quinta-feira, 18 de junho de 2026

ELMO: do capacete à Fundação

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Todos nós, de forma direta ou indireta, passamos por momentos de intensa preocupação com a pandemia do Sars Covid que se instalou a partir de 2019 e já em 2020 ceifou cerca de 1,8 milhão de vidas no mundo. No Ceará, as perdas beiraram as 10.000 vidas, criando um clima de insegurança a prejudicar também a saúde física e mental dos não infectados, que precisaram conviver com um mundo totalmente diferente.

Nesse ambiente de luto e extrema pressão sobre o sistema de saúde, a falta de equipamentos e de vagas de UTI, levaram à busca de novas opções, não apenas de convivência, mas sim de combate aos efeitos cruéis que a Covid-19 trouxe.

Povo inteligente e inovador por natureza, o cearense proporcionou ao mundo um dispositivo de respiração assistiva não invasiva, a que se denominou Capacete Elmo, cujo desafio principal era evitar o colapso do sistema hospitalar, que se acentuava na medida em que mais e mais pessoas precisavam ser intubadas nas fases críticas da doença.

Força-tarefa unindo Escola de Saúde Pública do Ceará, Funcap, UFC, Unifor, a FIEC/SENAI e Esmaltec, teve a missão de desenvolver, em tempo recorde, um caminho diferente. E chegou ao mecanismo de pressão positiva proporcionado pelo Elmo, o que reduziu em até 60% a necessidade de internações em UTIs e salvou milhares de vidas.

Hoje, esse símbolo de humanização, que mantinha o paciente lúcido, comunicativo e com um conforto psicológico fundamental para o momento de tanto isolamento, ressurge com ainda maior alcance, na forma de uma Fundação que é um verdadeiro hub para novas tecnologias em saúde assistiva.

Reconhecido pela CNI e Sebrae como inovação em produto; pela Abril e Dasa como tratamento; e pela OMPI como exemplo global do uso da propriedade intelectual para o bem social, o Elmo conquistou ainda o Prêmio Euro de Inovação em Saúde, em 2023.

A aplicação desse prêmio no projeto da Fundação Elmo, criada para fortalecer a pesquisa, a inovação, o ensino e a memória da saúde respiratória, consolida o legado do capacete e acentua o verdadeiro espírito de preocupação com a atenção na saúde e a preservação da vida.

Parabéns a todos os nele envolvidos.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/05/26. Opinião. p.18.

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