Por
Vladimir Spinelli Chagas (*)
Em 2014, o psicólogo mineiro Leonardo
Abrahão iniciou um movimento com outros colegas da região de Uberlândia (MG),
convidando-os a irem às ruas e espaços públicos conversar com as pessoas sobre
a importância dos cuidados com a mente e as emoções.
Inspirada em outras campanhas já
consolidadas, como o Outubro Rosa e o Novembro Azul, que tratam dos temas do
câncer de mama e da saúde do homem, a ideia tomou corpo, sendo o branco e o
início do ano simbólicos para a recriação das próprias histórias pessoais.
O engajamento dos pares do psicólogo e a
acolhida pela população levou o movimento a experimentar um crescimento cada
vez mais acentuado, a ponto de, em abril de 2023, através da lei federal
14.556, ter sido acolhido como política de Estado, com a instituição oficial da
Campanha Nacional Janeiro Branco.
A associação da saúde mental ao bem-estar
vem quebrando tabus e estigmas, criados a partir da história de negligências e
preconceitos com o tema, com as campanhas destacando a ajuda profissional como
alicerce para a redução do sofrimento emocional, parte intrínseca da condição
humana.
Outro ponto importante é que as campanhas
chamam a atenção para a prevenção de transtornos mentais, como ansiedade,
depressão e burnout, cada vez mais relatados e que podem ser cuidados
antecipadamente, da mesma forma como as pessoas têm acorrido às
academias e aos check-ups médicos para cuidar do corpo físico.
Assim, as campanhas trabalham também no
sentido do que vem sendo chamado de alfabetização emocional, disseminando junto
à sociedade conceitos fundamentais para o autoconhecimento, melhorando o
entendimento das próprias emoções, as definições dos necessários limites sempre
que a saúde mental possa ser afetada, além da priorização da qualidade de vida,
com o equilíbrio entre trabalho, lazer e descanso.
Em Fortaleza, o Hospital Psiquiátrico São
Vicente de Paulo — pioneiro no cuidado planejado à saúde mental — abraça a
causa mais uma vez. A instituição abriu o Janeiro Branco com palestras
motivacionais como um convite à reflexão e à valorização da vida. Afinal, quem
cuida da mente, cuida da vida.
(*) Professor aposentado
da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do
CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/01/26. Opinião. p.22.

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