Por Sofia Lerche Vieira (*)
Recente editorial de jornal de circulação
nacional (Folha de São Paulo, 28 jul. 2026) trata de uma face pouco discutida
da violência no interior da escola - a agressão física, verbal e psicológica a
professores. Mais do que um problema isolado, reflete um cenário mais amplo de
intolerância, conflitos e fragilidade nas relações sociais. O ambiente do qual
se espera desenvolvimento humano e aprendizagem tornou-se, para muitos, um
espaço de insegurança.
A esse respeito, o Brasil é destaque
negativo no cenário internacional. Pesquisa da OCDE (2024), mostra que 47% dos
professores do país consideram intimidações e abusos verbais praticados
por alunos uma importante fonte de estresse, percentual superior à média de 18%
registrada entre cerca de 50 países. O Brasil ainda lidera o tempo perdido com
interrupções e indisciplina, comprometendo a qualidade do ensino.
Outro dado impactante refere-se a estudo do
Centro do Professorado Paulista -CPP (2025), onde há registro de que 65% dos
docentes já sofreram algum tipo de agressão no ambiente escolar. A violência
verbal lidera as ocorrências, atingindo 71% dos casos, seguida pela psicológica
e moral (58%), institucional (27%) e física (19%). Além disso, 74% dos
professores afirmam não se sentir seguros em sala de aula.
Se casos de maior gravidade devem ser
investigados pelas autoridades competentes, situações de tal natureza demandam,
sobretudo, prevenção. O Unicef, por exemplo, recomenda a criação de protocolos
específicos para lidar com agressões, sistemas acessíveis de denúncia e
monitoramento, além de programas voltados à mediação de conflitos, cooperação,
autocuidado e educação emocional.
Especialistas defendem ainda maior
integração entre escola, família e comunidade, sem esquecer ação efetiva do
Estado no combate a toda sorte de crimes de ódio. Tão importante quanto
valorizar os professores, melhorar suas condições salariais e trabalhistas é
assegurar sua integridade física e psicológica. Há algo de assustador em uma
sociedade que aceita com naturalidade que seus professores se tornem alvo de
violência.
(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora
da FGV-RJ.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/08/26.
Opinião. p.18.

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