sábado, 29 de novembro de 2025

CONVITE: Confraternização Natalina e Celebração Eucarística da SMSL - 2025

 

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Confraternização Natalina e da Celebração Eucarística do mês de Novembro/2025, que serão realizadas HOJE (29/11/2025), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


sexta-feira, 28 de novembro de 2025

CONVITE: Comenda Dr. Waldemar Alcântara

Prezado Dr. Marcelo Gurgel,

A Rede ICC Saúde tem a honra de convidá-lo para a solenidade comemorativa dos 81 anos do Instituto do Câncer do Ceará, ocasião em que prestaremos uma homenagem especial à sua trajetória.

Desde 1974, sua dedicação à nossa instituição vai muito além da medicina. O senhor se tornou o guardião da nossa memória, preservando, com rigor e sensibilidade, cada capítulo da história que nos trouxe até aqui. Seus livros, registros e pesquisas mantêm viva a essência do ICC e asseguram que nosso legado seja reconhecido, valorizado e transmitido às futuras gerações.

Será uma honra contar com sua presença nesse momento tão significativo para todos nós.

Com gratidão e admiração,

Sérgio Juaçaba

Presidente da Rede ICC Saúde

Nota: A Comenda Dr. Waldemar Alcântara será entregue em 28 de novembro de 2025, às 8h30, em solenidade a ter lugar no Auditório Gov. Lúcio Alcântara no Anexo II do ICC.


FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 852a

Fragmentos de tempos idos

Volto, nesta coluna, a pinçar ecos do passado.

Cordeiro de Farias

Travei contato com uma figura que, na ditadura, foi ministro do Interior de Castello Branco, o Marechal Cordeiro de Farias, um dos líderes da Coluna Prestes. Foi a Recife como ministro do Interior, onde estava localizada a SUDENE, sob sua alçada. Oportunidade em que o conheci, iniciante em minha carreira jornalística no Jornal do Brasil. Acompanhei a comitiva, que saiu de Recife para a fronteira do Maranhão com o Piauí, onde seria construída a barragem da Boa Esperança. O evento constou da explosão de uma rocha para desvio de águas do Rio Parnaíba. Os jornalistas pregaram um Douglas DC-3, atrás do avião do ministro e outras autoridades. Nas margens do rio, receoso, aproximei-me de Cordeiro de Farias, logo após a explosão da pedra. Lembrei o episódio. "Luís Gomes? Na fronteira com a Paraíba? Ah, sim, me lembro". Ele recordava-se da cidade/região, não do episódio. Riu muito. A Coluna Prestes caminhou 647 dias, percorrendo cerca de 24 mil quilômetros (média de 38 km/dia), utilizando mais de 100.000 cavalos e consumindo mais de 30.000 reses na alimentação da tropa. Morreram 600 soldados e 70 oficiais. Dispararam cerca de 350.000 tiros e travaram 53 combates. Saiu do Nordeste, atravessou todo o país e após o centro-oeste, Luís Carlos Prestes, em 1927, entrou na Bolívia e, a seguir, foi para a Argentina. A divergência ideológica, em 1930, separou os companheiros.

Getúlio Vargas

Getúlio Vargas sempre conservou intenções continuístas. Um dia, foram procurá-lo para saber se isso era verdade. E ele:

- Não, meu candidato é o Eurico (marechal Eurico Gaspar Dutra); mas se houver oportunidade, eu mudo uma letra: Eu Fico.

(Relato da historiadora Isabel Lustosa)

Jânio Quadros

JQ exercia autoridade com muita competência. Sabia exercê-la. Certa feita, na subida da rua Bela Cintra, em São Paulo, numa sexta-feira, de carros parados nos Jardins, começou uma zoeira infernal. Buzinadas prolongadas. Eu mesmo buzinava. Até o momento em que os motoristas viram sair de um carro preto o prefeito Jânio, que fazia "incertas" e visitas de surpresa aos ambientes. Mandava multar os donos de lojas, com calçadas sujas. Vi que o motorista do então prefeito Jânio anotava placas de todos os carros que buzinavam. O silêncio foi se refazendo, à medida que os motoristas descobriam quem era a pessoa estranha que ordenava as multas. Jânio impunha respeito.

Bebericava bem

Apreciava a bebida. Bebia de tudo, mas nos últimos anos de vida, contentava-se em sorver garrafas de vinho do porto. Quando disputou o governo do Estado contra Ademar de Barros, na eleição de outubro de 1954, Ademar contratou alguém para pegar Jânio na pergunta capciosa: "por que o senhor bebe tanto?" De pronto, Jânio deu o troco: "bebo porque é líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia". O entrevistador, sem graça, saiu de fininho. Jânio fazia gama com suas próclises, mesóclises e ênclises. Foi professor de português. Os despachos de Jânio constituem um capítulo à parte no folclore político que construiu. O professor Nelson Valente, quem mais conhece a história de JQ, tem um grande repertório de casos e "causos". E livros. As historinhas são hilárias. De uma feita, respondendo a uma senhora que interferia em favor das sociedades protetoras dos animais, sugerindo criar um setor de defesa dos irracionais, o presidente respondeu: "minha amiga, seu apelo em favor dos irracionais encontra-se às voltas com terríveis problemas de amparo e proteção a outra raça tão digna, entre nós, de cuidado, a dos racionais".

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/409594/porandubas-n-852


quinta-feira, 27 de novembro de 2025

PT, Ceará e os casos cabeludos do “careca do INSS”

Por Luiz Eduardo Girão (*)

A CPMI que investiga o roubo de bilhões de reais de milhões de aposentados, pensionistas, órfãos, viúvas e deficientes brasileiros, ao entrar em seu 3º mês, vem sendo sequestrada pela “tropa de choque” do Governo Lula, que impede a convocação e a quebra de sigilos de peças-chave da maior fraude contra o sistema previdenciário mundial. Um dos casos mais vergonhosos foi a blindagem do vice-presidente do SINDNAPI, conhecido como “Frei Chico”, irmão do presidente Lula.

A PF apontou que esse sindicato é um dos que mais faturaram com a quadrilha. De acordo com levantamento da CGU, só em 2024, o SINDNAPI chegou a faturar com os desvios R$ 104.000.000,00 (cento e quatro milhões de reais).

Detalhe: 97% dos lesados recebem menos de dois salários-mínimos! Embora o STF também venha dificultando os trabalhos de investigação, garantindo o silêncio e até o direito de mentir a depoentes envolvidos no megaesquema, a população já entendeu que a explosão dos descontos indevidos ocorreu “coincidentemente” após Lula voltar ao Planalto em 2023.

E há cearenses envolvidos nesse escárnio; um nome citado é o da advogada Cecília Mota, já convocada pela CPMI, mas que, de forma misteriosa, não está sendo localizada... Enquanto isso, vazou o áudio de uma vereadora do interior do Estado, do PT, ameaçando idosos para que continuassem contribuindo com entidades investigadas no escândalo.

O que se observa é que o modelo dessa turma do Lula é o modelo do rombo: onde o PT toca, “dá ruim” seja pela corrupção, seja pela falta de zelo com o dinheiro público. Essa lógica se repete na Prefeitura de Fortaleza, que acaba de contrair novo empréstimo de R$ 200 milhões sem sequer especificar as obras financiadas, dificultando a fiscalização.

Já são mais de R$ 2 bilhões em empréstimos apenas no primeiro ano de gestão. O mesmo “modus operandi” é adotado pelo governo estadual (também petista), que em menos de dois anos já contraiu mais de R$ 2,3 bilhões em novos endividamentos.

Com o Estado já gastando mais de R$ 1 bilhão apenas com juros, o resultado é visível: o colapso da segurança pública e o sofrimento de milhões de conterrâneos. É o mesmo descontrole que abriu as portas para o escândalo no mensalão, petrolão e, agora, “Aposentão”, em que o dinheiro público numa roubalheira sem precedentes virou instrumento político e fonte de enriquecimento ilícito de aliados. O Ceará e o Brasil não suportam mais ver o suor do povo sendo drenado por esquemas criminosos.

Em 2026, caberá ao cidadão da “Terra da Luz” dizer um basta rejeitar a esse modelo ineficaz sedimentado na corrupção generalizada e escolher um novo caminho, baseado na integridade, coerência e coragem! Fé e esperança que vai dar tudo certo. Paz & Bem!

(*) Empresário. Senador pelo Podemos/CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/10/25. Opinião, p.15.

AS VÍBORAS SÃO ETERNAS

Por Romeu Duarte Junior (*)

Nunca fui muito de assistir a novelas, mas concordo que, nos últimos tempos, algumas delas abandonaram o modelito dramalhão mexicano para discutir as mazelas de Pindorama. Talvez a que mais investiu no tema foi Vale Tudo, quem sabe, a melhor de todas já realizadas, tão boa que ganhou até um recente remake. Sua primeira versão deu-se entre 1988 e 1989, com enredo do genial trio Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, e cunhou para sempre a imagem da maior vilã da teledramaturgia nacional, a venenosa Odete Roitman, vivida pela magnífica Beatriz Segall, bem como personagens inesquecíveis, qual a filha desta, a junky Heleninha, encarnada pela correta Renata Sorrah. À época, o Brasil parava quando a Globo punha no ar o teledrama, coisa de tirar o fôlego.

Sua complexa trama, capitaneada pela vil Odete, envolvia arrogância, traições de todo tipo, ambição, preconceito e discriminação com foco no povo brasileiro, que era considerado pelo núcleo central da narrativa, um grupo bastante representativo da classe dominante brazuca, como destinado ao fracasso por ser mestiço e, por este motivo, indolente. A megera odiava o país e a sua população e se achava no direito de cometer todo e qualquer tipo de crime para que seus interesses prevalecessem. Claro, os alpinistas sociais também se faziam presentes no roteiro. No último capítulo, os noveleiros com os olhos arregalados e as respirações suspensas, a bruxa foi abatida a tiros por engano depois de praticar diversas modalidades de delitos. Caiu o pano para a perversa.

Caiu o pano?! Caiu nada. Neste ano, a novela foi reencenada, com Débora Bloch, a sempiterna Bete Balanço, no papel da malvada e a roliça Paolla Oliveira interpretando a rebenta beberrona e desajustada. Mais uma vez o Brasil teve que se olhar no espelho, situação tornada mais tensa pelas criminosas ações executadas pelo (des)governo do hoje réu e inelegível e a firme atuação do STF no exame das bandidagens e na dura punição dos envolvidos. Mais uma vez a telinha se encheu com as idiossincrasias da nossa cruel elite financeira, fazendo surgir uma nova geração de fãs, para desespero dos pobres de direita, que devem ter odiado a narrativa. Nesta versão, a biltre escapa da morte e, na cabine do helicóptero, fala blasé: "Au revoir, Brasil, Odete Roitman sempre volta". Será?

Tal como acontece nos filmes de terror, em que monstros da categoria de Freddy Krueger, Jason Vorhees e Michael Myers nunca morrem e sempre retornam na película seguinte para dar rotineira continuidade aos seus rosários de cruentos assassinatos, as víboras parecem não perecer. Guindada a esse brilhante e ao mesmo tempo obscuro patamar da ribalta da maldade, Odete Roitman desfila a sua vileza ao lado de colegas de ruindade humana tais como as personagens interpretadas por atrizes do naipe de Anne Baxter, Bette Davis e Joan Crawford. Seremos eternamente obrigados a conviver, na cena e na vida real, com tal tipo de gente que se compraz com o sofrimento alheio? Já se planeja um repeteco de Vale Tudo? Diz, Shakespeare: "O mundo inteiro é um palco". Aí, baby, lascou.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/10/25. Vida & Arte. p.2.

quarta-feira, 26 de novembro de 2025

O descrédito do Prêmio Nobel da Paz

Por José Nelson Bessa Maia (*)

O Prémio Nobel, instituído por testamento do engenheiro sueco Alfred Nobel falecido em 1896, deveria ser atribuído anualmente à pessoa ou organização que "fez o maior ou o melhor trabalho pela fraternidade entre as nações, pela abolição ou redução de exércitos permanentes e pelo apoio a congressos de paz.". No entanto, desde o início, a interpretação dos seus critérios esteve nas mãos de um obscuro Comitê Norueguês, e as suas decisões em certos casos têm gerado muita controvérsia.

Esta história mostra que o padrão de paz de Oslo nunca teve uma definição clara e que as atuais interpretações dos esforços pela paz despojaram o Prêmio do seu significado original. De Aung San Suu Kyi (1991) a Barack Obama (2003), e agora a atual laureada a venezuelana María Corina Machado (2025), a lista de escolhas revela que os critérios de seleção se tornaram cada vez mais políticos e movidos pelo jogo do poder. Estas seleções têm legitimado figuras polêmicas em termos de sua real contribuição para a paz mundial.

Um exemplo absurdo do Nobel da Paz foi do ex-secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger (1973), cuja escolha causou indignação, uma vez que ele foi responsável por prolongar a Guerra do Vietnã e pela derrubada do governo no Chile.

Este caso é um exemplo de "falso pacifismo", que minou a credibilidade do Prêmio. A escolha do ex-presidente dos EUA Barack Obama (2009) é mais um caso esdrúxulo, pois seu governo pôs em prática o maior número de operações militares desde George W. Bush, provando que sua retórica pacífica e suas ações no mundo real estavam divergentes.

Até o nome de Donald Trump foi sugerido como candidato ao Prêmio Nobel da Paz, uma proposta surreal. Num mundo onde Mahatma Gandhi, que foi o emblema da paz e da não violência, nunca recebeu o Prêmio Nobel da Paz, chega-se a um ponto em que os contumazes incendiários se retratam como ícones da paz e escondem suas atrocidades sob a sombra do Prêmio.

É lamentável que interesses escusos, pressões de governos e cálculos estratégicos ofusquem amiúde as decisões do Comitê Nobel, retirando-lhe seriedade e o pouco de credibilidade que ainda mantêm.

Por fim, com relação a Maria Corina Machado ao Nobel da Paz sua escolha trata-se tão somente da intenção de brindá-la em relação ao Governo de Nicolás Maduro e preparar seu nome para eventual substituição em caso de uma intervenção americana na Venezuela.

As suas posições políticas extremistas e em prol de intervenções dos EUA em seu próprio país, ainda que trasvestidas de defesa da democracia, em nada contribuíram para a paz na América Latina, levando, ao contrário, ao confronto político na região, com risco de guerra civil, interferência estrangeira em assuntos internos e violações à soberania da Venezuela.

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 26/10/25. Opinião. p.24.

JOIAS DO CEARÁ II

Por Izabel Gurgel (*)

"Dá três daquele", diz Gilberto sobre o presépio na garagem de casa, em Juazeiro do Norte, referindo-se ao do ano passado. Está aberto à visitação desde a romaria da padroeira da cidade, Nossa Senhora das Dores, que finda dia 15 de setembro.

Imagino, então, a constelação de minuciosas narrativas visuais em expansão, como o Universo segundo estudiosos da física. Assim anotei aqui n'O Povo sobre a montagem de 2024, depois de ouvir Solange contando cada uma das cenas armadas a partir de textos bíblicos, leituras que conhecemos ainda que jamais tenhamos aberto um dos livros sagrados das três religiões monoteístas, da criação do mundo e regência por um deus único. Criatura leitora é fabulosa, de fabulação, sabemos.

O presépio na casa de esquina no bairro Limoeiro, perto da Igreja de São José, parece se expandir como a própria cidade, tão bem (e bentamente) inventada, feita, que parece nascida. Irmanados, pois, o presépio e a cidade. Uma cidade que para se contar, feito o presépio de Solange e Gilberto, convoca vozes e mãos, inteligência e pensamento, astúcia e graça, trabalho intensivo e na ordem do diário, tudo medido na base de milheiro. Mil e uma figuras no deserto, em aldeias e arraiais, cidades, caravanas e feiras, oficinas e ateliês com mulheres e homens no ato que não cessa de criar o mundo. E contar. E cantar a criação.

Se Juazeiro do Norte é cidade onde se conserta óculos e lhes dá mais dois ou três anos de uso, depois da própria fábrica em Fortaleza dizer que não tem mais jeito, "agora só outro", o presépio, como o lugar onde nasce, ensina sem discurso que olho é orquestra, olhar é função convocadora de habilidades, requer prática, estudo, aplicação, o que se dá de vários modos. Vi orquestra preparando concerto com ensaiador, as primeiras sessões de horas largas, dias e dias de serviço; depois passar para outro maestro condutor, seguir a ensaiar; até chegar ao maestro titular e ao encontro com o público. É vôo de pássaro em bando. Só existir.

Feito solista, Solange me conta, por telefone, que o presépio tomou a garagem toda, tem mais canto para a história e as histórias que existem antes muito da gente nascer e vão seguir, perdurar, mais até de quem ainda não nasceu. Na grandeza do miúdo - tem elenco de facas e cutelos nas bancas da feira manuseados por gente de quinze, dezoito centímetros -, na grandeza do bem miudinho está um convite para prestar atenção, para dar tempo o olho tomar gosto, também se expandir, diminuir para focar, feito míope em busca de acuidade, mirar distâncias e a rua daqui, dali, a vizinhança, andar léguas e cruzar com gente desconhecida que parece pisar macio na terra, como diz o Krenak, que age-fala desde os anos de 1980, mas agora, parece, é que começamos a dar atenção.

Meu Deus, a vida é um milagre.

Tome gosto de ver e leve criança com você:

Rua Deputado José Saraiva de Macedo, 137

Bairro Limoeiro - perto da igreja de São José

Dê um toque pra Solange e Gilberto antes de ir: (88) 99782.3354

Escute os dois. Tomara você possa colaborar. Há muitos modos de fazê-lo.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/10/25. Vida & Arte, p.2.

terça-feira, 25 de novembro de 2025

ExpoCariri, oportunidades e investimentos para a agropecuária

Por Rita Fabiana Arrais (*)

Consolidada como uma das feiras e exposições agropecuária de relevância no Ceará, a ExpoCariri busca, nesta segunda edição, dialogar com temáticas que envolvam a sociedade e todas as classes da Região Sul do Ceará.

De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Ceará (Faec), o evento gera expectativas na área econômica, pois serão 150 estandes e mais de 150 expositores com possibilidades de concretizarem negócios no valor aproximado de 30 milhões de reais.

É cabível de registro que a Região Metropolitana do Cariri (RMC) é um agropolo - em expansão continua - com destaque para os cultivos de frutas e leguminosas. Segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) a cidade de Santana do Cariri é uma das maiores produtoras de abacaxi e mel de abelha do Ceará. Brejo Santo possui uma bacia leiteira que abastece todo o sul do estado; Crato é líder no interior na produção de acerola e leite de janaguba; Campos Sales, Jardim e Araripe produzem mandioca.

O desenvolvimento agrícola do Cariri traz pujança a economia cearense, por isso o setor público tem investido na diversificação do campo local, principalmente através do Projeto Algodão do Ceará (2024) que fomenta capital e conhecimento técnico para o cultivo do algodão. Nisso, as cidades de Barbalha e Crato iniciaram em 2024 a cotonicultura, aproveitando a potencialidade do clima e solo da Chapada do Araripe.

Ademais, fica evidente que a escolha da região é motivada pelo potencial agropecuário que proporciona geração de emprego, conhecimento técnico e renda, ao mesmo tempo em que possibilita os produtores rurais superarem a reprodução da miséria ocasionada pela estiagem do sertão.

Pensando no papel socioeconômico que a ExpoCariri desempenha para os caririenses podemos elencar alguns exemplos: o ensino da educação ambiental, a produção sustentável, a valorização das mulheres do agro e a legislação trabalhista na roça.

O espaço de seis mil metros quadrados ao ar livre almeja atrair mais de 60 mil visitantes, além de produtores, investidores privados, bancos e empresas do ramo do agro, no intuito de divulgar as técnicas modernas de cultivo agrícola (melhoramento do potencial genético das sementes, inovações do maquinário), as tecnologias sustentáveis e agricultura digital (uso de sensores e drones).

A cidade de Barbalha está encarregada de sediar o evento que realizar-se-á no Campo Experimental da Embrapa, entre os dias 30 de outubro e 1° de novembro de 2025.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 24/10/25. Opinião. p.19.

PLANO DIRETOR PARTICIPATIVO E SUSTENTÁVEL

Por Artur Bruno (*)

Nesta semana, de 24 a 26 de outubro, Fortaleza está se reunindo na Conferência da Cidade do Plano Diretor para discutir, sugerir e votar os artigos da minuta de lei que guiará os próximos capítulos de sua história. O documento que será apreciado pelos delegados eleitos ou indicados é resultado de um amplo processo de escuta da sociedade, aliado a um rigoroso trabalho técnico.

A redação do Plano Diretor incorporou contribuições de diferentes atividades participativas realizadas ao longo deste ano, como oito audiências públicas e quatro oficinas sobre o Plano. Também foram consideradas discussões construídas junto à sociedade civil realizadas em 2023 e 2024.

Vislumbramos uma Fortaleza mais resiliente, sustentável, inclusiva, justa, segura e preparada para o futuro. Analisamos as áreas de riscos para induzir o crescimento urbano para regiões com infraestrutura adequada, e adotamos o conceito de Cidade Policêntrica, possibilitando que as pessoas gastem menos tempo no deslocamento e tenham mais tempo para viver.

Chegamos até aqui com várias conquistas importantes. Destaco o aumento de 38% da Macrozona do Ambiente Natural em relação ao Plano de 2009, sendo 18% desse total a área mais protegida da cidade, onde não é permitido nenhum tipo de ocupação. Este é o primeiro Plano Diretor de Fortaleza a reconhecer a permanência das Comunidades e Povos Tradicionais, com zoneamento específico.

Avançamos também no zoneamento de Preservação do Patrimônio Cultural, que saltou de quatro para oito zonas, um aumento de 218% em relação ao Plano anterior.

Criamos a Zona Especial de Interesse Social (ZEIS) de Reparação, voltada para a melhoria da infraestrutura em regiões de grandes conjuntos habitacionais já entregues. Aumentamos o número de Zeis de assentamentos do tipo favela, de 45 para 87.

Fortaleza sofreu nos últimos anos pela falta de um Plano Diretor, que deveria ter sido revisto em 2019. Nosso prefeito, Evandro Leitão, foi muito claro ao estabelecer a conclusão desta revisão como prioridade.

Reafirmo: a minuta que será debatida e votada é a materialização de um pacto coletivo em construção. Convidamos todos os delegados a enriquecerem este documento com suas reflexões, rumo a uma Capital de todos.

(*) Historiador e professor. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/10/25. Opinião. p.18.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

A guerra tributária Brasil versus USA

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Estamos vivenciando no momento uma "guerra" tributária entre o Brasil e os EUA, isto porque após o "tarifaço" imposto pelo Trump sobre grande parte dos bens exportados pelo Brasil para aquele país, o governo brasileiro não se intimidou e não foi a Washington rogar ao que se acha todo poderoso Donald Trump o "favor" de minorar essa política.

O problema é que Trump associou tal medida como uma represália pela instalação do processo criminal contra o ex-presidente Bolsonaro.

Ora, isso na verdade não tem nada a ver com economia. É uma intromissão no sistema jurídico brasileiro, tendo como a ação predatória do "tarifaço", o motivo maior.

Assim, não há por que o Presidente brasileiro ir a Washington pedir as bênçãos do megalomaníaco Trump.

Por outro lado, o governo americano resolveu enquadrar alguns brasileiros na Lei Global de Responsabilidade de Direitos Humanos Magnitsky, que estende a estrutura da lei original para penalizar qualquer estrangeiro, em todo o mundo, que tenha praticado "atos de violações dos direitos humanos ou corrupção significativa", autorizando o congelamento de seus bens nos EUA e a suspensão de visto, bem como penalizando qualquer entidade econômica que mantenha negociações com tal pessoa.

Sobre este assunto assisti um vídeo de um analista brasileiro que descreveu a situação, caso o governo brasileiro não se sujeitasse a essa pressão, como catastrófica. Se isso acontecesse, no dizer de tal analista, o Brasil seria praticamente alijado do comércio internacional...

Outro analista veio a público contestar as afirmações daquele articulista, chamando-as "asneiras".

O grande problema aqui é a interpretação da Lei Magnitsky.

Entretanto, tal debate já teve seus efeitos sobre alguns empresários brasileiros que pediram às autoridades do Brasil, mais moderação no trato com os EUA.

Para entender melhor o problema li a referida peça legal (para os americanos) e fiquei cada vez mais convencido que muitos americanos, principalmente seus Presidentes, acham que têm o direito de intervir economicamente e, às vezes, militarmente, sempre que acharem que estão sendo prejudicados por ações exercidas por outros países.

O que cabe, então, ao governo brasileiro? Internamente, a adoção de medidas que contrabalancem os efeitos deletérios do tarifaço, medidas estas voltadas somente para as empresas que foram prejudicadas.

Lembro aqui que o Brasil já usou taxa cambial diferenciada como política econômica. No caso atual poder-se-ia ter o Real subvalorizado nas exportações e nas importações, no comércio com os EUA. Não precisaria, então, de política tarifária.

Vale a pena analisar a validade de se adotar tal política.

No próximo artigo voltarei a esta questão.

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 19/10/25. Opinião. p.22.

DE QUE LADO VOCÊ ESTÁ?

Por Rev. Munguba Jr. (*)

Está enraizada em nossa cultura a polarização. Um grupo torce pelo Fortaleza, outro pelo Ceará. Uma constatação triste é que alguns chegam a torcer contra o time do próprio estado. É claro que, quando houver um embate entre os dois maiores clubes do nosso Ceará, uma pessoa íntegra vai torcer a favor do seu time. Mas, quando o outro estiver competindo com equipes de fora, apoiar também seria recomendável.

O mais importante para o nosso estado é que tenhamos mais clubes na primeira divisão, mais visibilidade, patrocínios, investimentos na base para crianças carentes e oportunidades para novos talentos.

Da mesma forma, uma denominação religiosa não deve se alinhar formalmente a nenhum espectro político. A igreja é a expressão coletiva da espiritualidade de um povo.

Cada pessoa tem o direito de professar livremente a sua fé e escolher a corrente religiosa que desejar. Podemos discordar da religião de alguém, mas nunca devemos criticar ou desprezar um semelhante por sua escolha. Como cidadãos e seres políticos que somos, podemos e devemos expressar nossas ideias, críticas e sugestões, baseadas em nossos valores e crenças. É a nossa visão de mundo verbalizada, e isso é garantido pela Constituição Brasileira.

O que não devemos é arrastar uma instituição religiosa, uma entidade do terceiro setor ou mesmo uma empresa para um extremo político. Tendências de governo mudam; correntes políticas se alternam no poder; e nossas opiniões podem se reformular com o passar do tempo. A conjuntura é dinâmica.

Contudo, um ponto é fundamental: precisamos nos posicionar e ocupar espaços na vida da sociedade, contribuindo com o nosso ponto de vista e com a nossa visão de mundo.

O mundo se torna muito pobre quando todos preferem ficar em cima do muro. Todos temos um lado e podemos defendê-lo com elegância e inteligência. Mas é muito perigoso o preconceito e a condenação de quem pensa diferente.

De que lado você está? Posso discordar frontalmente do que você acredita e defende, mas quero sinceramente que você tenha o direito de pensar livremente e expressar sua ideologia.

Eu sou cristão e acredito que Jesus Cristo é a resposta para a vida e para o coração do homem tão sofrido. Proclamarei essa verdade enquanto viver, mas, como Cristo me ensinou, vou amar você mesmo que estejamos em campos diferentes.

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.

Fonte: O Povo, 25/10/2025. Opinião. p.18.

domingo, 23 de novembro de 2025

ELA QUERIA REVIVER O AMOR DO MARIDO...

Uma idosa foi ao médico, e não porque estava doente, mas porque queria ‘reativar’ a paixão do marido. Afinal, depois de tantos anos e com o aumento da idade, o desinteresse pela vida íntima só aumentou.

“Por que a senhora não dá Viagra para ele?”, disse o médico.

“Ah, muito difícil, doutor”.

“Por quê?”, ele pergunta.

“Ele não toma nenhum remédio! Nem mesmo uma aspirina para dor de cabeça!”

“Ora, mas isso não é problema nenhum”, diz o médico.

“Faça o seguinte: compre a pílula, triture até virar pó e, sem que ele veja, basta colocar no café. Ele nem vai sentir a diferença, pois não tem gosto. E o resultado vai vir.”

Semanas depois, ela volta ao consultório e ele pergunta se a sugestão dele funcionou.

“Ai, doutor!”, ela exclama. “Foi horrível! Eu fiz exatamente o que o senhor sugeriu: eu triturei o Viagra e, quando ele saiu para ir ao banheiro, coloquei na xícara de café dele. Assim que ele tomou, pulou em cima da mesa, me agarrou, tirou as minhas roupas e fizemos amor ali em cima da mesa por uma hora!!”

“Não entendo”, diz o médico. “Não era isso que a senhora queria?”

 “Sim. Na verdade, foi ótimo.”

“Então por que a senhora falou que foi horrível?!”

“Porque eu nunca mais vou poder entrar naquela cafeteria na minha vida!!”

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

VOCÊS NÃO SABEM QUE O CARRO É PARA QUATRO!

Cinco argentinos em um Audi Quattro chegaram a um ponto de controle da fronteira brasileira. Maria, a oficial dos cabelos dourados, os para e pergunta: "Você sabiam que é ilegal colocar 5 pessoas num carro Quattro, Quattro significa quatro e não cinco".

"Quattro é apenas o nome do automóvel", diz o argentino sem paciência. "Olhe para os papéis: este carro é projetado para transportar cinco pessoas".

"Você está querendo ser preso?", pergunta a oficial Maria.

"Quattro significa quatro. Você tem cinco pessoas no seu carro e, portanto, está infringindo a lei".

Os argentinos respondem com raiva: "Você só pode estar brincando! Ligue para o seu supervisor ou supervisora. Eu quero falar com alguém com mais inteligência!"

"Desculpe, mas isso não é possível", responde Maria,

"Ana, minha supervisora, está muito ocupada prendendo 2 caras em um Fiat Uno!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sábado, 22 de novembro de 2025

Este bar oferece desconto nas bebidas e pratos do dia!

Em uma noite quente, um homem entra no bar da esquina. Ele vai até o atendente e pede a sua cerveja favorita.

- Certamente, senhor, isso vai custar um centavo.

- "Um único centavo ?!" - exclamou o homem.

O atendente respondeu: - Sim, senhor, só um centavo.  

O homem toma o copo de cerveja de uma vez e pergunta, - "Eu posso pedir um bife suculento, com batatas fritas, macarrão ao sugo e uma salada?"

- Certamente, senhor - responde o barman.

- "Mas isso tudo tem que ser pago em dinheiro e não cartão, ok, senhor?"

- "Tudo bem, mas quanto custa?", pergunta o homem, curioso.

- "Quarenta centavos", responde o atendente.

Quarenta centavos ?!", exclama o cliente.  

- Onde está o dono deste estabelecimento?

O barman responde: - "No andar de cima com a minha esposa".

O cliente pergunta: - "O que ele está fazendo com sua esposa?"

O atendente responde: - "O mesmo que estou fazendo com negócio dele!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

UM CONVIDADO INUSITADO PARA O JANTAR

Um homem estava andando pela rua e sentou em um banco da praça para descansar um pouco. Nisso, surge um homem um tanto quanto sujo com roupas rasgadas, pedindo um pouco de dinheiro para jantar.

Ele pegou a carteira e estava prestes a ajudar o homem e pegou 10 reais, mas, antes de entregar a ele, perguntou:

"Se eu te der esse dinheiro, você vai usar para comprar cachaça?"

"Não, não, eu parei de beber há muitos anos", disse o homem.

"Você vai usar para jogar pôquer, baralho, sinuca, essas coisas?"

"Não! Eu não jogo nada, senhor."

"Já sei: vai usar o dinheiro para jogar futebol."

"O senhor está louco?!", disse o homem maltrapilho.

"Eu nem mais o que é isso!"

Então o homem disse: "Bom, então tive uma ideia melhor. Ao invés de te dar os 10 reais, eu vou te convidar para jantar na minha casa. Você vai provar a comida incrível preparada pela minha esposa".

O mendigo ficou feliz com o convite, mas perguntou: "Mas a sua mulher não vai ficar brava se o senhor me levar lá? Eu estou sujo, mal vestido e cheirando mal".

E o homem responde: "Tudo bem. Eu só quero que ela veja como fica um homem sem beber, jogar sinuca e jogar bola".

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Crônica: “Sauvignon Blanc com sabores frutados... Aí dêntu!!!” ... e outro causo

Sauvignon Blanc com sabores frutados... Aí dêntu!!!

Dr. Tomaz resolveu fazer um "sábado sabático" na casa do capataz e compadre Capote. Cedo do dia, funcionário já à espera do patrão com um celular da cachaça no colo. Capote sabia que a execução da proposta seria caminho difícil, por isso o preparo. Como não é assim que se esfola um bode, o doutor, ao ver Capote agarrado com a cana, pediu rebolasse a pôde no mato, argumentando que trouxera uma garrafa de Vinho Branco Verde Aveleda Casal Garcia, ali, só ouvindo a conversa. Chiqueza total.

Com o chefe, também, os apetrechos necessários a uma degustação sabatinal de gabarito, como manda o figurino de uma verdadeira "pausa prolongada - mas temporária - da rotina profissional". Em tempo: a mulher do doutor, que o deixara na porta de Capote, levou a comadre para voltar somente no domingo. Enfim, um sábado de Tomaz e Capote.

Com pouco, o rebuliço: doutor notou que trouxera somente o vinho, esquecera os acessórios tiragostativos. E pediu taças, havendo em casa apenas dois copos de geleia, quengados - o maior era refúgio da dentadura da comadre, carecia de "ariar" o recipiente, e assim foi feito. Tomaz perguntou por saca-rolha; Capote falou que não tinha, mas, uma vez, abriu uma garrafa daquele modelo batendo o fundo num pano contra a parede, "até a rolha sacar fora"; Doutor preferiu empurrar a rolha garrafa adentro.

Quando o capataz já ia botando a prima dose, o patrão dá um pulo, considerando, professoral, que vinho bom carece de "respirar" - Capote, este sim, sentia falta de ar àquele instante, asilado por um gole, tremendo e lamentando haver descartado sua meiota. Minutos mais tarde, as doses são colocadas nas "taças". Ia já pegar a dele quando foi obstado pelo doutor, que observa:

- Meu querido, é preciso agitar um pouco e perceber as "lágrimas" na taça para comprovar a qualidade do vinho!

Outra vez, Capote lacrimeja; àquela altura, tinha já tomado todas e mais umas 15. "Assim não tem caneco que aguente, dotozim!" Meio dia e meia e finalmente os compadres puderam tomar suas goladas. Tremendo mais que Toyota Bandeirante no ponto morto, o capaz propõe, pelo amor de Deus:

- Da próxima, bora botar esse sábado sabático prum Dia de Finados, caindo numa segunda-feira de madrugada! E que, de preferência, seja na bodega do Moreira!!!

O lado de cá do amor!

Claudinha, que de futebol nada entendia até conhecer o futuro marido Potengi (primo daquele goleiro que encheu o caneco de "calmociteno" e dormiu no gol), foi por ele convidada a assistir a uma peleja do Quixadá contra um time grande de Fortaleza, tem já alguns anos. Disse ele, carinhoso:

- Amor, fique aqui na lateral do campo, onde eu sou escalado pra jogar, defendendo meu time dos ataques do ponta adversário! Saia daí não! E diga como em me fui na refrega!

Terminado o primeiro tempo, times mudam de lado. Potengi, na banda de lá do campo, procura por Claudinha onde a deixara 45 minutos atrás. Nada de divisar a amada. Apito final e o atleta vai pra casa. Quer saber do súbito sumiço dela. Preocupado...

- Amor! Onde tu tava que te procurei e num te vi mais no segundo tempo?

- Em casa! O povo de camisa azul, verde e amarelo que tava ali contigo sumiu! Pensei que tu tivesse ido embora também, me deixando lá sozinha. Onde tu ter meteu, homem?

- Tava no gramado, amor! Findo o primeiro tempo, os times mudam de lado.

- Pois da próxima vez, mude não! Se for pra desaparecer da minha vista, mande aquele seu primo goleiro - do 9x1 - ir pro outro lado do gramado, no seu lugar!

- Ok! Pois ao menos me diga como eu me saí na partida, no primeiro tempo?

- Gostei daquele calçãozinho curto que tu tava vestido! Tava mêi coisado, viu?!? Viu?!?

Fonte: O POVO, de 24/10/2025. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

LUIZ CARLOS DA SILVA: 25 anos de saudades

 

Em 20/11/2000, o advogado, professor e contador Luiz Carlos da Silva, aos 82 anos de idade, deixou esse mundo menor e voltou à Casa do Pai.

Agora se completam 25 anos da sua partida e, por todo esse período, seus filhos e netos depositaram suas lembranças, de forma concreta, em dois livros em sua homenagem: um, para marcar os 90 anos, se vivo fosse; e outro, para celebrar o seu centenário de nascimento.

A sua consorte Elda Gurgel e Silva, da duradoura união de mais de 53 anos, apenas desfeita por seu falecimento, após 21 anos de viuvez, partiu em 9/04/2022 para reencontrá-lo, espiritualmente, nos páramos celestiais. Enquanto viúva, ela foi muito amada e vivenciou a condição de matriarca pela prole numerosa, que gravitava em seu entorno, e postumamente a reverenciou em um livro.

Nossos genitores não constituíram um patrimônio familiar, disposto em bens físicos ou materiais, que amiúde aportam escaramuças entre herdeiros; contudo, nos legaram, como herança maior, algo imaterial, e. quiçá, intangível: a educação de seus filhos, que vem se transmitindo aos descendentes, na sequência de gerações, atingindo seus netos e bisnetos.

Nosso pai, como educador, se jubilava com a graduação, ano a ano, de todos os seus filhos, em instituições públicas, que, em seguida, cursaram pós-graduação e se engajaram no magistério superior, e ainda pode acompanhar a chegada dos primeiros netos ao ensino superior.

Ele, como advogado, estaria radiante de orgulho, se conosco estivesse, em saber que todos os seus netos estão hoje formados e atuantes em diversas ocupações, com destaque para os sete deles operadores do Direito.

Como beletrista e cultor da última flor do Lácio, atributos adquiridos ao tempo aluno marista, nosso genitor estaria fartamente realizado por ver tantos filhos, e até alguns netos, com pendores literários, manejando a pena com arte e primor.

Dono de preciosa oratória e provido de conhecimentos enciclopédicos, ele ainda não mereceu homenagens em logradouros públicos que lhe são devidas; no entanto, são bem poucos os cidadãos cearenses que, a exemplo dele, possuem suas histórias de vida narradas em livros ou artigos, fato que concorre para reavivar nossas recordações nos 25 anos de saudades incontidas, desde quando foi acolhido nos braços do Pai Eterno.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Filho de Luiz Carlos da Silva

* Publicado In: O Povo, de 20/11/2025. Opinião, p.18.


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

SEBO DO GERALDO

Por Pedro Salgueiro (*)

A frase marcante da autobiografia "De amor e trevas", do israelense Amós Oz, me remete sempre aos "sebos" de velhos livros: "Quando eu era pequeno, queria ser um livro quando crescesse. Não escritor de livros, livro mesmo. Gente se pode matar como formigas. Escritores também não são tão difíceis de matar.

Mas livros, mesmo se os destruirmos metodicamente, sempre há chance de sobrar algum, nem que seja apenas um exemplar, a continuar sua vida de prateleira, eterna, discreta e silenciosa em uma estante esquecida de alguma biblioteca remota". Sebos que frequentei pela vida inteira; pois os sebos, a despeito de parecerem "cemitérios de livros", ou "museus de livros", são na verdade "maternidade de livros", pois se não nascem nesses ambientes geralmente caóticos, renascem, voltam para a vida.

Já vi amigo escritor dar chilique por ter encontrado livro seu, devidamente autografado, na prateleira de um sebo, o que nunca entendi, porque fico numa felicidade sincera, pois sei que ali ele começará vida nova, eterna feito Sísifo, nesse vai-e-volta contínuo que as obras fazem entre as ditas livrarias e os sebos.

Para fortalecer meu argumento ao vaidoso amigo escrevinhador, sustento que finalmente o livro dele se tornou um "clássico", e que meu próximo lançamento se dará diretamente numa dessas "maternidades de livros", para encurtar o caminho que ele naturalmente fará.

Um desses templos sagrados dedicados aos livros, que frequento há mais de duas décadas, funciona numa casa verde forte na rua 24 de Maio, em pleno Centro de Fortaleza, numa área aparentemente inóspita às "coisas da cultura", de comércios variados, desde bares e restaurantes frequentados por trabalhadores da região a lojas de ventiladores, paradas de ônibus e consertos vários.

Quem entrava na porta larga era recebido pelo sorriso cativante do senhor Geraldo, que acompanhado pela sua fiel escudeira, a cunhada e funcionária Estela, deixava o freguês à vontade para se perder nos muitos corredores entulhados de livros, numa aparente desorganização que assusta; digo aparente porque quem ia (vai) conhecendo descobre que existe uma ótima organização no meio do caos: cada assunto na sua vereda, cada livro na sua estrada, nesse imenso sertão de livros.

Apesar da amizade longa com o proprietário, de já o considerar um amigo próximo, nunca troquei uma palavra sobre livros com ele, que seu Geraldo era de outra natureza, dos homens da vida e que adorava falar sobre a vida; queria vê-lo feliz perguntasse sobre como ele começou essa longa aventura com os livros, ele marejava os olhos contando que "comecei mesmo foi na pedra, os livros poucos e espalhados na calçada, era ali perto dos correios, depois da Praça do Ferreira", daí invariavelmente descambava a falar das coisas que passava na época, onde guardava os parcos exemplares, até conseguir comprar uma banca de revista, onde passou a funcionar.

Nesse tempo todo de rápidas e entrecortadas conversas atrapalhada por fregueses, fiquei sabendo não só dos livros e sua vigem longa da "pedra" até aquela loja grande abarrotada de revistas, discos e principalmente de livros, mas de detalhes de suas sofrida mas gostosa vida de negociante de papel.

Precisaria não de uma crônica, porém de um livro inteiro para falar dessa aventura quixotesca do seu Geraldo, vida simples apesar do êxito (sempre foi o mais lembrado para reportagens e entrevistas sobre o assunto dos jornais e TVs, vez em quando estudantes iam lá para ouvi-lo), tão simples que um dia como hoje, sexta-feira, ele estaria sentado em seu velho birô com uma gaveta cheia de moedas, distribuindo-as para uma fila de velhinhos que desde cedo rondavam sua calçada.

Quando eu chegava, nessa ocasião das sextas, invariavelmente perguntava: "Geraldo, tá bom de aumentar essa cota para 5 reais!", no que ele abria um sorriso largo e respondia: "Tá querendo me quebrar!?", e desatava a contar quando fez essa promessa das moedinhas da sexta-feira.

Não tive coragem de ir ao seu velório e enterro, nem de voltar ao velho sebo da 24 de Maio, mesmo sabendo que só tenho boas lembranças de lá, mesmo sabendo que sua viúva Albaniza, seu filho Janderson e sua cunhada Estela levarão adiante essa aventura sem fim de vender sonhos.

(*) Cronista e articulista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/10/25. Vida & Arte, p.2.

 

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