Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie (*)
Há algumas teorias acerca da felicidade,
que podem clarear nossa mente e impregnar-nos de questionamentos, em vista de
um mergulho no que seja a felicidade, para compreender a realidade acontecendo,
no contexto da geração atual:
a)
Influenciada pelo utilitarismo de Bentham (1978), esta teoria hedonista propõe
que a felicidade é uma questão unicamente de subjetividade. Cria o protótipo de
uma pessoa feliz: a que exalta o prazer e humilha e descanteia a dor, ou seja,
a pessoa feliz caracteriza-se pela fuga do sofrimento e pela exuberância da
busca do frenesi dos prazeres.
A trajetória do hedonista atinge um máximo
de energia e depois declina, levando o indivíduo a uma miserabilidade de ânimo;
b) O desejo deriva de desiderium
(de+ siderium) e reporta-se ao movimento dos astros e estrelas. É importante
verificar-se que desejo não significa necessidade.
Partindo, pois, desta noção de que o desejo
é um anseio humano de busca de algo que preencha a incompletude ou satisfaça a
carência, esta teoria apregoa que a satisfação de um desejo aponta para a
felicidade. Dois de seus postuladores, Griffin e Wittgenstein escrevem que a
felicidade consiste em obter o que se deseja. Wittgenstein vai mais longe, ao
dizer que a realização do desejo deve ser buscada, independente, se causa
prazer ou desprazer.
c) Nussbaum propôs uma teoria, segundo a
qual, a felicidade está vinculada à obtenção de certos objetivos. A pessoa
traça sua lista de objetivos, que lhe sejam aspirações valiosas, em todas as
dimensões, sejam profissionais, afetivas, de saúde, de beleza, de conhecimento,
amor e espiritualidade e outras, a sua realização é que traz a felicidade;
d) Seligman faz uma análise de três
aspectos, aos quais se atribui a obtenção da felicidade. Não se vive sem
usufruir de prazeres na vida, como bons filmes, boas viagens, boas companhias,
nem sem o exercício saudável e o desenvolvimento de pontos fortes e virtudes,
tampouco sem estabelecer um propósito maior do que nós mesmos. A estes três
aspectos, denominou, respectivamente, Vida Agradável, Vida Boa e Vida
Significativa. Conclui sua teoria, afirmando que a felicidade somente é uma
felicidade autêntica, se contemplar estes três aspectos
Enfim, um olhar para a nossa geração atual
e percebe-se um quadro nada compatível com o ‘sentir-se feliz’. O sinete da
felicidade está cedendo lugar ao domínio da solidão e ao abraço da insensatez
da vida.
Concorda-se que o prazer faz parte do
viver, não há dúvida. Mas, ele não se basta e, cansado de si, pode perder-se no
vazio de seu próprio eco.
À geração atual, mergulhada em tantas
possibilidades de escolhas, com os avanços da tecnologia e, mais recentemente,
da Inteligência Artificial, uma pesquisa da Harvard Graduate School of
Education indica que os jovens se encontram sem rumo, nesse mar de
oportunidades, pois, vazios estão do sentido e do propósito de vida. Essa
carência busca preencher a vida de qualquer coisa, mesmo à busca de
medicamentos para promover um ‘relax’, um momento de desestresso. Confusos na
infobesidade, nas redes sociais, no excesso de consumo, a vida segue sem
sentido e sem propósito, como diz a música ‘deixa a vida me levar, leva eu” de
Serginho Meriti e Eri do Cais, consagrada pro Zeca Pagodinho. Conectada
digitalmente, esta geração ‘gasta’ seus dias inteiros com telas, contatos
digitais, porém, com quase nada de afeto e ainda menos d humanidade. Telas a
extravasar solidão.
Os relacionamentos são efêmeros e
superficiais, e, em geral, não chegam a gerar espaço para confiança e apoio,
nas horas necessárias e quando problemas batem à porta.
A dimensão espiritual está, praticamente,
diluindo-se, até mesmo em certos grupos religiosos, de tal modo que Deus
torna-se uma figura quase mitológica, com assento na temporalidade,
exorcizando-se a transcendência.
O impacto desta visão de mundo é iminente
e, nalguns casos, já se espraia, desdobrando-se em outras e outras crises.
Toda a história que a civilização
construiu, de repente, começa a ruir, apesar de tantos e tantos avanços.
Esta geração precisa aprender a sonhar, a
descobrir o sentido da vida em si mesmo e a compreender que a verdade não se
trata de uma escolha, mas de uma descoberta.
E a felicidade autêntica não existe sem o
sentido e o propósito da vida.
E Deus não pode ficar fora do sentido da
vida, porque Ele nunca abandonará Sua criatura, mas respeita-lhe a vontade e o
querer.
Tenhamos uma boa sexta-feira, com as
bênçãos de Deus!!!
(*) Pediatra e professor
da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 27/02/26.

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