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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Crônica: Quando um guaxinim era o perigo! ... e outros causos

Quando um guaxinim era o perigo!

O motorista se chamava João, rapaz simpático, boa conversa. Eu, no banco de trás do táxi, lia no celular coisas da modernidade intrigante.

A certo instante, espantado com recente episódio de violência no Rio de Janeiro, quebrei o silêncio, dizendo que nesses tempos difíceis "só a proteção divina para nos guardar".

E João, morador da Vila União do amigo Jair Moraes, conta, em contraponto, quão tranquilo era o ir e vir há mais de 40 anos.

- Morávamos na beirada da Lagoa do Opaia e, jovem ainda, íamos ao Vuac - Vila União Atlético Clube, festa animada pelo conjunto Os Morcegos. De casa pra lá, uns 300 metros.

- "Sem os ladrões atrás", perigo nenhum no caminho, nera?

- Nenhum! Ainda assim, mamãe pedia cautela: "Cuidado com cobra e guaxinim!"

A relação glúten/glúteo

Além da dificuldade de ler que prestasse, a vista não ajudava essas coisas todas; os ouvidos, contudo, alcançavam o que os ói não abarcavam.

Prestes a se aposentar, caladão, Dandão é sujeito atento, determinado a aprender. Entre outras, sabe o que é "glúteo", ouvira por vezes a palavra da boca do patrão, Dr. Osvaldo - "bem saidinho".

"Fazedor de mandado" de Dr. Osvaldo, tinha já 20 anos, era por ele "parido".

- Pense numa pessoa pra eu gostar! Um pai pra mim! Dou a vida por ele!

Em casa, certa feita, Dandão ouve da filha Diana, por primeira vez, uma palavrinha parecida com glúteo - aquela "proteína natural encontrada em cereais como trigo, cevada e centeio".

Que consumida por pessoas com condições específicas, é um perigo - provoca reações adversas, a exemplo da autoimune doença celíaca.

A filha, com considerada alergia ao trigo, toda se coçando, é indagada pelo pai sobre a mazela manifestada.

- É intolerância ao glúten!

- Ao quê, Diana?!?

- Glúten, pai! Não sei como ainda tem gente que gosta...

A filha nem bem pronunciou a frase completa ("Não sei como ainda tem gente que gosta de pão") e Dandão, pensando tratar-se do "grupo de três músculos na parte de trás do quadril", corre e arremata:

- Pois eu sei quem gosta! Dr. Osvaldo dá o maior valor!

Esquecendo o que não lembrava

Mal cheiro medonho - de cocô ultrapassado - no consultório. E o senhor, lá dentro, com pressa pra relatar ao médico uma "incapacidade de criar novas memórias, decorrido algum momento", conhecida por amnésia anterógrada.

Põe-se a contar ao geriatra, que se esforça para manter-se calmo, o que sentia. Profissional incomodado enquanto investiga do que sofria "seu Bené", e poder traçar o melhor plano de cuidados.

O octogenário paciente se faz acompanhar da filha Isaura, cuidadora monossilábica, acostumada já com os senões do pai. Começa Bené a discorrer.

- Doutor, eu como uma pratada de feijão, mas é como eu não tivesse comido nada...

- Isaura, ele comeu ou não essa pratada de feijão? - pergunta o doutor.

- Comeu... - responde seca a protetora.

- E aí, dotozim - prossegue Bené -, bebo uma garapa, mas é como se não tivesse bebido.

- E ele, Isaura, bebeu?

- Bebeu...

Agora, explodindo a catinga do "resto de tudo o que o corpo (de seu Bené) não aproveitara dos alimentos digeridos", é o próprio paciente que revela o que tem:

- Como eu ia dizendo, tá com três dias que eu defeco direto nas calças, mas é como se eu não tivesse obrado...

- Tá explicado! Agora tá explicado!

Fonte: O POVO, de 14/08/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Crônica: A colega doutora ... e outros causos

A colega doutora

Gente boa o Neto, homem de bem com quem é bom estar. Servidor e simpático, sóbrio é esse sujeito maravilhoso; lasca quando toma umas pôde a mais, aí é boneco federal, o que não inibe em absoluto a percepção que dele temos acerca do reconhecido valor humano. Sucede que o amigo, de poucas letras, aprontou de novo e foi chamado a responder processo, aberto pela própria esposa em momento de justificável aperreio.

E já está ele diante da juíza - audiência remota. A competente advogada dá as devidas orientações, no sentido de seu cliente tratar com "respeito e educação a digníssima juíza". Que use termos condizentes, mantenha a calma e responda apenas o que for perguntado. Mas vemos um Neto tenso, em risco de baldear o juízo e botar a causa a perder.

A advogada, cautelosa, reforça:

— Ao dirigir-se à meritíssima juíza, chame-a de doutora! Ou de excelência! Ouviu, Neto?

— Na hora, dona Maria!

Final da audiência e a douta juíza prolata:

— Sr. Francisco Neto, pelo que vejo, o senhor, réu primário, não é pessoa má, apenas mais uma vítima do álcool. Por isso, sua pena será a prestação de serviços comunitários.

— Obrigado, colega!!! Maravilha, colega!!!

Juíza ouviu os "colegas" e se riu, entendendo o contexto. Pediu maternal:

— Aproveite (o serviço comunitário) que é numa escola e estude. Seja decente e brilhe!

— Eita, dotorinha! A senhora é só o mí disbuiado!

Ô, taria!

Clarice é esperta. Cinco aninhos e, ouvidos atentos, sabe muito bem o que dizem em derredor, escutando com perfeição a coisa proferida. Estamos na casa da avó Dijé que, na sala, assiste às arrumações do marido-vovô em brincadeiras ingênuas com a netinharada ("calango na parede", "João atrepa", "carrapicho"). Lá pelas tantas, Dijé solta a forma foneticamente reduzida da palavra que, em seu uso informal, é utilizada para descrever bagunça, injustiça, diversão, fulerage, cachorrada...

— Ô taria!!!

Clarice, vigilante, vai até onde está Dijé e, professoral, corrige.

— Vó!!! Não é "taria"! É putaria! Aprende!

Fé muita, fé demais!

Primeiro ano de namoro do casal e Leléo leva Madinha pra passar final de semana na casa dos pais. Domingo bem cedo, é praxe, o jovem sai para o grupo de oração. Madinha fica, entabulando boa conversa com a cunhada. 10 horas da manhã e a moça sente cólicas - vontade urgente e súbita de evacuar. Corre em busca do banheiro. De lá, liga encabulada pro namorado; ele, absorto no culto, "pedindo, agradecendo e louvando o Senhor", não ouve a chamada. Uma, duas, três tentativas... Até que deu certo.

— Oi, amor! Jesus contigo!

— Para, Leléo! O negócio aqui fedeu! Fala baixo! Não volte pra casa sem um...

— ... sem um bocado de louvores abençoados pra te embalar, nunquinha!!!

— Não, Leléo! Não volte sem um desentupidor, o sanitário entalou! Tô no banheiro da sala, traga sem fazer enxame!

Largando vexado o culto, ele compra o desentupidor e, provando que o Senhor lhe tocou o coração, um buquê de rosas. Em casa, Evangelho de João palpitando ainda, entrega a "ferramenta de limpeza de desobstruir vasos sanitários" e as flores, murmurando discreto, na porta entreaberta do banheiro.

— Madinha, na casa de meu Pai há muitas moradas!

— É? Então por que justamente na sua a privada enguiçou? Hein? Me fala!

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quarta-feira, 26 de agosto de 2026

UMA NOVA DOENÇA

Por Romeu Duarte Junior (*)

Um novo e sinistro mal acomete os brasileiros e as brasileiras: as tais plataformas de apostas esportivas, também conhecidas como bets, nome derivado do verbo bet que em inglês significa apostar. Não que só agora o nosso povo descobriu essa mania; a população brazuca sempre se viu envolvida com algum tipo de jogo, seja o do bicho, seja o carteado, seja o turfe, seja a loteria, seja o bingo, seja qualquer atividade lúdica em que o azar, esta triste palavra, esteja envolvida.

Todavia, se no passado essas manias se davam com base no "vale o escrito", nestes tempos que correm, as bets operam na velocidade do algoritmo, gerando uma espécie de vício que faz adoecer as pessoas, estas cada vez mais incontroláveis em suas tentativas de ganhar dinheiro, cruéis fracassos.

Essa doença é alimentada por duas características da nossa sociedade: a aversão ao planejamento e a irresponsabilidade financeira. O gosto pelo lema "deixa a vida me levar, ao léu e ao deus-dará" é o leitmotiv de muita gente boa por aí. De outra parte, estourar cartão de crédito, esbanjar o que não se tem, comprar coisas desnecessárias ou fúteis são atos que desenham a cara da turma que costuma frequentar a fila do Serasa.

Há absurdos tais como muitos beneficiados pelo programa Bolsa Família apostarem tudo o que têm e o que não têm no jogo do tigrinho, virando reféns de uma roleta russa ignominiosa. Não são mais seres humanos, são zumbis, são drogados que precisam da heroína do jogo constante para seguir vivendo, se é que isso é vida. Nada fácil a situação.

O governo federal, preocupado com o endividamento dos apostadores e de suas famílias, criou regras para a publicidade das bets, tal como faz em relação ao cigarro. O Ministério da Fazenda tornou obrigatória a exibição de advertências relativas à jogatina, bem como ampliou as restrições quanto ao conteúdo das propagandas, principalmente aquelas que incentivam as apostas como forma de amealhar caraminguás ou que se utilizem de figuras populares para influenciar o respeitável público.

Realmente, dá raiva ver jogador de futebol que até bem pouco tempo tinha uma imagem sagrada, se revelar, na verdade, um santinho do pau oco vendendo enganosas facilidades na televisão e nas redes sociais. Quem sabe se não foi essa nova pandemia o que acabou com a nossa seleção?

Especialistas, por seu turno, informam que só o aviso repreensivo não basta. Há que se contar com fiscalização tecnológica, tratamento médico para dependentes, programas de educação financeira e mecanismos rigorosos de controle de gastos. O Desenrola está por aí, resolvendo o buraco das finanças pessoais arrasadas com dinheiro público, mais um gargalo administrativo.

Com certeza, esse assunto mais a segurança pública serão os temas mais abordados neste ano eleitoral. Com a cabeça zonza de tanto pensar no momentoso e angustiante problema, deixei a crônica de lado e fui respirar no jardim. Lá fora, dois sujeitos conversavam. "Aposto dez paus que nos próximos cinco minutos não passa nenhuma Topic 703 aqui na Antônio Sales". Ah, Brasil, tem jeito não...

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/07/26. Vida & Arte. p.2.


quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A QUE PONTO CHEGAMOS

Por Rev. Munguba Jr. (*)

De quatro em quatro anos o Brasil se reúne para viver a magia de uma Copa do Mundo. Pais sacrificam parte da poupança para realizar o sonho dos filhos com os álbuns de figurinhas, e milhões de brasileiros alimentam a esperança de ver mais uma estrela estampada na camisa da nossa seleção.

Lembro-me da Copa de 1970. Eu era apenas um menino, comendo rocambole de goiaba e correndo pelas ruas atrás do Colégio Batista, onde morávamos, comemorando cada vitória da seleção brasileira. Depois daquela conquista vieram outras duas inesquecíveis, consolidando o Brasil como a única seleção pentacampeã do mundo.

Entretanto, neste ano chegamos a um ponto diferente. O debate deixou de ser sobre futebol.

Assistimos a campanhas favoráveis e contrárias ao nosso camisa 10 não por sua condição física, seu talento, sua capacidade técnica ou sua recuperação das lesões, mas por causa de suas preferências políticas e declarações públicas.

Todo cidadão tem o direito de manifestar suas convicções e fazer suas escolhas. Somos contrários a qualquer forma de discriminação. Seja na política, na religião, na vida familiar ou na esfera da sexualidade, cada pessoa deve ser livre para expressar suas convicções. Respeitar uma decisão não significa, necessariamente, concordar com ela.

Quando escolhemos um médico para realizar uma cirurgia, observamos sua formação, sua experiência e seus resultados. Quando buscamos um salão de beleza, avaliamos a qualidade do atendimento e o resultado do serviço. Raramente perguntamos qual é a preferência política ou a orientação ideológica dessas pessoas.

Talvez estejamos perdendo a capacidade de distinguir o que é essencial do que é secundário. Precisamos aprender novamente a separar as estações da vida e evitar transformar diferenças de opinião em critérios absolutos para julgar pessoas.

Quando confundimos competência com preferência, perdemos muito mais do que um jogo. Perdemos a capacidade de conviver.

Vai lá, Neymar! Faça no campo aquilo que você sabe fazer. Honre a camisa da seleção com dedicação, entrega e excelência. E, se Deus permitir, ajude a trazer para o Brasil mais uma estrela.

(*) Pastor Munguba Jr. Embaixador Cristão da Oração da Madrugada e Erradicação da Pobreza no Brasil e presidente da Igreja Batista Seven Church.

Fonte: O Povo, 4/07/2026. Opinião. p.24.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Crônica: O lambedor ... e outros causos

O lambedor

A amiga Baixinha é conhecida internacionalmente no Jardim das Oliveiras por preparar o mais potente lambedor que se tem notícia no Ceará, de verdade. Orgulhosa de seu lambedor caseiro (xarope à base de agrião, malva-santa, "pepaconha", mastruz e demais ervas medicinais cozidas com mel, em alquimia que só ela sabe a receita), a querida Baixinha se gaba de já haver curado muita alergia e coqueluche pelaí.

- Meu lambedor já chegou à Inglaterra! Curou tosse braba de muito gringo! Sem falar de gente daqui do Brasil! Nada de gororoba de farmácia, meu lambedor é naturalmente milagrento!

Essa notícia maravilhosa me remeteu a um tio segundo - tio Manezinho, de meu pai, morador da Barra do Ceará. Ele tinha um cachorro pé duro com esse nome - "Lambedor". Estivemos na casa dele, ao lado do campo do Ferrim, num sábado à tarde, e enfim entendemos o porquê de tão doce e curativo nome - do cachorro. Lá estava o tio de papai refestelado na cadeira de palhinha e, deitado aos seus pés, o dito cachorro, diligente. Lambia-lhe solene, com gosto de gás, a ferida braba de sua canela, ao tempo em que espantava tudo que era mosquito em redor. Papai, horrorizado, deu um pulo e gritou:

- Tí Manezim, o Lambedor!!!!!!

- Peça uma colherada na cozinha à sua tia!

Português nós sabe...

Das Chagas, me confidenciou Paulo Marcelo (O Bigode), queria porque queria estudar Espanhol nas Casas de Cultura Estrangeira da UFC. E fez uma redação à direção, explicando os motivos da escolha do idioma castelhano de Cervantes. Passada uma semana, pegou o Campus do Pici/Unifor e foi bater no Benfica, pra saber o resultado de seu requerimento. Lá chegando, guiando-se pelo waze, a placa dizia em letras garrafais: "Casa de Cultura Hispânica".

Lendo aquilo, deu meia volta, decepcionado. Em casa, já, a mulher indaga de um marido claramente chateado com o que houve. Ele...

- Cacei, cacei e cacei hispanha e hispanhol e num vi nada disso por lá. Nããã!

O querido amigo é o mesmo que, certa vez, perguntado sobre a árvore "seringueira", respondeu que era a que dava "seringuela'.

Para admissão imediata

O empreendedor Jota Crocodilo (exportador de dindin light) está precisando dos seguintes profissionais - levar referências:

- Secador de cueca na base do assopro.

- Caçador de cururu escovado em beira de lagoa.

- Narrador de enterro de sogro enjoado.

- Descamador de peixe com as unhas.

- Animador de briga de galo.

- Comentarista de enterro.

- Analista de cururu enfezado.

- Instrutor de fie duma égua.

- Professor de natação em bacia.

- Decorador de cerca de arame farpado.

- Manicure de quiromante...

Novo cearensês

Água quebrada a frieza - Água tépida, no ponto exato de dar um banho - em criança.

Precisa só dum pezinho... - Basta um empurrão pruma briga, carece de pouca coisa para começar - a confusão, a briga...

Tirar a suja - Dar uma desculpa esfarrapada.

De testa - Frente a frente, misturando os bigodes.

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A ILUSÃO NO CLIQUE: o custo social das bets

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

No Brasil de hoje, bares, calçadas ou pontos de ônibus exibem o brilho de telas de celulares com gráficos coloridos, foguetes que sobem, promessas de multiplicação instantânea de dinheiro das chamadas "bets". Elas passaram de entretenimento para um problema de urgência social, econômica e de saúde pública, ocupando, com uma velocidade impressionante, espaço no cotidiano de uma população já endividada e pouco alertada para os riscos sobre o orçamento doméstico.

Dados recentes de pesquisa realizada pela CNC, estimam em 81,6% o número de famílias endividadas, 29,7% com atraso e 12,3% sem condições de quitação. Esse recorde histórico, não admitindo mais protelações.

A demora já favoreceu o caminho para aquele clique, que cria um momento lúdico, mas, na realidade, torna o cidadão um possível viciado, com a ilusão do ganho fácil, desde que persevere. "Insista, persista, não desista. O seu dia chegará", já dizia velho bordão da Loteria Cearense.

Contudo, o problema não é o jogo em si, mas o dinheiro da bodega, da conta de luz ou do mercantil do mês, canalizado para a ilusão do ganho fácil. Números do Banco Central indicam que os recursos transferidos via Pix para plataformas de apostas - hoje na casa das 200 legalmente estabelecidas -, podem chegar a R$ 30 bilhões mensais e, mais grave, análises amostrais apontam para que 5 milhões de  teriam destinado, em um mês, cerca de R$ 3,0 bilhões para essas plataformas.

Não é de estranhar que os varejistas cearenses já se ressintam da perda de fôlego do consumo básico, porquanto a renda que circularia no comércio do bairro, por exemplo, está sendo desviada para essas plataformas e distribuída não se sabe exatamente para onde.

O debate sobre a regulamentação, com regras de publicidade, tributação e mecanismos de identificação de perfis de risco, já tardio, da burocracia estatal, em ritmo de tartaruga versus a velocidade do clique. Devemos tratar o superendividamento por apostas não como um desvio de caráter, mas como um problema de saúde coletiva— a ludopatia.

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 13/07/26. Opinião. p.18.


segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Como está a primeira rua compartilhada de Fortaleza quase 11 anos depois

Por Daniel Gifone, jornalista de O Povo

Projeto feito em colaboração entre a Prefeitura de Fortaleza e o Hospital São Carlos foi pioneiro na Cidade, mas situação de abandono é destacada por frequentadores

No dia 19 de novembro de 2015, foi inaugurada, no bairro Dionísio Torres, a primeira rua compartilhada de Fortaleza, realizada a partir da Parceria Pública e Privada (PPP) entre a Prefeitura de Fortaleza e o Hospital São Carlos.

O projeto tinha como objetivo, de acordo com a própria gestão municipal, possibilitar uma convivência harmoniosa entre pedestres e ciclistas, autorizando a apenas a passagem de ambulâncias em caso de emergências e inserindo o conceito de traffic calming nas extremidades das ruas, sem desníveis ou barreiras, facilitando o trânsito das pessoas.

A via contava, a princípio, com bancos, mobiliário urbano, paraciclo, piso drenante, painel de mosaico, jardim vertical, paisagismo, iluminação de LED e uma geladeira que servia como biblioteca pública, para quem quisesse ler no local.

Desde então, pouco se foi noticiado sobre a rua, apesar de a Prefeitura ter verbalizado, na época, sua intenção de continuar investindo em projetos voltados para a melhoria da mobilidade urbana.

A poucos meses do décimo primeiro aniversário de inauguração, o O POVO visitou a rua, a fim de observar o cenário atual e averiguar como tem sido a manutenção do equipamento.

O que foi encontrado foi uma rua em situação precária, com lixo espalhado pelo chão, vegetação crescendo desordenadamente nas beiradas dos muros que, por sua vez, estão com sua pintura desgastada, descascando e com manchas.

Outras características notáveis são um jardim vertical mal cuidado, bancos faltando, além de um poste com seu transformador exposto, com grande potencial de causar um acidente.

O comerciante Sebastião Gomes, que há dez anos possui um ponto de venda de lanches na rua, diz que chegou a notar serviços como retirada de algumas vegetações, porém, nenhuma reforma significativa.

De acordo com ele, a coleta de lixo no local teria sido interrompida, com lixeiros já não passando mais pela rua para coletar os dejetos, tornando a limpeza do local responsabilidade dele e da equipe do Hospital São Carlos.

Não tinha lixeiro recolhendo mais, porque antes eles faziam isso, né? Tinha um rapaz que tirava o lixo que tava aí dentro e levava pro caminhão recolher, aí depois desistiram do rapaz. Aí ficou por nossa conta, aí toda vez que a gente vinha aqui tinha muito lixo aí, mas sem proteção, aí eu mesmo decidi 'emborcar', aí fica como assento”, explica.

O eletricista Leandro Barros destacou que os postes e as árvores também apresentam insegurança para quem transita no local: "As árvores estão muito velhas. O perigo delas é de cair, é mais perigoso ficar embaixo da árvore do que esperar nelas para ter proteção do sol. É muito risco”.

Se é responsabilidade da Prefeitura, então é a responsabilidade dela de zelar, assim como é do hospital também. Mas que ela está maltratadinha ela está, de limpeza, acho que não teve a evolução dela. No começo ela parecia ser artística, mas não está mais atrativa”, avalia.

Em nota, a Coordenadoria Especial de Apoio à Governança das Regionais (Cegor) informou que tanto a rua Otoní Façanha de Sá quanto a Praça Rogério Froes, contam com projeto de manutenção elaborado pela gestão municipal.

A proposta para a rua, em particular, contempla a manutenção do piso drenante, com o objetivo de qualificar a infraestrutura local e proporcionar mais conforto e segurança aos usuários.

Quanto à previsão para a realização, a nota informa que as intervenções serão executadas de acordo com a disponibilidade orçamentária e o cronograma de investimentos da gestão municipal.

Já a Secretaria Municipal da Conservação e Serviços Públicos (SCSP) comunicou que realiza a coleta domiciliar de resíduos na rua Otoní Façanha de Sá três vezes por semana, às segundas, quartas e sextas-feiras, no período da noite.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/07/26. Cidades. p.12.


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Praça Luiza Távora: um pedaço de cidade sem sorte

Por Romeu Duarte Junior (*)

Como se dizia antigamente no saudoso Pasquim, meninos, eu vi! Vi com estes olhos que a terra há de comer um dia. Foi com assombro e êxtase que dei com ele pela primeira vez. Já abandonado, esvaziado dos seus moradores, o mato crescendo à volta, os palacetes fechados, em meio a um dos locais mais belos da Aldeota onde os oitizeiros dão-se os galhos num abraço de sombra e afeto. Sim, caras e caros, estou falando do Castelo do Plácido, obra monumental que o seu dono mandara projetar pelo maior arquiteto do Ceará    de todos os tempos, João Sabóia Barbosa, para agradar sua esposa italiana. Em 1974, um grupo empresarial comprou e demoliu o edifício para no terreno construir um centro comercial. Talvez por maldição, quebrou que apartou. Os palacetes restaram lá.

Ednardo, o grande cantor de Fortaleza, nos embalou com a bela "Longarinas" logo após a perda do palácio: "E a lua viu desconfiada; a noiva do sol com mais um supermercado; era uma vez o meu castelo entre mangueiras; e jasmins florados; e o mar engolindo lindo; e o mal engolindo rindo". Algum tempo depois, alguém teve a bela ideia de implantar na praça criada um centro de exposição e comercialização do artesanato cearense. Confiou-se o projeto ao engenheiro Pedro Natale Rossi, sobrinho da proprietária original e famoso pelas casas que então projetava e construía. No projeto que elaborou, usou carnaúba, concreto, alvenaria e telha de barro. Talvez porque foi retirada a casca dos troncos da palmeira, a estrutura colapsou, o que fez com que a obra fosse demolida. Triste.

Súbito, chega-me a infausta notícia de que o Metrofor interditará a praça por dois anos e meio para a construção de uma estação metroviária subterrânea, cuja implantação importará na escavação de uma vala de 38 metros de profundidade com diâmetro de mesma dimensão, o que fará com que seja suprimida boa parte da arborização. Pergunta-se: a central de artesanato e os palacetes serão também afetados pelo impiedoso tatuzão? Mais uma indagação: Fortaleza tem um metrô ou é o metrô que manda na cidade? Será que não há alternativas para a solução do problema de engenharia? Acode-me Roberto Carlos, o Rei: "Não sou contra o progresso, mas apelo pro bom senso". Depois da tragédia de Parangaba, mais essa. Será que o Ednardo vai ter que fazer mais uma canção?

(*) Arquiteto e professor da UFC. Sócio do Instituto do Ceará. Colunista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 6/07/26. Vida & Arte. p.2.


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Como superar a persistente lacuna de produtividade no Brasil

Por José Nelson Bessa Maia (*)

Tornou-se um lugar-comum afirmar que a baixa produtividade é um dos principais entraves ao crescimento econômico do Brasil, permanecendo praticamente estagnada há décadas. Por causa disso o país enfrenta uma "armadilha de baixo crescimento", com trabalhadores produzindo, em média, cerca de um quinto do que nos EUA, tido como referência nessa matéria.

A comparação internacional de produtividade costuma ser feita em PIB por trabalhador empregado em dólares internacionais ajustados por Paridade de Poder de Compra. Os dados mostram que o Brasil teve forte perda relativa entre 1980 e 2000 e depois ficou praticamente estagnado. Hoje, um trabalhador brasileiro produz 24% do que produz um trabalhador norte-americano médio.

Por outro lado, a China partiu de base extremamente baixa em 1980, mas teve o maior avanço da história econômica recente. Com isso, a produtividade chinesa passou de 4% da americana para 40% em pouco mais de quatro décadas.

O dado mais impressionante é que, em 1980, o Brasil possuía uma produtividade de oito vezes superior à da China. Hoje, a situação se inverteu: a produtividade média do trabalhador chinês já é 60% maior que a do trabalhador brasileiro. O Brasil permaneceu praticamente estagnado por quatro décadas, enquanto a China convergiu rapidamente para os níveis das economias avançadas.

Entre as principais causas estão a falta de concorrência, dificuldades de acesso a crédito, distorções tributárias e regulatórias e má alocação de recursos, que impedem empresas mais produtivas de crescer. Além disso, grande parte da força de trabalho está concentrada em setores de baixa produtividade, como agricultura e comércio.

Para resolver esse impasse e superar o desafio da baixa produtividade, diversos estudos apontam a necessidade de promover reformas estruturais, maior integração produtiva, maiores investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), melhoria na educação básica, média e superior e maior abertura a investimentos estrangeiros. Esse pacote de medidas poderia impulsionar a produtividade do trabalho e alavancar o crescimento em bases sustentáveis. Além disso, muitos defendem a estímulos direcionados a setores intensivos em conhecimento, inserção planejada em cadeias globais de valor e modernização da agroindústria.

Em um país com tantas potencialidades, como recursos naturais abundantes, sistema financeiro sofisticado, grande mercado interno e boas universidades como o Brasil, conclui-se que, embora o problema seja estrutural, há uma janela de oportunidade para se evitar mais uma década perdida, desde que governos, empresas e universidades atuem de forma coordenada no bojo de uma Estratégia Nacional de Desenvolvimento para romper o circuito da baixa produtividade e superar a armadilha da renda média.

(*) Ex-secretário de Assuntos Internacionais do Governo do Ceará, mestre em Economia e doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e, atualmente, consultor internacional.

Fonte: O Povo, de 27/06/26. Opinião. p.25.


segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Rendimento e endividamento com bets

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

O rendimento médio recebido em todos os trabalhos - que corresponde à soma dos ganhos brutos, como salários, comissões e horas extras - alcançou R$ 3.560 em 2025. Esse foi o maior valor registrado desde o início da pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representando crescimento de 5,7% em relação a 2024 e de 11,1% quando comparado a 2019, ano que antecedeu a pandemia.

Outro indicador que mostra a melhora da renda dos brasileiros é a massa de rendimento mensal real de todos os trabalhos, que atingiu R$ 361,7 bilhões em 2025, também o maior valor da série histórica. O crescimento real foi de 7,5% frente a 2024 e de 23,5% em relação a 2019.

Paradoxalmente, apesar da evolução da renda, o Brasil alcançou, em 2026, o maior índice de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor. Em abril, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, segundo levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), disponível em: https://portaldocomercio.org.br/publicacoes_posts/pesquisa-de-endividamento-e-inadimplencia-do-consumidor-peic-agosto-de-2025/

Entre os fatores que ajudam a explicar esse fenômeno está o endividamento com apostas online, conhecidas como bets. O crescimento das apostas vem produzindo prejuízos crescentes à saúde mental e à situação financeira das famílias, além de contribuir para o aprofundamento da desigualdade. 

Pesquisas apontam que, em 56% das vezes, o jogador perde. Parece pouco? Não. Nos 44% restantes, muitas vezes prevalece a ilusão criada pelo desconto hiperbólico. Esse conceito explica por que as pessoas tendem a preferir recompensas imediatas, como um ganho rápido nas apostas online, em vez de aguardar benefícios maiores no futuro. 

Outro conceito importante é o da contabilidade mental. Muitos jogadores passam a separar o dinheiro das apostas do restante de suas finanças, o que os impede de ver o impacto total das perdas. Soma-se a isso a ilusão de controle: a crença de que habilidades pessoais ou estratégias são capazes de influenciar resultados que, na prática, são aleatórios.

As consequências financeiras desse comportamento são evidentes. Estudos indicam que cerca de 19% dos apostadores comprometem suas reservas financeiras e, aproximadamente, 10% recorrem ao cartão de crédito para continuar jogando, o que pode resultar em endividamento com taxas de juros de 428% ao ano. O cartão de crédito, por sua vez, permanece como o principal fator de endividamento para 83,6% das famílias.

Por isso, reforço a frase do meu amigo Preto Zezé: "Precisamos acreditar mais na aposta do conhecimento do que na sorte". Aos leitores interessados em aprofundar o tema, recomendo o webinário realizado pelo Programa de Educação Financeira do Ceará, disponível em: https://www.youtube.com/live/a6e1MtLGEkE?is=a0xzNZBWolXmFouM

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 25/06/26. Opinião. p.17.


sábado, 1 de agosto de 2026

Você sabia que ficar careca pode ser uma coisa boa? III

6. Você tem uma vantagem nas negociações comerciais

Os homens carecas são vistos por muitos como tendo melhor potencial de liderança, como mais assertivos e mais poderosos. Essas impressões dão a eles uma vantagem no mundo dos negócios. Dito isso, estudos mostram que homens cujos cabelos estão caindo e não raspam a cabeça são vistos como fracos e inseguros. É por isso que os especialistas recomendam que os homens que estão perdendo o cabelo aceitem o fato e raspem completamente a cabeça. Outros especialistas também mencionam que alguns dos líderes mais fortes e influentes de todos os tempos perderam os cabelos, incluindo Winston Churchill, Vladimir Lenin, Mahatma Gandhi e Vladimir Putin.

7. Você não tem que enfrentar a 2a. pior preocupação masculina

De acordo com os principais psicólogos, o medo de ficar careca é um dos piores medos que os homens têm. Pensar nisso o tempo todo pode ser muito exaustivo e debilitante. Muitos homens consultam especialistas em pele, pagam fortunas todos os meses por todos os tipos de remédios e até contam o número de cabelos que caem diariamente. Se você já se despediu do seu cabelo, provavelmente já percebeu que nada ficou ruim, e não está mais acompanhado desse medo diário.

8. Você não envelhece

Homens carecas podem parecer mais velhos - no início. Mas com o passar do tempo, eles não têm cabelo para ficar grisalho ou cabelo para perder, então, com exceção de algumas rugas, eles continuam com a mesma idade de sempre. Veja Patrick Stewart ou Bruce Willis, por exemplo, ambos carecas que parecem ter a mesma idade há décadas!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Você sabia que ficar careca pode ser uma coisa boa? II

3. Você é visto como mais viril

Outro estudo pesquisando os efeitos da calvície masculina pediu a centenas de homens e mulheres jovens que expressassem uma opinião sobre as fotos de homens com cabelos cheios e, em seguida, opinassem sobre os mesmos homens cujos cabelos foram removidos digitalmente das fotos. Os homens apresentados foram vistos como mais fortes, mais assertivos e ainda mais altos nas fotos em que foram mostrados como carecas. O estudo até sugeriu uma explicação para o fenômeno - um couro cabeludo careca é visto por muitos como associado a profissões mais "masculinas", como soldados, policiais e bombeiros.

4. Você economiza tempo e dinheiro

Xampu, condicionador, pentes, escovas, cremes e barbeiro - podemos não perceber, mas esses gastos se somam. Os homens carecas não são obrigados a gastar dinheiro cuidando dos cabelos. Outra grande vantagem é economizar TEMPO - você não precisa pentear o cabelo.

5. Você fica ótimo em qualquer chapéu

Isso mesmo, sem "cabelo de chapéu" para você. Homens carecas podem fazer qualquer chapéu ficar bonito. Adicione um par de óculos de sol bonitos e você terá uma aparência de um milhão de dólares toda vez que sair de casa. Experimente o chapéu que quiser, um boné de beisebol, um chapéu fedora - você pode até trazer cartolas de volta com estilo! Todos eles ficam bem em você.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Você sabia que ficar careca pode ser uma coisa boa? I

A perda de cabelo e a calvície são uma das preocupações mais assustadoras dos homens. Os fios de cabelo que ficam no travesseiro e as pequenas mechas que continuam caindo podem ser uma fonte de ansiedade para muitos homens. Mas a perda de cabelo e a calvície não precisam ser tão ruins. Acontece que a calvície tem suas próprias vantagens. Portanto, em vez de se concentrar nos aspectos negativos, eduque-se sobre os prós de ficar careca.

1. Você tem um risco menor de câncer

Um estudo que pesquisou o câncer de próstata descobriu que homens que começaram a perder os cabelos ainda jovens tinham 45% menos chance de desenvolver câncer de próstata do que homens com vasta cabeleira. O estudo descobriu que a exposição a longo prazo às grandes quantidades de testosterona, que é uma das causas da calvície masculina, pode retardar o desenvolvimento de tumores no corpo, em contraste direto com a crença anterior de que a testosterona estimulava o desenvolvimento de células cancerosas.

2. Você tem um metabolismo mais eficiente

Apesar do efeito negativo no couro cabeludo, altos níveis de testosterona no corpo masculino têm uma influência positiva - eles aumentam o processo de metabolismo e ajudam o corpo a ficar em forma, manter um peso saudável e desenvolver os músculos corporais. Estudos também mostraram que homens com alto nível de testosterona têm menor concentração de gordura no rosto, o que pode contribuir para um rosto mais forte e esculpido.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Crônica: Autogripe - quando pego a gripe de mim mesmo ... e outros causos

Autogripe - quando pego a gripe de mim mesmo

Tem juízo não, o Poeta dos Cachorros. Encontrei-lhe nas redondezas da casa do Caboco do Ôi Cego, na Vila União - tem uns dez anos. Foi converseiro medonho. De lá fomos comer tijolim e beber água de pote na dona Dudu. Pelo espirro que deu, no meio do caminho, ali estava um Jair acometido de mui brabo 'estalecido', desses de moer o corpo. (Sobre o espirro que deu: a dentadura foi bater no beiço da Lagoa do Opaia).

Segue o nosso diálogo de antanho, se bem me lembro - primeiro ele; depois eu, até cansar, explicando ele como se autogripou.

- Um amigo com quem eu conversava na paróquia Jesus, Maria e José, aquela ali na praça, tossiu no meu fucim, em plena missa. Com pouco eu já espirrava, me arrupiava de febre, com pontinha de dor de cabeça na croa.

- Égua da virose pegajosa!

- Rapaz, o sujeito me passou a macacoa toda, com mais de mil! Pia só o meu estado agora! Lascado da garganta, só o xerém.

- Tô vendo! Quem é esse seu amigo, Poeta?

- Michael Jackson, meu zabumbeiro! Tava detrás do meu banco na igreja. No que espirrou, na liturgia da palavra, vexado os sintomas dele me agarraram, pegando de proa. Ao ponto de rebolar a doença em mim, já descaído dum 'dord'ólho'.

- Entendo, você foi fulminantemente contagiado pela gripe do seu amigo!

- Eu não! A gripe foi passada pra minha pessoa. Da minha pessoa é que a gripe passou pra mim, me 'contraminando'.

- Peraí, se eu bem entendi, você pegou a gripe do Miachel Jackson de você mesmo?!?

- Não tenha dúvida! Me autogripei de trevessa!

- Muito doido!...

- Quem?

A labareda congelante do futuro

Que criança nenhuma vá na onda do jovem Manezim que conheci na Iparana. Ele defendia a tese de que, logo no começo, todo fogo é frio, suportável. "Com o passar do tempo é que vai esquentando, piorando". Manifestava-se em favor da proposição por experiência própria, com base nos modernos fogões à lenha.

- Só queima a mão de quem acender a chama depois duns 15 segundos.

- No início, quer dizer então, que...

- Pode deixar que nada acontece com quem bota a mão no fogo. Igualmente é o fogo duma fogueira; nesse caso, são 22 segundos pra vir a queimar.

- Tem comprovação científica, isso?

- Ainda não, mas um cientista disse que daqui a 15 anos vai ser assim!

Técnica de fazer lembrar

O médico reconheceu de pronto o paciente, foram colegas dos tempos de infância - Sociedade Beneficente de Porangabussu. Mas o doente estava já esquecido de muita coisa, lembrava de quase nada, por mais esforço fizesse. Geriatra entabula diálogo:

- Amigo Chicão! Alegria revê-lo depois de 50 anos! Mudou nada, você!

- Ô, doutor! Leve a mal não, mas morro sem saber quem o senhor é.

- Gilberto Moura, meu caro! Eu era magrinho...

- Só tirava 10?

- Às vezes!

- Tinha o cabelo liso, dotô?

- Meio encaracolado...

E abrindo aquele sorriso, para deixar a conversa mais próxima, terapeuticamente leve, Dr. Gilberto se autoprovoca, findando por descobrir fórmula infalível de voltar a memória em quem julgava tê-la perdido.

- Diziam que eu era o menino mais feio da escola toda, Chicão!

- Caboré de Urêa!!! É tu, macho?!?

Fonte: O POVO, de 3/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


domingo, 26 de julho de 2026

O POLICIAL E A DISCUSSÃO DO CASAL

Marcelo e Jéssica estavam no carro voltando para casa, depois de passar algumas horas no bar com os amigos. No caminho, foram parados pela polícia. O policial alegou que os fez parar porque a luz traseira do carro estava queimada.

Marcelo disse: "Eu peço desculpas, senhor policial, eu não sabia que estava quebrada, eu vou consertá-la assim que chegar em casa."

Então Jéssica disse: "Eu sabia que isso ia acontecer! Eu disse há dois dias atrás que você precisava consertar essa luz!"

Então, o policial pediu para ver a carteira de motorista de Marcelo. Ele o olhou com certa indignação e disse: "Senhor, sua carteira está vencida".

E mais uma vez Marcelo pediu desculpas e disse que não sabia que a carteira estava vencida, e tomaria as providências o mais rápido possível.

Jéssica, a ponto de gritar, diz: "Eu lhe disse há uma semana que o Detran enviou várias cartinhas avisando que sua carteira estava vencida!"

A esta altura, Marcelo já estava irritado com a esposa que rebatia tudo o que ele dizia ao policial, e então diz bem alto a ela: "Jéssica, cala essa boca!!"

O policial ficou indignado e disse à mulher: "Mas que absurdo! A senhora não deve permitir isso! Por acaso ele grita com a senhora o tempo todo? Se fizer, posso tomar providências!"

Jéssica, muito calma, dá uma sonora risada e diz: "Que nada, policial. Só quando está bêbado!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


 

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