Por Raimundo Padilha (*)
O mundo está
passando por aceleradas e profundas transformações. Na área da tecnologia, a
velocidade tem sido inimaginável. A inteligência artificial veio para ficar e,
com ela, profundas transformações. Igualmente, as energias alternativas já se
constituem uma nova realidade.
O mundo avança a
passos largos, não obstante a política e as guerras se constituem um
retrocesso. Aliás, a política e a corrupção convivem em harmonia, comprometendo
o homem nos seus valores morais. A política é praticada com "p"
minúsculo, em que predomina o jogo imoral do salve-se quem puder.
No Parlamento,
legisla-se em causa própria, buscando as vantagens pessoais. Raros são os
honestos. E mais raros ainda são os projetos de qualidade votados em benefício
da coletividade. A corrupção com suas mais diversas facetas, enlameando a ética
e a moral, inclusive do cardinalato republicano. A justiça é perniciosamente
lenta, estimulando a prática dos crimes e da sua impunidade.
Nestas áreas,
estamos de mau a pior. E falta homem de estatura moral elevada que dê o grito
de basta. Por isso, estamos a caminho do pior. A coletividade já não crê nos
homens públicos. E se avizinham as eleições e a ameaça de dias piores.
Não tenho
filiação partidária, não obstante tenha tido amizade com os três coronéis
Adauto Bezerra, César Cals e, principalmente, Virgílio Távora, que militaram na
política do Ceará por alguns anos.
Há um desencontro
visível entre os estatutos partidários e a prática dos seus militantes, acho
até que eles não leem referidos estatutos. Talvez só o PT guarde alguma
identidade, mesmo assim distante das suas origens.
Antes da
revolução de 64, os partidos guardavam maior fidelidade. Nesse período, houve o
bipartidarismo: Arena e MDB. A Arena era um partido do Governo central, e o MDB
se constituía numa frente com diversos matizes, no que se assemelha ao
"Centrão" de hoje.
Atualmente
funcionam perto de 30 partidos, quase todos de cores desbotadas. Somente dois
personagens agrupam a maioria dos eleitores no que são acompanhados pelos
demais partidos, inclusive os nanicos.
Dos grandes temas
nacionais, quase nenhum é debatido congressoalmente. A coletividade é
marginalizada, somente sendo procurada próximo às eleições. Estamos com a nossa
democracia ameaçada? Como politizar a população? Existem, todavia, os
apaixonados de raiz, num radicalismo entediante. Já não se debatem projetos ou
programas de governo. Os xingamentos estão presentes na pauta, traduzindo-se
num show de baixarias. Pobre política, desavergonhados políticos, com algumas
exceções. A qualidade dos políticos está ladeira abaixo. Como será o nosso
amanhã?
(*)
Economista, professor aposentado da UFC e membro da Academia Cearense de
Economia.
Fonte: O Povo, de 5/08/26. Opinião. p.15.

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