Por Eloisa Maia Vidal (*)
Resumo
Dois escritores do Ceará e uma autora
radicada no Estado representam a região entre os semifinalistas do Prêmio
Oceanos 2026;
Na categoria prosa, Moacir Fio foi
indicado pelo romance "Aranha Movediça"; na categoria poesia,
concorrem Dalgo Silva com "Matriarca Cidade" e Nina Rizzi com
"Diáspora não é lar";
Os três representantes integram a
lista de 54 semifinalistas, que foram selecionados a partir de mais de 3 mil
obras inscritas;
Considerado um dos prêmios literários
mais importantes da comunidade lusófona, o Oceanos reúne títulos de países como
Brasil, Portugal, Moçambique e Angola;
A lista de semifinalistas também conta
com nomes consagrados da literatura, como Milton Hatoum, Aline Bei, Micheliny
Verunschk e Noemi Jaffe.
Dois escritores cearenses e uma autora
radicada no Ceará representam o Brasil e a Terra da Luz no Prêmio Oceanos de
Literatura em Língua Portuguesa. O trio faz parte dos 54 semifinalistas da
edição de 2026, anunciados na noite de terça-feira, 25, entre mais de 3 mil
obras inscritas.
Na prosa, Moacir Fio foi indicado pelo
romance “Aranha Movediça” (Editora Moinhos), enquanto “Matriarca Cidade”
(Editora 7Letras), de Dalgo Silva, e “Diáspora não é lar” (Editora Pallas), de
Nina Rizzi, estão na categoria poesia.
A premiação, considerada uma das mais
importantes entre os países de língua portuguesa, reúne títulos do Brasil,
Portugal, Moçambique e Angola, com 26 representantes na prosa e 28 na poesia. A
próxima etapa, que selecionará os livros para a final, acontece em outubro.
Além dos cearenses, nomes como Aline Bei,
Micheliny Verunschk, Milton Hatoum e Noemi Jaffe entraram na listagem de
semifinalistas.
Semifinalistas do
Ceará comentam indicação ao Prêmio Oceanos 2026
Para Moacir Fio, a indicação de “Aranha
Movediça” é um “tipo particular e especial de alegria”, que oferece esperança
em relação ao mercado editorial e as “fronteiras invisíveis” que ainda cercam a
região Nordeste.
“Não teria como essa história existir em
outro lugar, sabe? Penso muito naquela imagem do movimento manguebeat, da
‘antena parabólica enfiada na lama’, essa ideia de captar e dialogar com as
linguagens do mundo sem nunca tirar os pés deste nosso chão”, relata.
Ambientar o romance no próprio Ceará — “um
estranho romance de horror”, como descreve Moacir — é uma forma de entender
melhor todo o processo de construção do “ser cearense”.
“A gente tende a se prender a uma imagem
solar, risonha, que sim, faz parte da nossa identidade, mas existe todo um
submundo, um passado de violências, de assombros, como eu gosto de falar, e de
contracultura e resistência; tudo isso sendo esquecido”, ressalta.
Essa relação, descrita como “paradoxal”, é
o que impulsiona a trama. Na obra, a morte misteriosa de Jota do Lixo, uma
lenda do movimento punk em Fortaleza, é o fio condutor de um podcast
investigativo, 40 anos depois, na tentativa de desvendar o crime.
Já Nina Rizzi, tradutora e escritora que
escolheu a capital cearense como casa, chega na categoria poesia com “Diáspora
não é lar”.
“Essa conquista celebra não apenas a
qualidade estética e a profundidade do livro, mas também a relevância das
questões que coloco no mundo através da palavra. Ver minha obra nesse lugar é
motivo de muito orgulho”, diz Rizzi. “Um viva bem grande à literatura, em
especial a cearense”.
Quem também compartilha o espaço poético é
Dalgo Silva, com “Matriarca Cidade”. O maranguapense já chegou ao posto de
finalista no Prêmio Jabuti 2024, na categoria "Escritor Estreante -
Poesia".
"Talvez, a ficha não tenha caído
completamente ainda por eu ter sempre acompanhado essa premiação literária e
saber de sua grandeza. Por figurar na mesma lista que Adélia Prado, por
exemplo. Não tem como não ficar boquiaberto", comenta Dalgo.
O autor explica que desejava escrever um
livro de poesia sobre existências "aparentemente pequeninas", mas que
pulsassem.
"Eu acredito nas palavras de minha
mãe, na dos meus amigos e amigas, na das crianças, na dos bichos, na das
plantas, nas palavras de quem olha a vida dando rasteira. A gente precisa
aprender a dar as rasteiras de volta e eu aprendi a fazer isso com as
palavras", relata.
Uma das maiores honras é poder dizer que
sua literatura é cearense, "que ela come fruta tirada do pé e toma café só
para dar dois dedinhos de prosa e, assim, consegue adiar o fim do mundo por
mais um dia".
(*) Professora da Uece. Doutora em Educação.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/08/26. Opinião, p.18.

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