Por
Tales de Sá Cavalcante (*)
A expressão francesa "Mardi
Gras", literalmente, significa "terça-feira gorda". É a
terça-feira de Carnaval. O termo vem do consumo de alimentos gordurosos antes
da abstinência da quaresma. Em cidades como New Orleans, "Mardi Gras"
passou a ser Carnaval e nesse período lá estive. O desfile é bem distinto do
nosso.
Lembrava o das antigas escolas do Brasil em
7 de Setembro. Indaguei a um dos policiais por que alguns deles entravam num
carro comum e logo saíam. Disse-me ele: "É o carro do médico da polícia.
Estamos em operação. Se alguém achar que irá gripar, entra no veículo e recebe
uma injeção". Imaginei o cuidado que os americanos deveriam ter com seus
soldados numa guerra.
Segundo a mídia, em novembro de 2025, o porta-aviões
USS Abraham Lincoln foi ao Mar da China. Após a guerra entre EUA e Irã, o
navio deslocou-se ao Oriente Médio. Os porta-aviões devem atracar a cada 30 ou
40 dias para descanso da tripulação e reabastecimento, mas o navio americano
está no mar 3 meses a mais do que o previsto, e parentes dos militares que
estão a bordo denunciaram, entre outros problemas, a escassez de comida e itens
para higiene pessoal, além da contaminação da água, e que o longo período no
mar e em guerra já impacta a saúde mental da tripulação. Novos tempos?
Noticiou-se que, em recente viagem do
presidente, com a desconfiança de ataque iraniano ao avião, o líder dos EUA
saiu secretamente para outra aeronave ao usar o caminhão de abastecimento e
deixou, como "isca", os repórteres e assessores, que viajaram sem
saber do perigo que corriam. Novos tempos?
O truque lembra o que teria acontecido em
Brasília quando um marido sentiu que, para a esposa crer na sua viagem, teria
de vê-lo entrar no avião. O esposo nele ingressou, saiu pelo caminhão e ficou
em Brasília com a "outra".
Em 1998, o presidente Clinton quase perdeu
o mandato, não por trair a esposa, mas por mentir. Hoje, em novos tempos, se
daria o mesmo?
Para o neurocientista Miguel Nicolelis,
"os EUA estão em uma autodestruição, com derretimento interno, sua
democracia está morrendo e os jovens estão sem perspectiva alguma". Novos
tempos?
(*) Reitor do FB UNI e
Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia
Cearense de Letras.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/08/26. Opinião, p.18.

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