domingo, 30 de novembro de 2025

ESTUDANTES DE MEDICINA COMPOSITORES DO BRASIL

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

1 Noel Rosa

Noel de Medeiros Rosa (1910 - 1937). Nascido no bairro carioca de Vila Isabel, foi um dos mais importantes artistas da música no Brasil. Morto prematuramente aos 26 anos em decorrência de tuberculose, deixou um conjunto de canções que se tornaram clássicas dentro do cancioneiro popular brasileiro ("Último desejo", "Com que roupa?", "Feitiço da Vila", "Pierrô apaixonado", "Conversa de botequim", "O orvalho vem caindo" e outras).

Noel Rosa também compôs um samba e escreveu um soneto nos quais fez referências ao corpo humano e a uma enfermidade: "Coração (Samba anatômico)" e "Ao meu amigo Edgar", respectivamente.

"Coração"

"De sambista brasileiro / Quando bate no pulmão / Traz a batida do pandeiro."

http://www.youtube.com/watch?v=dZg-yexpGVw

Gravado por Noel na Odeon, em 1932, disco 10931-B, matriz 4473, foi feito um ano antes, quando ele estudava Medicina, com um erro crasso. Ao afirmar: "Coração, grande órgão propulsor / Transformador do sangue venoso em arterial". Em 1955, Nélson Gonçalves o regravaria com a letra corrigida para: "distribuidor do sangue venoso e arterial".

http://youtu.be/9-HT_JXHUVk (regravação)

"Ao meu amigo Edgar"

Em 27 de janeiro de 1935, Noel Rosa, doente (com tuberculose) em Belo Horizonte, enviou uma carta em versos a seu médico e amigo Edgar Graça Mello. Uma carta bem-humorada em que ele brincava e dizia que já estava melhor de saúde, mas que continuava com muito medo de tomar injeção. O original desta carta está nos arquivos que pertenceram ao pesquisador Almirante. Muito tempo após a morte de Noel, o sambista João Nogueira musicou-a, incluindo-a em seu LP "Vida boêmia" (EMI-Odeon, 1978).

Fonte: Songbook NOEL ROSA - Vol. 1, produzido por Almir Chediak.

 

"Já apresento melhoras pois levanto muito cedo
E deitar às nove horas pra mim já é um brinquedo
A injeção me tortura e muito medo me mete
Mas minha temperatura não passa de 37.

Nessas balanças mineiras de variados estilos
Trepei de várias maneiras e pesei 50 quilos
Deu resultado comum o meu exame de urina
Meu sangue noventa e um por cento de hemoglobina.

Creio que fiz muito mal em desprezar o cigarro
Pois não há material pro meu exame de escarro.
Até agora só isto para o bem dos meus pulmões

E nem brincando desisto de seguir as instruções.
Que o meu amigo Edgard arranque desse papel
O abraço que vai mandar o seu amigo Noel."

http://blogdopg.blogspot.com/2017/08/ao-meu-amigo-edgar.html

N. do E. "Cordiais saudações", de 1931, é outro samba-epistolar de Noel Rosa.

2 Belchior

Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes (1946 - 2017), nascido em Sobral, no Ceará, foi compositor, cantor, escritor e artista plástico. Estudou Medicina na Universidade Federal do Ceará, mas abandonou o curso no quarto ano, em 1971, para dedicar-se à carreira artística. Entre seus maiores sucessos estão "Apenas um rapaz latino-Americano", "Como nossos pais", "Paralelas", "Mucuripe" (com Fagner), "Galos, noites e quintais" e "Divina Comédia Humana".

http://gurgel-carlos.blogspot.com/2025/02/encontros-com-belchior.html

3 Zé Ramalho

José Ramalho Neto (1949 -), cantor e compositor. Nascido em Brejo da Cruz, na Paraíba, estudou Medicina na Universidade Federal da Paraíba, mas abandonou o curso no segundo ano, atraído pela carreira artística. É autor de "Avôhai", "Sinônimos", "Chão de giz", "Frevo Mulher" e outros sucessos musicais.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog EntreMentes em 23/02/2025.

https://blogdopg.blogspot.com/2025/02/medicos-compositores-do-brasil.html


MÉDICOS COMPOSITORES DO BRASIL

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

1 Zé Dantas

José de Sousa Dantas Filho (1921 - 1962), pernambucano de Carnaíba, médico obstetra e folclorista. Parceiro de Luiz Gonzaga em "Acauã", "Forró de Mané Vito", "Cintura fina", "Riacho do Navio", "A Volta da Asa Branca", "Xote das meninas", "Sabiá", entre outras canções.

2 Alberto Ribeiro

Alberto Ribeiro da Vinha (1902 - 1971), nascido no Rio de Janeiro. Compôs, em parceria com João de Barro, o "Braguinha", algumas das mais famosas marchas carnavalescas e juninas do Brasil. São de sua autoria: "Copacabana, princesinha do mar", "Yes, nós temos bananas", "Touradas em Madrid" e "Chiquita Bacana". Ele é nome de rua no Jardim Botânico, RJ.

3 Joubert de Carvalho

Joubert Gontijo de Carvalho (1900 - 1977), mineiro de Uberaba. Seu primeiro grande sucesso foi a marchinha "Taí (Pra você gostar de mim)", gravada pela jovem Carmen Miranda, em 1930. Compôs também "Minha casa", "Pierrot", com Paschoal Carlos Magno, e "Maringá", que inspirou o nome da cidade paranaense.

4 Paulo Vanzolini

Paulo Emílio Vanzolini (1924 - 2013) nasceu em São Paulo. Formado pela USP, com doutorado em Zoologia pela Universidade de Harvard, tornou-se médico em 1947. Seu primeiro LP: "11 Sambas e uma Capoeira". Foi com "Ronda", "Volta por cima", "Samba erudito e "Praça Clóvis" que este descendente de italianos firmou seu nome na MPB.

5 Aldir Blanc

Aldir Blanc Mendes (1946 - 2020), carioca do Estácio, médico psiquiatra. Com João Bosco, seu principal parceiro, compôs "O Bêbado e A Equilibrista", "Dois pra lá, dois pra cá", "Transversal do tempo", "Mestre-Sala dos Mares" etc. Foi colaborador de "O Pasquim", do jornal carioca "O Dia" e de "O Estado de São Paulo". Publicou alguns livros, dentre eles "Rua dos Artistas e arredores", “Brasil passado a sujo", "Vila Isabel" e "Inventário da infância".

6 Janduhy Finizola

Janduhy Finizola da Cunha (1931 - 2024), natural de Jardim do Seridó-RN. Publicou livros de poesia e compôs canções para grandes nomes do forró. Seu trabalho musical mais famoso é a trilha da "Missa do vaqueiro", solicitada por Luiz Gonzaga, que o apelidou de "Doutor do baião"

7 Capinan

José Carlos Capinan (1941 -) baiano de Entre Rios, é formado em artes cênicas, direito e medicina. Ligado ao Movimento Tropicalista, Capinan, escreveu as letras de "Soy louco por ti América", de Gilberto Gil, "Clarice", de Caetano Veloso, e "Gotham City", de Jards Macalé. Também compôs "Ponteio", com Edu Lobo, "Coração Imprudente", com Paulinho da Viola, "Moça Bonita", com Geraldo Azevedo, "Papel Marchê", com João Bosco e "Cidadão", com Moraes Moreira. É imortal da Academia de Letras da Bahia.

8 Geraldo Bezerra

Geraldo Bezerra da Silva (1949 -), cearense de Jaguaribe, médico obstetra, escritor e pesquisador. Foi presidente da Sobrames, regional Ceará, sucedendo-me neste cargo. Autor de "Volta, Luiz" (com José Carlos e Zé de Manu) e "Verdade absoluta" (com José Carlos), título de um LP de José Carlos Albuquerque.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog EntreMentes em 23/02/2025.

https://blogdopg.blogspot.com/2025/02/medicos-compositores-do-brasil.html


sábado, 29 de novembro de 2025

Comenda Dr. Waldemar Alcântara – ICC 2025

Fui distinguido ontem, 28/11/2025, por ocasião da Solenidade alusiva ao aniversário dos 81 anos de fundação do Instituto do Câncer do Ceará (ICC), realizada em Fortaleza, no Auditório Lúcio Alcântara do ICC, com a “Comenda Dr. Waldemar Alcântara”.

Trata-se de uma honraria que reconhece e homenageia aqueles que, de forma significativa, contribuíram para a construção e evolução da Rede ICC, conferida, por decisão unânime, pelo ICC, em reconhecimento dos anos de dedicação e contribuição permanente.

Nesse ano de 2025, o ICC reconheceu e homenageou com a Comenda Dr. Waldemar Alcântara dois colaboradores considerados importantes para a instituição, no caso a física-médica Rebecca Mourão e o médico Marcelo Gurgel.

O texto da placa a mim entregue, motivo de júbilo e da minha gratidão, contém os seguintes dizeres:

“Ilustre Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Você representa uma verdadeira fonte de inspiração para todos da Rede ICC Saúde. Sua atuação perpetua o legado de cuidado dos nossos fundadores. Seu entusiasmo profissional nos relembra o potencial transformador que possuímos quando aliamos conhecimento científico, excelência e empatia.

Expressamos nossa mais sincera gratidão, cientes de que o seu comprometimento e a sua excelência funcional não apenas honram o legado do Dr. Waldemar Alcântara, mas também de todos os fundadores da Rede ICC Saúde, e nos inspira a elevar o padrão da oncologia, deixando um marco eterno na história da saúde brasileira.

Com sincera estima e reconhecimento,

Sérgio Juaçaba - Presidente da Rede ICC Saúde

Fortaleza, 28 de novembro de 2025

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico do Instituto do Câncer do Ceará


O Silêncio da Saudade e o Sopro da Esperança

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

Novembro é um mês que nos convida a refletir sobre a vida, a morte e a esperança que nos é oferecida em Cristo. O mês começa com duas celebrações que nos tocam profundamente: o Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados. Uma nos aponta o céu; a outra nos faz encarar a condição terrena nos lembrando da fragilidade da existência humana, e de algo que ninguém pode evitar. Juntas, elas nos fazem contemplar o mistério da vida, da morte e da santidade.

Celebrarmos todos os santos, conhecidos e anônimos, que viveram com fidelidade o Evangelho, nos recorda que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação de todos. Os santos são aqueles que, mesmo em meio às tribulações e falhas, mantiveram os olhos fixos em Cristo.

Este mês é também um convite à reconciliação. Com Deus, com os outros, e com a própria vida. Visitar os cemitérios, acender velas, rezar pelos que partiram, tudo isso nos lembra que somos peregrinos. Que a vida é breve. E que o tempo é um dom sagrado, um presente que Deus nos oferece e que nunca podemos recuperar. Ao entender que nossos dias são limitados, somos convidados a viver com propósito, rever nossas prioridades e buscar o que realmente importa, como disse o Salmista: "Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio" (Sl 89/90, 12).

A perda de alguém que amamos é uma ferida que não cicatriza com o tempo, mas com a graça. É uma das experiências mais dolorosas que podemos enfrentar. A angústia da perda é um sinal de que amamos profundamente. Parece que dormimos e acordamos com a dor dentro de nós, e ela nos acompanha onde quer que estejamos e isso faz parte do luto, que é um processo natural, e é importante viver todas as suas fases, reconhecendo a dor que sentimos.

Choramos, sim, e devemos chorar. Um dos versículos mais curtos e profundos de toda a Escritura, diz simplesmente: "Jesus chorou." (Jo 11,35). Diante da morte de Lázaro, mesmo sabendo que o traria de volta a vida, Jesus se comove com o sofrimento de Maria e Marta, e chora. O Senhor não é indiferente à dor, mas compartilha dela e nos convida a buscar conforto Nele.

Não há vergonha em sofrer. No entanto, como cristãos, somos chamados a olhar além da dor e da tristeza. A nossa fé nos ensina que a morte não é o fim, mas uma passagem para a vida eterna, como nos garantiu Jesus: "Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá." (Jo 11,25-26). Essa é a esperança que nos sustenta. A morte não tem a última palavra. Em Cristo, a vida é mais forte que a morte. Essa fé e certeza não é uma fuga da realidade, mas a força que nos permite enfrentá-la.

Perder é parte da existência. Esperar e acreditar mesmo em meio à dor, é um ato de coragem. E viver, apesar de tudo, é o maior tributo que podemos oferecer àqueles que se foram, mas principalmente aos que estão a nossa volta e a nós mesmos.

Se você está vivendo um luto, saiba que não está só. Deus caminha com você. Que a dor não te endureça, mas te fortaleça. Não ignore a saudade. Mas, também nunca se esqueça da promessa: "Ele enxugará toda lágrima de seus olhos, e não haverá mais morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque as coisas antigas passaram" (Apo 21,4).

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 1/11/2025. Opinião. p.16.

CONVITE: Confraternização Natalina e Celebração Eucarística da SMSL - 2025

 

A Diretoria da SOCIEDADE MÉDICA SÃO LUCAS (SMSL) convida a todos para participarem da Confraternização Natalina e da Celebração Eucarística do mês de Novembro/2025, que serão realizadas HOJE (29/11/2025), às 19h, na Igreja de N. Sra. das Graças, do Hospital Geral do Exército, situado na Av. Des. Moreira, 1.500 – Aldeota, Fortaleza-CE.

CONTAMOS COM A PRESENÇA DE TODOS!

MUITO OBRIGADO!

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


sexta-feira, 28 de novembro de 2025

CONVITE: Comenda Dr. Waldemar Alcântara

Prezado Dr. Marcelo Gurgel,

A Rede ICC Saúde tem a honra de convidá-lo para a solenidade comemorativa dos 81 anos do Instituto do Câncer do Ceará, ocasião em que prestaremos uma homenagem especial à sua trajetória.

Desde 1974, sua dedicação à nossa instituição vai muito além da medicina. O senhor se tornou o guardião da nossa memória, preservando, com rigor e sensibilidade, cada capítulo da história que nos trouxe até aqui. Seus livros, registros e pesquisas mantêm viva a essência do ICC e asseguram que nosso legado seja reconhecido, valorizado e transmitido às futuras gerações.

Será uma honra contar com sua presença nesse momento tão significativo para todos nós.

Com gratidão e admiração,

Sérgio Juaçaba

Presidente da Rede ICC Saúde

Nota: A Comenda Dr. Waldemar Alcântara será entregue em 28 de novembro de 2025, às 8h30, em solenidade a ter lugar no Auditório Gov. Lúcio Alcântara no Anexo II do ICC.


FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 852a

Fragmentos de tempos idos

Volto, nesta coluna, a pinçar ecos do passado.

Cordeiro de Farias

Travei contato com uma figura que, na ditadura, foi ministro do Interior de Castello Branco, o Marechal Cordeiro de Farias, um dos líderes da Coluna Prestes. Foi a Recife como ministro do Interior, onde estava localizada a SUDENE, sob sua alçada. Oportunidade em que o conheci, iniciante em minha carreira jornalística no Jornal do Brasil. Acompanhei a comitiva, que saiu de Recife para a fronteira do Maranhão com o Piauí, onde seria construída a barragem da Boa Esperança. O evento constou da explosão de uma rocha para desvio de águas do Rio Parnaíba. Os jornalistas pregaram um Douglas DC-3, atrás do avião do ministro e outras autoridades. Nas margens do rio, receoso, aproximei-me de Cordeiro de Farias, logo após a explosão da pedra. Lembrei o episódio. "Luís Gomes? Na fronteira com a Paraíba? Ah, sim, me lembro". Ele recordava-se da cidade/região, não do episódio. Riu muito. A Coluna Prestes caminhou 647 dias, percorrendo cerca de 24 mil quilômetros (média de 38 km/dia), utilizando mais de 100.000 cavalos e consumindo mais de 30.000 reses na alimentação da tropa. Morreram 600 soldados e 70 oficiais. Dispararam cerca de 350.000 tiros e travaram 53 combates. Saiu do Nordeste, atravessou todo o país e após o centro-oeste, Luís Carlos Prestes, em 1927, entrou na Bolívia e, a seguir, foi para a Argentina. A divergência ideológica, em 1930, separou os companheiros.

Getúlio Vargas

Getúlio Vargas sempre conservou intenções continuístas. Um dia, foram procurá-lo para saber se isso era verdade. E ele:

- Não, meu candidato é o Eurico (marechal Eurico Gaspar Dutra); mas se houver oportunidade, eu mudo uma letra: Eu Fico.

(Relato da historiadora Isabel Lustosa)

Jânio Quadros

JQ exercia autoridade com muita competência. Sabia exercê-la. Certa feita, na subida da rua Bela Cintra, em São Paulo, numa sexta-feira, de carros parados nos Jardins, começou uma zoeira infernal. Buzinadas prolongadas. Eu mesmo buzinava. Até o momento em que os motoristas viram sair de um carro preto o prefeito Jânio, que fazia "incertas" e visitas de surpresa aos ambientes. Mandava multar os donos de lojas, com calçadas sujas. Vi que o motorista do então prefeito Jânio anotava placas de todos os carros que buzinavam. O silêncio foi se refazendo, à medida que os motoristas descobriam quem era a pessoa estranha que ordenava as multas. Jânio impunha respeito.

Bebericava bem

Apreciava a bebida. Bebia de tudo, mas nos últimos anos de vida, contentava-se em sorver garrafas de vinho do porto. Quando disputou o governo do Estado contra Ademar de Barros, na eleição de outubro de 1954, Ademar contratou alguém para pegar Jânio na pergunta capciosa: "por que o senhor bebe tanto?" De pronto, Jânio deu o troco: "bebo porque é líquido. Se fosse sólido, comê-lo-ia". O entrevistador, sem graça, saiu de fininho. Jânio fazia gama com suas próclises, mesóclises e ênclises. Foi professor de português. Os despachos de Jânio constituem um capítulo à parte no folclore político que construiu. O professor Nelson Valente, quem mais conhece a história de JQ, tem um grande repertório de casos e "causos". E livros. As historinhas são hilárias. De uma feita, respondendo a uma senhora que interferia em favor das sociedades protetoras dos animais, sugerindo criar um setor de defesa dos irracionais, o presidente respondeu: "minha amiga, seu apelo em favor dos irracionais encontra-se às voltas com terríveis problemas de amparo e proteção a outra raça tão digna, entre nós, de cuidado, a dos racionais".

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/409594/porandubas-n-852


 

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