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sábado, 12 de setembro de 2026

Medicina: 9 entidades defendem o Enamed. CFM discorda III

Por Gabriele Félix, jornalista de O Povo.

Leia a nota do Conselho Federal de Medicina na íntegra:

O Conselho Federal de Medicina (CFM) reafirma a necessidade de mecanismos que assegurem a qualidade da formação médica no Brasil, mas alerta que a Medida Provisória (MP) nº 1.370/2026, que estabelece a aprovação no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como pré-requisito para o registro profissional do médico nos Conselhos Regionais de Medicina (CRMs), não responde à principal pergunta de interesse da sociedade: quem garante que uma prova com 100 questões de múltipla escolha, como prevê a MP, vai avaliar se um médico está efetivamente preparado para atender pacientes?

Avaliar escolas médicas é importante e necessário. No entanto, avaliar se um médico está apto para exercer a profissão exige muito mais do que uma prova voltada à aferição da qualidade dos cursos de graduação. O Enamed foi concebido como instrumento de avaliação educacional, destinado a medir o desempenho dos cursos de medicina e subsidiar políticas de supervisão e regulação do ensino superior. Trata-se de uma finalidade distinta daquela necessária para certificar a capacidade profissional de um futuro médico.

Aspectos fundamentais para a prática médica não são adequadamente avaliados pelo modelo proposto na MP nº 1.370/2026, entre eles habilidades clínicas, comunicação com pacientes, realização de procedimentos médicos, competências éticas e avaliação prática. São justamente esses elementos que fazem diferença no atendimento real e impactam diretamente a segurança dos pacientes.

Outro ponto de preocupação é a concentração de atribuições no mesmo sistema estatal responsável por autorizar, reconhecer, supervisionar e fiscalizar escolas médicas, que agora também vai aplicar o exame utilizado para avaliar os resultados desse próprio modelo. Essa sobreposição compromete a independência necessária aos processos de aferição da qualidade da formação médica.

As nove entidades que integram o movimento são: Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup),  Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Associação Brasileira das Faculdades (Abrafi),  Associação Nacional dos Centros Universitários (Anaceu), Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec), Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior de São Paulo (Semesp) e Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior do Rio de Janeiro (Semerj).

Conceito

O Enamed é uma prova aplicada a estudantes de medicina, nos últimos períodos do curso, para medir conhecimentos e competências desenvolvidos ao longo da graduação

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/08/2026. Cidades. p.15.

Medicina: 9 entidades defendem o Enamed. CFM discorda II

Por Gabriele Félix, jornalista de O Povo.

Medida Provisória propõe ampliação do Enamed; conselhos e entidades são contra

A Medida Provisória (MP) nº 1.370, de 19 de junho de 2026, também em tramitação, prevê a aplicação do Enamed em duas etapas da graduação e a aferição da proficiência médica. O Movimento "Uma Só Régua" destaca que a iniciativa aproxima-se da segunda etapa do exame da fase teórica do Revalida.

Com isso, permite o uso da nota no acesso direto a programas de Residência Médica e cria o Sistema Nacional de Avaliação da Residência Médica, passando a integrar, em uma mesma referência nacional, a graduação, a proficiência, a residência e a validação de diplomas.

Procurado pelo O POVO, o Conselho Federal de Medicina (CFM) reafirmou, em nota, que a necessidade de mecanismos que assegurem a qualidade da formação médica no Brasil.

Segundo o órgão, a medida provisória “não responde à principal pergunta de interesse da sociedade: quem garante que uma prova com 100 questões de múltipla escolha, como prevê a MP, vai avaliar se um médico está efetivamente preparado para atender pacientes?”.

O conselho destacou ainda que o Enamed foi concebido como instrumento de avaliação educacional, destinado a medir o desempenho dos cursos de medicina e subsidiar políticas de supervisão e regulação do ensino superior. Trata-se de uma finalidade distinta daquela necessária para certificar a capacidade profissional de um futuro médico.

“(...) avaliar se um médico está apto para exercer a profissão exige muito mais do que uma prova voltada à aferição da qualidade dos cursos de graduação”, diz o texto.

A entidade afirma ainda que “aspectos fundamentais para a prática médica não são adequadamente avaliados pelo modelo proposto na MP nº 1.370/2026, entre eles habilidades clínicas, comunicação com pacientes, realização de procedimentos médicos, competências éticas e avaliação prática”.

O CFM também destaca preocupação com o que chamou de “concentração de atribuições no mesmo sistema estatal responsável por autorizar, reconhecer, supervisionar e fiscalizar escolas médicas, que agora também vai aplicar o exame utilizado para avaliar os resultados desse próprio modelo”.

Por fim, o Conselho Federal defende o modelo previsto no Projeto de Lei nº 2.294/2024, que contempla o Exame Nacional de Proficiência em Medicina.

Presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Ceará (Cremec), a conselheira Inês Tavares Vale e Melo reforçou o posicionamento da entidade nacional. “A nossa posição está alinhada com a do CFM. A segurança dos pacientes é uma prioridade para o Conselho Federal de Medicina e todos os Regionais. Por isso, o CFM e o Cremec apoiam a aprovação do Projeto de Lei nº 2.294/2024”, afirmou.

De acordo com o conselho regional, “toda a população ganha com o ProfiMed, que é mais uma medida para fortalecer a segurança da assistência médica. Entendemos que quem fiscaliza o exercício da Medicina deve coordenar o ProfiMed. O Conselho Federal de Medicina é a autarquia responsável por fiscalizar e disciplinar o exercício profissional da Medicina no Brasil”.

O Cremec defende que o ProfiMed busca verificar a proficiência dos médicos recém-formados, “contribuindo para um exercício profissional cada vez mais seguro e responsável”.

Sobre o assunto, o presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), Raul Canal, argumenta que a medida tende a gerar efeitos positivos para todo o sistema de saúde.

A criação do Profimed representa um avanço relevante para a qualificação da prática médica. Um exame de proficiência amplia a segurança da população e também protege o profissional ao estimular padrões técnicos mais elevados. Com médicos mais preparados, a tendência é reduzir a judicialização relacionada a falhas assistenciais”, pontuou.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/08/2026. Cidades. p.15.


Medicina: 9 entidades defendem o Enamed. CFM discorda I

Por Gabriele Félix, jornalista de O Povo.

RESUMO: Em tramitação no Congresso Nacional, o Projeto de Lei n° 2294, de 2024, propõe instituir o Exame Nacional de Proficiência em Medicina. A iniciativa motivou a criação, em julho passado, do Movimento "Uma Só Régua", que reúne nove entidades representativas do ensino superior particular e da educação médica no Brasil e defende a existência de uma avaliação unificada.

Para os representantes do “Uma Só Régua”, a institucionalização do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) é a solução ideal para assegurar a avaliação dos cursos de medicina como uma política de estado.

As nove entidades que integram o movimento são: Associação Brasileira de Educação Médica (Abem), Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), Associação Brasileira das Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), Associação Brasileira das Faculdades (Abrafi), Associação Nacional dos Centros Universitários (Anaceu), Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec), Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (Confenen), Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior de Sao Paulo (Semesp) e Sindicato das Entidades Mantenedoras de Ensino Superior do Rio de Janeiro (Semerj).

O projeto, de autoria do senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), condiciona a inscrição no Conselho Regional de Medicina à aprovação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed).

De acordo com o documento inicial, a prova seria oferecida pelo menos duas vezes ao ano em todos os Estados e no Distrito Federal, cabendo ao Conselho Federal de Medicina (CFM) a regulamentação e a coordenação nacional do exame, e aos Conselhos Regionais de Medicina a aplicação da avaliação.

A justificativa para a criação do PL destaca os “maus resultados na prova do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp)”. “Os resultados da prova, aplicada no Estado mais rico da Federação, evidenciaram um cenário temerário no que tange à qualidade dos recém-graduados em Medicina”, afirma o texto.

E acrescenta: “Temos hoje no País um quadro de proliferação indiscriminada de cursos de Medicina, realidade que aponta para o provável agravamento das deficiências verificadas no ensino médico”.

Em 2025, os resultados do Enamed preocuparam ministérios e entidades. Cerca de 30% das 351 instituições que participaram do exame obtiveram conceitos 1 e 2, considerado insatisfatório. No Ceará, três cursos de Medicina obtiveram nota máxima e um foi punido por nota baixa.

Em entrevista ao O POVO, o presidente da Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) e representante do “Uma Só Régua”, Juliano Griebeler, argumenta que não faz sentido a existência de duas provas distintas, o Enamed e o Profimed, com objetivos semelhantes, o que geraria redundância, custos extras para o aluno e perda de sinergia no processo avaliativo.

Quando você coloca os dois dentro da mesma prova, o Enamed tem um peso grande para a instituição, mas é importante para o aluno também, você acaba tendo uma sinergia maior”, explica.

Juliano Griebeler destaca ainda a importância do exame ser aplicado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), justificando que o órgão possui estrutura e experiência em avaliações nacionais.

Porque fazer uma outra prova que um outro ente teria que se dispor a fazer organização e todo esse processo? Então vai muito nesse sentido. O Conselho Federal de Medicina é um conselho importante que tem a sua atuação, mas a gente entende que a principal atuação dele é muito no exercício da profissão em si”, detalha.

Ao O POVO, o Ministério da Educação (MEC), afirmou que o exame busca garantir parâmetros para a formação médica objetivando assegurar que a população seja atendida por profissionais qualificados, formados em cursos devidamente avaliados pelo órgão.

"A Medida Provisória nº 1.370/2026 ampliou o papel do exame, que passa agora a funcionar também como certificação de proficiência para o exercício legal da profissão, para os médicos que ingressam nas instituições de ensino após a publicação da MP. O normativo também permite subsidiar a criação de um sistema nacional de avaliação da residência médica e reforçar as contrapartidas dos cursos de Medicina junto à rede pública de saúde", complementa a nota do MEC.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 3/08/2026. Cidades. p.15.

sábado, 5 de setembro de 2026

Flávio Leitão ditava para todos a necessidade de entender, cativar e acolher a dor do próximo

Por Leda Maria, jornalista e escritora

Havia em Flávio Leitão uma maneira singular de caminhar pela vida: com sabedoria, simplicidade e um profundo reconhecimento de tudo aquilo que verdadeiramente importa. A solidariedade, o bem-querer, a delicadeza nas relações e a capacidade de acolher o outro eram valores que cultivava com naturalidade. Preferia sempre a paz à disputa, a essência às aparências, a suavidade à vaidade e a firmeza do coração às palavras vazias.

Inteligente, culto e profundamente humanista, Flávio transformava conhecimento em serviço. Foi assim que construiu uma trajetória admirável como professor e líder docente da Faculdade de Medicina da UFC, contribuindo decisivamente para a formação de gerações de médicos. Na medicina, exerceu com competência e generosidade a arte de cuidar.

Em seu consultório e nos muitos hospitais de Fortaleza onde atuou, acolheu pacientes que, muitas vezes, além do tratamento, buscavam nele uma palavra de conforto. Não por acaso, alguns dos mais necessitados chegaram a chamá-lo de "santo", reconhecendo naquele médico uma presença que ultrapassa os limites da profissão.

Mas foi na família que sua missão encontrou uma de suas expressões mais profundas. Ao lado de Marimilia, companheira de toda uma vida, construiu um lar onde o amor, a ternura e o aconchego se tornaram fundamentos. Foi nesse espaço de afetos que os filhos aprendem, por exemplo, a força da generosidade e a responsabilidade de fazer o bem.

Entre os amigos que conquistou, os alunos que formou, os colegas de profissão, os escritores e acadêmicos com quem conviveu e os tantos grupos dos quais participou, Flávio deixou uma marca luminosa. Sua presença tinha a rara capacidade de aproximar pessoas, suavizar diferenças e transformar encontros em vínculos duradouros.

Partiu em 1º de setembro, sob o brilho de uma lua cheia que parecia acompanhar, silenciosamente, sua nova trajetória. Ficou, para todos nós, a lembrança de um homem que fez da vida uma permanente lição de solidariedade, paz, conhecimento e alegria. Um homem cuja luz não se apaga com a partida: permanece na memória, nos ensinamentos e, sobretudo, no coração de quem teve o privilégio de conhecê-lo.

A VOZ DO FILHO

"Chorarás teus mortos por três dias." Papai sempre dizia isso para nós. Agora, eu digo: é impossível, papai, chorarmos a sua partida por apenas três dias, mesmo amparados pela fé e pelas palavras de Cristo: "Não perturbe o vosso coração, porque eu preparei um lugar para vocês".

Ainda assim, é muito difícil, neste momento, manter os olhos secos e conter a emoção. Mas o senhor sempre nos ensinou que o espírito deve prevaleceramparado pela razão e pela sensibilidade de ouvir e atender os aflitos.

Nós vamos seguir a vida fazendo aquilo que o senhor sempre nos ensinou: praticar a caridade, fazer o bem sem olhar a quem, acolher quem nos procura, oferecer atenção aos pacientes, cercá-los de carinho e compreender a dor do próximo — a dor de um familiar, a dor de um amigo. Ouvindo, escutando e mantendo o bom senso para compreender... É difícil falar. O senhor sempre foi o melhor orientador. Por isso, é impossível, neste instante, explicar o amor mergulhado em uma profunda saudade."

E, entre soluços, encerrou-se o depoimento de Flavinho, o filho amado, que traduziu em palavras aquilo que todos sentiam: a dimensão imensa da perda e a permanência de um amor que o tempo jamais será capaz de apagar.

O RECONHECIMENTO DOS AMIGOS

JOÃO MACEDO, MÉDICO E DIRETOR DA FACULDADE DE MEDICINA DA UFC

"Doutor Flávio Leitão foi uma referência da medicina cearense. Ajudou a desenvolver a neurocirurgia em nosso meio, foi um exímio cirurgião e deu uma contribuição muito grande à universidade, tendo-se destacado como chefe do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC. Com a aposentadoria, dedicou-se às letras, tornando-se membro extremamente ativo da Academia Cearense de Médicos e Escritores, da Academia Cearense de Letras e da Academia Metropolitana de Letras."

JUAREZ LEITÃO, ESCRITOR

"Flávio Leitão foi o cidadão querido por todos: afável, sorridente, educado, fino. Era uma das grandes unanimidades afetivas de Fortaleza. Cronista e contista de estilo leve, membro e secretário da Academia Cearense de Letras, deixa uma cidade inteira mergulhada na saudade. Sua figura cativante permanecerá perene na memória de Fortaleza, onde desenvolveu, com dignidade, competência e bem-querência, sua trajetória vital. Flávio Leitão está vivo em nós."

HENRY CAMPOS, MÉDICO E PROFESSOR

"Flávio Leitão foi um homem extraordinário: inteligência fulgurante, humanista profundamente culto, mestre como poucos do conhecimento científico vigoroso e da arte médica. Pontificava pela doçura, elegância, generosidade e solidariedade. Inabalável em sua ética, associada a um grande espírito público e conciliador, deixa um exemplo de cidadania e de defesa intransigente da democracia."

JOSÉ MARIA BONFIM, MÉDICO E ESCRITOR

"Professor Francisco Flávio Leitão (1939-2026), uma eterna saudade. Pouco a pouco, a vida vai nos levando aqueles que nos alegram e encantam, negando-nos o abraço, o sorriso, o encontro que é a vitalidade do nosso viver. Flávio Leitão sintetizava toda essa face admirável de passear pela vida. Era uma referência para toda a comunidade médica. Sabia manter um convívio leve, amigo e jocoso."

FERNANDO PONTE, PADRE E MÉDICO

"Ele foi seminarista no Seminário da Praínha. Por toda sua história atendeu muitos pobres que não podiam pagar um médico. Eramos amigos há mais de 60 anos, e estive com ele durante o período de sua enfermidade. Na segunda-feira, fiz a última visita, acompanhando de pertinho a assistência da família. Ele foi um pai e marido, exemplar".

ERNANDO SOUZA, MÉDICO

"A Medicina cearense perdeu ontem um de seus grandes nomes. Flávio Leitão, neurocirurgião, professor e sensível escritor, deixa um legado que vai muito além da técnica: o compromisso com o conhecimento, com o ensino e com as gerações seguintes. Para nós, médicos mais jovens, fica o exemplo de que uma grande carreira não se mede apenas pelos títulos conquistados, mas pelo conhecimento compartilhado, pelas pessoas que ajudamos a formar e pela mão que estendemos aos mais necessitados."

SULIVAN MOTA, MÉDICO

"Um grande médico. Um grande professor. Um grande ser humano. Hoje, uma grande saudade."

RAFAELA CORTEZ, VIZINHA E AMIGA

"Havia nele uma leveza rara, uma leveza d'alma de quem já estava ancorado em um plano maior. Não precisava de muitos discursos; sabia falar apenas com o olhar. E que olhar! Olhos grandes, luminosos e profundamente expressivos, capazes de acolher, advertir ou acalmar sem que um único som fosse emitido. Mas também era um grande apreciador de uma boa prosa. A porta do céu é bem pequenininha, mas ele passou foi sobrando. Já está com Deus e Nossa Senhora."

Fonte: O Povo, de 5/09/2026. Leda Maria V&A. p.3


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Morre o neurocirurgião e escritor Francisco Flávio Leitão de Carvalho, professor aposentado da Famed

Professor do Departamento de Cirurgia da Famed da UFC, Flávio Leitão exerceu diferentes funções na universidade

Quarta, 2 setembro 2026 11:22

Atualização: Quarta, 02 setembro 2026 13:59

Escrito por Secom UFC

A Universidade Federal do Ceará (UFC) manifesta profundo pesar pelo falecimento do neurocirurgião, escritor e professor aposentado da Faculdade de Medicina (Famed) da UFC Francisco Flávio Leitão de Carvalho, ocorrido na terça-feira (1º), em Fortaleza, aos 87 anos.

O velório teve início às 8h desta quarta-feira (2/09), na Funerária Ternura, em Fortaleza, com missa às 15h, no mesmo local. O sepultamento será às 16h30, no cemitério São João Batista (rua Padre Mororó, s/n, Centro).

Nascido em Fortaleza, em 1939, ele era o terceiro filho do poeta, jornalista e professor José Valdivino de Carvalho e da pianista Maria Adamir Leitão de Carvalho. Formou-se em Medicina pela UFC em 1964 e especializou-se em Neurocirurgia em Porto Alegre, em 1965. Em 1975, realizou aperfeiçoamento no Tufts New England Medical Center, em Boston, nos Estados Unidos. Em 2000, concluiu mestrado em Cirurgia pela UFC.

Professor do Departamento de Cirurgia da Famed, Flávio Leitão exerceu diferentes funções na universidade, entre elas as de subchefe e chefe do departamento e de chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC). Teve papel de destaque no desenvolvimento da neurocirurgia no Ceará, com a introdução de novas técnicas na área. Integrou o Conselho Regional de Medicina do Ceará (CRM-CE) e a Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia, além de participar da criação da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia.

Paralelamente à medicina e à docência, dedicou-se à literatura e integrou a Academia Cearense de Letras (ACL), na qual tomou posse em 2017. Entre suas obras estão História da Neurologia e da Neurocirurgia no Ceará, A Ventura de Gamalielzinho & Outros Contos, Tarcísio Leitão - HIstória de um Coerente, além de inúmeros contos.

Flávio Leitão foi casado com Maria Emília Esteves de Carvalho, com quem teve quatro filhos: Ana Maria, Flávio, André e Manuela. Deixa também cinco netos. Aos familiares, amigos, ex-alunos, colegas e pacientes, a UFC expressa sua solidariedade, desejando conforto neste momento de dor.

Fonte: Secretaria de Comunicação e Marketing da UFC - e-mail:secom@ufc.br


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

BIOGRAFIA DO MÉDICO ESCRITOR FLÁVIO LEITÃO

FRANCISCO FLÁVIO LEITÃO DE CARVALHO nasceu aos 21 de abril de 1939 em Fortaleza-CE. Filho de José Valdivino de Carvalho, professor e poeta, e Maria Adamir Leitão de Carvalho, pianista. Médico neurocirurgião, contista e memorialista cearense.

FORMAÇÃO E ATIVIDADE PROFISSIONAL

Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) (1959-1964). Realizou especialização em neurocirurgia no Hospital São Francisco, em Porto Alegre (1965-1966).

Fellow do Serviço de Neurocirurgia da Tufts New England Medical Center – Serviço do Prof. Dr. Bennett M. Stein. (1973). Mestre em Cirurgia pela UFC (1998-2000).

É professor adjunto aposentado da Faculdade de Medicina da UFC e médico aposentado do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Presidiu a Comissão de Ensino e Cultura do Corpo Clínico do HGF (1972).

OBRAS LITERÁRIAS

Participou das seguintes Antologias da Sobrames-CE: Esmeraldas (1993), Prescrições (1994), Amostra Grátis (1995), Recidivas (1998), Palpitações (2000), Anseios da Face (2002), Veia Poética (2004), Inspiração (2006), Queixa Principal (2007), Achado Casual (2008), Ressonâncias Literárias (2009), Receitas Literárias (2010), Passeata Literária (2011), Murmúrios Literários (2012), Letras que Curam (2013), Digno de Nota (2014), Ritmo Literário (2015), Semeando Cultura (2016), À Flor da Pele (2017), Lapso Temporal (2018), Pontos de Vista (2019), Sopro de Luz (2020), A Plenos Pulmões (2021), Limiar da Criação (2022), Lampejos da Memória (2023), Uso Profilático (2023) e Piscar de Olhos (2025).

Participou da Revista da Academia Cearense de Médicos Escritores: Nº 1 (2017), Nº 2 (2018), Nº 3 (2019), N° 4 (2020), N° 5 (2021), N° 6 (2022), N° 7 (2023), N° 8 (2024) e N° 9 (2025).

Outras Obras: História da Neurologia e da Neurocirurgia no Ceará (2009), Algumas Achegas à História da Neurologia Cearense. in: História da Neurologia no Brasil (Capítulo 11), Retórica de Circunstâncias (2016), Ventura de Gamalielzinho & Outros Contos (2016) e Tarcísio Leitão – Trajetória de um Coerente (2022).

AGREMIAÇÕES

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN); da Academia Brasileira de Neurocirurgia; da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia (SNNC); da Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia (SOCENNE); do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; da Academia Cearense de Medicina (ACM); da Academia Cearense de Letras (ACL); da Academia Cearense de Médicos Escritores, (ACEMES, Fundador); Membro Titular e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames‐CE), da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), da Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE); Membro Correspondente da Academia Pernambucana de Medicina (2018). Membro Titular da Associação Brasileira de Bibliófilos (2012).

HOMENAGENS

Recebeu as seguintes Homenagens: Homenagem da SOCENNE por ter sido Membro Fundador; Homenagem da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, no seu 60º. aniversário – 2002; Troféu Coruja de Ouro pela SOCENNE (Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia) – 2006; Troféu cinquentenário do I Congresso Brasileiro de Neurocirurgia – 2008; Distinção no Ensino Médico do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC – 2009; Homenagem Especial patroneada pelo NEAN (Núcleo de Estudos Acadêmicos em Neurocirurgia – 2010; Homenagem da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia – 2013; Homenagem da Escola Municipal Prof. José Valdivino de Carvalho, Medalha Valdivino de Carvalho – 2014; Medalha do Mérito Ético-Profissional do CRM-CE – 2014; Homenagem do NEAN-UFC – 2015; Comenda do Mérito Médico do Curso de Medicina da Unifor – 2016; Homenagem da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia Honra ao mérito condecorado com a medalha Dr. Rafael Rodrigues Holanda – 2017; Homenagem pela Academia Brasileira de Neurocirurgia – 2022; Medalha da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – 2022; Certificado de Gratidão – Refeitório São Vicente de Paulo das Irmãs de Caridade – 2023; e Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Nota: Elaborada com base na postagem feita por Pedro Mendes, para o Projeto de Iniciação Artística intitulado “Perfis de médicos escritores do Ceará: incursões literárias e culturais” (Chamada Pública 82/2023 - Exercício 2024), sob orientação e revisão do Dr. Marcelo Gurgel, aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual do Ceará.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro Titular da ACM, da ACEMES e da ACL


PESAR POR DR. FLÁVIO LEITÃO

É com imemso pesar que aqui registro o falecimento na noite de ontem, 1º de setembro de 2026, do Dr. FLÁVIO LEITÃO, médico neurocirurgião e membro de diversas confrarias profissionais e literárias cearenses.

Francisco Flávio Leitão de Carvalho nasceu em Fortaleza-CE, em 21/04/1939, filho de José Valdivino de Carvalho e Maria Adamir de Leitão de Carvalho.

Boa parte da sua formação escolar transcorreu no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, o afamado Seminário da Prainha, onde adquiriu muitos conhecimentos religiosos, filosóficos e literários e, também, absorveu qualidades morais que o levaram a pautar a sua existência observando e praticando as virtudes teologais.

Ingressou na Faculdade de Medicina da recém-criada Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1959, concluindo o curso médico em 1964. Realizou Residência Médica em Neurologia e Neurocirurgia no Instituto de Neurocirurgia de Porto Alegre.

Sua atividade médica predominante foi realizada no Serviço de Neurocirurgia do Hospital Geral de Fortaleza e a de docência superior exercida na UFC, estando aposentado, como servidor público, de ambos os cargos.

Como católico, era um assíduo participante da Sociedade Médica Saõ Lucas, e ainda trabalhava, como médico voluntário, em um ambulatório para pessoas carentes ditigido por religiosas.

Casado, desde 1966, com Marimília Quevedo Esteves, deixa quatro filhos: Anamaria, Flávio Filho, André e Manuela.

Sinto intensamente por tão grande perda de um valoroso cidadão cearense, dotado de tantos predicados humanos, que, como médico, professor, escritor e outros relevantes atributos pessoais, muito contribuiu para o engrandecimento do Ceará.

Que Deus o acolha em Seus braços misericordiosos.

O corpo do Dr. Flávio Leitão será sendo velado, a partir das 8 horas de hoje, dia 2 de setembro de 2026, no Velatório Ternura, à Rua Pe. Valdivino, Nº 2.255. A missa de corpo presente será celebrada às 13h e, em seguida, seus despojos serão levados para sepultamento no Cemitério São João Batista.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica São Lucas


segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Lavagem nasal não causa mastoidite

Por Daniel Pinheiro (*)

O recente internamento de um comunicador cearense  por mastoidite aguda despertou preocupação e gerou um debate nas redes sociais. Como ele relatou ter realizado uma lavagem nasal antes do início dos sintomas, muitas pessoas passaram a estabelecer uma relação direta entre o procedimento e a doença. Essa associação, entretanto, não encontra respaldo nas evidências científicas.

A mastoidite é uma infecção do osso localizado atrás da orelha, a mastoide, e quase sempre representa uma complicação de uma otite média aguda. Embora hoje seja incomum graças ao uso dos antibióticos, continua sendo uma condição potencialmente grave, capaz de provocar perda auditiva, meningite e outras complicações quando o tratamento é retardado.

É importante esclarecer: a lavagem nasal com soro fisiológico não causa mastoidite. Pelo contrário, ela é recomendada pelas principais sociedades médicas para o tratamento da rinite e da rinossinusite. Quando realizada corretamente, melhora o funcionamento da mucosa nasal, facilita a eliminação de secreções e pode, inclusive, reduzir a ocorrência de otites, especialmente em crianças.

Como qualquer procedimento, entretanto, exige técnica adequada. O uso de pressão excessiva, principalmente durante episódios de intensa congestão nasal, pode provocar desconforto nos ouvidos e, em situações específicas, favorecer a passagem de secreções para a tuba auditiva. Se houver uma infecção respiratória em curso, isso pode contribuir para o aparecimento de uma otite. A mastoidite, quando ocorre, decorre da evolução dessa infecção do ouvido - não da lavagem nasal.

Criar uma relação de causa e efeito entre a irrigação nasal e a mastoidite pode produzir um efeito indesejado: afastar pacientes de um tratamento simples, seguro e eficaz por medo de uma complicação extremamente rara.

Mais do que procurar culpados, este caso deve servir para reafirmar o valor da informação baseada em evidências. Em tempos de conclusões apressadas, a ciência continua sendo o caminho mais seguro para orientar decisões que envolvem a saúde. Afinal, informação de qualidade também salva vidas.

(*) Médico otorrinolaringologista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/07/2026. Opinião. p.18.


domingo, 30 de agosto de 2026

Causo Médico: A EQUIPE DE DISSECAÇÃO MATRIARCAL

Mesmo tendo decorrido mais de meio século, também temos boas recordações dos saudosos tempos da disciplina de Anatomia Humana, que bem merecem ser compartilhadas.

Valemo-nos aqui para trazer uma lembrança de nossa equipe de dissecação ao tempo em cursávamos a disciplina de Anatomia Humana do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1973.1. Éramos Maria Edsoni Guerra Bezerra, Myria do Egyto Vieira de Sousa, Marcos Sandro Fernandes de Vasconcelos, Marcus Davis Machado Braga e Marcelo Gurgel Carlos da Silva.

Formávamos uma equipe que se diferenciava das demais, pois era a única “matriarcal”: as duas acadêmicas dissecavam o cadáver enquanto os rapazes davam o “apoio moral”, somente cuidando da leitura do livro-texto do Gardner e da visualização do Atlas de Anatomia do Gardner, cabendo as duas, seguindo o manual da dissecção, manejar pinças, bisturis e tesouras.

Recordamos que houve um dia em que as colegas Edsoni e Myria, talvez se sentindo exploradas pelos seus companheiros de equipe, decidiram cruzar os braços para que assumíssemos a dissecação, desprezando a nossa tentativa de convencimento de que elas gozariam da regalia do treinamento que “grosso modo” seria sonegada às acadêmicas de outras equipes.

Foi um horror para os três marmanjos, que pouco rendiam na exploração do corpo humano inerte, o que fez com que as duas estudantes se apiedassem dos viris mancebos e retomassem à prática de desbravar o estudo que nos foi legado por Andreas Vesalius, um seguidor de Aulus Cornelius Celsus, autor De Re Medica, após um longo período de obscurantismo da história da humanidade em que se vedava o exame dos corpos de pessoas falecidas.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Sócio jubilado da Associação Médica Cearense

* Extraído de SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina da UFC 1977-2022: 45 anos de formatura da Turma Prof. José Carlos Ribeiro. Fortaleza: Edição do autor, 2022. 160p. p.90.

* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. Causo médico: a equipe de dissecação matriarcal. Revista AMC (Associação Médica Cearense). Fevereiro de 2025 - Edição n.41. p.6-7. (online).


sábado, 22 de agosto de 2026

O VELHINHO NO OCULISTA!

Um velhinho já de idade bastante avançada vai ao oculista. Chegando lá, o médico começa a fazer o exame como de costume. Coloca o paciente um pouco distante da placa com as letras de tamanhos diferentes e pergunta:

— O que o senhor vê na fileira de baixo? Quais são as letras?

E o velhinho responde:

— Ih, doutor, não consigo responder isso para o senhor.

Então o médico sobe uma linha acima, com letras maiores, e faz as mesmas perguntas:

— E agora? O que o senhor vê?

O velhinho diz: — Continuo sem entender, doutor...

O médico estranha. Mesmo com idade avançada, não é possível que não conseguisse enxergar as letras. Então ele aponta para as maiores e faz a mesma pergunta. O velhinho responde a mesma coisa:

— Doutor, não entendo nada. —

– Muito estranho.... – diz o médico

– Acredito que vamos ter que operar o senhor.

No dia seguinte, a operação foi feita. Depois, o médico pergunta ao velhinho:

— E então? Como se sente?

— O senhor acha mesmo que agora eu vou conseguir ler, doutor?

— Claro que sim – diz o médico

– Sua cirurgia foi um sucesso!

E o velhinho responde:

— Que bom! Eu não sabia que a medicina estava assim tão avançada! Até ontem eu não conseguia ler nada porque era analfabeto!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


domingo, 26 de julho de 2026

EU TE CONHEÇO DE ALGUM LUGAR...

Em uma festa, um homem tomava um drinque enquanto conversava com os amigos. Quando ele sai para pegar outra bebida na mesa, surge um homem que começa a puxar assunto:

— Olá! A festa está boa, não é mesmo?

— Sim, muito boa mesmo — ele responde, sem muito interesse.

Mas o estranho prossegue a conversa:

— Muito prazer, meu nome é Gilberto das Dores e eu sou médico.

— Prazer, meu nome é Souza — responde o homem.

— Senhor Souza, desculpe incomodá-lo aqui na festa, mas eu me aproximei porque o senhor me é familiar. Acho que já o vi antes. Eu já não tirei as suas amídalas?

— Não, doutor! — espanta-se o homem

— As minhas amídalas estão aqui.

— Então foi o seu apêndice.

— Não, doutor, foi um outro médico que tirou o meu apêndice.

O médico então pensa por alguns instantes. E continua:

— Espera aí. Souza... O senhor por acaso era casado com a Maria Emília Silva e Souza?

O homem se espanta:

— Era sim! Mas nós nos separamos em 2007! Por que o senhor está me perguntando isso? E o médico responde:

— Ah... Eu sabia que já tinha tirado alguma coisa do senhor!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


domingo, 5 de julho de 2026

UFC realiza evento de agradecimento a apoiadores do novo Hospital Universitário

Por Lara Vieira, jornalista de O Povo.

UFC realiza solenidade de agradecimento aos apoiadores do novo Hospital Universitário Paulo Marcelo Martins Rodrigues, previsto para o primeiro semestre de 2028

A Universidade Federal do Ceará (UFC) realizou, na manhã dessa sexta-feira, 3, uma solenidade de agradecimento às pessoas e instituições que contribuíram para a concretização do projeto do novo Hospital Universitário da UFC Paulo Marcelo Martins Rodrigues. O evento ocorreu na Reitoria da instituição, no bairro Benfica, em Fortaleza.  O equipamento, atualmente em obras, tem previsão de entrega para o primeiro semestre de 2028.

A solenidade reuniu dirigentes da Universidade e do Complexo Hospitalar, médicos, empresários, lideranças políticas e representantes da sociedade civil que participaram da concepção e da viabilização da iniciativa por meio de recursos, articulação institucional e apoio político desde o início do projeto.

O novo equipamento integrará o Complexo Hospitalar da UFC e será destinado ao atendimento de alta complexidade pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de ampliar a formação de profissionais da saúde e as atividades de ensino e pesquisa da instituição.

O reitor da UFC, professor Custódio Almeida, destacou a trajetória do projeto e agradeceu o apoio que a iniciativa recebeu nas últimas duas décadas.

Este é um momento muito especial e reitero o meu agradecimento a cada um de vocês que, lá no início, acreditou no sonho do Dr. Cabeto e contribuiu para que ele se tornasse realidade. Ele cumprirá uma missão social histórica para a posteridade, atendendo à população que mais precisa de assistência especializada dentro do complexo hospitalar, em parceria com a Rede HU Brasil (antiga Ebserh) e a Universidade Federal do Ceará.”

Essas pessoas que construíram o projeto não fizeram apenas uma doação financeira; elas doaram amizade. Uma amizade não só comigo, mas com a sociedade cearense”, afirmou o professor da UFC e diretor do Instituto de Ciências Médicas (ICM) Carlos Roberto Martins Rodrigues, Dr. Cabeto. “O hospital sempre teve vocação para se relacionar com a Universidade, pois nasceu da ideia de ampliar o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC). O que estamos vendo agora é a continuidade desse processo”, complementou.

Entre os homenageados esteve a presidente institucional e publisher do Grupo O POVO, Luciana Dummar, que ressaltou a importância da concretização do Hospital para a saúde pública e para a Universidade.

"Esse hospital é algo incrível, pois ele vai somar ao Walter Cantídio, que já ajuda milhares de cearenses. Ver a Universidade Federal do Ceará conseguindo, neste momento, ‘desembrulhar esse presente’ sob a gestão do [reitor] Custódio é muito emocionante. Acredito que todos esses fatores mostram que a UFC e O POVO são instituições irmãs. Este é mais um passo importante”, destacou.

Hospital terá atendimento terciário

O novo Hospital Universitário Paulo Marcelo Martins Rodrigues assumirá o atendimento de nível terciário da assistência médica, concentrando casos de maior gravidade em diversas especialidades. Segundo o reitor Custódio Almeida, após a entrega, o Hospital Universitário Walter Cantídio deverá passar por uma readequação de perfil, voltando-se principalmente para atendimentos de média complexidade.

Segundo a Universidade, serão investidos cerca de R$ 179,3 milhões na conclusão do empreendimento, dos quais R$ 78,8 milhões são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A unidade será administrada pela Rede HU Brasil e atenderá exclusivamente pacientes do SUS.

É um projeto extremamente moderno e que vai proporcionar uma inserção ainda maior na nossa rede de saúde. O agradecimento que trazemos hoje reflete a relevância da adesão a este projeto inovador, que leva o atendimento de ‘padrão Sírio-Libanês’ para o SUS do Ceará e do Nordeste”, pontuou a superintendente do Complexo Hospitalar da UFC, Josenília Gomes.

Novo Hospital Universitário fará homenagem ao médico Paulo Marcelo Martins Rodrigues

Na ocasião, o reitor Custódio Almeida também divulgou que, no último dia 26 de junho, o Conselho Universitário (Consuni) aprovou o nome da nova unidade como Hospital Universitário Paulo Marcelo Martins Rodrigues. A escolha homenageia o médico e pai do Dr. Cabeto (Carlos Roberto Martins Rodrigues), presidente do Instituto de Ciências Médicas (ICM).

Toda a história desse equipamento está intimamente ligada ao Dr. Cabeto e à homenagem ao Instituto de Ciências Médicas Paulo Marcelo Martins Rodrigues. Como o próprio hospital que seria construído levaria este nome, resolvemos mantê-lo”, justificou o reitor.

O projeto do novo Hospital Universitário da UFC teve origem em 2001, a partir de uma parceria entre a Universidade Federal do Ceará e o Instituto de Ciências Médicas Paulo Marcelo Martins Rodrigues (ICM).

Em 2021, o ICM formalizou a doação do terreno à UFC, contudo, a gestão anterior da Universidade instituiu uma comissão para reavaliar a proposta e, posteriormente, ingressou na Justiça cobrando uma multa de cerca de R$ 31 milhões do ICM, além de declarar que a Universidade não tinha interesse em assumir o imóvel.

A partir de 2023, a atual administração da UFC retomou as negociações com o ICM, a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Educação (MEC), resultando na homologação de um acordo de doação em pagamento que permitiu a transferência definitiva do imóvel para a Universidade.

SUS

O novo hospital assumirá o atendimento de nível terciário da assistência médica, concentrando casos de maior gravidade em diversas especialidades

Fonte: Publicado In: O Povo, de 4/07/2026. Cidades. p.11.


quarta-feira, 1 de julho de 2026

Gravidez tardia, estilo de vida e síndrome de Down

Por Evangelista Torquato (*)

A gravidez tardia deixou de ser exceção e passou a fazer parte da realidade de muitos casais. Motivos profissionais, estabilidade financeira e mudanças sociais levaram pessoas a postergar o projeto de ter filhos. No entanto, é essencial compreender como a idade e o estilo de vida impactam a fertilidade e os riscos genéticos, entre eles a síndrome de Down, para que decisões sejam tomadas com informação e responsabilidade.

Do ponto de vista feminino, o avanço da idade está diretamente relacionado à diminuição da quantidade e da qualidade dos óvulos. Após os 35 anos, e de forma mais acentuada após os 40, aumenta o risco de alterações cromossômicas nos óvulos, elevando a probabilidade de embriões com aneuploidias, incluindo a trissomia do cromossomo 21. Já no homem, embora a produção de espermatozoides seja contínua, o envelhecimento também traz impactos importantes, como maior fragmentação do DNA espermático e alterações genéticas associadas à idade.

O estilo de vida exerce papel fundamental nesse cenário. Tabagismo, consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo, estresse crônico e noites mal dormidas afetam diretamente a qualidade dos gametas femininos e masculinos.

Felizmente, a medicina reprodutiva avançou de forma significativa. Métodos como a fertilização in vitro permitem avaliação criteriosa dos embriões antes da transferência ao útero. O teste genético pré-implantacional é hoje uma ferramenta eficaz para identificar embriões cromossomicamente normais, reduzindo riscos e aumentando as chances de uma gestação saudável. Além disso, estratégias como o congelamento de óvulos em idades mais jovens e o acompanhamento individualizado do casal contribuem.

Falar sobre gravidez tardia não é estimular o medo, mas promover consciência. Informação, planejamento e acompanhamento especializado permitem que pessoas façam escolhas alinhadas aos seus desejos e à ciência. A tecnologia não elimina riscos, mas oferece caminhos mais seguros para quem sonha em formar uma família, mesmo com o passar do tempo.

(*) Ginecologista com atuação em reprodução humana.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/06/2026. Opinião. p. 18.

terça-feira, 23 de junho de 2026

O PARADOXO DAS MÉDICAS NO BRASIL

Por Luciana Rodrigues (*)

O Brasil atravessa uma transformação histórica na medicina. Pela primeira vez, as mulheres são maioria entre os médicos em atividade no País: representam 50,9% do total, segundo a Demografia Médica 2025. Em 2010, eram 41%, e a tendência é de crescimento contínuo — até 2035, devem alcançar 56% da força de trabalho médica.

O avanço numérico reflete maior acesso a formação, ampliação de oportunidades e mudança cultural importante. No entanto, os dados revelam um descompasso: a presença feminina cresce, mas a igualdade de condições ainda não acompanha esse movimento.

Hoje, menos de 30% dos cargos de liderança na medicina são ocupados por mulheres. Em hospitais, universidades e entidades de classe, médicas ainda enfrentam barreiras para ascender profissionalmente. Relatos de assédio moral e sexual persistem, assim como dificuldades para conciliar carreira e responsabilidades familiares — desafio que continua recaindo de forma desproporcional sobre elas.

A desigualdade de gênero impacta diretamente a qualidade da medicina. Ambientes diversos são mais inovadores, produzem decisões mais equilibradas e refletem melhor a sociedade. Ignorar esse cenário é limitar o potencial do sistema de saúde.

Foi diante dessa realidade que a Associação Médica Brasileira criou a Comissão Nacional em Defesa dos Direitos do Trabalho da Mulher Médica (Conadem), voltada ao enfrentamento de questões como equidade salarial, combate ao assédio, garantia de condições adequadas durante gestação e amamentação e estímulo à presença feminina em cargos de liderança.

A mudança já era visível nas universidades. As mulheres representam a maioria entre os estudantes de medicina desde a década passada: eram 53,7% em 2010 e chegaram a 61,8% em 2023. O futuro da profissão já tem rosto majoritariamente feminino.

O desafio agora é transformar presença em protagonismo, influência e poder de decisão. Para isso, é fundamental ampliar a produção de dados, fortalecer políticas de inclusão e construir ambientes mais justos. Valorizar a mulher médica não é apenas atender a uma demanda da categoria, mas fortalecer o sistema de saúde e melhorar a assistência prestada à população.

(*) Pediatra e Vice-presidente da Associação Médica Brasileira.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/05/2026. Opinião. p.22.


domingo, 21 de junho de 2026

JOÃO MACEDO: a medicina como ciência e encontro humano

Por Lêda Maria, jornalista de O Povo

João Macedo Coelho Filho, casado com a pediatra Zilma, pai de Ênio, Iana e João Neto. Caminheiro animado da vida, boa-praça, sempre bem acolhido por onde passa e trabalha. Entusiasta da ideia de que "a beleza salvará o mundo", daí sua paixão pelas artes plásticas e pela literatura. Ama a ciência, o estudo, o contato com as pessoas e a possibilidade de ajudar alguém, sobretudo os que sofrem. Daí sua vocação para a medicina, que inspirou os três filhos, e sua devoção à docência, exercida "como quem reza", no dizer de Filgueiras Lima. Formou-se em Medicina pela UFC, em 1988, e, posteriormente, passou por São Paulo e pelo Reino Unido em sua formação acadêmica, obtendo mestrado, doutorado e especialização em geriatria, área que exerce ativamente em seu consultório. Na UFC, ingressou como docente em 1991, introduziu o ensino de geriatria e, atualmente, é diretor da Faculdade de Medicina, cargo em que cumpre a honrosa missão de contribuir para a formação de médicos de excelência.

Quando decidiu fazer Medicina?

Ainda no colégio, tive alguns professores que eram médicos e ensinavam disciplinas como Biologia e Química. Eles despertaram em mim grande interesse pelo conhecimento científico. Mais tarde, tive também aulas de análises clínicas em uma disciplina de caráter profissionalizante, experiência que igualmente me encantou. Ao mesmo tempo, a formação humanística e espiritual sempre exerceu forte atração sobre mim. Quando percebi que a Medicina reunia essas dimensões e representava um caminho privilegiado para ajudar as pessoas, não tive mais dúvidas: queria ser médico.

Quais foram as suas grandes influências na faculdade?

Foram muitos os professores, profissionais e amigos que me inspiraram ao longo da formação. Não ouso citar nomes, porque certamente cometeria a injustiça de esquecer alguns. Sempre admirei especialmente aqueles que exercem a Medicina aliando sólido conhecimento técnico à simplicidade, sem arrogância e longe da ribalta. Aqueles que estão sempre disponíveis para cuidar dos pacientes com zelo, respeito e genuína dedicação.

O que acha da medicina cada vez mais tecnológica?

Os avanços da ciência e da tecnologia melhoraram imensamente o diagnóstico, o tratamento e a prevenção das doenças. O desafio é garantir que todos tenham acesso a esses avanços e, ao mesmo tempo, que a tecnologia jamais substitua a natureza essencialmente humana da Medicina, na qual empatia, compaixão e ética permanecem insubstituíveis.

Sente-se realizado com a sua especialidade, a geriatria?

Absolutamente realizado. A geriatria é uma especialidade em que não há compartimentalização. A pessoa é vista em sua integralidade: nas dimensões clínica, funcional, social e existencial. Exercemos o cuidado em sua expressão mais ampla. Além disso, aprendemos muito com as pessoas longevas: suas histórias de vida, seus exemplos de resiliência e os desafios que enfrentaram. Refletir sobre a velhice e o envelhecimento é uma necessidade de todos no mundo contemporâneo, em que a expectativa de vida cresce continuamente.

E a literatura?

Desde o colégio, gosto de literatura, que defino como linguagem e interioridade. É um caminho que me permite encontrar leveza, contemplar a dimensão humana e refinar a forma de ver e de estar no mundo. É também uma maneira de visitar meu universo subjetivo, minhas paixões, encantamentos e memórias.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/06/2026. V&A. Lêda Maria. p.3.


 

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