terça-feira, 7 de abril de 2026

ÁRVORES FALAM?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Hoje, ao levantar-me, corria uma suave brisa com um leve sereno dos céus, pingos miúdos a perpassarem um véu.

Abri a janela e ouvi a voz de uma árvore. Era uma velha mangueira, baloiçando seus galhos, num vai-e-vem rítmico de uma bela valsa portuguesa.

Velha, não decrépita.

E ouvi sua voz. Das pontas de seus galhos brotavam renovos, que saracoteavam alegres, ao toque da brisa. Seus rebentos, brotos tenros, delicados, tez de um verde-claro, irrepreensivelmente, charmoso, caiam uns sobre os outros, com peraltices de impúberes crianças. E os galhos, muitos gastos no tempo, com suas folhas verde-pardacentas de tantas refregas, acolhiam, calmamente, essa nova geração, acenando-lhe um bem-vindo aliviado e letante.

Quedei-me a sorver aqueles momentos, que, de tão alegres, saltaram dentro de mim, fizeram-me tanto bem, que minh’alma sorriu, extasiada com tamanha singela maravilha. Levantei os olhos e balbuciei uma prece de agradecimento e louvor ao Criador.

Dei-me conta de que idades podem se renovar, de que envelhecer pode rejuvenescer, basta deixar um renovo surgir para o velho voltar a sorrir dos cansaços de sua marcha irretornável, porém, sempre pronta ao renovável.

Lembrei-me também da máxima de Lavoisier. Nada de fato se perde, mas se não acontece transformação, ela se transforma em perda.

Nossas células renovam-se. Nossos princípios renovam nossos valores, nossas crenças remoçam nossa fé.

Como aquela mangueira, para caminhar com esbeltez e pujança, que venham novos rebentos, que a alma alenta e a vida alimenta.

Árvore fala, sim, senhor.

Não dá apenas flores ou frutos ou sombra, ela nos proporciona também lições de ‘ser’.

Tenhamos um nome sábado, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 21/03/26.


Nenhum comentário:

 

Free Blog Counter
Poker Blog