sábado, 31 de outubro de 2026

PARTICIPAÇÃO NA ANTOLOGIA “FORTALEZA EM DOSE PLENA”

Os autores sobramistas presentes no lançamento da antologia “Fortaleza em Dose Plena”, da Sobrames/CE, ocorrido no Centro de Eventos do Ceará, em 30/10/2026. (Fotografia cedida por Orlania Dutra).

Aconteceu na noite de ontem (10/10/25), no Centro de Eventos do Ceará durante o XXXVII Outubro Médico, o lançamento de Fortaleza em dose plena, a Antologia da Sobrames de 2025, produzida sob a nossa organização, em colaboração com a secretária Orlânia Dutra, reunindo contribuições literárias de 61 sobramistas, dos quais 55 médicos.

Além da apresentação da obra e de duas homenagens póstumas, nela publiquei seis causos inéditos da nossa autoria, todos eles relacionados com Fortaleza, que neste ano comemora seus 300 anos São eles: “Vadiagem e viadagem nos tempos do “homem da lata” em Fortaleza” (p.212-212), ”Barreira versus Severiano” (p.213-214), “A rifa do avião da FAB em Fortaleza” (p.214-215), “Secretário defende consumo de ratos” (p.215-216), “O pênalti perdido” (p.216-216) e “Sessão ou seção” (p.217-217).

Esse material será postado, oportunamente, neste blog, observando a sequência citada.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Organizador da Antologia da Sobrames/CE

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Quando a esperança precisa de companhia

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

Setembro nos apresenta duas convocações distintas. A Igreja no Brasil celebra o Mês da Bíblia, iluminado em 2026 pelo Livro de Daniel; a sociedade vive o Setembro Amarelo, dedicado à prevenção do suicídio e à saúde mental. Ambas, porém, nos levam à mesma pergunta: como permanecer ao lado de quem atravessa a noite?

Daniel nasce da experiência de um povo no exílio, sob poderes aparentemente invencíveis. Seu anúncio — "Seu reino jamais será destruído" — não foge da realidade. Afirma que nenhuma circunstância possui a palavra definitiva sobre a vida. A esperança bíblica não ignora o medo nem encobre a dor; abre espaço para atravessá-los em companhia.

Precisamos compreender que a fé não exige de ninguém uma aparência de fortaleza. Há sofrimentos que pedem oração; há outros que necessitam de acompanhamento psicológico ou médico; muitas vezes, precisam de tudo isso junto. Procurar ajuda não revela falta de fé. Pode ser, ao contrário, um gesto de lucidez, humildade e coragem.

A espiritualidade inaciana ensina a reconhecer os movimentos interiores: aquilo que amplia a vida e aquilo que nos fecha na solidão, na desesperança e no silêncio. Discernir não é observar a vida à distância, mas escutar com honestidade o que se passa em nós e permitir que alguém se aproxime. Deus também cuida pela ciência, pelos profissionais da saúde, pelos amigos e pelas comunidades capazes de acolher sem julgar.

Neste Setembro Amarelo, a Igreja é chamada não apenas a falar sobre a vida, mas a se tornar presença que a protege. Isso exige comunidades atentas, o abandono de respostas simplistas e a compreensão de que frases religiosas, quando usadas para apressar a dor do outro, podem aumentar seu isolamento. Muitas vezes, o cuidado começa quando deixamos de explicar e escolhemos permanecer.

O Livro de Daniel recorda que os impérios passam e que o Reino de Deus se manifesta onde a dignidade resiste. Talvez uma das expressões mais concretas desse Reino, hoje, seja uma pessoa dizendo a outra: "Você não precisa enfrentar isso sozinho". Pedir ajuda é abrir uma fresta para a esperança. Oferecê-la é fazer da fé uma companhia viva.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 24/09/2026. Opinião. p.14.


FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 741

Armado de admiração

Tenório Cavalcanti, udenista e adversário político de Vargas, foi ao Catete numa comissão de deputados. Andava nas manchetes dos jornais por causa de suas estripulias em Caxias, na base da "Lourdinha" (metralhadora) e da capa preta. Getúlio o cumprimentou, olhou bem para o volume do revólver embaixo do braço esquerdo, sob o paletó:

– Deputado, o senhor está armado?

Tenório ficou vermelho, mas não perdeu o bote:

- Armado de admiração por Vossa Excelência.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/357021/porandubas-n-741


quinta-feira, 29 de outubro de 2026

DUAS FACES DO MESMO ESPIGÃO

Por Magda Almeida (*)

De um lado do Espigão do Náutico, a Prefeitura de Fortaleza anunciou uma nova piscina de raias no mar, celebrando o esporte e a valorização da orla. Do outro, uma galeria pluvial despeja um líquido escuro e espumoso que atravessa a faixa de areia e chega diretamente ao mar. As duas cenas, separadas por poucos metros, revelam uma contradição da cidade da Luz.

Investir em espaços para esportes aquáticos é uma iniciativa importante. Temos uma relação histórica, econômica e afetiva com o mar. Incentivar a atividade física, o turismo e a ocupação qualificada dos espaços públicos merece reconhecimento.

O próprio boletim de balneabilidade considera o lado esquerdo próprio para banho e o lado direito, impróprio. O espigão pode alterar a circulação da água e dificulta a dispersão do que é lançado do outro lado, mas não elimina o problema

A questão central permanece sem resposta. A galeria é destinada ao escoamento de águas pluviais, mas existem ligações clandestinas de esgoto na rede de drenagem? Há contaminação fecal, microrganismos patogênicos ou substâncias químicas? Água, areia e sedimentos próximos ao ponto de lançamento estão sendo monitorados de forma sistemática? Quais análises foram realizadas e quais os resultados? Sem essas respostas, a população permanece exposta e privada do direito de decidir, com segurança, se deve entrar no mar.

Os impactos vão muito além dos banhistas. A área é utilizada diariamente por nadadores, praticantes de canoa havaiana, caiaque, stand up paddle, pescadores, turistas, comerciantes e trabalhadores. Também podem atingir a fauna marinha, comprometendo peixes, crustáceos, moluscos, algas e outros organismos que sustentam o equilíbrio do ecossistema costeiro.

A segurança alimentar também merece atenção. Não se pode afirmar, sem evidências, que os pescados daquela região estejam contaminados, mas também não é aceitável presumir que estejam seguros sem monitoramento e divulgação dos resultados.

Caso seja confirmada alguma fonte de poluição, a população precisa saber quais providências estão sendo adotadas. Transparência significa investigar, divulgar os achados de forma acessível e sinalizar adequadamente os riscos quando eles existirem.

Saúde ambiental não é pauta ideológica. É uma responsabilidade compartilhada entre Prefeitura, órgãos ambientais e sanitários, concessionária de esgotamento e órgãos de controle.

A piscina de raias pode se tornar um importante legado para Fortaleza. Mas, antes de convidar a população a nadar, é indispensável garantir água limpa e banho seguro para quem frequenta diariamente o outro lado da muralha de pedras. Um mesmo espigão não pode separar a cidade da propaganda, da cidade que vive o mar todos os dias.

(*) Médica de Família e Comunidade. Professora da Famed/UFC. Gestora pública.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/09/2026. Opinião. p.19.


quarta-feira, 28 de outubro de 2026

ETNOPSIQUIATRIA: novos desafios em saúde mental

Por Pe. Rino Bonvini (*)

O Movimento Saúde Mental (MSM) celebra este ano 3 décadas de sua missão socioterapêutica de múltiplo impacto. Desde 1996 acolhe, escuta e cuida de pessoas que buscam transformar o sofrimento psíquico em oportunidade de evolução biopsicossocioespiritual. A Abordagem Sistêmica Comunitária é a metodologia que integra as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) a diversas atividades terapêuticas.

Desde 2007, o MSM estende suas atividades à aldeia indígena Pitaguary, em Maracanaú. Essa experiência intercultural será apresentada na XLVIII Jornada Cearense de Psiquiatria, de 16 a 19 de setembro, com o tema "Estratégias para Fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial".

Na abertura, a apresentação das crianças Pitaguary, dançando o Toré e cantando em Tupi, evocou a beleza e a potência da cultura indígena. A presença de lideranças indígenas na mesa "Desafios para a Saúde Mental dos Povos Originários e das Periferias Existenciais", no dia 18, ofereceu um lugar de fala para partilhar experiências, sonhos e a potência da IA - Inteligência Ancestral -, tão necessária à sobrevivência do planeta.

O desafio de uma psiquiatria que supera o modelo biomédico e hospitalocêntrico, atualizando a reforma psiquiátrica na rede pública de saúde, inclui acolher os povos originários com uma abordagem etnopsiquiátrica. O respeito e a valorização da cosmologia e da espiritualidade indígenas favorecem a integração do saber acadêmico com a sabedoria ancestral, que traz elementos terapêuticos peculiares, potencializa a cura dos transtornos mentais e favorece a prevenção do suicídio.

Sintomas intensos são ressignificados dentro do universo cosmológico, e percepções extrassensoriais não são vistas simplesmente como sintomas clínicos, mas compreendidas como experiências de evolução biopsicossocioespiritual.

Os pajés acolhem a etnopsiquiatria como coadjuvante nos processos de cura, entendendo que, quando necessário, os remédios psicotrópicos podem salvar a vida da pessoa. Por sua vez, o etnopsiquiatra entende que acolher rituais, orações, cantos, danças, tambores e as interpretações transcendentes dos sintomas, com liberdade para usar a medicina popular tradicional e suas ervas junto aos remédios prescritos, proporciona uma cura integral dos transtornos psiquiátricos. As duas visões dialogam e se integram.

(*) Médico psiquiatra e padre missionário comboniano.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/09/2026. Opinião. p.16.


terça-feira, 27 de outubro de 2026

Convite: Lançamento da Antologia “FORTALEZA EM DOSE PLENA”

A Diretoria da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames/CE) convida para o lançamento de “Fortaleza em dose plena”, a quadragésima-quarta antologia anual da Sobrames-CE.

O livro é prefaciado pelo médico pediatra e escritor Dr. Pedro Bezerra de Araújo, ilustre membro da Academia Cearense de Ciências Sociais e da Academia Cearense de Letras e Jornalismo, e conta com 61 autores participantes.

Local: Centro de Eventos do Ceará (Durante o Outubro Médico).

Av. Washington Soares, 999 – Bairro Edson Queiroz – Fortaleza.

Data: 30 de outubro de 2026 (sexta-feira) Horário: 17h.

Traje: Esporte fino.

Obs.: Após o lançamento transcorrerá a cerimônia de abertura do XXXVII Outubro Médico.

Maria Sidneuma Melo Ventura

Presidente da Sobrames-CE


Cariri ultrapassa 60 mil empreendimentos ativos na economia

Por Rita Fabiana Arrais (*)

A Região do Cariri consolida-se como um dos principais pólos empresariais do interior do Ceará. Com um grande número de empresas ativas e forte expansão na abertura de novos negócios, Juazeiro do Norte ocupa posição central nesse processo e lidera a região na atração de novos empreendimentos, reforçando seu protagonismo no comércio, nos serviços e nos investimentos privados.

Dados do Observatório Sebrae Cariri (2026) revelam que a Região alcançou um expressivo número de 60.275 estabelecimentos ativos no final do primeiro semestre deste ano.

A cidade de Juazeiro do Norte é a líder nos tópicos de geração de emprego e de quantidade de negócios (27.900 estabelecimentos ativos), representando, isoladamente, 46,5% da totalidade regional, enquanto a cidade do Crato atinge o melhor quantitativo de estabelecimentos ativos com 7.125.

Convém salientar - dados da economia juazeirense - dessa totalidade 30,9% direciona-se ao comércio varejista que contabiliza 18.936 estabelecimentos ativos - e tal volume decorre das modificações a longo prazo que ocorreram neste setor - que não atende apenas ao mercado local, mas funciona como uma atividade econômica de alcance regional, capaz de atrair investimentos nos mais distintos setores comerciais.

O setor varejista juazeirense possui características bem definidas como: centralidade regional, grande fluxo de consumidores, potencialidade elevada do mercado, oferta de mão -de- obra qualificada e infraestrutura adequada.

Esse cenário permite ao investidor realizar análises concretas de viabilidade comercial, volume de capital a ser investido e a projeção de faturamento mensal/anual. Logo, impulsiona a credibilidade econômica da Região.

Fatores economicamente positivos podem ser percebidos através do avanço do setor varejista, como a concorrência, a inovação e o aumento da oferta de produtos e serviços. Por outro lado, é preciso a solidez da demanda dos consumidores, a constância do acesso ao crédito, uma infraestrutura e ambiente econômico desenvolvidos. Merece um ponto de reflexão perceber a necessidade do setor do varejo mais integrado ao restante do Cariri, proporcionando uma geração e distribuição de riqueza regional.

Isso mostra- se como um desafio para a Região Metropolitana do Cariri, já que envolve a descentralização e a conectividade urbana a uma infraestrutura logística que engloba mercados tradicionais, como as cidades de Crato e Barbalha, a um fluxo de consumo integrado ao polo diversificado como Juazeiro do Norte.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 25/09/26. Opinião. p.15.


 

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