sexta-feira, 10 de março de 2017

FORO PRIVILEGIADO


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Há alguns anos, apesar de não ser especialista no assunto, mas um modesto curioso, venho mostrando em artigos, em pronunciamentos (inclusive na Câmara dos Deputados quando fui parlamentar) e em debates a inconveniência de existir foro especial no Brasil. De inicio, pode-se ressaltar o conflito direto com o artigo 5º da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Os detentores do foro privilegiado são investigados e julgados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que acarreta aumento no número de processos destinados àquela Corte. Por sua vez, as ações penais relacionadas às pessoas sem o privilégio do foro tramitam na primeira instância, sendo possível, é claro, que se possa recorrer para jurisdições superiores. Exemplificando, por quê o processo de um parlamentar tem que ser examinado pelo STF e o processo de um trabalhador, de um empresário, de um funcionário público, de um profissional liberal, etc., vai para a primeira instância? Creio, data vênia, que há um choque com o mencionado artigo 5º da Constituição. Para efeito de raciocínio, costumo sempre citar Cícero: “summum jus summa injuria” (O supremo direito é a suprema injustiça). Sem dúvida, o foro especial, por não representar a vontade da grande maioria dos brasileiros, é um supremo direito extremamente injusto. Que se busque o fim do foro privilegiado, de forma racional e compatível com os princípios republicanos e democráticos.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 28/10/2016.

quinta-feira, 9 de março de 2017

LAVE-SE

João Brainer Clares de Andrade (*)
As novelas brasileiras ganham o mundo não apenas pelo efeito arrojado, mas sobretudo pela repercussão que têm dentro do País; o sucesso nacional motiva o estrangeiro a comprar nossas produções: fruto do hábito brasileiro de acompanhar e vibrar com novelas; a história envolve, cativa, muda hábitos até.

O momento de rediscussão de valores éticos, morais, políticos e econômicos no Brasil, infelizmente, não passa despercebido como novela. A mídia, que também não deixa de se inclinar, transmite os fatos; e o brasileiro, achando-se distante de tudo que ocorre nas terras longínquas de Brasília e Curitiba, transforma tudo em novela. Elege um mocinho, torce e briga por ele. Elege os vilões, odeia-os, comenta, tira conclusões em harmonia aos capítulos que se seguem. Assiste a tudo com a expectativa dos novos capítulos, mas com a falta de senso de discriminar de fato quem é vilão; ou para não se deixar levar que o principal vilão não é um “mocinho perseguido”.
O entrave, no entanto, é a euforia do fantástico: reconhecer e assumir tudo como novela distancia o brasileiro da realidade. Meio que nos tornamos alheios a tudo o que ocorre; deixamo-nos envolver pela cobertura entusiasmante da mídia; afinal, ser espectador não requer muito esforço. Pouco nos surge a ideia de que o que há em Brasília é o reflexo do que somos de fato. A corrupção dos poderosos é a mesma que cometemos todos os dias, em todos os níveis sociais: do mais pobre aos homens mais ricos do País. O “jeito” brasileiro é o enredo da novela à qual assistimos alheios, como se tudo fosse um folhetim com data para acabar.
Se a luta nas ruas agora ruma para “salvar” a Lava Jato, digo que mais importante é que nos coloquemos como parte da operação. Imagine se a sua vida pessoal e profissional se tornasse pública, com todos os detalhes, em todos os seus períodos, especialmente se você mantém relação com órgãos públicos. Simples; agora reflita se você seria mocinho ou vilão.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/02/2017. Opinião. p.10.
(*) Médico neurologista. Professor substituto da Uece.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O DIA INTENACIONAL DA MULHER - 2017

 

Fonte: Circulando por e-mail (internet). Mensagem sem autoria explícita.

terça-feira, 7 de março de 2017

PALESTRAS SOBRE ÉTICA EM PESQUISA NO BRASIL


Convidado pelo Instituto do Câncer do Ceará (ICC), o Dr. Jorge Alves de Almeida Venâncio, presidente da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), órgão vinculado ao Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, ministrou palestra ontem, dia 6 de março, às 8h, no Auditório do ICC. O presidente abordou o tema “Ética em Pesquisa no Brasil”, como aula inaugural da nova turma do Programa de Residência Médica do ICC. Logo após a explanação, houve um debate aberto aos participantes. A CONEP tem a função de implementar as normas e diretrizes regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos no Brasil.
Sempre acompanhado do Coordenador do CEP do ICC, Jorge Venâncio, ainda nessa manhã, fez exposição sobre o tema em apreço aos membros dos Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) e pós-graduandos e pesquisadores do Programa de Farmacologia, no Núcleo de Produção e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC. À tarde, foi reservada a palestra e debates aos membros dos CEP da UECE e de outras instituições (SESA, HGF, Unichristus etc.), ministrada por Dr. Jorge Venâncio. À noite, o expositor ocupou a sessão plenária do Cremec para discutir o tema com os conselheiros dessa entidade médica.
Um tópico candente, que suscitou acerbas discussões nas distintas plateias, foi a recente aprovação da PL 200, pelo Senado Federal, e enviada para apreciação na Câmara Federal, cujo teor suprime direitos dos participantes de estudos, em consonância com os interesses da indústria farmacêutica.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Coordenador do CEP/ICC

segunda-feira, 6 de março de 2017

Missa de Sétimo Dia por Edna Maria de Aguiar


Edna Aguiar e Marcelo Gurgel (recorte de fotografia cedida por Sandra Veloso)
Hoje se completam sete dias do falecimento de Edna Maria de Aguiar, cujo desenlace fatal aconteceu no dia 27/02/2017, após um ano de insidiosa enfermidade, da qual eu não tomara conhecimento, razão essa que me deixou inteiramente surpreendido com esse triste desfecho.
Edna, que estudara o Ginásio no Colégio Santa Isabel, foi minha colega de classe nos três anos do Curso Científico do Colégio Júlia Jorge.
Como morávamos bem próximos, ela no Monte Castelo, e eu, no bairro Otávio Bonfim, mantínhamos contatos bem frequentes, fora do ambiente estudantil, até porque eu já era amigo do seu irmão Tadeu, por harpejarmos juntos o violão e frequentarmos as atividades da Paróquia Nossa. Senhora das Dores, ao tempo de Frei Lauro Schwarte.
Fomos contemporâneos de universidade, tendo eu escolhido a graduação em Medicina, e ela cursado Direito, mas não advogou, pois tornou-se uma diligente servidora da Secretaria Estadual da Fazenda, de onde estava atualmente aposentada.
Nos últimos anos estivemos juntos em vários encontros festivos familiares ou de reencontro de ex-colegas do Colégio Júlia Jorge.
A sua missa de sétimo dia ocorrerá nesta segunda-feira à noite, dia 6/03/17, às 20h, na Igreja São Vicente de Paulo, localizada na Av. Desembargador Moreira, 2.211, Dionísio Torres.
Devido a compromissos profissionais, quando deveremos ciceronear o Presidente da CONEP, em sua passagem em Fortaleza, não poderei estar presente nessa homenagem póstuma à nossa querida colega, mas deixo o meu registro de pesar aos seus familiares.
Descansa em paz, Edna!
Que Deus a acolha entre os seus eleitos!
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Ex-aluno do Colégio Júlia Jorge

domingo, 5 de março de 2017

Posse da Diretoria do Instituto do Ceará (2017-19)


 
Mais de duzentas pessoas compareceram ontem, 4 de março de 2017 (sábado), ao INSTITUTO DO CEARÁ (Histórico, Geográfico e Antropológico), para a solenidade de transmissão de cargo, quando e então Presidente, o educador Ednilo Gomes de Soárez, passou o comando dessa instituição ao novo Presidente, o Dr. Lúcio Alcântara, cuja Diretoria, para o biênio 2017-19, foi igualmente empossada durante o evento.
O evento, que marcou a passagem dos 130 anos de fundação da entidade, contou com a presença de expressivas autoridades cearenses, a exemplo do Gov. Camilo Santana, representantes empresariais e políticos, intelectuais e da maior parte do quadro de sócios do INSTITUTO DO CEARÁ.
Na oportunidade, foi distribuído aos presentes um exemplar da publicação “Instituto do Ceará: 130 anos”, organizada por Marcelo Gurgel Carlos da Silva e Marinez Alves Sousa Feitosa, que explicita as atividades desenvolvidas das duas gestões consecutivas do presidente que se despedia, que deixou um lastro de enormes realizações e feitos que muito engrandeceram a “Casa do Barão”.
Também, ao término do evento, foi lançado o Volume 130 da Revista do Instituto do Ceará.
 
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Do Instituto do Ceará

DOADORES DE ESPERMA


Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Lerner Hall é o prédio de convívio dos alunos da Universidade de Columbia. É na seção de anúncios que está a alternativa de trabalho que se considera “a mais lucrativa e menos penosa”: vender esperma. Esse é o trabalho que mais interessa a muitos dos jovens discentes do sexo masculino.
Segundo afirmam alguns doadores, o preço varia de doador para doador. Uma edição de abril do jornal universitário anunciava que alunos da Universidade de Columbia poderiam ganhar de mil a mil e quinhentos dólares em troca de suas células reprodutivas – bastariam de três a cinco visitas, com intervalos de algumas de semanas entre essas sessões de colheita.
A venda da substância será mais lucrativa se o doador for caucasoide e esteja cursando as universidades de primeira linha: Harvard, Princeton, Columbia e Yale.
O candidato a doador tem primeiro de preencher um formulário detalhado com perguntas sobre altura, peso, constituição física, etnia, cor de olho e de cabelo, histórico familiar e, sobretudo, a origem racial.
Homens de ascendência judaica ainda passam por testes para doença de Canavan, que degenera o cérebro, e disautonomia familiar, desordem do sistema nervoso cujo principal sintoma é a incapacidade de sentir dor.
Preenchido essas preliminares o candidato é conduzido à sala de colheita, mobiliada com confortável poltrona coberta com papel-toalha esterilizado, cremes deslizantes, além do potinho com seu nome gravado. À mão, exemplares de revistas de mulheres nuas.
Ao terminar, toca uma campainha e entrega o produto de sua doação à atendente para exames completares, entre os quais mobilidade espermática e número de espermatozoides por milímetro cúbico de liquido espermático. A seleção é tão rigorosa, comenta-se, que somente 3% dos candidatos são considerados aptos à doação.
Para evitar enganos, as pipetas com o precioso líquido são lacradas por tampas de diversas cores: branca para os caucasianos, marrom para os negros, amarela para os asiáticos. Uma cruz vermelha para o cristão, meia lua para os muçulmanos e pela estrela de Davi, se for judeu. Se for aceito, o vendedor é solicitado a fazer cinco doações por semana e, se aprovado, passa a ter o direito de receber até dez mil dólares por doação.
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES).
 

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