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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

EDUCAÇÃO FINANCEIRA 2025

Por Lauro Chaves Neto (*)

Sempre em janeiro, nós, economistas, temos uma grande demanda de consultoria sobre planejamento, tanto empresarial como pessoal. A educação financeira é uma das principais temáticas envolvidas no orçamento familiar e um dos pilares para elevar a probabilidade de sucesso no futuro.

O planejamento familiar deve ser iniciado com um conjunto de reflexões e decisões, anteriores à elaboração do orçamento. Questionamentos no estilo: qual o nível de risco que você aceita assumir? Qual a importância de possuir uma casa própria? Qual a valorização do investimento em educação para você e os seus filhos? Quando e como você planeja se aposentar? Essas são algumas das questões que devem ser respondidas antes de se pensar no planejamento financeiro em si.

Respondidas as questões acima, entre outras, com a ajuda de uma planilha, um aplicativo ou um software, elaborar a relação completa de todas as receitas, despesas, dívidas, aplicações e patrimônio da família será uma consequência das suas escolhas e prioridades. A definição de um projeto de vida deve ser feita no início do processo. Proporcionar educação de qualidade para os filhos é prioridade? Que tal iniciar um plano de acumulação de recursos no dia do nascimento da criança, assim o tempo e os juros acumulados facilitarão o alcance de sua meta.

Criar uma reserva para imprevistos que sempre acontecem é importante? Independente da sua renda, tente reservar uma pequena parcela da sua receita mensalmente, é um sacrifício que gerará um grande retorno a cada situação inesperada que necessite de desembolsos financeiros adicionais.

Usufruir a vida, viver para trabalhar ou trabalhar para viver, tudo isso adequado à realidade financeira de cada família. Reavalie as suas prioridades, analise as suas escolhas, controle os seus gastos, priorize, tenha hábitos de consumo compatíveis com o seu orçamento. Deve-se identificar o que é imprescindível, o que é urgente, o que é importante e o que pode esperar.

Inteligentes são aqueles que se preparam para uma vida feliz, financeiramente saudável e compatível com a realidade. Padrão de vida é o que podemos ter!

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 6/01/25. Opinião. p.18.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2024

Trump, Dólar e Prime Rate VS Selic

Por Pedro Jorge Ramos Vianna (*)

Escrever sobre a relação Trump-Dolar-Prime Rate-SELIC e as consequências dessa relação sobre a economia brasileira não é tarefa fácil porque são muitos os entes econômicos envolvidos e muitas as ligações entre as variáveis e parâmetros no sistema econômico.

No presente caso, só podemos imaginar o que Trump fará, dadas suas promessas de campanha. Assim, o que ele, possivelmente, adotará, será: política para baixar os impostos; políticas de combate à inflação, política tarifária e políticas não-tarifárias de incentivos à industrialização.

Na política de baixar os impostos ele só pode trabalhar com os impostos federais. No caso, o mais provável é diminuir o Corporate Income Tax (CIT) e para compensar a queda no orçamento federal, diminuir a ajuda externa aos países e instituições multilaterais (Ucrânia, ONU, OTAN, OMS, etc.).

Ao diminuir o CIT ele está dando incentivo à industrialização. Isto, praticamente, não terá efeito sobre a economia brasileira. Mas, ele pode alterar a política tarifária para proteger a indústria americana.

Trump não disse que aumentaria as tarifas americanas indiscriminadamente, a não ser em represália ao México.

Mas, se ele levar a política de defesa da indústria americana a toque de caixa e esse é um caminho fácil de seguir, aí, o prejuízo do Brasil pode ser grande.

Dado que incentivar a indústria significa aumentar a produção, uma consequência possível é a diminuição dos preços. Se isto ocorrer, vale salientar, tais medidas também ajudarão a controlar a inflação nos EUA. Portanto, este é um caminho com grandes chances de ser seguido por Trump.

Mas a ligação preço-taxa de juros é quase umbilical.

E por que ele não falou na prime rate? Porque esta é uma prerrogativa do FED. Mas imbuído do "great America again" o FED pode aumentar esta taxa para incrementar a entrada de recursos de investimento nos EUA. Se isso acontecer, o Brasil estará em maus lençóis, pois a Selic também terá de aumentar e o dólar aqui ficará mais escasso. Resultado: prejuízo para o Brasil.

Há de se ter em mente que dólar mais caro significa pressão inflacionária no Brasil, haja vista os aumentos que deverão ocorrer nos preços do petróleo, nos preços os bens tecnológicos e no preço do trigo, somente para citar alguns exemplos.

Vale, ainda, salientar que nos seus últimos pronunciamentos Trump falou da falta de comida para os "estrangeiros-americanos" (latinos, árabes, sul-africanos). Portanto, é possível que ele não interfira nas importações americanas de "commodities". Assim, neste particular, o Brasil não deverá ser afetado.

Por outro lado, o Brasil pode perder a possibilidade de receber algum recurso do governo Trump para a ajuda à preservação da Amazônia, por exemplo.

(*) Economista e professor titular aposentado da UFC,

Fonte: O Povo, de 17/11/24. Opinião. p.20.

 

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