sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Crônica: Djalma Babau e o "waze ariado" no Acaracuzinho ... e outros causos

Djalma Babau e o "waze ariado" no Acaracuzinho

"Me chamam Djalma Babau e tenho um alerta a fazer. Se o amigo conhece o tal "aplicativo gratuito de navegação por GPS para celulares que usa informações em tempo real compartilhadas pelos próprios motoristas para mostrar o melhor caminho", coidado! Cumpade Zé Barbosa, pouco chegado ao modernismo tecnológico, quase se lasca pela falta de categoria na lida com esse negócio! Vou contar a besteira que sucedeu.

Pouco "uberista", Babau inventou de ensinar ao motorista "a rodagem mais curta" para chegar à casa da filha mais velha, no Acaracuzinho, saindo do Siqueira. Desde que entrou no carro, sem reparar - nas fuças dele - o celular do chofer indicando o caminho traçado pelo programa, pôs-se a narrar o trajeto, empolgado à moda Gomes Farias. Motorista aparente se enfezar com o bodejado. A moça da máquina dizia:

- A quinhentos metros, vire à direita na Rua 116...

- Uma ova que vai virar à direita na 116! 116 é do grupo do leão no jogo do bicho. Sou Ceará. Caminhe mais uma coisinha, minha senhora, e siga até o bar de Nozinho!

Ao invés de explodir com os pitacos de Zé Barbosa, o motorista sabiamente deixar correr frouxo, para ver como ia terminar tudo, onde (não) iam chegar, só pra fazer o mal. Quando Zé deu fé, já divisava uma placa que anunciava: "Bem-vindos a Itapebussu". Sem mais o que dizer, cumpade Zé Barbosa reconhece que melou a vara e, acabrunhado, falou no ouvido do aplicativo:

- Tu tá é ariado, waze véi fulerage!

O "bilôto" que mudou uma vida

Já vi crente ir de joelhos a Canindé pagar promessa pro filho que passou no exame de admissão; esposa que rezou novena e trezena em agradecimento pela cura de doença braba no marido arreado; político que deu quinhentos contos à instituição de caridade por ter sido sufragado nas urnas com 15 votos; moça velha grávida de agradecimento a Santo Antônio pelo namorado que arrumou.

Contudo, a colega Francisca foi muito, muito além em sua imensa gratidão: acendeu 10 velas e orou pra mãe da pessoa que inventou a máquina de lavar. Pela primeira vez alguém fez algo assim. Acostumada e "bater roupa", primeiramente, nas águas corrente do Ereré (córrego que corta Pacajus a oeste), passou, depois, a lavar redes e peças de cama e mesa na lavanderia de casa, com sabão em barra, tacando um cacete de jucá no "espinhaço dos panos".

Toinho, marido da Francisca me mandou vídeo da mulher ajoelhada diante do eletrodoméstico, rezando contrita, rodeada de velas de uma semana. Assim falando:

- Obrigado, seu inventor! Apertando um bilôto, o colega tirou das minhas costas e braços uma tonelada! Se tiver uma rede pra nós lavar, manda! Pro senhor é de grátis! Amém!

Olhos nos ovos

Joseph, bodegueiro famoso de São Romão. Pacato e gentil, dizia-se "remediado", mas que tinha uma riqueza: o filho Peter Joaquim Muller Gregório, seu assistente no sortido estabelecimento. Pra contrabalançar, uma mulher braba feito "siri na latra" - Candinha. E era dezembro, mercearia enfeitada de detalhes natalinos. Chega a vendedora de ovos caipira - Lica, a generosa. 75 unidades numa caixa escura, lacrada. Joseph, de calção num tamborete, deixando aparecer "as partes", derrama-se todo ante a senhora estupefata:

- Lilica! Sempre novona e bonita! E isso aí, na caixa?!?

- São seus ovos, são seus ovos! - responde ela, olhos grelados nas 'ovanças' de Joseph.

Candinha ouve a conversa, de dentro de casa, e grita com o cão nos couros:

- Que raparigagem é essa aí? Hein?

Fazendo valer a autoridade, ordena ao filho Peter Joaquim e ao marido Joseph:

- Almoço tá quase pronto, Quinca! E tu, Zé, traga a farinha do pirão com os meus ovos!!!

Fonte: O POVO, de 28/08/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


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