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quinta-feira, 2 de setembro de 2021

MEDICINA E IDEOLOGIA

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

Basear-se em artigos publicados em periódicos especializados. Essas publicações são obrigadas a contar com peritos nas mais diversas áreas da Medicina.  A revista médica Lancet, um dos mais antigos periódicos médicos (lançada em 5 de outubro de 1823), atualmente está em segundo lugar em importância (conferir em 2018 Journal Citation Reports®, Clarivate Analytics 20190). A primeira colocada é a americana New England Journal of Medicine entre 160 periódicos médicos indexados. O artigo intitulado Retirada de médicos cubanos do Brasil pode afetar a saúde (The Lancet, vol. 392, No. 10161, p2255) [29 de setembro de 2019], levou-me a escrever este comentário sobre o trato com a atenção básica de saúde.

Em 2013, o Brasil criou o programa Mais Médicos para prestar assistência medicinal às populações de áreas remotas do país. De 2013 a 2018, mais de 18.000 médicos passaram a atuar no tal programa, sendo que desses 14.000 eram cubanos. A Administração Federal do Brasil pagava cerca de 10.000 reais (aproximadamente US$ 2.460) por mês por cada cubano participante do Mais Médicos. No entanto, os médicos cubanos recebiam 30% desse valor, enquanto que 70% eram repartidos entre o governo cubano e a Associação Pan-Americana da Saúde. Os médicos cubanos, pessoas amistosas e resignadas, viviam no Brasil confinados, sem liberdade de ir e vir, recebendo algo como 30% do que auferem seus colegas brasileiros.

No ano passado, o recém-eleito presidente brasileiro Jair Bolsonaro exigiu uma revisão do contrato entre os dois governos. “Condicionaremos a continuação dos [médicos cubanos no] Mais Médicos à aprovação de um teste de competência, salário integral para profissionais cubanos, agora em grande parte destinados à ditadura, e a liberdade de trazer suas famílias [para o Brasil]”. Recusando-se a aceitar as novas regras impostas, Cuba retirou seus profissionais médicos do Brasil em dezembro do ano passado”. The Lancet, vol. 392, No. 10161, p2255).

Como professor de Medicina, pergunto:

O que poderá fazer um médico isolado em uma pequena cidade do interior neste imenso subcontinente brasileiro, sem equipe e com falta total de equipamentos sanitários?  O médico pode ser o elemento mais importante, porém faltando os demais profissionais de saúde, não poderá fazer muita coisa.

Alegam os defensores desse “Mais Médicos” ser ele melhor do que médico nenhum. Disto não tenho muita certeza. Antes gostaria de frisar que o grito do povo por mais médicos é a expressão do desespero da população, pois as pesquisas apontam para a Saúde como a segunda causa de insegurança, precedida pela criminalidade (durante o ano de 2016 o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios, segundo informações do Ministério da Saúde). Mas voltando à assistência medica, estou certo de que se tornam necessários, além de médicos, infraestrutura, boa remuneração com os vínculos trabalhistas legais, além do auxílio de profissionais de saúde de outras áreas e participantes das equipes de assistência à população.

O governo atual, respeitando as posições ideológicas de cada um, pode amenizar o padecimento hoje interminável de 150 milhões de usuários do SUS, a um custo irrisório, cerca de R$ 4,5 bilhões por ano. Menos de 5% do Orçamento federal destinado à saúde e muito pouco, perto dos R$ 88 bilhões surrupiados somente da Petrobras.

A óbvia transgressão dos direitos dos médicos que ocorria no programa Mais Médicos foi agravada por outra ilegalidade intrigante. O governo brasileiro transferia para Cuba um adicional de R$ 1 bilhão ao ano, além dos salários dos médicos. Para comprovar o absurdo dessa transferência, bastaria olhar os corredores de nossos principais hospitais apinhados de pacientes em corredores, macas, chão, pior do que os hospitais de guerra onde, apesar de improvisados, não havia esse caos.

Em razão de uma luta de muitos anos desenvolvida pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) e outras entidades médicas contra essa bandidagem cubana, a Administração Federal lançou recentemente o Programa Médicos pelo Brasil, que, se não o ideal, procura atender ao grande problema de alocar médicos às regiões mais carentes do país, sem ferir os direitos primordiais da pessoa humana. O programa priorizará as pequenas e médias cidades. Além disso, quase 60% dos médicos estarão nas regiões Norte e Nordeste. No total, serão 18 mil médicos em 3 mil municípios. O processo seletivo, eliminatório e classificatório contemplará duas funções básicas: médicos de família para atender diretamente as comunidades e tutor médico.

Muitos pedem Medicina, mas poucos têm a ética de um médico. Por isso, antes de mais nada, renunciemos às ideologias. Acabemos com a polarização (extremismo) sobretudo a ideológica, que não deve influenciar na promoção da saúde das pessoas.  Não esquecer que alienação é a diminuição da capacidade dos indivíduos de pensar ou agir por si próprios e passar a considerar ideias pré-estabelecidas, não aceitando diálogo com todos. Termino com a oração do médico composta por Maimônides, rabino, médico, nascido em Córdoba (1138-1204), adotada como juramento em algumas escolas médicas norte-americanas, no lugar do de Hipócrates (460 a.C -377 a.C.).

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

ENTERRO EM CUBA


Em Cuba, toda a família se surpreendeu quando chegou de Miami o caixão com o cadáver de uma tia muito querida.
O corpo estava tão apertado no caixão que o rosto parecia colado no visor de cristal ....
Quando abriram, encontraram uma carta presa na roupa com um alfinete, que dizia assim:
"Queridos pais:
Estou enviando os restos de tia Josefa para que façam o seu enterro aí em Cuba, como era seu desejo.
Tenho muita pena de não poder acompanhá-la, mas vocês compreenderão que tive muitos gastos com todas as coisas que vos envio.
Dentro do caixão, por baixo do corpo, vão encontrar o seguinte:
- 12 latas de atum Bumble Bee
- 12 frascos de condicionador
- 12 de shampoo Paul Mitchell
- 12 frascos de Vaselina Intensive Care (muito boa para a pele. Mas não serve para cozinhar !!!)
- 12 tubos de pasta de dentes Crest
- 12 escovas de dentes
- 4 latas de chouriço El Miño.
Repartam sem brigas com a família !!!
Nos pés da tia estão um par de ténis Reebok novos, tamanho 39, para o Joselito (desta vez é para ele, pois com o cadáver do tio não se mandou nada para ele, e ele ficou amuado).
A tia está vestida com 10 camisetas Ralph Lauren. Uma é para o Pepito e os demais para os seus filhos e netos.
Leva também 12 soutiens Wonder Bra para dividirem entre as mulheres.
Vão também 20 vernizes de unhas Revlon que estão nos cantos do caixão.
As três dezenas de calcinhas Victoria's Secret devem ser repartidas entre as minhas sobrinhas e primas.
A tia também está vestida com nove calças Docker's e 3 jeans Lee. Pai, fique com 3 e as outras são para os meninos.
O relógio suíço que o pai me pediu está no pulso esquerdo da tia. Ela também leva tudo o que a Mãe pediu - pulseiras, anéis, etc.
O colar que a tia tem posto é para a prima Rebeca, e também os anéis que ela tem nos pés.
Os oito pares de meias Chanel que ela veste são para repartir entre as conhecidas e amigas ou, se quiserem, para as vender. Mas por favor, não briguem por causa destas coisas.
A dentadura que pusemos na tia é para o Avô, que apesar de não ter muito que mastigar, com ela sempre se dará melhor (que ele a use, custou caro).
Os óculos bifocais são para o Alfredito, pois são do mesmo grau que ele precisa.
Os aparelhos para surdez que ela tem nos ouvidos são para a Carola. Não são exatamente aqueles de que ela necessita, mas que os use mesmo assim, porque são caríssimos!
Os olhos da tia não são os dela, são de vidro. Tirem-nos e nas órbitas vão encontrar a corrente de ouro para o Gustavo e o anel de brilhantes para o casamento da Katiuska.
A peruca platinada, com reflexos dourados, que a tia usa também é para a Katiuska, que vai brilhar, linda, no seu casamento !!!
Com amor, vossa filha Carmencita.”
PS 1 - Por favor arranjem uma roupinha decente para vestir a tia para o enterro e mandem rezar uma missa pelo descanso de sua alma, pois realmente ela ajudou, mesmo depois de morta. Como vocês repararam o caixão é de madeira boa (não entra caruncho). Podem desmontá-lo e fazer os pés da cama da mãe e outros consertos em casa. O vidro do caixão serve para fazer uma moldura para a fotografia da Avó que está, há anos, a precisar de uma nova. Com o forro do caixão, que é de cetim branco (US$ 20,99 o metro), a Katiuska pode fazer o seu vestido de noiva. Na alegria destes presentes, não esqueçam de vestir a tia para o enterro!!!
PS 2 - Com o desgosto da morte de tia Josefa, a tia Bianca ficou doente. Façam os pedidos com moderação! Bicicletas não cabem nem desmontadas e de carburador de Niva, modelo 1968, aqui ninguém ouviu falar!!!
Com amor, Carmencita.
Fonte: Internet (circulando por e-mail em setembro de 2004 e i-phones recentemente). Sem autoria explícita e com títulos diversos.

sábado, 3 de dezembro de 2016

MORRE O GRANDE DITADOR


Por Barros Alves (*)
Seis décadas de tirania deixaram a ilha mais pobre em economia e liberdade
A morte não santifica os maus nem concede virtuosidade aos cafajestes. Por isso, em face do passamento do mais cruel ditador latino-americano do século XX, Fidel Castro, esqueço o axioma latino que ensina não se falar dos mortos a não ser de bem (De mortuis nil nisi bonum). Prometendo o paraíso, o revolucionário de Sierra Maestra chega ao poder em 1959. Desde então, Cuba vive sob um governo comunista que castrou as liberdades e ainda usa o terror como política de Estado. Fidel soube usar seu carisma pessoal para conquistar um séquito de ingênuos e mal informados, por um lado; de militantes de mau caráter, por outro. Intelectuais, inclusive. Teceu uma rede internacional de defesa da ditadura nepótica, violenta e corrupta que implantou na ilha.
Paradoxalmente, ao longo da segunda metade do século XX, gradas organizações que pregam a liberdade, como a Igreja e a universidade, quedaram encantadas diante do discurso vitimista do ditador cubano em face da democracia norte-americana, que reagiu ante os desatinos do ditador. A universidade deixou-se contaminar pelo canto de sereia de figuras paradigmáticas como “Che” Guevara, respeitável guerrilheiro, de quem Fidel ardilosamente se livrou para que não lhe fizesse sombra na disputa interna de poder. Che não era menos assassino do que Fidel. O comandante, porém, ladinamente, o transformou em ícone.
A Igreja, por sua vez, embarcou na heresia da Teologia da Libertação, pregando uma analogia barata entre o Reino de Deus e o governo da Revolução marxista-leninista. Essa “teologia” surgiu do pensamento vesgo de religiosos militantes da América Latina, sendo pioneiros na década de 1960, os pastores Richard Shaul e Rubem Alves, o frade Gustavo Gutierrez e, posteriormente, os irmãos franciscanos Clodovis e Leonardo Boff. Sem esquecer o irmão leigo e ardoroso defensor da ditadura cubana, dito equivocadamente “frei” Betto, porque até nisto ele constitui uma fraude, uma vez que não é frade dominicano como pensam os incautos.
Fidel morreu aos 90 anos sem cumprir o prometido aos cubanos. Seis décadas de tirania deixaram a ilha mais pobre em economia e liberdade, sufocada pela indignidade imposta e pela propaganda unilateral do Estado comunista. Os césares comunistas da ilha, porém, vivem burguesmente. Por mais que rezem os teólogos da Libertação, só a misericórdia de Deus livrará o ditador das penas infernais.
(*) Jornalista, poeta e assessor legislativo.
Fonte: O Povo, de 29/11/2016. Opinião. p.11.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A ilha-presídio ficou sem o chefe supremo dos carcereiros


Por: Augusto Nunes

Como em 1959, e como no ano em que encontrei Fidel, também neste novembro de 2016 há em Cuba uma economia asfixiada pela monocultura da cana, prostitutas demais em Havana e uma ditadura a sepultar

A morte do mais antigo ditador do planeta levou-me de volta à noite de 18 de dezembro de 1987. Vejo-me no imenso salão de festas do Ministério das Relações Exteriores de Cuba, no meio da multidão de convivas de uma recepção oferecida pelo governo, fazendo o que fizeram antes daquela sexta-feira (e continuariam a fazer até sexta-feira passada) todos os jornalistas estrangeiros que passaram por Havana desde janeiro de 1959: esperando Fidel Castro.
Aguardavam a aparição outros 11 jornalistas brasileiros e 28 deputados paulistas, todos convidados pela VASP para o voo inaugural da rota São Paulo-Havana. Lembrei que faltavam só 48 horas para a viagem de retorno e saí à procura do diplomata cubano que acompanhava a comitiva brasileira desde o desembarque no dia 11. “Ele vem ou não vem?”, repeti a pergunta formulada a cada meia hora por algum de nós. Ouvi a resposta de sempre: “O Comandante gostou muito da ideia de conversar com vocês. Ele vai aparecer a qualquer momento”.
Fidel frequentemente não aparecia, mas gostava mesmo de conversar. Gostava tanto que a fila de candidatos a meia hora de prosa não cabia na agenda e, como a fila não andava, os enfileirados se distraíam variando o ponto de espera. No sábado e no domingo, com a ansiedade de noivo na porta da igreja, esperei o Comandante no saguão do Hotel Riviera. Passei a segunda e a terça de prontidão em dois restaurantes célebres, La Bodeguita del Medio e El Floridita, caprichando na pose de Ernest Hemingway quando jovem.
Em homenagem ao escritor que bebeu todas quando viveu por lá, tracei meia dúzia de mojitos no bar do primeiro e oito papa dobles no bar do segundo. Achei melhor prosseguir a espera na piscina do hotel quando comecei a ver a miragem de Fidel em dobro. Na quarta, esperei quatro horas na fila da sorveteria Coppelia até chegar ao balcão e pedir o famoso sorvete de limão que tinha acabado quatro horas antes. Na quinta, de volta ao Floridita, descobri que poderia esperar o chefe supremo brincando de figurante de filme de época.
No fim dos anos 80, a capital cubana não saíra dos 50, gritava a paisagem arquitetônica implorando por pinturas, retoques e outras urgências restauradoras. Nem sairia tão cedo, confirmavam os carrões americanos que sacolejavam pelas ruas. Um garçom me contou que qualquer veículo poderia ser usado como táxi. Bastava pagar 1 dólar e dizer o destino. Incrédulo, fui para a calçada, acenei para um Studebaker verde e o motorista parou. O garçom não estava mentindo.
Nas duas horas seguintes, pela módica quantia de três dólares, esperei Fidel num Oldsmobile vermelho, num Chevrolet rabo-de-peixe azul e num Buick de cor indefinida que me devolveu ao hotel. Acordei na sexta-feira perguntando a um jornalista que ano era hoje e em que mês estávamos. Dezembro, 1987, ele informou com expressão intrigada. Avisei que iria dormir mais um pouco e pedi-lhe que me chamasse uma hora antes do começo do coquetel.
Estava no terceiro daiquiri quando a frase multiplicada por centenas de vozes flutuou sobre o oceano de cabeças: “É ele!” O funcionário do governo chegou correndo para dizer, ofegante, que era ele mesmo, e que seríamos recebidos dali a duas horas. Aproveitei o tempo para espantar-me com a tremenda boca-livre financiada pelo governo. Se o povo visse aquilo, constatei em cinco minutos de contemplação, o regime comunista não chegaria à sobremesa.
Extensa, espessa e sólida como um píer inglês, a bancada do bufê suportava uma assombrosa procissão de frutos do mar.Lagostas, camarões, siris e caranguejos de dimensões amazônicas, um tsunami de mariscos e ostras, cardumes de peixes de espantar o velho Santiago imortalizado por Hemingway — parecia um banquete patrocinado por algum Nero de filme épico italiano. E então me surpreendi com a descoberta: naquele salão havia até gente gorda.
Fazia oito dias que zanzava por Havana e só vira gente magra. Regime eficiente é isso aí, comentei com um deputado amigo. O governo jurava que ninguém morria de fome, mas nenhum cubano comum comia o suficiente para matá-la. Esse luxo era para frequentadores de recepções oficiais. Admirava uma lagosta abraçada a dois camarões quando me bateu a certeza de que todos os gordos da ilha estavam lá. Beiravam os 70, calculei. Tentava entender como é que eles explicavam aos magros aquelas arrobas a mais quando vi o diplomata cubano me acenando com espalhafato.
O grande momento chegara. Juntei-me ao grupo de jornalistas e fomos todos para uma sala com quatro poltronas e dois sofás de bom tamanho. Cinco minutos mais tarde, a porta se abriu e Fidel enfim apareceu. Aos 61 anos, 28 dos quais desfrutados no comando da ilha, trajava uma farda verde-oliva bem cortada e parecia em ótima forma física. De pé, constatei que nossos queixos se alinhavam na mesma altitude. Ele tinha, portanto, entre 1m85 e 1m97, incluindo o salto carrapeta do coturno preto. Só alcançava 2 metros na imaginação dos devotos.
A expressão satisfeita, o olhar confiante e o que disse ao longo de 120 minutos reafirmaram que o ditador sessentão adorava o emprego e pretendia mantê-lo enquanto vivesse. Com a voz de falsete que ecoava horas a fio nos comícios patrióticos na Praça da Revolução, mostrou que para tudo tinha uma resposta insincera na ponta da língua. Consegui fazer-lhe duas perguntas. Primeira: o que achava das mudanças em curso na União Soviética depois da chegada ao poder de Mikhail Gorbachev?
Fidel afirmou que precisava examinar com mais atenção o que resultaria da glasnost (“transparência”, em russo) e da perestroika (“reorganização”). Como se não estivesse insone há muitos meses com as profundas reformas políticas e econômicas embutidas nas duas palavras que decretariam, entre tantas outras implosões históricas, a queda do Muro de Berlim em 1989, a dissolução do Leviatã comunista em 1991 e, por consequência, o sumiço da fonte de recursos financeiros que garantira nos 30 anos anteriores a sobrevivência de Cuba.
Segunda pergunta: se o entrevistado garantia que Cuba era uma nação democrática, como explicar a inexistência de eleições e a existência de presos políticos? Sem ficar ruborizado, Fidel qualificou de criminosos comuns todos os enjaulados na ilha-presídio e reiterou o sistema eleitoral prescindia de candidatos oposicionistas para mostrar-se muito mais eficaz que o vigente, por exemplo, nos Estados Unidos. Terminado o encontro, cumprimentei o entrevistado e voltei ao salão de festas. A maioria dos jornalistas sitiou Fidel e só levantaram o cerco depois da conquista de um autógrafo.
Em dezembro de 1958, quando o jovem Fidel Castro preparava a tomada de Havana, havia em Cuba uma ditadura a derrubar, uma economia asfixiada pela monocultura da cana e prostitutas demais. Em dezembro de 1987, nada havia mudado. Passados quase 30 anos, ao anunciar a partida do chefe supremo dos carcereiros, o irmão e herdeiro Raúl Castro apossou-se de vez da ilha-presídio congelada na primeira metade do século 20: agora como antes, há prostitutas demais em Havana, um oceano de canaviais asfixiando a economia e uma ditadura a sepultar.
Fonte: Veja. Abril. Blog do Augusto Nunes, de 28/11/2016.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A ILHA DO CARA


Revelado o segredo dos altos índices de desenvolvimento humano em Cuba.
Eles devem estar sendo medidos na ilha privativa de Fidel Castro, um paraíso nababesco
Reportagem de Leonardo Coutinho, publicada em edição impressa de VEJA
Cultuado pelos partidos de esquerda do Brasil e da América Latina, Fidel Castro vende com facilidade a falsa imagem do revolucionário despojado, metido antes em farda de campanha e, agora, na decrepitude, em agasalhos esportivos Adidas que ganha de presente da marca alemã.
Inúmeros relatos de pessoas que privaram da intimidade de Fidel haviam arranhado a aura de asceta do ditador cubano. Sabia-se que ele manda fazer suas botas de couro, sob medida, na Itália; que tem um iate e um jato particulares; come do bom e do melhor – enfim, nada diferente da vida luxuosa levada, em despudorado contraste com a miséria do povo, por tantos ditadores de todos os matizes ideológicos no decorrer da história.
Mas, como manda o manual do esquerdismo latino-americano, que nunca conseguiu se afastar do culto ao caudilhismo populista, se a realidade sobre Fidel desmentir a lenda, que prevaleça a lenda. Assim, a farsa sobrevive. Assim, as novas gerações vão sendo ludibriadas.
Resta ver se a farsa vai resistir às revelações sobre a corte de Fidel que aparecem na autobiografia de um ex-guar­da-costas do ditador, Juan Reinaldo Sánchez. O livro, que está chegando às livrarias brasileiras no fim de junho com o título A Vida Secreta de Fidel (Editora Paralela), revela excentricidades que seriam aberrantes mesmo para um bilionário capitalista.
Algum rentista de Wall Street tem uma criação particular de golfinhos destinados unicamente a entreter os netos?
Fidel tem.
Os líderes das empresas mais valorizadas do mundo, Google e Apple, que valem centenas de bilhões de dólares, são donos de ilhas particulares secretas, vigiadas por guarnições militares e protegidas por baterias antiaéreas?
Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador.
Fidel tem tudo isso em sua ilha – e não se está falando de Cuba, que, de certa forma, é também sua propriedade particular.
O que o ex-guarda-costas revela em detalhes é a existência de uma ilha ao sul de Cuba onde Fidel Castro fica boa parte do seu tempo livre desde a década de 60. Nada mais condizente com uma dinastia absolutista do que uma ilha paradisíaca de usufruto exclusivo da família real dos Castro.
Juan Reinaldo Sánchez narra a liturgia diária do séquito de provadores oficiais que experimentam cada prato de comida e cada garrafa de vinho que chegam à mesa do soberano para garantir que não estejam envenenados. “A vida inteira Fidel repetiu que não possuía nenhum patrimônio além de uma modesta cabana de pescador em algum ponto da costa”, escreve Sánchez no seu livro.
A modesta cabana de Fidel é uma imensa casa de veraneio de 300 metros quadrados plantada em Cayo Piedra, ilha situada a 15 quilômetros da Baía dos Porcos, no mar caribenho do sul de Cuba. Quando Fidel conheceu Cayo Piedra, logo depois do triunfo de sua revolução de 1959, o lugar lhe pareceu o refúgio ideal para alguém decidido a nunca mais deixar o poder.
Eram duas ilhotas desertas sobre um banco de areia com uma rica fauna marinha. Condições excelentes para a caça submarina, um dos passatempos do soberano resignatário de Cuba. Muito se especulava sobre a existência do resort de Fidel, mas sua localização só se tornou conhecida agora, depois da publicação do livro de Sánchez.
O escritor colombiano Gabriel García Márquez, falecido recentemente, frequentava esse refúgio e, claro, nunca revelou o segredinho do amigo Fidel.
As coordenadas da casa principal de Cayo Piedra são: latitude 21°57¿52.06″N e longitude 81°7¿4.09″O. Além dela, o paraíso caribenho de areias branquinhas e mar transparente foi equipado com alojamento para a guarda pessoal, casa de criados, estação de geração de energia, baterias antiaéreas, um viveiro de tartarugas (Fidel as adora numa sopa), uma casa de hóspedes de 1 000 metros quadrados, piscina semiolímpica e um delfinário – que podemos apelidar, por que não, de a “Sea World do castrismo”.
Um lazer obsceno, quando se sabe que os cubanos não têm recursos para frequentar praias, reservadas aos turistas estrangeiros e seus dólares. Quando vão à praia, é para tentar um bico como guia ou se prostituir.
Em Cayo Piedra há também um heliporto, que serve apenas para o recebimento de suprimentos e para uma eventual emergência. Segundo Sánchez, Fidel só viajava para a ilha a bordo de seu iate – pelo menos até o seu câncer no intestino se agravar, em 2006.
O Aquarama II é uma versão melhorada e ampliada de uma embarcação que ele confiscou de um milionário local depois de derrubar o governo de Fulgencio Batista, em 1959. Construído nos anos 70, o iate de Fidel tem 27,5 metros de comprimento e leitos para dezesseis pessoas, as mais privilegiadas no conforto de duas suítes.
O interior é revestido de madeiras nobres de Angola e há quatro motores – presentes do então líder soviético Leonid Brejnev – capazes de desenvolver a velocidade de 78 quilômetros por hora. No salão principal estão seis poltronas de couro negro. Uma delas, a maior, era exclusiva de Fidel. Ele costumava passar os 45 minutos da viagem bebendo uísque da marca Chivas Regal, o seu preferido, com gelo.
 
Em Cuba, uma garrafa custa 45 dólares, o dobro do salário mensal de um cidadão comum. Iate, mesmo que setentão? Um luxo, sem dúvida, ainda mais num país em que até os pescadores são proibidos de ter canoas, para evitar que fujam para os Estados Unidos, a 200 quilômetros de Cuba.
A residência de Fidel em Havana é uma casa de dois pavimentos com área construída de cerca de 1 200 metros quadrados e situada no centro de uma propriedade de 30 hectares, o equivalente a 36 campos de futebol. Conhecida como Ponto Zero, a área concentra ainda um conjunto de mansões onde vivem alguns de seus filhos.
Há casas de hóspedes, academia de ginástica, piscina, lavanderia industrial e até uma sorveteria exclusiva para a família Castro. As ruas dos arredores são inacessíveis para qualquer outro morador da cidade. O sítio urbano e cercado por muralhas de Fidel também tem um pomar, uma horta orgânica, um galinheiro e um curral.
O ditador é obcecado por suas vacas. No período em que Sánchez frequentou sua casa, cada integrante da família bebia o leite de uma vaca específica. A do ditador era a de número 5, o mesmo da camisa de basquete que ele usava na juventude.
Fidel dizia que o leite de cada vaca tinha um nível de acidez e que, depois de muitos testes e cruzamentos genéticos, ele havia encontrado o sabor de leite ideal para cada um dos cinco filhos que teve com Dalia del Valle, sua segunda mulher, com quem vive até hoje. (No total, Fidel tem nove filhos, incluindo um do primeiro casamento e três de relações extraconjugais.)
A farra das vacas leiteiras de Fidel é um acinte em um país em que apenas crianças de até 7 anos têm acesso garantido ao leite, e ainda assim limitado a 1 litro por dia.
Houve um tempo, conta o seu ex-segurança, em que Fidel guardava suas preciosas vacas na mesma casa em que morava uma de suas amantes, a revolucionária de primeira hora Celia Sánchez, no bairro de Vedado, um dos melhorzinhos de Havana. Celia, falecida em 1980, ocupava o 4º e último andar de um dos melhores imóveis da quadra.
No 3º andar, ficavam quatro vacas, que foram alçadas ao estábulo especial por meio de guindastes. Elas tinham em seus aposentos mais espaço do que a maioria dos seres humanos da capital, onde é comum que duas ou mais famílias sejam obrigadas a dividir um apartamento no qual deveria caber apenas um casal com dois filhos.
A relação obsessiva de Fidel com as vacas limita-se, aparentemente, à produção de leite. Uma delas, que chegou a figurar no Guinness por produzir 109 litros de leite em um único dia, está exposta no Museu da Revolução. Empalhada. À mesa, o ditador preferia peixe, lagosta, presunto espanhol e ovelha, enquanto os seus súditos se consideram afortunados quando têm carne de porco e, ainda mais raramente, de frango para comer.
Frutos do mar, para os cubanos, só em restaurantes turísticos e ao custo de um salário mensal. Não é difícil encontrar em Havana adultos que nunca comeram um bife de boi ou um assado de ovelha na vida. Pelo menos eles não convivem com a paranoia de morrer envenenado, como ocorre com Fidel, que exige que cada prato feito por seus dois chefs particulares seja provado antes por um funcionário ou pelo guarda-costas. Suas roupas, depois de lavadas e passadas, são submetidas a um teste de detecção de radiação.
Com o fim dos repasses de dinheiro da União Soviética para Cuba, no início da década de 90, conta o ex-guarda-costas, Fidel organizou um esquema de venda no mercado negro de diamantes contrabandeados de áreas de conflito na África e passou a vender serviços a traficantes colombianos. “Para Fidel, o narcotráfico era uma arma de luta revolucionária antes de ser um meio de enriquecimento ilícito”, escreveu Sánchez, que trabalhou com Fidel entre 1977 e 1994.
Ele foi demitido depois que o seu irmão fugiu de balsa para os Estados Unidos. Para Fidel, era inadmissível ter ao seu lado alguém que não previu que dentro de sua família havia “traidores da revolução”. Sánchez foi preso. Depois de dois anos na cadeia, passou uma década tentando fugir do país. Conseguiu em 2008, e levou consigo alguns segredos de Fidel.
Fonte: Veja 2376 Ano 47 n.23, de 4/6/2014 p.78-81.
 
 
 

domingo, 17 de janeiro de 2016

PIADAS CUBANAS II


O pai cubano pergunta ao filho pequeno:
O que você quer ser quando crescer?
Estrangeiro.
– x – x – x –

Putin foi a Cuba e ficou impressionado com o número de pessoas usando sapatos com solas furadas, rasgados em cima, etc. Estranhou que, depois de passados 40 anos de “melhoras”, as pessoas ainda estavam com sapatos rasgados e maltratados. Perguntou a Fidel a razão disso. Fidel, indignado, respondeu com uma pergunta:
E na Rússia, não é a mesma coisa? Vai me dizer que lá todo mundo tem sapato novo?
Putin disse a Fidel que fosse à Rússia para conferir. E se ele encontrasse um cidadão qualquer com sapatos furados, tinha a permissão para matar essa pessoa. Fidel tomou um avião e se mandou para Moscou. Quando desembarcou, a primeira pessoa que viu estava com sapatos rasgados e furados, que pareciam ter pertencido ao avô. Não titubeou. Tirou a pistola e matou o sujeito.
Afinal, tinha permissão de seu colega Putin para fazer isso.
No dia seguinte os jornais anunciaram: PRESIDENTE DE CUBA MATA SEU EMBAIXADOR NO AEROPORTO.
– x – x – x –

Fidel Castro morre e chega no céu, mas não estava na lista. Assim, São Pedro o manda ao inferno. Quando chega lá, o diabo em pessoa o recebe e diz:
Olá, Fidel, seja bem-vindo. Eu estava à sua espera. Aqui você vai se sentir em casa.
Obrigado, Satanás, mas estive primeiro no céu e esqueci minhas malas lá em cima, na portaria.
Não se preocupe. Vou enviar dois diabinhos para pegar suas coisas.
Os dois diabinhos chegam às portas do céu, mas as encontram fechadas, porque São Pedro tinha saído para almoçar. Um dos diabinhos diz ao outro:
Olha, é melhor pularmos o muro. Aí pegamos as malas sem perturbar ninguém.
Os dois diabinhos começam a escalar o muro. Dois anjinhos passavam por ali, e ao verem os diabinhos, um comenta com o outro:
Não faz nem dez minutos que Fidel está no inferno, e já temos refugiados!!!!
– x – x – x –

Fonte: Internet (circulando por e-mail).
Nota do Blog: as piadas são antigas e bem conhecidas do público.

PIADAS CUBANAS I


Em Cuba, um menino chega da escola faminto e pergunta à sua mãe:
Mamãe, o que vamos comer?
Nada, filhinho.
O menino vê o papagaio da casa e diz:
Nem papagaio com arroz?
Não temos arroz, filhinho.
E papagaio assado?
Não temos gás.
Assa na churrasqueira elétrica!
Não temos eletricidade, filho.
Que tal papagaio frito?
Não temos óleo, querido.
Grita o papagaio:
VIVA FIDEL!!! VIVA FIDEL!!!
– x – x – x –

Uma professora cubana mostra aos alunos um retrato do presidente Bush, e pergunta à classe:
De quem é este retrato?
Silêncio absoluto.
Eu vou ajudar vocês um pouquinho. É por culpa deste senhor que nós estamos passando fome.
Ah, professora! É que sem a barba e o uniforme não dava para reconhecer!
– x – x – x –

Fidel está fazendo um de seus famosos discursos:
E a partir de agora teremos de fazer mais sacrifícios!
Diz alguém na multidão:
Trabalharemos o dobro!
... E temos de entender que haverá menos alimentos!
Diz a mesma voz:
Trabalharemos o triplo!
... E as dificuldades vão aumentar!
Completa a mesma voz:
Trabalharemos o quádruplo!
Aí o Fidel pergunta ao chefe de segurança:
Quem é esse sujeito que vai trabalhar tanto?
O coveiro, mi comandante.
– x – x – x –

O governo revolucionário vai tomar todas as providências para que nenhum cubano vá para a cama sem comer:
Vai recolher todas as camas.
– x – x – x –

Fonte: Internet (circulando por e-mail).
Nota do Blog: as piadas são antigas e bem conhecidas do público.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FESTANÇA CUBANA


Affonso Taboza (*)
Em 21 de março de 2010 publiquei, na página de Opinião deste jornal, artigo intitulado Nosso Presidente Cubano. Nele encaixei e critiquei fala do então presidente Lula, numa de suas arengas semanais em cadeia nacional de rádio. Dizia Lula, num arroubo de entusiasmo com a ilha e o regime de Fidel Castro: “Nós temos um acordo importante de investimento pra recuperação do porto de Mariel. É um investimento prioritário em Cuba, e além do que nós temos interesse de fazer novos investimentos em Cuba, e contribuir para recuperar a rede hoteleira de Cuba, as rodovias de Cuba, ou seja, nós estamos discutindo o Ministro da Indústria e Comércio já está em Havana, e nós pretendemos consolidar esses acordos com Cuba porque nós queremos ser solidários a Cuba e ajudar Cuba a se desenvolver. A Petrobras vai fazer uma fábrica de óleo combustível em Havana (...) e tudo isso nós pretendemos que aconteça este ano”.
Fantástico, não? O Brasil tomando a peito a tarefa de desenvolver um país que, por decisão do seu ditador, optou pelo subdesenvolvimento. Não pôde nosso fantasioso presidente quase reconstruir a decadente ilha, como era seu propósito, mas iniciou o item mais ambicioso do canhestro sonho, e passou a missão à sucessora: a construção do porto de Mariel, ao custo de mais de U$ 1 bilhão, conforme divulga a imprensa; e tudo às escuras, contrato de financiamento sigiloso por trinta anos.
Alguém acha que Cuba, país quebrado, algum dia pagará essa dívida? Aliás, perdoar dívidas de outros países foi uma constante nos dois mandatos de Lula da Silva. Cortesia personalista, feita à revelia do dono do dinheiro, nosso povo sofrido... Quando contratou tal financiamento, Lula sabia – ele não é criança – que jamais veremos esse dinheiro de volta. O porto de Mariel foi uma doação sua a Fidel Castro. Ele deve isso ao povo brasileiro.
Na inauguração do moderno complexo logístico, lá estava a nossa presidente, discursando com entusiasmo e brindando ao grande feito, de costas para os vetustos portos brasileiros com suas quase insuperáveis deficiências. Um escárnio.
Na última campanha eleitoral, questionada sobre tal financiamento, a presidente saiu pela tangente alegando que isso criou trabalho para empresas e trabalhadores brasileiros. Ocorre que, tais recursos empregados nos portos nacionais, teriam o mesmo efeito e o produto ficaria no nosso país. O reatamento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos é visto por uns como prova do acerto do nosso apoio financeiro àquele país. Acham que disso vamos tirar proveito. E eu pergunto: será? E quando?
Cumpre lembrar que o embargo à ilha continua, e o senado americano não vai dar isso barato. Exigirá preferências comerciais. Cuba terá, antes de mais nada, de indenizar as propriedades americanas confiscadas por Fidel Castro quando assumiu o poder. Bilhões de dólares. De onde sairá esse dinheiro? Se Lula da Silva estiver no governo nessa ocasião, certamente o Brasil, mesmo quebrado, se candidatará a cobrir essa dívida...
(*) Coronel reformado do Exército e engenheiro civil.

Fonte: O Povo, Opinião, de 6/01/15. p. 9.

domingo, 28 de dezembro de 2014

O CACHORRO CUBANO

Um navio procedente de Cuba chega a Santos e todos os cachorros do porto se aproximam para ver o cachorro cubano que sai do navio.
– E aí, sangue bom, é verdade que vocês não têm pulgas? – pergunta um cachorro brasileiro ao cachorro cubano.
– É verdade sim! É que em cuba o governo tem um programa de saúde canina maravilhoso e os cachorros cubanos não temos pulgas.
– E você sabe ler?
– Mas é claro, em Cuba todos os cachorros são alfabetizados desde que somos filhotinhos!
– E comem bem?
– Bem, é muito difícil a existência de carne, mas sempre aparece um osso...
– Se você estava tão bem em Cuba... Por que foi embora?
– É que senti vontade de latir!
"Onde não há justiça é perigoso ter razão, pois os imbecis são maioria” (Francisco de Quevedo)
Fonte: Circulando por e-mail (internet).

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

O MPF quer que o governo pague diretamente aos médicos cubanos

O Ministério Público Federal (MPF) quer que o governo pague diretamente aos médicos cubanos a bolsa de R$ 10 mil pela atuação no Programa Mais Médicos. Na manifestação, emitida em ação civil pública e em ação popular que tramitam na Justiça Federal, o MPF defende que o acordo entre o governo brasileiro, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e Cuba, ainda coloca os cofres públicos “sob risco de prejuízos incalculáveis”, pois o destino dos recursos empregados no projeto e repassados à Opas é desconhecido.

Pelo acordo, o Brasil paga pela atuação dos médicos cubanos à Opas, esta repassa os valores ao governo cubano e é este quem paga aos médicos um valor que é inferior ao pago as médicos de outras nacionalidades que atuam no programa. Segundo apurou o MPF, foi verificado, por meio de um contrato com um médico cubano, que o valor repassado a estes profissionais é 1 mil dólares (cerca de R$ 2,5 mil), enquanto o governo brasileiro repassa R$ 10 mil por profissional para a Opas.
O Ministério Público destaca, em uma das ações, que cerca de R$ 510 milhões foram gastos com o Programa Mais Médicos para a vinda dos médicos de Cuba somente em 2013, “mas não se sabe como exatamente esse montante foi aplicado”.  A procuradora da República, Luciana Loureiro, que assina as ações, diz que a falta de conhecimento preciso da União sobre as remunerações exatas pagas pela Opas e pelo governo cubano aos médicos intercambistas desse país “revela claro descontrole sobre o que efetivamente tem sido feito com o dinheiro brasileiro”.
Segundo o MPF, nas ações em andamento na Justiça Federal, quando questionada sobre os termos firmados entre a Opas e o governo cubano e entre este e seus cidadãos, a União informou ter solicitado tais documentos e que a organização teria se recusado a fornecê-los, alegando proteção por cláusula de confidencialidade.
(Agência Brasil)
Fonte: Blog do Eliomar

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

CÁLICE, USO CONTÍNUO

João Brainer Clares de Andrade

Nossa república se inunda de contradições: os militantes de antes se renderam ao mandar fazer silêncio. Dão banquetes e patrocinam ditaduras que repetem, em igual ou pior feito, tudo o que lutaram contra. À imprensa, restam agora as tentativas de minar o bom exercício e a fala livre. Os ditadores das redondezas não escondem a simpatia por nosso solo, enquanto nosso prestígio internacional é comparado ao vexaminoso papel no superestimado futebol.
O Tribunal Regional Eleitoral não foge à regra da Presidência e seu partido: baixou liminar que coíbe a livre expressão de médicos brasileiros contra os disparates públicos, sob forma de camisetas ou adesivos. Não há campanha a favor de qualquer que seja o candidato: há uma forma autêntica de se expressar o descontentamento não propriamente pelo que houve contra a categoria, mas sim pelo desserviço à saúde pública brasileira.

Menos da metade das UPAs prometidas foram construídas, as unidades básicas continuam sucateadas sem medicamentos elementares, os hospitais filantrópicos que respondem por boa parte do atendimento gratuito fecham suas portas por uma tabela defasada há mais de 10 anos. Ficaram ociosos quase R$ 20 bilhões ao SUS no último ano. Os hospitais superlotados patrocinam mortes gratuitas e, principalmente, a vinda de médicos de baixa qualificação ludibria a população de que tudo anda bem. De nada adianta haver o médico, seja ele nato ou importado, se o sistema não funciona. No entanto, nessa república que flerta com ditaduras e a cada dia se assume mais como tal, denunciar não surte efeito: blindam-se, fecham os olhos, tapam os ouvidos...
Se não me permitem mais expressar meu descontentamento com a saúde com roupas ou adesivos, não há problema. Não toleram que alertemos a população contra a ingerência que instalam e que querem perpetuar, mas toleram a campanha a favor feita por quase 13 mil funcionários da ditadura cubana que têm em seus carimbos o principal mote da campanha presidencial: “Programa Mais Médicos para o Brasil”. Há, pois, quase 13 mil cabos eleitorais a trabalho daqueles que não aceitam campanha contra.

No entanto, ainda me restam olhos, ouvidos e mãos para sentir a realidade de quem depende dos serviços gratuitos de saúde. Sou eu quem está na linha de frente, essa que mais parece fronte de uma batalha sangrenta, cuja militância veda seus próprios ouvidos, lacra seus olhos. Não querem ver, não querem ouvir... Mas se esquecem de que me resta a boca. E essa eles não vão conseguir calar.
Médico residente de Neurologia – Hospital Geral de Fortaleza
Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 30/7/2014.

terça-feira, 17 de junho de 2014

INDÚSTRIA FARMACÊUTICA CUBA


Por Reinaldo Azevedo
Atenção! A coisa é séria!

Uma delegação brasileira chefiada por Carlos Gadelha — Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde — está em Cuba. Fica lá até sexta-feira para discutir um plano. Qual? Já conto.
É que a presidente Dilma Rousseff resolveu fechar empregos no Brasil e criar empregos em Cuba. É que a presidente Dilma Rousseff, pelo visto, cansou de governar o Brasil — o que, convenham, a gente já vem percebendo, dados os resultados alcançados. É que a presidente Dilma Rousseff, agora, quer fazer a diferença, sim, mas lá em Cuba, na ilha particular dos irmãos Fidel e Raúl Castro — lá naquele país que se divide em dois presídios: o de Guantánamo, onde estão terroristas culpados, e o resto do território, onde estão os cubanos inocentes.

Por que estou escrevendo essas coisas? Porque este blog apurou que a nossa “presidenta”, como ela gosta de ser chamada, está pressionando as empresas farmacêuticas brasileiras a abrir fábricas em… Cuba para a produção de genéricos naquele país. De lá, elas exportariam remédios para a América Central e América do Sul, inclusive o Brasil.
Atenção, brasileiras e brasileiros! A nossa soberana cansou dessa história de o próprio Brasil produzir os remédios e de ser, sim, um exportador. A presidente quer fazer a nossa indústria farmacêutica migrar para Cuba, de sorte que passaríamos a ser importadores de remédios produzidos pelos próprios brasileiros, gerando divisas para os cubanos, danando um pouco mais a balança comercial, desempregando brasileiros e empregando… cubanos!

E a coisa não se limitaria à produção de genéricos, não! Entrariam no acordo também os chamados “similares”. Dilma, assim, daria um golpe de morte numa das políticas mais bem-sucedidas do país nas últimas décadas: a produção de genéricos e o desenvolvimento da indústria farmacêutica nacional.
A iniciativa nasce da determinação pessoal de Dilma de dar suporte à economia cubana e de dar maior utilidade ao porto de Mariel, construído em Cuba com recursos do BNDES. Como sabemos, a Soberana entrará para a história da infraestrutura portuária de… Cuba!

A exemplo do acordo feito para a importação de médicos cubanos, também essa iniciativa é feita à socapa, por baixo dos panos. Cuba passou a ser caixa-preta do governo petista. Como estamos falando de uma tirania, é impossível conhecer o trânsito de dinheiro entre o nosso país e a tirania dos Castros.
É isso aí, “camaradas” brasileiros! Alguns tentam fazer um Brasil melhor! Dilma está empenhada em fazer uma Cuba melhor à custa dos empregos dos brasileiros. Para lembrar: o secretário Gadelha, o homem encarregado do projeto, é aquele que teve um encontro agendado com o doleiro Alberto Youssef, por iniciativa do ainda deputado André Vargas.
Fonte: Blog do Reinaldo Azevedo. Circulando na internet.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

MAIS MÉDICOS, MAIS VOTOS


Na esteira dos fatos que conduziram a insurreições populares em diferentes pontos do País, em junho do ano passado, o governo brasileiro anunciou, em julho seguinte, o programa “Mais Médicos”, com o fito de alocar mão de obra médica nos grotões nacionais, em locais ditos carentes de assistência médica. Para isso, foram abertas inscrições para brasileiros e estrangeiros, notadamente portugueses e espanhóis, dispostos a aderir à proposta. A primeira tentativa foi um verdadeiro malogro, encarada como uma proposta indecente perante os olhos dos médicos ibéricos.

Na verdade, tudo não passava de um ardil, para que o Ministério da Saúde implementasse o acordo firmado, desde abril de 2013, entre os governos brasileiro e cubano, com a intermediação da OPAS, no intuito de trazer milhares de médicos de Cuba, copiando um modelo adotado por Hugo Chaves, na Venezuela.

Em agosto de 2013, os aeroportos brasileiros começaram a receber as levas de médicos cubanos, dos quatro mil que já estavam prontos para embarque, mesmo desconhecendo o perfil epidemiológico e os aspectos culturais do Brasil, e sem falar o português.

Com a promessa de que seriam 6.000 médicos, no entanto, a quantidade que carimbou o passaporte de entrada no Brasil já alcançou a casa dos 9.540 em março próximo, pois há uma farta oferta de médicos em Cuba, uma vez que suas 25 escolas médicas expelem dez mil novos profissionais, anualmente, o que dá uma média de quatrocentos formados por faculdade, algo não observado em qualquer país sério do mundo.

A cubanização da medicina da Venezuela não redundou em impacto à melhoria dos indicadores de saúde, porém rendeu apreciados dividendos eleitorais ao governo, convertidos em votos a favos dos candidatos chavistas.

O governo brasileiro tem ciência disso e tudo fará para assegurar e alargar a presença médica cubana nos municípios remotos e nas periferias das cidades maiores, nesse ano eleitoral, maquinando a ampliação do seu número de deputados e senadores eleitos, para apropriar-se do comando das câmaras alta e baixa do Brasil, objetivando dispor de um parlamento, dócil e servil, inteiramente submisso ao poder executivo.

Cabe aos médicos, como formadores de opinião, e às suas entidades representativas, o salutar papel de esclarecer às pessoas quanto ao uso eleitoreiro desse equivocado programa, do qual nada consistente de bom resultará em prol da saúde pública do Brasil.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular de Saúde Pública-Uece

* Publicado In: O Povo. Fortaleza, 12 de junho de 2014. Caderno A (Opinião). p.7.

terça-feira, 27 de maio de 2014

MAIS MÉDICOS: fragmentos sobre a loucura


Por Miguel Srougi *
Lamento prever a ruína do Mais Médicos. Os nossos governantes esforçam-se para esconder os frangalhos da ação tresloucada
Nem eu nem meus colegas brasileiros rejeitamos a ideia de mais médicos, afinal essa é uma aspiração planetária. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), faltam no mundo 4,3 milhões de médicos e enfermeiras, carência impossível de ser ignorada, pois penaliza 1 bilhão de pessoas, como sempre aquelas que perambulam à margem da existência digna.
O que eu e a imensa maioria dos médicos brasileiros não conseguimos aceitar é a forma como o programa Mais Médicos foi imposto à nação. Para dissimular a indecência na saúde, nossos governantes trouxeram médicos cubanos. Iniciativa de grande apelo aos mais distraídos, mas ilegítima, injusta, inconsistente e empulhadora.
Iniciativa ilegítima por violar as leis e os valores da sociedade brasileira. Como aceitar que profissionais recebam menos de 10% do que foi anunciado; cidadãos proibidos de expressar seus sentimentos, vivendo em cativeiros, num país onde a liberdade constitui uma conquista inegociável de seu povo.
Injusta porque, em três anos, serão transferidos R$ 5 bilhões para Cuba, país igualmente carente, mas que não pode ser privilegiado em detrimento dos desvalidos do Brasil. País habitado por 60 milhões de analfabetos e por 6,5 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza, que vão para a cama sem saber se terão o que comer no dia seguinte.
Também injusta porque, para implementar um programa tão inconsistente, nossas autoridades demonizaram os médicos brasileiros, cuja competência e abnegação é reconhecida dentro e fora de nossas fronteiras. O ex-ministro Alexandre Padilha escreveu nesta Folha que os médicos brasileiros aprendiam com os pacientes pobres nos hospitais públicos, para depois só tratar ricos.
Poucas vezes testemunhei algo tão preconceituoso, perigoso e mentiroso. O ex-ministro, que diz ter estudado medicina, sabe que em todo o planeta existe um contrato social não escrito: médicos aprendem em hospitais universitários e, como retribuição, os pacientes recebem cuidados orientados ou providos por professores, que se colocam entre os mais competentes médicos de cada país.
Iniciativa inconsistente porque os médicos cubanos, com formação dúbia, serão incapazes de exercer qualquer ação médica efetiva em ambientes degradados e abandonados. O que farão frente a um paciente com dor aguda no peito? Se do céu cair um eletrocardiograma, não saberão interpretá-lo. Se por intuição desconfiarem de um infarto, não conseguirão tratá-lo. Se alguma divindade conseguir transportar o paciente para um centro mais desenvolvido, inexistirão vagas nos hospitais do SUS. Atendido no setor de emergências, ele morrerá pelo infarto e de frio, pois terá que utilizar o seu cobertor para forrar o chão gélido, onde será despejado e não atendido.
Iniciativa empulhadora porque atribui a ruína da saúde à falta de médicos nos rincões, quando na verdade a indecência instalou-se porque o Brasil tem sido dirigido por governantes desonestos e de uma inépcia inabalável. Governo cujo Ministério da Saúde promoveu, nos últimos cinco anos, o fechamento de 286 hospitais ligados ao SUS e deixou de utilizar, em 2012, R$ 17 bilhões dos parcos recursos a ele destinados. Valor com o qual teriam sido construídas e equipadas 18 mil unidades básicas de saúde e com o qual menos corpos estariam despencando diante das portas impenetráveis dos hospitais públicos.
Dirigentes coniventes com a corrupção, que segundo a ONU apoderou-se, em 2012, de R$ 200 bilhões da riqueza do Brasil, suficientes para construir 9 milhões de residências populares. Também muitos leitos hospitalares se contabilizados os descaminhos recentes da turma do punho cerrado, do bando das mãos lambuzadas de petróleo ou do time dos pés entortados. 

Lamento prever a ruína próxima do Mais Médicos. Os cubanos já estão migrando para centros mais prósperos e os nossos governantes, sob jugo da marquetagem eleitoreira e com mentiras repetidas, esforçam-se para esconder os frangalhos da ação tresloucada. Restarão no palco do horror, abandonados e resignados, aqueles que nunca conseguirão expressar a desilusão.

* É professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, é pós-graduado em urologia pela Universidade Harvard (EUA) e presidente do Conselho do Instituto Criança é Vida.

Fonte: CFM Portal. Divulgado pela internet em 16/05/2014.
 

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