sábado, 4 de abril de 2026

Um senso de felicidade 1/3

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

A felicidade é como o sono, quanto mais a gente se inquieta em buscá-la, mais ela se distancia e foge.

É, na dinâmica da vida, que os nossos valores e crenças nos conduzem, seja em dias de sol a pino, seja em dias tempestuosos, seja nas vitórias, seja nas derrotas, seja nas lágrimas ou nos sorrisos.

A realidade interior reabastece a concretude de nossas energias, apresentando-nos os frutos do que plantamos.

A felicidade é uma semente muito especial, que nunca é cultivada sozinha. Não se dá bem com excesso de cuidados, nem frequenta ambientes sofisticados, movidos a usura, a luxúria, a soberba. Não tem cpf's, nem conta em bancos, nem assento em riquezas, nem em miséria. Seu 'habitat' é o terreno do amor, da paz, da fé, da serenidade. A ambição para possuí-la, a obsessão de persegui-la tornam-na eterna fugidia, nunca a ser encontrada.

O seu primeiro abraço é no coração e o seu primeiro beijo, nas sinapses mensageiras da mente. E o seu alimento ultrapassa as fragilidades humanas, mas respeita as limitações, sem por elas ser aliciadas e manipuladas.

Há fugacidades que sorriem escárnios para os que as chamam de felicidade. Passam, rapidamente, e deixam rastros de insaciedade, de dor, de sofrimento, de angústia, quando não provocam mágoas e feridas, talvez, invisíveis, mas, certamente, incômodas e, muitas vezes, desapontadoras e cruéis.

Há os que apostam no poder, outros há que a põem na riqueza, outros ainda no gozo de prazeres e, dentro de si, criam um vazio, melhor dizendo, um buraco negro de apetite devorador, que nunca se satisfaz. Tanto essa autofagia insana quanto a  serenidade d’alma sediam-se, como já explicitava Platão, nos seus diálogos, na interioridade humana, ‘locus’ quer seja da coerência de valores, crenças e ações, como de seu contraditório; aquela leva à harmonia e equilíbrio do espirito, gerando pensares, sentimentos e emoções pertinentes ao bem viver, enquanto esta promove desequilíbrios e frustra sonhos, com sensações  efêmeras de pseudo-felicidade, com repercussões extravagantes; aquela conduz à felicidade e esta, à manipulação de sentimentos e emoções.

A felicidade demanda a autonomia de cada pessoa construir sua harmonia interna consciente, e, somente, a partir desse círculo intransferível, espalha-se pelo entorno (con)vivencial).

A responsabilidade de cada pessoa, na construção de sua felicidade, exige um gerenciamento de pensamentos, emoções, atitudes e hábitos, em vista de seu bem-estar, sem fazer repousar seus agravos em quem quer que seja

A felicidade configura-se no aprender a amar-se para respeitar, acolher e amar o outro. A isso exorta Jesus: “amar o próximo ‘como a si mesmo’” (Mt 22,39; Lc 10, 27).

Tenhamos uma boa quarta-feira, com as bênçãos de Deus!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 25/02/26.


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