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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

COMO FORMAR "CIRURGIÕES DO FUTURO"

ROBÔ | Em um hospital de Londres, médico ensina outros profissionais a usar capacete de realidade virtual 3D. O treinamento em cirurgia robótica é para a realização de procedimentos menos invasivos.

O cirurgião Sasha Stamenkovic tira o capacete de realidade virtual em 3D. "Hoje realizamos uma intervenção muito, muito complexa", comemora, após uma operação robotizada que permitiu retirar um tumor do pulmão de um paciente.

No St Bartholomew's Hospital, no centro de Londres, ele ensina outros três médicos a utilizar um novo sistema de cirurgia assistida por robô, chamado Da Vinci 5.

O capacete permite que ele observe o pulmão do paciente.

"Conservamos grande parte do pulmão, contornando vasos sanguíneos e vias respiratórias realmente muito pequenos", explica o cirurgião torácico de 60 anos.

Ele se dirige a três cirurgiões de outro hospital que observam como Stamenkovic utiliza o novo sistema fabricado pela empresa americana Intuitive.

O equipamento chegará ao seu centro cirúrgico no fim deste ano, como parte de uma estratégia nacional para aumentar o uso da robótica na cirurgia minimamente invasiva no sistema público de saúde britânico.

Como diretor de cirurgia robótica e pesquisa do Barts Health NHS Trust, Stamenkovic treina aqueles que, segundo ele, serão os "cirurgiões do futuro".

O objetivo do governo é que, até 2035, a assistência robótica seja utilizada em nove de cada dez cirurgias minimamente invasivas na Inglaterra.

À primeira vista, parece um videogame. Stamenkovic realiza a operação a partir de um console situado em um dos lados da sala.

Os movimentos de suas mãos são transmitidos a três braços robóticos que manuseiam os instrumentos cirúrgicos sobre um paciente deitado a alguns metros de distância.

Um quarto braço segura uma câmera que fornece a imagem em 3D ao cirurgião. As imagens podem ser vistas em duas telas instaladas na sala de cirurgia.

Esse sistema pode ser utilizado em diversas especialidades, como urologia, ginecologia e várias cirurgias: colorretal, torácica, abdominal ou geral.

Stamenkovic vê vantagens para a cirurgia minimamente invasiva, pois os finos braços robóticos são mais adequados do que as mãos para manipular instrumentos em incisões pequenas.

A precisão também reduz o risco de complicações, como escapes de ar, frequentes após uma intervenção pulmonar.

Esse tipo de intervenção reduz a duração da internação e o período de recuperação. Em um sistema de saúde público sob pressão, a expectativa é que os pacientes possam deixar o hospital mais cedo, para liberar leitos e reduzir as listas de espera.

Ian Macleod, de 76 anos, foi o primeiro paciente do sistema de saúde público britânico a se submeter a uma cirurgia de câncer de pulmão com essa tecnologia. Considera que sua recuperação foi "extraordinária".

Apenas 30 minutos depois de voltar ao quarto, já estava de pé. Ele recebeu alta do hospital com apenas um ponto de sutura e, menos de uma semana depois, já estava dirigindo seu carro ao lado da esposa.

A robótica é uma das cinco "grandes apostas" do plano de saúde de dez anos para a Inglaterra. Mas o Royal College of Surgeons, que representa os cirurgiões, denuncia um acesso desigual a essa técnica cirúrgica entre as diferentes regiões. Fala em "loteria geográfica".

Também critica a ausência de um modelo de financiamento "coerente" para a robótica nos hospitais públicos, o que obriga alguns estabelecimentos a depender de doações. (AFP)

Fonte: Publicado In: O Povo, de 9/08/2026. Ciência & Saúde. p.18.


sábado, 3 de outubro de 2026

Defesa de Memorial para Professor Titular da Medicina da UFC de Sthela Maria Murad Regadas

 

Flagrante da Comissão Especial Julgadora, ao término da defesa do Memorial da médica STHELA MARIA MURAD REGADAS, quando a Profa. Dra. Maria Luzete Costa Cavalcante, por determinação do presidente da banca, fez a leitura da ata de conclusão do julgamento do memorial acadêmico. O Prof. Dr. José Huygens Parente Garcia, que presidiu essa banca, está ladeado por Profs. João Batista de Sousa e Marcelo Gurgel Carlos da Silva, à esquerda, e pela professora Maria Helena Pitombeira, à direita. (Foto cedida por Prof. Dr. Fernando Siqueira).

Aconteceu na manhã de sexta-feira (2/10/26), de forma presencial, no Auditório Antônio Jucá, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, a Defesa de Memorial, seguida da avaliação de desempenho, para a promoção funcional da classe de professor associado 4 para Professor Titular do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC.

A Comissão Especial Julgadora, composta pelos Profs. Drs. José Huygens Parente Garcia (presidente UFC), Maria Helena Pitombeira (efetiva UFC), João Batista de Sousa (efetivo UnB) e Marcelo Gurgel Carlos da Silva (efetivo Uece), e ainda por Luiz Gonzaga Porto Pinheiro (suplente interno) e Ricardo de Carvalho Cavalli (suplente externo), conforme Portaria Nº 1/2026/FAMED-UFC, de 1º de setembro de 2026, e secretaiada pela Profa. Dra. Maria Luzete Costa Cavalcante, aprovou o Memorial apresentado pela professora doutora STHELA MARIA MURAD REGADAS.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Professor do PPSAC-UECE


sábado, 19 de setembro de 2026

PESAR POR DR. NEY LEMOS

É com intenso pesar que aqui registro o falecimento na noite de ontem, 18 de setembro de 2026, do Dr. Ney Lemos, médico cirurgião geral e bariátrico.

Francisco Ney Lemos nasceu em Várzea Alegre, Ceará, em 15 de agosto de 1949. Era filho do médico e escritor Manoel Gonçalves de Lemos e de Francisca Mirtes Bitu Lemos.

Médico inscrito no Conselho Regional de Medicina do Ceará (CREMEC com RQE de Cirurgia Geral e de Medicina do Trabalho. Ele foi um renomado médico cirurgião cearense, com uma trajetória de grande destaque na medicina do Ceará.

Sua carreira médica foi dedicada principalmente à Cirurgia Geral, tendo realizado especialização em Cirurgia Geral na Clínica Cirúrgica do Hospital Getúlio Vargas, em Recife, no período de 10 de janeiro de 1977 a 9 de janeiro de 1979.

Atuou ativamente em entidades médicas, tendo exercido cargos de destaque como o de Vice-Presidente do Setor I do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) e participação em marcos da cirurgia geral e bariátrica no estado do Ceará.

Um dos aspectos mais importantes de sua trajetória foi sua longa vinculação ao Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), da Secretaria da Saúde do Estado do Ceará.

Nessa instituição, atuou como preceptor de Cirurgia Geral e preceptor-chefe da Residência Médica, além de ter exercido funções relacionadas ao Serviço de Controle de Infecção Hospitalar. Sua atuação ganhou especial destaque com a implantação do Serviço de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do HGCC.

Era Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

Em 2006, ele presidiu o I Congresso de Cirurgia do Setor II do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, realizado em Fortaleza, reunindo os capítulos do Ceará, Piauí e Maranhão.

No biênio 2008–09, Ney Lemos ocupou a posição de Vice-Presidente do Setor II do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, representando a região Nordeste.

Em 2012, quando o serviço alcançou a marca de 500 cirurgias bariátricas, o Governo do Ceará registrou que a unidade já funcionava havia aproximadamente dez anos. Ney Lemos era um dos médicos responsáveis pelo serviço.

Em 2015, ele aparece expressamente identificado como coordenador da Unidade de Cirurgia Bariátrica e Metabólica do HGCC.

Lamento a perda do colega Francisco Ney Lemos. Pessoa muito querida e estimada na classe médica cearense. De fino trato, cordial e afável, qualidades que se agregavam à sua competência técnica como cirurgião geral.

Trabalhamos juntos na organização de congressos e em vários processos seletivos de residência médica. Foi nosso aluno em Curso de Epidemiologia Clínica.

Estive hoje cedo no velório desse nosso colega. A sua esposa Mercia Lima de Carvalho Lemos me pediu para reunir as mensagens de pesar em grupos de WhatsApp para repassar para ela.

Nossos pêsames à família enlutada.

Que Deus o acolha entre os Seus eleitos em sua nova morada.

O corpo do Dr. Ney Lemos está sendo velado, desde às 7 horas de hoje, dia 19 de setembro de 2026, no Velatório Ternura, à Rua Pe. Valdivino, Nº 2.255. A missa de corpo presente será celebrada às 15h e, em seguida, seus despojos serão levados para sepultamento, às 16h30min, no Cemitério Parque da Paz.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sociedade Médica Saõ Lucas

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Rede ICC Saúde ultrapassa 100 cirurgias robóticas para tratamento de câncer

Por Marília Braga, jornalista de O Povo

Com uma tecnologia de ponta e acesso ampliado, a Rede ICC Saúde consolida a cirurgia robótica como realidade no tratamento do câncer no Ceará

Rede ICC Saúde ultrapassa a marca de 100 cirurgias robóticas para tratamento contra o câncer no Hospital Haroldo Juaçaba, em Fortaleza, tornando-se pioneira na oferta da tecnologia para pacientes do SUS no Norte e Nordeste. O avanço une inovação, produção científica e cuidado integrado, ampliando o acesso a procedimentos de alta complexidade, o que contribui para a inclusão da técnica no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) a partir de 2026.

A meta para este ano é fortalecer o programa e, pelo menos, triplicar o volume de procedimentos realizados, ampliando o alcance da tecnologia no Estado, projeta o cirurgião oncológico especialista em robótica, Bruno Soares.

A expansão da cirurgia robótica representa um avanço para a instituição, que consolida um modelo assistencial baseado na integração entre tecnologia de ponta, qualificação profissional e pesquisa clínica.

A iniciativa fortalece tanto o atendimento pela saúde suplementar quanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS), reduzindo desigualdades no acesso a tratamentos de alta complexidade.

Para o cirurgião oncológico especialista em robótica, Bruno Soares, alcançar essa marca de 102 cirurgias robóticas demonstra um avanço impressionante não apenas para tratamentos oncológicos, mas para medicina em geral.

"Existe realmente uma vontade de que a cirurgia robótica seja cada vez mais incorporada no tratamento de oncologia, trazendo uma tecnologia que permite cirurgias menos agressivas, menos invasivas, com recuperação melhor, inclusive em alguns cenários com melhor proposta de tratamento oncológico mesmo, sendo um atestado de competência, de compromisso e principalmente de inovação na instituição", afirma.

Pioneirismo no SUS e impacto nacional

A Rede ICC realizou a primeira cirurgia robótica para pacientes do SUS no Norte e Nordeste, marco inédito até outubro de 2024, o que gerou estudos que comprovaram segurança, eficácia e custo-benefício da técnica.

Com base nesses dados, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) incluiu a cirurgia robótica em urologia na cobertura obrigatória dos planos de saúde, válida a partir de abril de 2026.

Das 102 cirurgias realizadas, 53% delas atenderam pacientes do SUS e 47% particulares, sendo em sua maioria, em pacientes homens.

Os procedimentos usam a plataforma Da Vinci X, referência mundial em sistemas robóticos avançados que são usados em cirurgias minimamente invasivas.

Conheça os benefícios da cirurgia robótica

Segundo o médico Bruno Soares, a principal vantagem da tecnologia está na capacidade de articulação do equipamento, que permite movimentos mais precisos, inclusive em espaços estreitos, além de oferecer imagem tridimensional mais nítida e estável.

“A imagem em 3D e a precisão do robô permitem uma preservação mais efetiva de estruturas delicadas, como os nervos”, resume o médico, destacando os ganhos expressivos sobretudo nas cirurgias de próstata e ginecológicas.

Para casos de câncer de intestino, especialmente o câncer colorretal, a cirurgia robótica também tem apresentado resultados expressivos. “Para o câncer colorretal, o ganho é tremendo, pois conseguimos manter a mesma eficácia oncológica, ou até superior, com uma recuperação muito melhor”, afirma.

De acordo com o cirurgião, além da efetividade no controle da doença, a tecnologia contribui para uma recuperação mais rápida e para a manutenção da qualidade de vida do paciente após o tratamento.

Veja os benefícios da cirurgia robótica:

Maior precisão cirúrgica;

Movimentos milimétricos;

Menos invasiva;

Recuperação mais rápida;

Melhor visualização do campo operatório.

Na Rede ICC, a tecnologia é integrada a protocolos assistenciais que priorizam segurança e cuidado humanizado.

Equipes integradas 

As mais de 100 cirurgias robóticas foram realizadas através de equipes multiprofissionais, formadas por cirurgiões, enfermeiros, anestesistas, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos que trabalham juntos em todas as etapas do cuidado, seguindo o modelo “Jeito ICC de Cuidar”, um modelo baseado na integração entre especialidades, coordenação do cuidado e centralidade no paciente.

"Hoje, cada cirurgião que compõe a equipe do ICC tem a plena convicção de que ele é incapaz de resolver o problema do paciente sozinho. A gente precisa desse suporte multidisciplinar, desse suporte integral completo", afirma Bruno Soares.

Marco para a saúde futura

Com mais de 80 anos de atuação, a Rede ICC mantém investimentos constantes em tecnologia, pesquisa e capacitação profissional. A cirurgia robótica é mais que uma conquista tecnológica: reforça um modelo de cuidado baseado em ciência, inovação e atenção integrada ao paciente, consolidando o protagonismo da instituição na saúde do Ceará e do Brasil.

Após alcançar esse marco importante na consolidação da cirurgia robótica, o próximo passo é ampliar o acesso à tecnologia, avalia o cirurgião.

“Precisamos estruturar a cirurgia robótica não mais como um sonho ou como futuro, mas como realidade”, afirma. “Agora é hora de expandir o acesso, especialmente para pacientes com câncer de intestino, de endométrio e de colo do útero.”

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/02/2026. Ciência & Saúde. p.16.

domingo, 4 de janeiro de 2026

Lipoaspiração, evolução, limites e novas alternativas

Por Danilo Dias (*)

A lipoaspiração é, há décadas, um dos procedimentos cirúrgicos mais procurados no Brasil. Usada para remover depósitos localizados de gordura, tornou-se símbolo de transformação estética rápida e eficaz. Com o passar dos anos, no entanto, o que antes era reservado a grandes áreas corporais passou a ser desejado também em regiões menores, como a papada, braços e joelhos, impulsionado, principalmente, pelas redes sociais e pela estética da selfie.

De fato, a lipo evoluiu: técnicas mais modernas, cânulas mais finas e abordagens menos invasivas tornaram o procedimento mais seguro. Ainda assim, é importante lembrar que a lipoaspiração não é uma solução mágica. Ela não substitui hábitos saudáveis, nem é indicada para todos os casos. Existe uma falsa sensação de simplicidade em torno da cirurgia, o que pode levar pacientes a decisões precipitadas, sem a devida avaliação médica.

A boa notícia é que, com o avanço da tecnologia, surgiram métodos não invasivos para tratar gordura localizada e flacidez, com resultados progressivos e seguros. Um bom exemplo é o Quantum, equipamento de radiofrequência multipolar com pulsos magnéticos que estimula colágeno, melhora a firmeza da pele e ajuda a redefinir o contorno corporal e facial, especialmente útil em casos onde a flacidez predomina.

O Quantum não exige tempo de recuperação, é indolor e pode ser uma excelente alternativa para pacientes que não desejam ou não podem realizar cirurgias. Embora seus resultados sejam mais sutis e progressivos, a segurança e a naturalidade conquistam cada vez mais espaço nas clínicas modernas.

No final das contas, a escolha pelo procedimento facial precisa ser feita com base em avaliação médica individualizada, considerando não só o desejo estético, mas a saúde, o estilo de vida e as expectativas reais de cada pessoa. A medicina estética não deve seguir modismos, e sim respeitar o que há de mais precioso: a singularidade de cada corpo.

(*) Médico cirurgião plástico,

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/12/2025. Opinião. p.18.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Cranioestenose, detectar cedo é crucial

Por Eduardo Jucá (*)

É comum que, nos primeiros meses de vida, pais reparem em características diferentes no formato da cabeça de seus bebês. O que nem todos sabem é que, em alguns casos, essas alterações podem indicar uma condição chamada cranioestenose — o fechamento precoce de uma ou mais suturas do crânio, que pode afetar o crescimento cerebral e o desenvolvimento neurológico.

O crânio do bebê é formado por placas ósseas separadas por suturas, que funcionam como zonas de crescimento. Essas suturas devem permanecer abertas nos primeiros anos para permitir a expansão do cérebro. Quando uma ou mais se fecham antes da hora, o crânio cresce de forma irregular. Isso pode causar deformidades visíveis e, em alguns casos, levar a aumento da pressão ou atrasos no desenvolvimento.

O diagnóstico é clínico, com apoio de exames de imagem. O tratamento é cirúrgico e, quanto mais cedo feito, melhor o resultado. A cirurgia corrige a forma do crânio e garante espaço para o cérebro crescer com segurança.

Muitos casos ainda são identificados tarde, o que pode exigir cirurgias mais complexas. Por isso, é essencial que pediatras e famílias fiquem atentos a assimetrias, achatamentos ou alongamentos incomuns. Observar o formato da cabeça pode fazer toda a diferença.

Há também formas sindrômicas de cranioestenoses, associadas a alterações em outras regiões do crânio e da face, que exigem cuidado especial. É importante também diferenciar as cranioestenoses verdadeiras das condições de assimetrias posicionais, mais frequentes e geralmente sem necessidade de cirurgia. O tratamento deve ser feito por equipe multidisciplinar, com neurocirurgião, pediatra, geneticista e outros especialistas.

No dia 22 de novembro de 2025, acontecerá o I Simpósio de Cranioestenoses de Fortaleza, na Universidade de Fortaleza, reunindo especialistas do Brasil e do exterior, além de famílias de pacientes. O evento será um marco para difundir conhecimento, trocar experiências e reforçar a importância do diagnóstico precoce. Divulgar o conhecimento é essencial para ampliar o saber, gerar empatia e qualificar o cuidado com essa condição.

(*) Médico neurocirurgião pediátrico, professor, pesquisador e palestrante.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/11/2025. Opinião. p.18.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Os Mestres Nunca Morrem

Convivi com o Dr. Moreira desde o começo de minha formação médica. Como aluno, monitor, bolsista de iniciação à pesquisa, interno e depois residente do Departamento de Cirurgia, o contato com o professor José Moreira Lima foi, não só obrigatório, como marcante. Preceptor dedicado, cirurgião destemido - personalidade forte e envolvente -, Dr. Moreira nunca passou despercebido. Estou falando de uma época onde o cirurgião geral fazia de tudo, tempo das grandes incisões, da rapidez cirúrgica, das habilidades múltiplas... Destaque desde a época de aluno da faculdade de medicina, quando foi presidente do Centro Acadêmico no final dos anos 1950, depois como discípulo primoroso do grande professor Paulo Machado na década de 60, Dr. Moreira marcou sua trajetória como cirurgião e mestre nos mais importantes hospitais escolas de sua geração. Dono de uma grande clientela, pontificou como cirurgião geral na época áurea da Casa de Saúde São Raimundo. Médico cirurgião do Hospital Geral de Fortaleza desde a sua fundação, ali consolidou seu nome como mestre, cirurgião e gestor. Coordenou a Residência de Cirurgia e dirigiu o hospital na década de 80, deixando como principal legado a construção da nova emergência, ocasião em que foi realizado um grande concurso público para contratação de uma quantidade expressiva de novos médicos.

Na Faculdade de Medicina, fez história. Muito presente e atuante, nas suas aulas visitas, emergia sempre o professor extremamente exigente. Não aceitava essa desculpa de "não sei não senhor", os residentes eram obrigados a ter domínio completo das enfermarias. No centro cirúrgico, destacou-se na correção das grandes hérnias da parede abdominal. Qualquer vacilo dos residentes era repreendido com firmeza, tal como eram também elogiados com desvelo os bons desempenhos, "belo ponto, meu filho, merece uma tragada". Na sua gestão como chefe do Departamento de Cirurgia, criou a Jornada Científica do Departamento, hoje já na sua trigésima primeira edição, e foi o responsável pelo desencadeamento das negociações que acabaram por determinar a construção do novo hospital de cirurgia.

Associativamente, o professor Moreira também atuou de forma significante. Muito ativo no Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), foi membro Titular, Mestre do Capítulo Ceará/Piauí/Maranhão, vice-presidente setorial e Membro Honorário do CBC, tendo recebido a Medalha do Mérito Cirúrgico por ocasião do XXIX Congresso do CBC, realizado em Fortaleza no ano de 2011.

Já aposentado da UFC e do HGF, em 2002 o professor Moreira foi convidado pelo professor Manassés, na ocasião Reitor da Universidade Estadual do Ceará, para colaborar na organização inicial do Curso de Medicina que lá se instalara. Como era de costume acontecer em todo projeto no qual se envolvia, dedicou-se de corpo e alma, dando aula incansavelmente em várias disciplinas no início do curso, o que lhe rendeu inúmeras homenagens e convites para dar nome e ser patrono ou paraninfo das primeiras turmas que lá se formaram. Vem desta época minha maior aproximação dele. Membro da banca examinadora do concurso que prestei para professor de Cirurgia do Curso de Medicina da UECE, passamos a conviver de perto por um bom período. Tornamo-nos verdadeiramente amigos e pude apreciá-lo mais ainda. Juntos fomos vozes dissonantes na ideia da construção do Hospital Universitário da UECE, na época proposta repugnada pela direção do Curso e Reitoria. Ver o Hospital Universitário hoje em pleno funcionamento enche-me de orgulho, e embora os alunos de hoje não saibam, nos corredores daquele hospital estão impregnados os lampejos dos sonhos e da inteligência de um homem obstinado.

Acompanhei de perto suas últimas internações, mas ontem, ao receber a notícia de sua morte, confesso que senti um misto de tristeza e saudade. A constatação da partida definitiva de um mestre querido enche-nos de vazios e faz com que nos sintamos vivendo em um mundo menor do que este que está ai desabrochando para muitos. É como se a morte deles estivesse levando também um pouco de nós. Mas, pensando bem, é justamente o contrário. A verdade mesmo é que os nossos mestres nunca morrem, eles estarão eternamente aqui impregnados em nossas atitudes, em nossos ensinamentos.

Assim, aquela risada franca, aquela mão estendida vigorosa e aquela opinião firme e forte do Dr. Moreira estarão sempre por aqui a nos guiar e ajudar a encontrar respostas e soluções. É isso, vai meu velho e bom amigo, descanse em paz.

Fortaleza, 15 de dezembro de 2025

Prof. Fernando Antônio Siqueira Pinheiro

Departamento de Cirurgia da Famed UFC


segunda-feira, 5 de maio de 2025

Câncer na boca e no dente: prevenção e diagnóstico

Por Davi Cunha (*)

Embora o câncer de dente seja menos comum, é essencial compreender o panorama geral do câncer oral para enfatizar a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acompanhamento profissional. Em geral, as principais causas estão relacionadas ao tabagismo, ao consumo excessivo de álcool e à exposição ao vírus HPV, além de condições de higiene bucal inadequadas e do uso de próteses dentárias mal ajustadas — fatores que aumentam consideravelmente o risco de lesões malignas na boca e nos dentes.

No Brasil, o câncer de boca já é o oitavo mais frequente, mesmo sendo ainda pouco conhecido pela maior parte da população. Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam que, até o final de 2025, a previsão é de que mais de 15 mil pacientes sejam diagnosticados com a doença. O índice de óbito também é considerado alto, entre 43% e 45%, e o grande problema desse percentual ainda é o diagnóstico tardio.

A doença, que costuma atingir fumantes crônicos a partir dos 45 anos, com maior prevalência entre os 50 e 60 anos, pode afetar diversas regiões da cavidade oral, como lábios, gengivas, língua, palato e os dentes. Os sintomas são muitas vezes sutis e fáceis de ignorar, o que torna o diagnóstico precoce desafiador. No entanto, alguns sinais, como feridas que não cicatrizam após duas semanas, manchas vermelhas ou brancas na mucosa bucal, dor persistente ao mastigar ou engolir, dificuldades para falar e perda de dentes sem explicação aparente, devem ser observados com atenção.

Os dentistas desempenham um papel vital na identificação de lesões precoces e na orientação sobre medidas preventivas, que são sempre os maiores aliados na luta contra o câncer bucal e dentário. Ao buscar acompanhamento profissional e adotar um estilo de vida saudável, podemos aumentar as possibilidades de prevenção e de recuperação, com grandes chances de cura.

(*) Cirurgião-dentista.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 8/04/2025. Opinião. p.16.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

UM TUMOR CEREBRAL E UMA JORNADA

Por Saulo Teixeira (*)

No imaginário coletivo, um tumor na cabeça é um dos diagnósticos mais assustadores da medicina. Mesmo para nós, neurocirurgiões, que lidamos com essa realidade talvez uma ou duas dezenas de vezes por semana, cada exame que revela a presença de uma lesão tumoral vem acompanhado de uma infinidade de sentimentos.

A comunicação desse diagnóstico aos pacientes é uma das tarefas mais delicadas. Enfrentamos o medo de causar sofrimento desnecessário e a dificuldade de equilibrar a transparência sobre prognósticos sombrios com a necessidade de manter alguma esperança. Além disso, temos a responsabilidade de explicar que a cirurgia, apesar de necessária e segura, acarreta riscos significativos.

A habilidade manual, por si só, não basta. A estratégia é fundamental para um bom resultado. Muitas vezes, o tumor se encontra em áreas chamadas "eloquentes", regiões do cérebro responsáveis por funções vitais como fala, compreensão, visão, movimento e comportamento.

As relações pessoais no tratamento também evoluíram. Na minha geração, o neurocirurgião assistente deixou de ser o "tutor" absoluto do paciente. Hoje, as decisões são frequentemente colegiadas, discutidas com médicos parceiros e até mesmo com familiares leigos. Essa abordagem colaborativa frequentemente leva às melhores decisões.

Após a cirurgia, começa uma nova fase repleta de medos e incertezas, onde a reabilitação é crucial. Muitas vezes, é necessário um tratamento complementar, mas a esperança renasce. Nosso oponente, o tumor, terá sido em grande parte removido ou, ao menos, compreendido.

Claro que há algumas perdas pelo caminho. Há solidão, há infecção, há sangramento, há déficit neurológico, há abandono e muito medo. Mas preciso contar uma coisa: essa saga, que começou com a assustadora sentença do primeiro parágrafo, que já testemunhamos tantas vezes em tão pouco tempo, tem muito, muito mais finais felizes do que você, leitor, imagina.

Para mim, só existem duas certezas. A primeira é que o paciente com um tumor cerebral atualmente pode viver mais e melhor do que no passado. A segunda é que só enfrentamos esse desafio se permanecermos juntos!

(*) Médico neurocirurgião. Professor do IDOMED.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/12/2024. Opinião. p.16.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

A CRIMINALIZAÇÃO DOS CIRURGIÕES PLÁSTICOS

Por Daniel Maia (*)

Assim como no Brasil usam pejorativamente a expressão "Advogado porta de cadeia" para se referir a Advogados ruins, baratos e desqualificados, os quais somente pegariam causas em porta de cadeias, no desespero de quem está sendo preso, nos Estados Unidos usam a expressão "Advogado porta de hospital" para os Advogados que nas últimas duas décadas criam uma verdadeira indústria do dano moral, fomentada principalmente por ações judiciais contra médicos, em especial os que realizam procedimentos estéticos.

Tal movimento também passou a ocorrer no Brasil, onde o aumento de procedimentos estéticos e cirurgias plásticas disparou nos últimos anos, sendo hoje o segundo país no mundo em que mais se realiza esse tipo de intervenção médica.

Muitas dessas ações são movidas sem nenhuma razão jurídica que as justifiquem, pois não apontam qualquer erro ou pratica antiética dos profissionais médicos envolvidos, trazendo apenas ou uma sede enorme de enriquecimento sem causa ou uma busca para a sanar o inconformismo sobre o resultado que a cirurgia feita não obteve.

Essa banalização das ações judiciais no Brasil, já ocorre há anos no Âmbito da Justiça do Trabalho, em que muitos trabalhadores ajuízam ações sem direito nenhum contra os seus ex-empregadores, prática nojenta e que também deve ser combatida com a aplicação pelo Judiciário de condenações por litigância de má-fé.

Ocorre que no que se refere às ações judiciais contra médicos, a gravidade é maior, pois geralmente são ações criminais, as quais, por si só, independentemente do resultado final que terão, trazem de imediato um prejuízo incalculável aos médicos que passam a ter suas carreiras e credibilidade abaladas pelas notícias de que estão respondendo a um processo criminal, mesmo que no final sejam absolvidos, o estrago em suas carreiras já estará feito.

Dessa forma, é necessário que o Judiciário e principalmente o Ministério Público estejam atentos para rechaçar aventuras jurídicas ajuizadas de forma irresponsável e que visam, na prática, extorquir os médicos, com pedidos de indenizações milionários por algo que não tem culpa nenhuma. A medicina tem que parar de ser injustamente criminalizada.

(*) Advogado. Pós-doutor em Direito. Professor da UFC.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/12/24. Opinião. p.20.

terça-feira, 25 de junho de 2024

O TEMPO OPORTUNO PARA O CORAÇÃO DAS CRIANÇAS

Por Valdester Cavalcante Pinto Jr. (*)

Para tudo há um tempo? Aprendi a empreender os melhores esforços para mudar o que, ao meu julgamento, precisa de uma nova direção. No cotidiano das operações do coração das crianças, vivo desafios que não representam privilégios pessoais - são de todos com quem divido essa tarefa. Falta compreensão das necessidades básicas ao exercício profissional, o que nos impõe conviver com conflitos morais e éticos.

É necessário sentir o problema, enxergar que você não está sozinho e, em seguida, propor a união de todos no mesmo propósito. Aqui deparamos a necessidade de respeitar os distintos pontos de vista e negociar em prol do bem comum, a sociedade. Para tanto, é necessário tempo que, na maioria das vezes, não é aquele da necessidade.

Nesse contexto, o Departamento de Cirurgia Cardiovascular Pediátrica (DCCVPed) da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), fundado há 21 anos, pleiteia sua área de atuação – houve resiliência para juntar os iguais, maturar ideias, consolidar objetivos, estabelecer e difundir conhecimentos.

E, por que uma área de atuação? - Porque cuidamos de crianças; porque têm doenças diferentes dos adultos (preferencialmente as congênitas que somam, a cada ano, 23 mil novos casos); porque há necessidade de treinamento específico; e porque precisa de dedicação para melhorar resultados.

À extensão do tempo, foi amadurecido dentro da nossa sociedade o fato de ser oportuna a concessão desse título. Como algumas coisas não se rompem tão facilmente com o tempo, muitos dos pontos que discutimos na contemporaneidade de nossa especialidade - Cirurgia Cardiovascular - precisam ser apreciadas num contexto de divergências no campo das ideias. Nesse processo, o DCCVPed tem debatido com a comunidade da cirurgia cardiovascular no sentido de esclarecer dúvidas quanto à formação e ao exercício profissional daqueles que enveredarem por esse caminho.

O tempo oportuno, que faz esse acontecimento ser especial e memorável, é sua significância quanto ao impacto na qualidade de vida das crianças e adolescentes cardiopatas, propósito de um Cirurgião Cardiovascular Pediátrico.

(*) Médico cirurgião cardiovascular pediátrico.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/06/2024. Opinião. p.16.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

CIRURGIA ROBÓTICA EM CABEÇA E PESCOÇO: avanço contra o câncer

Por Bonfim Júnior (*)

No cenário médico atual, a tecnologia tem desempenhado um papel cada vez mais importante na busca por tratamentos mais eficazes e menos invasivos. Um dos avanços mais marcantes nesse sentido é a cirurgia robótica, uma técnica que está revolucionando o tratamento do câncer de cabeça e pescoço. Esse impacto é especialmente evidente no Ceará, onde já se opera por este meio.

A cirurgia robótica, originária da Inglaterra em 1980 e introduzida no Brasil em 2008, oferece uma maneira precisa e menos invasiva de remover tumores nessa região delicada do corpo. Por meio de braços robóticos controlados por nós, cirurgiões, por meio de um console computadorizado, procedimentos complexos podem ser realizados com maior precisão e menor trauma para o paciente.

Os benefícios dessa tecnologia são inegáveis. A precisão dos movimentos dos braços robóticos permite procedimentos delicados em áreas complexas, enquanto os sistemas de câmeras proporcionam uma visão detalhada, preservando áreas críticas. Além disso, a capacidade de acessar áreas de difícil alcance e a redução do trauma cirúrgico resultam em uma recuperação mais rápida e menos dolorosa para os pacientes.

É importante ressaltar que a cirurgia robótica é uma técnica complexa que exige habilidades especializadas por parte dos cirurgiões. Aqui no Ceará, já temos profissional habilitado para realizar procedimentos robóticos em cabeça e pescoço, o que destaca a necessidade de investimento em treinamento e capacitação nessa área.

Além da remoção de tumores, a cirurgia robótica pode ser aplicada em uma variedade de procedimentos, incluindo tireoidectomias, cirurgias de glândulas salivares e reconstruções complexas. Isso representa uma esperança significativa para os pacientes, não apenas em termos de resultados médicos, mas também em relação à sua qualidade de vida pós-operatória.

A cirurgia robótica em cabeça e pescoço é um exemplo notável de como a tecnologia pode ser integrada à medicina para oferecer tratamentos mais avançados e menos invasivos. É um testemunho do compromisso contínuo da comunidade médica em melhorar a vida dos pacientes e enfrentar o câncer com inovação e excelência. Com mais investimentos e avanços nessa área, podemos esperar que essa técnica continue a desempenhar um papel crucial na luta contra o câncer.

(*) Cirurgião de Cabeça e Pescoço. Especialista em Cirurgia Robótica no Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 22/05/24. Opinião. p.21.

segunda-feira, 10 de junho de 2024

CIRURGIA PLÁSTICA — procedimentos mais naturais

Por Davi Pontes (*)

Com a crescente busca pela estética e o aumento da aceitação social das intervenções cirúrgicas, o mercado da cirurgia plástica no Brasil tem apresentado tendências e perspectivas interessantes em 2024. Observa-se uma demanda crescente por procedimentos menos invasivos e mais naturais. A busca por resultados sutis e menos perceptíveis têm levado os pacientes a optarem por técnicas como a lipoaspiração a laser, a rinoplastia não cirúrgica e os preenchimentos faciais com ácido hialurônico. A tendência é uma guinada na percepção da beleza, priorizando a harmonia e a individualidade.

A tecnologia, por sua vez, tem desempenhado um papel fundamental no avanço da cirurgia plástica. Equipamentos de última geração, como os simuladores de imagem em 3D e os robôs cirúrgicos, estão possibilitando uma precisão e uma personalização maior. As ferramentas permitem aos cirurgiões planejar procedimentos de forma mais detalhada e oferecer resultados mais satisfatórios aos pacientes.

Atualmente, na lista das cirurgias mais procuradas estão: lipo bodytite, rinoplastia, facetite, prótese glútea, mastopexia, com ou sem prótese, bem como procedimentos que envolvem face, glúteo, botox, enzimas, retirada de sinal e laser íntimo.

Outro aspecto é a preocupação crescente com a segurança e a ética na prática da cirurgia plástica. O aumento da fiscalização por parte dos órgãos reguladores e a maior conscientização dos pacientes sobre os riscos envolvidos nos procedimentos têm levado os profissionais a adotarem práticas mais transparentes e responsáveis. A busca por certificações e a atualização constante são cada vez mais valorizadas no mercado. O mercado da cirurgia plástica no Brasil segue em transformação, impulsionado por uma demanda crescente por procedimentos estéticos e pela evolução tecnológica.

No entanto, para se manterem competitivos e sustentáveis, os profissionais da área precisam estar atentos às tendências, investir em capacitação e ética profissional, e adaptar-se às mudanças do ambiente econômico e social.

(*) Médico cirurgião plástico.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/04/2024. Opinião. p.20.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

PERFIL DO PACIENTE ATENDIDO NO IJF

Por Daniel de Holanda Araújo (*)

Plantão de fim de semana no Instituto Dr. José Frota (IJF). Ambulâncias chegam aos montes e às pressas vindas de todo o Ceará - às vezes de outros estados - transportando vidas. Vidas que precisam ser salvas. Pessoas com histórias, famílias e planos a se realizarem. Muitas nem sabem que o IJF é um hospital da Prefeitura de Fortaleza. Tampouco os socorristas param e pensam sobre a origem do financiamento da saúde antes de embarcarem o paciente numa viatura rumo à capital. Nem deveriam. Não há tempo e essa é uma questão humanitária, de respeito ao direito básico à saúde. Direito à vida.

O IJF funciona 24 horas por dia com equipes multiprofissionais e estrutura para diagnóstico por imagem, laboratórios, centros cirúrgicos, enfermarias, consultórios e áreas de observação. São mais de vinte especialidades médicas ou odontológicas em atuação na unidade.

Para se ter uma ideia, a média de atendimento na emergência do IJF ultrapassa os 6.000 pacientes ao mês, o que corresponde a mais de 200 por dia, portanto. São vítimas de quedas, acidentes de trânsito, queimaduras e armas de fogo. Historicamente, os pacientes provenientes de fora de Fortaleza representam metade das internações. Nosso hospital é de referência. Recebemos todos, indistintamente. Somos servidores públicos e trabalhamos para salvar vidas. É essa a nossa missão.

E isso não é somente com pacientes de traumatologia. Somos referência também no tratamento de queimaduras e na assistência toxicológica, acolhendo e acompanhando. O IJF dispõe do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), que realiza mais de 200 atendimentos iniciais por mês, além do acompanhamento destes pacientes, atingindo mais de 800 atendimentos. O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) provê suporte aos pacientes com intoxicações por produtos químicos usuais, medicamentos, envenenamentos, além de picadas de animais e contato com plantas.

Diante da inestimável contribuição desse hospital em prol da nossa gente, registro toda gratidão aos meus colegas profissionais de saúde, de todas as categorias, do maqueiro ao médico, que se dedicam diuturnamente a salvar vidas e realizar um atendimento de excelência e humanizado.

(*) Médico. Superintendente do IJF.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/04/2023. Opinião. p. 17.

terça-feira, 30 de maio de 2023

NEUROCIRURGIA PARA PARKINSON

Por Rafael Maia (*)

Receber diagnóstico de doença de Parkinson pode ser muito impactante. Ainda não há cura, porém, felizmente, existem tratamentos eficientes, tanto farmacológicos como não-farmacológicos, que podem melhorar sobremaneira a qualidade de vida da pessoa com Parkinson. Dentre essas terapêuticas, está a neurocirurgia.

Existem dois tipos de cirurgia para tratar a doença de Parkinson: palidotomia e estimulação cerebral profunda (mais conhecida como DBS, do inglês Deep Brain Stimulation). A primeira técnica consiste em lesionar a estrutura neuroanatômica Globo Pálido: é um procedimento irreversível e com indicações que ficaram mais restritas após o advento da técnica do DBS - essa sim, a alternativa operatória para tratamento cirúrgico que deve ser vista como preferencial.

A técnica do DBS consiste em implantar eletrodos intracerebrais conectados a um gerador de pulsos elétricos, similar a um marcapasso cardíaco (motivo pelo qual pode ser popularmente chamado de "marcapasso cerebral"), que ficará na altura do peitoral debaixo da pele. A cirurgia deve ser executada por neurocirurgião com formação específica, e a pessoa com Parkinson deverá ser submetida, ambulatorialmente, a diversas sessões de programação do gerador, a fim de encontrar a combinação de parâmetros que poderá melhor lhe beneficiar. Essas sessões, que devem ser feitas por médico neurologista ou neurocirurgião, é que permitirão que a técnica alcance todo potencial.

É muito importante frisar que nem todos os parkinsonianos terão benefícios com a cirurgia. A boa indicação, a correta seleção do candidato, é parte inerente ao sucesso do tratamento. Também é imprescindível que o neurocirurgião esteja sempre disponível, não deixando nenhuma dúvida sobre o que será feito... por exemplo: quais os sintomas podem melhorar? Quais são os riscos envolvidos? Quanto tempo dura a cirurgia?

A correta informação é a melhor arma para pessoas com Parkinson e seus familiares. Conhecer suas alternativas, e ter plena confiança no que é proposto, é o melhor caminho para cuidar da saúde e buscar uma melhor qualidade de vida.

(*) Neurocirurgião.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/04/2023. Opinião. p. 18.

sábado, 19 de fevereiro de 2022

TRANSPLANTE PENIANO

Um cara, 20 anos de casado, sofre um acidente de carro e seu pênis é dilacerado.

Seu médico assegura-lhe que a medicina moderna poderá trazer o seu pênis de volta, através de um transplante, mas o plano de saúde não cobrirá a cirurgia, pois é considerada estética.

O médico diz que os preços da cirurgia são os seguintes:

R$ 4.000,00 - tamanho pequeno;

R$ 9.000,00 - tamanho médio;

R$15.000,00 - tamanho grande.

O homem aceita o transplante, só ficando em dúvida quanto ao tamanho: P, M ou G. O médico o aconselha a conversar com a esposa antes de decidir e sai da sala para deixá-lo à vontade.

O homem telefona para a esposa e explica a situação.

Voltando à sala, o médico encontra o homem profundamente deprimido e pergunta:

- Então, o que você e a esposa resolveram?

O cara responde:

- Ela disse que prefere reformar a cozinha!!!

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria definida.

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

O CIRURGIÃO CLANDESTINO

 

Hamilton Naki, um sul-africano negro de 78 anos, morreu no final de maio. A notícia não rendeu manchetes, mas a história dele é uma das mais extraordinárias do século 20. “The Economist” contou-a em seu obituário desta semana.

Naki era um grande cirurgião. Foi ele quem retirou do corpo da doadora o coração transplantado para o peito de Louis Washkanky em dezembro de 1967, na cidade do Cabo, na África do Sul, na primeira operação de transplante cardíaco humano bem-sucedida.

É um trabalho delicadíssimo. O coração doado tem de ser retirado e preservado com o máximo cuidado. Naki era talvez o segundo homem mais importante na equipe que fez o primeiro transplante cardíaco da história. Mas não podia aparecer porque era negro no país do apartheid.

O cirurgião-chefe do grupo, o branco Christiaan Barnard, tornou-se uma celebridade instantânea. Mas Hamilton Naki não podia nem sair nas fotografias da equipe.

Quando apareceu numa, por descuido, o hospital informou que era um faxineiro. Naki usava jaleco e máscara, mas jamais estudara medicina ou cirurgia.

Tinha largado a escola aos 14 anos. Era jardineiro na Escola de Medicina da Cidade do Cabo. Mas aprendia depressa e era curioso. Tornou-se o faz-tudo na clínica cirúrgica da escola, onde os médicos brancos treinavam as técnicas de transplante em cães e porcos.

Começou limpando os chiqueiros. Aprendeu cirurgia assistindo experiências com animais. Tornou-se um cirurgião excepcional, a tal ponto que Barnard requisitou-o para sua equipe.

Era uma quebra das leis sul-africanas. Naki, negro, não podia operar pacientes nem tocar no sangue de brancos. Mas o hospital abriu uma exceção para ele.

Virou um cirurgião, mas clandestino. Era o melhor, dava aulas aos estudantes brancos, mas ganhava salário de técnico de laboratório, o máximo que o hospital podia pagar a um negro. Vivia num barraco sem luz elétrica nem água corrente, num gueto da periferia.

Hamilton Naki ensinou cirurgia durante 40 anos e aposentou-se com uma pensão de jardineiro, de 275 dólares por mês. Depois que o apartheid acabou, ganhou uma condecoração e um diploma de médico honoris causa. Nunca reclamou das injustiças que sofreu a vida toda.

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). Sem autoria definida.


 

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