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segunda-feira, 27 de abril de 2026

SAÚDE BUCAL E QUALIDADE DE VIDA

Por Davi Cunha (*)

A saúde bucal ainda é um desafio importante no Brasil, especialmente quando se observa a realidade da população idosa. Dados recentes indicam que cerca de 36,5% dos idosos brasileiros perderam todos os dentes naturais. No Ceará, esse índice é ainda mais elevado e chega a aproximadamente 45,9%, um dos maiores do país. Em Fortaleza, a situação também chama atenção: cerca de 42% das pessoas acima dos 60 anos já não possuem dentes naturais.

Embora muitas pessoas associam a perda dentária ao envelhecimento, especialistas destacam que esse processo não é inevitável. Na maior parte dos casos, a perda de dentes está relacionada a doenças bucais preveníveis, como cáries em estágio avançado e, principalmente, a periodontite, uma inflamação que afeta a gengiva e o osso responsável por sustentar os dentes.

Além de afetar a estética e a autoestima, a ausência de dentes pode trazer impactos diretos para a saúde geral. A dificuldade de mastigação costuma levar idosos a modificar a alimentação, priorizando alimentos mais macios e, muitas vezes, menos nutritivos. Esse hábito pode contribuir para quadros de desnutrição, perda de massa muscular e piora da qualidade de vida.

Outro fator comum é o uso prolongado de próteses dentárias. Embora as dentaduras representem uma solução importante para reabilitação bucal, quando utilizadas por muitos anos podem contribuir para a reabsorção do osso da mandíbula e da maxila, o que pode dificultar tratamentos futuros.

Alguns cuidados simples ajudam a preservar a saúde bucal ao longo da vida. A higiene adequada dos dentes e das próteses, o uso regular do fio dental e as consultas periódicas ao dentista são medidas fundamentais para prevenir doenças bucais.

Na terceira idade, também é importante estar atento à chamada boca seca, condição comum em pessoas que utilizam medicamentos para hipertensão, diabetes e outras doenças crônicas. A redução da saliva aumenta o risco de cáries e infecções, exigindo acompanhamento profissional.

Outro ponto de atenção são feridas ou manchas na boca que não cicatrizam em até 15 dias. Nesses casos, a avaliação de um dentista é fundamental para descartar problemas mais graves.

Mais do que tratar dores ou problemas já instalados, o cuidado com a saúde bucal deve fazer parte da rotina ao longo de toda a vida. A prevenção continua sendo o caminho mais eficaz para garantir que mais pessoas envelheçam com saúde, autonomia e qualidade de vida.

(*) Cirurgião-dentista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/03/2026. Opinião. p.16.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

MÊS DO CIRURGIÃO-DENTISTA: o que comemorar?

Por Jussiê Leal (*)

O dia do cirurgião-dentista é comemorado em 25 de outubro em alusão à criação dos primeiros cursos de graduação em Odontologia no país, em 1884. No decorrer da história, a Saúde Bucal vem ganhando cada vez mais importância por constituir fundamental alicerce da saúde e da qualidade de vida das pessoas.

No Brasil, a Saúde Bucal ganhou notoriedade com o Programa Brasil Sorridente, que deu início ao processo de democratização do acesso aos cuidados odontológicos. Recentemente, a Política Nacional de Saúde Bucal foi inserida na lei orgânica da Saúde, visando ampliar e qualificar a atenção à saúde bucal.

Na contramão desse avanço, o cirurgião-dentista, seus técnicos e auxiliares não têm conseguido reconhecimento, sendo afetados pelos baixos vencimentos, sobrecarga e precarização de trabalho em suas mais diversas formas. A ausência de Planos de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) nos municípios e o não cumprimento da Lei nº 3.999/61, que determina o valor de três salários-mínimos para 20 horas semanais de trabalho, cerceiam direitos e reivindicações históricas da categoria, repercutindo no adoecimento físico e mental de profissionais em todo o estado.

A abertura de inúmeros cursos de graduação, em descompasso com as necessidades epidemiológicas da população, gesta um exército de profissionais recém-formados que, por necessidade, submetem-se ao trabalho precário em clínicas privadas, com rotinas de cargas horárias excessivas e sem vínculo trabalhista reconhecido. A maioria dos convênios, por sua vez, continua remunerando os cirurgiões-dentistas com valores irrisórios, que não condizem com os anos de estudo e aperfeiçoamento necessários para se exercer a Odontologia com excelência.

Diante disso, resta-nos anunciar o triste cenário do trabalho odontológico no Brasil, hoje representado pelo slogan da campanha promovida pelo Sindiodonto-CE: "Nem feliz, nem sorridente: o dentista está precarizado, insatisfeito e descontente!". Para que possamos continuar prestando relevantes serviços à sociedade, necessitamos de reconhecimento e valorização profissional, elementos fundamentais ao exercício do nosso trabalho com dignidade e bem-estar.

(*) Cirurgião-dentista. Delegado Sindical do Sindiodonto-CE.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 25/10/2023. Opinião. p. 20.


 

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