segunda-feira, 3 de maio de 2021

MEU ENCONTRO COM DRUMMOND

Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)

Carlos Drummond de Andrade, mineiro de Itabira, bem cedo externou o interesse pelos livros. Aos 18 anos de idade, passa a residir em BH. Seus primeiros trabalhos foram publicados no “Diário de Minas”, na seção “Sociais”. Daí para frente sua vida intelectual crescia dia a dia. Sua obra abrangia amor, música, dificuldade, enfim, sentimentos que somente um poeta seria capaz de possuí-los e interpretá-los nos momentos certos.

Pode-se dizer que o modernismo de Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira, e de outros, serviu de referência literária a Drummond. Fez amigos importantes na política: Cristiano Machado, Gustavo Capanema, Afonso Arinos de Melo Franco e José Maria Alckmin. A pedido de Capanema, transfere-se para o Rio de Janeiro e se torna chefe de gabinete do Ministro da Educação e Saúde Pública.

Carlos Drummond de Andrade sempre foi servidor público e apesar dos seus dotes intelectuais e dos amigos políticos não se aproximou dos cargos eletivos. Dedicou sua vida às letras, escrevendo poemas, contos e textos antológicos. Preferia viver como um cidadão comum, passeando e pensando pelas calçadas da Avenida Atlântica, em Copacabana.

Certa vez, encontrei-me com Drummond, por acaso, numa floricultura do Rio. Era o ano de 1968, estava eu cursando a Fundação Getúlio Vargas (EPGE). Lembro-me exatamente do dia: 3 de setembro. Fiquei nervoso, não era para menos. Ali estava o grande poeta brasileiro. Trocamos um rápido olhar e sorri como se estivesse pedindo permissão para comprar algumas rosas para minha mulher Mirian, pois estávamos fazendo dois anos de casados.

Após ser atendido pela dona da loja de flores, não tive inspiração nem tranquilidade para redigir o pequeno cartão. A senhora educada, amiga do poeta, percebendo minha angústia, perguntou se ele podia me ajudar. Disse sim. Escreveu uma conhecida estrofe de sua autoria: “A gente sempre se amando / nem vê o tempo passar. O amor vai-nos ensinando / que é sempre tempo de amar”. Obrigado, grande poeta. Se hoje pudesse (15/04/2021) diria ao senhor que já estou com 54 anos de casado, com a mesma mulher, e possuo 4 filhos, 9 netos e 2 bisnetos. Graças a Deus.

(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.

Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 16/4/2021.

domingo, 2 de maio de 2021

TEMOS RAZÃO PARA DUVIDAR DA ANVISA?

Por Juliana Diniz (*)

Na última segunda-feira, 26, a Anvisa atendeu ao prazo designado pelo STF para se manifestar e negou autorização para importação da vacina Sputnik V, produzida pelo Instituto Gamaleya e comercializada pelo Fundo Soberano da Rússia.

A decisão frustrou os governadores do Nordeste, que já negociaram a compra de milhões de doses do imunizante, a fim de vacinar de forma massiva e rápida a sua população.

Ao que tudo indica, a região Nordeste participará de mais um episódio infeliz de politização indevida dos esforços de imunização.

Vejamos algumas declarações. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), confessou em suas redes sociais "decepção e estranheza" com a resposta da agência. Rui Costa (PT), da Bahia, em entrevista, pediu maior "boa vontade" da Anvisa, indicando que a autarquia tem se comportado com apatia e falta de senso de urgência.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), por sua vez, declarou: "precisamos saber quem está com a verdade", fazendo coro aos demais.

Todos levantaram dúvidas sobre as motivações dos técnicos da agência, sugerindo o interesse da Anvisa em criar obstáculos à utilização do imunizante.

A suspeita dos governadores não faz sentido, sobretudo se observarmos a atuação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária nos últimos meses e acompanhado como ela tem conduzido a aprovação não só da Sputnik V, mas de todos os demais imunizantes.

No caso do produto russo, a agência explicou de forma bastante detalhada a razão de sua negativa: faltam informações sobre segurança.

Não foi uma negativa em definitivo, mas a indicação de que a urgência não pode levar o País a abrir mão do cuidado com qualidade, segurança e eficácia.

Segundo nota publicada pela Agência, as documentações apresentadas pelo Instituto Gamaleya apontam falhas no desenvolvimento e na produção da vacina e indicam a presença de vírus replicante no produto, o que, segundo a Anvisa, pode causar danos em pessoas com baixa imunidade.

De acordo com a justificativa, o produtor da vacina não apresentou testes sobre a toxidade reprodutiva da Sputnik V e ainda persiste um desconhecimento significativo sobre seus potenciais efeitos adversos.

A inconsistência dos dados do imunizante produzido na Rússia parece ser a principal causa para que as agências de vigilância europeia, japonesa e americana ainda não tenham autorizado o uso da vacina.

É por essa razão que o principal argumento dos governadores - o de que o produto já é utilizado por mais de 60 países, inclusive Argentina - deve ser compreendido com reservas, porque é insuficiente.

Isso porque, embora o número de países seja significativo, boa parte da lista não conta com mecanismos de vigilância de segurança sanitária tão rigorosos quanto os do Brasil.

Quando conduziu com cuidado e responsabilidade o processo de aprovação da Coronavac - a mais politizada das vacinas - a Anvisa deu boas provas ao País de que está disposta a se comportar como agência de estado séria e profissional.

Ao levantar suspeitas sobre o trabalho da autarquia, os governadores acabam por colaborar para o enfraquecimento das instituições que existem para nos proteger de quem nos governa mal. 

(*) Doutora em Direito. Professora da UFC.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/05/21. Opinião, p.21.

A RÉGUA DO IMEDIATO

Alguns anos após essas aventuras anteriormente narradas, já como Capitão-Tenente, esse mesmo militar voltou a servir naquela localidade de Ladário, no Mato Grosso do Sul. Conta ele que, certa vez, exercendo o cargo de Imediato, encontrava-se em sua sala, no segundo andar, quando chegou um soldado:

– Capitão, com licença! O Sargento Contramestre mandou pedir para o senhor emprestar uma régua para ele!

– Não pode ser, meu filho – respondeu o oficial, já conhecedor das “peripécias” locais.

– O Sargento não ia mandar você subir aqui para pedir uma régua ao Imediato. Volte lá e verifique exatamente do que é que se trata.

Dali a pouco chegou o próprio Sargento, um tanto preocupado:

– Com licença, Capitão! Acho que o soldado se enganou. É a irmã Régula, do Orfanato, que está aqui, perguntando se o senhor pode emprestar a banda de música para a quermesse de domingo!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p. p.73-74.

Nota: Esse causo acima foi adaptado dos originais de Gil Cordeiro Dias Ferreira, postados em 6 de julho de 2012, no Portal Militar. São desse autor, ao todo, mais de quinze causos relacionados à Marinha de Guerra do Brasil, que podem ser acessados em: http://www.militar.com.br/artigo-2474-Coisa-de-Naval---Causos-Fuzileiros#.Uoi53SfEhHI

O FUZILEIRO SORVETEIRO

Outro causo acontecido no Grupamento de Fuzileiros Navais em Ladário, no Mato Grosso do Sul, foi contado pelo mesmo tenente que o vivenciara.

Lá por meados de 1970, chegara à cidade, finalmente, uma famosa marca de sorvete, adquirida por um comerciante, um antigo fornecedor do quartel.

O Comandante, de então, do Grupamento era um grande apreciador da guloseima. Um certo dia, durante o almoço, solicitou a um soldado que fosse adquirir um “baldinho” de sorvete de morango – porque a embalagem era uma lata com alça que, de fato, lembrava um balde.

O encarregado dessa tarefa era um soldado “antigo”, beneficiado por legislações anteriores, mas já revogadas há muito tempo, e que, por força do direito adquirido, lhe permitiram permanecer no posto mais baixo da carreira por mais de vinte anos, até alcançar o limite de idade autorizado para sua situação funcional.

Era um quarentão, sem condições de acompanhar seus companheiros de fardas mais jovens nos puxados exercícios de Infantaria. Por isso, ele foi designado para trabalhar no refeitório dos Oficiais, onde se desincumbia muito bem de seus afazeres. Mas o raciocínio, estava longe do desejável ...

Pois lá fora ele, a caminhar de pé dois, para buscar o tal “baldinho”. E nada de voltar ao quartel. O Comandante, insatisfeito, terminou o almoço sem ter o sorvete de sobremesa, como queria. Este, preocupado com não regresso, determinou a saída de um jeep, com outro soldado, para localizar o velho “taifeiro”.

Não demora muito, chegam os dois transportando no veículo um enorme balde de plástico, de mais de 20 litros, usado para lavagem de uniformes, cheio até a tampa de sorvete de morango!

Em resumo: o quartel esgotou o estoque de sorvete da cidade e toda a tropa se fartou da iguaria gelada durante uns dois dias; e a conta minguou duramente as escassas dotações de custeio alimentar da corporação ...

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-Presidente da Sobrames-Ceará

* Publicado In: SILVA, M. G. C. da (Org.). Ombro, arma! Médicos contam causos da caserna. Fortaleza: Expressão, 2018. 112p. p.73-74.

Nota: Esse causo acima foi adaptado dos originais de Gil Cordeiro Dias Ferreira, postados em 6 de julho de 2012, no Portal Militar. São desse autor, ao todo, mais de quinze causos relacionados à Marinha de Guerra do Brasil, que podem ser acessados em: http://www.militar.com.br/artigo-2474-Coisa-de-Naval---Causos-Fuzileiros#.Uoi53SfEhHI


sábado, 1 de maio de 2021

SOLIDARIEDADE SILENCIOSA

Por Antonio Jorge Pereira Jr. (*)

Amanhã é festa de São José, em ano dedicado a ele, segundo dispôs o papa Francisco na carta Patris Corde, Coração de Pai. O padroeiro do Ceará é fiel intercessor para a chuva e para outras necessidades. É prestativo e discreto.

A lembrança serve para evocar a solidariedade de tantos que se doam ao próximo sem que o beneficiário sequer saiba sua identidade.

Nesses tempos duros há muita solidariedade oculta. Sou testemunha privilegiada disso. Três vezes com a Covid recebi plasma convalescente, material sanguíneo de pessoas curadas que produziram anticorpos contra a doença.

Sofro inibição na produção de anticorpos por tratamento recente para linfoma. Sem o plasma não sou curado. Ainda é provável que necessite de outras aplicações, em razão da fragilidade imunológica.

Toda a situação me permitiu tomar contato com a generosidade de milhares de pessoas. Penso agora especialmente no plasma que recebi: não sei e não saberei de quem era. Onde estarão? Um dia, no além, quem sabe possa abraçá-los e lhes agradecer.

Antes, fui submetido a outro tratamento, denominado imunoglobolina. Deram-me um coquetel de anticorpos na veia, em sessões de 5 horas, por 5 dias seguidos. O medicamento é produto de incontáveis doadores: novamente, materializa a solidariedade oculta.

Em um período de 8 meses, entre idas e vindas, estive 60 dias hospitalizado no Monte Klínikum. Ali se notava uma solidariedade discreta, para além do dever de ofício.

Por trás das máscaras se divisava sorriso sincero de médicos, enfermeiras e técnicos, fisioterapeutas, maqueiros, equipe administrativa, pessoal da limpeza e nutrição. Pouco antes do diagnóstico da segunda Covid, passei ali a noite de Natal.

Situação atípica, mas comum a tantos. Notava-se o carinho nos detalhes do jantar especial. No dia 25 levaram um artista ao quarto para tocar uma canção natalina. A longa convivência facilitou que eu fosse chamado pelo nome sempre que voltei ao hospital para nova internação.

Infelizmente não consegui reter o nome de todos - a Covid afeta algo da memória. Mas sempre os guardarei no coração.

Que São José, Mestre do serviço silencioso, abençoe a todos neste dia.

(*) Mestre e doutor em Direito. Professor da Pós-Graduação em Direito da Unifor.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/3/2021. Opinião. p.28.

COMO ESCOLHER UMA PROFISSÃO

Um senhor muito religioso que vivia no interior tinha um filho que estava chegando no momento de decidir que profissão seguir. Como tantos jovens, o rapaz não sabia ainda o que queria fazer da sua vida, mas não parecia muito preocupado com o assunto.

Certo dia, quando o garoto estava na escola, o homem resolveu fazer uma experiência. Foi até o quarto do jovem e pôs sobre a escrivaninha dele quatro objetos: uma Bíblia, 10 dólares, uma garrafa de Jack Daniel's e uma revista Playboy.

O homem planejava esconder-se atrás da porta para ver qual objeto que seu filho escolheria ao chegar.

"Se ele escolher a Bíblia, será um pastor... Que alegria para mim! Se escolher os dólares, será um homem de negócios, o que também é bom. Mas se ele escolher a garrafa será um bêbado, que vergonha me daria! Pior ainda se escolher a revista, pois será um mulherengo sem cura", pensava o pai enquanto esperava o retorno do filho.

Finalmente, o ansioso pai ouviu os passos do jovem subindo as escadas e assobiando.

Ao entrar no quarto, o rapaz atirou sua mochila na cama e, ao virar-se, viu os quatro objetos na escrivaninha. Curioso, aproximou-se deles para ver melhor.

Finalmente, o garoto pega a Bíblia e enfia debaixo do braço. Em seguida, pega os dólares e o põe no bolso e, por último, abre a garrafa de Jack Daniel's e bebe vários goles enquanto admira a Playboy.

"Valha-me Deus!", pensou o senhor, indignado, "meu filho vai ser político!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


A VISITA DA VOVÓ

Vovó liga e anuncia que virá para uma visita dentro de aproximadamente meia-hora.

Quando ela chega, fica surpresa ao ver seu netinho correndo para ela como se não a visse há anos e abraçando-a com toda a sua força de criança.

"O que é Eric?" Ela pergunta.

"Agora que você está aqui, vovó, temos tudo!"

“Como assim?" Perguntou a avó surpresa.

"Quando você ligou, a mãe disse: 'Era só o que faltava, agora.'

“Então agora que você está aqui, temos tudo o que precisamos! "

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

 

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