sexta-feira, 13 de março de 2026

Crônica: “O Ceará é que nem cuscuz - só presta molhado; seco, entala!” ... e outro causo

“O Ceará é que nem cuscuz - só presta molhado; seco, entala!”

A frase-título dessas mal traçadas linhas é da lavra criativa e bem-humorada do saudoso Hilton Cortez, pai do querido primo Helder Cortez, e me foi repassada pelo cedrense deputado Deassis Diniz. A Filosofia bem ilustra a bênção desse fenômeno divino chamado “chuva”, que pro povo aqui de nós é tudo e mais alguma coisa abaixo das nuvens. É chover e o mundo transmudar. Demócrito Dummar, contou-nos o amigo Demitri Túlio, dizia, com regozijo: “Eu não perco uma chuva”!

Chuva - oração que cai em forma de alegria, aguando esperança - remete a fraseados e terminologias que, em cearensês castiço, animam demais grandezas:

- Adivinhando chuva – Dando sinais de que vai chover.

- Ano bom – Ano de bom "inverno", de chuvas regulares.

- Bonito pra chover – Tempo meteorológico propício à pancada de chuva.

- Pau-d’água – Chuva forte. Mesmo que pé d’água.

- Saprico – Salpico, neblina ("librina"), chuva fina.

- Sereno – Chuva fina, chuvisco, garoa - a umidade da noite e da madrugada.

- Formiga de chuva – Formiga que tem asa - "siriri".

- Chuviscar – Neblinar (‘librinar’), cair chuva fina (‘chuvisco’).

- Três coisas que cristão nenhum no mundo confia... – Tempo de chuva, doido sem juízo e bunda de menino novo.

- Biqueira - Cano por onde escorre a água da chuva que cai no telhado.

A esse respeito, circula no Instagram cena maravilhosa, inspiradora: ruma de meninos, sob a regência festiva de um cachorro pé duro, se esbaldando na chuva, celebrando o “inverno” na maior alegria, se abrindo, frescando. A lapada d’água a escorrer pela biqueira, tinindo de forte, dá a impressão de que a vida se resume a chover aos borbotões, permitindo desconexão dos aperreios cotidianos, congraçar, felicitar gente.

Ah, quem me dera fosse a pulga da dobra da orelha daquele cachorro fuleiro!

O remédio exato

Por falar no grande Hilton Cortez, é dele uma receita simples e eficiente para a cura de males da tristeza e da ansiedade, medicação disponibilizada em qualquer bodega, restaurante, mercantil... Em tempo: se você está enfrentando algum “despombalizanento” de cunho emocional ou coisa que o valha, prestenção - esse aqui é tiro e queda.

Estava Hilton em Iguatu (à época residindo em Cedro), acompanhando a concunhada dona Fransquinha, mãe da Derlange, a uma consulta médica. Enquanto esperava, aboletou-se num boteco de esquina, tranquilamente, tomando sua cerveja gelada.

Hora e meia mais tarde, a matriarca da família Santos já buscava a farmácia mais próxima, urgia comprar a medicação passada pelo especialista. Mas, quedê poder adquirir a gororoba? Esquecera em casa a carteira de identidade. Dispara para o local onde estava Hilton - consultório popular ameno e descomplicado, sem efeitos colaterais. Fransquinha se lamenta:

- Preciso voltar a Cedro e pegar meu RG, Hilton! O remédio que o doutor receitou é tarja preta. Certamente não tem ele lá.

- Como é que é!?! Fazer esse entrançado todo por causa dum remédio pros nervos! - invocou-se Hilton.

- Sim, tô carecendo de tomar vexado o medicamento!

- Pois eu vou te receitar um que é infalível, ‘negocim’ bom que dá gosto beber!

E voltando-se para o garçom, Dr. Hilton Cortez ordenou:

- Zé Raimundo, traga uma Brahma estupidamente e um copo descansado!

Resultado: dona Fransquinha nunca tomou o tal remédio prescrito pelo médico, passando a adotar o de Hilton Cortez, de uso contínuo, dali por diante. Uma dor na unha sequer sentiu mais!

Fonte: O POVO, de 13/02/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 12 de março de 2026

HUMILDADE: riqueza de espirito, ousadia da inteligência

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Não sei de onde vens. Mas sei onde nasceste.

Quando a terra apareceu, no mundo criado, o cheiro do Humus esparramou-se pelo planeta, fez primeiro o Homo e deu nome à Humanidade.

E foi daí que se fez ’humilis’, ‘humilitas’, a humildade.

Somos terra, da terra viemos.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Antes de tudo, é preciso ter clareza de que humildade nunca foi sinônimo de humilhação, de ignomínia, tão pouco de renúncia à dignidade humana.

Considera-se um sentimento a ser cultivado, diante das nossas limitações, fragilidades, sem autodesprezo e também de nossos dons e valores, com modéstia e ausência de orgulho e presunção.

Qual húmus, singelo, rústico, porém de alta fertilidade, que faz brotar vida, do chão se eleva sem arrogância, sem prepotência, sem vaidade, não se sobrepondo a ninguém, nem exorbitando qualidades e virtudes.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Humildade cultiva-se na consciência do conhecimento de si mesmo, de seus limites. Conhecimento sincero que as entranhas não maquiam.

Humildade não é subordinação, nem alienação, é sabedoria do bem viver, da simplicidade e da pujança do crescer, crescer sempre. Não se opõe à riqueza, nem é característica da pobreza, é o sopro da alma a alçar voo altaneiro da sabedoria.

Nutre-se a humildade da simplicidade de pobres em espírito e de ricos de justiça e paz, de fraternidade de mente e coração. Associada à gratidão, traz os pajens da compaixão, da bondade e da generosidade. Fortalece laços familiares e consolida relacionamentos e promove um ambiente de suporte e de compreensão mútua.

Ao afirmar ‘só sei que nada sei’, expõe-se Sócrates, no que podemos nominar ‘humildade intelectual’: sua abertura ao conhecimento proporciona-lhe espaço para novas ideias, para novas aprendizagens, prontidão para aprender sempre e disposição para admitir seus erros. Erros, que a humildade corrige, mas o orgulho despreza e aniquila, no lodaçal de sua vaidade.

A humildade tem ouvidos ‘ativos’, palavras equilibradas, espirito sereno, cria saudável convivência, num ambiente de respeito, de ética e de valorização de todos, sem supremacia, nem desrespeito à dignidade de quem quer que seja.

Nos escritores latinos, encontramos, entre outros, em César ‘turris humilis’ (torre baixa) e em Virgílio ‘domus humilis’ (casa térrea). A conotação de miserável, de baixa condição veio do latim clássico. No entanto, foi o Cristianismo que nos legou essa visão de reconhecimento de nossas fragilidades e limitações contingentes.

Enfim, a humildade dá o sentimento exato do nosso bom senso, ao nos avaliarmos, em relação às outras pessoas.

E um líder humilde inspira confiança e enobrece lealdade. Cria um legado de empatia, respeito e colaboração.

Somos húmus, somos Homo, somos Humanidade.

Tenhamos um bom dia, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/02/26.


quarta-feira, 11 de março de 2026

O PODER

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Por uns elogiado, por outros criticado, Golbery do Couto e Silva, ideólogo no nosso último regime militar, dizia: "poder não é improviso nem carisma; é planejamento". Os defeitos do general não o impediram de possuir uma boa biblioteca. E afirmava: "uma gripe nos permite pôr a leitura em dia".

Acometido por uma virose recente, li bastante e soube pela TV que Gilberto Kassab, como fazia o PSD de outrora, o mesmo de JK e Tancredo, habilmente uniu, no atual PSD, os pré-candidatos a presidente: Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. Um deles deverá compor, com Flávio Bolsonaro e Zema, o time da dita direita. Lula já é o pole position da dita esquerda. Que bom seria um Brasil com voto distrital e mandatos políticos únicos com duração de 5 anos.

Quase sempre, o dirigente de um pequeno clube não aceita perder o cargo. Imagine um Presidente da República. O desejo de liderar um país se dá pelo poder, acompanhado, ou não, de outros motivos. Poderio em excesso leva às oligarquias, e Biden custou a reconhecer o "peso da idade".

Em 1992, James Carville, estrategista da disputa de Bill Clinton nos EUA contra George Bush, cunhou a frase: "É a economia, estúpido", e ensinou-a aos parceiros de campanha por desejar que a citação fosse uma das três mensagens da estratégia. As outras eram "Mudança versus mais do mesmo" e "Não se esqueçam da saúde".

O poder é encantador não pela economia, senão por prometer segurança, sentido, reconhecimento e imortalidade simbólica. Nele há a promessa, mas nunca a entrega por completo. Para Freud, o apego ao poder se dá por: narcisismo, sentimento de desamparo, sublimação da agressividade com pulsão de morte e fantasia de onipotência infantil. Já para Nietzsche, dá-se pela afirmação da própria existência, crítica à moral tradicional e ainda desejo de criar e superar limites impostos à expressão natural da vida - não por ilusão de segurança.

A respeitar esses e outros históricos pensadores, sigamos o parágrafo único do artigo 1º de nossa Constituição: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/02/26. Opinião, p.14.

A CORRIDA MALUCA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Senhoras e senhores, tomem seus lugares à frente da TV, do celular e do computador que a corrida começou. Sim, será mais do mesmo, só que desta vez o show está mais para hard core do que para voo de colibri. Em vez de propostas exequíveis voltadas à resolução dos problemas desta sofrida cidade, baixarias, memes, xingamentos, mentiras a granel e toda sorte de baboseiras. Claro, os histriônicos postulantes a vereador de sempre já mostram as caras, que sem eles o horário eleitoral não teria a menor graça. Por que concorrem, já que não serão eleitos? Talvez por carência, quiçá por vontade de aparecer, sabe-se lá. No quesito moda, tem do casual chic passando pelo street wear ao canelau look. Em menos de um mês, o primeiro turno das eleições municipais. Segurem-se...

As pesquisas estão completamente baratinadas, não se sabe se pelo método investigativo delas ou pela falta de credibilidade de alguns institutos. Numa, o aspirante a alcaide encontra-se avançado em relação aos seus opositores; noutra, acha-se lá na rabeira, vá entender. Aliás, quem precisa de pesquisa eleitoral para definir seu voto é gente que nunca teve educação político-ideológica ou que há muito a rebolou na lata do lixo. Não será o sujeito engomadinho com seu meloso discurso quem vai ganhar o eleitor consciente. O formato debate/programa eleitoral/santinho está completamente superado pela intensidade pantanosa das redes sociais, onde vicejam patranhas mil. As muitas promessas que jamais serão cumpridas embrulham o estômago. Política baixa.

E quanto aos candidatos a prefeito? O atual ocupante do Palácio do Bispo e concorrente à reeleição passou meses desaparecido da cidade e teve que criar um personagem metido a descolado para se comunicar com o povo de Fort City. Vai dar certo? Tenho as minhas dúvidas. O chefe dos amotinados, com seu rosto de bom moço, que não engana ninguém. Aliás, os incautos é que se enganam com ele. O deputado federal conhecedor da anatomia humana que se diz anti-sistema. Se por anti-sistema se entende alguém que não reconhece nem respeita a Constituição Federal e os poderes constituídos, tal como o seu mentor, aí é caso de falta de decoro parlamentar a ser punida. O requerente que aguarda ansiosamente pelo apoio da Loura, que talvez nunca venha. E o resto é traço...

Anoto mentalmente essas impressões enquanto assisto na Praça do Ferreira a um ato do Movimento Crítica Radical. Meus valorosos e combativos amigos do grupo há muito elegeram a política e o capitalismo como entes dignos de serem levados ao paredão. "Emancipação ou extinção!", bradam eles. Ora, o que é isso senão uma forma de se fazer política? Eliminar a política evitaria as disputas, tão caras aos seres humanos? Disse Platão que "não há nada de errado com aqueles que não gostam de política; simplesmente serão governados por aqueles que gostam". É do jogo, como dizem os sábios. A tarde cai enquanto meu pensamento voa e pousa na peleja entre o pretenso Dono do Mundo e o Togado Careca. Quem ganhará? Melhor merendar um pastel com caldo de cana.

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/02/26. Vida & Arte. p.2.

terça-feira, 10 de março de 2026

Transnordestina. Mais uma vergonha

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Há algum tempo publiquei um artigo falando dos meus porquês sobre o Brasil e, também, há algum tempo publiquei artigos sobre a Transnordestina. Hoje, volto aos dois assuntos.

Vamos relembrar alguns dos aspectos que nortearam construção da Ferrovia Transnordestina: a) em 1990 teve início a construção de um trecho da proposta Ferrovia Transnordestina; b) em 2006 teve início a implantação da "nova" Ferrovia Transnordestina; c) em 2016 a obra parou com apenas 52,0% concluída e com gastos já realizados de R$ 6,27 bilhões; d) as novas previsões de término foram estabelecidas para 2017; e) os gastos adicionais somavam R$ 6,7 bilhões; f) seu percurso inicial de 2.304 km diminuído para 1.753 km.

Estamos no começo de 2026 e desde 2016 o que aconteceu? a) seu término deverá (sic) acontecer em 2027; b) estimativas apontam que seu custo, até este ano, deverá alcançar o valor de R$ 8,2 bilhões; c) sua rota terá extensão de, apenas, 1.206km; d) ela não irá mais até o porto de Recife.

O seu percurso irá de Eliseu Martins, no Piauí, passando por Trindade e chegando a Salgueiro (ambos em Pernambuco), entrando no Estado do Ceará e indo até o porto de Pecém, no litoral cearense.

Agora, vamos aos meus "porquês".

No artigo a que me referi fiz a seguinte pergunta: "Por que a construção de qualquer obra pública no Brasil demora muito mais para ser concluída do que está previsto? E por que os custos finais sempre são bem maiores que os custos iniciais previstos?"

No caso da Ferrovia Transnordestina tenho agora a resposta. A falta de definição precisa sobre o projeto a ser executado por parte das autoridades brasileira; a falta de compromisso dos responsáveis pela execução de obras públicas. Haja vista que por suas falhas, nada lhes será cobrado. Nem agora, nem no futuro. Não importa o que acontecer, esta falta de responsabilização pelo fracasso, pelos prejuízos, permite-lhes agir sem nenhum compromisso com a honestidade e a seriedade, que a construção de uma obra pública exige.

Vejam o que aconteceu. Um trem da Ferrovia Transnordestina deveria no dia 24/1/2025 fazer seu primeiro percurso, saindo de Bela Vista, no Piauí e ir até Iguatu, no Ceará. Entretanto, tal fato não aconteceu. E por que não? Pelo simples fato, acreditem, que o IBAMA, simplesmente, ainda não havia dado a permissão para a operação da ferrovia.

Como é que os administradores de um empreendimento que já dura mais de 20 anos, ainda não têm em mãos, todas as licenças necessárias, sejam quais forem, para sua plena operação?

Este trem deveria transportar uma carga de milho. Como ficam os produtores agrícolas com esta falta de transporte no tempo aprazado? E os prejuízos, quem paga?

Este é o Brasil da irresponsabilidade!

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 8/02/26. Opinião. p.22.


segunda-feira, 9 de março de 2026

MISSA DE SÉTIMO DIA POR DR. JOSÉ WILSON ACCIOLY

Amanhã (10/03/2026), terça-feira, às 19h30min, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situada na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE, será celebrada a Missa da Ressurreição em sufrágio da alma do acadêmico Dr. José Wilson Accioly, perlustrado membro honorável e ex-presidente da Academia Cearense de Medicina.

O médico dermatologista Dr. José Wilson Accioly faleceu na tarde de 4/03/2026, consternando o seu amplo ciclo de relacionamento, composto por familiares, amigos, confrades, colegas e pacientes, mercê dos seus reconhecidos méritos humanos e profissionais.

Ao término da missa, em nome da Academia Cearense de Medicina, falará o também acadêmico e presidente da ACM, Dr. José Henrique Leal Cardoso.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cadeira 18


Uma casa para o Plebeu

Por Izabel Gurgel (*)

O Plebeu Gabinete de Leitura é a biblioteca que a leitora Adelaide Gonçalves vem construindo ao longo de uma vida cheia de vidas.

O amor aos livros e à leitura é um modo singularmente alegre de estar no mundo. Aprendizado iniciado na infância com a mãe, o pai e professores, no interior do Ceará. Torna-se pesquisadora a menina auxiliar de biblioteca na escola em Tauá, no sertão dos Inhamuns.

Professora de História da Universidade Federal do Ceará (UFC), nossa Adelaide imensidão fez do Plebeu, de vários modos, um nascedouro de livros. Com gente amiga e colaboradores, o Plebeu faz e acontece, publica, tem banca itinerante e um sebo do qual podemos fruir todo segundo sábado do mês no Centro Frei Humberto, no bairro São João do Tauape, em Fortaleza, quando da Feira da Reforma Agrária (dia 7 de fevereiro, a próxima edição da feira). O MST também é doido por livro e leitura.

Jardim das veredas que se bifurcam, o Plebeu não para de dar cria. Aqui, mais uma estante nova, bem sortida, sobre a história do livro e da leitura. Ali, mesas com tu-do (tudo mesmo!) de um autor, o que fez o tradutor de Garcia Márquez para a língua portuguesa, escritor Eric Nepomuceno, dizer "Nem eu tenho todas as edições dos meus livros" quando da visita ao gabinete de leitura.

O mobiliário do Plebeu, ele próprio, conta o contínuo (re)desenhar de nossas casas e espaços públicos. Velhos gaveteiros e ficheiros encontram um bom destino lá. Cristaleiras, escrivaninhas e birôs, carteiras escolares, mesas, bancos e cadeiras de lugares e feituras tão diferentes nos ensinam o co-habitar, a incidência dos passados, a sábia acumulação, a desejada sedimentação em nome da fertilidade da terra, na Terra. O Plebeu é um sim à vida.

Adelaide segue ampliando a biblioteca que sempre teve uso para além do privado, pessoal. Na casa da professora, foi partilhada por estudantes, aprendizes e mestres do pesquisar, criaturas leitoras que receberam delas (biblioteca e Adelaide) sombra e água fresca para florescerem.

Em 2012, Adelaide tornou a biblioteca de casa mais social ao levá-la para o Centro de Fortaleza. Surge o Plebeu Gabinete de Leitura. Tem imagens lindas das duas primeiras sedes, ambas no edifício-sede da Associação Cearense de Imprensa.

Encaixotado, o Plebeu está mais perto de ter uma morada pra gente chamar de nossa. Uma legião cultivada pela Adelaide conspira para realizar o sonho, brasileiríssimo, que pulsa no coração da gente trabalhadora do país tão rico quanto desigual, o da casa própria.

Vai ser a rua mais bonita da cidade. Biblioteca é canteiro, jardim de calçada, pomar e horta, parque, mata, floresta. Enrama feito melão-de-são-caetano. Só existe se enlaça, entrelaça, tece, feito renda, bordado.

Quer saber mais? @plebeulivros no Instagram.

"Uma casa para o Plebeu".

Bora?

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/02/26. Vida & Arte, p.2.

ARQUIVO NIREZ: a memória da Cidade

Por Raymundo Netto (*)

Escrever sobre Miguel Ângelo de Azevedo, o nosso Nirez, é tarefa das mais complexas.

Aos 92 anos, é acervista, possuidor da maior coleção de discos de cera do Brasil e da mais completa coleção fotográfica do estado do Ceará. Pesquisador, é autor de obras de importância fundamental, como: "Fortaleza de Ontem e de Hoje", "A História Cantada no Brasil em 78 Rotações" - no tema, uma das maiores do País - e "Cronologia Ilustrada de Fortaleza", todas esgotadas.

Nirez é uma biblioteca viva, o maior guardião da história cearense, cumprindo o papel de um "mestre da cultura", transferindo amavelmente seus saberes, seus achados, fomentando e possibilitando pesquisas, ensaios, produções literárias e audiovisuais. Acessível e acolhedor, recebe em sua casa, sede do singular Arquivo Nirez, centenas de historiadores, pesquisadores, jornalistas, artistas, editores, produtores, políticos e curiosos que sabem encontrar ali não apenas o acervo raríssimo, mas o seu curador, que muitas vezes se dá entusiasmadamente como consultor.

É impossível, ao ouvir os seus relatos, não se encantar num vórtice temporal e encontrar-se com personagens de nossa história "transformados em gente" e/ou se ver em locais da Cidade que não existem mais - o que é bem do nosso desleixado desapego. E, claro, ao final, esperar o momento daquela piada guardada como troça de menino travesso.

A sua obsessão pela coleta, guarda, catalogação e manutenção de todo esse conteúdo - LPs, fotografias, filmes, livros, revistas, jornais, gravuras e máquinas, instrumentos, peças das mais diversas naturezas - já nos revela uma fortaleza extraordinária, imagine saber que todo esse legado está sendo construído e mantido bem debaixo de nosso nariz sem qualquer apoio do poder público.

Recursos financeiros o Ceará tem demais, basta acompanhar o seu desaguar na leitura de jornais ou assistir aos noticiários de rádio e TV. Mas, em todos esses anos de existência, nunca de alguma iniciativa por meio do governo estadual nem municipal. Houve, sim, por atitude de amigos do arquivo, proposições a gestores do poder executivo ou diretores de instituições. Porém, nada se realizou, mesmo quando aqueles que ocupam tais cadeiras sabem quem ele é e reconhecem a importância do seu acervo. Talvez entendam ser a cultura um território de pouco valor eleitoral, o que justifica a caquexia eterna dos equipamentos culturais mais tradicionais, sempre colocados em segundo plano diante do "elefante branco" do momento. Não raro sabemos de acervos desfeitos, perdidos ou roubados pela falta de atenção desses representantes e da população sempre distraída ao que lhe é usurpado todos os dias pela falta de pertencimento. É inadmissível fechar os olhos para a relevância desse legado a ser preservado, um patrimônio que, embora particular, é de extremo interesse público, o que por si já justificaria a mobilização e articulação dos órgãos e entidades de poder: Secretaria da Cultura do Governo do Estado e do município, Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS), Assembleia Legislativa, Câmara Municipal, Universidade Federal do Ceará (UFC), Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Organizações Sociais (Instituto Mirante e Dragão do Mar), entre tantos outros.

Um dia, na sua agudeza de espírito, Nirez me disse: "Eu me sinto como se estivesse no futuro. O hoje é o meu futuro". Sim, ele atravessou o tempo e cabe a nós apresentar para ele um futuro melhor, sem celebrações vazias e pirotécnicas de 300 anos de uma cidade desmemoriada, que insiste em debochar da perda contínua de sua história e patrimônio.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/01/26. Vida & Arte, p.2.

domingo, 8 de março de 2026

O LIVRO “DIÁRIO DE UM ARENGUEIRO”

 

Para celebrar a chegada dos seus setenta anos de idade, Luiz Gonzaga de Moura Jr., como cultor da boa prosa e praticante da bela escrita, decidiu demarcar o momento, com algo mais duradouro, na forma de um livro que pudesse ser compartilhado por diferentes públicos.

O “Diário de um Arengueiro: motes, mitos e estórias – sátira e folclore médico” é uma robusta obra, de 384 páginas, contendo a apresentação do próprio Luiz Moura Jr. e o prefácio do seu dileto amigo e colega de turma médica, o capitão-poeta Walter Miranda, cujas receitas obtidas nos sucessivos lançamentos realizados ou programados, direcionam-se, prioritariamente, ao IPREDE.

Vale salientar, dentre os lançamentos acontecidos, o do evento natalino da Academia Cearense de Medicina (ACM) que ocorreu, exatamente, em 5 de dezembro de 2025, oportunidade em que o autor/organizador aniversariava e ele pode comemorar os seus 70 anos de idade, em harmonia com os seus confrades da ACM.

Efetivamente, esse livro está graficamente no formato único, mas poderia ter sido disposto em dois volumes separados: o primeiro, de escritos da autoria de Luiz Moura Jr, contaria com 49 (quarenta e nove) trabalhos distribuídos em três partes, assim segmentadas: Contos e Crônicas do Folclore Médico (33), Poesias (9) e Do Mundo Obeso para o Mundo Magro (7); o segundo volume, contemplaria 86 (oitenta e seis) depoimentos e manifestações, em prosa ou em versos, redigidos por familiares, amigos, colegas e confrades, que prestaram valiosas e tocantes homenagens ao septuagenário em epígrafe, traduzindo o afeto e o respeito que Luiz Gonzaga de Moura Júnior acumulou, no percurso de suas sete décadas de vida, desde quando estreou no “frutífero Cariri cearense”.

Por derradeiro, espera-se que o bom exemplo memorialístico, dado aqui por Luiz Moura, sirva de inspiração a que outros que, muito em breve, se tornarão cinquentenários, sexagenários, setuagenário etc., possam registrar seus feitos em livros memoriais, sejam da própria lavra ou frutos da colaboração de terceiros, que concorrerão para preservar as suas lembranças entre amigos e familiares.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da ACM (Cad. 18) e da ACEMES (Cad. 24)

* Versão curta publicada In: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Fevereiro de 2026- Edição n.53. p.11-11 (online).

AUTOCOMPREENDER’?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Ser contraditório é a criatura humana.

Suas muitas máscaras são como placas tectônicas. Silentes e, aparentemente, tranquilas, porém, vez por outra, exibem suas mazelas, quando acontece o encontro fático. No choque, cai o sorriso e surge a carranca.

Acontecido o terremoto, a ideia primeira é buscar culpados, desde que não seja ‘o próprio’.

Pois bem, esquecemos, então, de buscar compreender, realmente, o que nos levou a tal propósito, isto porque desconhecemos o que vai dentro de nós, ignoramos nossos reais valores e nossos princípios são instáveis, pelo menos, os que dizem respeito à intimidade de nosso caráter, mais precisamente, do ‘meu caráter’.

A ofensa dorida, o erro cometido, sem nenhum constrangimento, sem nenhuma análise, são, incontinenti, imputados ao outro. Eu “compreendo”, irônica e despudoramente, minha ‘inocência’, minha ‘lisura’, minha ‘sóbria’ performance e vomito o peso da culpabilidade no outro, mesmo quando não há respaldo algum na acusação. Esta autocompreensão se dá, exatamente, na contramão da autocompreensão. É o seu inverso, é a sua negação ser-no-mundo. É o real desmistificando o imaginário. É a atitude desqualificando a palavra.

Mentiras e insinuações expondo suas entranhas.

A palavra que sai, o chiste que voa, não encontram oportunidade para explicação nem espaço para uma justificativa. O veredito é o olhar iminente, pronto, do interesse subjetivo, que decodifica, conforme sua práxis de vida. Calúnia amalgama-se com desprezo e entorna qualquer relacionamento.

Na verdade, trata-se de imune autocondescendência, de uma miragem voltada tão somente para o próprio umbigo.

Nossos erros sequestram nossos pensamentos, com tamanha malícia, que produzem emoções ferinas e atitudes indecentes. A dança é nossa, jogamos o outro para fora, ele deve sair.

Os erros, que cometemos, saltam de nós para ferir o outro. É o contraditório do Homo sapiens, que, ao achar, estupidamente, que se compreende, justifica-se e inocenta a si mesmo, sem critérios de análise, transferindo toda malevolência a alguém que execra e avilta, sem lhe dar chance do direito do diálogo.

Máscaras, todavia, não são para sempre.

De tantas, o peso fá-las tropeçar algum dia, de maneira surpreendente e inesperada. E, quando tropeçam, o sol as ilumina e transparece a verdadeira criatura, na sua selvageria ou na sua mansidão.

Ser contraditório é da criatura humana (?!)

Tenhamos um bom sábado, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 7/02/26.

sábado, 7 de março de 2026

LISTA TENEBROSA

Por Rev. Munguba Jr. (*)

No Novo Testamento, a palavra grega allélon () significa “uns aos outros” ou “mutuamente”. Ela aparece cerca de 100 vezes, com ênfase nos relacionamentos de qualidade. Realça para nós um dos significados da Cruz de Cristo, com suas duas hastes apontando: a vertical para o relacionamento com Deus e a horizontal para o relacionamento com os homens.

O texto sagrado afirma em 1 João 3:16: “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós; e nós devemos dar nossa vida pelos irmãos”. Ser um cristão verdadeiro é amar o próximo como a si mesmo.

No início deste mês de fevereiro, os EUA liberaram metade da lista de Epstein, lista que retrata uma faceta terrível do gênero humano. São revelações que, até pouco tempo, eram chamadas de “teoria da conspiração”; postagens nas redes sociais eram derrubadas, remunerações proibidas e, para se falar sobre o assunto, era necessário alterar partes das palavras na tentativa de se proteger da censura.

A ONU afirma que cerca de um milhão de crianças somem todos os anos no mundo e nunca mais são encontradas. Já o International Centre for Missing & Exploited Children aponta para mais de oito milhões. Meninas e meninos levados para ilhas distantes, desconstruindo definitivamente seus sonhos e trazendo traumas para toda a existência, chegando, em alguns casos, à subtração da própria vida.

Constam na lista líderes mundiais, políticos proeminentes, príncipes e empresários de grande expressão no cenário internacional. Homens e mulheres que já conquistaram praticamente tudo o que se pode comprar e entraram em uma espiral de loucura, buscando novos e proibidos prazeres.

A que ponto de degradação pode descer o ser humano? Manchar deliberadamente a criação de Deus quando indefesa, ou ludibriada com promessas de uma vida de prosperidade.

Existem relatos de canibalismo e assassinatos com tentativa de ocultação de cadáveres.

O plano de Deus para o nosso planeta é que mantenhamos o princípio cristão de tratar os outros como gostaríamos de ser tratados. Olhar no outro a glória de Deus, a beleza dos iguais que, mesmo diferentes, são igualmente preciosos.

Vamos orar, pedindo a Deus que ilumine as nações, trazendo verdadeiro amor e consideração entre nós, humanos.

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.

Fonte: O Povo, 17/01/2026. Opinião. p.16.


Reforma tributária e a contabilidade aplicada ao setor público

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

Em artigo publicado no jornal O POVO, no dia 22 de janeiro, destacamos a necessidade de convergência entre a reforma tributária e as normas contábeis nacionais, atualmente definidas pelos Comitês de Procedimentos Contábeis (CPC) e editadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Os fundamentos da Contabilidade Aplicada ao Setor Público no Brasil foram inicialmente consolidados pela Lei 4.320/1964, que definiu regras gerais de Direito Financeiro para a elaboração dos orçamentos e balanços. Contudo, essa norma encontra-se hoje muito defasada e necessita ser atualizada para se adequar ao novo modelo tributário em implementação.

A Secretaria do Tesouro Nacional (STN) é o órgão central do Sistema de Contabilidade Federal, que tem a responsabilidade legal de editar os normativos, os manuais, as instruções de procedimentos contábeis e o plano de contas de abrangência nacional. Esse sistema tem como objetivo a elaboração e a publicação de demonstrações contábeis consolidadas, aplicáveis ao setor público, incluindo o disciplinamento das normas gerais de capacidade de pagamento (Capag).

Tais instrumentos estão alinhados às Normas Brasileiras de Contabilidade Técnicas Aplicadas ao Setor Público (NBCTSP), editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), as quais convergem com as normas internacionais de contabilidade aplicada ao setor público - International Public Sector Accounting Standards (IPSAS). Esse padrão internacional é amplamente aceito e utilizado pela maioria dos países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

A Lei Complementar 227/2026 instituiu o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS), instância inovadora e peça fundamental da reforma tributária brasileira. O CGIBS é uma entidade pública dotada de autonomia técnica e operacional, responsável por editar regulamentos, uniformizar a legislação, arrecadar e distribuir o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) aos estados e municípios.

Entre as diversas atribuições do Comitê Gestor, destaca-se a elaboração de relatórios destinados aos estados e municípios, os quais deverão estar em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e a Lei 4320/64.

Nesse contexto, será necessária a revisão de vários procedimentos técnicos, entre os quais estão: 1) a definição de um modelo de previsão de receitas, considerando um novo estágio da receita, por causa do fato gerador - o fornecimento da mercadoria ou serviço; 2) a definição dos critérios de contabilização do cashback, mecanismo de devolução parcial dos tributos); e 3) a redefinição dos modelos de relatórios previstos na LRF.

Dessa forma, os impactos da reforma tributária evidenciam a necessidade urgente de reformulação das normas da Contabilidade Aplicada ao Setor Público voltadas à gestão fiscal, em especial da Lei 4320/1964 e da Lei de Responsabilidade Fiscal.

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 5/02/26. Opinião. p.15.

No "Messias", todos encontram a salvação (?)

Por Emanuel Freitas da Silva (*)

A instrumentalização do campo evangélico pelo bolsonarismo encontra algumas vozes dissidentes, que se expressam tanto no mercado editorial (vide as obras “E a verdade vos libertará”, de Ricardo Alexandre, e “Igreja Polarizada”, de Gutierres Siqueira) como nos púlpitos das igrejas e dos parlamentos.

Nestes, destacam-se o deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ) e o nosso estadual Apóstolo Luiz Henrique (REP).

Otoni tem sido a voz evangélica nacional mais estridente contra a captura das igrejas pelos próceres do bolsonarismo, incluindo, em suas críticas, Silas Malafaia.

Na sua empreitada para desvencilhar a fé cristã (evangélica) das amarras do bolsonarismo, o deputado chegou a um ponto muito interessante no último dia 29/01, em vídeo postado em suas redes, ao lembrar que a “manipulação” e “o engano” de pastores teriam sido “tão grandes” que os levou a fechar os olhos ao ato de “consagração do Brasil a Nossa Senhora” pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em vez de terem denunciado “o pecado da idolatria” cometido pelo “Messias”.

O leitor não entendeu? Explico: o deputado lembrou a seus irmãos de fé aquilo que se diz, diuturnamente, em muitos templos evangélicos desde a reforma protestante, ou seja, que católicos praticam “idolatria” ao “adorarem imagens” de Jesus, Maria, dos santos e dos anjos; tal “pecado”, como se dizem nas pregações evangélicas, não leva à salvação. Como, pois, denunciar o que faz um fiel católico e se calar diante de idolatria maior cometida pelo presidente que os evangélicos apontam como “cristão”?

Quem circula por ambientes católicos também escuta a exclusão de evangélicos do “reino” de Cristo, para onde alguns poucos irão. Carismáticos nomeiam como “falsas doutrinas” toda e qualquer denominação que não seja a própria Igreja, pois só esta tem “as chaves do céu”; o mesmo pode se ouvir nas pregações dos “tradicionalistas”, ambos animados pelo conteúdo da Declaração Dominus Iesus, assinada no ano 2000 por João Paulo II – “fora da Igreja Católica não há salvação”.

Mas, no Brasil vemos o milagre da união dos tidos como “idolatras”, por uns, com os tidos seguidores das “falsas doutrinas”, por outros, que põem fim às diferenças em nome da causa do “Messias”.

(*) Professor adjunto de teoria política da Uece/Facedi.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/02/26. Opinião. p.14.


sexta-feira, 6 de março de 2026

A epifania do Senhor: luz para todos os povos

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

Janeiro é o mês do recomeço. O calendário vira, os dias se renovam, e somos convidados a olhar para frente com esperança. Para nós cristãos, esse tempo não é apenas uma oportunidade de traçar metas e fazer promessas: é um chamado à conversão, à escuta de Deus e à vivência mais profunda da fé.

O tempo é um dos maiores dons que Deus nos concede. Cada segundo é uma oportunidade de amar, servir, crescer e se aproximar do Senhor. No entanto, muitas vezes vivemos como se o tempo fosse infinito, adiando decisões importantes, negligenciando relacionamentos e esquecendo que "o hoje" é tudo o que temos.

Por isso, Janeiro, por excelência traz a proposta de mudanças de renovação em nossa vida espiritual. Após as festas de fim de ano, é comum sentirmos um certo vazio ou cansaço. Mas Deus nos chama a recomeçar com Ele. A Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (1º de Janeiro), nos lembra que o ano começa sob o olhar materno da Virgem Maria, que nos conduz a Jesus.

Logo depois, somos convidados a contemplar com profundidade o mistério da Epifania do Senhor, uma das celebrações mais ricas e universais da nossa fé cristã. A palavra "Epifania" vem do grego epiphaneia, que significa "manifestação" ou "revelação". Jesus Cristo se manifesta como luz para todas as nações, como Salvador não apenas de Israel, mas de toda a humanidade.

A Solenidade da Epifania encerra o Tempo do Natal. Enquanto o nascimento de Jesus foi revelado aos pastores - representantes dos humildes e marginalizados de Israel - a Epifania marca a visita dos Magos do Oriente, que representam os povos gentios, os estrangeiros, os buscadores da verdade. Eles vêm guiados por uma estrela, símbolo da luz divina que brilha nas trevas e conduz os corações sinceros até o Salvador.

Este encontro entre os Magos e o Menino Jesus é profundamente simbólico: é o cumprimento das profecias que anunciavam que todas as nações viriam adorar o Messias (Is 2,2-3. 11,10. 60,3; Zc 14,16). É a confirmação de que o amor de Deus não conhece fronteiras, que o Cristo é universal, que a salvação é oferecida a todos.

Quem eram esses Magos? A tradição os chama de reis, e lhes atribui nomes: Gaspar, Melchior e Baltasar. Mais do que reis, eram sábios, estudiosos dos astros, homens que buscavam sentido para a existência. Eles representam todos os que são tocados pela graça e se põem a caminho.

O que os move? Uma estrela. Um sinal no céu. Deus fala também através da criação, e os corações atentos percebem. Eles não se contentam com o conforto de suas terras; enfrentam perigos, atravessam desertos, perguntam, erram, recomeçam. São peregrinos da fé. E quando finalmente encontram o Menino, não hesitam: prostram-se e O adoram.

Os presentes que os Magos oferecem - ouro, incenso e mirra - são cheios de significado:

* Ouro: símbolo da realeza. Jesus é Rei, mas não como os reis deste mundo. Seu trono é a cruz, seu cetro é o amor.

* Incenso: símbolo da divindade. Jesus é Deus, digno de adoração.

* Mirra: símbolo do sofrimento. Jesus é homem, destinado a sofrer por nós.

Esses presentes revelam quem é Jesus: verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Rei e Servo, Salvador e Sacrifício.

Celebrar a Epifania é mais do que recordar um evento do passado. É reconhecer que Deus continua se manifestando. A estrela ainda brilha. Os sinais ainda são dados. Mas é preciso ter olhos atentos e coração disponível.

Muitas vezes Deus se revela nas pequenas coisas: na beleza da natureza, na Palavra proclamada, na Eucaristia celebrada. A Epifania nos convida a sermos como os Magos: buscadores da verdade, adoradores do Mistério, generosos em nossa entrega.

A Epifania também nos ensina sobre conversão. Os Magos, depois de encontrarem Jesus, voltam por outro caminho. Isso não é apenas geográfico - é espiritual. Quem encontra o Cristo não pode seguir vivendo da mesma forma. A luz que brilha transforma, ilumina, purifica. A Epifania é convite à mudança, à renovação, à abertura ao novo.

Deixemo-nos guiar pela estrela da fé. Que possamos reconhecer os sinais de Deus em nossa vida, adorá-Lo com sinceridade, oferecer-Lhe o ouro do nosso amor, o incenso da nossa oração e a mirra dos nossos sofrimentos.

Que a luz de Cristo brilhe em nós e nos torne também manifestações do amor de Deus no mundo. Que sejamos estrelas que conduzem outros ao Salvador. E que, como os Magos, nunca deixemos de buscar, de caminhar, e de ser corações adoradores.

Desejo a todos um 2026 de bençãos, paz e prosperidade!

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 24/01/2026. Opinião. p.18.

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 861 Blog 6/02/26

Abro com uma historinha.

"Leu os livros errados"

Brasília, Congresso Nacional, 11 de abril de 1964. Castelo Branco não teve o voto de Tancredo Neves, seu amigo pessoal de longa data, companheiro na Escola Superior de Guerra, em 1956. Tancredo bateu o pé. Comunicou ao PSD que votaria em branco, apesar dos méritos e credenciais do general Castelo Branco. Questão de princípio: era contra o golpe. Não queria nem um minuto de regime militar, não abria mão da democracia. Conta-se que, esgotados todos os argumentos dos pessedistas para convencê-lo, o amigo e ex-chefe JK, então senador por Goiás, fez um apelo: "Mas, Tancredo, o Castelo é um sorbonniano, estudou na França. É militar diferente, um intelectual como você. Já leu centenas de livros!". Tancredo: "É verdade, Juscelino. Só que ele leu os livros errados".

Dois meses depois o governo cassou o mandato e os direitos políticos de JK, que partiu para o exílio e o sofrimento sem fim.

(Caso narrado por Ronaldo Costa Couto).

Vestiu a camisa do desenvolvimento e seu slogan "50 anos em 5" foi um sucesso. Colou. Seu sorriso era a estampa de um país feliz.

(História narrada por Isabel Lustosa)

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/416431/porandubas-n-861


quinta-feira, 5 de março de 2026

COMEMORAÇÃO DOS 139 ANOS DO INSTITUTO DO CEARÁ

Os sócios na solenidade de comemoração dos 139 anos de fundação do Instituto do Ceará em 4/03/26 (Foto compartilha pelo sócio Dr. Giçspn Moreira).

O Presidente do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico), SERIDIÃO CORREIA MONTENEGRO, conduziu a solenidade comemorativa dos 139 anos de fundação do INSTITUTO DO CEARÁ, que foi realizada no Instituto do Ceará, na noite de quarta-feira passada (4 de março de 2026).

A Mesa Diretora dos trabalhos contou com a presença do Presidente de Honra José Augusto Bezerra, dos ex-presidentes Lúcio Alcântara e Júlio Lima Verde, do associado remido Miguel Ângelo (Nirez), do associado efetivo Ésio de Souza, da Deputada Federal Fernanda Pessoa e do atual presidente Seridião Montenegro.

A fala em homenagem ao aniversário institucional foi de responsabilidade do do consócio José Filomeno Morais Filho, que brindou a audiência com um robusto e bem-urdido discurso repleto de referências históricas alusivas à Casa do Barão, notadamente vinculadas a sócios pioneiros.

Na oportunidade, foi apresentada e distribuída aos membros da mesa diretora e aos sócios presentes na sessão o número 139 da Revista do Instituto do Ceará, cuja coordenação editorial coube Gen. Júlio Lima Verde. Nela há, da nossa autoria, um ensaio intitulado “A História da Medicina do Ceará contada em livros”.

O Auditório Thomaz Pompeu Sobrinho esteve lotado de autoridades civis e militares, bem como de representantes de entidades culturais que, juntamente, contando com a larga presença de consócios, puderam desfrutam de uma noite repleta de simbolismo social e de enlevo cultural.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Do Instituto do Ceará

 

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