quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Mensagem de Ano Novo para Mim e para Ti

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

É comum ouvir-se, amiúde, ‘feliz ano novo’.

Todo mundo quer ser feliz. E quem não o quer?

Pela vitrine, descortinam-se os que, simplesmente, desejam, mas ficam perambulando com seus desejos. Há os que aninham seu desejo no colo do ano novo e cruzam esforços, fugindo ao prélio. Outros veem-se que vão à luta, cientes de que o embate é duro, requer uma dinâmica constante, poderão sofrer dores, decepções, derrotas e outros revezes, mas sempre prontos e dispostos a nunca desistir: estes têm o poder da fé, da esperança e da confiança.  São vitoriosos, porque conhecem o processo da felicidade e a inserem no sentido de suas vidas, promovendo a serenidade de ‘seu eu profundo’.

Todos os começos de ano, a felicidade, o estar bem são palavras ‘passageiras’, repetem-se esses augúrios, que, na maioria das vezes, não passam de um lenga-lenga, não vingam, dissipam-se na poeira de um caminhar incongruente. E os sonhos sonhados permanecem adormecidos, comatosos, por falta de determinação e excesso de covardia. À margem do medo, não conseguem fazer a travessia para a outra margem, onde a coragem está sempre à espera.

Este novo ano, que adentra, quero que seja diferente, que seja viçoso, que tenha comprometimento, que não se ensoberbeça das alegrias e elogios, nem se deprima das críticas, das dores e sofrimentos.

Para mim, para ti, para teus e meus familiares e amigos!

Este ano novo, que adentra, quero que haja o plantio da tolerância, que se consolide a segurança da fé, que a fraternidade salte fora do dicionário, a ideologia ceda lugar à tolerância e a paz consiga sorrir um sorriso franco.

Para mim, para ti, para teus e meus familiares e amigos!

Este ano novo, que adentra, quero que, vigoroso e vibrante, corra nas veias, que pulse no coração, que embale o enlace dos neurônios e revigore a força da fé, do início até o fim.

Este ano novo, que adentra, quero que sejas Novo no Ano Novo e não um Velho no Ano Novo.

Tu, eu, meus e teus familiares e amigos!

Que não haja lugar para o quase, nem para o depois.

E o protagonista não seja o tempo, sejamos Eu, Tu, Meus e Teus familiares e amigos, Novos no Ano Novo, do início até o fim!!!

E Deus seja sempre o nosso farol, sem o Qual pereceremos na escuridão!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 30/12.25.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Revisitando o Cemitério São João Batista

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

No artigo publicado neste Jornal O POVO, no dia 08 de setembro deste 2025, fizemos um breve apanhado da importância histórica do Cemitério São João Batista, às vésperas de completar os seus 160 anos de inauguração.

No ensejo, colocamos como importante a transformação do Cemitério em um equipamento turístico-cultural, dada essa história centenária, sua riqueza arquitetônica e artística, permitindo a proteção e a promoção do patrimônio histórico, a criação de espaço para aprendizado sobre a história de Fortaleza, arte tumular e personalidades ali sepultadas.

Com isso, o Cemitério seria desmistificado como um local tabu e visto na sua realidade de um ambiente de reflexão e um museu a céu aberto, capaz de contar a história dos grandes vultos da nossa história, como políticos, artistas, empresários, intelectuais e heróis.

Os 95 mil metros quadrados do São João Batista permitem roteiros diversificados. Para além das visitas a túmulos dessas figuras da história política, das artes em suas diversas formas e daqueles que geraram lendas e contos populares, há outros focos a explorar, como a arquitetura, a escultura e a simbologia ali presentes.

É também um ambiente propício a visitas especiais noturnas, para uma experiência imersiva, exposições temporárias, aulas, oficinas de Tanatologia, lançamentos de livros, apresentações artísticas, dentre outras formas de atração para o público, tanto local quanto os turistas que visitam Fortaleza e querem enriquecer sua experiência com a história da cidade, tudo com o respeito e a discrição exigidos.

Os temas para a programação cultural e educativa são por si sós muito ricos, como a simbologia tumular, a arte e a arquitetura funerária, os trabalhos dos escultores e a própria história da morte. Afinal, pode-se escolher entre patrimônio e arte, história e memória, turismo e cultura, dentre outros olhares não excludentes.

Em uma parceria com o poder público, as universidades, colégios, academias, institutos, representações do empresariado e atuais responsáveis pelos túmulos, pode-se dar vida a um projeto que engrandecerá ainda mais a rica história do Ceará.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/12/25. Opinião. p.18.

Ecos da COP 30

Por Sofia Lerche Vieira (*)

A COP 30 representou um marco no diálogo mundial sobre o clima. Nela estiveram presentes líderes mundiais, jovens estudantes e toda sorte de movimentos e participantes em favor de causas associadas à biodiversidade, sustentabilidade, preservação de florestas, dentre outras.

O megaevento foi vitrine de destaque para o Brasil e a Amazônia, onde até o final da conferência o governo federal havia custeado $787 milhões. Houve insatisfações diversas com a falta de avanços em relação às metas globais do Acordo de Paris, à redução de emissão de gases de efeito estufa, sem esquecer problemas de infraestrutura. Até fogo no pavilhão da ONU e um final pleno de controvérsias foram destaque.

Algumas ausências chamaram atenção em meio ao festivo cenário. Uma delas foi um debate amplo sobre o papel da educação em cenários de mudança climática. O MEC e o UNICEF marcaram presença tímida no evento e a mídia não focalizou o assunto. Uma pesquisa em jornal de circulação nacional revelou que de 2.662 resultados sobre o tema "COP30", nenhum abordou a educação. O que explicaria tal silêncio?

Ora, sabe-se que uma forma de mudar a atitude perante toda e qualquer situação requer conscientização acerca de problemas e desafios. A escola é um palco privilegiado para, através da educação ambiental crítica, formar cidadãos cientes e dispostos a agir e intervir de forma positiva no enfrentamento dos desafios climáticos e da preservação da natureza. A participação das famílias e da comunidade escolar tem importante papel neste cenário. Exemplos no mundo e no país mostram a importância de escolas verdes para uma vida melhor no planeta.

Se jovens e autoridades foram ouvidos na COP 30, protagonistas importantes foram esquecidos. Os professores, sob cuja responsabilidade estão as ações em defesa do ambiente no âmbito escolar, têm importante papel na mitigação dos efeitos do clima. Os ecos da COP 30 fazem pensar. É preciso rever e fazer avançar este debate.

O documento "O impacto das mudanças climáticas na educação: iniciando um debate" (Todos pela Educação. D3E. 2024) aponta um caminho.

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/12/25. Opinião. p.18.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

LICENÇA MENSTRUAL: dignidade e empatia

Por Lilian Serio (*)

O Projeto de Lei da licença menstrual, aprovado na Câmara e que agora vai para tramitação no Senado, representa um avanço em direitos trabalhistas para as mulheres, uma vez que não se trata de um privilégio, e sim de um ato de respeito à dignidade feminina e ao reconhecimento de uma condição biológica que merece atenção e compreensão.

Durante o período menstrual, muitas mulheres sentem cólicas intensas, fadiga, enxaquecas, náuseas e variações de humor causadas pela oscilação hormonal. Para algumas esses sintomas são leves e permitem a manutenção da rotina de trabalho. Para outras, no entanto, o fluxo é tão intenso e a dor tão forte que o simples ato de levantar-se da cama se torna um desafio.

Essa diferença ocorre porque cada organismo reage de forma distinta às variações hormonais, à presença de doenças como a endometriose ou a síndrome dos ovários policísticos, e até mesmo a fatores emocionais e genéticos.

A licença menstrual não é sinônimo de fragilidade, mas de humanidade. Permitir que uma mulher se ausente do trabalho nos dias em que estiver impossibilitada de exercer suas funções por conta do ciclo menstrual é reconhecer que o corpo feminino tem seus limites e que respeitá-los é um gesto de empatia.

As empresas que adotarem essa medida não estarão fazendo um favor, e sim cumprindo um dever ético e social, o de promover um ambiente de trabalho mais inclusivo, saudável e acolhedor.

O período menstrual não é apenas “mau humor” ou “exagero”, mas manifestações fisiológicas reais, é um passo essencial para desconstruir preconceitos e construir uma cultura mais justa. Quando a mulher é acolhida e respeitada em sua integralidade física, emocional e profissional, todos ganham: ela, a empresa e a sociedade.

É importante lembrar que o acompanhamento periódico com um ginecologista é essencial para que cada mulher compreenda melhor o próprio corpo e previna doenças ginecológicas. Consultas regulares ajudam a identificar condições que podem intensificar os sintomas menstruais e interferir na qualidade de vida. Cuidar da saúde é também um ato de empoderamento e de autoconhecimento.

(*) Médica ginecologista especialista em reprodução humana.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/11/2025. Opinião. p.16.

domingo, 28 de dezembro de 2025

UMA CONVERSA ENTRE LEÕES

Dois leões fugiram do zoológico.

Na correria, cada um partiu para uma direção diferente.

Um foi em direção à selva e o outro em direção ao centro da cidade.

Eles procuraram em todos os lugares, mas ninguém os encontrou.

Depois de um mês, e para surpresa de todos, o leão que havia fugido para a selva voltou, magro e fraco, e foi levado de volta para sua jaula.

Seis meses se passaram e ninguém se lembrava do leão que havia ido para a cidade até que um dia o leão fujão foi capturado e levado de volta ao zoológico.

Ele estava bem nutrido e saudável. Ao se reencontrar com o leão que fugiu para a selva, este perguntou ao outro:

- Mas me diga, como você ficou tanto tempo na cidade e voltou tão bem alimentado? Eu fui para a selva e tive que voltar porque mal conseguia encontrar o que comer. O outro leão respondeu:

- Pois te digo que que fui refugiar-me na Câmara dos Deputados. Todos os dias eu comia um deputado ou um de seus assessores e ninguém notava sua ausência.

- Então por que você voltou? Você terminou com os deputados?

- Não, nada disso, sobraram deputados. O que acontece é que cometi um grande erro, comi 5 deputados de um partido, 6 de outro, 4 conselheiros e 3 secretários e ninguém reparou que tinham desaparecido.

- E então?

- O meu erro foi ter comido a senhorinha que servia o café para eles, e foi aí que todos notaram. Aí entendi que comi a única pessoa que fazia alguma coisa em toda a Câmara dos Deputados.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


SER VELHINHA TEM SUAS VANTAGENS...

Um casal de velhinhos, na faixa dos 80 anos, queria lembrar os tempos áureos da época em que se conheceram na escola, quando ainda eram crianças.

E justamente no aniversário de casamento de 50 anos, eles foram até a antiga escola onde tudo começou para relembrar essas memórias. A escola ainda estava lá, mas claro que com algumas diferenças. Eles pediram para entrar e passearam pelo pátio e pelos corredores. Depois foram embora.

No caminho de volta para casa, o casal andava calmamente pela calçada quando um carro passou em uma velocidade altíssima, tão alta que a porta traseira abriu e deixou cair um pacote relativamente grande.

A velhinha se aproximou do pacote e, para a surpresa dela estava cheio de dinheiro. Uma surpresa ainda maior foi ver que eram dólares e não reais! Havia ali no mínimo cerca de 50 mil em notas verdinhas e graúdas.

O marido, sempre muito honesto, disse: “Vamos ligar para a polícia, temos que devolver esse dinheiro”. Já ela pensou justamente o contrário: “Ué, achado não é roubado”, e colocou o pacote na bolsa”. Chegando em casa, a velhinha escondeu o dinheiro no sótão.

No dia seguinte, a Polícia Federal começou a fazer uma ronda pela vizinhança, interrogando a todos os moradores em busca do dinheiro, e aí foram à casa dos velhinhos.

O policial toca a campainha e a velhinha abre a porta. “Bom dia, senhora”, ele diz, “desculpe incomodá-la, mas estamos procurando um volume alto de dinheiro que foi perdido ontem nas redondezas. A senhora chegou a ver alguma coisa?”

“Não”, ela respondeu imediatamente. É claro que eles não iam desconfiar de uma inocente velhinha, mas, quando estavam saindo, o marido diz: “É mentira, ela sabe de tudo. Ela achou o dinheiro e escondeu no sótão!”

Ela imediatamente respondeu: “Não acreditem nele... ele está gagá!”, mas os policiais, é claro, queriam saber mais a respeito para saber se era verdade ou não.

E um deles perguntou: “Muito bem, meu senhor, então conte-nos o que aconteceu desde o início”.

Ele começa: “Bem... quando nós estávamos voltando da escola ontem à tarde...”

Então um policial olhou para o outro e disse: “Escola? Vamos dar o fora daqui!”

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sábado, 27 de dezembro de 2025

DIPLOMACIA LUSITANA

Recebendo o diplomata português na corte, a Rainha Elizabeth, da Inglaterra convidou-o para dar uma volta pelas ruas de Londres numa carruagem real.

De repente, um dos cavalos solta um tremendo peido.

A rainha, perdendo completamente o rebolado, fica toda sem graça e diz:

- Peço mil perdões, Mr. Antunes... Não sei como isso pode acontecer.

E o diplomata lusitano, todo boas maneiras:

- Não há de que se desculpar-se, Majestade... Eu até pensei que tivesse sido o cavalo.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


PIADAS CURTINHAS & DIVERTIDAS

O irmão ciclista

- Sabia que meu irmão anda de bicicleta desde os quatro anos?

- Então é melhor você se apressar, pois ele já deve estar bem longe...  

Almoço em família

- Mamãe, o almoço está uma delícia!

- Que bom! Por que você não repete?

- Mamãe, o almoço está uma delícia!

Joãozinho na escola

Os alunos estão entregando as redações que fizeram sobre o tema "leite". Quando a professora vê o texto de Joãozinho, ela comenta:

- Mas por que tão curta?

- É que minha redação é sobre o leite condensado, professora.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 852c

Em 1998

A eleição presidencial de 1998 no Brasil foi realizada em um domingo, 4 de outubro de 1998. Foi a terceira eleição presidencial do país após a promulgação Constituição Federal de 1988. Pouco antes desse pleito foi aprovado um projeto de emenda constitucional permitindo a reeleição aos ocupantes de cargos no Poder Executivo. Em segundo lugar ficou Luiz Inácio Lula da Silva do Partido dos Trabalhadores (PT) com quase 32% dos votos. Ciro Gomes, então membro do Partido Popular Socialista (PPS, atual Cidadania), veio em terceiro lugar, com mais de sete milhões de votos (quase 11% do total). Esta eleição trouxe o uso das urnas eletrônicas, que seriam utilizadas em todos os municípios no pleito seguinte. A disputa pela presidência em 1998 contou com 12 candidatos, o maior número da história do país desde a eleição de 1989, quando mais do que o dobro de candidaturas foram lançadas.

Fofoca que "puniu" Heleno Torres

As conversas com o ex-presidente Michel Temer geralmente ocorrem em almoços: ele, o amigo em comum José Yunes e este escriba. (Esses encontros costumam ocorrer às sextas-feiras e, às vezes, contavam com a participação com Delfim Netto, com sua verve apurada, o advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira e outros que integram um "clubinho" de advogados amigos). Em um desses almoços, em um restaurante nos Jardins, deparamo-nos com o advogado e professor da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, o pernambucano Heleno Torres, um dos maiores tributaristas do país, que se fazia acompanhar em sua mesa do então Advogado-Geral da União, Luis Inácio Adams. Ao nos ver chegar, Heleno e Adams dirigiram-se à nossa mesa para cumprimentar Michel. O mesmo ocorreu na saída. Heleno despediu-se de nós. Perguntei a Heleno: "E aí, já é ministro?". O advogado respondeu: "Não, mas se for convidado, você receberá convite para minha posse". Ao chegar ao meu escritório, vi estampada no UOL a manchete: "Heleno Torres escolhido para o STF". Jornalista, não pude resistir à ideia de confirmar a informação. Disse o que Heleno teria me dito; "não fui convidado, mas se for, você será convidado para a posse". Coloquei-a no Twitter. Instantes depois, recebo um telefonema de Thomas Traumann, então ministro da Secretaria de Comunicação, em tom de recriminação, dizendo que a informação não era verdadeira e que estava sabendo de nossa confraternização em um restaurante. Confraternização? Que maluquice era essa? Indaguei. Segundo a fofoca, estávamos todos, Michel à frente, brindando o convite a Heleno Torres... Azucrinavam os ouvidos da presidente Dilma, que não acreditou estarmos em mesas separadas, não havendo almoço conjunto nem comemoração. Insisti para que ele, Traumann, lesse a manchete nas redes sociais. Hoje, mantenho a informação: vi estampada na rede de um jornal a informação sobre a escolha do tributarista.

Resumo da história: se estava prestes a ser convidado, o amigo Heleno teria perdido a vaga por causa desse lamentável episódio, que mostra a índole da então presidente Dilma: "castigar" o professor por uma informação errada que recebera de sua assessoria. Luis Inácio Adams estava presente. Não seria o caso de ser ouvido pela presidente?

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/409594/porandubas-n-852

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Rádio O POVO CBN Cariri, integrando saberes e difundindo conhecimento

Por Rita Fabiana Arrais (*)

Em 1959, por meio da Rede Nacional de Emissoras Católicas (Renec), o então bispo auxiliar e presidente da Fundação Padre Ibiapina, dom Vicente de Paulo Araújo Matos, inaugura a Rádio Educadora do Cariri com a função de reproduzir o trabalho evangelístico da Diocese cratense com a participação de agentes da pastoral das cidades de Farias Brito, Juazeiro do Norte, Lavras da Mangabeira e Várzea Alegre.

Passados sessenta e seis anos, é crucial reconhecer o mister dos pioneiros e, assim refletir sobre as novas tecnologias de comunicação midiáticas (podcasts, dispositivos digitais, Instagram, TikTok, Facebook, etc.), e os respectivos papéis desempenhados em prol do exercício da cidadania.

Face ao impacto dessas tecnologias no desenvolvimento da comunicação, "(...) tem provocado uma reordenação dos processos de produção e distribuição de conteúdos, o que significa também mudanças nas práticas e rotinas profissionais" (SIMEÃO, 2002, p.1). Pensar o rádio como uma ferramenta que permite o ouvinte caririense perceber a vida cotidiana e tudo que a rodeia, talvez seja hoje o maior desafio a transpor.

Segundo Heller (1985, p.18) "(...) o homem da cotidianidade é atuante e fruidor, ativo e receptivo", por isso faz-se necessário práticas de comunicação interacionais que permitam trocas de experiências e saberes, e que os espaços sejam lugares de fala para se difundir direitos, acessibilidade, diversidade, saúde e educação.

O Cariri se faz notícia a todo instante! É a economia que cresce com o Ceará; é a inflação que prejudica as taxas de empregos; são as romarias e a mobilidade urbana; é a violência contra a mulher e a LGBTfobia; é a preservação da Chapada do Araripe e do pequizeiro.

Em 20 de novembro de 2018, a Região Metropolitana do Cariri (RMC) foi contemplada com a Rádio O POVO CBN Cariri, um marco que corrobora com o crescimento socioeconômico, e a expansão dos mais distintos meios de comunicação que ao longo das décadas, buscam o Cariri como parceira na criação de novos projetos de mídias sociais, ao mesmo tempo em que fomentam a economia ao captar investidores para o mercado radiofônico.

A rádio que fala e ouve o Cariri agrega dinamismo e instantaneidade as informações do cotidiano regional - sendo a única emissora all news da RMC - com pontos de vistas plurais e análises críticas mediadas por jornalistas e especialistas de áreas diversas, que, por meio de explicações mais didáticas, alcançam credibilidade e pertencimento junto à população. O Cariri celebra a rádio feita para todos!

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 21/11/25. Opinião. p.19.

Natal, o mistério da encarnação e a Esperança que Renasce

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

"Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor." (Lc 2,11)

O Natal é o tempo em que a escuridão da noite se enche de luz. É o mistério da ternura divina que desce até nós, revestido de fragilidade e humanidade. Diante do Menino deitado na manjedoura, compreendemos que o poder de Deus não se revela pela força, mas pela humildade de quem ama até o fim.

É uma época que transcende o simples ato de trocar presentes e decorar árvores. É um momento de reflexão, de amor e, acima de tudo, de esperança. À medida que as luzes cintilam e as músicas natalinas ecoam, somos convidados a mergulhar em uma história que ressoa através dos séculos, uma narrativa que nos lembra do poder transformador do amor.

Na noite silenciosa de Belém, o céu toca a terra. A eternidade se inclina sobre o tempo. A Palavra se faz presença, e o Amor se torna rosto. O Filho de Deus veio ao mundo como um bebê, envolto em panos, trazendo uma mensagem de amor e redenção.

O Deus eterno se faz um bebê que chora, que depende de uma mãe, que sente frio e fome. Ele Se torna aquilo que é mais indefeso para nos mostrar o mais essencial: o Seu amor não tem medo da nossa miséria. Ele não exige que subamos até Ele na nossa força; Ele desce até nós na nossa fraqueza.

A liturgia do Natal nos convida a redescobrir o sentido da Encarnação: Deus se torna um de nós para que nenhum de nós se sinta só. A cada ano, ao redor do altar, celebramos não um acontecimento distante, mas uma presença viva. O mesmo Jesus que nasceu em Belém permanece presente na Eucaristia, onde o pão se torna Corpo, e o vinho se torna Sangue. O mesmo Deus que entrou no mundo através de Maria quer hoje entrar nos corações que se abrem à graça.

Contemplar o presépio é um gesto profundamente litúrgico. É colocar-se diante do Mistério e deixar que ele nos transforme. Como Maria, somos chamados a guardar e meditar tudo em nosso coração (cf. Lc 2,19). Como os pastores, somos convidados a correr ao encontro do Salvador. E como os anjos, somos enviados a proclamar: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados."

O espírito do Natal nos convida a abrir nossos corações e nossas mãos, somos chamados a compartilhar o que temos. Essa é a essência do Natal: a compaixão. Quando estendemos a mão para ajudar aqueles que estão em necessidade, não apenas seguimos o exemplo de Cristo, mas também encontramos alegria e propósito em nossas próprias vidas.

O Natal também é um tempo de união. Reunir a família ao redor da mesa, compartilhar risadas e histórias, é uma tradição que nos conecta. Em um mundo muitas vezes dividido, o Natal nos lembra da importância da comunidade. É uma oportunidade para perdoar, para curar feridas e para reforçar os laços que nos unem.

Neste Natal, deixemo-nos tocar pela beleza da simplicidade e renovemos em nós a certeza de que o amor de Deus não se cansa. Que, ao participarmos da Eucaristia, reconheçamos: o mesmo Deus que veio há mais de dois mil anos continua vindo, silenciosamente, a cada celebração. E que, iluminados pela luz do Menino de Belém, sejamos no mundo sinais vivos de esperança e de paz.

Feliz e Santo Natal!

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 29/11/2025. Opinião. p.14.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Cranioestenose, detectar cedo é crucial

Por Eduardo Jucá (*)

É comum que, nos primeiros meses de vida, pais reparem em características diferentes no formato da cabeça de seus bebês. O que nem todos sabem é que, em alguns casos, essas alterações podem indicar uma condição chamada cranioestenose — o fechamento precoce de uma ou mais suturas do crânio, que pode afetar o crescimento cerebral e o desenvolvimento neurológico.

O crânio do bebê é formado por placas ósseas separadas por suturas, que funcionam como zonas de crescimento. Essas suturas devem permanecer abertas nos primeiros anos para permitir a expansão do cérebro. Quando uma ou mais se fecham antes da hora, o crânio cresce de forma irregular. Isso pode causar deformidades visíveis e, em alguns casos, levar a aumento da pressão ou atrasos no desenvolvimento.

O diagnóstico é clínico, com apoio de exames de imagem. O tratamento é cirúrgico e, quanto mais cedo feito, melhor o resultado. A cirurgia corrige a forma do crânio e garante espaço para o cérebro crescer com segurança.

Muitos casos ainda são identificados tarde, o que pode exigir cirurgias mais complexas. Por isso, é essencial que pediatras e famílias fiquem atentos a assimetrias, achatamentos ou alongamentos incomuns. Observar o formato da cabeça pode fazer toda a diferença.

Há também formas sindrômicas de cranioestenoses, associadas a alterações em outras regiões do crânio e da face, que exigem cuidado especial. É importante também diferenciar as cranioestenoses verdadeiras das condições de assimetrias posicionais, mais frequentes e geralmente sem necessidade de cirurgia. O tratamento deve ser feito por equipe multidisciplinar, com neurocirurgião, pediatra, geneticista e outros especialistas.

No dia 22 de novembro de 2025, acontecerá o I Simpósio de Cranioestenoses de Fortaleza, na Universidade de Fortaleza, reunindo especialistas do Brasil e do exterior, além de famílias de pacientes. O evento será um marco para difundir conhecimento, trocar experiências e reforçar a importância do diagnóstico precoce. Divulgar o conhecimento é essencial para ampliar o saber, gerar empatia e qualificar o cuidado com essa condição.

(*) Médico neurocirurgião pediátrico, professor, pesquisador e palestrante.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/11/2025. Opinião. p.18.


ADVENTO: uma espera que transforma

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

O Advento sempre chega como um suspiro de Deus dentro de nós, um chamado discreto que atravessa o rumor dos dias e nos convida a despertar. Não é apenas o prelúdio do Natal, mas caminho espiritual para acolher novamente aquele que insiste em nascer em nossas fragilidades.

Este tempo litúrgico carrega uma beleza própria, a da espera. Esperar, na perspectiva Inaciana, é sempre um gesto de amor consciente, atento e profundamente disponível.

Santo Inácio nos recorda, em seus Exercícios, que a vida só se torna verdadeiramente fecunda quando aprendemos a encontrar Deus em todas as coisas. No Advento, esse apelo ganha um brilho particular.

Cristo se aproxima não apenas pelos textos bíblicos ou pelos ritos da Igreja, mas pelos gestos cotidianos que revelam sua presença escondida: um perdão oferecido, uma palavra que consola, um silêncio que acolhe. Deus vem, e quase sempre vem assim — pelas portas pequenas.

O Natal que aguardamos não é lembrança distante, mas acontecimento sempre novo. Cristo nasce cada vez que cedemos espaço à ternura, que reconhecemos a própria limitação e deixamos que a graça nos refaça. Ele nasce quando abandonamos a dureza, quando reconciliamos relações, quando abrimos o coração para curar feridas que arrastamos há anos. A verdadeira manjedoura não está em Belém, mas no interior de cada pessoa que se deixa transformar.

Contudo, é fácil perder-se na superfície do tempo. As luzes e festas podem nos distrair do essencial, convertendo o sagrado em mera decoração. Por isso, o Advento pede vigilância amorosa, não movida pelo medo, mas pelo desejo profundo de não deixar passar despercebido o Deus que se aproxima.

O Exame de Consciência, tão central para Santo Inácio, é um instrumento precioso nesse caminho. Nele, revisamos o dia, reconhecemos a ação divina, acolhemos nossas sombras e recomeçamos na luz.

Que este Advento seja um tempo de ampliar o coração, permitindo que Cristo entre nos lugares mais escuros de nossa história. Ele não teme nossa miséria; escolhe justamente esse terreno para fazer brotar vida nova.

Que Maria, a primeira a viver a espera, nos ensine a gestar o Deus que vem, e que, quando o Natal amanhecer, sejamos pessoas mais inteiras e mais capazes de amar.

Vem, Senhor Jesus.

Vem nascer, mais uma vez, dentro de nós.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 13/12/2025. Opinião. p.14.


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Icapuí faz Cantata de Natal

Por Izabel Gurgel (*)

Vai ter Cantata de Natal na praça central de Icapuí na noite de 25 de dezembro. Os ensaios acontecem na Casa de Cultura Cores da Vida. Ensaios e Casa aos cuidados dos irmãos Josilene e Dedé de Zé de Liliza, cujo nome, como o Natal, celebra um nascimento e uma filiação. Francisco José de Freitas é Dedé, filho de Zé, por sua vez filho de Liliza. A Casa de Cultura é invenção do carpinteiro naval. Dedé criou e construiu cada canto. Tem três anos. Incorporada ao chão e céu icapuienses, parece que sempre esteva lá. Inaugurada a 5 de novembro de 2022, é um novo mar na cidade.

Dedé fez a Árvore de Jesus, estrutura de madeira em forma de árvore natalina, para a primeira vez da Cantata de Natal, em 2017. Montada também nos anos seguintes, 2018 e 2019, foi retomada em 2023 na rua da Casa de Cultura. Agora volta para a praça. Conta-se, canta-se o nascimento do Menino Deus. Tem pastoril, a visitação ao recém-nascido. Em 2024, na cena da busca de Maria e José por um pouso, Josilene fez a dona da estalagem que mostra a estrebaria ao casal. Bento, o nome do bebê que fez Jesus.

Ativar práticas coletivas de alegria é do tutano da Casa de Cultura. Pergunto sobre autos de Natal em Icapuí. Maria Josilene de Freitas Medeiros cita de memória um que conheceu criança, 'na rua de trás da casa da minha mãe'. E cita Mirian de Lula, "que fazia teatro com Dedé no salão paroquial".

Depois da nossa conversa por telefone, Josilene vai saber mais. E envia por zap: "o pastoril Cruzeirista era do pai da Mirian, que se chamava Lula. Até seus 19 anos, ela brincou nos pastoris sendo pastorinha, mestra, contra-mestra e Diana. Aos 20, casou-se e parou de brincar. Ela falou o nome de algumas pastorinhas: Teté de Antônio de Jorge, Nina, Alba". Citou o pastoril de João Sabino. O nome do pescador e salineiro está pintado no salão da Casa de Cultura, onde acontece o Forró de João Sabino. Uma homenagem. Aos domingos, ele ligava a radiola e fazia da moradia um salão de dança.

Mirian citou o pastoril de Nenê Pedro Amâncio, que ficava na Furna da Onça, assim chamada "porque as casas eram do lado do sol, muito quentes". Furna da Onça nomeava também "o bar, naquela rua, da Socorro de Iracema, falecida". No centro de Icapuí, atual rua Teotônio Alcântara, a área é conhecida como pé-da-serra. Mirian recorda do pastoril de João Paulino, o pastoril Serranista, para o qual "ela ensinou todas as músicas, passos e danças."

A Casa de Cultura Cores da Vida tem subtítulo: Memorial José, Leny e amigos. José e Leny, pai e mãe de Dedé, Josilene e Fátima, que faleceu. Amigos é 'a praia' da Casa, no sempre vasto e diverso mar, a ir e vir. Não sem mortes, dilacerações. Daí a boniteza maior da Casa de Cultura, desejada e feita para ser lugar de nascer a cada dia, todo dia.

Dedé ourives. A Casa de Cultura Cores da Vida é uma joia do Ceará.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/11/25. Vida & Arte, p.2.


Ceará de volta ao cidadão de bem em 2026!

Por Luiz Eduardo Girão (*)

No último domingo deste mês, convido você e sua família para o lançamento da minha pré-candidatura ao governo da nossa terrinha, para que os cearenses se livrem de vez das sombras do medo e voltem a sentir a luz da esperança!

Lideranças políticas nacionais, como o governador Romeu Zema, a eterna primeira-dama Michelle Bolsonaro, a senadora Damares Alves (DF) e o senador Magno Malta (ES) já confirmaram presença, assim como os deputados Marcel Van Hatten (RS), Sóstenes Cavalcante (RJ) e Bia Kicis (DF). Teremos também participações de personalidades do jurídico brasileiro, como o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol e o desembargador Sebastião Coelho.

Política para mim é missão de vida, sustentada por três pilares: integridade, coragem e coerência. Justamente por esses princípios e valores, não irei disputar a reeleição ao Senado.

Sempre fui movido por causas em defesa da vida, da família, da ética e da liberdade. Temos conseguido beneficiar os 184 municípios do Ceará, como jamais havia sido visto. Confira nossa atividade parlamentar, eleita por 2 anos como a melhor do Congresso pelo Ranking dos Políticos, em www.eduardogirao.com.br  

Tenho percebido, nesse desafio, a imensa limitação do Legislativo diante de um Executivo estadual perdulário e inconsequente, “administrado” pela oligarquia PT-PDT. O Ceará tem jeito, sim, desde que a população opte por uma gestão eficaz, numa perspectiva de centro-direita que respeite o dinheiro do pagador de impostos.

O movimento conservador vem ganhando força e tem legitimidade para oferecer uma alternativa a essa turma da velha prática politiqueira. Não dá mais para voltar atrás e apoiar quem já teve a oportunidade e deixou o fisiologismo e o crime “darem as cartas”.

Vivemos uma crise crônica de segurança que coloca o Ceará no topo da vergonha nacional, com 5 cidades entre as 12 mais violentas do País. Estima-se que haja cerca de 2.000 casos de desocupação forçada de moradores de suas residências. Vivemos uma tragédia humanitária com direito a terrorismo explícito, sem precedentes.

E, para complicar, o governo petista continua gastando muito mal ao destinar mais de R$ 1 bilhão à empresa de tecnologia IPQ, sediada na Bahia, para monitorar a segurança pública… Isso sem falar nos mais de R$ 2 bilhões “torrados” com propaganda e publicidade para tentar convencer que está tudo sob controle!

O momento exige avanço e bom senso. E a redenção virá do encontro de idealistas comprometidos com a mudança, no dia 30/11, às 9 horas, no Hotel Gran Mareiro, na Praia do Futuro. Inscreva-se nas redes sociais do Partido Novo.

Paz & Bem!

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/11/25. Opinião, p.19.


segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

PÁTRIA, PÁTRIA!

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Além de engenharia, o ITA, Instituto Tecnológico de Aeronáutica, ensina cidadania. A AEITA, Associação dos Engenheiros lá formados, presidida por Alex Pereira, realizou, de 3 a 7/11, o encontro de sócios mirins para 12 crianças de 7 a 14 anos, selecionadas entre 1.050.000 pretendentes.

Foram avaliados o desempenho cognitivo, os sucessos, a paixão por estudo, domínio em ciências, inventividade, curiosidade, criatividade, capacidade de resolver problemas, multiplicar conhecimentos, inspirar e apoiar outrem. Ligaram-se aos que também amam estudar, calcular, raciocinar, submeter-se a desafios, como provas e olimpíadas, jogar xadrez, montar cubo mágico, entre outras atividades.

Formaram-se fortes laços de amizade entre crianças, mães e pais. Eu não ouvi falar. Eu estava lá e, honrado, entreguei diplomas ao JP (João Pedro), Luiz Belém, Felipe Streit e Érilly Bittencourt. Na volta, senti-me mais otimista em relação ao Brasil. Em época de inteligência artificial, que tal exercitarmos a inteligência solidária? Assim, o exemplo da AEITA, do Alex e de seus companheiros de jornada será seguido. No Polo Aeroespacial Brasileiro, visitaram o ITA , quando se detiveram no H8, onde residem os seus alunos; a a fábrica de aviões brasileiros (Embraer); o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); a Mac Jee; o Instituto Alpha Lumen; a Visiona; o Museu Interativo de Ciências (MIC) e o Programa Decolar; o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE); e o castelo do genial cearense Fernando de Mendonça, o primeiro aluno do ITA a receber Summa cum Laude (com a mais alta honra) por obter, em todas as disciplinas cursadas no ITA, médias anuais nunca inferiores a 9,5 em uma escala de zero a 10.

Após visitar muitos castelos europeus e adorá-los, Mendonça idealizou e coordenou a construção do seu castelo, estilo medieval, onde reside em São José dos Campos. As crianças receberam do iteano grandes lições. Ao finalizá-las, em tom de profecia, revelou seu grande amor, tal qual Vinicius de Moraes, no poema "Pátria Minha". Foi o momento em que Fernando liderou um coro com as crianças a bradar: Pátria, Pátria!

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/11/25. Opinião, p.18.


AS VIOLÊNCIAS NO CEARÁ

Por Heitor Férrer (*)

A violência contra a vida tornou-se uma tragédia nacional e, no Ceará, ela atinge proporções insuportáveis. Dentre as 27 unidades da federação, somos o 3° estado mais violento. Em 2023, foram 2.893 assassinatos; em 2024, o número saltou para 3.178 vidas ceifadas. Foram 264 mortes por mês. É como se, a cada mês, um avião lotado de cearenses caísse e matasse todos os passageiros.

Quando a morte é coletiva, como num desastre aéreo, o país se comove. O noticiário se ocupa por dias, autoridades se pronunciam e o luto é nacional. Mas quando as mortes são individuais, uma aqui, outra acolá, a indignação se dilui e a tragédia se banaliza. São nove assassinatos por dia. Nove histórias interrompidas e ninguém se espanta. Tudo vira rotina. Essa é a forma mais cruel da violência, a que elimina a vida. No entanto, não é a única.

O Ceará convive com tantas outras violências, silenciosas, persistentes e igualmente devastadoras, que corroem, profundamente, a dignidade humana. Vejamos, por exemplo, a violência da saúde. Mais de sessenta mil cearenses aguardam por uma cirurgia. Muitos morrem nessa espera. É uma decretação de pena de morte oficial imposta pelo estado.

Existe também a violência da moradia. O déficit habitacional no Ceará passa de duzentos mil domicílios; mais de um milhão e meio de pessoas vivem em condições sub-humanas. Milhares sequer dispõem de um banheiro. Homens, mulheres e crianças dividem, sem qualquer pudor, o que deveria ser o último reduto da intimidade humana. É uma brutalidade animalesca.

No saneamento básico, a situação não é menos vergonhosa. Apenas 30% dos lares cearenses tem esgotamento sanitário. Sete em cada dez casas despejam seus dejetos a céu aberto. A violência social é patente. Dos 9 milhões de cearenses, 4,5 milhões vivem em situação de pobreza e 876 mil, de miséria.

Com tamanha degradação, o que esperar dos que emergem desse ambiente? Pessoas que crescem sem dignidade, que adoecem sem assistência e que vivem sem o mínimo de salubridade tendem, inevitavelmente, a reproduzir a violência que as cerca. É o ciclo perverso da exclusão. O Estado fabrica violência e depois tenta contê-la pela força.

O episódio recente no Rio de Janeiro, onde 121 brasileiros, entre eles quatro policiais militares, foram mortos em uma única operação, é o retrato mais doloroso desse colapso civilizatório.

No mundo ocidental, não há paralelo. Só aqui a barbárie conseguiu naturalizar-se a ponto de parecer rotina. A violência tem muitos prismas e todos refletem o mesmo abandono.

Enquanto continuarmos tratando o problema como uma questão apenas de segurança pública, achando que é caso de polícia, ignorando suas raízes sociais, seguiremos contabilizando mortos e justificando o injustificável.

(*) Médico e deputado estadual (Solidariedade).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/11/2025. Opinião. p.19.


domingo, 21 de dezembro de 2025

A BÍBLIA COMO ATIVO POLÍTICO

Por Emanuel Freitas da Silva (*)

Quando o governador Elmano de Freitas (PT) anunciou, ano passado, apoio à aquisição de exemplares da Bíblia para distribuição em escolas estaduais, atendendo desejo do deputado Apóstolo Luiz Henrique (REP) expresso por projeto de lei de sua autoria, a reação de parlamentares evangélicos na Alece foi opor-se ao projeto porque "quem é crente já tem Bíblia, não precisa de ninguém para distribuir".

É verdade: livro mais vendido no mundo está por todo lugar. Quem foi jovem nos anos 1990 vai se lembrar do famoso "Novo Testamento", em capa azul ou cinza, distribuído nas escolas pelas Testemunhas de Jeová.

Os deputados evangélicos daqui puseram-se contra a ideia de "Bíblia nas escolas", posto que a ação seria executada por um governador do PT. Mas, de repente, Brasil afora, pululam projetos de lei, em diversas Casas Legislativas, que visam o contrário: políticos evangélicos querem, e como, "Bíblias nas escolas".

O "intervalo bíblico" foi aprovado em Recife, num projeto de lei que, na verdade, versava sobre "liberdade religiosa"; projeto semelhante já tramita na Alepe, sob a justificativa de que "o estado não é antirreligioso". A Prefeitura de Curitiba decidiu distribuir exemplares do Novo Testamento nas escolas municipais.

Em Salvador, a Câmara aprovou e o prefeito sancionou projeto de lei que autoriza o uso da Bíblia como recurso paradidático em escolas públicas e particulares, como instrumento de apoio em disciplinas como História, Literatura, Geografia, Filosofia, Artes e Ensino Religioso. O mesmo aconteceu em Florianópolis, Belo Horizonte, Feira de Santana e Joinville, só para falarmos de grandes cidades.

No mês passado, até audiência pública no Senado Federal foi realizada, sob a condução de Damares Alves (REP), para discutir a proibição de "alterações" no texto sagrado.

A tramitação e discussão dos projetos servem para manter vivo o pânico moral em torno da esquerda, pondo-lhe a pecha de "inimiga da fé cristã" ao interpelar a laicidade do estado; por que se opor à presença e ao uso da "palavra de Deus" em escolas?

Tudo é feito em nome do "combate à intolerância religiosa", entendendo por religião apenas aquela que usa a "Bíblia". Um passo a mais na legitimação do imaginário da "cristofobia" supostamente em curso.

(*) Professor adjunto de teoria política da Uece/Facedi.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/11/25. Opinião. p.16.


UM NOVO PAPA

Por Rev. Munguba Jr. (*)

Não costumo abordar assuntos relacionados a denominações religiosas. O que sempre defendo é que cada pessoa tem o direito de seguir o caminho que escolher, sustentando as teologias e ideologias com as quais mais se identifica. No entanto, é impossível não olhar para o líder da maior religião cristã do mundo: o Papa.

Hoje, é difícil acreditar em tudo o que se publica nas redes sociais, já que muitas pessoas fazem qualquer coisa para aumentar visualizações, curtidas e compartilhamentos. Somos constantemente bombardeados por notícias verdadeiras, meias-verdades e mentiras.

O Papa Leão XIV tem promovido uma verdadeira revolução neste novo tempo, conduzindo uma guinada na estrutura doutrinária da Igreja Católica em direção a um aspecto mais bíblico e menos humanista. Ele tem procurado trazer o texto sagrado como referência prioritária na exegese doutrinária.

Seu posicionamento tem sido marcado por amor e gentileza, mas também por firmeza em enfatizar verdades fundamentais do cristianismo, como a de que Cristo é o centro da Igreja.

Como batista, aprendi com meus pais a amar Maria, valorizá-la e até pregar sermões maravilhosos sobre ela, cheios de amor e esperança. Olhamos para sua escolha sobrenatural, sua maternidade milagrosa e sua presença constante na vida de seu amado Filho, Jesus. Maria foi até as últimas consequências para permanecer perto dEle, mesmo diante da cruz. Como Maria foi especial!

Compreendi que o Papa não está diminuindo Maria, mas apenas recolocando no centro aquilo que é essencial ao cristianismo: Cristo.

O Papa está apenas iniciando seu pontificado e tem buscado santificar cada vez mais a Igreja. Precisamos dar tempo para que ele trabalhe e desenvolva seu ministério pastoral. Julgamentos apressados tendem a ser injustos.

Não tenho procuração para defender Leão XIV, mas não gosto de julgamentos precipitados contra nenhum líder religioso. Sinto dor quando vejo um pastor ou padre sendo julgado prematuramente. Não pretendo acobertar erros, apenas defender a prudência na avaliação. Devemos lembrar que "com a medida que medirmos, seremos medidos". Não somos juízes e muito menos perfeitos.

Penso que podemos ser mais bondosos, gentis e misericordiosos com todos. Vamos aguardar. Afinal, como a própria Bíblia ensina, "a luz tudo revela."

Uma reflexão sobre fé, liderança e cautela nos julgamentos

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.

Fonte: O Povo, 22/11/2025. Opinião. p.20.


 

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