Mostrando postagens com marcador Vestibular. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Vestibular. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de maio de 2024

ANTISSEMITISMO NO VESTIBULAR DA UECE

Por Maximiliano Ponte (*)

Não é no século passado. O ano é 2024. Na entrada de universidades de diferentes cantos do mundo observam-se ofensas contra os judeus, explícitas ou veladas, gritadas ou escritas. Na entrada de universidades americanas estudantes e professores judeus são perseguidos e hostilizados. No vestibular (meio de entrada) da Universidade Estadual do Ceará, candidatos são submetidos à propaganda antissemita. Três questões da prova, tomadas em conjunto, apresentaram aos jovens a clássica narrativa antissemita, em três atos.

1º Ato: Deslegitimização. A questão 27 aborda o êxodo do Egito. Em seu enunciado afirma que Moysés guiou o povo do Egito para "Palestina". Ocorre que a época a região era chamada de Canaã. O nome Palestina só foi adotado após a conquista romana, já no século I. Nomear de "Palestina" a Canãa bíblica, onde atualmente está o Estado de Israel, é deslegitimizar a ligação espiritual, histórica e identitária do povo judeu a sua terra ancestral.

2º Ato: Desumanização. A questão 29 tratava do tema das guerras e em particular da 2ª guerra mundial. A reposta correta, conforme o gabarito divulgado era que o extermínio de judeus, que ficou conhecido como holocausto, foi uma medida antieconômica, pois os nazistas perderam a oportunidade de utilizar a sua mão de obra escrava. Aqui se coisifica os milhares de judeus e não judeus mortos pela máquina nazista, e os desumaniza.

3º Ato: Demonização. Para acertar a questão 35, o candidato deveria definir sionismo, movimento de busca do retorno do povo judeu para sua terra ancestral, como meramente um movimento expansionista e colonialista israelense. Destaca-se que o enunciado abordava a guerra atual com o grupo terrorista Hamas, mas obviamente não citava a invasão do território israelense, nem o assassinato de mais de mil civis, muito menos o sequestro de mais de 100 pessoas, incluindo um bebê!

Desta forma, na prova apresenta-se a velha narrativa antissemita que deslegitima o direito do povo judeu ao retorno a sua terra ancestral, desumunamiza seu sofrimento e demoniza suas ações. Da universidade não espero anulação de questões, mas sim, desculpas públicas e ações no sentido de punir os responsáveis por produzir e autorizar a utilização de questões claramente antissemitas. Afinal, não podemos esquecer: antissemitismo é crime!

(*) Judeu. Médico psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/05/2024. Opinião. p.18.

domingo, 6 de agosto de 2023

Curso de Direito será oferecido pela Uece a partir do próximo vestibular

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) segue crescendo e proporcionando aos cearenses mais oportunidades. Desta vez, a novidade é o curso de bacharelado em Direito, criado em dezembro de 2022, com aprovação do Conselho Universitário (Consu/Uece). O projeto pedagógico do curso foi aprovado pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe/Uece), no último mês de junho, e está pronto para ser ofertado no vestibular 2024.1, com processo já iniciado.

Para o reitor da Uece, professor Hidelbrando Soares, “essa é mais uma ação de expansão e democratização do acesso à universidade, pública, gratuita e de qualidade em uma área de grande interesse da juventude cearense. Ofertaremos o segundo curso público de Direito de Fortaleza e o quarto do Ceará, ampliando a oferta pública desse curso no estado, com a marca – muito característica da Uece – da inclusão social: assim como em todos os nossos outros cursos, metade das vagas serão destinadas a estudantes com direito a cotas sociais e étnico-raciais.”. Ele salienta, ainda, que “o curso também se alinhará às estratégias de transição econômica do estado do Ceará, gerando novas competências com formação de excelência para áreas prioritárias no desenvolvimento econômico e social cearense. Assim, a Uece não só oferta mais oportunidades de formação aos cearenses, como fortalece sua contribuição para a sociedade em geral.”.

Vinculado ao Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), o curso de Direito da Uece oferece 40 vagas, das quais 19 são para ampla concorrência e 21 para cotas racial, social e pessoas com deficiência (PcD).

Com previsão para início em 26 de fevereiro de 2024, as aulas serão realizadas no campus Itaperi, no turno da noite, com duração de cinco anos. O curso será ofertado uma vez por ano.

O novo curso da Uece tem como objetivo geral oferecer uma formação profissional qualificada, generalista, crítica e humanística, voltada para a prestação da justiça, o desenvolvimento da cidadania e o efetivo exercício do Direito na sociedade.

Como objetivos específicos, o curso visa formar profissionais críticos, reflexivos, com capacidade de análise, argumentação, interpretação e valorização dos fenômenos jurídicos e sociais, capazes de atuar em diferentes instâncias no âmbito judicial e extrajudicial; promover impacto na formação do estudante e na comunidade externa à Uece, por meio da articulação de ações de extensão universitária ao ensino e à pesquisa, fortalecendo a política de responsabilidade social da Uece, e proporcionar desenvolvimento profissional integral, em consonância com as demandas da sociedade, articulando as dimensões teórico-metodológica, técnico-operacional e ético-humanística da formação jurídica.

O profissional formado pelo curso de Direito da Uece deverá ter uma formação para que atue tanto em áreas tradicionais, como magistratura, promotoria e defensoria pública, quanto em ramos mais recentes, como o direito ambiental, urbano, digital, dentre outros. Desse modo, o egresso da Uece estará apto para atuar em diversos espaços do campo sociojurídico, públicos ou privados, podendo atuar como advogado, juiz, promotor de justiça, procurador, defensor público, delegado de polícia, assessor ou consultor jurídico, entre outras ocupações que visam à defesa e à efetivação de direitos difusos, coletivos e individuais de pessoas físicas e jurídicas.

Quanto à avaliação do novo curso, ela deverá contemplar diferentes aspectos, a partir de procedimentos e instrumentais de coleta de informações propostos e aplicados pelo Núcleo Docente Estruturante (NDE) e pelo colegiado do Curso, pela Comissão Própria de Avaliação (CPA) da Uece, pelos Conselhos Superiores da Universidade e pelo Conselho Estadual de Educação do Ceará (CEE), órgãos responsável pela avaliação e pelo reconhecimento dos cursos de graduação das universidades estaduais, desde o plano de criação e do projeto pedagógico do curso (PPC).

Entre os aspectos avaliados, destacam-se: desempenho discente, atuação docente, atuação da gestão; matriz curricular; infraestrutura, integração com a pós-graduação, interação com as demandas atuais do mercado de trabalho e da sociedade.

Fonte: Uece. Assessoria de Comunicação, em 3/08/23.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

UECE DOBRA NÚMERO DE VAGAS PARA O CURSO DE MEDICINA


Por jornalista Luana Severo
Interessados em estudar Medicina na Universidade Estadual do Ceará (Uece) têm, a partir deste ano, 40 vagas a mais para disputar. O incremento, anunciado ontem pelo governador Camilo Santana (PT), nivela o curso a todos os outros da universidade, que tem duas portas de entrada anuais. A primeira fase do vestibular em que, pela primeira vez, serão ofertadas vagas de Medicina para o segundo semestre letivo deve ser aplicada no próximo dia 16 de junho.
Jackson Sampaio, reitor da Uece, explicou que a decisão do Governo foi pautada, entre outras razões, por dificuldades enfrentadas para administrar o curso. "Se tenho oferta anual, algumas disciplinas são oferecidas no primeiro semestre e, no segundo, não. Se algum aluno tiver dificuldade, em vez de ele resolver logo no segundo semestre, terá de esperar outro ano para fazer a disciplina", exemplificou. Esse problema, lembra o gestor, é um dos que provocam o abandono do curso. "Embora a perda seja muito pequena, temos 2,7% de evasão", observa.
Além disso, o reitor ressalta que 40 vagas anuais - sendo 20 para ampla concorrência e 20 para cotistas e candidatos vindos de escolas públicas - era uma oferta muito pequena diante da alta demanda, que permeia a média de 200 concorrentes por vaga.
Desde que a Uece passou a ofertar Medicina, 15 anos atrás, o intuito era oferecer uma turma por semestre. No entanto, Sampaio admite, "precisávamos amadurecer", principalmente na formação do quadro de professores da universidade, que teria recebido reforço em concursos promovidos pelo Estado em 2012 e 2016. "Não se toma uma decisão dessa sem muito planejamento. Tivemos atrasos na incorporação de professores", relata.
Com profissionais suficientes para dar conta das duas turmas anuais, segundo Sampaio, só será preciso ajustar a oferta de disciplinas por semestre. E assegurou: "Não altera o tempo do curso, que é de seis anos; a carga horária continua a mesma (8.428 horas, sendo 3.840 de internato) e não exige, de imediato, novos concursos".
No anúncio, o governador Camilo Santana rememorou que a Uece já formou 423 médicos — teriam sido 440, não fossem os 2,7% de evasão — e garantiu que sua disposição é de "apostar cada vez mais em Ciência, Tecnologia e Inovação". A formação na Uece, garante o reitor, Jackson Sampaio, prepara o universitário para "ser um médico geral comunitário de família, sem prejuízo para que depois escolha qualquer formação especializada, qualquer residência".

Serviço

Vestibular 2019 - Uece
Lançamento do edital: 5 de abril
1ª fase: 16 de junho
2ª fase: 7 e 8 de julho
Início do segundo semestre letivo de 2019: 2 de dezembro
Fonte: Publicado In: O Povo, Opinião, de 23/2/19. p.12.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

DO CEARÁ PARA O MUNDO


O Farias Brito já aprovou 1.148 alunos para cursos no ITA e no IME. Segundo o diretor-superintendente da instituição, Tales de Sá Cavalcante, alunos de estados como o Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e Pernambuco participam das turmas especiais todos os anos. “É o que tem consolidado o Farias Brito como uma referência nacional não só no ITA e no IME, mas também em outros cursos bastante concorridos, como a Medicina, e até em universidades estrangeiras”, aponta.
O Farias Brito está entre as empresas que tenta trazer de volta esses talentos para o Estado. Dois ex-alunos da escola, que foram para o ITA, voltaram como executivos. “Estamos a estruturar, para o início do 2º semestre de 2018, por meio do FB Ideias - nosso núcleo de inovação e empreendedorismo -, um projeto voltado, entre outros objetivos, a atrair jovens talentos empreendedores”, diz.
O colégio Ari de Sá também busca recrutar cearenses que estudaram fora do Estado. Hoje, o quadro de executivos conta com quatro deles. Além do ITA, IME e universidades internacionais, a escola aposta posta em cursos de preparo para Escola de Formação de Oficiais da Marinha Mercante (EFOMM), Escola Preparatória de Cadetes do Exército (Espcex) e Academia da Força Aérea (AFA). Somente nessas provas, aprovou 108 alunos.
Além de termos excelentes alunos, investimos muito em professores qualificados e experientes, bibliotecas com livros específicos, aplicação de simulados de nível elevado, salas de estudo, plantão tira-dúvidas, apoio psicológico aos alunos por meio do SOP (Serviço de Orientação Psicopedagógica) e acompanhamento individualizado. Hoje temos alunos de vários estados do País”, explica Marcos André Tomaz Lima, diretor de ensino do Ari de Sá. Por meio da plataforma de educação - SAS, a escola tem exportado o modo de ensino do Ceará, estabelecendo parcerias com 720 escolas do Brasil.
Publicado In: O Povo, Economia, de 15/4/18. p.18.

CELEIRO DE TALENTOS

REPRESENTATIVIDADE | Egressos de instituições de ensino cearenses ocupam 44% das vagas do ITA, mais que todos os estudantes do Sudeste
As estatísticas de vestibular do Instituto de Tecnológico de Aeronáutica (ITA), sediado em São Paulo, apontam que pelo menos 61% das vagas foram preenchidas por estudantes que concluíram o Ensino Médio em colégios particulares em 2017.
Esse percentual chegou a 70% em outros anos. Os números não levam em conta estudantes de escola pública que fazem cursinhos particulares para passar na prova. Entre as escolas do Brasil, redes de Fortaleza se destacam pelo sucesso na aprovação dos alunos.

Sobre o assunto

Em anos como 2016, egressos de instituições de ensino cearenses ocuparam 44% das vagas, mais que todos os estudantes da região Sudeste. Mesmo nos anos em que o percentual de aprovados do Ceará é menor, no caso de 2017 (30%), ele ainda fica acima da soma das aprovações das regiões Centro-Oeste, Sul, Norte e os demais estados do Nordeste. O talento para as ciências se mostram cedo, assim como o preparo para os concorridos vestibulares. As olimpíadas de matemática, física e química já são tradição. Neste ano, dos 14 brasileiros que participam de competições internacionais de física, dez são do Ceará.
Há 20 anos no preparo de alunos de cursos de exatas, o professor de matemática e coordenador das turmas ITA/IME do Colégio 7 de Setembro, Max Paiva já atuou no Rio de Janeiro, Pernambuco e Piauí. Para ele, o diferencial do Ceará é que existe uma grande competição entre escolas, fazendo com que elas se esforcem cada vez mais para garantir o sucesso dos estudantes. “Em 2005, nós começamos a preparar os alunos desde o 1º ano do Ensino Médio. Dois anos depois, vimos que a fórmula deu resultado. Logo depois, outras escolas adotaram o sistema”, destaca. Desde então, afirma, já foram mais de 100 alunos já foram aprovados pelo ITA e o Instituto Militar de Engenharia, com sede no Rio.
O diretor-geral do colégio Master, Nazareno Oliveira, conta que, ainda em 1988, o Estado mal aprovava alunos para os vestibulares de institutos no Sudeste. “Fizemos um estudo com as escolas do Sudeste e criamos um modelo próprio ‘made in Ceará’”, brinca. Em seguida, vieram os primeiros resultados e, desde então, o empenho das escolas só cresceu. Oliveira afirma que tenta trazer alguns dos antigos pupilos de volta para ministrar cursos para os que desejam ingressar nos institutos. “Apostamos numa turma reduzida com o maior percentual de aprovação do País”, completa.
Com capacitação de alunos que sempre estudaram na escola, o Christus deu início mais recentemente à empreitada para produzir potenciais engenheiros do ITA e IME.
Estou à frente dessas turmas há quatro anos. Começamos a fazer um trabalho bem mais intensificado, com uma cultura que o aluno comece a fazer esse trabalho e ver a escola como a primeira casa. Ele fica na escola o dia todo, todos os dias. A carga horária é bem grande em relação aos demais cursos”, explica Danúbio Portugal, coordenador-geral das turmas ITA/IME e Núcleo Olímpico da instituição.
Ótimos números
A concorrência acirrada entre as escolas de ensino particular do Estado tem feito com que, cada vez mais, cearenses sejam aprovados nos vestibulares de importantes instituições.
Publicado In: O Povo, Economia, de 15/4/18. p.18.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

PASSEI NO VESTIBULAR (¹)

Meraldo Zisman (*)
Médico-Psicoterapeuta
Choram os docentes, do alto e do baixo clero universitário, ativos e inativos (aposentados). Coincidentemente ou não, escrevo estas linhas em uma terça-feira de carnaval, quando a folia já está mais perto de baixar, e os nobres e a plebe, os ricos e os pobres, os governantes e os eleitores retornam à realidade do cotidiano. Quero lembrar, aqui, o estudante Alcides do Nascimento Lins, assassinado no dia 5 de fevereiro de 2010, aos 22 anos de idade, e perguntar aos meus leitores: de que vai adiantar a morte dos Alcides, junto àqueles que driblam a miséria e passam no vestibular?
Podem verter enxurradas de prantos, homenagens, crônicas, reportagens, missas, atos públicos, que de nada adiantará. Minha tese, acreditem, é a de que falta Educação no Brasil. Isto porque, em verdade, os poucos jovens marginalizados pela pobreza que chegam à Universidade e rompem a barreira da miséria são mortos, assassinados, moral ou fisicamente, cedo ou tarde, como o Alcides, filho de uma catadora de lixo.
A maioria daqueles jovens ainda acredita em nós, professores, quando dizemos: “estudem bastante para poder sair da miséria material e mental, e, desse modo, poderão ser aproveitados no mercado de trabalho”. É triste o país que faz dos seus jovens as maiores vítimas das mortes matadas, das mortes morridas, das mortes não vividas, os mártires das injustiças psicossociais. O assassinato em questão não ocorreu dentro dos muros universitários!
Quem pensa que o problema de Educação se resolve, exclusivamente, dentro das escolas, está enganado. É equivalente a um nobre, na Idade Média, julgar estar protegido do clamor dos súditos, por meio de fossos, muros, ou pontes levadiças nos castelos. Como os poderosos podem pensar em ter, como defesa do poder, o uso da tecnologia, sem melhorar a condição humana?
Não importam os tipos de defesas, as cercas eletrificadas, os sensores, as câmaras de vigilância, a internet, as seguranças particulares, todos esses paredões de nada valem quando a injustiça social penetra nas paredes de taipa de uma escola do interior, ou nos muros da Universidade. E há quem acredite, ainda, que a escola é o segundo lar, quando se sabe que o primeiro jamais existiu. O jaleco que a mãe de Alcides vestia, no dia em que foi à delegacia para depor, é o emblema da enganosa política socioeducativa e caritativa brasileira.
Quando é que vamos entender que um diploma não é um passaporte para a cidadania? Um dos sambas que Martinho da Vila canta continua sendo bastante atualizado: (¹) 'Felicidade! Passei no vestibular, mas a faculdade é particular. Particular, ela é particular; particular, ela é particular... Livros tão caros, tanta taxa prá pagar; meu dinheiro muito raro, alguém teve que emprestar...'.
Dizem que o Brasil é um país sentimental, além de ser musical. Seja lá como for, é importante deixar claro que lágrimas não servem para ressuscitar ninguém. É preciso muito mais do que isso!
(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE) e da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES). Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Colégios cearenses alcançam 38% dos aprovados no vestibular do IME em 2014

149 estudantes de Fortaleza passaram em um dos vestibulares mais difíceis do país, o do Instituto Militar de Engenharia (IME) e o número impressiona

Os irmãos Alice e Vinícius Campos têm muitas semelhanças. Além de herdarem a mesma fisionomia dos pais e estudarem no mesmo colégio, eles almejam um objetivo: serem engenheiros. Com 19 e 18 anos, respectivamente, já alcançaram uma grande vitória. Foram aprovados em um dos vestibulares mais difíceis do país, o do Instituto Militar de Engenharia (IME). E juntos, na edição de 2014.
Foram dias incontáveis estudando dia e noite no colégio, além de incluir os finais de semana. O fator biológico ajudou sobretudo na hora de sanar dúvidas. “Eu tenho mais afinidades com algumas matérias e ele com outras. Daí a gente vai se ajudando”, ressalta Alice.
Com eles, mais 147 cearenses conseguiram aprovação, na lista que foi divulgada no início de dezembro. Ao todo, passaram 391 estudantes. Isso significa que 38% é proveniente do Ceará. É a prova que os “cabeças chatas” estão conquistando o mundo. Ou pelo menos as universidades mais exigentes do país.
Colégios em destaque
O Tribuna do Ceará entrou em contato com os colégios locais que se destacam nacionalmente quando se trata de aprovação nessa instituição. Às vezes, um único colégio aprova mais que uma cidade. O professor Marcelo Pena, do Farias Brito, ressaltou que dos 149 aprovados cearenses, 59 estudaram lá, ou seja, quase 40%.
“Isso mostra que o cearense tem um foco, busca o sonho. Os cearenses também têm bons resultados em olimpíadas. Os meninos são preparados desde o ensino fundamental, quando demonstram interesse pelo IME ou ITA [Instituto Tecnológico de Aeronáutica]. Esse trabalho é feito em parceria com professores, famílias e o próprio aluno. Ficamos muito felizes em celebrar a vitória com eles”, enfatizou Pena.
No Colégio 7 de Setembro, onde Alice e Vinícius estudaram, não é diferente. Segundo o supervisor do pré-vestibular, Silvio Mota, 23 setembrinos foram aprovados no IME. O segredo está no time de profissionais, nas avaliações e nas correções dos erros.
 “Nosso trabalho vem de muito tempo, desde 1984. Buscamos desenvolver o potencial dos alunos, com carga horária diferenciada. Quando um aluno consegue o objetivo é motivo de felicidade para todos nós, principalmente quando a gente consegue transformar aquele aluno que não é o melhor da turma, mas que consegue se superar”.
ITA
A lista de cearenses que se formam fora é extensa e histórica. Com o ITA é do mesmo jeito. O Tribuna do Ceará publicou em 2013 um levantamento, indicando que Fortaleza aprovou 23,5% dos novos alunos na última década. Líder nacional nesse quesito, essa foi a cidade onde estudavam 305 dos 1.296 aprovados entre 2004 e 2013. Quem chega mais perto é São José dos Campos, sede de vários cursos preparatórios para a faculdade, com 291 (22,5%).
Fonte: Tribuna do Ceará / UOL Notícias.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

PLATICÉFALOS NO VESTIBULAR DO ITA DE 2015


O engenheiro aeronáutico Felipe Bastos Gurgel, iteano de 2006, em painel da Embraer de 2007.

O jornal O Povo, de 31/12/2014, estampou em suas páginas 7, 9 e 19 anúncios publicitários de três renomadas escolas de Fortaleza sobre os resultados de seus respectivos alunos no vestibular de 2015 do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Uma escola anunciava 11 aprovações, outra reportava 25 aprovados e a terceira propagava 20 alunos exitosos. A comparação entre os três anunciantes, recorrendo tão somente ao número absoluto de aprovados, pode ser enganosa, porque a apreciação mais criteriosa deveria ter em conta o número de inscritos por instituição para calcular a taxa de aprovação específica.
Um dos anúncios confrontava a sua cifra com a quantidade aprovada nas capitais brasileiras de realização dos exames, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília etc., indicando que o seu desempenho, isoladamente, as superava, com a exceção do obtido em Fortaleza, até porque seus alunos já fazem parte desse rol.
São José dos Campos, a cidade-sede do ITA, foi contemplada com 45 aprovações, o que não surpreende, pois nela há um tradicional curso preparatório, que funciona em tempo integral, recebendo alunos estudiosos, de alto nível socioeconômico, e procedentes de todo o Brasil, ansiosos para ingressarem no ITA, aos quais oferece alojamento e suporte pedagógico diuturno.
No último vestibular do ITA, foram inscritos 7.792 candidatos, com uma concorrência de 45,84 candidatos por vaga, redundando na taxa final de aprovação de apenas 2,18%. A capital paulista participou com 1.627 candidatos (20,88%), mas assegurou só 14 vagas (8,24%) ao registrar uma taxa de sucesso de 0,86%, enquanto Campinas-SP não teve qualquer aprovado entre os seus 438 inscritos.
A supremacia dos cabeças-chatas cearenses nesse certame fica evidente diante da constatação de que Fortaleza, com os seus 783 postulantes, representando o terceiro maior contingente de inscritos (10,05%), amealhou 61 vagas, ou seja, mais de um terço da oferta (35,88%), fruto da mais elevada taxa de êxito (7,79%) alcançada, da ordem de 3,6 vezes a média nacional.
São José dos Campos tomou parte com o segundo maior grupo, formado por 803 (10,31%) inscritos, apropriando-se de 45 (26,47%) vagas; contudo, em que pese as excelentes condições de estudo propiciadas aos seus assistidos, logrou uma taxa de aproveitamento de 5,60%, inferior a que foi auferida pelos concorrentes da capital cearense. Note-se que Fortaleza e São José dos Campos abocanharam 62,35% dos lugares da nova turma de iteanos.
Os locais de aplicação com taxa de aprovação superior à média do País foram: Fortaleza (7,79%), São José dos Campos (5,60%,), Teresina (3,36%) e Rio de Janeiro (2,42%).
Por certo, o cearense Casemiro Montenegro, marechal-do-ar e fundador do ITA, se vivo fosse, estaria hoje jubiloso com o feito dos seus conterrâneos platicéfalos.

Prof. Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Do Instituto do Ceará (Histórico, Geográfico e Antropológico)

* Publicado In: O Povo, de 12/01/2015. Opinião. p.9.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

QUALIDADE DOS VESTIBULANDOS À MEDICINA DA UECE



Tem sido crescente a concorrência às quarenta vagas anuais ofertadas para o curso de Medicina da Universidade Estadual do Ceará (Uece) – número superior a quatro vezes o da média global do vestibular – conforme pode ser visto nos resultados dos vestibulares, de primeiro semestre, de 2003 a 2013. Nesses onze certames, 296.040 foram inscritos para o total de 21.050 vagas, sendo que 29.220 disputaram as 440 vagas de Medicina, configurando uma concorrência média, por vaga, de 14,06, no geral, e de 66,41, para a Medicina. Na mesma série histórica, enquanto a concorrência global, por vaga, oscila entre 11,23 a 16,13, a da Medicina espelha uma tendência ascendente, cujo pico foi alcançado em 2013, com 84,78.
Além da alta concorrência, a qualidade dos disputantes, principalmente a daqueles aprovados, expõe, claramente, o bom desempenho dos que desejam cursar Medicina na Uece, consoante se demonstra a seguir.
Esse concurso, segue o modelo em duas fases: a primeira, realizada por meio de duas provas, cobrindo matérias e conteúdo do ensino médio, somando 60 questões de múltipla escolha e valendo 120 pontos; e a segunda, composta da redação e de três provas específicas, de acordo com a área da graduação. Para definir os aptos à participação da segunda fase, recorre-se ao ponto de corte de aproveitamento dos candidatos colocados em ordem decrescente de escore da prova geral, até o limite de cinco a seis vezes o número de vagas, respeitando-se as notas empatadas no limiar de acesso.
Com base nesse critério, os pontos de corte (cut-off) mais elevados, dentre todos os cursos, nos onze vestibulares, foram os de Medicina, variando de 98 a 110 pontos, exigindo do vestibulando, no mínimo, de 49 a 55 questões corretas, para tomar parte da segunda etapa. À guisa de exemplo, dos 29.685 inscritos no último vestibular (2013.1), apenas 393 (1,32%) obtiveram o cut-off da Medicina (nota mínima 98), dos quais 314 (79,90%) eram parte dos 3.391 candidatos da Medicina, ficando os 79 (20,10%) restantes pulverizados em outros 25 cursos de graduação, todos em unidades de Fortaleza. Sintetizando, tem-se que o curso de Medicina detém pouco mais de 11% das inscrições, mas assume cerca de 80% dos maiores escores.
Ainda na simulação da aplicação de tal ponto de corte, a seleção pública se revelaria desastrosa, pois, antes da segunda etapa, ficariam ociosas 94,60% das vagas em disputa, ou desconsiderando as da Medicina, 96,35% das ofertadas nos demais cursos, sendo os resultados mais favoráveis os constatados em Ciências da Computação (70,00% de não ocupadas) e em Física (78,75% de ociosidade), enquanto dezenas de cursos não preencheriam uma só vaga.
Do resultado geral do recente concurso vestibular da Uece, percebe-se a reprodução do fenômeno identificado em anos precedentes, expondo que o primeiro excedente às vagas disponíveis em Medicina poderia passar, em primeiro lugar, em vários cursos, e o último dentre os seus classificáveis, embora expurgado dos matriculados, teria rendimento para preencher uma vaga em qualquer outra graduação dessa universidade.
Está claro que esse rendimento dos candidatos à Medicina fundamenta-se apenas em pontuação medida em vestibular, que tem seus vieses e, igualmente, boas qualidades, mas não os deixa melhor que os outros, visto que existem outros valores intrínsecos mais imperativos, a exemplo da sensibilidade, do caráter, do humanismo etc.; entretanto, do ponto de vista técnico, concede maior responsabilidade institucional, notadamente ao corpo docente ueceano, para esmerilar essa matéria bruta, de modo a elaborar preciosos médicos, de elevado quilate, e prontos a bem servir às comunidades.
Agora, fevereiro de 2013, decorridos dez anos da implantação do curso médico da Uece, quando cinco turmas já foram graduadas, ratifica-se que o teor da matéria prima recebida, bem selecionada nos vestibulares, cuja qualidade vinha sendo atestada nos exames de aferição oficiais realizados pelo MEC, está sendo comprovada nos resultados dos nossos egressos em diversos processos seletivos de residência médica e nos concursos públicos, aos quais os formandos da Uece vêm sendo submetidos, indicando que eles foram lapidados, com esmero, por docentes e médicos devotados à arte de educar.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular de Saúde Pública da UECE
* Publicado In: Conselho, 98: 7, março-abril de 2013. (Informativo do Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará).

segunda-feira, 11 de abril de 2011

EDUCAÇÃO ENGANOSA

A Secretaria da Educação do Ceará (SEDUC) enxertou, em 10/02/10, nos principais jornais cearenses, um informe publicitário, de duas páginas, sobre o Resultado do Vestibular da UFC de 2010, tendo por mote o aumento de 91% na aprovação dos alunos da rede estadual de ensino.
A informação, alvissareira para quem sonha com um ensino público, fundamental e médio, de qualidade, já circulava, há alguns dias, com amplo destaque na mídia; o informe oficial, na tentativa de auferir rendimentos políticos ou de expor o desempenho da pasta da Educação, foi tão desconcertante como desnorteante, caso se processe uma análise mais apurada do que foi exibido no informe aludido.
Primeiramente, o órgão estadual lastreou em números relativos, a sua chamada de sucesso, calcada no incremento de 91%, sem fazer referência ao ponto de partida, pois basta passar de um para dois para se ter um implemento de 100%. Como o Estado listou 303 nomes, na dependência do arredondamento, os aprovados no exame de 2009 foram 159 ou 160 alunos, que concorreram a 4.085 vagas, enquanto que, no certame anterior a UFC ofertou 5.504 vagas, com aumento de 35% e criação de quase vinte novos cursos, induzindo um avanço de 41% no total de inscritos, cifras essas que deveriam ser consideradas na análise.
De fato, a concorrência por vaga teve um ligeiro aumento, de 7,66 (2009) para 8,02 (2010), porém não foram noticiados quantos candidatos eram egressos das escolas estaduais e que fração dos seus concludentes do ensino médio se sujeitou ao dito vestibular. A análise correta teria que ser feita com base na taxa de aprovação entre os segmentos concorrentes. Por outro lado, segundo o site da SEDUC, dos 398.353 alunos matriculados no ensino médio cearense, em 2009, 350.612 (88%) pertencem a escolas estaduais, o que vem confrontar com os cerca de 5,5% de participantes destes, entre os atuais calouros da UFC.
Demonstrando uma falta de cuidado do gestor público, ao preparar o informe, entre os 303 listados, há uma série de erros, desde a grafia errada de nomes, a repetição de um deles, como se fosse possível a dupla aprovação, a divergência quanto ao curso aprovado em dez casos, até a inclusão de 46 alunos que não constavam do rol oficial de aprovados da UFC, reduzindo o total de aprovados, no limite das vagas ofertadas, a 256 (ou meros 4,65% da participação estadual), conformando, com tal montante, um implemento relativo de 60%, de 2009 para 2010, e não de 91%, maiormente explicável pela expansão da oferta de vagas no vestibular, que, sobretudo, deu-se em cursos menos competitvos.
Claro está que, diferentemente do que a propaganda alardeou, esse resultado, mais que uma mostra de que o investimento do Governo do Estado na Educação, reflete uma vitória de cada um desses alunos, a despeito das más condições de ensino, a eles propiciadas.
Com a adoção do ENEM, a servir de forma única de acesso a UFC em 2011, cuja totalidade das vagas foi inclusa n SISU, espera-se que o estado do Ceará não lance mão do cotejamento de resultados, caso o interprete como favorável, porquanto o instrumento de avaliação aplicado por último é completamente distinto do tradicional vestibular, até então usado pela UFC.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular da UECE
* Publicado In: APESC Notícias11 (44): 3, março de 2011.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

PÉROLAS DO ENEM I

1. “O Brasil não teve mulheres presidentes mas várias primeiras-damas foram do sexo feminino".
(Ou seja: vários ex-presidentes casaram-se com travestis.)
2. "Vasilhas de luz refratória podem ser levadas ao forno de microondas sem queimar".
(Alguém poderia traduzir?!)
3. "O bem star dos abtantes da nossa cidade muito endepende do governo federal capixaba".
(Vende-se máquina de escrever faltando algumas letras.)
4. "Animais vegetarianos comem animais não-vegetarianos".
(Esse aí deve comer capim.)
5. "Não cei se o presidente está melhorando as insdiferenças sociais ou promovendo o sarneamento dos pobres. Me pré-ocupa o avanço regresssivo da violência urbana".
(“Sarneamento” deve ser o conjunto de medidas adotadas por Sarney no Maranhão. Quer dizer, eu “axo”, mas não me “pré-ocupo” muito.)
6. "Fidel Castro liderou a revolução industrial de 1917, que criou o comunismo na Russia".
(Não, besta, foi o avô dele.)
7. "O Convento da Penha foi construído no céculo 16 mas só no céculo 17 foi levado definitivamente para o alto do morro".
(Demorou o "céculo" inteiro pra fazer a mudança.)
8. "A História se divide em 4: Antiga, Média, Momentânea e Futura, a mais estudada hoje".
(Esqueceu a História em Quadrinhos.)

Fonte: Internet (frases selecionadas e comentários, sem autoria, circulando por e-mail).

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

EGRESSOS DE ESCOLAS ESTADUAIS NA UFC

Os jornais cearenses de maior circulação trouxeram, em 10/02/10, em duas páginas centrais do primeiro caderno, um destacado informe publicitário, produzido pela Secretaria da Educação do Ceará, narrando o notável aumento de 91%, na aprovação dos alunos da rede estadual de ensino verificado no Vestibular da UFC de 2010.
Apesar de deter 88% das matrículas no ensino médio cearense, em 2009, os alunos das escolas estaduais amealharam somente cerca de 5% das vagas em disputa, nesse certame, configurando uma pífia participação, digna de preocupação, e não de exaltação, conforme se depreende da auto-enaltecedora peça publicitária citada.
Se a quantidade não é expressiva, a qualidade do resultado está longe do tolerável, uma vez que a larga maioria dos aprovados concentra-se em cursos de baixa concorrência e de menores escores para ingresso, condições indicativas de menor competitividade dos seus pretendentes.
Com efeito, não houve um só aprovado em cursos tradicionais, como Arquitetura, Direito, Enfermagem, Farmácia e Odontologia; as exceções, de uma vaga ocupada em Medicina (Barbalha) e outra em Psicologia (Sobral), justificam-se porque os pontos de corte nas extensões interioranas são bem inferiores aos identificados nos mesmos cursos sediados na capital; dos três nomes listados em Engenharia Civil, um foi aprovado em Fortaleza, outro em Juazeiro do Norte e o terceiro, na verdade, sequer figura entre os selecionados pela UFC.
Mesmo contando o Ceará com uma ampla rede de ensino médio, composta por 538 escolas estaduais, dotadas de equipamentos essenciais, como bilbiotecas (504), laboratório de informática (529) e laboratório de ciências (367), que deveria fornecer resultados mais alentadores, nota-se uma convergência de aprovação de vestibulandos em certas “Ilhas Educacionais”, exemplificadas por alguns estabelecimentos: Colégio da Polícia Militar, Colégio dos Bombeiros, EEFM Adauto Bezerra, EEFM César Cals de Oliveira Filho, EEFM Justiniano de Serpa, o que pode refletir algum grau de indução pedagógica de seus dirigentes, agindo como fermento e convertendo a massa em um saboroso produto.
A vasta pulverização desses estudantes aprovados em escolas e em localidades cearenses favorece ao entendimento de que o esforço individual parece prevalecer como determinante principal para o êxito do vestibulando, cuja motivação e disposição pessoal superam a desmotivação imperante em seu meio escolar e comunitário.
Os que lutam por um ensino público de qualidade não devem se vangloriar, crendo, piamente, na magia dos números, transmutados maliciosamente, em sobejos progressos no campo educacional, cujos resultados, duradouros e persistentes, somente advirão da aplicação apropriada de somas continuadas e sem desperdícios.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular da UECE

* Publicado In: APESC Notícias, 10 (43): 4, dezembro de 2010. (Órgão de divulgação da Associação dos Professores do Ensino Superior do Ceará).

terça-feira, 9 de novembro de 2010

OS RISCOS DO ENEM

O Jornal O Povo publicou, em 1º/07/10, um artigo de opinião, pondo em xeque a adesão de universidades públicas sediadas no Ceará ao ENEM. Naquele momento, UFC e da UVA, entregaram-se, bovinamente, aos caprichos do MEC, cancelando os seus vestibulares, e cedendo todas as suas vagas para ingressos de novos alunos ao SiSU. Posteriormente, a UVA reavaliou a sua posição, retirando o seu apoio.
A UECE e a URCA resistiram, soberanamente, ao assédio federal, assegurando a manutenção de seus vestibulares. Ambas instituições atuaram com serenidade, rejeitando a pronta adoção de uma empreitada de alto risco, detentora de complicada logística, com evidentes pontos frágeis capazes de suscitar sérios problemas operacionais e jurídicos.
As provas do ENEM, conduzidas pelo INEP, foram aplicadas nos dias 6 e 7/11/10, para mais de quatro milhões de candidatos em todo o País, dos quais 208 mil no Ceará, um contingente localmente explicado pela sujeição integral da UFC ao certame.
Infelizmente, esse exame que, no ano passado, foi abortado, antes de sua aplicação, por conta do vazamento de questões, revelou agora, só tardiamente, a sua vulnerabilidade, desta feita no decorrer da aplicação, embora fossem falhas relativas à montagem e à impressão das provas.
Com efeito, dos quatro cadernos de resposta, uma parcela das provas do caderno amarelo exibia aberrações, a exemplo de: as questões 21 e 23 eram iguais; não havia as questões 30 e 31; e dupla numeração da 34 e da 35. Essas falhas, somadas ao erro na identificação do teor no gabarito, podem ter induzido distorção no preenchimento das respostas em inúmeros concorrentes. A gravidade é majorada porque os transtornos não foram comuns a todos cadernos de provas, sendo verificado apenas em uma fração de um deles, o que torna inviável efetuar compensação quando da correção dos gabaritos.
Anular as provas do sábado é uma medida dolorosa; mas, corretiva.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular da UECE

* Publicado In: Jornal O Povo. Fortaleza, 9 de novembro de 2010. Caderno A (Opinião). p.6.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O ENEM NO CEARÁ

A UECE iniciou, em 27/06/10, o seu segundo vestibular do ano, com a oferta de 1.730 vagas, distribuídas nos “campi” de Fortaleza, Itapipoca, Crateús, Limoeiro do Norte, Iguatu e Quixadá, para as quais há uma concorrência de 6,0 candidatos por vaga.
Diferentemente da UFC e da UVA, que, no começo de 2010, decidiram adotar o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), conduzido pelo INEP/MEC, como a forma única de admissão nessas universidades, e para a qual disponibilizaram todas as suas vagas, extensivas a todo o país, abolindo o tradicional vestibular, por elas aplicados, a UECE resistiu ao assédio federal, mantendo o seu próprio vestibular.
O canto de sedução entoado por dirigentes do MEC, acompanhado de promissoras e tentadoras compensações, não foi suficiente para justificar a adesão ueceana ao ENEM, dobrando-se, assim, aos afagos brasilienses.
A decisão da UECE não foi condicionada a qualquer tipo de barganha ou intento de vender mais caro a sua aderência ao processo seletivo de abrangência nacional. Em que pese fulminar componentes da cultura regional e local, o ENEM ostenta algumas vantagens pedagógicas, do ponto de vista da avaliação, porquanto favorece mais a capacidade de raciocínio do candidato, minimizando os efeitos da memorização, e, com isso, privilegia a competência na interpretação e na solução de problemas reais, resultando em maior poder discriminatório dos testes.
A UECE, tal como a URCA, que também não aderiu ao ENEM, agiram, com absoluta prudência, ao rechaçar uma empreitada de elevado risco, cuja logística, de alta complexidade, pela extensão territorial do Brasil e suas particularidades, revela elos de extrema vulnerabilidade, bastando que um deles se rompa, para quebrar toda a corrente, em cadeia, como aconteceu, no ano pretérito, quando o sigilo da prova foi violado no centro de produção, causando um avultante prejuízo material, financeiro e, sobretudo, moral. Em suma: basta uma canoa, portando provas, virar em um igarapé da Amazônia, para toda a Armada naufragar.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular da UECE
* Publicado In: Jornal O Povo. Fortaleza, 01de julho de 2010. Caderno A (Opinião). p.8.

terça-feira, 18 de maio de 2010

ESCOLAS ESTADUAIS E A INTERIORIZAÇÃO DA UFC

Há quase dez anos, a UFC perpetrou uma das suas mais controvertidas ações, ao partir para a interiorização, começando pela instalação de duas extensões do curso de Medicina. A ousadia, alvo de duras críticas, não contra a interiorização, em si, do ensino superior federal, era de extremo risco, por ser iniciada levando um curso de elevada complexidade, que, aliás, naquele momento, atravessava uma situação vexatória, porquanto acabara de ser brindado com o conceito “E”, no Provão do MEC, em decorrência do boicote parcial da avaliação, determinada pelo movimento estudantil.
À época, Airton Monte, um conhecido e talentoso cronista, peremptoriamente, advertiu: “Quando a matriz vai mal, não se abre filial”. Essa frase tem aplicação geral, excetuando, talvez, nalguns casos, relacionamentos conjugais, mormente quando não se logra uma convivência harmônica.
No correr dos anos, em que pese os naturais percalços, a UFC, gradualmente, conseguiu consolidar os “Campi” do Cariri e de Sobral, que podem, por sinal, ser transformados em futuras universidades, e implantar um núcleo voltado para a tecnologia em informática, em Quixadá, experiências geradoras de inegáveis benefícios a essas regiões do interior cearense, onde esses empreendimentos estão localizados.
“Grosso modo”, esse crescimento foi conduzido observando as necessidades locais e a oferta existente dos cursos ministrados pelas universidades estaduais cearenses. No último Vestibular da UFC, para ingresso de 2010, das 5.504 vagas oferecidas, 890 (16,17%) pertenciam a dezoito cursos em funcionamento no “hinterland”, despertando uma concorrência de 8,88 candidato/vaga, superior à média da capital, e explicada pela forte atração dos cursos médicos. As vagas no interior observaram a seguinte distribuição: Cariri (450 em nove cursos), Sobral (290 em seis cursos) e Quixadá (150 em três cursos).
Todavia, esse esforço de interiorização da UFC, tem sido muito pouco aproveitado pelos alunos egressos da rede estadual de ensino, visto que, segundo dados divulgados pela SEDUC, apenas 47 deles foram selecionados, entre as 890 vagas postas em disputa, conferindo uma simplória participação da ordem de 5,28%. As quantidades de aprovados e as proporções, respectivamente, por “campi”, foram as seguintes: Cariri 19 (4,22%), Sobral 1 (0,34%) e Quixadá 27 (18%). Das três unidades, Quixadá teve o melhor resultado, em termos de aproveitamento dos alunos de escolas públicas, enquanto que, para Sobral, cabe a suspeição de que as vagas, em sua quase totalidade, estão sendo preenchidas pelos que provêm de instituições particulares de ensino, o que inclui os estudantes que deixam a capital, em busca do interior, face à concorrência ser mais amena ou menos combativa.
Como responsável pelo desenvolvimento do Ceará e por amainar as diferenças regionais, cabe ao Governo do Estado melhorar a qualidade do ensino público nas cidades e micro-regiões, que albergam faculdades e cursos superiores, a fim de tornar os estudantes mais competitivos nos exames vestibulares, o que resultará na contenção de parte do fluxo migratório para Fortaleza, representada por aqueles que almejam uma formação educacional superior.
Marcelo Gurgel Carlos da Silva
Professor titular da UECE
* Publicado In: APESC Notícias, 10 (41):4, maio de 2010. (Órgão de divulgação da Associação dos Professores do Ensino Superior do Ceará).

domingo, 9 de maio de 2010

PROVA DE REDAÇÃO DA UFBA III

Vejam só o que alguns dos vestibulandos foram capazes de escrever na prova de redação da Universidade Federal da Bahia, tendo como o tema: ‘A TV FORMA, INFORMA OU DEFORMA?’

11. ‘A TV ezerce poder, levando informações diárias e porque não dizer horárias’.

12. ‘E nós estamos nos diluindo a cada dia e não se pode dizer que a TV não tem nada a ver com isso’.

13. ‘A televisão leva fatos a trilhares de pessoas’.

14. ‘A TV acomoda aos tele inspectadores’.

15. ‘A informação fornecida pela TV é pacífica de falhas’.

16. ‘A televisão pode ser definida como uma faca de trezgumes. Ela tanto pode formar, como informar, como deformar’.

Fonte: Circulando por e-mail, com a informação de que a seleção foi feita por um dos professores avaliadores.

segunda-feira, 29 de março de 2010

PROVA DE REDAÇÃO DA UFBA II

Vejam só o que alguns dos vestibulandos foram capazes de escrever na prova de redação da Universidade Federal da Bahia, tendo como o tema: ‘A TV FORMA, INFORMA OU DEFORMA?’

6. ‘Sempre ou quase sempre a TV está mais perto denosco (?), fazendo com que o telespectador solte o seu lado obscuro’.
7. ‘A TV deforma a coluna, os músculos e o organismo em geral’.
8. ‘A televisão é um meio de comunicação, audição e porque não dizer de locomoção’
9. ‘A TV é o oxigênio que forma nossas idéias’.
10. ‘… por isso é que podemos dizer que esse meio de transporte é capaz de informar e deformar os homens’.
Fonte: Circulando por e-mail, com a informação de que a seleção foi feita por um dos professores avaliadores.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

PROVA DE REDAÇÃO DA UFBA I

Vejam só o que alguns dos vestibulandos foram capazes de escrever na prova de redação da Universidade Federal da Bahia, tendo como o tema: ‘A TV FORMA, INFORMA OU DEFORMA?’
1. ‘A TV possui um grau elevadíssimo de informações que nos enriquece de uma maneira pobre, pois se tornamos uns viciados deste veículo de comunicação’.
2. ‘A TV no entanto é um consumo que devemos consumir para nossa formação, informação e deformação’.
3. ‘A TV se estiver ligada pode formar uma série de imagens, já desligada não…’ .
4. ‘A TV deforma não só os sofás por motivo da pessoa ficar bastante tempo intertida como também as vista’ .
5. ‘A televisão passa para as pessoas que a vida é um conto de fábulas e com isso fabrica muitas cabeças’ .
Fonte: Circulando por e-mail, com a informação de que a seleção foi feita pelo Prof. José Roberto Mathias.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Pérolas dos Vestibulandos XI

ESTAS SÃO NOTA DEZ!
1. A Terra é um dos planetas mais conhecidos no mundo e suas constelações servem para esclarecer a noite.
2. As principais cidades da América do Norte são Argentina e estados Unidos.
3. Expansivas são as pessoas tangarelas.

UMA DAS MELHORES:
E o presidente onde está? Certamente em sua cadeira fumando baseado e conversando com o presidente dos EUA.

UMA DAS CAMPEÃS!!!
Em Esparta as crianças que nasciam mortas eram sacrificadas.

E O PRÊMIO VAI PARA....

O clima de São Paulo é assim: quando faz frio é inverno; quando faz calor é verão; quando tem flores é primavera; quando tem frutas é outono e quando chove é inundação."

Fonte: Internet (Circulando por e-mail)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Pérolas dos Vestibulandos X

OUTRAS EXCELENTES!
1. Resposta à pergunta: "Que entende por helenização? "Não entendo nada"
2. No começo os índios eram muito atrazados mas com o tempo foram se sifilizando.
3. Entre os povos orientais os casamentos eram feitos "no escuro" e os noivos só se conheciam na hora h.
4. Então o governo precisou contratar oficiais para fortalecer o exército da marinha.
5. No tempo colonial o Brasil só dependia do café e de outros produtos extremamente vegetarianos.

Fonte: Internet (Circulando por e-mail)
 

Free Blog Counter
Poker Blog