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quarta-feira, 14 de maio de 2025

MENINGITE: quando cada minuto conta

Por Ruan de Andrade Fernandes (*)

A meningite é uma inflamação grave das membranas que envolvem o sistema nervoso, considerada uma urgência médica que requer tratamento imediato. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), é uma doença devastadora e continua sendo um desafio para a saúde pública. Pode ser causada por diversos patógenos (bactérias, fungos ou vírus), mas a meningite bacteriana é a que apresenta a maior letalidade. Doença de notificação compulsória em até 24 horas, todos os casos suspeitos ou confirmados devem ser notificados às autoridades. Desde 2010 até 2024 foram confirmados 233.918 no Brasil. Dentre os casos confirmados, foram registrados 22.504 óbitos, sendo uma média de 1.500 por ano.

Os sintomas típicos incluem febre alta, dor de cabeça intensa, rigidez de nuca, náuseas, vômitos, confusão mental, convulsões e, em alguns casos, erupções cutâneas. A incidência da meningite está diretamente relacionada a diversos fatores de risco que influenciam a suscetibilidade dos indivíduos à infecção. A faixa etária é um dos principais determinantes, sendo que crianças menores de 5 anos apresentam maior vulnerabilidade devido à imaturidade do sistema imunológico. Da mesma forma, adultos com mais de 60 anos estão em risco aumentado, frequentemente por apresentarem comorbidades.

O diagnóstico da meningite é confirmado, principalmente, durante a análise do líquido cefalorraquidiano (LCR), obtido por meio da punção lombar. Além disso, a cultura e teste molecular do LCR é essencial para a identificação do agente causador da infecção. Em 2024, foi incorporado no SUS o painel molecular multiplex rápido para diagnóstico de meningites e encefalites com capacidade de detectar 14 patógenos dentre vírus, bactérias e fungos causadores de infecções, levando até 60 minutos. Exames de imagem auxiliam na avaliação de possíveis complicações.

O tratamento da meningite deve ser iniciado logo após a coleta de amostras para cultura. Paralelamente, o suporte clínico desempenha papel fundamental no controle dos sintomas e na estabilização da pressão intracraniana, contribuindo para um melhor prognóstico do paciente. Existem medidas de prevenção primária, tais como vacinas e quimioprofilaxia, enfatizando que as vacinas estão disponíveis no SUS para prevenção das principais causas de meningite bacteriana.

(*) Médico infectologista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/04/2025. Opinião. p.15.

terça-feira, 30 de maio de 2023

NEUROCIRURGIA PARA PARKINSON

Por Rafael Maia (*)

Receber diagnóstico de doença de Parkinson pode ser muito impactante. Ainda não há cura, porém, felizmente, existem tratamentos eficientes, tanto farmacológicos como não-farmacológicos, que podem melhorar sobremaneira a qualidade de vida da pessoa com Parkinson. Dentre essas terapêuticas, está a neurocirurgia.

Existem dois tipos de cirurgia para tratar a doença de Parkinson: palidotomia e estimulação cerebral profunda (mais conhecida como DBS, do inglês Deep Brain Stimulation). A primeira técnica consiste em lesionar a estrutura neuroanatômica Globo Pálido: é um procedimento irreversível e com indicações que ficaram mais restritas após o advento da técnica do DBS - essa sim, a alternativa operatória para tratamento cirúrgico que deve ser vista como preferencial.

A técnica do DBS consiste em implantar eletrodos intracerebrais conectados a um gerador de pulsos elétricos, similar a um marcapasso cardíaco (motivo pelo qual pode ser popularmente chamado de "marcapasso cerebral"), que ficará na altura do peitoral debaixo da pele. A cirurgia deve ser executada por neurocirurgião com formação específica, e a pessoa com Parkinson deverá ser submetida, ambulatorialmente, a diversas sessões de programação do gerador, a fim de encontrar a combinação de parâmetros que poderá melhor lhe beneficiar. Essas sessões, que devem ser feitas por médico neurologista ou neurocirurgião, é que permitirão que a técnica alcance todo potencial.

É muito importante frisar que nem todos os parkinsonianos terão benefícios com a cirurgia. A boa indicação, a correta seleção do candidato, é parte inerente ao sucesso do tratamento. Também é imprescindível que o neurocirurgião esteja sempre disponível, não deixando nenhuma dúvida sobre o que será feito... por exemplo: quais os sintomas podem melhorar? Quais são os riscos envolvidos? Quanto tempo dura a cirurgia?

A correta informação é a melhor arma para pessoas com Parkinson e seus familiares. Conhecer suas alternativas, e ter plena confiança no que é proposto, é o melhor caminho para cuidar da saúde e buscar uma melhor qualidade de vida.

(*) Neurocirurgião.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/04/2023. Opinião. p. 18.

 

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