Ceará: a participação no IX Simpósio Internacional de Ecocardiografia.

Este, não seria, de princípio, um evento como tantos outros já acontecidos.

Houve, na sua preparação, uma preocupação inusitada com os temas de abordagem e com a escolha dos expositores.

Não faltou cuidado, diante da perspectiva de entrada no novo milênio, quando a ecocardiografia mais e mais se afirmará, mercê da sua capacidade de interferir, no âmbito das cardiopatias, tanto antes de sua ocorrência, como nos primeiros sinais de comprometimento.

O avanço da tecnologia, neste final de século, já permite a prevenção da mortalidade perinatal, com os exames eco-fetais. O sofrimento cárdio-fetal, inclusive, já pode ser diminuído, controlado e/ou até anulado pelo uso do ecocardiógrafo e a competência do ecocardiografista.

Assuntos como esse, estão inseridos na pauta da programação científica do IX Simpósio Internacional de Ecocardiografia.

A Medicina da era eletrônica, em que pese o seu tecnicismo, não perdeu a sua natureza humanística, embora ficando mais próxima da afirmação de Francis Bacon: “quem não aplica remédios novos, deve esperar novos sofrimentos, pois o tempo é o grande inovador”.

A ecocardiografia é inovadora. A ela se deve a continuidade de muitas vidas. A ela se agradece o poder percorrer, com muito mais profundidade os meandros do coração.

E por falar de coração, só me resta dizer como no verso do poeta desconhecido:

“Sino, coração da aldeia,

coração, sino da gente.

um a sentir, quando bate,

outro a bater quando sente”.

Meu coração, neste momento, é que nem o velho sino da aldeia, perdida nas brumas do tempo: no limite da compulsão, bate desvairado pela alegria de sabê-los partícipes de uma mesma causa, de uma mesma idéia, de um mesmo interesse pelo conhecimento que se promete.

Só tenho que agradecer por suas presenças.

Às autoridades, pelo prestígio conferido ao evento.

Aos convidados, pelo enriquecimento que suas experiências trazem ao simpósio.

Aos colegas participantes, pela oportunidade que se cria de ampliação dos seus horizontes científicos.

Enfim, tenho que agradecer a deus a graça que me foi concedida de poder dar-lhes as “boas vindas”, ao mesmo tempo em que faço minhas as palavras de Thiago de Melo: “desejo que a vida, que sempre foi boa comigo, abra também uma janela em seus corações, para que por ela possam entrar, o resplendor do orvalho, o fulgor das estrelas e o invisível arco-íris do amor”.

Muito obrigado a todos.

Na impossibilidade de homenagear a quantos deveria, pelo muito que representam nas áreas científicas, política, e empresarial do estado e do país, o IX Simpósio Internacional de Ecocardiografia, restringe suas homenagens somente a alguns poucos que, pelo muito que têm feito, dela se tornaram maiores amores.

Um agradecimento especial há que ser feito a mentora espiritual da solenidade de abertura do evento, no Theatro José de Alencar. Quando o IX Simpósio Internacional de Ecocardiografia ainda era uma idéia, foi Olga Paiva que pôs alma e coração a serviço do acontecimento, que teria, a partir de então, conformadas todas as suas estruturas.

A Dra. Glaura Férrer, escolha pessoal do presidente, referendada por seus pares, à conta do estímulo empresado do início de sua vida profissional e que se fez crescente ao longo tempo, não sem deixar de ser considerada a competência imprimida no exercício da profissão, tida como modelo para as gerações de cardiologistas que viriam a seguir.

Ao Dr. José Nogueira Paes, pela sua condição de pioneiro da ecocardiografia, no estado do Ceará, aliada a uma postura digna dos grandes homens da ciência.

Ao Dr. Ronaldo Mont’Alverne, por ter sido dos primeiros, no Ceará, a utilizar a ecocardiografia como meio diagnóstico das patologias do coração.

Ao Dr. Anastácio Queiroz de Sousa, médico e secretário estadual de saúde, pelo compromisso com a saúde, no Ceará.

Ao Dr. Régis Jucá, cardiologista de renome nacional e internacional pela crença depositada na ecocardiografia, desde o seu surgimento, com ênfase na implantação, ao nível local.

Tenho dito!

Discurso de abertura do IX Simpósio Internacional de Ecocardiografia pronunciado pelo Dr. José Eloy da Costa Filho, no Theatro José de Alencar, em Fortaleza, em 30/10/1996.

Notas do Editor do Blog:

1) Os versos anunciados por Dr. Eloy neste discurso são da autoria de ANTÓNIO CORREIA DE OLIVEIRA, que nasceu em 30 de julho de1879 em São Pedro do Sul/Portugal. Foi um dos mais importantes poetas portugueses. Na Trova, foi a referência do mestre Orlando Brito. Quase vinte obras lançadas. Faleceu em Esposende/PT, em 20/12/1960. http://falandodetrova.com.br/correiadeoliveira

2) O arquivo com este discurso fora por mim preservado entre os documentos atinentes desse simpósio, do qual tomei parte da sua organização. Aqui cuidei tão somente de salvar e diagramar o texto original, usando um editor de texto atual, mas mantive a ortografia oficial vigente no momento em que foi proferido.

3) Esta postagem é uma homenagem ao Dr. Eloy, falecido em Fortaleza, em 1º/08/2020.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico da UFC – Turma 1977

terça-feira, 17 de julho de 2018

SEU SILVA - O mestre educador do bairro de Otávio Bonfim



Por Vicente de Paula Falcão Moraes
Quando a tristeza bater na sua porta, não tenha medo de dizer:
desculpe, mas a felicidade chegou primeiro.
A maior experiência da vida do ser humano tem seu início a partir da família, onde se desenvolve a estrutura moral e educacional.
A extraordinária obra “LUIZ, MAIS LUIZ”, escrita pela ilustre família GURGEL CARLOS DA SILVA, organizada pelos filhos de LUIZ CARLOS DA SILVA, Dr. MARCELO GURGEL CARLOS DA SILVA e Dr. PAULO GURGEL CARLOS DA SILVA, e de todos os familiares, hoje, aqui apresentada, constitui um fenômeno literário raramente igualado. Nesta obra imortal se constrói com muita dignidade o CENTENÁRIO do Dr. LUIZ CARLOS DA SILVA, nosso querido “MESTRE EDUCADOR DO BAIRRO DE OTÁVIO BONFIM”, mais conhecido como seu SILVA. Afirmo, com toda minha convicção – pois sou testemunho, ainda vivo de muitas passagens textualizadas na brilhante obra. O presente livro será recebido com grande entusiasmo pela população do bairro de Otávio Bonfim que viveu os “ANOS DOURADOS E ILUMINADOS” do nosso querido bairro como também pelos familiares e amigos, se impondo silenciosamente como um autêntico “best-seller”. Os temas aqui apresentados se alinham entre os mais variados. São crônicas verdadeiras de quem viveu e conviveu mais próximo desse grande Mestre educador – seu SILVA. Permito-me com o direito de silenciar sobre minhas escrituras publicadas no livro de minha autoria “Anos Dourados em Otávio Bonfim”. Reportar-me-ei somente sobre fatos que me emocionam e traduzem uma riqueza de saudáveis momentos de plena felicidade.
Para complementar estes belos momentos históricos homenageando o patrono da presente obra, detalhada e feita com o mais sublime amor. O certo, certíssimo baseia-se na busca de fontes de um verdadeiro tesouro, onde chega-se à conclusão de que tudo teve sua complementação através da publicação do livro editado no ano de 2008, “DOS CANAVIAIS AOS TRIBUNAIS”, de autoria dos brilhantes filhos de seu SILVA e Dª ELDA GURGEL E SILVA, Dr. MARCELO GURGEL CARLOS DA SILVA E Dra. MÁRCIA GURGEL CARLOS ADEODATO.
SIC TRANSIT GLÓRIA MUNDI - As glórias do mundo são transitórias. 
Existem coisas emocionantes na vida do ser humano. Talvez a mais gratificante seja você ter a condição de olhar pelo retrovisor da vida e mensurar a “Linha do Tempo”. Com a devida permissão do Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva, pego este gancho para comentar e dizer de meu orgulho pessoal de ler depoimentos em forma de crônicas de amigos e alunos do querido Instituto Padre Anchieta. O que mais importa é a segurança da análise, o equilíbrio no discernir, a justeza no opinar, a correção expressional. Multicoloridas foram as luzes projetadas no livro “LUIZ, MAIS LUIZ”. São reflexos com brilho uniforme das belas noites estreladas, violadas e cantadas nos versos sertanejos, na pequenina Redenção.
·                    Como sendo a “Primeira Linha do Tempo”: TARCISO MORAES, a despeito de ser meu irmão foi taxativo e seguro assim opinando:
Todos os acontecimentos textualizados na presente obra servirão de exemplo para nossos filhos e netos, com uma marca do mais puro sentimento sob a orientação da igreja e de pequenas escolas primárias como o Instituto Padre Anchieta tendo à frente o seu SILVA, que tudo fizeram no sentido de preservar a união família/cristandade com base sólida para um futuro promissor”
·                    Em seguida temos a “Segunda Linha do Tempo”: Na crônica “O MESTRE E ADVOGADO DO OTÁVIO BONFIM”, Marlene Alexandre Rolim desenvolve sua cultura com aquele anseio de quem procura o amigo que muito quer vitorioso, com a isenção de quem se situa no estreito círculo formado pelos autores e familiares e ao próprio leitor impessoal.
Nosso querido bairro, Otávio Bonfim, destacou-se na área do saber pela ilustre presença e dedicação de nosso querido Mestre advogado: LUIZ CARLOS DA SILVA. Tornou-se um modelo para seus alunos, tendo em vista sua maneira de ensinar. Homem de vasta cultura. Ele lecionava Português, Matemática, História ou qualquer outra matéria que fosse. Seu saber era quase que ilimitado.
Além de professor querido, seu SILVA foi o meu Mestre das primeiras letras e meu patrão diretor, pois cheguei a lecionar em seu INSTITUTO PADRE ANCHIETA. Foi também meu orientador quando da escolha da minha profissão, e um fiel amigo de todas as horas.
Esse é o perfil de nosso querido Professor Luiz Carlos da Silva, a quem rendo minha homenagem por seu centenário que ora comemoramos.
·                    Na sequência encontramos na “Terceira Linha do Tempo, (só o final):
O grifo abaixo é do autor (VPFM). 
“Seu SILVA, o grande mestre educador, a enciclopédia ambulante do bairro de Otávio Bonfim”. 
·                    Sem sair do ritmo, chegamos a “Quarta Linha do Tempo” onde encontramos a crônica “EU E O INSTITUTO PADRE ANCHIETA (Memórias), uma crônica que traduz uma vivência do Jair Braga de Lima (ex-aluno): 
Lá no Instituto Padre Anchieta, o Diretor era o Professor Luiz Carlos da Silva - o seu SILVA, todos assim o chamavam. Nessa mesma ocasião ele já era formado pela Faculdade de Direito do Ceará. Em vista disso, recebia a dedicada ajuda de seu irmão, Professor José Carlos, que foi meu mestre efetivo, e por vezes da carismática Professora Eugênia, que também era sua irmã.  Ao dedicado homem que fez da própria vida um hino de amor ao bem fazer, as nossas homenagens, e a minha eterna gratidão por ter me conduzido sempre pelas veredas e caminhos largos, em busca da dignidade, do saber e da educação.
Saudades eternas do Grande Mestre!... 
Na “Quinta Linha do Tempo” demonstrando eterno amor pelo bairro de Otávio Bonfim deslizando em suaves águas bentas, na crônica “AS PALAVRAS VOAM, OS ESCRITOS FICAM” na opinião de meu irmão - Mauro Moraes. 
Pela bondade infinita do Criador da Vida, sinto-me hoje presente no Instituto Padre Anchieta, tal como estivesse vivendo há 74 anos dos 84 já vividos. Sou um personagem vivo, moldado nessa Oficina de Ciência que foi concebida para preparar grandes transformações sociais. Bendito seja. Santuário dos meus sonhos. Relicário da gratidão e do reconhecimento do seu ex-aluno que, genuflexo, agradece a formação primária dos estudos preparatórios para o Exame de Admissão ao Ensino Secundário prestado no Colégio Cearense Sagrado Coração. Em estado de graça contemplo saudosamente, a Praça, o Relógio, a Igreja e com os olhos marejando lágrima, tenho a visão do seu SILVA adentrando a sala de aulas do Instituto Padre Anchieta. Fonte sagrada, onde viveu o privilégio de chegar, sentar, ouvir e praticar os sadios ensinamentos de um Santo-professor.
Seu SILVA, sou-lhe eternamente grato.
Permaneça com DEUS.
AMÉM... 
Finalizando, nos deparamos com a “Quinta Linha do Tempo”. LUIZ CARLOS DA SILVA E O INSTITUTO PADRE ANCHIETA.
Edmar Gurgel Coelho – o Edmarzinho - era o cunhado peralta do seu SILVA, e eu digo ser ele o meu “Anjo da Guarda”, traduz a dignidade de seu reconhecimento e amor pelo bairro e pela família. Puro sentimento de amor. 
Lembro-me com saudade do Instituto Padre Anchieta, no início da Rua Justiniano de Serpa, no bairro de Otávio Bonfim, onde comecei nos anos de 1945, juntamente com meus irmãos a alfabetização. Era seu proprietário/diretor, o professor LUIZ CARLOS DA SILVA, conhecido por todos como seu SILVA. Com ele formava o corpo docente do Instituto seus irmãos José Carlos chamado de professor Zezinho e Dª Eugênia, conhecida carinhosamente por Dª Niná. A disciplina aplicada era rígida, valendo narrar que naquele tempo era comum em algumas escolas o castigo físico para os indisciplinados, tais como: puxão de orelhas, palmatória ou ficar de joelhos em cima de tamborete. Tem outra passagem boa em 1961: eu e meu primo Tarcisio Gurgel, estávamos na sala do Instituto, já desativado, preparando-nos para o Concurso do Banco do Brasil. Do famoso livro de Fábio de Melo, tentávamos resolver mais ou menos os 1100 problemas de matemática dos mais variados existentes. O SILVA, ao adentrar viu que muitos exercícios não tinham sido resolvidos. Então afirmou que se lembrava de seus estudos de álgebra ainda do ginásio do Colégio Cearense. A partir desse momento, passou a resolver todos os que apresentávamos. Que ensinamento! Tirei ótimo proveito, sendo aprovado no concurso e assumindo no BB no ano seguinte. 
Na presente condição, vimos “LUIZ, MAIS LUIZ”, e como apoteose da obra, afirma-se e confirma-se, o leitor saudosista e amadurecido, a deitar jurisprudência ao lado dos melhores “experts”.
No mais a sensação da leitura foi de agradável deleite. 
Parabéns Dr. Marcelo e Dr. Paulo e toda a família Gurgel e Carlos da Silva, pois ainda existe uma esteira de LUZ à frente. 
* Discurso proferido por Vicente Moraes, ao ensejo da sua apresentação, quando do lançamento do livro “Luiz, Mais Luiz! Centenário de nascimento de Luiz Carlos da Silva”, no Ideal Clube, em Fortaleza, em 24 de janeiro de 2018.

 

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