quarta-feira, 16 de setembro de 2026

DE MAU A PIOR

Por Raimundo Padilha (*)

O mundo está passando por aceleradas e profundas transformações. Na área da tecnologia, a velocidade tem sido inimaginável. A inteligência artificial veio para ficar e, com ela, profundas transformações. Igualmente, as energias alternativas já se constituem uma nova realidade.

O mundo avança a passos largos, não obstante a política e as guerras se constituem um retrocesso. Aliás, a política e a corrupção convivem em harmonia, comprometendo o homem nos seus valores morais. A política é praticada com "p" minúsculo, em que predomina o jogo imoral do salve-se quem puder.

No Parlamento, legisla-se em causa própria, buscando as vantagens pessoais. Raros são os honestos. E mais raros ainda são os projetos de qualidade votados em benefício da coletividade. A corrupção com suas mais diversas facetas, enlameando a ética e a moral, inclusive do cardinalato republicano. A justiça é perniciosamente lenta, estimulando a prática dos crimes e da sua impunidade.

Nestas áreas, estamos de mau a pior. E falta homem de estatura moral elevada que dê o grito de basta. Por isso, estamos a caminho do pior. A coletividade já não crê nos homens públicos. E se avizinham as eleições e a ameaça de dias piores.

Não tenho filiação partidária, não obstante tenha tido amizade com os três coronéis Adauto Bezerra, César Cals e, principalmente, Virgílio Távora, que militaram na política do Ceará por alguns anos.

Há um desencontro visível entre os estatutos partidários e a prática dos seus militantes, acho até que eles não leem referidos estatutos. Talvez só o PT guarde alguma identidade, mesmo assim distante das suas origens.

Antes da revolução de 64, os partidos guardavam maior fidelidade. Nesse período, houve o bipartidarismo: Arena e MDB. A Arena era um partido do Governo central, e o MDB se constituía numa frente com diversos matizes, no que se assemelha ao "Centrão" de hoje.

Atualmente funcionam perto de 30 partidos, quase todos de cores desbotadas. Somente dois personagens agrupam a maioria dos eleitores no que são acompanhados pelos demais partidos, inclusive os nanicos.

Dos grandes temas nacionais, quase nenhum é debatido congressoalmente. A coletividade é marginalizada, somente sendo procurada próximo às eleições. Estamos com a nossa democracia ameaçada? Como politizar a população? Existem, todavia, os apaixonados de raiz, num radicalismo entediante. Já não se debatem projetos ou programas de governo. Os xingamentos estão presentes na pauta, traduzindo-se num show de baixarias. Pobre política, desavergonhados políticos, com algumas exceções. A qualidade dos políticos está ladeira abaixo. Como será o nosso amanhã? 

(*) Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de Economia.

Fonte: O Povo, de 5/08/26. Opinião. p.15.


Nenhum comentário:

 

Free Blog Counter
Poker Blog