Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie
Hoje, ao levantar-me, corria uma suave
brisa com um leve sereno dos céus, pingos miúdos a perpassarem um véu.
Abri a janela e ouvi a voz de uma árvore.
Era uma velha mangueira, baloiçando seus galhos, num vai-e-vem rítmico de uma
bela valsa portuguesa.
Velha, não decrépita.
E ouvi sua voz. Das pontas de seus galhos
brotavam renovos, que saracoteavam alegres, ao toque da brisa. Seus rebentos,
brotos tenros, delicados, tez de um verde-claro, irrepreensivelmente, charmoso,
caiam uns sobre os outros, com peraltices de impúberes crianças. E os galhos,
muitos gastos no tempo, com suas folhas verde-pardacentas de tantas refregas,
acolhiam, calmamente, essa nova geração, acenando-lhe um bem-vindo aliviado e
letante.
Quedei-me a sorver aqueles momentos, que,
de tão alegres, saltaram dentro de mim, fizeram-me tanto bem, que minh’alma
sorriu, extasiada com tamanha singela maravilha. Levantei os olhos e balbuciei
uma prece de agradecimento e louvor ao Criador.
Dei-me conta de que idades podem se
renovar, de que envelhecer pode rejuvenescer, basta deixar um renovo surgir
para o velho voltar a sorrir dos cansaços de sua marcha irretornável, porém,
sempre pronta ao renovável.
Lembrei-me também da máxima de Lavoisier.
Nada de fato se perde, mas se não acontece transformação, ela se transforma em
perda.
Nossas células renovam-se. Nossos
princípios renovam nossos valores, nossas crenças remoçam nossa fé.
Como aquela mangueira, para caminhar com
esbeltez e pujança, que venham novos rebentos, que a alma alenta e a vida
alimenta.
Árvore fala, sim, senhor.
Não dá apenas flores ou frutos ou sombra,
ela nos proporciona também lições de ‘ser’.
Tenhamos um nome sábado, com as bênçãos de
Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 21/03/26.

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