sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Crônica: Chico Pinto e a riqueza que vinha dos 'vazios'... e outros causos

Chico Pinto e a riqueza que vinha dos 'vazios'

Amiga Claudinha me mandou essa, contada pelo Nonato, ex-lateral direito do Quixadá dos tempos de Xavante e Jacaré na zaga. Jura pela "Cruz de Deus" como é verdade. Pretensão! Lá pelas bandas de Ibaretama, precisamente na localidade de Macacos, bem na extrema, explica, morava um cidadão conhecido por Chico Pinto.

Chico tomava conta de uma fazendinha pertencente a um senhor residente no Conjunto José Walter, aqui em Fortaleza. Era homem trabalhador, e tinha duas grandes habilidades: gostava duma cachaça (amuada) e era muito animado para fazer menino (reprodutor).

— E não era de meia que eu fazia menino, não, viu?

Naquele tempo, existia um benefício que garantia um dinheiro quando a mulher tinha filho. E Chico Pinto, que já era pai duma ruma, descobriu que aquilo também podia virar patrimônio, investimento, meio de vida. Toda vez que a mulher paria, Chico recebia o dinheiro e comprava uma novilha.

E assim foi: menino pra cá, novilha pra lá, novilha pra cá, menino pra lá... até que conseguiu juntar quatro vacas e uma novilha - esta última comprada depois do nascimento do filho mais recente, um tal Júnior Filho. Certo dia, no meio duma bebedeira, Chico na mesa de bar se gabando de sua riqueza...

— Eu já tenho é quatro vacas e uma novilha! Tá pôde?

No mesmo estabelecimento encontrava-se Manuel Vieira, o famoso Mané Mago. Que tinha um jeito peculiar de beber cachaça - não ficava rico, nem valente. Perdia era o medo de dizer a verdade na cara dos outros. Ao ouvir Chico se pabulando de novo...

— Eu estou ficando é rico, homem!

... Mané Mago olhou bem no fucim do outro, deu mais um gole e soltou essa:

— Rico coisa nenhuma, macho! Tu não tem é nada! Tudo que tu tem vem é dos vazios da tua mulher!

Para quem conhece a linguagem dos antigos, "os vazios" não precisavam de explicação: era por onde os filhos chegavam ao mundo. Naquele caso, também por onde o dinheiro das crias acabava virando vaca. Chico Pinto, porém, não achou graça nenhuma. Ficou enfurecido, puxou uma faca e partiu para cima de Mané Mago.

O problema é que Mané Mago era tão magro que, segundo a tradição oral da região, se tivesse corrido de frente para o vento, chegava do outro lado da estrada antes do próprio corpo. A discussão virou briga, e Mané Mago acabou levando a pior. Depois da confusão, Chico Pinto deixou a região. Vendeu as vacas que havia conseguido juntar e foi embora.

O resultado de toda aquela história: Chico Pinto ficou sem as vacas, Mané Mago deixou a história por contar e seu Pedro, lá do José Walter, ficou sem morador na fazenda.

Desde então, quando alguém em Macacos começa a se gabar de patrimônio, sempre existe o risco de aparecer um Mané Mago da vida e perguntar:

— Mas esse patrimônio veio de onde mesmo, macho?

Naquela época, em Ibaretama, gente fazia menino por amor, por gosto... Chico Pinto fazia pensando na cotação da novilha.

Pra inglês ouvir!

Mundico trabalhou por 10 anos na casa de seu Jorge e dona Candinha, que "traçavam" um inglesinho até mais ou menos. Um dia, interessado em Michael Jackson, perguntou a seu Jorge como era "começar" em inglês e o patrão respondeu: "Begin!" E recomeçar, seu Jorge? "Rebegin". Parar? "Stop".

- E reparar?

- Restop!!!

Fonte: O POVO, de 25/09/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Ceará é o potencial Data Center Valley brasileiro

Por Lauro Chaves Neto (*)

O Ceará pode estar diante de uma oportunidade que vai muito além da instalação de grandes data centers. A combinação entre localização geográfica, conectividade internacional, infraestrutura portuária, disponibilidade de energia renovável e ambiente industrial cria condições para que o Estado se transforme em uma das principais plataformas brasileiras de infraestrutura digital e inteligência artificial.

A referência internacional mais evidente é a Virgínia, nos Estados Unidos. A região de Northern Virginia tornou-se o maior polo de data centers do mundo ao combinar, ao longo de décadas, conectividade, energia, infraestrutura, terrenos, capital e proximidade de grandes mercados. Hoje, esse ecossistema movimenta dezenas de bilhões de dólares e sustenta mais de cem mil empregos.

O Ceará não precisa copiar a Virgínia. Pode construir um modelo próprio. Se, no curto prazo, os data centers movimentarão construção civil, engenharia, energia, telecomunicações, refrigeração e serviços especializados, no médio prazo poderão estimular uma cadeia de fornecedores locais, ampliar a demanda por profissionais qualificados e criar novos mercados para empresas cearenses.

A energia poderá ser um dos nossos maiores diferenciais com uma proposta de valor diferente: computação de alta capacidade alimentada por energia limpa e competitiva. Outro desafio - e oportunidade - será a água. Data centers exigem sistemas sofisticados de refrigeração, e o Ceará precisa incorporar desde o início tecnologias de baixo consumo hídrico, reuso e eficiência.

No longo prazo a conexão entre data centers, universidades, empresas e empreendedores pode criar um ecossistema tecnológico capaz de gerar valor muito além do investimento inicial.

O sonho não deveria ser simplesmente ter grandes data centers instalados no Ceará. O verdadeiro objetivo deveria ser muito mais ambicioso: transformar o Ceará em um Data Center Valley brasileiro, capaz de converter energia renovável em computação, computação em inteligência artificial e inteligência artificial em empresas, conhecimento, empregos qualificados e desenvolvimento econômico.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 18/09/26. Opinião. p.18.


quarta-feira, 21 de outubro de 2026

A importância geopolítica e os desafios do BRICS

Por José Nelson Bessa Maia (*)

A 18ª Cúpula do Brics foi realizada em Nova Délhi, Índia, nos dias 12 e 13 de setembro de 2026. O encontro ocorreu sob a presidência rotativa da Índia. A agenda abordou temas como cooperação econômica e financeira, inovação, sustentabilidade, governança global e o fortalecimento da cooperação entre os países do Brics e do Sul Global.

Criado em 2009, o Brics consolidou-se como um dos mais importantes espaços diplomáticos de articulação entre países do chamado Sul Global. Originalmente formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o grupo ampliou progressivamente sua influência internacional, tornando-se uma expressão relevante da busca por uma ordem mundial multipolar.

Sua principal importância geopolítica está na possibilidade de ampliar a representação dos países do Sul Global nas decisões internacionais. Durante décadas, instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e outros organismos multilaterais refletiram predominantemente o peso econômico e político das potências ocidentais.

O Brics procura criar mecanismos que permitam maior participação das economias emergentes na definição das regras da governança global.

Outro aspecto importante é a dimensão econômica do grupo. Os 11 países do BRICS reúnem uma parcela expressiva da população mundial, dos recursos naturais, da produção industrial e do crescimento econômico global. O PIB conjunto de US$ 70 trilhões (no conceito PPP) supera o PIB dos membros do G-7.

A criação do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) representa uma tentativa concreta de ampliar as fontes de financiamento para projetos de infraestrutura e desenvolvimento, reduzindo a dependência das instituições financeiras ocidentais.

O Brics enfrenta desafios. Seus membros têm diferentes sistemas políticos, interesses nacionais, estruturas econômicas e prioridades estratégicas. Há rivalidades e disputas geopolíticas regionais entre alguns de seus integrantes, o que dificulta o consenso.

Outro desafio é transformar o peso econômico do grupo em maior capacidade efetiva de coordenação geopolítica. A ampliação do número de membros aumenta a representatividade do Brics, mas também torna mais complexa a definição de acordos e prioridades.

A Declaração da 18ª Cúpula do Brics defendeu o multilateralismo, o crescimento econômico inclusivo e o fortalecimento do Sul Global e o consenso em torno da necessidade de "máxima contenção" nos conflitos no Oriente Médio.

Na ocasião, o Brasil colocou o seu sistema de pagamentos (o PIX), como um modelo tecnológico para discussões sobre a interligação de pagamentos e a redução da dependência do dólar, além de reiterar pleitos históricos, como a reforma do Conselho de Segurança da ONU, do FMI e da OMC. 

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 18/09/26. Opinião. p.19.


Políticas públicas baseadas em valores e informadas por evidências

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

A Secretaria do Planejamento e Gestão do Ceará (Seplag-CE) e a Escola de Gestão Pública do Estado do Ceará (EGPCE) estão realizando o programa Políticas Públicas baseadas em Valores e informadas por Evidências. A formação é ministrada pelo professor Paulo Jannuzzi, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), vinculada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com 73 anos de trajetória, a Ence é a mais tradicional escola de estatística do Brasil e a primeira do gênero na América Latina. Na abordagem adotada pelo programa, constituem evidências não apenas dados, estatísticas, estudos e documentos preparatórios, mas também o conhecimento tácito acumulado sobre as políticas públicas e seus programas. Esse conjunto de informações e saberes é fundamental para subsidiar o desenho, a implementação e o aprimoramento das atividades, dos produtos e dos resultados da ação governamental.

A metodologia desenvolvida pelo professor Jannuzzi aproxima os participantes do estado da arte contemporâneo da administração e das políticas públicas. Fruto da parceria entre Seplag-CE, Ence e EGPCE, a formação tem como objetivo fortalecer a capacidade técnica de servidores e gestores estaduais envolvidos na formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas públicas.

A abordagem das políticas públicas baseadas em valores e informadas por evidências ganhou crescente relevância nos círculos governamentais e acadêmicos. O debate contemporâneo tem contribuído para superar a concepção de um modelo idealizado e "puramente científico" de formulação das políticas públicas, em favor de uma perspectiva mais realista, que reconheça a necessidade de integrar evidências, valores, experiência administrativa e contexto político.

Essa compreensão encontra respaldo nos estudos de Brian Head, uma referência no debate internacional sobre políticas públicas informadas por evidências. Em seus trabalhos, Head defende que a formulação de políticas eficazes depende de um equilíbrio entre diferentes tipos de conhecimento: a evidência científica (pesquisa acadêmica), a evidência organizacional/administrativa (a experiência dos funcionários públicos) e o conhecimento político (valores, julgamentos e pressões sociais).

É nesse contexto que se insere o programa desenvolvido no Ceará. A iniciativa resulta de uma profícua colaboração entre a Seplag-CE, o Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) e a EGPCE, com o apoio incondicional do IBGE, por meio do presidente Márcio Pochmann.

Esse esforço conjunto busca estruturar um modelo de avaliação de políticas públicas e capacitar servidores e gestores estaduais para formular, implementar e aperfeiçoar políticas públicas fundamentadas no conhecimento científico e, ao mesmo tempo, calcadas na viabilidade administrativa e política.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 17/09/26. Opinião. p.15.


terça-feira, 20 de outubro de 2026

TEMPO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Não é apenas espaço de recordações, mas espaço de proposições.

O tempo não passa.

Ele finca pé, teimoso, que é e sempre será, enquanto marcamos nossos passos na trilha, que, no seu espaço, vamos abrindo.

O tempo nunca passa.

Mas, nós caminhamos nele entre passado e futuro, curtindo sabores que nos damos, na força da resiliência de nossas fragilidades.

Há um tempo dentro de mim.

Outro tempo fora de mim.

É bom saboreá-lo – qual? –, pois para todos há um umbral e, ao atravessá-lo, renascemos com a morte do tempo, no qual nosso ser vai sendo e crescendo, estando em cada gesto do amar, em cada fluir do fazer, em cada sorriso do contemplar e em cada beijo do abraço. 

O tempo de fora me permite e oportuniza.

O tempo de dentro é lerdo, temeroso e, às vezes, algoz a me vitimizar.

E, assim, vamos nós e o tempo no tempo do tempo, sempre com o tempo, na trilha do espaço que nele criamos.

O tempo de fora é suave

O tempo de dentro é barulho.

O tempo de fora oferece

O tempo de dentro esquadrinha.

O tempo de fora é curto

O tempo de dentro é mendaz

O tempo de fora, impávido, segue

O tempo de dentro um dia desmorona

E, noutro, morre, consumindo o seu espaço.

E, então, nunca mais daremos de cara com o tempo, pois, o nosso tempo passou e numa curva da eternidade, desaparece para sempre, enquanto continua a transportar mais e mais outros e desaparecer em cada curva de suas vidas.

O que haverá depois, se o tempo morreu e o espaço sumiu?

Ora, o que deles fizeste, será o teu guia eterno.

Perscruta-te!

Tempus fugit!

Uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 14/08/26.

ENTREVISTAS PRESIDENCIAIS

Por Raimundo Padilha (*)

O sistema de comunicação da Rede Globo realizou um programa de entrevistas com candidatos à Presidência da República do Brasil, que apresentaram os maiores níveis de pontuação nas pesquisas de opinião.

Inegavelmente o sistema de comunicação da Globo detém o maior nível de audiência dentre todos os veículos.

Nos anúncios das entrevistas, a meu juízo, a estrutura do programa seria diferente. Mas quem sou eu para me atrever a sugerir modelo de programa para qualquer veículo de comunicação? Posso ser um crítico, mas não tenho talento suficiente para a sua elaboração.

Na minha visão, não obstante alguns candidatos tenham algumas restrições no seu passado político, o tempo dedicado a este assunto me pareceu exagerado, prejudicando aquilo que julgo essencial para o eleitor, notadamente, o indeciso.

Obviamente todos aqueles que têm o passado com algumas restrições, iam se colocar negando e os entrevistadores tinham que indagá-los. A minha crítica não está na indagação dos maus feitos, mas na persistência do assunto diante do tempo dedicado ao programa e a variedade de temas não tratados.

Numa análise fria e simplória, o último candidato entrevistado, o dr. Augusto Cury, por não ter passado político, foi o único que teve oportunidade de apresentar suas ideias de futuro com mais liberdade, embora se possa descordar de muitas delas.

Não quero dizer que o passado dos candidatos seja uma página virada, mas no tempo do programa a persistência nas falhas por eles cometidas avançou muito no tempo útil do programa, ficando o eleitor indeciso na mesma indecisão quanto ao futuro do País. Perdemos uma excelente oportunidade de uma discussão mais abrangente de um olhar mais objetivo para o futuro.

O sistema de entrevista foi uma inovação em substituição ao debate coletivo dos candidatos, já que os maiores pontuados nas pesquisas não se dispuseram a participar. Repito, a crítica está na persistência do passado, o que lembrou os discursos entre si, dos candidatos num processo entediante de xingamentos. O público que assistiu às entrevistas esperava os projetos dos candidatos e não as suas defesas de pecados cometidos, defesas, aliás, algumas vezes falseando a verdade.

Não critico os entrevistadores, mas o seu roteiro. Insisto, um longo tempo com perguntas sobre as feridas do passado, principalmente, de Lula e Flávio, que hoje são os mais prováveis a chegar ao segundo turno.

Temas de relevante importância foram omitidos e que seriam do vivo interesse dos telespectadores.

Aguardamos que, nas próximas eleições, melhorem os programas dos veículos e o perfil dos candidatos.

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 2/09/26. Opinião. p.19.


segunda-feira, 19 de outubro de 2026

UECE COMO FORÇA DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

Por Ana Paula Ribeiro Rodrigues (*)

Durante o período de 19 a 23 de outubro, a Uece realizará a XXXI Semana Universitária (SU). O evento envolve atividades nos campi de Fortaleza e do interior, integrando não apenas a comunidade acadêmica, como também o público de outras instituições de ensino e a sociedade.

A SU 2026 traz como tema, Universidade pública e compromisso social: ciência e inovação para a redução das desigualdades. É nesse contexto que a Uece reafirma seu compromisso com a sociedade, consolidando-se como instituição fundamental para o desenvolvimento do Ceará, pois está presente na capital e no interior, formando profissionais, professores, pesquisadores e cidadãos que contribuem para a transformação, científica, tecnológica, econômica, ambiental, social, cultural e territorial.

Ao longo da semana, ciência, pesquisa, extensão, inovação, cultura e formação estarão integradas em uma programação que busca apresentar o que a Uece produz, mas também revelar à sociedade por que e para quem produz.

Sob coordenação geral da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa (PROPGPq), serão realizadas apresentações de trabalhos científicos, minicursos, encontros e muitas outras atividades. Entre os destaques, está a tradicional Feira das Profissões, que recebe estudantes do Ensino Médio, especialmente aqueles que se preparam para ingressar no Ensino Superior.

É uma oportunidade para conhecer os cursos, espaços, projetos e possibilidades oferecidos pela Uece e compreender que escolher uma profissão também é escolher um caminho de formação e transformação social.

A programação contará ainda com a 4ª edição da Mostra Cientista do Futuro, iniciativa de popularização e divulgação científica voltada aos estudantes do Ensino Fundamental, e com a 4ª edição do Prêmio Garotas Fazem Ciência, que valoriza e incentiva a participação de meninas na ciência.

A XXXI Semana Universitária é, portanto, um convite para que a sociedade conheça, participe e reconheça a força de uma Universidade Pública que produz conhecimento, forma pessoas e tem transformado a realidades de milhares de pessoas. Convidamos todos a participar!

(*) Pró-Reitora Pós-Graduação e Pesquisa da Uece e Coordenadora XXXI Semana Universitária.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/10/26. Opinião, p.20.


A campanha eleitoral das ruas causa impacto na economia caririense

Por Rita Fabiana Arrais (*)

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há no Ceará 6.998.494 eleitoras e eleitores que estão aptas (os) a votar no pleito de 2026. Dessa totalidade a região do Cariri conta com mais de 800 mil eleitores aptos(as), e o Crajubar (Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha) são mais de 345 mil votantes, conforme dados do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará.

É notória a importância da região para os candidatos que objetivam uma ascensão política, por isso a cada eleição o campo político caririense agrupa não somente os postulantes locais, mas é alvo de captação de eleitores por inúmeros candidatos radicados em outras regiões do estado.

Esse período eleitoral atua como um forte catalisador econômico sazonal para as empresas do setor gráfico, visto que as maiores despesas declaradas por candidatos estão relacionadas a publicidade de materiais impressos que no pleito de 2022 ultrapassou os R$ 321 milhões (TSE, 2026).

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf, baseando-se no fato das eleições de 2026 serem nacionais a expectativa é que haja um aumento de 20% no faturamento das empresas envolvidas na cadeia produtiva.

O período de campanha política mostra a relevância das ruas e seus espaços estratégicos que são, literalmente, disputados no palmo a palmo por cada bandeira e wind banners dos concorrentes. Logo, se houver dúvidas que os meios de comunicação digitais de massa como os Podcasts, e as Mídias Sociais (Instagram, Facebook e TikTok) com engajamentos e likes reduziriam o protagonismo da campanha eleitoral das ruas, isso não ocorreu para o bem da economia local.

A Região Metropolitana do Cariri (RMC), em especial a cidade de Juazeiro do Norte possui um setor gráfico de referência no Nordeste, atuando de maneira sustentável, com portfólio direcionado aos produtos utilizados em campanhas de ruas como os tradicionais "santinhos", folhetos, preguinhas (adesivos), adesivos veiculares, bandeiras, wind banners e fôlderes.

Por se tratar de um setor competitivo em que o preço de bens e serviços são semelhantes, o setor busca o diferencial para obter um faturamento desejável a curto prazo. Percebe-se que na RMC os empreendedores do setor planejaram atender a demanda com alguns meses de antecedência, seguindo orientações que a experiência - na prestação de serviços - em eleições anteriores ajudaram a desenvolver, tais como: adiantar a reposição do estoque de matéria-prima projetando a demanda, negociação de preços e formas de pagamento, contratação de mão-de-obra especializada, manutenção preventiva do maquinário gráfico e investimento contínuo em tecnologia. (Pesquisa in loco).

Preparar-se para as eleições não é apenas obrigação dos candidatos!

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 28/08/26. Opinião. p.15.


domingo, 18 de outubro de 2026

AMADURECEMOS E ESTAMOS CRESCENDO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Ontem, foi um dia diferente.

Não, não foi apenas diferente. Foi supimpa.

Tivemos a visita de Hipócrates, que nos veio saudar. E, no tempo presente, revivemos o passado recente de nossa juventude, ao encontro de nossos anseios e de nossos sonhos.

Foi, de fato, uma noite maravilhosa.

O auditório do Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará-CREMEC proporcionou à Turma JK/1976 uma saudosa e eterna memória, saudosa dos que estavam presentes e eterna dos que já nos haviam precedido, na última e inexorável viagem.

Ao adentrar o recinto, pareceu-me que uma nuvem nevada descera do alto e pairava sobre nossas cabeças, contrastando com a cor de nossos paletós e a beleza das colegas que envergavam seus adornos pujantes.

A presidente do CREMEC, Dra. Inês Tavares, abrilhantou a abertura da sessão, com sua imponente vestimenta e com seu discurso, que calou, profundamente, em nossos corações.

O silêncio era tamanho, que não se perdia uma só palavra de seu discurso. E aumentou ainda mais, quando o nosso querido e nobre colega, Dr. Odorico, brindou-nos com uma excelente oratória, apresentando-nos a história recente de nossa caminhada. Fez-nos navegar no Danúbio Azul, curtindo as belezas e as agruras de nossos passos e, outras vezes, voar no tapete de Aladim, revisitando lugares aprazíveis e situações tão diversas quanto díspares, onde rimos e dançamos, cantamos e choramos aos ritmos que nos embalaram, na meninice de nossos sonhos e na juventude de nossas realizações.

Crescemos e amadurecemos.

Cinquenta anos. Tão perto e tão distante. Tantas coisas para contar. Tantas surpresas inesquecíveis. Tantas corridas, que nos atiraram em rápidas mudanças, as quais nos ativaram a determinação de aperfeiçoar, sempre mais, o nosso ‘modus vivendi’ a arte hipocrática.

Somos médicos. Há cinquenta anos, vemo-nos, agora, num átimo de tempo, jovens cheios da audácia de discípulos de Hipócrates: nossa juventude exalava a energia de guerreiros, marchando para a luta, em defesa da vida, em busca da homeostase perdida e do equilíbrio da economia vital.

Somos médicos. Somos humanos. A humanidade nunca nos visitou, porque nós éramos e somos humanidade. Desistir seria inominável, seria a perda da essência de ser, seria a profanação de nosso mister de cuidar. Como expressou Odorico, com a sabedoria que refletiam suas cãs, iguais às nossas, “os livros nos ensinaram doenças, [os mestres nos mostraram sinais e sintomas], porém, foram os pacientes que nos ensinaram medicina”. Sim, os pacientes trouxeram-nos o viço, o vigor e as fragilidades criaturais da humanidade, que vive em cada um de nós. Isto, disse-nos Odorico, para aprendermos que, mesmo quando não for possível curar, ainda assim, jamais poderemos deixar de cuidar.

Somos médicos. Somos humanos. Somos nossa espiritualidade, pensando, sentindo, agindo, em cada decisão e atitude tomadas. E não há espiritualidade consistente sem uma humanidade, conscientemente, sólida. Deus nos preside, quer queiramos ou não.

O médico é Seu assistente, junto ao irmão que sofre e cujo olhar suplicante mistura-se à humanidade untada, indefectível, da espiritualidade latente do esculápio.

É esta espiritualidade, que jamais nos deixará capitular ao relativismo, nem substituir o sentido essencial da nossa humanidade pelos avanços científicos e tecnológicos. Aliás, nós somos seus criadores e, seremos humanos, enquanto continuarmos a ser seus curadores. Sem espiritualidade, perde-se a humanidade e sem os dois, não haverá medicina.

Cinquenta anos, que nos forjaram o amor no serviço do bem-estar do ser humano, nós os vivenciamos, em poucos momentos horários. Encurtou-se o espaço, recuou o tempo indomável e recalcitrante, montanhas se planificaram. Eis-nos todos no início da jornada, em 1976, cabelos negros, ânimos decididos, com propósitos firmes, mas sem conhecer o que haveria de vir. Sem ainda sentir o grito de dores e sem ouvir os pedidos de socorro. Todavia, com a vontade de prosseguir e nunca desistir. Eis-nos, novamente, em 2026, com alguns colegas já transmudados para o reino do infinito, aos pés do Criador, lavados com o sangue do Cordeiro, a receberem os louros da vitória.

Foi uma bela festa.

Magnânima.

Plena de profundas reflexões e eternas gratidões.

E o anfitrião foram nossos pacientes.

Obrigado à presidente do CREMEC, a todos os colegas e funcionários, que o constituem, pelo reconhecimento de nossas lutas, pela humanidade que nos habita, pelo espírito que nos conduz, pelo estado (e não profissão) que desposamos, pela vida que nos irmana.

Uma saudação agradecida e orante aos que já nos deixaram.

Um abraço fraterno e cordial a todos e, privativamente, a cada colega.

Segue também minha saudação, em forma de canção

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 17/10/26.


O Método de Sócrates parece não funcionar para todas as coisas!

Na Grécia antiga, Sócrates tinha a reputação de ser um estimado sábio. Um dia, um conhecido correu até o grande filósofo e disse: "Sócrates, sabes o que eu acabei de ouvir sobre o seu amigo?"

"Espere um minuto", Sócrates respondeu. "Antes de me dizer qualquer coisa eu gostaria que você fizesse em um pequeno teste. É o chamado 'Teste do Filtro Triplo''.

"Filtro Triplo?"

"É isso mesmo", continuou Sócrates. "Antes de falar comigo sobre o meu amigo, pode ser uma boa ideia que você tire um momento para filtrar o que você vai dizer. O primeiro filtro é a Verdade. Você está absolutamente certo de que o que vai dizer-me é verdade?"

"Não", o homem disse: "Na verdade eu acabei de ouvir que..."

"Tudo bem", disse Sócrates. "Então, você realmente não sabe se é verdade ou não. Agora vamos tentar o segundo filtro, o da Bondade. O que você está prestes a me dizer sobre o meu amigo é algo bom?"

"Não, muito pelo contrário..."

"Então", continuou Sócrates, "Você quer me dizer algo ruim sobre ele, mas não tem certeza se é verdade. Você ainda pode passar no teste, porque há um terceiro filtro disponível: o da utilidade. O que você quer me dizer sobre o meu amigo vai ser algo que eu possa usar para beneficiar o mundo?"

"Não, não muito."

"Bem", concluiu Sócrates, "Se o que você quer me dizer não é verdadeiro, nem bom, nem útil, por que quer dizer isso para mim?"

O homem olhou para ele e, sem dizer nenhuma palavra, foi embora desanimado.

É por isso que Sócrates era um grande filósofo, muito estimado por todos.

Isso também explica porque ele nunca descobriu que seu melhor amigo estava dormindo com sua esposa.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


PASSANDO FÉRIAS NA PRAIA

Três homens se conheceram em uma praia de nudismo. Dois dos três homens estavam felizes, mas o terceiro estava muito chateado.

Os três homens iniciaram uma conversa. Por fim, começaram a falar sobre seus empregos e por que estavam na praia.

“Sou operário da construção civil”, disse o primeiro homem. “Trabalho o dia todo sob o sol, muito quente, e faço isso com roupas muito pesadas. É bastante cansativo. Mas aqui posso relaxar e fazer isso sem roupa."

“Sou contador”, disse o segundo homem. “Gosto de como todos aqui são exatamente iguais, assim como vieram ao mundo.”

Os dois primeiros homens viraram-se para o terceiro, o tristonho. "E você?" Eles perguntaram. "Por que está aqui?"

“Foi uma punição do juiz, ele me mandou para cá”, disse o terceiro homem. "Porque eu sou um batedor de carteiras."

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sábado, 17 de outubro de 2026

COMO MANTER A FORMA - DICA DE UM CASAL

Em sua pequena cidade, um casal era famoso porque o marido tinha 102 anos e a esposa 98, e ambos estavam em ótimas condições, trabalhavam na fazenda todos os dias e tinham corpos de gente bem mais jovem.

Um dia, um visitante da aldeia, curioso sobre o casal, abordou o velho em sua fazenda. O velho estava cortando lenha sem camisa, o suor brilhando em um corpo que parecia pertencer a um homem com metade de sua idade.

O visitante se apresentou e perguntou ao velho: “Ouvi dizer que você tem 102 anos!”

"Está certo." o velho disse com um sorriso.

"Uau, devo dizer, você está em uma forma incrível!"

"Obrigado." O velho disse humildemente.

"Você se importa se eu perguntar-"

“-Como sou tão saudável na minha idade?” o velho terminou. "Ajude-me a levar esta madeira para casa e eu lhe direi."

O visitante aceita e entra.

“Veja”, disse o velho, “estou casado há 75 anos. Agora, quando nos casamos, fiz um pequeno acordo com minha esposa: cada vez que tivéssemos uma discussão, o perdedor deveria correr por 5 quilômetros. Como temos um casamento bastante típico - corro 5 km quase todos os dias há 75 anos! É por isso que estou na ótima forma que estou."

“Mas se for esse o caso”, disse o perplexo visitante, “como é que sua esposa também está em tão boa forma?”

"Bem", o velho sorriu, "geralmente ela corre atrás de mim para conferir se eu corri mesmo os 5 quilômetros".

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


O PESCADOR E O SAPO FALANTE

Um homem de 72 anos tinha o hábito de pescar no rio. 

Ele estava sentado no barco, pescando como de costume, quando ouve uma voz dizendo: "Ei, por favor, pegue-me".

Ele olhou ao redor e não viu ninguém. Achou que estava sonhando, mas, mais uma vez, ouviu a voz: "Ei, pegue-me".

Ele olhou ao redor mais uma vez e viu, na sua frente, um sapo boiando na água do rio.

O homem ficou surpreso, pois nunca tinha visto um sapo falante, mas perguntou: "Está falando comigo?"

O sapo disse: "Sim, estou falando contigo. Tire-me aqui do rio e então dê-me um beijo, e eu vou me transformar na mais linda mulher que você já viu em toda a sua vida, a ponto de deixar seus amigos caindo de inveja. Eu serei sua esposa!"

O homem olhou para o sapo e decidiu pegá-lo. Retirou-o da água do rio e cuidadosamente o colocou no bolso da camisa.

O sapo então pergunta: "Ei! Está louco? Prestou atenção no que eu disse? Disse para me beijar e eu serei sua linda e maravilhosa esposa".

Ele olhou para o sapo e disse: "Ah, não... Na minha idade, eu prefiro a companhia de um sapo falante!"

Moral: Com a idade... chega a sabedoria!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Não vou assistir ao país crescer

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Não me refiro apenas aos números — ao PIB absoluto, à renda per capita ou a qualquer indicador que nos ofereça a ilusão de progresso. Falo de um crescimento mais profundo: aquele que se revela no bom senso, na responsabilidade social, na qualidade das escolhas, no respeito ao outro e na dignidade do trabalho.

É nesse terreno que continuamos pobres. Pobres nas atitudes e na compreensão de que nenhuma sociedade se sustenta quando o interesse individual se torna a única medida das coisas. Alguns dizem que nos faltam tempo e maturidade. Outros atribuem nossas fragilidades à herança colonial, a uma cultura dilacerada ou à ausência de identidade comum. Somos, afinal, uma mistura extraordinária e contraditória de povos, raças, crenças e costumes.

Cresci acreditando no país do futuro. Acreditava no esforço, no trabalho e na força do exemplo. Imaginava que a soma de condutas dignas construiria, pouco a pouco, um mundo melhor. Mas o tempo passou depressa. E a tecnologia, que nos libertou das barreiras de acesso à informação, também nos aprisionou em novas formas de manipulação.

Os algoritmos não ampliam necessariamente nossos horizontes; amiúde apenas repetem nossas preferências, confirmam preconceitos e alimentam certezas. Cercados por versões de nós mesmos, tornamo-nos cada vez menos capazes de mudar. É um paradoxo inquietante: nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento e talvez nunca tenhamos sido tão resistentes à dúvida.

O que mais me preocupa, porém, é a assimilação dos maus hábitos e sua transformação em herança. Comportamentos repetidos deixam de causar estranheza, tornam-se aceitáveis e são transmitidos às novas gerações como se fossem naturais. A desonestidade vira esperteza; a grosseria, sinceridade; a irresponsabilidade, liberdade; a indiferença, mecanismo de sobrevivência.

Quando perdemos o apego à dúvida, ao questionamento, à análise crítica, à leitura e ao conhecimento, corremos o risco de formar uma sociedade de autômatos: pessoas que repetem palavras de ordem, escolhem sem refletir e obedecem sem compreender. Talvez isso explique a escassez de verdadeiros líderes. Eles não nascem do ruído, da popularidade instantânea ou da submissão às multidões. Nascem da capacidade crítica, da coragem de sustentar convicções legítimas e da disposição de se doar por algo maior do que si mesmos.

Ainda existe uma escolha. Podemos interromper a reprodução dos vícios, recuperar o valor do exemplo e reaprender a pensar. Não há crescimento verdadeiro sem responsabilidade, conhecimento e respeito. Caso contrário, restará o salve-se quem puder: uma sociedade permissiva com os maus hábitos, indulgente com escolhas imprudentes e incapaz de construir um destino comum. Nesse ritmo, talvez eu veja o país enriquecer. Crescer, temo que não.

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/09/2026. Opinião. p.15.


FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 734

Voltei reanimado

Porandubas está de volta, depois de um bom tempo fora do ar. Recolheu-se, como o profeta Zaratustra, para analisar as curvas da vida e prenunciar os tempos de amanhã. Para não perder o costume volta com uma historinha do coronel Juca Peba, da PB.

O coronel Juca Peba

Desconfiado e matreiro, o coronel Juca Peba não era de muita conversa. Tinha dinheiro, e muito, guardado sob o travesseiro. Até o dia que inauguraram a Agência do Banco do Brasil, em Cajazeiras. A gerente foi procurar o coronel Juca Peba com o argumento:

– Coronel, bote o dinheiro no banco. Vai ser guardado, bem guardado, e vai render juros.

Depois de muita conversa, e muitos cafés no varandão da casa, o coronel, ainda desconfiado, foi ao banco com 100 contos numa bolsa de couro. Tirou devagar o pacote. Contou. Uma, duas, três vezes. Depositou. Matreiro, ficou na espreita, na calçada, olhando, espiando o movimento do banco. Para ver se aquele troço não era tramoia. A desconfiança aumentou. Entrou no banco. Foi ao Caixa. Ordenou:

– Quero os 100 contos que eu botei aqui. Já.

Aflito, o bancário foi buscar o dinheiro. O coronel pegou o maço. Conferiu. Uma, duas, três vezes. E devolveu, sob a expressão juramentada:

– Eu só queria mesmo conferir. Pode guardar.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/354213/porandubas-n-734

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

MAIOR

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Eu não conhecia "Maior", de Dani Black. Ouvi a música pela primeira vez com os integrantes do nosso coral Pedras que Cantam. A maioria também não a conhecia. Sabe aquela música que você escuta, imediatamente lhe causa um impacto e você já quer mostrar para alguém de quem gosta? Pois foi assim com "Maior". E foi maior por ter tido essa experiência de ouvir e depois cantar com o nosso grupo.

No último domingo, no teatro São José, entramos no palco a uma só voz. Em uníssono, cantamos: Eu sou maior do que era antes. Eu sou melhor do que era ontem. Eu sou filho do mistério e do silêncio. Somente o tempo vai me revelar quem sou.

Em seguida, o mesmo trecho foi cantado em perguntas e respostas. Os sopranos perguntavam, e os contraltos respondiam. Eu, no grupo dos contraltos, precisava ouvir para responder no tempo certo. Conter por alguns instantes a minha voz para que a voz do outro pudesse chegar inteira.

Finalmente, ainda repetindo o mesmo trecho, o coral se dividiu em vozes. Cada naipe assumiu uma linha melódica própria, mas todos permaneceram unidos pela mesma harmonia. A repetição não era desnecessária. Ao contrário: reforçava a ideia contida na letra de que precisamos estar atentos à voz do tempo para que o mistério de quem somos seja revelado.

Dividir vozes não é tarefa fácil. Mas o nosso querido maestro Tiago vem nos ensinando pacientemente. Passa um pequeno trecho de cada voz cantando e diz: "coloca no coração". A melodia dos sopranos, geralmente aquela que reconhecemos com mais facilidade, tende a nos atrair. A entrada de outro naipe pode nos confundir. Cada um precisa sustentar a própria linha, deixando que a diferença de sua voz participe da beleza do conjunto.

A letra fala da evolução do indivíduo com o passar do tempo. Cantamos esse crescimento em grupo. Um grupo ainda na sua segunda apresentação, que também cresce não apesar das diferenças, mas graças a elas.

A harmonia não nasce quando todos se tornam iguais. Ela nasce quando vozes diferentes soam como uma só, sem deixar de ser muitas.

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/09/2026. Opinião. p.14.

ESMOLA versus VÍCIO

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Não sou contra a ação social do Governo. Ou seja, sou a favor das ações nas áreas de justiça e segurança, os chamados "bens públicos" e das ações nas áreas de saúde e educação públicas, os chamados "bens meritórios". Entretanto, advogo o que era defendido pelo Barão Mauá, em 1878:

O melhor programa econômico do governo é não atrapalhar aqueles que produzem, investem, poupam, empregam, trabalham e consomem.

Infelizmente, esta não é a prática dos últimos governos brasileiros. Não só a burocracia, a desonestidade, a política econômica sem rumo e o excesso de "esmolas" à população, distribuído quase que aleatoriamente, são óbices ao desenvolvimento.

E o que isso tem a ver com a frase do Barão de Mauá? Os programas de esmolas do Governo estão criando uma geração brasileira de viciados em não trabalhar.

Há muitas evidências sobre pessoas que recebem o Bolsa Família que só querem emprego com a não assinatura da Carteira de Trabalho. E isso tem atrapalhado o emprego e, portanto, a produção, porque os empresários, por força de lei, só podem ter empregados com carteira assinada.

Na realidade, isso já era previsto em uma canção do Luiz Gonzaga e Zé Dantas, de 1953, que dizia: "Mas, doutor, uma esmola para um homem que é são ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão".

Aqui, também, vale relembrar uma frase do filósofo e político romano Marco Túlio Cícero, escrita em 55, a.C.: "As pessoas devem novamente aprender a trabalhar. Em vez de viver às custas do Estado".

Outra frase, desta feita de Margareth Tatcher, merece reflexão: "Para cada pessoa que recebe sem trabalhar, uma outra deve trabalhar sem receber".

É esta a situação atual do emprego no Brasil.

Por que, no lugar do "Bolsa Família", não se cria o "Bolsa Emprego"? O que seria essa bolsa?

O "Bolsa Emprego" teria a seguinte característica: toda pessoa que fosse do Bolsa Família poderia se empregar recebendo o salário mínimo mais um percentual do que recebia pelo Bolsa Família. O salário seria pago pelo empregador e a outra parte, pelo Governo.

Como isso poderia acontecer? Todas as pessoas do "Bolsa Família" seriam cadastradas no "Bolsa Emprego", e haveria a oferta de emprego para essas pessoas.

Quem não pudesse, comprovadamente, trabalhar, seja por questão de saúde, seja por incapacidade física, continuaria no "Bolsa Família".

Para aquelas mulheres que não teriam com quem deixar seus filhos, os empregadores ofereceriam creches para cumprirem essa função. Mas quem pudesse trabalhar e não se empregasse perderia tal Bolsa.

Os salários de lei seriam pagos pelo empregador. As condições sociais fariam o resto.

É uma proposta. Cabe discussão.

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 23/08/26. Opinião. p.18.


 

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