segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Autores do Ceará são semifinalistas do Prêmio Oceanos 2026

Por Eloisa Maia Vidal (*)

Resumo

Dois escritores do Ceará e uma autora radicada no Estado representam a região entre os semifinalistas do Prêmio Oceanos 2026;

Na categoria prosa, Moacir Fio foi indicado pelo romance "Aranha Movediça"; na categoria poesia, concorrem Dalgo Silva com "Matriarca Cidade" e Nina Rizzi com "Diáspora não é lar";

Os três representantes integram a lista de 54 semifinalistas, que foram selecionados a partir de mais de 3 mil obras inscritas;

Considerado um dos prêmios literários mais importantes da comunidade lusófona, o Oceanos reúne títulos de países como Brasil, Portugal, Moçambique e Angola;

A lista de semifinalistas também conta com nomes consagrados da literatura, como Milton Hatoum, Aline Bei, Micheliny Verunschk e Noemi Jaffe.

Dois escritores cearenses e uma autora radicada no Ceará representam o Brasil e a Terra da Luz no Prêmio Oceanos de Literatura em Língua Portuguesa. O trio faz parte dos 54 semifinalistas da edição de 2026, anunciados na noite de terça-feira, 25, entre mais de 3 mil obras inscritas.

Na prosa, Moacir Fio foi indicado pelo romance “Aranha Movediça” (Editora Moinhos), enquanto “Matriarca Cidade” (Editora 7Letras), de Dalgo Silva, e “Diáspora não é lar” (Editora Pallas), de Nina Rizzi, estão na categoria poesia.

A premiação, considerada uma das mais importantes entre os países de língua portuguesa, reúne títulos do Brasil, Portugal, Moçambique e Angola, com 26 representantes na prosa e 28 na poesia. A próxima etapa, que selecionará os livros para a final, acontece em outubro.

Além dos cearenses, nomes como Aline Bei, Micheliny Verunschk, Milton Hatoum e Noemi Jaffe entraram na listagem de semifinalistas.

Semifinalistas do Ceará comentam indicação ao Prêmio Oceanos 2026

Para Moacir Fio, a indicação de “Aranha Movediça” é um “tipo particular e especial de alegria”, que oferece esperança em relação ao mercado editorial e as “fronteiras invisíveis” que ainda cercam a região Nordeste.

“Não teria como essa história existir em outro lugar, sabe? Penso muito naquela imagem do movimento manguebeat, da ‘antena parabólica enfiada na lama’, essa ideia de captar e dialogar com as linguagens do mundo sem nunca tirar os pés deste nosso chão”, relata.

Ambientar o romance no próprio Ceará — “um estranho romance de horror”, como descreve Moacir — é uma forma de entender melhor todo o processo de construção do “ser cearense”.

“A gente tende a se prender a uma imagem solar, risonha, que sim, faz parte da nossa identidade, mas existe todo um submundo, um passado de violências, de assombros, como eu gosto de falar, e de contracultura e resistência; tudo isso sendo esquecido”, ressalta.

Essa relação, descrita como “paradoxal”, é o que impulsiona a trama. Na obra, a morte misteriosa de Jota do Lixo, uma lenda do movimento punk em Fortaleza, é o fio condutor de um podcast investigativo, 40 anos depois, na tentativa de desvendar o crime.

Já Nina Rizzi, tradutora e escritora que escolheu a capital cearense como casa, chega na categoria poesia com “Diáspora não é lar”.

“Essa conquista celebra não apenas a qualidade estética e a profundidade do livro, mas também a relevância das questões que coloco no mundo através da palavra. Ver minha obra nesse lugar é motivo de muito orgulho”, diz Rizzi. “Um viva bem grande à literatura, em especial a cearense”.

Quem também compartilha o espaço poético é Dalgo Silva, com “Matriarca Cidade”. O maranguapense já chegou ao posto de finalista no Prêmio Jabuti 2024, na categoria "Escritor Estreante - Poesia".

"Talvez, a ficha não tenha caído completamente ainda por eu ter sempre acompanhado essa premiação literária e saber de sua grandeza. Por figurar na mesma lista que Adélia Prado, por exemplo. Não tem como não ficar boquiaberto", comenta Dalgo.

O autor explica que desejava escrever um livro de poesia sobre existências "aparentemente pequeninas", mas que pulsassem.

"Eu acredito nas palavras de minha mãe, na dos meus amigos e amigas, na das crianças, na dos bichos, na das plantas, nas palavras de quem olha a vida dando rasteira. A gente precisa aprender a dar as rasteiras de volta e eu aprendi a fazer isso com as palavras", relata.

Uma das maiores honras é poder dizer que sua literatura é cearense, "que ela come fruta tirada do pé e toma café só para dar dois dedinhos de prosa e, assim, consegue adiar o fim do mundo por mais um dia".

(*) Professora da Uece. Doutora em Educação.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/08/26. Opinião, p.18.


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