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domingo, 13 de setembro de 2026

Postagens de pesar por Flávio Leitão no Grupo de WhatsApp da Academia Cearense de Letras - ACL

Acabei de receber do consócio Seridião Montenegro a seguinte mensagem: “Profundamente consternado, informo que o querido amigo Flávio Leitão de Carvalho partiu para o plano superior há cerca de uma hora. Que descanse em paz! 🙏🏻🙏🏻🙏🏻🙏🏻🙏🏻🙏🏻🙏🏻

Sinto intensamente por tão grande perda de um valoroso cidadão cearense, dotado de tantos predicados humanos, que muito contribuiu como médico, escritor, professor e outros relevantes atributos pessoais.

Que Deus o acolha em Seus braços misericordiosos.

Marcelo Gurgel

Nosso confrade na Academia Cearense de Letras, competente médico, referencial da neurologia, generoso ser humano, educadíssimo, tão afável Flávio Leitão.

Ricardo Guilherme

Lamento muito. Muito mesmo. Logo após a abertura da nossa exposição mandei lhe aspectos na intenção de integra-lo. Ele tinha a alma dos especiais.

Fernanda Quinderé

Muito triste mesmo. Querido amigo e excelente médico. Um ser humano especial!

Regina Fiuza

Estou profundamente abalado por esta triste notícia.

Perdi não apenas um parente, mas um dos melhores amigos que fiz na vida.

Era amado por todos.

Por sua cordialidade, competência profissional, lucidez, capacidade intelectual, consciência cívica e dignidade.

Um cidadão que fez bem ao mundo e de quem o mundo sentirá saudade.

Saudade que doerá profundamente em mim.

Por toda a minha vida.

Juarez Leitão

Já falei no Instituto do Ceará e digo tristemente minha saudosa amizade com Flávio há bem 50 anos!

E. Diatahy B. de Menezes

Flávio Leitão, narrador comovente, comovido idealista a conjugar ciência e consciência, cientista com sensibilidade de alteridade e empatia, médico e professor, referencial da neurologia, educadíssimo confrade da Academia Cearense de Letras, tão afetuoso, tão afável esse nosso Flávio.

Ricardo Guilherme

Ficamos mais pobres!

A humanidade e nossa cidade ficaram mais pobre!

Perdemos um cidadão, um grande médico, um referencial confrade e um excepcional ser humano.

Deixa exemplos e saudades.

Tenhamos compaixão e compreensão porque afinal, todos nós somos belos, breves, frágeis e perecíveis como a flor!

Descanse em paz meu amigo que haveremos de lembrar e honrar seu nome e sua história 🙏🙏🕊️🕊️🕊️

Pio Rodrigues Neto

Que tristeza! O Flávio era uma pessoa amável, educado, um excelente profissional e amigo de todos nós. Mas a morte não é o fim. Fica a lembrança, a memória de quem nesta vida somente praticou a bondade. Deus o receba.

Regine Limaverde

Soube agora e estou chocada.

Flávio Leitão era um homem educado, elegante e de fino trato.

Uma perda irreparável.

Que Deus o receba de braços abertos em Sua morada

Grecianny Cordeiro

PESAR POR DR. FLÁVIO LEITÃO

É com imenso pesar que aqui registro o falecimento na noite de ontem, 1º de setembro de 2026, do Dr. FLÁVIO LEITÃO, médico neurocirurgião e membro de diversas confrarias profissionais e literárias cearenses.

Francisco Flávio Leitão de Carvalho nasceu em Fortaleza-CE, em 21/04/1939, filho de José Valdivino de Carvalho e Maria Adamir de Leitão de Carvalho.

Boa parte da sua formação escolar transcorreu no Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, o afamado Seminário da Prainha, onde adquiriu muitos conhecimentos religiosos, filosóficos e literários e, também, absorveu qualidades morais que o levaram a pautar a sua existência observando e praticando as virtudes teologais.

Ingressou na Faculdade de Medicina da recém-criada Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1959, concluindo o curso médico em 1964. Realizou Residência Médica em Neurologia e Neurocirurgia no Instituto de Neurocirurgia de Porto Alegre.

Sua atividade médica predominante foi realizada no Serviço de Neurocirurgia do Hospital Geral de Fortaleza e a de docência superior exercida na UFC, estando aposentado, como servidor público, de ambos os cargos.

Como católico, era um assíduo participante da Sociedade Médica Saõ Lucas, e ainda trabalhava, como médico voluntário, em um ambulatório para pessoas carentes ditigido por religiosas.

Casado, desde 1966, com Marimília Quevedo Esteves, deixa quatro filhos: Anamaria, Flávio Filho, André e Manuela.

Sinto intensamente por tão grande perda de um valoroso cidadão cearense, dotado de tantos predicados humanos, que, como médico, professor, escritor e outros relevantes atributos pessoais, muito contribuiu para o engrandecimento do Ceará.

Que Deus o acolha em Seus braços misericordiosos.

O corpo do Dr. Flávio Leitão será sendo velado, a partir das 8 horas de hoje, dia 2 de setembro de 2026, no Velatório Ternura, à Rua Pe. Valdivino, Nº 2.255. A missa de corpo presente será celebrada às 15h e, em seguida, seus despojos serão levados para sepultamento no Cemitério São João Batista.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Postado no Blog do Marcelo Gurgel em 2/09/2026.

http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/2026/09/pesar-por-dr-flavio-leitao.html

 

A Academia Cearense de Letras está de luto e ficará fechada por três dias.

Regina Fiuza

Flávio Leitão, ao longo da vida, foi filho, irmão, parceiro, pai e avô exemplar.

Médico de excelência reconhecida e lhano amigo na ACL.

Deus o receberá como um dos seus.

JSN

Perdem-se um amigo dileto, um intelectual de sólida formação, um médico gentil e competente, um secretário da Academia que primazia pela exatidão das atas. Meu pesar para a família.

Pádua Lopes

Lamento profundamente o falecimento de Flávio Leitão, colega e amigo de meu marido Oswaldo Gutiérrez, desde o tempo em que eram alunos da Faculdade de Medicina da UFC. Aliás, sempre mantivemos amizade como o casal, Flávio e Marimília. E convivi com Marimília no Colégio da Imaculada I Conceição. O casal formava um par muito unido e harmonioso.

Hoje, Oswaldo fará procedimento em hospital e não poderei comparecer ao velório de nosso querido amigo e apresentar nossas condolências à família.

Além de médico respeitado, Flávio será lembrado como cidadão correto e justo.

Com certeza, receberemos informações sobre a Missa de Sétimo Dia.

Agradeço a divulgação da partida de nosso membro da ACL e sei que todos somos gratos ao Flávio, por sua atuação na Academia e por sua gentileza.

Angela Gutierrez

BIOGRAFIA DO MÉDICO ESCRITOR FLÁVIO LEITÃO

FRANCISCO FLÁVIO LEITÃO DE CARVALHO nasceu aos 21 de abril de 1939 em Fortaleza-CE. Filho de José Valdivino de Carvalho, professor e poeta, e Maria Adamir Leitão de Carvalho, pianista. Médico neurocirurgião, contista e memorialista cearense.

FORMAÇÃO E ATIVIDADE PROFISSIONAL

Graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) (1959-1964). Realizou especialização em neurocirurgia no Hospital São Francisco, em Porto Alegre (1965-1966).

Fellow do Serviço de Neurocirurgia da Tufts New England Medical Center – Serviço do Prof. Dr. Bennett M. Stein. (1973). Mestre em Cirurgia pela UFC (1998-2000).

É professor adjunto aposentado da Faculdade de Medicina da UFC e médico aposentado do Hospital Geral de Fortaleza (HGF). Presidiu a Comissão de Ensino e Cultura do Corpo Clínico do HGF (1972).

OBRAS LITERÁRIAS

Participou das seguintes Antologias da Sobrames-CE: Esmeraldas (1993), Prescrições (1994), Amostra Grátis (1995), Recidivas (1998), Palpitações (2000), Anseios da Face (2002), Veia Poética (2004), Inspiração (2006), Queixa Principal (2007), Achado Casual (2008), Ressonâncias Literárias (2009), Receitas Literárias (2010), Passeata Literária (2011), Murmúrios Literários (2012), Letras que Curam (2013), Digno de Nota (2014), Ritmo Literário (2015), Semeando Cultura (2016), À Flor da Pele (2017), Lapso Temporal (2018), Pontos de Vista (2019), Sopro de Luz (2020), A Plenos Pulmões (2021), Limiar da Criação (2022), Lampejos da Memória (2023), Uso Profilático (2023) e Piscar de Olhos (2025).

Participou da Revista da Academia Cearense de Médicos Escritores: Nº 1 (2017), Nº 2 (2018), Nº 3 (2019), N° 4 (2020), N° 5 (2021), N° 6 (2022), N° 7 (2023), N° 8 (2024) e N° 9 (2025).

Outras Obras: História da Neurologia e da Neurocirurgia no Ceará (2009), Algumas Achegas à História da Neurologia Cearense. in: História da Neurologia no Brasil (Capítulo 11), Retórica de Circunstâncias (2016), Ventura de Gamalielzinho & Outros Contos (2016) e Tarcísio Leitão – Trajetória de um Coerente (2022).

AGREMIAÇÕES

Membro Titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN); da Academia Brasileira de Neurocirurgia; da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia (SNNC); da Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia (SOCENNE); do Colégio Brasileiro de Cirurgiões; da Academia Cearense de Medicina (ACM); da Academia Cearense de Letras (ACL); da Academia Cearense de Médicos Escritores, (ACEMES, Fundador); Membro Titular e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames‐CE), da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF), da Academia de Letras e Artes do Nordeste (ALANE); Membro Correspondente da Academia Pernambucana de Medicina (2018). Membro Titular da Associação Brasileira de Bibliófilos (2012).

HOMENAGENS

Recebeu as seguintes Homenagens: Homenagem da SOCENNE por ter sido Membro Fundador; Homenagem da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, no seu 60º. aniversário – 2002; Troféu Coruja de Ouro pela SOCENNE (Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia) – 2006; Troféu cinquentenário do I Congresso Brasileiro de Neurocirurgia – 2008; Distinção no Ensino Médico do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Medicina da UFC – 2009; Homenagem Especial patroneada pelo NEAN (Núcleo de Estudos Acadêmicos em Neurocirurgia – 2010; Homenagem da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia – 2013; Homenagem da Escola Municipal Prof. José Valdivino de Carvalho, Medalha Valdivino de Carvalho – 2014; Medalha do Mérito Ético-Profissional do CRM-CE – 2014; Homenagem do NEAN-UFC – 2015; Comenda do Mérito Médico do Curso de Medicina da Unifor – 2016; Homenagem da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia Honra ao mérito condecorado com a medalha Dr. Rafael Rodrigues Holanda – 2017; Homenagem pela Academia Brasileira de Neurocirurgia – 2022; Medalha da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia – 2022; Certificado de Gratidão – Refeitório São Vicente de Paulo das Irmãs de Caridade – 2023; e Emérito do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Nota: Elaborada com base na postagem feita por Pedro Mendes, para o Projeto de Iniciação Artística intitulado “Perfis de médicos escritores do Ceará: incursões literárias e culturais” (Chamada Pública 82/2023 - Exercício 2024), sob orientação e revisão do Dr. Marcelo Gurgel, aprovado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade Estadual do Ceará.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro Titular da ACM, da ACEMES e da ACL

Postado no Blog do Marcelo Gurgel em 2/09/2026.

http://blogdomarcelogurgel.blogspot.com/2026/09/biografia-do-medico-escritor-flavio.html

Causa-me profundo pesar o falecimento do meu querido primo Flávio Leitão. Apresento meus sentimentos a Marimília, querida prima, e espero que Deus o tenha em face da bondade do seu coração.  Neste instante, relembro os altos méritos do médico, do escritor e do acadêmico, que se tornarão inesquecíveis.

Linhares Filho

Notícia muito triste. Que o nosso querido amigo e confrade descanse em paz. Nossos sentimentos para todos os familiares.

Celma Prata

Como todos os colegas, surpreendeu-me a notícia do falecimento de nosso querido Flávio. Ele foi meu médico por algum tempo e sempre o vi como modelo de profissional, acadêmico, colega e ser humano.  Era uma pessoa fantástica, extremamente educada, um cavalheiro, um nobre. Numa síntese: um varão de Plutarco. Tive o privilégio de vê-lo pessoalmente em dias recentes, no Ideal Clube. Fica na retina de minha melhor memória a imagem de um companheiro de trajetória exuberante, que deixou por onde andou as pegadas luminosas de seu talento e de sua humanidade. Que Deus o receba em seu Seio. Ele continuará conosco através de seu legado, suas obras e seu exemplo imorredouro.  Apenas se foi de nosso convívio, mas estarás sempre presente em nossas recordações e nossos corações.

César Barros Leal

Flávio Leitão, nobre e querido confrade, não passaste nem passarás, jamais... ficaste vivo em nosso coração ❤️

Giselda Medeiros

Estou atônita, somente hoje tomei conhecimento da triste notícia. Flávio era um amigo querido e um médico muito atencioso. Estou muito triste! Este ano tenho lamentado muitas perdas, mas a do Flávio deixa um grande vazio no meu coração. Que Deus o tenha em seu Reino de Luz!

Lourdinha L. Barbosa

Dr. Flávio Leitão não era apenas um colega, era uma espécie de irmão mais velho que eu não tive em casa por ser primogênito. Era meu conselheiro. Sua convivência com a esposa Marimila era exemplar.

José Batista de Lima

As homenagens     ao Flavio Leitão foram muitas: amigos, colegas médicos, sociedades médicas e família. Só vi uma colega da ACL. Posso estar errado. Mas…

Estive lá em dois horários diferentes.

JSN

Estou pensando na Marimília, ele era mais que um marido cuidadoso, ele era seu sustentáculo e amparo, atenciosíssimo! Amabilíssimo! Não há adjetivos para descrever o modo que ele a tratava.

Lourdinha L. Barbosa

Estou pensando na Marimília, como será difícil para ela, porque ele não era apenas um marido cuidadoso, ele era seu sustentáculo e amparo, atenciosíssimo! Amabilíssimo! Não há adjetivos para descrever o modo que ele a tratava.

Lourdinha L. Barbosa

Vim agora do velório.

Em poucas ocasiões vi tanta gente numa missa de corpo presente.

Uma multidão.

Juarez Leitão

Convalescente do procedimento nos meus olhos, recupero-me da anestesia e da visão turva. Não fui, mas não estive ausente.

Fernanda Quinderé

Passei o dia todo lá! Nunca vi tanta gente, concordo com o Juarez, era uma multidão!!

A missa foi linda e emocionante!

Regina Fiuza

Todo o respeito que ele merece.

Fernanda Quinderé

Eu não pude comparecer porque estou com uma gripe horrorosa, mas estive de espírito presente.

Lourdinha L. Barbosa

Também não pude, mas espiritualmente de igual modo estava presente

César Barros Leal

Estive pela manhã no velatório Ternura e apresentei minhas condolências ao filho Flavinho.

À tarde, reuni as mensagens de pesar por Flavio Leitão, contidas nos grupos de WA das academias cearenses, para possível compartilhamento a quem tiver interesse e divulgação em meu Blog.

Marcelo Gurgel

Gente ainda estou em viagem. Volto hoje pra casa. Todos nós sentimos muito a partida do Flávio. Ele era um amigo de todos nós. Deus o tenha.

Regine Limaverde


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Neurocirurgião e escritor, Flávio Leitão morre aos 87 anos em Fortaleza

Descrito pela família como dedicado ao próximo, Flávio Leitão conciliou a carreira médica com a literatura, a fé e a atuação em entidades profissionais

Resumo

Faleceu o médico e neurocirurgião Francisco Flávio Leitão de Carvalho aos 87 anos.

Foi pioneiro em técnicas neurocirúrgicas no Ceará e conselheiro do CRM-CE.

Também atuou como escritor, integrando a Academia Cearense de Letras.

Era conhecido pela generosidade e compromisso com os pacientes.

Seu velório e missa ocorrem em Fortaleza no dia 2 de setembro.

Morreu aos 87 anos o médico e neurocirurgião Francisco Flávio Leitão de Carvalho, figura de destaque na Medicina e na literatura cearenses. Segundo familiares, ele morreu nesta terça-feira, 1º de setembro, em Fortaleza, após um período de doença e de cuidados paliativos nos últimos dias.

Ao longo da carreira, Flávio Leitão teve atuação ligada à modernização da neurocirurgia no Ceará. Segundo o filho, Flávio Leitão Filho, o médico foi responsável por introduzir no Estado técnicas neurocirúrgicas que ainda não eram realizadas na região.

Ele foi o introdutor aqui no Ceará de grandes técnicas neurocirúrgicas. Ele inovou a neurocirurgia do estado do Ceará”, relatou o filho. A atuação profissional também o levou a ocupar funções em entidades representativas da Medicina, incluindo o Conselho Regional de Medicina do Ceará (CRM-CE), do qual foi conselheiro.

A trajetória institucional se estendeu às entidades especializadas. Conforme o filho, Flávio Leitão participou da criação da Sociedade Nordestina de Neurocirurgia e presidiu a Sociedade Cearense de Neurologia e Neurocirurgia. Também esteve à frente de um congresso da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

Flávio Leitão: Medicina como compromisso

Para a sobrinha Júlia Lopes, a atuação profissional do tio era acompanhada por uma relação próxima com os pacientes e por uma disposição permanente para atender quem precisava. Ela o descreve como um médico generoso e disponível, especialmente em uma área marcada pela complexidade e pelo alto custo dos procedimentos.

Ele foi um médico assim muito querido pelas pessoas, atuou de uma forma muito generosa. Sempre teve disponibilidade para atender quem precisava”, afirmou.

A preocupação com a formação e a atualização profissional também aparece na memória deixada pela família. Segundo Flávio Leitão Filho, o pai entendia a Medicina como uma atividade que exigia aprendizado contínuo e participação ativa na construção da especialidade.

Da medicina à literatura

A atuação de Flávio Leitão, porém, não ficou restrita aos hospitais e às entidades médicas. Nos últimos anos da vida, o neurocirurgião passou a se dedicar à literatura, especialmente à produção de contos.

O interesse pela escrita o levou à Academia Cearense de Letras (ACL). Flávio Leitão tomou posse como integrante da instituição em 10 de janeiro de 2017. Para o filho, a entrada na Academia representou uma das últimas grandes conquistas da trajetória do pai.

Além da produção de contos, o médico escreveu sobre a própria história familiar. Entre seus trabalhos está um livro dedicado à trajetória do irmão mais velho, Tarcísio Leitão, advogado trabalhista e ex-vereador de Fortaleza que teve o mandato cassado após o golpe militar de 1964.

Família e formação

A história de Flávio Leitão também esteve ligada a uma família com diferentes trajetórias na Medicina, na política e na advocacia. O irmão mais velho, Tarcísio Leitão, teve atuação política e jurídica, enquanto Vicente Leitão, outro irmão, seguiu a neurologia.

Antes de ingressar na Medicina, Flávio Leitão chegou a ser seminarista. Segundo o filho, permaneceu no seminário entre os 10 e os 14 anos, mas decidiu abandonar a formação religiosa por sentir falta da família. Posteriormente, ingressou no curso de Medicina e se especializou em neurocirurgia.

Na vida familiar, foi casado com Maria Emília Esteves de Carvalho. O casal teve quatro filhos: Ana Maria, Flávio, André e Manuela. A família também cresceu com a chegada de cinco netos: Eleazar Filho, Flávia, José Neto, Letícia e Maria Teresa.

Fé e humanismo

A dimensão religiosa era outra característica destacada pelos familiares. Segundo Júlia Lopes, Flávio Leitão era um católico fervoroso e mantinha uma relação próxima com a Igreja, influência que vinha também da família.

A religiosidade, porém, não era colocada como condição para suas relações. A sobrinha destaca que ele mantinha uma postura de compreensão diante de pessoas com diferentes crenças e escolhas religiosas.

Para o filho, a característica mais marcante do pai era justamente a preocupação com o outro. Mesmo durante os últimos dias, quando já recebia cuidados paliativos, Flávio Leitão teria demonstrado preocupação em não provocar sofrimento adicional na família.

Flávio Leitão Filho conta que, quando perguntado por familiares sobre possíveis dores, o pai procurava tranquilizá-los. Também costumava repetir uma frase relacionada ao luto: “Está na Bíblia que você só pode chorar os seus mortos por três dias”.

Realmente o negócio dele era pensar no próximo. Essa era a coisa mais marcante do papai”, afirmou.

Despedida

O velório de Flávio Leitão será realizado nesta quarta-feira, 2 de setembro, a partir das 8 horas, na Funerária Ternura, em Fortaleza. A missa está marcada para as 15h30min, no mesmo local, conforme informado pela família.

Para os filhos, a despedida é também um momento de reconhecer a trajetória construída pelo médico, escritor e pai. Em nome dos irmãos, Flávio Leitão Filho agradeceu pela convivência com o pai e afirmou que a família pretende manter os valores que ele defendia.

Nós agradecemos muito ao bom e generoso Deus por ter nos dado de presente, como pai, o Doutor Francisco Flávio Leitão de Carvalho”, declarou.

Aos familiares, fica a lembrança de um homem cuja trajetória atravessou diferentes campos — da neurocirurgia à literatura, da atuação institucional à vida familiar — e que, segundo eles, manteve como princípio central o compromisso com o próximo.

Fonte: O Povo, de 3/09/26. Farol. p.3 (nota reduzida assinada por jornalista Caynã Marques). Versão completa (online)


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Solenidade comemorativa dos 132 anos da Academia Cearense de Letras

Na noite de ontem, 20 de agosto de 2026, no Palácio da Luz, participei, pela quinta vez como imortal das letras cearenses, da solenidade celebrativa dos 132 anos de instalação da Academia Cearense de Letras (ACL), reconhecida por ser a primeira do gênero no Brasil, que se mantém em funcionamento, dado que foi criada em 1894, três anos antes da fundação da Casa de Machado de Assis, a Academia Brasileira de Letras (ABL).

A sessão solene, iniciada às 19h, com a apresentação do maestro Adelson Viana, que a todos encantou com a execução musical, ao acordeon, de um repertório genuinamente cearense, teve a Sra. Jerietza Gurgel, como cerimonialista, e foi liderada pelo Presidente da confraria, o Acad. Tales de Sá Cavalcante, que fez o discurso de saudação de aniversário da ACL e anunciou a celebração de festejos alusivos aos 300 anos de Fortaleza, fruto de projeto sob a coordenação do Acad. Pio Rodrigues Neto.

Na sequência, o Acad. Pio Rodrigues Neto exibiu as linhas gerais do projeto e convidou a Acada. Selma Prata, para efetuar o lançamento do Edital do Prêmio Artur Eduardo Benevides, destinado a premiar e publicar poesias temáticas sobre a capital cearense.

O ponto alto da noite foi a palestra intitulada “Fortaleza Hilária”, proferida pelo Acad. Juarez Leitão que, com a sua notória e reconhecida eloquência, mesmerizou a plateia, durante mais de uma hora, narrando episódios burlescos e causos acontecidos em Fortaleza, plenos de humor, além de muito bem-contados, conferindo ao ambiente um tom de animação e de contagiante deleite.

A efeméride foi consagrada pelo grande público presente, composto principalmente de membros participantes de confrarias e entidades literárias e culturais cearenses, bem como por formadores de opinião da sociedade local.

Ao final da solenidade, acadêmicos e seus convidados se confraternizaram em um coquetel ofertado pela ACL nas aprazíveis dependências do Café Java.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Letras – Cad. 25


sábado, 11 de julho de 2026

Morre o ex-senador e jornalista Cid Carvalho, aos 90 anos

Por Taynara Lima, jornalista de O Povo

Político também atuou como professor na UFC e integrou a Academia Cearense de Letras e a Academia Fortalezense de Letras

Morreu nesta sexta-feira, 10, o ex-senador da República, professor, advogado, jornalista e radialista Cid Sabóia de Carvalho, aos 90 anos. A causa da morte não foi divulgada.

Natural de Fortaleza, foi graduado em Direito pela Universidade Federal do Ceará (UFC) e professor da mesma instituição nas áreas de Direito, Ciências Jurídicas, Ciências Econômicas, Filosofia e do Curso de Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, na mesma instituição.

Também foi membro do Instituto do Ceará, da Academia Cearense de Letras e da Academia Fortalezense de Letras, além de ter sido presidente da Associação Profissionais dos Cronistas Desportivos do Estado do Ceará. É filho do poeta, escritor, professor, jornalista e advogado Jáder de Carvalho.

Nesta sexta-feira, a Universidade Federal do Ceará manifestou solidariedade aos familiares, amigos, colegas e ex-alunos de Cid e reconheceu a contribuição do político à universidade e ao Ceará.

Na UFC, exerceu o magistério na Faculdade de Direito e também lecionou em áreas como Ciências Econômicas, Filosofia, Comunicação e Ciências Jurídicas, contribuindo de maneira expressiva para a formação de sucessivas gerações de estudantes. Sua relação com a universidade foi marcada pelo compromisso com o ensino, pela erudição e pela presença constante no debate intelectual e público do Ceará”.

A Academia Cearense de Direito lamentou a morte do advogado pelas redes sociais: “Nós, da ACED, estamos consternados e lamentamos a perda desse honroso Jurista que deixava notável em suas publicações e atividades a sua cultura lastreada na educação, moralidade e sentimentos cristão”.

A Federal Cearense de Futebol (FCF) informou que, em homenagem ao político, o presidente da Federação, Mauro Carmélio, decretou um minuto de silêncio em todos os jogos deste fim de semana e determinou a bandeira da entidade permaneça hasteada a meio-mastro durante uma semana.

Em 2010, com seus 75 anos recém-completados, Cid Carvalho foi entrevistado para a Páginas Azuis do O POVO. Na época, ele fez duras críticas ao momento da política brasileira. 

Na política, Cid Carvalho foi procurador junto ao Conselho de Contas do Município. Em 1986, foi eleito para o Senado Federal e integrou a bancada do PMDB na Casa.

De acordo com o Senado Federal, na Assembleia Nacional Constituinte, Cid participou das Comissões ou Subcomissões: da Ordem Social; do Sistema Financeiro; do Sistema Tributário, Orçamento e Finança; dos Negros, Populações Indígenas, Deficientes e Minorias.

Cid também é referência na área da comunicação, com passagens por veículos como Rádio Uirapuru, Rádio Assunção, Rádio Dragão do Mar e, mais recentemente, pelo Grupo Cidade de Comunicação.

O Sindicato dos Jornalistas do Ceará (Sindjorce) também destacou a atuação e o legado do jornalista na comunicação cearense.

Filiado ao Sindjorce sob o nº 424 desde 1º de novembro de 1979, Cid Carvalho tinha 90 anos e construiu uma trajetória marcada pelo compromisso com o jornalismo cearense. Iniciou sua carreira em 1948, aos 12 anos, como comentarista político e esportivo nas rádios Uirapuru e Assunção [...]Além de filiado, integrou uma das gestões da Comissão Estadual de Ética do sindicato, contribuindo para o fortalecimento dos princípios éticos da profissão e para a valorização do exercício responsável do jornalismo”.

Pelas redes sociais, o prefeito Evandro Leitão (PT) também lamentou a morte de Cid e destacou que o ex-senador deixa um “legado de grande reconhecimento no jornalismo e na vida pública”.

Soube com pesar do falecimento do ex-senador da República, jornalista e advogado Cid Saboia de Carvalho, grande expoente da Comunicação no Ceará. Ele deixa um legado de grande reconhecimento no jornalismo e na vida pública. Meu abraço de solidariedade aos familiares, amigos e admiradores. Que Deus o receba!”, escreveu.

O governador Elmano de Freitas (PT) manifestou solidariedade às pessoas que conviveram com Cid e disse que o legado do ex-senador permanecerá na memória dos cearenses.

Neste momento de dor, manifesto minha solidariedade aos familiares, amigos e a todos que conviveram com Cid. Sua contribuição e seu legado permanecerão vivos na memória dos cearenses”, publicou.

Também pelas redes sociais, o senador Camilo Santana (PT) apontou que a trajetória de Cid e sua marca na comunicação “seguirão inspirando nossas gerações”.

O Ceará perde hoje um de seus grandes homens. Aos 90 anos, parte Cid Sabóia de Carvalho, nos deixando enorme legado como jornalista, radialista, advogado, professor, escritor e senador da República. Sua trajetória na vida pública e sua marca inequívoca na comunicação cearense seguirão inspirando nossas gerações. Meus sentimentos aos familiares, amigos, colegas de profissão e todos aqueles que tiveram o privilégio de conviver com sua inteligência e generosidade”.

O ex-senador Tasso Jereissati (PSDB) relembrou a atuação de Cid como “um árduo defensor das liberdades democráticas”.

Lamento profundamente o falecimento de Cid Carvalho, ex-senador, advogado e jornalista de destaque que honrou o Estado do Ceará. Como profissional da comunicação, ele emprestou sua voz inconfundível ao jornalismo e à utilidade pública, destacando-se também como um árduo defensor das liberdades democráticas. Meus sentimentos e solidariedade à família e aos amigos”.

O deputado estadual De Assis Diniz (PT) comentou sobre a trajetória de Cid na luta contra a ditadura militar.

O Ceará perde um cidadão exemplar e um político do mais alto quilate. Faleceu o ex-senador, advogado, poeta, jornalista e radialista Cid Sabóia de Carvalho, nesta sexta-feira (10/7), aos 90 anos. Construiu seu nome a partir de luta ferrenha contra a ditadura militar, sendo inclusive perseguido. Depois, uma carreira pública sólida e sem máculas. Sem dúvida, deixará muitas saudades, mas seu legado permanecerá vivo nos corações e mentes de seus familiares, amigos e admiradores. Cid Carvalho, presente!”.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/07/26. Cidades, p.9.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

O TROFÉU SEREIA DE OURO PARA ADRIANA FORTI

O Troféu Sereia de Ouro foi instituído, em 1971, pelo chanceler Edson Queiroz. com o propósito de homenagear, de forma expressiva, aqueles que se notabilizaram e concederam importante contribuição ao desenvolvimento do Ceará, em seus distintos campos de atuação.

A Academia Cearense de Medicina (ACM) sente-se igualmente prestigiada quando tem um dos seus membros entre os recipiendários da “Sereia de Ouro” e, no caso deste ano de 2025, rejubila-se em ver a confreira Adriana Costa e Forti no quarteto dos agraciados com o honroso troféu.

Adriana Costa e Forti nasceu em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em 25/04/1948, filha de Manassés Moreira Costa e Ieda Menezes Costa.

Fez o Primário e o Ginasial em sua cidade natal e o Científico no Colégio Juvenal de Carvalho, em Fortaleza, porque desejava cursar Medicina. Bem-sucedida no exame vestibular, ingressou na Universidade Federal do Ceará (UFC), em 1966, e foi diplomada médica em 1971.

Recém-formada, viajou para o Rio de Janeiro, onde cumpriu a Residência Médica no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (1972-73) e a Especialização em Endocrinologia, na Escola de Pós-Graduação Carlos Chagas (1972).

Adriana Costa e Forti recebeu o Título de Especialista em Endocrinologia da Associação Médica Brasileira / Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), por concurso, em outubro de 1974.

Cursou Mestrado em Endocrinologia, de 1975 a 1978, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, concluso com a defesa da dissertação “Estudo do receptor vascular renal em coelhos diabéticos”, sob a orientação do Prof. Manassés Fonteles, recebendo nota máxima da banca examinadora, e Doutorado em Ciências Médicas e Biológicas, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), de 1991 a 1993, com a tese “Papel do endotélio vascular renal nas alterações renais no diabetes”, sob a orientação dos Profs. Drs. Antônio Roberto Chacra e Manassés Fonteles.

Ingressou no quadro docente da UFC, como professora auxiliar, via concurso público, em 1975, e seguiu na trajetória acadêmica atingindo o cargo de professor titular em 2016, no qual viria a se aposentar em 2021, após mais de 45 anos de serviços.

Em 1982, a Profa. Adriana Costa e Forti participou da criação da disciplina de Farmacologia Clínica, da qual foi coordenadora de 1985 a 1988. e também da criação do mestrado em Clínica Médica da UFC em 1995, o qual coordenou de 1996 a 1997.

Foi fundadora em 1988 e diretora, por mais de trinta anos, do Centro Integrado de Diabetes e Hipertensão (CIDH), da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará. instituição que serviu de modelo, ao Ministério da Saúde em 2001 e em 2002, para implantar o Plano de Reorganização de Ações à Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus no Brasil.

Foi a primeira mulher e, também, a primeira nordestina a presidir a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (1981-1982 e 1983 e 1984) e a Sociedade Brasileira de Diabetes, e foi uma das fundadoras das regionais cearenses dessas sociedades médicas. Presidiu quatro congressos nacionais de Endocrinologia e de Diabetes realizados em Fortaleza.

Participou ativamente da implantação e coordenação de projetos educacionais em parceria com instituições internacionais: (Harvard - Joslin SBD), International Diabetes Center (Mineapolis-USA); Programa de Educação do European Association for Study of Diabetes (EASD), para profissionais de saúde e para pessoas com diabetes no Brasil.

A Dra. Adriana Forti, durante seis anos, representou o Brasil no Comitê da OMS, em Genebra, no Task Force on hormonal contraceptives.

Coordenou no Ceará vários estudos epidemiológicos nacionais na área do diabetes, além de trabalhos de capacitação e desenvolvimento de equipes para lidar com o Diabetes Mellitus, junto às secretarias de saúde do estado e de diversos municípios cearenses.

A Profa. Dra. Adriana Costa e Forti publicou muitos trabalhos científicos, com destaque para 75 artigos, 11 capítulos de livros e 164 resumos, orientou dissertações de mestrado e teses de doutorado, tendo participado de várias diretrizes de sociedades cientificas e de documentos técnico- científicos para educação de profissionais e de pessoas com diabetes e teve centenas de apresentações em congressos nacionais e internacionais.

Integrou o corpo editorial de importantes periódicos da sua especialidade e foi contemplada com o Prêmio Francisco Arduíno da SBD, em 2019, e com o Prêmio José Schermann da SBEM, em 2022.

É Membro Titular da ACM, desde 13/05/2005, como a segunda ocupante da Cadeira 24, patroneada por Antônio Guarany Mont’Alverne, sendo recepcionada, por ocasião da posse, pelo Acad. Manassés Claudino Fonteles.

Do enlace matrimonial com o seu colega de turma César Augusto de Lima e Forti, gerou os filhos Cássio (administrador e economista) e Márcio (administrador e advogado), que se desdobram em três netos: Giovana, João Lucas e Maria Luiza.

Por suas atividades de ensino e de pesquisa e, sobretudo, como médica que prestou, e segue prestando, relevantes serviços a comunidades carentes, resultando em notável impacto na saúde de pessoas com doenças crônicas do Ceará, a Profa. Dra. Adriana Costa e Forti se fez merecedora do Troféu Sereia de Ouro, configurando, indubitavelmente, um reconhecimento público do enorme valor da agraciada.

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular da ACM – Cad. 18

* Publicado In: Jornal do médico, 21(198): 34-35, novembro de 2025.


domingo, 21 de setembro de 2025

RICARDO GUILHERME: ator e jornalista cearense celebra 70 anos

Por Sofia Herrero, jornalista de O Povo

"O teatro se concretiza no ato e no tempo", afirma o ator Ricardo Guilherme, em entrevista ao O POVO, na semana em que comemora seus 70 anos. Destas sete décadas, com 55 anos dedicados às artes, a história de Guilherme se confunde com a do teatro cearense e com a de inúmeros palcos em que o dramaturgo encenou.

Aos 14 anos, subiu ao tablado do Teatro São José para estrear "O Mártir do Gólgota", espetáculo interpretado na Semana Santa, que retrata a Paixão de Cristo e a crucificação de Jesus.

Hoje, 55 anos depois, o historiador observa as paredes do anfiteatro no qual estreou, enquanto planeja o lançamento do livro Teatro São José, ficção e alguma história", que biografa o local. A obra integra a Coleção Pajeú, realizada pela Coordenadoria de Patrimônio Histórico e Cultural (CPHC), mas, para o ator, inaugura também o rol de celebrações de seus 70 anos, celebrados neste domingo,

Na quinta-feira, 18, as festividades foram abertas na Teatraula "No Ato", ministrada no Teatro Morro do Ouro, com foco nos alunos do Curso Princípios Básicos de Teatro (CPBT) do Theatro José de Alencar. "Se trata de uma aula-espetáculo que combina diversos campos do saber e da expressão: história, ficção, depoimento, reflexão. É como uma espécie de conferência teatralizada de um professor ator", explica.

O evento mostra a conexão de Ricardo com a nova geração de jovens que experimentam as artes cênicas. Aposentado pelo curso de Licenciatura em Teatro da Universidade Federal do Ceará (UFC), mas de espírito rejuvenescente, ele segue orientando diversos alunos em seus trabalhos de conclusão, pelo simples prazer de pensar o teatro.

Ele ingressou como professor na UFC, no curso de Arte Dramática, em 1979, e foi um dos proponentes do anteprojeto da Licenciatura em Teatro da instituição. Além da UFC, foi reconhecido como Notório Saber em cursos de pós-graduação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Universidade Nacional de Brasília (UnB).

Na UFC, a trajetória de Ricardo se materializa no Acervo Doc. Teatro Ricardo Guilherme. Composto por mais de 13 mil itens de documentos arquivísticos e bibliográficos reunidos ao longo de seus 50 anos de carreira nas artes, a coleção de fotografias, textos dramatúrgicos e livros foi doada por ele à instituição, no ano de 2010.

"Eu já doei 60% do meu acervo, falta 40%. Existe um apego, não tenho um desprendimento e, por isso, fui doando de pouco em pouco nesses 15 anos. Mas este ano faz parte das comemorações me desprender de todo o restante e doar para os meus alunos", diz.

Sempre vinculado ao ensino e à pesquisa, Ricardo também foi a primeira voz a ser transmitida pela TV Educativa (TVE), que anos mais tarde viraria a TV Ceará do canal 5. Com o propósito da educomunicação, a TVE proporcionou a Ricardo Guilherme, de 1974 a 1992, um espaço de criação de programas e novelas integrado ao currículo escolar do Ceará.

"Era um canal feito para educação pública e foi criado para poder chegar a diversos lugares que os professores não chegavam, nos rincões do sertão. Criamos, inclusive, um gênero pedagógico, a aula integrada, que era uma forma de integrar os conteúdos das matérias e contextualizá-los no sentido prático e no aprendizado", relata o jornalista, antevendo o papel que a teleducação teria na modernidade.

Na TV, contudo, sua história começou um pouco antes, junto com a disseminação do sistema eletrônico de transmissão e recepção de imagens no Estado. No dia 26 de novembro de 1973, o primeiro programa em cores exibido pela TV no Ceará, intitulado "O Som, A Luz, as Cores e os Muitos Amores de Fortaleza", foi transmitido. Nele, Ricardo interpretava poemas sobre a capital cearense, ao lado de Ivete Pereira e Cleide Holanda.

Ao longo dos anos, a bagagem acumulada em cargos de direção, sonoplastia e produção culminou na criação do programa "Diálogos", em 2007. Há 16 anos no ar, na atração, os entrevistados levam sete objetos que compõem sua história pessoal e que devem nortear a conversa.

"Não considero que seja um programa de entrevista. É um diálogo, em que, ao invés de perguntas, as pautas surgem a partir do que é levado pelo entrevistado. O diálogo não tem hierarquia, é horizontal e vai caminhando de acordo com a interpenetração dos temas. É um programa para filosofar sobre questões atemporais e fazer uma espécie de cartografia do pensamento daquela pessoa que está ali", conta.

A assinatura de um dos patrimônios da TV cearense continua presente todas as sextas-feiras, às 22 horas, e com reprises aos sábados, às 18 horas. Apesar de ser frequentemente associado à TV e ao teatro, aos 70 anos, Ricardo celebra uma vida partilhada pela palavra, através de suas dramaturgias, contos e crônicas.

Como presente, sua contribuição para a literatura cearense foi referendada em abril de 2025, quando tomou posse da cadeira 33 na Academia Cearense de Letras (ACL), que tem o autor cearense Rodolfo Teófilo como patrono.

Como um profissional multifacetado, que registrou a história da cidade em personagens, imagens e escritos, Ricardo trabalhou nos bastidores do programa "Porque hoje é sábado", que, com a apresentação de Gonzaga Vasconcelos, anunciava os primórdios do que viria a ser o Pessoal do Ceará.

"Era 1969 e eu era aquele cara que levava microfone, mandava prancheta para assinar os cachês. Vi, de certa forma, o nascimento de Fagner, Ednardo, Belchior, Téti, Rodger Rogério e de tantos outros, e lembro-me de músicas que nunca foram gravadas. Eles deveriam ter mais de 20 (anos) e eu era aquele menino brincando de ser assistente, que queria aprender", relembra.

Ao refletir sobre a passagem do tempo e as mudanças na capital, ele pensa nos diferentes nomes que deixaram o Ceará na tentativa de reverberar sua arte no âmbito nacional. Com a permanência em Fortaleza, Ricardo diz ter adquirido o privilégio de olhar o mundo a partir de um outro prisma, que posteriormente lhe permitiu representar o Brasil em festivais.

"Me apresentei em diversos países, mas sempre que estava no Rio ou em São Paulo, me sentia não pertencente. Realmente eu fui me tornando fortalezense demais, atravessado pelas referências da cidade e, com o tempo, fui desenvolvendo um senso de responsabilidade histórica com o teatro cearense. Comecei a ter muitos lastros artísticos e talvez isso tenha me dado, inconscientemente, um laço muito forte", finaliza.

"Um artista plástico cria uma obra e consegue contemplá-la. Já o ator nunca vê seu espetáculo enquanto o interpreta, por isso existe uma espécie de orfandade no teatro".

O que diz Ricardo Guilherme?

"O teatro se concretiza no ato e no tempo"

"Todo teatro é meu, mesmo que não seja o meu'"

"Avoquei a mim uma responsabilidade de guardar a história do teatro cearense"

"O teatro radical é dialético, sintético e minimalista"

"Não vejo o teatro como arte multidisciplinar. No teatro radical, entende-se que ele é uma arte transdisciplinar"

"Quais são os conflitos centrais de uma peça que derivam em todo o restante?"

"Estamos à procura do átomo conflitual, a raiz conflitiva de uma peça, a célula-máter de uma cena"

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/09/25. Vida & Arte, p.4-5.


quarta-feira, 20 de agosto de 2025

Solenidade comemorativa dos 131 anos da Academia Cearense de Letras

Participei na noite de ontem, 19 de agosto de 2025, no Palácio da Luz, pela quarta vez como acadêmico, da solenidade comemorativa dos 131 anos de fundação da Academia Cearense de Letras (ACL), considerada a primeira do gênero no Brasil, que segue em funcionamento, visto que foi criada três anos antes da instalação da Academia Brasileira de Letras (ABL).

Antes da solenidade oficial, das 17h às 18h, houve a reunião mensal da ACL, oportunidade em que foram feitos os lançamentos do número 11 da revista Scriptoriun e do número 85 da Revista da ACL, com a distribuição de exmplares aos acadêmicos presentes.

A sessão solene, inciada às 19h, tendo a Sra. Regina Cláudia Fiúza, diretora administrativa da ACL, como cerimonialista, foi liderada pelo Presidente da Arcádia, Acad. Tales de Sá Cavalcante, que fez o discurso de saudação de aniversário e lançou o Edital do Prêmio Osmundo Pontes.

Na sequência, como coroamento dos trabalhos da noite, houve uma alentada interlocução centrada na obra Dom Casmurro, pondo em cena a secular e controvertida polêmica da possível traição de Capitu ao esposo Bentinho. Após a leitura de trechos selecionados do livro machadiano pelo Acad. Ricardo Guilherme, a cerimonialista passou a palavra à Acada. Selma Prata, designada mediadora do debate entre os Acads. Linhares Filho e Batista de Lima, que explicitaram, escudados em consistentes argumentos, um certo antagonismo em suas impressões sobre a fidelidade de Capitu.

A solenidade foi sacramentada pelo grande público assistente, constituído notadamente de membros integrantes de confrarias e entidades literárias cearenses, assim como formadores de opinião da sociedade local.

Ao final da efeméride, acadêmicos e seus convidados se confraternizaram em um coquetel ofertado pela ACL nas dependências do bucólico Café Java.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Letras


segunda-feira, 23 de junho de 2025

À PROCURA DO CAFÉ JAVA

Por Raymundo Netto (*)

O Café Java, o original, foi fundado em 1886, num canto da Praça do Ferreira, quase em frente ao atual prédio da Caixa Econômica, pelo popular Mané Coco, marmorista, bombeiro voluntário e um dos personagens da historiografia do cinema no estado. Com influência francesa, sua estrutura em madeira seguia a estética "art noveau", com uso de lambrequins – elementos ornamentais recortados em madeira para adornar os beirais para baixo e para cima –, convergindo na cumeeira – era um telhado de duas águas –, e guardando a parte de cima da sua fachada, de ponta a ponta, uma grade de taliscas também de madeira. Era nele que se reunia, anualmente, no 1º de abril, a “tropa” responsável pela organização da “maior festa popular da Fortaleza antiga”: o Festival da Potoca, ou, melhor dizendo, da mentira! Também ali se encontravam os apreciadores da aguardente do Cumbe, trazida pelo Mané Coco. Os seus clientes passavam pelo imenso “Cajueiro da Mentira” e colhiam de seus galhos mais caídos os suculentos cajus para degustar com a boa pinga, enquanto outros bebiam o cafezinho simples, coado na hora, jogavam dominó e/ou esbanjavam seus sonhos, ideias e escritos. Entre eles, Ulisses Bezerra (27) e Sabino Batista (24) sugeriram a um jovem amigo poeta, o irreverente Antônio Sales (24), a criação de um grêmio literário. Ora, o Sales não curtiu. Disse: “Só se fosse uma coisa nova, original e mesmo um tanto escandalosa, que sacudisse o nosso meio e tivesse repercussão lá fora”. Ele não gostava de formalidades, retóricas, discursos e academias. Mas, provocado, criou o título e elaborou o seu “Programa de Instalação”, uma espécie de Estatuto, menos oficial e mais debochado. Assim, em 30 de maio de 1892, em um imóvel alugado na rua Formosa, 105, fundaram a mais original agremiação artístico-literária do Ceará: a Padaria Espiritual (1892-1898). Depois do disputado evento, todos se dirigiram para tomar um cafezinho no Café Tristão, do qual nunca ouvi falar. Na verdade, nas Atas da Padaria Espiritual, não encontramos registro de nenhuma “fornada” (sessão) dos “padeiros” (gremistas) que tenha acontecido no Café Java, embora, ainda em 1892, após terminada uma delas, se dirigiram a ele. Também sabemos que, quando da distribuição de seu informativo “O Pão”, os padeiros se abancavam no Java como ponto estratégico de encontro e venda aos seus leitores. Em 1920, porém, o prefeito mandou derrubar os quiosques, vítimas do “progresso”. O Mané Coco havia vendido o Java há décadas e teria outro Café, o Central, novo ponto de encontro dos últimos padeiros.

Quando houve o anúncio, pela Academia Cearense de Letras, de um “outro Café Java”, também no Centro, mas em local diferente do original, acompanhei. Estranhei tratar-se de uma “réplica”, o que visivelmente não é, pois é totalmente diverso, não só no material da estrutura, que é de ferro, como em toda a sua arquitetura e ornamentos.

Não sei se realmente esse negócio vai vingar, se será possível, diante do eterno descaso ao Centro, realizar tais programações culturais naquele espaço, que é bastante reduzido, além de ser possivelmente uma onerosa manutenção. E dói demais assistir, logo ao lado, a igreja mais antiga da cidade quase se desmanchando à própria sorte. Eu, da forma como gosto e acredito em livros, acho que seria uma homenagem mais relevante à Padaria, a publicação e a democratização do acesso à população cearense da prometida coleção “Biblioteca da Padaria Espiritual”, composta de cerca de 14 títulos desses padeiros, pois muita gente diz comemorar essa agremiação sem nunca sequer ter lido uma dessas obras por eles escritas, simplesmente porque não são acessíveis! “Fornecer pão de espírito aos povos em geral” não era o objetivo maior da Padaria? Então, como diria Antônio Sales em suas sessões: “Está aberta a fornada”.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/05/25. Vida & Arte, p.2.

Nota do Editor do Blog: Havia um problema burocrático envolvendo a Prefeitura Municipal de Fortaleza e a empresa concessionária do serviço que assumiria a gestão da cafeteria que, felizmente, já foi sanado. No dia 10/06/25, a Academia Cearense de Letras (ACL), contando com apoio e patrocínio do seu presidente, o Prof. Tales de Sá Cavalcante, ofereceu uma recepção que acolheu muitos convidados, para um evento de congraçamento.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Cad. 25 da ACL

 

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