quarta-feira, 4 de outubro de 2023

CAMINHOS DO CEARÁ: Jardins nas Munguba e Almécegas

Por Izabel Gurgel (*)

Terreiros lindos os da Munguba. Saindo de Paraipaba pelo 'lado de dentro' mas ainda não à beira do mar, no rumo da Lagoa das Almécegas, a placa Boa Vista anuncia mais do que o povoado de mesmo nome. Calumbi vem em seguida. Do carro dá para ver pinturas nas paredes de casa e 'letreiros' de negócios, trabalho do Toddy. O que vamos saber logo mais, passando em frente à casa dele. Alpendre-ateliê, com oficina de serigrafia ao lado. Rosimar Gaspar dos Anjos, o Toddy, guarda mais de uma tela feita sob encomenda, serviço pago pela metade, que o dono não voltou para pegar. Se for você, fale com o Toddy: (85) 98222.9906.

Os terreiros lindos da Munguba, vamos parar para vê-los melhor na volta das Almécegas. No caminho, cada pessoa a quem perguntamos 'está perto?', responde com outra pergunta: 'a lagoa dos pobres ou dos ricos?'. Repetimos a resposta primeira, quando perguntamos ao pessoal da Marilene, do Ponto da Panelada, como era melhor chegar às Almécegas: 'a que você frequenta'.

Como os flamboyant e buganvília em flor que nos olham na rodagem, os terreiros da Munguba são 'acesos' de tão bem cuidados. Areia varrida, lambida, como dizemos. Desenhada não só pelo efeito da recente chuva do caju e da incidência do sol. Maria Dolores Chaves zela o terreiro zen de sua casa, com aplicação diária. A bem dizer uma devoção. Estão aos nossos pés os desenhos do artista Gilberto Cardoso. Cotidiano, irrepetível e efêmero desenhar o vento, com os ventos. Estrada é cinema, é do meu costume sentir assim.

Feitura de casa em andamento, taipa de precisão tal qual o enchimento das asas dos pássaros, a orquestra da respiração e da lida com o ar em movimento tornada visível. A casa em obra que nos faz parar é trabalho de Raimundo Félix do Carmo, conta-nos Roseni Félix, irmã dele. Ela percebe nossa ignorância: "Eu mesma fiz minha casa. Botei os enxames, amarrei as varas. Botei o barro dentro e alisei". Roseni acha a coisa mais fácil do mundo fazer o barro. "Amassa com os pés até ficar liguento e enche as paredes com ele. O reboco também fiz de barro". As varas de ubaia e guabiraba estão entre as mais resistentes. Maria Chaves, mãe da Roseni e do Raimundo, diz que "sabiá não tem mais". E nos explica a excelência da vara de sabiá. Aguenta água. "É bom de fogo". Sabiá não tem mais. Se você chegou até aqui, vai lendo a vontade de jardim em meio à devastação.

Munguba em direção ao Trairi, bem antes de passar pela Oiticica e Lagamar do Sal, o chão que é o céu da Maria Bento. Ela está de saída. Enquanto espera a topic, conta das coisas bonitas do lugar. A cavalgada que vai passar outra vez. Sua receita de urucum. Vê nossos olhos aprendendo a passear e diz que a caixa de limão ao pé da cerca é da safra boa. "Deixo aqui fora para quem quiser pegar".

Salve, salve cada terreiro da Munguba. Ímã. E nem deu tempo de falar dos jardins no rumo das Almécegas. 

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/09/23. Vida & Arte, p.2.


terça-feira, 3 de outubro de 2023

QUANDO O HOMEM VENCE O MAR

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

"Nós escolhemos ir para a Lua nesta década e fazer as outras coisas, não porque elas são fáceis, mas porque elas são difíceis; porque esse objetivo servirá para organizar e medir o melhor das nossas energias e habilidades, porque o desafio é um que estamos dispostos a aceitar, um que não estamos dispostos a adiar e um que temos a intenção de vencer, e os outros, também." Essa citação fez parte de um discurso do ex-presidente dos Estados Unidos John Kennedy, proferido em 12/09/1962. A oração presidencial foi divulgada em muitos lugares, mas não alcançou a bucólica Prainha do Canto Verde, em Beberibe. Lá também não chegou a igualmente histórica frase de Neil Armstrong, ao dar os primeiros passos na Lua: "É um pequeno passo para o homem, mas um gigantesco salto para a humanidade."

Ao conversar com o saudoso Raimundo Bidonha, pescador da Prainha, indaguei: "Você acredita que o ser humano chegou à Lua?" A resposta foi: "Não, a gente não pode chegar nas coisas de Deus." Questionei: "Por que a Lua é coisa de Deus?" Ele respondeu: "E ela num tá no céu?"

Os mais jovens do Canto Verde aceitam a versão da ciência. Os menos jovens não acreditam na "planitude" da Terra, porém resistem à ideia de que alguém da Terra chegou à Lua de Deus.

Ao contemplar a Natureza - que luto para que seja escrita com N maiúsculo -, observei um dos mais belos momentos do nosso litoral: a chegada de uma jangada comandada por heróis que dominam o mar. Numa pescaria além da "risca", como dizem eles, os heróis dormem num minúsculo porão da embarcação, mas, ao vermos, custa-nos acreditar que alguém durma ali.

Hoje, a tecnologia possibilita a orientação por GPS, mas antes seu guia eram os "astro", os "praneta", como dizem em seu linguajar, e, com o céu nublado, várias medidas das profundidades do mar indicavam o sentido em que se deslocavam. Enfim, não têm a sabedoria científica, mas são sábios em suas artes e muito têm a nos ensinar, em especial, a superar desafios.

Em caso de dificuldades, um bom professor é quem se acostumou a vencer. É quem, sob lua cheia, nova, minguante ou crescente, vence o bravo mar.

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/8/23. Opinião, p.22.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

Morre ex-reitor da Uece Francisco de Assis Moura Araripe

Por Rubens Rodrigues, jornalista de O Povo.

Professor de 71 anos foi vítima de uma parada cardíaca. Francisco Araripe atuou na Uece por mais de quatro décadas

O professor Francisco de Assis Moura Araripe, ex-reitor da Universidade Estadual do Ceará (Uece), faleceu ontem depois de sofrer uma parada cardíaca. Araripe tinha 71 anos e deixa esposa, filhos e netos. A instituição declarou luto oficial oficial de três dias pela morte do professor.

Conforme nota da assessoria de comunicação da Uece, ele ocupava por último o cargo de presidente do Instituto do Estudos, Pesquisas e Projetos da Uece (Iepro). 

Nascido em Fortaleza, Francisco de Assis Moura Araripe foi vice-reitor da Uece em dois períodos - entre 1996-1999 e 2000-2003. Tendo sido escolhido reitor nas temporadas sequentes de 2003-2004 e 2008-2012) da universidade estadual. 

Francisco Araripe graduou-se, em 1977, em Administração de Empresas pela Uece (1977). Dois anos depois, tornou-se professor da Estadual. Em 2003 recebeu o título de mestre em Estudos Avançados em Planificação Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona. 

O professor Araripe é parte fundamental do que a Uece se constituiu como uma grande instituição de ensino superior cearense", afirmou o reitor da Uece, Hidelbrando Soares, em comunicado. "Para além de uma marca de gestão, deixa seu legado na trajetória de estudantes, colegas e amigos que tiveram a satisfação de compartilhar com ele essa jornada”. 

Prefeita de Tauá, Patrícia Aguiar disse ter recebido com o sentimento de tristeza a notícia do falecimento e prestou condolências aos familiares: "Que Deus conforte a toda a família e amigos nesse momento de dor".

"Para sempre, guardaremos em nossa memória e no melhor local do coração, a lembrança do Reitor Araripe, com amizade, respeito e gratidão pela imensa colaboração que ele fez para a educação superior dos Inhamuns através do Cecitec - Tauá", escreveu Patrícia Aguiar em publicação no Instagram.

Conforme a Uece, a gestão de Araripe "foi marcada por importantes conquistas para a comunidade ueceana". A exemplo do primeiro vestibular para o curso de Medicina da universidade, em 2003, na primeira gestão. A instituição também cita a entrega da então nova estrutura do Restaurante Universitário (RU) do campus Itaperi, em 2012.

"Por fim, a ideia que deu origem ao Instituto de Estudos, Pesquisas e Projetos da Uece (Iepro) veio do professor Araripe. A partir do Iepro, a Uece amplia sua capacidade de atuação junto à sociedade, especialmente em três linhas principais: pesquisa, desenvolvimento de recursos humanos e consultoria", aponta ainda a nota da instituição.

O velório de Francisco Araripe ocorreu ontem na Funerária Ethernus.

Fonte: Publicado In: O Povo, 2/10/2023. Cidades. p.20.

Pe. BRENDAN Mc DONALD: dádiva da Irlanda ao Brasil

O Padre Brendan Coleman Mc Donald (C.Ss.R.) nasceu em Waterford, República da Irlanda, em 17/07/1937. Primeiro filho do casal Timothy Mc Donald e Ellen Mc Donald, recebeu dos pais uma sólida formação cristã. Cursou o ensino básico na Escola de Saint Declan dirigida pelos Irmãos De La Salle. Seu curso secundário, ou médio, foi no Colégio De La Salle em Waterford. No último ano do curso médio se transferiu para o Colégio Redentorista, na cidade de Limerick.

Seu curso de Filosofia foi no Seminário Superior CluainMhuire e na Universidade Nacional de Galway, na Irlanda; o curso de Teologia foi também ao Seminário Superior de CluainMhuire, Galway. Ele é portador dos seguintes títulos acadêmicos de graduação: Filosofia Pura (Licenciatura Plena), pela Faculdade de Dom Bosco, São João del Rei, MG (1971); Letras Modernas (Licenciatura Plena), pela Universidade Católica de Goiás (1973); e Pedagogia (Licenciatura Plena), pela Universidade Católica de Goiás (1973).

Cursou Especialização em Administração Escolar, na Universidade Católica de Goiás (1971); em Orientação Educacional (1970); e em Supervisão Escolar, na Universidade Católica de Goiás (1972).

Tem Mestrado em Educação, pela Universidade Federal do Ceará (1979), e é mestre em Psicologia, pela Pacific Western University (1992); acumula ainda, os seguintes doutorados: em Educação (Ph.D), pela Universidade Nacional da Irlanda (1985); em Psicologia (Ph.D), pela Pacific Western University (1996); e em Teologia, pela Fairfax University (2003).

Sua formação religiosa (Redentorista) foi iniciada quando ainda muito jovem ingressou no Seminário Superior CluainMhuire, Galway, onde fez os votos temporários em 24/09/1957 e os votos perpétuos em 24/09/1960. Foi também em sua terra natal que recebeu a Ordenação Diaconal, em 19/06/1963, e a Ordenação Presbiteral, em 19/01/1964.

Redentorista recém-ordenado, chegou ao Brasil em agosto de 1964, logo após a implantação do regime militar, tendo exercido um proficiente labor missionário, sobretudo como religioso e educador.

Conforme o site oficial da Arquidiocese de Fortaleza, o Histórico Pastoral de suas atividades assinala que foi Vigário Paroquial em diversas dioceses: Paróquia de São Raimundo, Fortaleza, Ceará (1964-1965); Paróquia do Prado, Diocese de Iguatu, Ceará (1966-1967); Paróquia de São José Operário, Paraíso do Norte, Prelazia de Cristalândia, Goiás (1967-1968); Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Campinas, Goiânia, Goiás (1969-1973); Paróquia de São Raimundo, Fortaleza, Ceará (1973-2013) e a Área Pastoral de Santo Antônio, Capela do Pici, Henrique Jorge, Fortaleza, Ceará (1973-2013). Foi Vigário Paroquial (Administrador) da Paróquia de Bom Jardim, Arquidiocese de Fortaleza, durante três anos, em substituição ao pároco incapacitado, tendo sido responsável pela construção da nova matriz de Santa Luzia, dessa paróquia.

Dentre outras atividades religiosas que exerceu, podem ser destacadas: Confessor e Orientador Espiritual das Irmãs da Mãe Dolorosa; das Irmãs Franciscanas dos Pobres (Missa diária), em Goiânia, Goiás (1968-1973); e das Irmãs Concepcionistas, Fortaleza (de 2008 até a presente data); Coordenador da Pastoral Universitária na Universidade Católica de Goiás (1968-1973); Coordenador da Pastoral Universitária na Universidade Federal do Ceará (1984-1990).

O Pe. Brendan, como é mais conhecido, pregou retiros espirituais para o clero diocesano de várias dioceses no interior do Ceará, além de assessorar Assembleias Diocesanas nas dioceses cearenses.

Seguindo os ditames de Santo Afonso Maria de Ligório, no Apostolado da Caneta, desde que chegou ao Brasil, ele publicou mais de mil artigos em jornais de grande circulação: Tribuna do Ceará, O Estado, e O POVO principalmente, a maioria desses textos tratando de questões religiosas, educacionais e da moralidade cristã.

Como educador, o Prof. Dr. Brendan Coleman Mc Donald lecionou no Seminário Redentorista São José, em Vila Aurora, Goiânia, Goiás (1969-1973); foi professor de Ensino Religioso no Ensino Médio, de 1973 até 1984, do Colégio Redentorista, Fortaleza, Ceará, do qual foi vice-diretor e diretor pedagógico. Foi, ainda, um dos fundadores e primeiro presidente do Conselho de Orientação do Ensino Religioso no Ceará (CONOERCE).

A docência no ensino superior teve início para o Pe. Brendan Coleman Mc Donald em Goiânia, Goiás, na Universidade Católica de Goiás, como professor assistente (1970-1973) e na Universidade Federal de Goiás, concursado como professor auxiliar de ensino (1972-1973). Transferido para Fortaleza, face às disposições de sua comunidade religiosa, assumiu os encargos educacionais no Colégio Redentorista e voltou a atuar no magistério Superior, na condição de professor de Filosofia (Ética, Metafísica e História da Igreja) na Faculdade de Filosofia da Arquidiocese de Fortaleza (FAFIFOR) (1985-1986), ao tempo em que ingressou no quadro docente da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Na UFC, o Prof. Brendan Coleman Mc Donald ocupou relevantes funções, a exemplo de: Chefe do Departamento de Fundamentos da Educação; Professor do Programa de Pós-Graduação (Mestrado/Doutorado) em Educação, de (1999-2007); Coordenador do Mestrado em Educação com Área de Concentração: Avaliação Educacional, de 1994 a 1998; Coordenador do Núcleo “Avaliação Educacional” dos cursos de Mestrado e Doutorado da UFC, de 1999-2007; e Coordenador da área de Psicologia da Educação no Departamento de Fundamentos da Educação (1997-2007).

Do seu currículo Lattes, consta a produção científica de cinco artigos, dez livros e dois capítulos, bem assim a participação em oito bancas de mestrado, cinco de qualificação de projeto de doutorado e cinco defesas de tese de doutorado; a par disso, foi orientador de oito dissertações de mestrado e nove teses de doutorado.

Atualmente, é professor titular aposentado da UFC, desde 2007, em decorrência da chegada da idade da aposentadoria compulsória. Não obstante, sua experiência na área de Educação, com ênfase em Ensino-Aprendizagem, é sempre requisitada, atuando principalmente nos seguintes temas: Avaliação, Aprendizagem, Medidas, Provas.

Com amplo domínio do inglês e do gaélico (línguas maternas), é ele também fluente no português, inclusive o castiço, incomum na maioria dos lusófonos, fala também o espanhol, e ainda compreende o latim e o grego clássico.

Desde 1996, é corresponsável, juntamente com um pastor batista, pelo programa semanal na televisão: “Falando Sério do Amor de Deus”. O programa, sob a responsabilidade do CONOERCE, tem meia hora de duração, sendo reprisado semanalmente. Atualmente, esse programa antecede a Santa Missa, todos os domingos, na TVC.

Presentemente, é assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional NE1, função que vem exercendo nos últimos quase 17 anos, e orientador espiritual de vários padres e religiosas.

Do Padre Brendan Coleman Mc Donald, irlandês de nascimento, mas naturalizado brasileiro em 1974, e membro da Congregação dos Redentoristas da Paróquia de São Raimundo, no bairro Rodolfo Teófilo, em Fortaleza, o que se já pode dizer é que ele é cearense pelo coração e pela afinidade que tem com o povo do Ceará, e de Fortaleza em especial, por sua longa atuação no magistério superior e no ministério religioso, isso sem se reportar à forte relação que mantém com a cultura e com as comunidades da zona periférica de Fortaleza.

O Instituto do Câncer do Ceará-ICC reconheceu a sua permanente ligação com a Instituição, seja pela sua dedicação ao conforto espiritual de pacientes e familiares, e, seja também, por sua participação no Comitê de Ética em Pesquisa do ICC, ao qual emprestou o seu conhecimento em Ética e Bioética e os seus reconhecidos atributos morais na avaliação de projetos.

Em visto disso, ele foi homenageado com uma Placa de Prata, na qual o ICC deixou expresso o seu reconhecimento aos seus benfeitores de 2012, por meio das seguintes palavras:

Cada um que passa pelo Instituto do Câncer do Ceará imprime uma marca pessoal. Há os que chegam munidos do espírito de doação, trazem recursos, somam forças, deixam um pouco de si e saem recompensados pelo prazer de servir. A instituição não apenas agradece o gesto de solidariedade. Ela quer deixá-lo registrado na sua história.”

Eis, então, em oportunas palavras, a biografia do Pe. Brendan Mc Donald focada, sobretudo, em dois dos seus componentes: o religioso, no qual sobressaem a ação pastoral e o saber teológico, e o educacional, em que a figura do educador de largos méritos emerge realçada, sendo importante frisar que nele Fé e Ciência estão conectadas, em harmonia, demonstrando que tais atributos não são mutuamente excludentes.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas

*Publicado In: SILVA Marcelo Gurgel Carlos da. Cum laude: aos homens e seus feitos. Fortaleza: Editora da Uece, 2022. 144p. p.26-31.

Padre Brendan Coleman, do colégio Redentorista, morre aos 86 anos

Por Lucas Barbosa, jornalista de O Povo.

Religioso irlandês foi diretor pedagógico do histórico colégio Redentorista, teve longa trajetória na Arquidiocese de Fortaleza e foi articulista do O POVO.

A educação no Ceará está de luto com a morte do padre Brendan Coleman Mc Donald, aos 86 anos. O velório e às despedidas ao religioso estão acontecendo, desde ontem, no Centro de Formação Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no bairro Rodolfo Teófilo. Amanhã, às 9 horas, será celebrada a missa de corpo presente na Igreja São Raimundo que fica ao lado das ruínas do Colégio Redentorista, no bairro Rodolfo Teófilo.

Além de uma vida dedicada à Igreja Católica, Brendan Coleman foi educador. Foi professor titular da Faculdade de Educação (Faced), da Universidade Federal do Ceará (UFC), assim como professor, vice-diretor e diretor pedagógico do colégio Redentorista, em Fortaleza.

Padre Brendan nasceu na Irlanda em 17 de julho de 1937. Conforme a Arquidiocese de Fortaleza, ele chegou ao Brasil em 1964, onde foi vigário paroquial da Igreja São Raimundo. Os padres redentoristas haviam chegado em Fortaleza um ano antes e fundaram a igreja.

Quando chegamos aqui existia apenas uma capelinha construída por padres holandeses", explicou o padre Brendan em 2013 a O POVO. “Aqui era uma comunidade muito carente. Sequer havia saneamento básico. Construímos uma escola perto da igreja e nessa escola oferecíamos cursos de corte e costura e datilografia”.

Brendan Coleman também trabalhou na Diocese de Iguatu, na Região Centro-Sul do Ceará, e na Prelazia de Cristalândia, em Goiás. No estado do Centro-Oeste, ainda foi coordenador Pastoral Universitária na Universidade Católica de Goiás, professor no Seminário Redentorista São José, Confessor e Orientador espiritual das Irmãs da Mãe Dolorosa e das Irmãs Franciscanas dos Pobres. Foi ainda vigário paroquial dos Padres Redentoristas.

Em 1973, ele retornou a Fortaleza, onde voltou a ser vigário paroquial da Igreja São Raimundo, função que ocuparia até 2007. O padre ainda foi capelão na Capela de São José, no bairro Pici, e administrador da Paróquia de Bom Jardim.

Como educador, padre Brendan, além de ser professor da UFC e ter tido carreira no colégio Redentorista, lecionou na Faculdade de Filosofia da Arquidiocese de Fortaleza, no Seminário da Prainha.

Também foi coordenador da Pastoral Universitária na UFC, iniciada por ele em 1990, e um dos fundadores e primeiro presidente do Conselho de Orientação do Ensino Religioso no Ceará (Conoerce).

Padre Brendan tinha doutorado em Teologia pela Fairfax University, nos Estados Unidos; doutorado em Psicologia pela Pacific Western University, também nos EUA; e doutorado em Educação pela Universidade Nacional da Irlanda.

Além disso, Padre Brendan teve mais de mil artigos publicados na imprensa cearense, inclusive no O POVO. Ele ainda foi um dos responsáveis por vários anos pelo programa “Falando Sério do Amor de Deus”, exibido pela TVC, onde dividiu a bancada com a educadora cearense Luíza de Teodoro. (Colaborou Demitri Túlio)

Fonte: Publicado In: O Povo, 1º/10/2023. Notícias. p.12.

domingo, 1 de outubro de 2023

CIDADANIA CEARENSE AO Pe. BRENDAN Mc DONALD

 

Fortaleza, 28 de março de 2019

Assunto: Cidadania Cearense ao Padre Coleman McDonald

Caro Deputado Estadual Walter Cavalcante,

Saudações cordiais!

Vimos, por meio deste expediente, solicitar de V.Exa. apreciar e se julgar pertinente, apresentar à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará um projeto de lei para a devida outorga da cidadania cearense ao Padre Brendan Coleman Mc Donald.

As razões que suportam essa proposta estão amparadas na vida pública desse grande religioso, psicólogo, educador e escritor de reconhecidos méritos, e encontram guarida no seu perfil biográfico ora traçado.

O Padre Brendan Coleman Mc Donald (C.Ss.R.) nasceu em Waterford, Irlanda, em 17/07/1937. Primeiro filho do casal Timothy Mc Donald e Ellen Mc Donald, recebeu dos pais uma sólida formação cristã.

Cursou Filosofia e Teologia no Seminário Superior CluainMhuire, na Irlanda. Ele é graduado, no Brasil, em Filosofia Pura, Letras Modernas e Pedagogia. Possui três cursos de Especialização: Administração Escolar, Orientação Educacional e Supervisão Escolar. Tem Mestrado em Educação e em Psicologia e os seguintes doutorados (PhD): Educação, Psicologia e Teologia.

Sua formação religiosa (Redentorista) foi iniciada quando ainda muito jovem ingressou no Seminário Superior CluainMhuire, Galway, onde fez os votos temporários em 24/9/1957 e os votos perpétuos em 24/9/1960. Foi também, em sua terra natal, que recebeu a Ordenação Diaconal, em 19/6/1963, e a Ordenação Presbiteral, em 19/1/1964.

Recém-ordenado, chegou ao Brasil, em agosto de 1964, tendo exercido aqui um proficiente labor missionário, sobretudo como religioso e educador.

Conforme o site oficial da Arquidiocese de Fortaleza, o Histórico Pastoral de suas atividades assinala que foi Vigário Paroquial em diversas dioceses: Paróquia de São Raimundo, Fortaleza, Ceará; Paróquia do Prado, Diocese de Iguatu, Ceará; Paróquia de São José Operário, Paraíso do Norte, Prelazia de Cristalândia, Goiás; Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Campinas, Goiânia, Goiás; Paróquia de São Raimundo, Fortaleza, Ceará e a Área Pastoral de Santo Antônio, Capela de Pici, Henrique Jorge, Fortaleza, Ceará. Foi Administrador Paroquial da Paróquia de Bom Jardim, Arquidiocese de Fortaleza, durante três anos, tendo sido o responsável pela construção da nova matriz de Santa Luzia, dessa paróquia.

Dentre outras atividades religiosas que exerceu, podem ser destacadas: Confessor e Orientador Espiritual das: Irmãs da Mãe Dolorosa; das Irmãs Franciscanas dos Pobres, em Goiânia, Goiás; e das Irmãs Concepcionistas, em Fortaleza (de 2008 até a presente data); Coordenador da Pastoral Universitária na Universidade Católica de Goiás; Coordenador da Pastoral Universitária na Universidade Federal do Ceará.

O Pe. Brendan, como é mais conhecido, pregou retiros espirituais para o clero diocesano de várias dioceses no interior do Ceará, além de assessorar Assembleias Diocesanas nas dioceses cearenses.

Seguindo os ditames de Santo Afonso de Ligório, no Apostolado da Caneta, desde que chegou ao Brasil, ele publicou mais de mil artigos em jornais de grande circulação, a maioria deles tratando de questões religiosas, educacionais e da moralidade cristã.

Como educador, o Pe. Brendan Coleman Mc Donald lecionou no Seminário Redentorista São José, em Vila Aurora, Goiânia, Goiás; foi professor de Ensino Religioso do Colégio Redentorista em Fortaleza, do qual foi vice-diretor e diretor pedagógico. Foi um dos fundadores e primeiro presidente do Conselho de Orientação do Ensino Religioso no Ceará (CONOERCE). Atualmente, é professor titular aposentado da UFC, desde 2007, em decorrência da chegada da idade da aposentadoria compulsória.

Por mais de 20 anos, com início em 1996, foi corresponsável pelo programa semanal na televisão: “Falando Sério do Amor de Deus”. O programa, sob a responsabilidade do CONOERCE, antecede a Santa Missa, todos os domingos, na TVC.

Presentemente, é assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Regional NE1, função que vem exercendo nos últimos vinte anos, e orientador espiritual de vários padres e religiosas.

Eis, então, em breves palavras, a biografia do Pe. Brendan, mais focada no seu componente religioso, no qual sobressaem a ação pastoral e o saber teológico, que bem demonstram o reconhecimento do acerto da proposição da cidadania alencarina a esse irlandês de nascimento que presta seus relevantes serviços ao Brasil, desde 1964, dos quais a maior parte foi exercida no Ceará, tanto que a ele já foi outorgada a cidadania de Fortaleza pela Câmara Municipal da capital cearense.

Paz e bem!

Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas

*Publicado In: SILVA Marcelo Gurgel Carlos da. Religare: incursões literárias de um médico lucano. Fortaleza: Edição do Autor, 2022. 136p. p.135-138.

P.S.: Há alguns anos, em 28/03/2019, enviei essa proposta para a concessão da cidadania cearense ao padre Brendan Mc Donald, que tramitou, mas não concluiu a sua aprovação.

Por vezes, nos deparamos com outorgas da cidadania cearense a pessoas com poucas ou parcas contribuições ao Ceará, cuja aprovação se fez de forma célere na Assembleia Legislativa do Ceará

Lamento muito pela desconsideração do nosso poder legislativo ao processo em epígrafe.

Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


EXÉQUIAS DO Pe. BRENDAN Mc DONALD (C.Ss.R.)

Comunicação da Casa Central dos Redentoristas em 30/09/23

Nosso Pe. Brendan Mc Donald faleceu hoje de manhã às 11:25h.

Que ele descansa em paz.

Pe. Alano

 

Velório no domingo 1º de outubro de 2023, a partir das 16 horas, no Centro de Formação Nossa Senhora do Perpétuo Socorro Rua Frei Marcelino, 1.025 – Bairro Rodolfo Teófilo, em Fortaleza~CE.

Translado do corpo para a Igreja de São Raimundo às 20 horas.

Missa de corpo presente, na segunda-feira, dia 2/10/23, às 9 horas.


 

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