Djalma Babau e o "waze
ariado" no Acaracuzinho
"Me
chamam Djalma Babau e tenho um alerta a fazer. Se o amigo conhece o tal
"aplicativo gratuito de navegação por GPS para celulares que usa
informações em tempo real compartilhadas pelos próprios motoristas para mostrar
o melhor caminho", coidado! Cumpade Zé Barbosa, pouco chegado ao modernismo
tecnológico, quase se lasca pela falta de categoria na lida com esse negócio!
Vou contar a besteira que sucedeu.
Pouco
"uberista", Babau inventou de ensinar ao motorista "a rodagem
mais curta" para chegar à casa da filha mais velha, no Acaracuzinho,
saindo do Siqueira. Desde que entrou no carro, sem reparar - nas fuças dele - o
celular do chofer indicando o caminho traçado pelo programa, pôs-se a narrar o
trajeto, empolgado à moda Gomes Farias. Motorista aparente se enfezar com o
bodejado. A moça da máquina dizia:
-
A quinhentos metros, vire à direita na Rua 116...
-
Uma ova que vai virar à direita na 116! 116 é do grupo do leão no jogo do
bicho. Sou Ceará. Caminhe mais uma coisinha, minha senhora, e siga até o bar de
Nozinho!
Ao
invés de explodir com os pitacos de Zé Barbosa, o motorista sabiamente deixar
correr frouxo, para ver como ia terminar tudo, onde (não) iam chegar, só pra
fazer o mal. Quando Zé deu fé, já divisava uma placa que anunciava:
"Bem-vindos a Itapebussu". Sem mais o que dizer, cumpade Zé Barbosa
reconhece que melou a vara e, acabrunhado, falou no ouvido do aplicativo:
-
Tu tá é ariado, waze véi fulerage!
O "bilôto" que mudou
uma vida
Já
vi crente ir de joelhos a Canindé pagar promessa pro filho que passou no exame
de admissão; esposa que rezou novena e trezena em agradecimento pela cura de
doença braba no marido arreado; político que deu quinhentos contos à
instituição de caridade por ter sido sufragado nas urnas com 15 votos; moça
velha grávida de agradecimento a Santo Antônio pelo namorado que arrumou.
Contudo,
a colega Francisca foi muito, muito além em sua imensa gratidão: acendeu 10
velas e orou pra mãe da pessoa que inventou a máquina de lavar. Pela primeira
vez alguém fez algo assim. Acostumada e "bater roupa", primeiramente,
nas águas corrente do Ereré (córrego que corta Pacajus a oeste), passou,
depois, a lavar redes e peças de cama e mesa na lavanderia de casa, com sabão
em barra, tacando um cacete de jucá no "espinhaço dos panos".
Toinho,
marido da Francisca me mandou vídeo da mulher ajoelhada diante do
eletrodoméstico, rezando contrita, rodeada de velas de uma semana. Assim
falando:
-
Obrigado, seu inventor! Apertando um bilôto, o colega tirou das minhas costas e
braços uma tonelada! Se tiver uma rede pra nós lavar, manda! Pro senhor é de
grátis! Amém!
Olhos nos ovos
Joseph,
bodegueiro famoso de São Romão. Pacato e gentil, dizia-se
"remediado", mas que tinha uma riqueza: o filho Peter Joaquim Muller
Gregório, seu assistente no sortido estabelecimento. Pra contrabalançar, uma
mulher braba feito "siri na latra" - Candinha. E era dezembro,
mercearia enfeitada de detalhes natalinos. Chega a vendedora de ovos caipira -
Lica, a generosa. 75 unidades numa caixa escura, lacrada. Joseph, de calção num
tamborete, deixando aparecer "as partes", derrama-se todo ante a
senhora estupefata:
-
Lilica! Sempre novona e bonita! E isso aí, na caixa?!?
-
São seus ovos, são seus ovos! - responde ela, olhos grelados nas 'ovanças' de
Joseph.
Candinha
ouve a conversa, de dentro de casa, e grita com o cão nos couros:
-
Que raparigagem é essa aí? Hein?
Fazendo
valer a autoridade, ordena ao filho Peter Joaquim e ao marido Joseph:
-
Almoço tá quase pronto, Quinca! E tu, Zé, traga a farinha do pirão com os meus
ovos!!!
Fonte: O POVO, de 28/08/2026. Coluna
“Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

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