Por Raimundo Padilha (*)
Imaginar que o
seu crime seria perfeito, foi um erro crasso. Ele esqueceu que a perfeição não
está entre os humanos. Ela existe, mas está plano celestial e não no nosso.
Ao armar o golpe
gigantesco de bilhões de reais, ele abriu portas, através da quais, encontrou
caminhos para as mais diversas formas de captação de recursos de forma lícita e
ilícita, comprando graúdos intermediários financeiros e encontrou caminhos escusos
e aparentemente invisíveis, para escondê-los em mãos, também, sujas.
Depois de
maquinar a captação dos recursos e os seus esconderijos, ele procurou se
proteger através do auto poder nacional, inclusive das togas para a sua
segurança pessoal. Por isso, o seu plano previa a sua prisão ou fuga. Mas, o
risco de ser alcançado era iminente. Daí, ter pago, antecipadamente, e muito
bem, os seus futuros defensores.
O compliance e a
Auditoria Externa, foram acometidas de miopia ou cegueira absoluta, sem prestar
qualquer informação aos órgãos reguladores. E, parece, que não serão apenados.
O Brasil que queremos, grandioso e justo não pode, nem deve ser transformado em
forno de pizza.
Até Ministros do
STF tiveram alguma forma de participação, seja através de escritórios de
advocacia de seus familiares ou negócios imobiliários sem visibilidade.
Como forma de
alimentar o golpe do Master, que era baseado na cobertura do FGC, houve
Senador, chegou a apresentar proposta ao senado para elevar o Fundo Garantidor
de Crédito de 250 mil para 1 milhão de reais, o que seria uma forma de
alavancar os negócios do Banco Master. Tudo adredemente projetado para cobrir o
rombo, que no seu somatório vai próximo dos 60 bilhões. Este é o maior rombo já
praticado no Sistema Financeiro Brasileiro.
Através dos
Fundos de Pensão, que também foram envolvidos, não é fácil prever quantos
investidores pessoas físicas, foram atingidas.
Também,
comenta-se que houve Fundo de Pensão que aplicou recursos nos Fundos do Master
por influência dos políticos.
Houve Ministro
que viajou com a esposa para um Estado fora de Brasília em vôo pertencente ao
Vorcaro. Se tudo que tem sido dito sobre as proezas deste cidadão, conclui-se,
que se trata de homem perigoso e maquiavélico, que a tudo compra com o poder do
dinheiro e absolutamente sem escrúpulos.
Até na prisão o
Sr. Vorcaro teve o benefício de não ter o cabelo raspado à zero, mas, apenas
rebaixado.
Depois de preso o
Sr. Vorcaro, substituiu seus advogados, contratando outra banca e tomou a
decisão de fazer uma delação. O assunto está tramitando no poder judiciário e o
Sr. Vorcaro, possivelmente reunindo provas para dar validade à sua delação.
A dúvida é se ele
nomina todos os envolvidos e qual será o tamanho da sua pena e dos seus
comparsas. Um já pagou com a própria vida, sob a alegativa de suicídio com uma
camisa de malha.
(*)
Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de
Economia.
Fonte: O Povo, de 13/05/26. Opinião. p.19.

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