Por
Tales de Sá Cavalcante (*)
Em 1997, o Clube do Líbano de Fortaleza
resolveu vender sua sede. Em data e horário divulgados, os envelopes foram
entregues fechados e, na presença de todos, foram abertos. Seria vencedor quem,
além de superar o mínimo prefixado, tivesse o maior preço. Uma empresa possuía
vários envelopes para escolher o adequado ao conjunto de competidores que se
fizessem presentes.
Ao se ver só, sem concorrentes, entregou o
envelope com o menor valor. Ao levar várias propostas, a empresa revelou
criatividade e brasilidade. Em 2015, num concurso, em Fortaleza, para escolher
a melhor criação de uma startup, alunos de uma entidade pública usaram um
computador que não era dos melhores, nem dos mais novos e travou na hora
"H". O líder juntou fios daqui, fios dali, peças daqui, peças dali.
Aquela "coisa" "ressuscitou" e ganhou o prêmio.
Em reunião no Conselho de Responsabilidade
Social da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo relatei o feito. O
colega conselheiro e apresentador de TV Marcelo Tas comentou ter ouvido de um
grande publicitário americano que "o brasileiro é mais criativo por fazer
gambiarras".
Sim, com boas condições, executa
perfeições, o que não faz o conterrâneo do yankee, Mr. Trump, que, mesmo com
muitos recursos, decide por gambiarras oriundas de sua mente ou de assessoria
deficiente.
O saudoso Washington Olivetto dizia:
"A ideia é o que faz a diferença". E Rubem Alves afirmou: "Há
escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas
existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados
são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde
quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros.
Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros
engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros
coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já
nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser
encorajado".
Por fim, este articulista indaga: e você?
Prefere uma escola que seja gaiola ou asa?
(*) Reitor do FB UNI e
Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia
Cearense de Letras.
Fonte: Publicado In: O Povo, de 28/05/26. Opinião, p.16.

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