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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 728

Abro com uma historinha de Frei Damião.

Casamento no Maranhão?

Acompanhemos a pregação do Frei Damião em Cajazeiras, na Paraíba. Com aquela voz que parecia sair das cavernas, perorava contra os amancebados, os luxuriosos, os desonestos, desfilando todos os pecados contra os 10 mandamentos. No meio do sermão, parou e perguntou:

– Quantos aqui são amancebados? Quantos vivem juntos e não casaram?

Centenas de pessoas levantaram a mão. O frei ameaçou:

– Nesse estado de barbárie, todos vocês vão para as profundezas do inferno. E serão queimados vivos. Vivos.

Começou a descrever a terra incandescente. E arrematou: "amanhã, quero todos os amancebados, aqui, para um casamento coletivo". Dia seguinte, lá estava a multidão. Começou a cerimônia. Frei Damião limpa o suor e joga a pergunta que ferveu na alma de muitos:

– Quem tiver algum impedimento contra esses sagrados matrimônios, que fale, agora, ou se cale para sempre.

Silêncio. De repente, vê-se, no meio da multidão, o braço no ar de Terezinha das Mercês, devota fervorosa de Senhora da Anunciação:

– Raimundinho de Doca num pode se casar, pois ele já é casado no Maranhão.

Perplexidade geral. Raimundinho, o açougueiro, toma um susto. Silêncio. Frei Damião, curioso, sai do púlpito. Multidão em transe. A companheira de Raimundinho, envergonhada, não sabe o que fazer. E muito menos o que dizer. O homem das carnes, encabulado, grita alto para todos ouvirem:

– Foi no Maranhão, no Maranhão. Faz muito tempo. É muito longe daqui. Muito longe, Frei Damião. E adepois, fui a Juazeiro para tomar as benção do padim Ciço.

O "santo italiano" do sertão nordestino baixou a cabeça. Chamou Raimundinho para perto e cochichou a penitência no ouvido:

– 100 terços e abstinência por 7 dias. Se não cumprir a ordem, os dois queimarão vivos no inferno.

Deu meia volta. Tomou lugar no púlpito. Milagre. O durão Frei Damião abençoou a todos.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/350256/porandubas-n-728


domingo, 30 de agosto de 2026

Encontrar Deus nas pequenas coisas: o legado de Santo Inácio

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

No dia 31 de julho, a Igreja celebra Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus e um dos maiores mestres da espiritualidade cristã. Diferentemente do que fazemos ao comemorar aniversários, a liturgia recorda o dia de sua páscoa definitiva, sua entrada na vida eterna. Mais do que recordar uma data, celebramos o testemunho de uma vida que continua iluminando pessoas em busca de sentido.

Vivemos um tempo marcado pela velocidade, pela hiperconectividade e pela dificuldade de permanecer em silêncio. Somos constantemente estimulados a produzir, responder e consumir, mas pouco ensinados a contemplar. É justamente nesse cenário que a espiritualidade inaciana revela toda a sua atualidade. Santo Inácio nos convida a desacelerar, a discernir e a reconhecer que Deus continua presente na simplicidade da vida.

Seu ensinamento mais conhecido, "encontrar Deus em todas as coisas", é um verdadeiro caminho de transformação. Deus não se manifesta apenas em acontecimentos extraordinários ou em momentos de intensa emoção religiosa. Ele também está na mesa compartilhada em família, no trabalho realizado com honestidade, no gesto de perdão, na escuta atenta, na contemplação da natureza e no cuidado com o outro.

Essa espiritualidade torna-se necessária dentro das famílias. Em meio às telas, às agendas cheias e à convivência cada vez mais apressada, corremos o risco de estarmos fisicamente próximos, mas emocionalmente distantes. Santo Inácio nos recorda que a presença é uma forma de amor e que Deus costuma falar nos espaços onde existe atenção, escuta e disponibilidade interior.

Pausa não representa perda de tempo, mas exercício de sabedoria. Quando silenciamos o coração, reorganizamos os afetos e recuperamos a capacidade de perceber a presença amorosa de Deus no cotidiano. Essa também é a inspiração de Tempo de Pausa e Calma: recordar que a serenidade nasce da confiança em Deus e da disposição de viver cada instante com profundidade.

Celebrar Santo Inácio é renovar esse convite. Em um mundo fascinado pelo extraordinário, talvez a maior revolução espiritual seja aprender a reconhecer Deus nas pequenas coisas.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 25/07/2026. Opinião. p.22.


quinta-feira, 6 de agosto de 2026

PEDRO, A ROCHA

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

No pátio de Caifás, Pedro negou Jesus,

Mas, reconheceu sua divindade,

Quando, categórico, com lucidez, afirmou:

Tu és o Cristo, o Filho de Deus Vivo.

 

Esta profissão de fé

Não o fez o mais amado,

Porém, o mais fiel e confiável,

Mais que Tomé, Tiago e João.

 

A Pedro tornou rocha da Igreja,

Deu-lhe as chaves do Céu,

Ordenou-lhe confirmar os irmãos,

Na fé, que lhes tinha ensinado.

 

A Igreja é de Cristo,

Pedro, seu fiel servidor.

Os princípios da Igreja

Foi Jesus quem implantou.

 

Pedro recebeu o poder:

Ligar ou desligar na terra

Será sancionado no céu.

Uma advertência Jesus lhe deu,

 

Ninguém pode a(dul)lterar,

O que Deus escreveu.

Sua Palavra é eterna,

Sabedoria e salvação dos povos.

"Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema." (Gal 1, 8-9)

Um bom domingo, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 28/06/26.


domingo, 2 de agosto de 2026

O desafio de ter o coração semelhante ao de Cristo

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

Junho ocupa um lugar especial na espiritualidade católica. Tradicionalmente dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, este mês convida os cristãos a contemplarem a essência do Evangelho: o amor de Deus revelado em Cristo.

A imagem do Coração de Jesus tornou-se, ao longo da história, um dos símbolos mais profundos da misericórdia divina. É o coração que acolhe os que sofrem, que perdoa os pecadores, que consola os aflitos e que permanece aberto mesmo diante da rejeição. Contemplar o Coração de Jesus é contemplar um amor que não desiste da humanidade.

Talvez uma das maiores necessidades do nosso tempo seja justamente reaprender a viver a partir das premissas do coração de Jesus. Estamos conectados por inúmeras tecnologias, mas muito distantes uns dos outros. Temos acesso a informações em abundância, mas nem sempre cultivamos a escuta, a compreensão e a capacidade de ocupar o lugar do outro.

O coração do homem contemporâneo é constantemente inquieto, cansado e endurecido. Há pressa para julgar, mas pouca disposição para acolher. Há facilidade para apontar falhas, mas dificuldade para praticar a misericórdia. Em uma sociedade marcada por divisões e intolerâncias, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus nos recorda que a verdadeira transformação começa dentro de nós.

Quando olhamos para Jesus nos Evangelhos, encontramos alguém profundamente sensível à dor do próximo. Ele acolhe os excluídos, aproxima-se dos marginalizados e oferece esperança aos que perderam o sentido da vida. Seu coração é movido pela compaixão, pela humildade e pelo amor.

Por isso, celebrar o mês do Sagrado Coração é também uma oportunidade de examinar a própria vida. O que temos cultivado em nosso coração? Somos instrumentos de reconciliação ou de conflito? Nossas palavras aproximam ou afastam as pessoas?

O mundo necessita de homens e mulheres que tenham um coração semelhante ao de Cristo: capaz de acolher, perdoar, servir e amar gratuitamente. A paz que tanto buscamos para a sociedade nasce, antes de tudo, da conversão do coração humano.

Que junho seja um convite para nos deixarmos transformar por esse amor. E que, ao contemplarmos o Coração de Jesus, aprendamos a viver com mais ternura, tolerância e misericórdia.

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 27/06/2026. Opinião. p.24.


domingo, 26 de julho de 2026

O PADRE NA ENCHENTE

Em uma cidadezinha do interior, havia um padre da única igreja do local, muito devoto e fervoroso, que confiava em Deus para a solução de todos os seus problemas. Um dia, veio uma enorme tempestade na cidade, que foi ficando cada vez mais inundada, inclusive a igreja. Mas o padre, com toda sua devoção, começou a rezar fervorosamente para ser salvo. Quando a água estava chegando em seus ombros, passa um homem em uma canoa e lhe diz:

— Sobe, padre, sobe! Vou te salvar!

O pare responde:

— Não precisa, meu filho, tenho fé em Deus e ele vai me ajudar!

E lá se foi o homem na canoa. As águas subiram ainda mais e o padre teve que ir até o telhado, e continua rezando esperando por um milagre. E eis que surge um homem com um barco a motor:

— Vem, padre, sobe no barco! Eu vou te salvar!

E o padre mais uma vez recusa a ajuda:

— Não precisa, porque creio em Deus e Ele vai me ajudar!

A água foi subindo cada vez mais e o padre foi parar no topo da igrejinha, que estava quase desabando, e ele firme e forte na fé de que ia ser salvo. Quando as águas subiram até o pescoço do padre, aparece o helicóptero dos bombeiros e eles o chamam pelo megafone:

— Pega a corda para podermos te salvar, padre!

E o padre responde:

— Obrigado, mas não precisa, porque Deus vai me salvar!

A tempestade piorou, e toda a cidade ficou coberta em água.

Como o padre não sabia nadar, ele se afogou e foi para o céu. Chegando lá, ele perguntou para Deus:

— Confiei tanto no Senhor! Por que me abandonou quando pedi tanto pela Sua ajuda?

E Deus responde:

— Como é que eu não ajudei? Mandei uma canoa e você não subiu nela. Depois mandei um barco a motor e você também recusou. Por último mandei um helicóptero e você não subiu!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


domingo, 19 de julho de 2026

O coração que procura, cura e se dá

Por Pe. Reginaldo Manzotti (*)

O mês de junho ocupa um lugar singular na espiritualidade católica. Além de celebrarmos os santos juninos é o tempo em que a Igreja volta seu olhar, de modo especial, para o Sagrado Coração de Jesus, fonte inesgotável de amor, misericórdia e entrega total. Ao mesmo tempo, celebramos Corpus Christi, solenidade que nos convida a contemplar o mistério da Eucaristia: Cristo que permanece conosco, fazendo-Se pão partido para a vida do mundo.

Essas duas devoções, embora distintas em forma, estão profundamente unidas em conteúdo. Ambas nos conduzem ao mesmo centro: o amor de Jesus que Se doa sem reservas.

Desde a infância, a devoção ao Sagrado Coração de Jesus não foi apenas um ensinamento, mas um ambiente em que cresci. Lembro-me nitidamente de minha mãe usando, com simplicidade e fé, a fita do Apostolado da Oração, e de como a Comunhão Eucarística da primeira sexta-feira do mês era parte sagrada da rotina familiar. Antes mesmo de compreender plenamente a teologia dessa devoção, eu já aprendia, pelo exemplo, que o Coração de Jesus é escola de amor, fidelidade e entrega.

Celebrar o Sagrado Coração é deixar-se envolver por um Deus que não permanece distante, mas que se compromete profundamente com a humanidade, um Deus que ama com um coração que pulsa de compaixão, que sofre com a indiferença humana, mas que nunca deixa de amar. Ao contemplarmos esse Coração, somos convidados a reconhecer que Deus não é distante nem indiferente: Ele tem um coração e esse coração nos ama pessoalmente e individualmente.

Na profecia de Ezequiel 34,11-16, Deus se revela como um pastor que não terceiriza o cuidado de seu rebanho. Ele mesmo sai em busca das ovelhas perdidas, recolhe as dispersas, cura as feridas e fortalece as fracas. Esse texto não fala apenas de proteção, mas de proximidade ativa. O coração de Deus é inquieto diante da dor de seus filhos.

Essa imagem do Pastor reflete claramente o Coração de Jesus: um coração que vê, que se move e que age. Não é um amor genérico, mas pessoal. Cada ovelha é conhecida, cada ferida é tocada. No Sagrado Coração, encontramos um Deus que não desiste de procurar, mesmo quando nos afastamos.

Essa Palavra me tocou muito fundo. Ao meditá-la, imagino Jesus dizendo, com a ternura do Bom Pastor: "Eu encontrei e resgatei a minha ovelha que usava drogas. Eu busquei a minha ovelha que pensava em suicídio. Eu encontrei a minha ovelha machucada. A minha ovelha que abandonou a Igreja, eu busquei. A minha ovelha que não se rendeu aos meus ensinamentos, eu busquei. Aquela pessoa que ninguém quis amar, eu busquei. Eu encontrei a minha ovelha."

Assim é o Coração de Jesus: um coração que não se cansa, que atravessa a noite, que vai ao encontro do perdido, do ferido, do rejeitado. Um coração que não desiste de amar.

No Evangelho de João 19,34, ao pé da cruz, o soldado abre com a lança o lado de Jesus, e de seu interior brotam sangue e água. A Igreja sempre reconheceu nesse gesto mais que um fato histórico: é a revelação suprema do amor. O Coração de Jesus é aberto, não por acaso, mas como sinal de que nada é retido, tudo é entregue.

A água recorda o Batismo; o sangue, a Eucaristia. Do Coração transpassado nascem os sacramentos que sustentam a vida cristã. Olhar para esse Coração ferido é compreender que o amor de Deus não é teórico, é concreto, passou pela dor, pela rejeição e pela cruz.

Como expressa belamente Santo Agostinho: "Vosso Coração, Jesus, foi ferido para que na ferida visível contemplássemos a ferida invisível do vosso grande amor."

A lança abriu o lado de Cristo, mas foi o amor que já havia aberto seu Coração muito antes.

A prática da Comunhão reparadora nas primeiras sextas-feiras do mês não é um ritual vazio, mas uma resposta de amor ao amor. Reparar não significa assumir culpas alheias, mas oferecer presença, fidelidade e consolo ao Coração tantas vezes ferido pela indiferença, pelo pecado e pelo esquecimento.

Em um mundo marcado pela pressa, pela superficialidade e pela dureza das relações, o Sagrado Coração de Jesus permanece como um convite sempre atual: "Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração."

Ele continua procurando ovelhas feridas, oferecendo repouso às cansadas e esperança às que se sentem esquecidas. Celebrar junho como mês do Sagrado Coração é mais do que manter uma tradição; é renovar uma escolha.

Escolher viver a partir do amor que se doa, do cuidado que se compromete, da fé que se traduz em gestos concretos.

Que o Sagrado Coração de Jesus continue sendo nossa morada, nossa escola e nossa esperança.

(*) Fundador e presidente da Associação Evangelizar é Preciso e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR).

Fonte: O Povo, de 13/06/2026. Opinião. p.24.


sexta-feira, 3 de julho de 2026

SANCTA DEI TRINITAS

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

A Trindade é um mistério em si mesmo, um mistério estrito, que a razão não alcança e se curva ante a revelação de Deus, nos escreve Santo Tomás.

Pela fé mergulhamos no mistério, mas, pela razão, jamais o compreenderemos, pois, transcende os limites de nossa contingência.

Deus é amor, diz-nos o Evangelista São João (1Jo 4,16).

O amor é uma relação de saída ao encontro de um amado. E só se concretiza se o amado se fizer amante. E entre os dois, há de nascer o fogo, que impulsiona e consolida o amor. Uma pessoa isolada não dispõe de elementos essenciais para curtir o amor. Assim, Deus, que é amor absoluto, não se fecha num egoísmo narcísico, mas faz-se comunhão intrínseca com o Filho, no fogo amoroso do Espírito Santo.

Não precisou criar o homem para viver o amor, ao contrário, derramou na sua criatura a chama de Seu amor e, no Seu exemplo modelar, transparece a afirmação de Jesus: “Eu quero a misericórdia e não o sacrifício’ (Mt 9,13; 12,7), priorizando a atitude do coração, o amor ao próximo e o perdão, que do amor é irmão.

O Espírito pairava sobre as águas: "A terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas." (Gn 1,2).

O Pai manifesta-se a Moisés: Deus respondeu a Moisés: “Eu sou aquele que sou”. E ajuntou: “Eis como responderás aos israelitas: (Aquele que se chama) ‘Eu sou’ envia-me junto de vós” (Ex 3,14).

O Filho: ‘Respondeu-lhe (à Maria) o anjo: “O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso, aquele que nascer de ti será chamado Filho de Deus.’” (Lc 1,35).

E, no batismo de Jesus, Marcos registra a plena revelação da Trindade: ‘No momento em que Jesus saía da água, João viu os céus abertos e descer o Espírito em forma de pomba sobre ele. E ouviu-se dos céus uma voz: “Tu és o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência.”’ (Mc 1,10-11).

A Trindade é concebida pela Patrística, com São Gregório de Nazianzo e desenvolvida por São João Damasceno, com o termo grego περιχώρησις  e em latim circumincessioPericorese’, ou seja, como uma mútua interpenetração e coabitação do Pai, Filho e Espírito Santo. Têm a mesma οὐσία (ousia - essência), habitam um no outro e são um na intimidade de sua amizade. O conceito teológico de Pericorese é ilustrado como uma "dança" eterna de amor, movimento e doação mútua entre as três pessoas.

Este termo já foi utilizado, antes, pelos gregos, como Anaximandro por volta de 450 a.C. e também Platão expõe-no como relação entre alma e corpo. Encontra-se ainda nos textos de Pseudo-Cirilo, todavia, associado à Cristologia.

Em cada uma das três Pessoa da Trindade habitam as outras Pessoas, mutuamente, em perfeita e íntima unidade e comunhão κοινωνία (koinonia), sem perder suas individualidades, nem se fundirem. Não há divisão da divindade. Elas compartilham os mesmos tributos: onisciência, onipotência, eternidade.

Embora todas ajam em conjunto, atribui-se ao Pai a Criação; ao Filho, a Redenção e ao Espírito Santo, a Santificação.

Santo Agostinho comenta:  A Trindade é a estrutura própria do amor absoluto (De Trinitate).

A Koinonia divina inspira a koinonia humana na partilha, no acolhimento e amor mútuos.

Portanto, ser cristão, à luz da Trindade, é ser um ser-em-constante-relação (GRESHAKE, 2001).

A comunhão trinitária é o antídoto cristão contra o individualismo.

Fontes: https://www1.unicap.br/ojs/index.php/theo/article/view/826

https://www.youtube.com/watch?v=E2s61E34elY

https://www.youtube.com/watch?v=uAczIwjoHXE

Uma boa segunda-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 1/06/26.


domingo, 21 de junho de 2026

Amar em Comunhão: a força dos primeiros passos

Por Pe. Eugênio Pacelli SJ (*)

Em um tempo marcado por relações frágeis e vínculos muitas vezes efêmeros, a proposta do movimento Amare, idealizado por mim, surge como um convite profundo à solidez do amor vivido a dois.

Há dez anos no Ceará, o movimento acolhe casais nos primeiros anos de união — até sete anos — reconhecendo nesse período um dos mais desafiadores da vida conjugal. É justamente nesse tempo inaugural que se moldam as bases do diálogo, da escuta, do perdão e da perseverança, elementos indispensáveis para que o amor não se desgaste diante das inevitáveis provas da convivência, nem se perca diante das pressões externas do mundo contemporâneo.

A inspiração encontra eco no magistério da Igreja, especialmente na Amoris Laetitia, na qual o Papa Francisco ressalta que o amor no matrimônio é um caminho de construção contínua, feito de pequenas escolhas diárias. Ele recorda que os primeiros anos exigem paciência, maturidade e, sobretudo, enraizamento espiritual — um tempo em que o casal aprende a sair de si para acolher o outro, a transformar diferenças em aprendizado e a cultivar a unidade sem anular a individualidade, construindo assim uma comunhão verdadeira.

Caminhar com a Igreja, nesse contexto, não é apenas frequentar celebrações, mas permitir que a graça divina permeie as realidades concretas da vida a dois: os conflitos silenciosos, os sonhos partilhados, as limitações humanas e as conquistas que se tornam testemunho. Ao viver em comunidade, os casais descobrem que não estão sós — há outros que também enfrentam dúvidas, crises e recomeços. E é justamente nesse espelho do outro que Deus se revela, sustentando, curando e orientando cada passo, fortalecendo o vínculo conjugal com esperança renovada.

Mais do que um movimento, o Amare se configura como um verdadeiro itinerário espiritual e humano, no qual o amor conjugal é educado, amadurecido e fortalecido. Em tempos de dispersão e imediatismo, ele resgata a beleza de permanecer, de reconstruir quantas vezes forem necessárias e de compreender que o matrimônio, quando vivido à luz do Evangelho, torna-se não apenas um compromisso, mas uma vocação viva, fiel e renovada todos os dias, sustentada pela graça e pela presença constante de Deus. 

(*) Sacerdote jesuíta e mestre em Teologia. Escritor. Diretor do Mosteiro dos Jesuítas de Baturité e do Polo Santo Inácio. Fundador do Movimento Amare.

Fonte: O Povo, de 2/05/2026. Opinião. p.22.


sábado, 23 de maio de 2026

Tradição Cristã ou Tradicionalismo Católico?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Em se tratando da Igreja Católica, assiste-se a uma avassaladora onda de liberalismo progressista, e, diante desses ‘neologismos pragmáticos’, é necessário um ponto de reflexão para não sairmos da estrada, definida por Jesus.

Trago aqui minha singela opinião, sem pretensões de maiores aprofundamentos, tampouco de convencer ninguém.

A tradição é a transmissão de valores, princípios e costumes de geração em geração, de tal maneira a manter a identidade cultural e a essência dos valores e princípios de um povo, de uma nação, de uma instituição. O tradicionalismo, por sua vez, está mais atento ao como, valoriza mais o rito do que a essência.

A Igreja Católica tem como suporte a Sagrada Escritura, a Sagrada Tradição e o Sagrado Magistério.

O Cristianismo não existiria sem a historicidade dos Apóstolos e de Jesus Cristo, cujo ensinamento foi preservado e transmitido pelos Apóstolos, a partir da Igreja primitiva, sem a qual a Bíblia seria apenas um livro sem contexto.

Há registros, tanto na cultura grega, quanto na cultura romana, de baluartes que nos legaram a Bíblia. Assim, temos Clemente de Roma e Policarpo de Esmirna, no século I, Irineu de Lião, no século II, Agostinho de Hipona, no século V, Tomás de Aquino, no século XIII e os gregos Orígenes, Atanásio de Alexandria, entre tantos outros. Romper, portanto, com a Sagrada Tradição, é desvincular-se da história, rompendo com os próprios Apóstolos e, enfim, com a Palavra que é o Cristo Jesus.

A liturgia, com seus gestos, atitudes, músicas e símbolos propicia um ambiente de espiritualidade e de adoração, não deve ser adaptada à vaidade e transitoriedade do mundo, aliás o fermento é a Palavra e jamais o mundo.

Dando um olhar pragmático, é possível perceber-se que a atitude de adoração à Eucaristia parece ter-se encolhido, o Santíssimo circula pelo meio das pessoas como algo vulgar, não há sinalização de que Jesus está passando; a atitude de alguns sacerdotes e alguns ministros, diante da Eucaristia, não chega a ser nem mesmo uma vênia e a distribuição da Santíssima Eucaristia é mais semelhante a uma feira do que ao Santíssimo Sacramento, o Filho de Deus encarnado, presente no pão eucarístico.

Como católico, há vezes, que eu não me sinto num templo católico, sendo mais convidativo à oração e ao encontro com Deus o interior de minha moradia. Muitos ritmos musicais, nas celebrações, espantam e afastam mais do que despertam o espírito e não convidam à adoração, ‘data venia’, parece-me mais um show de calouros; muitas proclamações da Palavra são péssimas e incompreensíveis leituras sem qualquer preparo, nem compreensão do próprio leitor, constituindo, na minha visão, um desrespeito para com a Palavra.

O objetivo da substituição da língua oficial, o latim, pelo vernáculo, parece-me que vulgarizou, mas não espiritualizou, como se pranteava.

E o Presidente da celebração não é o sacerdote, é o próprio Cristo, tanto que a consagração é feita ‘in persona Christi’. O sacerdote é o intercessor, junto a Jesus Cristo, de quantos participam da liturgia e extensivo a todos.

A Igreja não é estática, nem o sacrifício da cruz e a ressurreição, riqueza museológica. Mas, a sua dinâmica não coincide com a dinâmica do mundo. É o Espírito que a vivifica, e não o mundo. Sempre foi, é e sempre será!!!

O Bispo auxiliar de Hertogenbosch, Robert Mutsaerts, afirmou que o colapso da prática religiosa, na Holanda, deveu-se à tentativa de tornar a Igreja mais atraente, ao modernizar suas práticas e diluir a identidade católica, resultando em esvaziamento, ao invés de renovação. (https://www.instagram.com/p/DWbWzLXDolJ/?img_index=1).

A Palavra nunca envelhece e jamais precisará de alterações, mesmo semânticas: evangelizar implica, sim, contextualização dentro do modal cultural, mas nunca o inverso, nem tampouco alteração e/ou adaptação de quaisquer citações da Palavra. À catequese cabe a explicação compreensível do Texto Sagrado.

Domine, auge fidem meam’!!!

Uma boa sexta-feira, as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/04/26.


segunda-feira, 18 de maio de 2026

A ASCENSÃO DIGNIFICA-NOS

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

A celebração da Ascensão do Senhor culmina o processo do resgate amoroso de Deus de suas criaturas e, em especial, de quem Ele fez com Suas próprias mãos e soprou-lhe Sua imagem e semelhança.

O Filho nasceu no seio de uma família, deu-Se a todos sem acepção de pessoas e sem opções privilegiadas, acolheu a fé dos que nEle creram, foi morto no patíbulo da cruz pelas garras do poder usurário, injusto e usurpador e ressuscitou, após três dias. Este, o mistério do amor incondicional de Deus por todos e por cada um de nós.

Temos o presente de Deus: “Filius datus est nobis”. (Um Filho nos foi dado).

Temos a missão do Filho: “Ecce Agnus Dei, qui tollit peccata mundi”. (Eis o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo)

Temos a prova do amor incondicional de Deus: “Ecce lignum crucis in quo pependit salus mundi”. (Eis o lenho da Cruz, do qual dependeu salvação do mundo).

Temos a consagração da garantia plena e total: “Christus ressurrexit, sicut dixit”. (Cristo ressuscitou, como disse).

Após a consumação do Plano de Deus “Consummatum est” (Tudo está realizado), em grego “Τετέλεσται”, o Filho Ressuscitado passa quarenta dias fortalecendo, enriquecendo e complementando o ensinamento divino “Quod Ego facio, tu nescis modo: scies autem postea”. (O que faço não compreendes agora; saberás mais tarde).

Restava agora o coroamento da dignidade humana, ante a infinita amorosidade de Deus: Jesus, o Filho Salvador, ascende aos céus e, com Sua humanidade, assenta-se à direita do Pai. Jesus, não só nos leva aos céus, Ele nos eleva a dignidade perdida; na Sua Ascensão, Ele nos incendeia’ o coração e acende e faz arder a fé: “Eius Ascensio restituit dignitatis nostrae plenitudinem”. (Sua Ascensão restituiu nossa plena dignidade).

Ao ascender aos céus, Jesus faz-nos uma ‘intimação’ tão precisa, tão transparente e tão rigorosa, quanto amigável:

Homens da Galileia, por que ficais parados, olhando para o céu?  Ele virá do mesmo modo que O vistes subir para o céu.” (cfe. At 1,11).

Recebereis o poder do Espírito Santo para serdes Minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e na Samaria e até os confins da terra.” (At 1, 8).

Toda autoridade Me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos Meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei e estarei convosco até o fim do mundo.” (cfe. Mt 28, 19).

Para todos nós, cristãos, eis duas mensagens: não ficar parado, mas crescer na fé, na caridade, no amor, pois o céu não se conquista com olhares, senão com o testemunho vívido do Evangelho; a segunda é a certeza da Parusia, aliás, o lençol dobrado no túmulo já o anunciara.

Para a Igreja, Jesus define, claramente, sem rodeios nem ambiguidades, a sua missão.

Dominus vobiscum, (O Senhor esteja convosco) diz o sacerdote e o povo responde Et cum spiritu tuo (E com teu espírito). A mutualidade partilhada da oração irmana sacerdote e fiéis.

Um bom domingo, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 17/05/26.

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Por que na sexta-feira santa não há missa?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Num Planeta, onde todos os dias são celebradas missas, há um dia em que nenhum sacerdote pode celebrar a santa missa.

Antes de tudo, uma contextualização histórica:

Após a ceia eucarística, Jesus retira-se com seus apóstolos ao Getsêmani e, ao romper da noite, começa o seu martírio, com o beijo fatídico do apóstolo Judas Iscariotes. Jesus é levado preso, sofre humilhações, é torturado, flagelado, coroado de espinhos e, no dia seguinte, uma sexta-feira, é crucificado ao lado de dois ladrões, Gestas e Dimas.

Os Evangelistas Lucas, Mateus e Marcos atestam que uma como mortalha negra cobriu a terra: “Era quase à hora sexta e em toda a terra houve trevas até a hora nona, isto é, das 12h às 15h. Escureceu-se o sol e o véu do templo rasgou-se pelo meio”. Foi o momento da morte de Jesus.

É importante esclarecer que esse eclipse de 3 horas se deu, contrariando evidências científicas: 1) a Páscoa judaica, celebrada na lua cheia, permitiria apenas cenário de um eclipse lunar, mas não de um eclipse solar, que se dá quando a lua está na fase de lua nova, ou seja, a lua fica entre a terra e o sol; 2) A duração máxima de um eclipse solar é de 7h:31min.

Um aspecto considerável é o rasgamento, de alto a baixo, do véu do Santo dos Santos, pois, onde só podia entrar o sumo sacerdote uma vez por ano, agora é uma porta aberta a todos.

No que tange à celebração eucarística, como a Missa é a memória da morte e ressureição de Jesus, é o Sacrifício celebrado, sacramentalmente, na sexta-feira santa, a Igreja contempla o Sacrifício de Cristo, em sua realidade histórica: vivência litúrgica como acontecimento: o Cordeiro de Deus imolado por nossos pecados.

Daí que a sexta-feira santa, com a mesa sem toalha, o sacrário vazio, a matraca em lugar dos sinos, faz uma provocação espiritual: o silêncio vazio exorta-nos a refletir, a escutar e a contemplar o mistério Pascal. O silêncio do túmulo que precede a alegria da ressurreição.

A celebração litúrgica da sexta-feira santa é chamada a ‘missa dos pré-santificados’, porque não há a consagração, sendo as partículas consagradas na quinta-feira santa oferecidas para a comunhão desse dia.

Ecce lignum Crucis in quo pependit salus mundi. Venite adoremus” (Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo. Vinde, adoremos) ensina-nos a enfrentar nossas dores, sofrimentos e limitações, e a não nos acovardarmos ante a cruz.

Com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 4/04/26.

quarta-feira, 29 de abril de 2026

EUCARISTIA: Centro de nossa fé

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

A Eucaristia não é um símbolo, nem uma representação, mas a presença real de Cristo. É a atualização do sacrifício da Cruz, não uma nova imolação.

Ao celebrar a Páscoa com seus discípulos, Jesus institui a Eucaristia (cf. Mt 26,26-29; Mc 14,22-25; Lc 22,19-20) que, a partir daquele momento, assume novo sentido, no mundo cristão. A Páscoa torna-se o evento da morte e ressurreição de Jesus.

Antes da instituição da Eucaristia, Jesus faz várias afirmações conexas:

- Em João 6,48-50: “Eu sou o pão da vida. Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer.”

- Em João 6, 51; “Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão, que Eu hei de dar, é a minha carne para a salvação do mundo”.

- Em João 6,53: "Jesus disse-lhes: 'Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós".

- Em João 6, 54-55: "Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia". "Pois a minha carne é verdadeira comida e o meu sangue é verdadeira bebida".

Em Jo 6, 56: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele.”

Na Última Ceia, os Evangelhos sinóticos apresentam, com toda clareza e exatidão, o mistério da transubstanciação, transbordando amor, paz e misericórdia, convocando todos à união e perpetuando a presença de Jesus, no meio de todos nós: - Jesus, na Última Ceia, parte o pão e dá o cálice, dizendo: "Isto é o meu corpo... este é o meu sangue", estabelecendo a Nova Aliança (Mt 26, 26-28; Mc 14, 22-24; Lc 22, 19-20).

“ISTO É O MEU CORPO / ISTO É O MEU SANGUE”: o tempo verbal usado para afirmar esta realidade

* apresenta qualidade de ação durativa (τοῦτό ἐστιν τὸ σῶμά μου / τοῦτό ἐστιν τὸ αἷμά μου), ou seja, não ficou somente naquele momento e não é uma representação simbólica, mas a realidade do que se afirma.

Em seguida, ordena Jesus: - Fazei isto em memória de Mim (τοῦτο ποιεῖτε εἰς τὴν ἐμὴν ἀνάμνησιν). Este tempo ποιεῖτε está flexionado no imperativo, expressa uma ordem de uma ação que já começou.

O Papa Paulo VI, na Carta Encíclica Mysterium Fidei, de 03 de setembro de 1965, 28 comenta: “Jesus ao ordenar aos Apóstolos que fizessem o partir do pão e o beber do cálice em sua memória, deixa explícita a sua “[...] vontade de que este mistério se renovasse. Na realidade, foi o que a Igreja primitiva realizou fielmente, perseverando na doutrina dos Apóstolos e reunindo-se para celebrar o sacrifício Eucarístico.

Tomai, todos, e comei: Isto é o Meu corpo, que será entregue por vós”.

Tomai, todos, e bebei: Este é o cálice do Meu sangue, o sangue da Nova e Eterna Aliança, que será derramado por vós e por todos, para remissão dos pecados.

FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.”

FONTE:https://www.academia.edu/145023418/Sacramento_da_Eucaristia_fundamentação_bíblica_e_teológica

Uma boa sexta-feira santa, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 3/04/26.

domingo, 19 de abril de 2026

A vida após a morte segundo algumas religiões III

6. A Religião Asteca

O povo asteca acreditava em uma série de deidades extraordinárias, e tinha muitos festivais diferentes, que eram ditados pelo calendário asteca. Eles também acreditavam que nem todos os que morreram acabariam no mesmo lugar. A maioria das pessoas acabou em um lugar chamado Mictlan, onde os mortos tiveram que enfrentar muitos desafios durante um período de cerca de 4 anos antes de poder finalmente descansar. Por outro lado, pessoas que foram mortas por afogamento ou relâmpago acabaram em Tlalocan, que era um paraíso que foi dominado por Tlaloc, a divindade da chuva. Além do mais, acreditava-se que guerreiros abatidos ou mulheres que morreram durante o parto se transformavam em beija-flores.

7. Juche

Juche é a religião mais nova desta lista e é reservada exclusivamente aos cidadãos da Coreia do Norte. Os adeptos do Juche adoram o primeiro ditador do país, Kim Il-sung, seu filho, Kim Jong-il e sua esposa, Kim Jong-soko. Esta religião foi formada em um modo muito similar ao cristianismo, com estas três pessoas representando uma santa Trindade, como o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Os seguidores do Juche acreditam que passarão a vida eterna com seu grande líder após a morte.

8. Epicurismo

O epicurismo é uma religião que antecede o cristianismo em aproximadamente 300 anos e ainda continua sendo seguida hoje. Seus fiéis acreditam na existência de vários deuses, mas afirmam que todos esses deuses ignoram inteiramente a humanidade. O seu princípio determinante é que tudo, incluindo os deuses e a alma, é composto de átomos, e é por isso que eles não acreditam em qualquer vida após a morte.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


A vida após a morte segundo algumas religiões II

3. Religião Tradicional Chinesa

Os seguidores da religião folclórica Han acreditam em uma existência tranquila após a morte, que pode ser alcançada através da participação em rituais particulares e mostrando um grande respeito aos seus antepassados. Após a morte, se um indivíduo tiver vivido uma vida virtuosa o suficiente, então o deus Ch'eng Huang permitirá que habitem com os imortais no paraíso. No entanto, se suas vidas forem consideradas decadentes, eles seriam enviados ao inferno por tempo determinado, seguido imediatamente por um renascimento.

4. Zoroastrismo

As pessoas que seguem o zoroastrismo acreditam em um deus benevolente chamado Ahura Mazda e uma divindade do mal conhecida como Angra Mainyu. Eles acreditam que, após a morte, uma pessoa pode entrar no céu ou no inferno, dependendo de quão bem eles lideraram sua vida. Para chegar ao destino final de suas vidas, eles devem primeiro atravessar a Ponte Chinvat. Para pessoas virtuosas, essa ponte será apenas um pequeno desafio. No entanto, quando um pecador tenta atravessar, a ponte balançará perigosamente, ficará tão estreita como uma navalha, e uma mulher aterrorizante as atormentará implacavelmente enquanto tentam chegar ao outro lado. A queda da Ponte Chinvat resultará em uma permanência no purgatório, antes de voltar para a ponte para outra tentativa.

5. Rastafarianismo

O rastafarianismo começou na Jamaica durante a década de 1930, mas seus seguidores se espalharam por todo o mundo desde então. Os seguidores acreditam que o imperador da Etiópia, Haile Selassie, era seu deus encarnado, e ainda continuam a acreditar mesmo depois de sua morte, em 1975. Acredita-se que os fiéis do rastafarismo experimentam a imortalidade através da reencarnação. Eles também acreditam que o céu está dentro do Jardim do Éden, que, segundo eles, está localizado na África.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


 

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