Por Sofia Lerche Vieira (*)
O processo de urbanização brasileira se
intensificou na segunda metade do século XX, em decorrência da formação de
grandes aglomerações urbanas e da necessidade de novas formas de planejamento
territorial. Nesse contexto surgiram as chamadas regiões metropolitanas,
agregando municípios em torno de metrópoles, perspectiva que dá origem à Região
Metropolitana de Fortaleza (RMF). Criada em 1973, hoje, agrega 19 municípios:
Aquiraz, Cascavel, Caucaia, Chorozinho, Eusébio, Fortaleza, Guaiuba, Horizonte,
Itaitinga, Maracanaú, Maranguape, Pacajus, Pacatuba, Paracuru, Paraipaba,
Pindoretama, São Gonçalo do Amarante, São Luís do Curu e Trairi.
A ideia subjacente à criação da RMF foi
promover maior integração administrativa e coordenação de políticas públicas em
áreas urbanas que ultrapassavam os limites municipais. A solução de tais
problemas, contudo, não ocorreu como previsto: os problemas urbanos se
agravaram, desigualdades entre os municípios se fizeram presentes em várias
dimensões da gestão pública e muitos desafios surgiram.
Embora a RMF agregue 63,6% do PIB do
estado, a distribuição desigual da riqueza eleva as disparidades entre
municípios. Enquanto uns concentram atividades de maior retorno econômico, a
exemplo de São Gonçalo do Amarante que abriga o Complexo Industrial e Portuário
do Pecém (CIPP); outros, dependem fortemente de recursos da União e do Estado,
incluindo programas de transferência direta de renda como o Programa Bolsa
Família (PBF), do qual entre 42% e 58% da população são beneficiários.
A análise de indicadores econômicos e
educacionais mostra não haver correspondência entre uns e outros. Ou seja, não
necessariamente municípios com alto PIB têm equivalente desempenho educacional
e vice-versa. Essas e outras questões são objeto de nossos estudos recentes que
apontam para desafios a serem enfrentados, sendo a criação de um Observatório
da Educação da RMF (@observa.remefor) uma iniciativa necessária e já em
andamento. A Universidade é um fórum propício a este diálogo para o qual
convidamos governo, sociedade civil e municípios da região.
(*) Professora do
Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/05/26. Opinião. p.18.

Nenhum comentário:
Postar um comentário