terça-feira, 15 de dezembro de 2009

ADVOGADO X POLÍCIA

Lição fundamental: Jamais faça pergunta sem ter certeza da resposta!

Fato verídico acontecido em uma Vara da cidade de São Paulo na Inquirição em Juízo de um policial pelo advogado de defesa do réu, que tentava abalar a sua credibilidade.
Advogado: Você viu meu cliente fugir da cena do crime?
Policial: Não senhor. Mas eu o vi a algumas quadras do local do crime e o prendi como suspeito, pois ele é, e se trajava conforme a descrição dada do criminoso.
Advogado: E quem forneceu a descrição do criminoso?
Policial: O policial que chegou primeiro ao local do crime.
Advogado: Um colega policial forneceu as características do suposto criminoso. Você confia nos seus colegas policiais?
Policial: Sim, senhor. Confio a minha vida.
Advogado: A sua vida? Então diga-nos se na sua delegacia tem um vestiário onde vocês trocam de roupa antes de sair para trabalhar.
Policial: Sim, senhor, temos um vestiário.
Advogado: E vocês trancam a porta com chave?
Policial: Sim, senhor, nós trancamos.
Advogado: E o seu armário, você também o tranca com cadeado?
Policial: Sim, senhor, eu tranco.
Advogado: Por que, então, policial, você tranca seu armário, se quem divide o vestiário com você são colegas a quem você confia sua vida?
Policial: É que nós estamos dividindo o prédio com o Tribunal de Justiça, e algumas vezes nós vemos advogados andando perto do vestiário.

Uma gargalhada geral da plateia obrigou o Juiz a suspender a sessão

Foi falar besteira ...

Fonte: Internet (circulando por e-mail)

domingo, 13 de dezembro de 2009

O PROJETO ACADÊMICO PACATUBA

O Projeto Acadêmico Pacatuba (PAPa) foi criado no começo da década de setenta, por iniciativa de estudantes de Medicina. A idéia original foi do estudante Elcias Camurça Filho, que, na época de colegial, participou de programa de intercâmbio da AFS nos EUA, onde realizou parte do seu “high-school”, e engajou-se em programas de trabalhos sociais, feitos voluntariamente, com ampla mobilização da comunidade.
Logo que ingressou no Curso de Medicina da UFC, em 1970, Elcias cogitou montar de algo que levasse os universitários a prestar serviços à população carente, tendo elaborado, sob a orientação direta da sua genitora, a Profa. Zélia Camurça, uma renomada educadora, um projeto de extensão universitária, para esse fim. O projeto em tela foi apresentado e conseguiu, de imediato, a adesão dos seus colegas de turma, Henry de Holanda Campos e Fernando Antônio Frota Bezerra, que compuseram o grupo fundador.
A proposição do campo de aplicação do projeto coube ao Henry de Holanda Campos, ligado por laços familiares, a pessoas envolvidas na administração de Pacatuba, um município situado vizinho à Fortaleza, distando cerca de trinta quilômetros da capital. Na sua fase de implantação, o projeto atraiu a colaboração de outros companheiros, da mesma turma, como: Ana Rosa dos Santos, Glauco Lobo Filho, Maria de Fátima Veras e Eldon Barros de Alencar.
A proposta foi encampada pela universidade, convertendo-se em atividade de extensão rural do Departamento de Saúde Comunitária da UFC, que envidou os esforços necessários para viabilizar a empreitada, buscando o suporte de demais unidades acadêmicas. Dentre os docentes mais atuantes e solidários, figuravam: Zélia Rouquayrol, Júlio Maria Lima, Ariston Cajaty e Adalvaniza Costa.
À medida que os anos letivos iam avançando, eram selecionados alunos das novas turmas, a exemplo de Ana Júlia Couto, Airton Monte, Sullivan Mota e Urico Gadelha, dentre os admitidos na UFC, em 1971, e, depois, agregando alguns dos que formaram conosco, na turma de 1977.2, rememorando-se aqui os nomes de: Carlos Roberto Morais Sampaio, Cristina Mourão, Francisco Delano Campos Macedo, Francisco Jean Crispim Ribeiro, Marcelo Gurgel, Maria Roseli Monteiro Callado, Jussara Nogueira Terra e Marcos Sandro Fernandes de Vasconcelos; esse último chegou a ser a presidente do PAPa, na gestão subseqüente a da Ana Júlia Couto.
O trabalho era realizado sempre aos sábados e prestava assistência comunitária à população do município de Pacatuba e da sua vizinhança. Em princípio, o projeto envolvia apenas acadêmicos de Medicina, mas com o passar dos anos, foi incorporando diversos cursos e tendo então uma atuação bem mais abrangente, dirigido inclusive para o desenvolvimento comunitário.
Quando plenamente instalado, o PAPa possuía uma logística interessante: pela manhã, em escala de revezamento, um grupo, de quatro a cinco alunos, ia em carro próprio à Pacatuba, para cuidar dos meios e da infra-estrutura para a feitura dos serviços pelo conjunto de alunos e fazer a triagem dos atendimentos programados para a tarde. Os demais participantes apresentavam-se no campus do Porangabuçu, por volta das 13h, para tomar o velho ônibus da “Faculdade de Medicina”, que os levava até Pacatuba, cujo trabalho começava às 14h e se estendia até às17h30.
Uma contra-partida da Prefeitura fazia-se então presente no lanche, servido no rápido intervalo de uns quinze minutos, no meio da tarde, quando os alunos se dirigiam ao restaurante autorizado pelo prefeito, para receber um refrigerante acompanhado de um misto quente ou uma coxinha, ocasião em que paravam para respirar um ar mais puro e admirar a topografia da localidade, incluindo a Serra de Aratanha, que viria a ser palco, anos mais tarde, de um terrível desastre de aviação, que deu cabo da vida de mais de uma centena de pessoas.
Para os alunos de segundo e de terceiro anos, as principais atividades eram desenvolvidas no Serviço de Epidemiologia, onde se tinha a oportunidade de travar os contatos iniciais com a dura realidade de vida das populações rurais, visto que se operavam ali levantamentos epidemiológicos e o diagnóstico das condições econômicas e sociais das famílias.
A partir do quarto ano de Medicina, depois de terem passado pela Semiologia, os acadêmicos passavam a estagiar no Serviço de Clínica Psiquiátrica, momento em que era possível constatar que muitas das queixas da clientela referida tratavam-se de formas de manifestação de descontrole produzidas por condições sócio-econômicas adversas, ou marcavam presença no Serviço de Clínica Médica, prestando serviço assistencial aos grupos de adultos. Quase sempre havia um docente designado para acompanhar os estudantes, embora nem sempre fosse médico, para ajudar a solucionar os casos mais complexos, amparado no sistema de referência para o Hospital Universitário Walter Cantídio, que oferecia o suporte, nas situações que exigissem internamento hospitalar.
Havia muito entrosamento entre os participantes, durante a execução das tarefas, com auxílio mútuo, para o aprendizado e para a resolução dos casos da melhor maneira; essa interação, que integrava universitários de distintos cursos, alargava-se no percurso da volta à Fortaleza, animada pela irreverente atuação de Airton e Urico, cujas brincadeiras e pilhérias tornavam o tempo de retorno bem curto. O ônibus entrava em Fortaleza por Parangaba, usando a Av. João Pessoa, fazendo um pequeno desvio, para deixar os alunos, que haviam estacionado os carros no campus do Porangabuçu, e, em seguida, retomava à mesma avenida, parando em vários pontos para liberar mais alguns alunos, prosseguindo pela Av. da Universidade até a Praça José de Alencar, onde desciam os últimos passageiros.
As turmas sucedâneas à nossa ainda deram seguimento a esse exemplar projeto de extensão universitária, que sucumbiu à entrada dos anos oitenta, certamente pela combinação de fatores, incluindo, e.g.: a desmotivação estudantil, para trabalhos comunitários; a falta de apoio da direção do Centro de Ciências da Saúde, após a gestão do Prof. Geraldo Gonçalves; o esfacelamento do Departamento de Saúde Comunitária, em disputas fraticidas; e a institucionalização do CRUTAC.
Por fim, lastima-se aqui o encerramento de um estágio, rico em experiência comunitária, e de grande valia para a formação de profissionais, especialmente os futuros médicos, engajados na luta por uma saúde de melhor qualidade e mais acessível a todos.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Médico e professor universitário

* Publicado in: Revista Histórias da Saúde. Agosto a outubro de 2009 – ano XI, n.20, p.17.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A ROUPA FAZ A DIFERENÇA?

Sem maiores preocupações com o vestir, o médico conversava descontraído com o enfermeiro e o motorista da ambulância, quando uma senhora elegante chega e de forma ríspida, pergunta:
- Vocês sabem onde está o médico do hospital?
Com tranqüilidade, o médico respondeu:
- Boa tarde, senhora! Em que posso ser útil?
Ríspida, retorquiu:
- Será que o senhor é surdo? Não ouviu que estou procurando pelo médico?
Mantendo-se calmo, contestou:- Boa tarde, senhora! O médico sou eu, em que posso ajudá-la?!?!
- Como?!?! O senhor?!?! Com essa roupa?!?!...
- Ah, Senhora! Desculpe-me! Pensei que a senhora estivesse procurando um médico e não uma vestimenta...
- Oh! Desculpe doutor! Boa tarde! É que... Vestido assim, o senhor nem parece um médico...
- Veja bem as coisas como são... - disse o médico - ... as vestes parecem não dizer muitas coisas, pois quando a vi chegando, tão bem vestida, tão elegante, pensei que a senhora fosse sorrir educadamente para todos e depois daria um simpaticíssimo "boa tarde!"; como se vê, as roupas nem sempre dizem muito...
E continuou:
- Um dos mais belos trajes da alma é a educação; sabemos que a roupa faz a diferença mas o que não podemos negar é que: Falta de Educação, Arrogância, Falta de Humildade, Pessoas que se julgam donas do mundo e da verdade, Grosseria e outras "qualidades" derrubam qualquer vestimenta.

Moral: Bastam às vezes, apenas 5 minutos de conversa para que o ouro da vestimenta se transforme em barro.

Fonte: Internet (circulando por e-mail)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O QUE ELES DISSERAM IV

VENENO
"Num mundo inseguro existem apenas duas coisas em que se pode confiar: na insegurança da Itália e na de Mussolini."
Adolf Hitler, líder nazista alemão, criticando o ditador italiano Benito Mussolini
"Provavelmente mentiroso; e maluco, com certeza."
Benito Mussolini, respondendo a uma das provocações feitas pelo führer
"Este homem é perigoso – ele acredita no que diz."
Joseph Goebbels, ministro da Propaganda nazista alemã, falando sobre Adolf Hitler
"Dirigir Marilyn Monroe era como dirigir Lassie."
Otto Preminger, cineasta austríaco que comparou a capacidade de representar da atriz americana à da cadela que fez sucesso num seriado de TV
"Chaplin era um homem perverso. Sádico. Vi-o torturar seu filho Sydney, humilhá-lo, insultá-lo." Marlon Brando, sobre Charles Chaplin, que o dirigiu no filme A Condessa de Hong Kong, em 1966
"Não passei o Natal com eles porque chegaria num BMW e sairia num caixão."
Princesa Diana, explicando, em 1995, sua ausência na ceia de Natal da família real

Fonte: Internet (circulando por e-mail) Editado por Maria Rita Alonso e Rosana Tonetti

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A ORGANIZAÇÃO DA SELEÇÃO DA RESIDÊNCIA MÉDICA DO SUS NO CEARÁ

A Escola de Saúde Pública do Ceará (ESP-CE), desde a sua criação, em 1993, tem assumido a coordenação do Processo Seletivo da Residência Médica (RM) para os hospitais estaduais de referência do Sistema Único de Saúde do Ceará, englobando os pertencentes à extinta Fundação de Saúde do Estado do Ceará (FUSEC), representados pelos Hospital Geral César Cals, Hospital São José e Hospital de Saúde Mental de Messejana, além daqueles integrantes do antigo INAMPS, que foram estadualizados, no caso o Hospital Geral de Fortaleza e o Hospital de Messejana.
Ao acolher esse encargo, a seleção já estava unificada, sob a égide da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará (SESA), que o realizava por meio do trabalho voluntário e dedicado de alguns coordenadores e preceptores de variados programas, cabendo à ESP-CE introduzir mudanças graduais, sobretudo operacionais, para tornar os procedimentos mais profissionais e regulamentados.
Um ponto de partida foi o reconhecimento da necessidade de expandir a concorrência, para atrair também melhores candidatos, e, também, gerar maiores receitas, com o fito de remunerar as tarefas realizadas, minimizando a colaboração gratuita, ao tempo que se buscava obter o aprimoramento qualitativo dos instrumentos de avaliação dos postulantes.
A aplicação das provas escritas e de títulos ocorria em duas fases, distanciadas em quase duas semanas, o que levava à liberação dos resultados finais ao cabo de quase um mês, gerando fortes e demoradas expectativas entre os inscritos. A correção manual dos gabaritos foi substituída pela leitura ótica dos mesmos, evitando as naturais falhas e imperfeições humanas do procedimento artesanal, e conferindo grande agilidade na correção e no fechamento dos resultados.
As duas fases foram reunidas em um único fim-de-semana, permitindo-se participar da segunda fase, independente do resultado da prova escrita, com as provas de múltipla escolha aplicadas na manhã do sábado e as entrevistas com análise curricular, iniciadas na parte da tarde e se prolongando em todo o domingo; nos últimos anos, com a inclusão de mais examinadores, devidamente treinados, que passaram a contar com pessoal de apoio, e a definição de aprazamento dos horários das análises, foi possível restringir a feitura do certame em apenas um dia.
Os pontos de corte para a aprovação da primeira fase, anteriormente fixados na média menos um desvio padrão de cada programa, geravam sérias distorções por suas brutais diferenças entre os programas, de modo que, às vezes, um candidato eliminado de um programa de alta competição tinha rendimento que o alçava entre os primeiros de programas menos qualificados em competição, e ainda por razões estatísticas da variabilidade produzida em pequenos números, no caso de poucos candidatos em certos programas. Para corrigir tal dissonância, o diapasão adotado foi estabelecer um único “cutoff” para os candidatos dos programas de acesso direto, definido na média menos um desvio padrão dos resultados da prova básica, comum a todos os concorrentes, e, linearmente, considerar o perfil de 50% de acertos das questões válidas como ponto de corte aos candidatos inscritos nas áreas especializadas.
Para aprimorar a qualidade das provas escritas, foram ministrados dois cursos teóricos e práticos sobre a formulação de questões de múltipla escolha aos preceptores encarregados dessa funções, os quais, anualmente, quando convidados a integrar às bancas de provas, recebem um pacote contendo instruções sobre a técnica de elaboração de quesitos, a digitação e formatação e modelos de questões, com referências bibliográficas. A quantidade de questões solicitadas aos formuladores passou a ser quase o dobro do necessário às provas, cabendo a seleção das questões e a montagem de cada prova ao trabalho coletivo, envolvendo elaboradores e coordenação do certame, sob o estreito acompanhamento de técnico experimentado em avaliação educacional, atentando-se para aspectos relativos a conteúdo, consistência, grau de dificuldade, poder discriminatório etc. A montagem final das provas, após a reavaliação técnica, passou a ser submetida à cuidadosa revisão ortográfica.
Os procedimentos comuns de análise curricular aplicados a todos os candidatos foram revistos e desmembrados em dois modelos de Curriculum Vitae (CV) padronizado: o A, que deve ser preenchido pelos candidatos às áreas básicas e especialidades de acesso direto (que não exigem pré-requisito) e o B, ajustado aos candidatos às especialidades que exigem pré-requisito; preservou-se, outrossim, a prática de somente revelar os comprovantes dos títulos por ocasião da análise curricular, evitando-se o acúmulo de análise de documentos na ESP-CE. Esses modelos substituíram os apresentados em diferentes formatos, de modo espontâneo e livre, pelos postulantes, cujo manuseio tomava muito tempo do examinador.
A nota atribuída ao histórico escolar da graduação, como parte da prova de títulos, e que considerava todas as notas e/ou conceitos das disciplinas, demandando a, aproximadamente, meia hora de cada avaliador, foi inicialmente restrita à aferição do desempenho de dez matérias e, posteriormente, a apenas cinco disciplinas: Patologia, Clínica Médica, Clínica Cirúrgica, Pediatria e Gineco-Obstetrícia. Por três anos, a Coordenação da seleção introduziu, em caráter opcional, o direito do candidato de pleitear essa avaliação baseada no resultado individual do Exame Nacional de Cursos (o Provão do MEC); essa exitosa medida, que tinha a vantagem de harmonizar, em um só instrumento, a dificuldade de lidar com grades curriculares extremamente díspares e conferia uma economia de tempo de análise, foi abortada pela intempestiva decisão do governo federal de extinguir o Provão, equivocadamente substituído pelo ENADE, cujas periodicidade e não individualização de resultados tolheram a continuidade do aproveitamento na pontuação curricular.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Ex-Coordenador da Seleção da RM do SUS-CE

* Publicado in: Jornal do médico, 5(29): 6, 2009. (Informativo Independente do Ceará).

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O BRASIL ANEDÓTICO X

A VENDA DO FILHO
Cândido Freire - "Rev. do Brasil", n° 60, de 1920
A 10 de novembro de 1840 penetravam a bordo do patacho Saraiva, ancorado a pouca distância do cais, na Baia, um pretinho de dez anos, e que seria mais tarde o poeta e abolicionista Luiz Gama, o pai deste, homem branco, e jogador, que o tivera de uma preta-mina, e o dono de uma casa de tavolagem, de nome Quintela.
Enquanto o menino se distraía com os marinheiros, os dois entram em entendimento com o capitão, e retomam o bote que os trouxera. Ao vê-los partir, o negrinho corre, chega à escada, e grita:
- Meu pai? meu pai? não me leva?
- Eu volto já, para te levar, - informou o miserável.
E o menino, compreendendo tudo, num ímpeto de dor e de revolta:
- Meu pai, o senhor me vendeu !...
E era verdade. Foi assim, vendido, que Luiz Gama veio para o Rio, e foi, escravo, do Rio para São Paulo.

VIL, ELA
Moreira de Azevedo - "Mosaico Brasileiro", pág. 129
José Vilela Barbosa, que foi, depois, marquês de Paranaguá e um dos signatários da Constituição do Império, era um dos homens de mais espírito do seu tempo, no Brasil. Os seus epigramas tiveram fama e, não menos, as suas respostas galantes ou atrevidas.
Palestrava ele, no Paço, com uma senhora, quando esta, irritando-se, redargüiu ferina:
- V. Excia. sempre é um homem que tem um nome que começa por "vil"!
- Vil não! - protestou Paranaguá.
E emendando:
- "Vil, ela"!

"O PAIOL DA PÓLVORA"
Salvador de Mendonça, n'"O Imparcial", 1913
O Diário Mercantil de Francisco Otaviano, tinha como caixa e administrador o velho César, septuagenário que possuía uma grande prática de negócios. Quando se tratava da parte comercial da folha, Otaviano mandava:
- Isso é lá embaixo, com o César; desça ao "paiol da pólvora".
- Isto é o paiol mesmo, - confirmava o velho César.
E acentuava:
- Sem isto não se faz fogo lá em cima!

ORGULHO CONTRA BRAVURA
Serzedelo Correia - "Páginas do Passado", pág. 24
Transmitida a Deodoro, por Floriano. na manhã de 15 de novembro, a notícia de que o Visconde de Ouro-Preto lhe queria falar, o velho soldado subiu e, ao penetrar no gabinete em que se achava reunido o ministério no quartel-general, foi inevitável o choque.
- Senhor general, - declarou Ouro-Preto, - diante da força e do seu ato de violência, impossibilitado eu de combatê-lo, entrego à sua guarda as instituições e o governo!
- Sim, respondeu Deodoro; - diante da força e da violência provocadas pelos governos que nunca souberam tratar o soldado. Se VV. Excias. soubessem o que é ser soldado, se VV. Excias. sofressem com cinco anos de campanha, o fogo, as intempéries e a fome, e como eu, oito dias seguidos, só comessem milho cozido, haviam de compreender as amarguras da alma do soldado, e tratá-lo de outro modo!
- Por maiores que sejam as amarguras e agonias do soldado, - retorquiu o Visconde, - não podem ser iguais às minhas, ouvindo nesta hora V. Excia.
Deodoro perdeu a calma.
- Pois V. Excia. está preso! bradou.
Floriano intervém, porém:
- Não, Manuel; isto não é do trato!
E Deodoro de novo:
- Podem o ministério e V. Excia. se retirarem para as suas casas.

PATRULHA POLÍTICA
J. M. de Macedo - "Ano Biográfico", vol. 1, pág. 82
Ângelo Moniz da Silva Ferraz, que morreu em Petrópolis em 1868, dois dias depois de lhe ser conferido o título de Barão de Uruguaiana, foi, como deputado e senador, um dos oradores mais vigorosos do seu tempo.
Eleito pela Baía em 1845; dirigia ele uma oposição de três ou quatro deputados, quando, num discurso, exclamou:
- Eu, e o meu partido...
- V. Excia. não comanda um partido, aparteou um deputado governista. - V. Excia. chefia, apenas, uma patrulha!
A frase ganhou curso, ficando Ferraz, até a sua adesão ao partido liberal, com o apelido de "chefe de patrulha".
AS DERROTAS DE MARTINHO DE CAMPOS
Alfredo Pujol - Discurso na Academia Brasileira de Letras
Era Lafayette ministro da Justiça, no gabinete Sinimbú, quando, atacado, em virtude de um dos seus atos, subiu à tribuna para defender o governo e a sua pessoa. Chefiava o movimento contra ele o velho Martinho de Campos, e Lafayette foi impiedoso:
- Pelo que me diz respeito, - concluiu, - estou perfeitamente tranqüilo, vendo o nobre deputado no comando desta campanha. Há trinta anos S. Excia. comanda batalhas políticas, e as tem perdido todas!

FILHOS E SOBRINHOS
Ernesto Sena - "Deodoro", pág. 159
Deodoro, conforme se sabe, morreu sem descendência. Muito ligado, porém, à família, tratava como seus os filhos dos seus irmãos, os quais interferiam na sua vida com certa liberdade, ajudando-o em muitas coisas mas, também, como era natural, causando-lhe aborrecimentos. E sempre que um destes lhe vinha, era fatal a sua frase:
- Qual! Quando Deus não nos dá filhos, o Diabo nos dá sobrinhos!...
AS ELEIÇÕES
Magalhães de Azevedo - "D. Pedro", pág. 49.
Nas palestras com os seus ministros, costumava dizer D. Pedro II, em 1870:
- As eleições, como elas se fazem no Brasil, são a origem de todos os nossos males políticos.
À margem de um opúsculo de Joaquim Nabuco, O erro do Imperador, escrevia o monarca em 1886, confirmando essas idéias:
"Não é o vestido que tornará vestal a Messalina, porém, sim, a educação do povo e, portanto, a do governo. Parece-me que devo conhecer essa chaga, pois a observo, sem ser mero expectante, há quarenta e tantos anos".

A GALINHA D'ANGOLA
Afonso Celso - Discurso na Academia Brasileira de Letras, recebendo Lauro Müller.
Na sua vivenda de Jacarepaguá, possuía o senador Lauro Müller grande quantidade de galináceos, e entre estes, numerosas galinhas d'Angola, de crista vermelha e plumagem cinzenta. Nédias, fortes, livres, satisfeitas, corriam por todo o quintal. Entretanto, de manhã à noite, a cantiga era a mesma: "estou fraco! estou fraco! estou fraco!"
É curioso! - observa o dono da casa, um dia, a um amigo.
E com bom humor:
- Não posso ver e ouvir estas aves que não fique, logo, pensando no Brasil!...

Fonte: Humberto de Campos. O Brasil Anedótico (1927)

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CINEMA NO NORDESTE! III

Para conseguir a aceitação do público nordestino, os cinemas locais decidiram mudar os nomes dos filmes.
Veja abaixo os novos títulos:
De: Guerra nas Estrelas
Para: Arranca-Rabo no Céu
De: Um Peixe Chamado Wanda
Para: Um Lambari, Cum Nome di Muié
De: A Noviça Rebelde
Para: A Beata Increnquêra
De: O Corcunda de Notre Dame
Para: O Monstrim da Igreja Grandi

Fonte: Internet (circulando por e-mail)
 

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