Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
A felicidade é como o sono, quanto mais a
gente se inquieta em buscá-la, mais ela se distancia e foge.
É, na dinâmica da vida, que os nossos
valores e crenças nos conduzem, seja em dias de sol a pino, seja em dias
tempestuosos, seja nas vitórias, seja nas derrotas, seja nas lágrimas ou nos
sorrisos.
A realidade interior reabastece a
concretude de nossas energias, apresentando-nos os frutos do que plantamos.
A felicidade é uma semente muito especial,
que nunca é cultivada sozinha. Não se dá bem com excesso de cuidados, nem
frequenta ambientes sofisticados, movidos a usura, a luxúria, a soberba. Não
tem cpf's, nem conta em bancos, nem assento em riquezas, nem em miséria. Seu
'habitat' é o terreno do amor, da paz, da fé, da serenidade. A ambição para
possuí-la, a obsessão de persegui-la tornam-na eterna fugidia, nunca a ser
encontrada.
O seu primeiro abraço é no coração e o seu
primeiro beijo, nas sinapses mensageiras da mente. E o seu alimento ultrapassa
as fragilidades humanas, mas respeita as limitações, sem por elas ser aliciadas
e manipuladas.
Há fugacidades que sorriem escárnios para
os que as chamam de felicidade. Passam, rapidamente, e deixam rastros de
insaciedade, de dor, de sofrimento, de angústia, quando não provocam mágoas e
feridas, talvez, invisíveis, mas, certamente, incômodas e, muitas vezes,
desapontadoras e cruéis.
Há os que apostam no poder, outros há que a
põem na riqueza, outros ainda no gozo de prazeres e, dentro de si, criam um
vazio, melhor dizendo, um buraco negro de apetite devorador, que nunca se
satisfaz. Tanto essa autofagia insana quanto a
serenidade d’alma sediam-se, como já explicitava Platão, nos seus
diálogos, na interioridade humana, ‘locus’ quer seja da coerência de valores,
crenças e ações, como de seu contraditório; aquela leva à harmonia e equilíbrio
do espirito, gerando pensares, sentimentos e emoções pertinentes ao bem viver,
enquanto esta promove desequilíbrios e frustra sonhos, com sensações efêmeras de pseudo-felicidade, com
repercussões extravagantes; aquela conduz à felicidade e esta, à manipulação de
sentimentos e emoções.
A felicidade demanda a autonomia de cada
pessoa construir sua harmonia interna consciente, e, somente, a partir desse
círculo intransferível, espalha-se pelo entorno (con)vivencial).
A responsabilidade de cada pessoa, na
construção de sua felicidade, exige um gerenciamento de pensamentos, emoções,
atitudes e hábitos, em vista de seu bem-estar, sem fazer repousar seus agravos
em quem quer que seja
A felicidade configura-se no aprender a
amar-se para respeitar, acolher e amar o outro. A isso exorta Jesus: “amar o
próximo ‘como a si mesmo’” (Mt 22,39; Lc 10, 27).
Tenhamos uma boa quarta-feira, com as
bênçãos de Deus!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 25/02/26.

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