quinta-feira, 10 de setembro de 2026

VIOLÊNCIA NA ESCOLA: quando o alvo são os professores

Por Sofia Lerche Vieira (*)

Recente editorial de jornal de circulação nacional (Folha de São Paulo, 28 jul. 2026) trata de uma face pouco discutida da violência no interior da escola - a agressão física, verbal e psicológica a professores. Mais do que um problema isolado, reflete um cenário mais amplo de intolerância, conflitos e fragilidade nas relações sociais. O ambiente do qual se espera desenvolvimento humano e aprendizagem tornou-se, para muitos, um espaço de insegurança.

A esse respeito, o Brasil é destaque negativo no cenário internacional. Pesquisa da OCDE (2024), mostra que 47% dos professores do país consideram intimidações e abusos verbais praticados por alunos uma importante fonte de estresse, percentual superior à média de 18% registrada entre cerca de 50 países. O Brasil ainda lidera o tempo perdido com interrupções e indisciplina, comprometendo a qualidade do ensino.

Outro dado impactante refere-se a estudo do Centro do Professorado Paulista -CPP (2025), onde há registro de que 65% dos docentes já sofreram algum tipo de agressão no ambiente escolar. A violência verbal lidera as ocorrências, atingindo 71% dos casos, seguida pela psicológica e moral (58%), institucional (27%) e física (19%). Além disso, 74% dos professores afirmam não se sentir seguros em sala de aula.

Se casos de maior gravidade devem ser investigados pelas autoridades competentes, situações de tal natureza demandam, sobretudo, prevenção. O Unicef, por exemplo, recomenda a criação de protocolos específicos para lidar com agressões, sistemas acessíveis de denúncia e monitoramento, além de programas voltados à mediação de conflitos, cooperação, autocuidado e educação emocional.

Especialistas defendem ainda maior integração entre escola, família e comunidade, sem esquecer ação efetiva do Estado no combate a toda sorte de crimes de ódio. Tão importante quanto valorizar os professores, melhorar suas condições salariais e trabalhistas é assegurar sua integridade física e psicológica. Há algo de assustador em uma sociedade que aceita com naturalidade que seus professores se tornem alvo de violência.

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/08/26. Opinião. p.18.


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