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domingo, 7 de junho de 2026

Passos para atingir a paz interior IV

8. Medite sempre

A meditação acalma a mente, ajuda a dissolver pensamentos negativos, e isso influencia muito em nosso estado de espírito. É o maior alcance de bem-estar que podemos atingir. Se você meditar seriamente, sua mente vai permanecer tranquila por aproximadamente 23 horas e meia. Com o passar do tempo, vai perceber que seus pensamentos não serão tão nebulosos como antes, e você só tem a ganhar com os benefícios da meditação diária.  E se acha que isso vai interferir no seu dia a dia, o que acontece é justamente o contrário – a meditação aumenta sua eficiência para fazer suas tarefas, produzindo mais em menos tempo.

9. Nunca deixe a mente desocupada

Vale aquele antigo ditado: “Mente vazia é oficina do diabo”. Todas as nossas más ações surgem quando estamos, como diz o ditado, com a mente vazia. Mantenha-se ocupado com coisas boas e úteis. Tenha um passatempo em seu tempo livre. Junte-se com pessoas que tenham os mesmos interesses que os seus. E pondere o que é mais importante: dinheiro ou bem-estar. Seu tempo livre bem utilizado, sua vida social e atividades que trazem o bem, como por exemplo fazer caridade, vão te proporcionar uma sensação de gratidão e alegria.

10. Não procrastine e nunca se arrependa

Não perca seu tempo com a pergunta “Devo ou não devo fazer? ”. Dias, semanas, meses e anos podem ser desperdiçados através da dúvida e dessa questão que não vai levar a lugar algum, apenas a desperdício de tempo. Ninguém pode antecipar o futuro. Ninguém sabe o que vai acontecer no mundo e até mesmo em suas próprias vidas daqui 10 minutos. Todos nós aprendemos com nossos erros e, dessa forma, saímos fortalecidos no caminho da vida. E o mais importante: o passado já foi. Nunca olhe para trás.

NÃO SE ARREPENDA. O que quer que aconteça em sua vida, não chore sobre o leite derramado.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Passos para atingir a paz interior III

5. Adapte-se de acordo com o ambiente

Se você tentar mudar o que está ao seu redor por conta própria, as chances de falhar são grandes. Ao invés disso, adapte-se ao novo ambiente no qual está agora. Ao fazer isso, tudo ao redor melhora e você tem uma nova visão sobre o todo. E isso funciona como um milagre: até aquelas pessoas que pareciam desagradáveis para você mudam, e o ambiente fica muito mais harmonioso.

6. Aceite o que não pode ser mudado

Esta é a melhor forma de transformar uma desvantagem em uma grande vantagem. Todos os dias, enfrentamos diversos inconvenientes, como irritações, pequenos acidentes, ficar doentes, e assim por diante, e isso pode nos deixar fora de controle. Se não nos controlarmos ou mudarmos em relação a isso, tudo pode piorar. O ideal é aprender a lidar com essas situações de forma alegre e descontraída. Acredite em si mesmo e você vai ganhar em paciência, força de vontade e fortalecimento interior.

7. Não morda mais do que você pode mastigar

Esta máxima deve ser lembrada constantemente. Nós frequentemente tendemos a adquirir muito mais responsabilidades além do que somos capazes de carregar, somente para satisfazer nosso ego. Por isso, aceite suas limitações. Todos nós temos. Para quê acumular tantas funções e ter preocupações extras? Isso vai te deixar longe da sua paz de espírito, e ainda pode te causar ansiedade.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


sábado, 6 de junho de 2026

Passos para atingir a paz interior II

2. Esqueça e perdoe

Esta é a ajuda mais poderosa quando falamos em paz de espírito. Grande parte de nós sempre alimenta sentimentos negativos em relação a pessoas que nos insultaram ou feriram nossos sentimentos. Nós nutrimos queixas e sentimentos ruins. Isso desencadeia problemas de saúde, como dores no estômago (gastrite e úlceras são comuns em relação a isso), noites mal dormidas e pressão alta. Em muitos casos, o insulto foi feito apenas uma vez, e a pessoa carrega aquilo por anos, lembrando-se constantemente disso. Perdoe. Esta é a melhor forma de evoluir. Por isso, você deve banir este péssimo hábito. A vida é muito curta para desperdiçarmos com esse tipo de sentimento e pensamentos negativos.

3. Não espere o tempo todo por reconhecimento

Infelizmente, no mundo de hoje, grande parte das pessoas pensam mais em si mesmos. Elogios em muitos casos são difíceis de serem ouvidos, e em diversos casos alguns indivíduos o fazem por interesse próprio. Alguns podem elogiá-lo pelo fato de você estar bem hoje, mas, se um dia algo acontece e você perde o poder, fica menos favorecido e precisa de ajuda, esses mesmos que um dia o elogiaram podem não fazer isso quando você estiver em uma posição diferente. Por isso, faça seus deveres de forma ética e sincera.

4. Tente não sucumbir à inveja e o ciúme

Todos nós sabemos o quanto a inveja pode influenciar o nosso estado de espírito. Você sabe que trabalha até mais que seus colegas de trabalho, mas às vezes outra pessoa pode conseguir aquele cargo superior ou promoção que você tanto almejava. Em outro caso, você começa o seu próprio negócio, mas não tem o mesmo sucesso que um parente, colega ou até mesmo seu vizinho, que começou a trabalhar por conta até depois que você. Isso acontece. E por acaso precisamos alimentar algum sentimento de inveja?  Não! Lembre-se que, na vida, tudo é moldado pelo destino, e isso resulta em nossa realidade. Você não vai conseguir mudar e evoluir ao se queixar, invejar e culpar os outros. A inveja não vai te levar a nada, e vai te deixar ainda mais longe da sua paz de espírito.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Passos para atingir a paz interior I

Atingir a Paz Interior é Fácil: Siga Esses 10 Passos

A vida é um longo caminho cheio de desafios. Muitos deles são internos, e dependem de como NÓS os aceitamos e os interpretamos. Nossas vidas podem levar diferentes caminhos, dependendo do que fazemos e o que buscamos ao longo dessa jornada. Aqui estão 10 avisos que, se seguidos, vão garantir uma vida melhor – e com certeza com mais paz de espírito.

1. Não interfira na vida dos outros a não ser que te peçam ajuda

Muitos de nós criamos nossos próprios problemas quando interferimos demais na vida alheia. Fazemos isso porque de certa forma achamos que estamos convencidos de que a nossa solução é sempre a melhor, nossa lógica é a mais perfeita e que aqueles que não nos seguem não estão na direção certa. Mas isso é um engano. Não existem dois seres humanos que podem pensar ou agir exatamente da mesma maneira. O ideal é cuidar da nossa própria vida e, assim, manter a paz interior. E somente dê conselhos quando a pessoa pedir.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


quinta-feira, 4 de junho de 2026

SONHOS NOSSOS

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Todos temos nossos sonhos, que vão moldar nossas vidas: sonhos profissionais, sonhos intimamente pessoais, sonhos amorosos, sonhos espirituais.

Muitas pessoas, porém, não conseguem realizá-los. Não há uma explicação tão simples das razões e causas. São muitas variáveis, todavia, pode-se tentar ver o epicentro.

Em nosso processo de socialização, vamos aprendendo a lidar com nossos desejos e nossa vontade. Em princípio, espelhamo-nos em nossa família e dela dependemos também na obtenção de nossos desejos: comida, roupas, diversão. Suas atitudes de passividade e acomodação, de resistência, de proatividade, de resiliência causam-nos forte influência. E tudo isso é absorvido pelo nosso self, mas não de forma totalmente irreversível ou imutável, embora fiquem sombras que nos podem assustar. Ninguém é carimbo, tampouco produto enlatado.

Mais tarde, quando vamos tomando consciência de nós e do mundo ao nosso redor, começamos a tecer nossos planos para colimar nossos sonhos. Essa primeira etapa não pode ser burlada, ela vai nos ajudar a perseguir o ‘como’ do ‘o quê’ de nossos sonhos.

A realização de qualquer sonho precisa de uma estratégia, mesmo os mais simples, aliás, não somos nós a seguir nossos sonhos, ao contrário, são eles nos devem seguir. E, para isso, é imperioso conhecer seu portifólio, analisar nosso potencial e as condições que precisamos criar e desenvolver para que eles se nos aprocheguem e nós, em nós, façamos o seu lar.

Nessa empreitada – não é nenhuma novidade – devemos fazer reajustes, corrigir falhas e praticar reparos. Essas atitudes convêm a todos, mas nem todos a seguem. Entram em ação o autoconhecimento e autocrítica, de maneira lhana como convém a pessoas proativas e resilientes, cujo caráter respalda-se na humildade e na honestidade, diante da realidade dos fatos, mesmo porque fantasiar, ignorar ou culpar nunca foram bons assessores.

 Narrativas e desculpas não servem para nada. Desespero e lágrimas entornam o caminhar e decepcionam os sonhos, afastando-os de nós e nos desfazendo deles. 

 Nossa atitude de ousadia ou de covardia para com nossos sonhos traz um sinete de nossos vagidos, porém, o entorpecimento é um hóspede vitalício a nos incomodar e chacoalhar, se não descobrirmos seu esconderijo em nós e não o trouxermos para o campo de batalha a fim de fazê-lo calar-se e podermos prosseguir com os sonhos que desejamos, queremos e nos dispomos a colimar.

Há muitas outras encruzilhadas, algumas insanas e ríspidas, no entanto, o fundamental está na capacidade real do protagonista e, é bom dar-se conta, ao alcance de qualquer mortal.

Aprender as nuances dos sonhos e saber discernir oportunidades e possibilidades, refazendo-nos e reajustando-nos impõem-se, ‘sine qua non’, pois, querermos alcançar objetivos, repetindo os mesmos erros das mesmas estratégias é caldo mais de burrice do que de ignorância. Não se vai ao céu, permanecendo na trilha do inferno, nem vice-versa.

“Quem sabe faz hora, nunca espera acontecer”, assim cantava Geraldo Vandré, ainda em 1968.

Uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 17/04/26.

terça-feira, 7 de abril de 2026

ÁRVORES FALAM?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Hoje, ao levantar-me, corria uma suave brisa com um leve sereno dos céus, pingos miúdos a perpassarem um véu.

Abri a janela e ouvi a voz de uma árvore. Era uma velha mangueira, baloiçando seus galhos, num vai-e-vem rítmico de uma bela valsa portuguesa.

Velha, não decrépita.

E ouvi sua voz. Das pontas de seus galhos brotavam renovos, que saracoteavam alegres, ao toque da brisa. Seus rebentos, brotos tenros, delicados, tez de um verde-claro, irrepreensivelmente, charmoso, caiam uns sobre os outros, com peraltices de impúberes crianças. E os galhos, muitos gastos no tempo, com suas folhas verde-pardacentas de tantas refregas, acolhiam, calmamente, essa nova geração, acenando-lhe um bem-vindo aliviado e letante.

Quedei-me a sorver aqueles momentos, que, de tão alegres, saltaram dentro de mim, fizeram-me tanto bem, que minh’alma sorriu, extasiada com tamanha singela maravilha. Levantei os olhos e balbuciei uma prece de agradecimento e louvor ao Criador.

Dei-me conta de que idades podem se renovar, de que envelhecer pode rejuvenescer, basta deixar um renovo surgir para o velho voltar a sorrir dos cansaços de sua marcha irretornável, porém, sempre pronta ao renovável.

Lembrei-me também da máxima de Lavoisier. Nada de fato se perde, mas se não acontece transformação, ela se transforma em perda.

Nossas células renovam-se. Nossos princípios renovam nossos valores, nossas crenças remoçam nossa fé.

Como aquela mangueira, para caminhar com esbeltez e pujança, que venham novos rebentos, que a alma alenta e a vida alimenta.

Árvore fala, sim, senhor.

Não dá apenas flores ou frutos ou sombra, ela nos proporciona também lições de ‘ser’.

Tenhamos um nome sábado, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 21/03/26.


domingo, 5 de abril de 2026

300 ou 30?

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

O evangelista João nos apresenta o episódio de Maria de Betânia, que, durante um jantar, ungiu os pés de Jesus com nardo, um perfume nobre e de muito valor. (Jo 12, 1-11)

O nardo (Nardostachys jatamansi), também conhecido como espicanardo, é um perfume raro e caro, proveniente de uma planta nativa das regiões montanhosas do Himalaia. Extraído de suas raízes, desprendia um perfume exuberante e, ainda hoje, é usado no incenso, nos rituais religiosos.

Maria quebrou o vaso de alabastro, vertendo todo o óleo sobre os pés do Mestre e, depois, fez um gesto que era proibido à cultura judaica: desprendeu seus cabelos e, com eles, enxugou os pés de Jesus, enquanto o perfume exalado difundia-se por todo o ambiente.

Este episódio fala-me de amor, profundamente, de amor, envolto no carinho e no afeto da fé e da confiança em Jesus. Imagino, ainda que o evangelista não comente, o pulsar vibrante de seu coração e, de tanto ardor, lágrimas dançando no seu rosto.

Maria deu o melhor que tinha e, com a toalha de seus cabelos, expressou todo o amor de seu ser.

Foram os 300 denários do amor.

A invectiva de Judas transporta-nos ao seu encontro com os sacerdotes do Templo, dispostos a exterminar Jesus (Mt 26, 14-16).

Ainda que tenha convido com Jesus como os demais apóstolos, algo diferente se passava na mente de Judas, de tal modo que decidiu entregar o mestre por um punhado de 30 moedas de prata, preço de um escravo. E, ao aproximar-se de Jesus, no Getsêmani, com um beijo no rosto, ultimou sua ‘fidelidade’ à traição do Mestre.

Tanto o gesto de Maria, quanto a atitude de Judas Iscariotes merecem uma constante reflexão do mundo cristão. Um olhar rápido e superficial dá impressão de poucas Marias e mais Judas Iscariotes.

Na cidade de Fortaleza, havia, na sexta-feira da semana santa, um grande debate com excelentes juristas sobre o crime de Judas Iscariotes. Era uma aula e uma lição a todos os ouvintes.

Enfim, com 300 denários, uma cena de amor e com um beijo nos pés de Jesus, um gesto de humildade e fé, enquanto com 30 moedas de prata, um gesto de ‘ódio’ e, com um beijo no rosto de Jesus, um selo de traição.

Uma abençoada quinta-feira santa, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 2/04/26.

sábado, 4 de abril de 2026

Um senso de felicidade 3/3

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

A felicidade é um estado de plenitude, satisfação e equilíbrio físico e psíquico, em que o sofrimento e a inquietude são transformados em emoções ou sentimentos que vão desde o contentamento até a alegria intensa ou júbilo. A felicidade tem, ainda, o significado de bem-estar espiritual ou paz interior.

Para Aristóteles, a felicidade é o fim que todo ser humano busca, ou seja, o bem e o desejo maior que guia todas as ações humanas.

Em “Ética a Nicômaco”, Aristóteles defende que a felicidade é 1) o maior bem desejado pelos homens e 2) o fim das ações humanas. A felicidade é o objetivo final e mais alto da vida humana. Ele acredita que a felicidade não é um estado passageiro de prazer ou alegria, mas sim um estado duradouro e completo de realização e satisfação em todas as áreas da vida.

“A excelência não é um ato, mas um hábito.” refere Aristóteles.

Sócrates (469 a.C./399 a.C.) deu novo rumo à compreensão da ideia de felicidade, postulando que ela não se relaciona apenas à satisfação dos desejos e necessidades do corpo, pois, para ele, o homem não é só o corpo, mas, principalmente, a alma.

Ele escreve que a verdadeira felicidade só pode ser alcançada, através da busca pela sabedoria e pela virtude. E postula que o autoconhecimento e a reflexão constante sobre nossas ações e princípios morais são essenciais para alcançar a verdadeira felicidade.

Segundo Tomás de Aquino, a felicidade é o fim último e o bem supremo que todos buscamos na vida, sendo a felicidade o bem próprio e perfeito do homem. Ela é regida por quatro princípios, que ele denomina critérios da felicidade, entre os quais, o primeiro é a internalidade – a felicidade é um “princípio interno” e o segundo é o valor intrínseco da felicidade.

Os bens corporais não atendem a esse requisito porque não incluem os bens da alma. As partes mais elevadas de nossa natureza – as capacidades que nos tornam humanos – são as faculdades racionais do intelecto e da vontade e as melhores atividades que podemos realizar são conhecer e amar. Não queremos apenas conhecer e amar a nós mesmos; queremos conhecer e amar coisas além de nós mesmos, especialmente outras pessoas.

Os bens correspondentes às nossas faculdades racionais (conhecimento, liberdade, amizade, virtude, beleza) são mais valiosos do que aqueles correspondentes às nossas faculdades corporais. Portanto, um bem corporal não pode ser o bem completo e supremo.

A felicidade aperfeiçoa a alma, e a alcançamos por meio de uma atividade da alma; mas o objeto da felicidade, aquilo que nos faz felizes, é algo externo à alma.

Tomás de Aquino compara o ser humano a um navio. O próprio navio (como o corpo humano) precisa ser conduzido pelo capitão (como a alma humana), e o capitão precisa conduzir o navio rumo a um destino. Embora um bom capitão conheça seu navio intimamente (autoconhecimento) e aprecie suas qualidades, ao mesmo tempo que aceita suas fraquezas (amor-próprio), o propósito de navegar não é meramente manter o navio à tona ou se deslocar sem rumo, apenas por se deslocar, mas sim chegar a algum lugar. Da mesma forma, o propósito da vida humana não é meramente permanecer vivo, pensar e escolher por pensar e escolher, ou mesmo ser virtuoso. É cumprir o próprio destino.

Santo Agostinho defende que a felicidade é algo supremo e inatingível sem a presença de Deus, e que, apenas através da fé e da busca espiritual, é possível alcançá-la.

Para Agostinho, O amor se passa como tema fundamental e ele deve caminhar em conjunto com a razão e uma boa vontade para chegar à verdadeira felicidade. O amor é o combustível da vontade, que está na alma humana, uma faculdade dada que permite agir em qualquer direção.

Como corolário desse sumário de ensaio, pode-se fazer uma analogia com o pássaro. Assim como ele voa livre sem que nada o prenda, a felicidade também não pode ser capturada, imposta ou forçada. Ela procede daquilo que, realmente, importa e, quando com ele nós nos conectamos: o amor, a paz e a serenidade, os quais implicam em dignidade, justiça, fé e fraternidade. No mais, tudo é qual uma carroça vazia – somente muito barulho e ou semelhante a uma diarreia mental.

Nossas redes de ligação dão-nos subsídios para dialogarmos com o sentido da vida e a transcendência de nossas limitações outorga-nos uma proximidade com Deus, imprimindo mais profundidade à vida.

É nas coisas simples e genuínas, onde alimentamos a alegria da felicidade.

Enfim, a felicidade é coach de nossa jornada épica sem retorno, mas com possibilidade de consertos e acertos, e onde a gratidão pelo que se é, pelo que se tem e pelo que se recebe nos reveste do equilíbrio e da serenidade da vida.

Pilares da felicidade: emoções positivas, engajamento, relacionamentos, sentido, propósito, significado, realizações, espiritualidade e Deus.

Sem propósito de vida e sem um sentido da vida dentro da vida, não há, oh! Não, não há lugar para a felicidade.

Tenhamos um bom sábado, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 28/02/26.


Um senso de felicidade 2/3

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

Há algumas teorias acerca da felicidade, que podem clarear nossa mente e impregnar-nos de questionamentos, em vista de um mergulho no que seja a felicidade, para compreender a realidade acontecendo, no contexto da geração atual:

 a) Influenciada pelo utilitarismo de Bentham (1978), esta teoria hedonista propõe que a felicidade é uma questão unicamente de subjetividade. Cria o protótipo de uma pessoa feliz: a que exalta o prazer e humilha e descanteia a dor, ou seja, a pessoa feliz caracteriza-se pela fuga do sofrimento e pela exuberância da busca do frenesi dos prazeres.

A trajetória do hedonista atinge um máximo de energia e depois declina, levando o indivíduo a uma miserabilidade de ânimo;

b) O desejo deriva de desiderium (de+ siderium) e reporta-se ao movimento dos astros e estrelas. É importante verificar-se que desejo não significa necessidade. 

Partindo, pois, desta noção de que o desejo é um anseio humano de busca de algo que preencha a incompletude ou satisfaça a carência, esta teoria apregoa que a satisfação de um desejo aponta para a felicidade. Dois de seus postuladores, Griffin e Wittgenstein escrevem que a felicidade consiste em obter o que se deseja. Wittgenstein vai mais longe, ao dizer que a realização do desejo deve ser buscada, independente, se causa prazer ou desprazer.

c) Nussbaum propôs uma teoria, segundo a qual, a felicidade está vinculada à obtenção de certos objetivos. A pessoa traça sua lista de objetivos, que lhe sejam aspirações valiosas, em todas as dimensões, sejam profissionais, afetivas, de saúde, de beleza, de conhecimento, amor e espiritualidade e outras, a sua realização é que traz a felicidade;

d) Seligman faz uma análise de três aspectos, aos quais se atribui a obtenção da felicidade. Não se vive sem usufruir de prazeres na vida, como bons filmes, boas viagens, boas companhias, nem sem o exercício saudável e o desenvolvimento de pontos fortes e virtudes, tampouco sem estabelecer um propósito maior do que nós mesmos. A estes três aspectos, denominou, respectivamente, Vida Agradável, Vida Boa e Vida Significativa. Conclui sua teoria, afirmando que a felicidade somente é uma felicidade autêntica, se contemplar estes três aspectos

Enfim, um olhar para a nossa geração atual e percebe-se um quadro nada compatível com o ‘sentir-se feliz’. O sinete da felicidade está cedendo lugar ao domínio da solidão e ao abraço da insensatez da vida.

Concorda-se que o prazer faz parte do viver, não há dúvida. Mas, ele não se basta e, cansado de si, pode perder-se no vazio de seu próprio eco.

À geração atual, mergulhada em tantas possibilidades de escolhas, com os avanços da tecnologia e, mais recentemente, da Inteligência Artificial, uma pesquisa da Harvard Graduate School of Education indica que os jovens se encontram sem rumo, nesse mar de oportunidades, pois, vazios estão do sentido e do propósito de vida. Essa carência busca preencher a vida de qualquer coisa, mesmo à busca de medicamentos para promover um ‘relax’, um momento de desestresso. Confusos na infobesidade, nas redes sociais, no excesso de consumo, a vida segue sem sentido e sem propósito, como diz a música ‘deixa a vida me levar, leva eu” de Serginho Meriti e Eri do Cais, consagrada pro Zeca Pagodinho. Conectada digitalmente, esta geração ‘gasta’ seus dias inteiros com telas, contatos digitais, porém, com quase nada de afeto e ainda menos d humanidade. Telas a extravasar solidão.

Os relacionamentos são efêmeros e superficiais, e, em geral, não chegam a gerar espaço para confiança e apoio, nas horas necessárias e quando problemas batem à porta.

A dimensão espiritual está, praticamente, diluindo-se, até mesmo em certos grupos religiosos, de tal modo que Deus torna-se uma figura quase mitológica, com assento na temporalidade, exorcizando-se a transcendência.

O impacto desta visão de mundo é iminente e, nalguns casos, já se espraia, desdobrando-se em outras e outras crises.

Toda a história que a civilização construiu, de repente, começa a ruir, apesar de tantos e tantos avanços.

Esta geração precisa aprender a sonhar, a descobrir o sentido da vida em si mesmo e a compreender que a verdade não se trata de uma escolha, mas de uma descoberta.

E a felicidade autêntica não existe sem o sentido e o propósito da vida.

E Deus não pode ficar fora do sentido da vida, porque Ele nunca abandonará Sua criatura, mas respeita-lhe a vontade e o querer.

Tenhamos uma boa sexta-feira, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 27/02/26.


Um senso de felicidade 1/3

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)

A felicidade é como o sono, quanto mais a gente se inquieta em buscá-la, mais ela se distancia e foge.

É, na dinâmica da vida, que os nossos valores e crenças nos conduzem, seja em dias de sol a pino, seja em dias tempestuosos, seja nas vitórias, seja nas derrotas, seja nas lágrimas ou nos sorrisos.

A realidade interior reabastece a concretude de nossas energias, apresentando-nos os frutos do que plantamos.

A felicidade é uma semente muito especial, que nunca é cultivada sozinha. Não se dá bem com excesso de cuidados, nem frequenta ambientes sofisticados, movidos a usura, a luxúria, a soberba. Não tem cpf's, nem conta em bancos, nem assento em riquezas, nem em miséria. Seu 'habitat' é o terreno do amor, da paz, da fé, da serenidade. A ambição para possuí-la, a obsessão de persegui-la tornam-na eterna fugidia, nunca a ser encontrada.

O seu primeiro abraço é no coração e o seu primeiro beijo, nas sinapses mensageiras da mente. E o seu alimento ultrapassa as fragilidades humanas, mas respeita as limitações, sem por elas ser aliciadas e manipuladas.

Há fugacidades que sorriem escárnios para os que as chamam de felicidade. Passam, rapidamente, e deixam rastros de insaciedade, de dor, de sofrimento, de angústia, quando não provocam mágoas e feridas, talvez, invisíveis, mas, certamente, incômodas e, muitas vezes, desapontadoras e cruéis.

Há os que apostam no poder, outros há que a põem na riqueza, outros ainda no gozo de prazeres e, dentro de si, criam um vazio, melhor dizendo, um buraco negro de apetite devorador, que nunca se satisfaz. Tanto essa autofagia insana quanto a  serenidade d’alma sediam-se, como já explicitava Platão, nos seus diálogos, na interioridade humana, ‘locus’ quer seja da coerência de valores, crenças e ações, como de seu contraditório; aquela leva à harmonia e equilíbrio do espirito, gerando pensares, sentimentos e emoções pertinentes ao bem viver, enquanto esta promove desequilíbrios e frustra sonhos, com sensações  efêmeras de pseudo-felicidade, com repercussões extravagantes; aquela conduz à felicidade e esta, à manipulação de sentimentos e emoções.

A felicidade demanda a autonomia de cada pessoa construir sua harmonia interna consciente, e, somente, a partir desse círculo intransferível, espalha-se pelo entorno (con)vivencial).

A responsabilidade de cada pessoa, na construção de sua felicidade, exige um gerenciamento de pensamentos, emoções, atitudes e hábitos, em vista de seu bem-estar, sem fazer repousar seus agravos em quem quer que seja

A felicidade configura-se no aprender a amar-se para respeitar, acolher e amar o outro. A isso exorta Jesus: “amar o próximo ‘como a si mesmo’” (Mt 22,39; Lc 10, 27).

Tenhamos uma boa quarta-feira, com as bênçãos de Deus!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 25/02/26.


segunda-feira, 23 de março de 2026

Medicina, enfim, nada mudou…

Por Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho (Doutor Cabeto) (*)

Tenho pensado o quanto é difícil aos jovens médicos crer no sacerdócio do exercício de nossa profissão.

De um passado marcado pela observação, pela intuição e pela dedicação extrema para sedar a angústia e o sofrimento, passamos a vítimas da padronização — da castração daquela insuperável sensação de servir — substituída por um sistema extenuante de repetições burocráticas.

Onde fica a paz de espírito necessária para lidar com relações humanas complexas? Onde repousa o tempo indispensável à reflexão clínica, à revisão de conceitos, à humildade diante dos próprios limites?

Ser médico, sem desconsiderar outras atividades profissionais, não tem preço. Não há como quantificar a intimidade e a cumplicidade ao enfrentar essa passagem inevitável, de geração a geração.

Mas como fazê-lo diante de uma realidade histérica, de uma crise ética fruto do medo de não sobreviver?

O sistema nos permite acumular mais trabalho — não necessariamente riqueza, em seu aspecto mais amplo. Refiro-me à arte de esmiuçar o adoecimento, de revisitar conceitos nessa busca incessante por apaziguar a angústia.

É preciso, urgentemente, elevar o tom. É preciso ser médico, assumir posições claras e contemporâneas. Ou seja: proteger a arte. E, para tal, não nos é permitida a passividade.

Precisamos romper as amarras que nos impuseram. Não devemos ser reproduções absolutas de estruturas burocráticas. Não aceitamos a cumplicidade dos poderosos, pois representam a antítese do que pensamos.

Cremos fielmente na ciência humanista, que estabelece virtude ao focar exclusivamente nas pessoas. A ciência nos ensina a humildade de rever conceitos e tradições, pois nos expõe diariamente a questionamentos, pela obrigação de lidar com fracassos e mudanças de algumas vezes imperceptíveis, em cada cerimônia, em cada ritual.

A política que defendemos não mente, não perverte resultados; confessa os fracassos para transformar o futuro.

A política dos médicos obedece à crença inabalável no tripé: espírito, físico e social. É atemporal, pois nasceu no caudal do sofrimento humano. Transita entre todas as artes, da matemática à biologia, da história à filosofia. Não pode, portanto, submeter-se exclusivamente a modelos econômicos; rompe estigmas e preconceitos. A arte se rebela ao compreender o ser humano e suas contradições.

Assim, àquele que a exerce exige-se dedicação, capacidade de doação e, sobretudo, sensatez. E também rebeldia diante das tentativas de vulgarização.

Na busca pelo resgate do exercício digno dessa arte, obrigamo-nos a preservar o fulcro de sua existência: a relação médico-paciente. A ciência somente se justifica quando pautada nesses princípios.

Que assim seja!

(*) Médico. Professor da UFC. Ex-Secretário Estadual de Saúde do Ceará.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/02/2026. Opinião. p.17.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

DESERTO DE AR

Por Weiber Xavier (*)

A pós mais de sete meses tratando pacientes com Covid-19, contrai a doença e ela seguiu seu curso inflamatório e protrombótico de forma inexorável. Febre, tosse, mialgia e fadiga culminaram com falta de ar em repouso e não fosse a intervenção, tempo, zelo e dedicação da equipe médica pelos doutores André Albuquerque, Bruno Cavalcante, Juvêncio Câmara, Ronald Pedrosa e Randal Pompeu certamente teria outro desfecho.

Saber das possíveis complicações como médico nos expõe a uma angústia extra. São tempos de solidão, isolamento e inquietações. Felizmente recebi dentre o tratamento na UTI oxigênio em alto fluxo e com o "Elmo", capacete salvador criado pelo brilhante pesquisador e amigo Marcelo Alcântara que me assistiu providencialmente, consegui superar a insuficiência respiratória sem precisar ser entubado.

Não existe sensação mais angustiante do que não conseguir respirar normalmente e saber que a qualquer momento você pode perder sua autonomia, ser sedado e entubado. Lembrei-me inevitavelmente dos nossos pacientes que ficaram dias na UTI em estado grave...Tempo de deserto de ar. Em tempos de desesperança vem então a solidariedade e a ajuda através do apoio, mensagens e orações da família, amigos e colegas

A solidariedade e a generosidade são dentre muitas lições a aprender nessa pandemia. Felizmente já em casa me recuperando desse pesadelo estou me redescobrindo e reaprendendo como pessoa e tentar retomar a assistir meus pacientes e às aulas. Estar "do outro lado" nos torna mais sensíveis ao sofrimento. Acredito que todos temos um papel de servir, certamente faria tudo novamente.

Nesses tempos desafiadores encontraremos sempre alguém a nos ajudar e certamente diante de tantos outros sofrimentos o meu foi menor, mas único e espero que me permita retornar melhor como pessoa, médico e cidadão. O deserto que passei me trouxe essa inquietação e espero que enquanto sociedade possamos encontrar oásis para os tantos que sofrem por fome, por solidão, por injustiça por tantas outras inquietações.

E que nossa inteligência e energia cearenses possam encontrar respostas como o "Elmo" para essa terrível doença. Que Deus os abençoe ricamente. 

(*) Médico e professor de Medicina da UniChristus.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/11/2020. Opinião. p.18.

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

MOMENTOS DE MEDITAÇÃO


Por Luiz Gonzaga Fonseca Mota (*)
Segundo Voltaire, “Uma coletânea de pensamentos é uma farmácia moral onde se encontram remédios para todos os males”. Muitas vezes, refletir sobre uma simples frase pode ser mais importante do que a análise de um texto consubstanciando ideias sofisticadas e de difícil interpretação. Falar ou escrever demonstrando saber por vaidade é fácil; no entanto, pensar de forma justa e criteriosa é um desafio comportamental significativo ligado à formação ética e moral de uma pessoa. Infelizmente, pode acontecer que decisões sejam tomadas sem uma base reflexiva, mas ao sabor das ondas e distantes do sentimento da solidariedade. É fundamental o surgimento de boas sementes no nosso interior. Por sua vez, afigura-se importante a liberdade de pensamento. Dentro desta linha de referência, elaboramos 10 pensamentos para o leitor meditar e, concordando ou não, procurar a sabedoria, pois como disse Sócrates, “A sabedoria começa na reflexão”. Eis os pensamentos: 1- Geralmente, a paciência nos leva à alegria e a impaciência à tristeza. 2- Perdoar chega a ser fácil; esquecer nem tanto. 3- Para alguns, a vida significa desilusão; para outros, esperança, confiantes nas forças do coração. 4- A verdadeira liberdade, encontra-se nas atitudes tomadas com dignidade. 5- No sorriso de uma criança, percebe-se a virtude da pureza e a vontade de viver. 6- Os ensinamentos de Deus não significam obrigação, mas indicam o bem e o verdadeiro caminho para a vida. 7- O amor sincero é aquele que nada pede e tudo dá. 8- A fé é o caminho da verdade; a razão é consequência do julgamento interior. Unidas mostram o saber viver. 9- Deve-se buscar o sentido da vida e não a vida sem sentido. 10- Os bens materiais devem ser um meio e não um fim. Encerramos este pequeno texto lembrando Victor Hugo: “Admiro as pessoas que pensam, mesmo aquelas que pensam diferente de mim”.
(*) Economista. Professor aposentado da UFC. Ex-governador do Ceará.
Fonte: Diário do Nordeste, Ideias. 25/10/2019.
 

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