Mostrando postagens com marcador Comemoração. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Comemoração. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Meus 53 anos nos 300 de Fortaleza

Por Vladimir Spinelli Chagas (*)

Como funcionário do BNB em Itabuna (BA), estive em Fortaleza nos anos de 1970 e 1971 para participar de treinamentos próprios das funções então exercidas - uma prática seguida, à época, por essa exemplar instituição.

Em junho de 1973, após processo seletivo, vim participar de mais um curso do BNB, em que a aprovação significaria transferência definitiva para esta cidade. Confiei e já vim com a família.

Fortaleza contava com 950 mil habitantes, uma pequena metrópole, com raros prédios com mais de três pavimentos e comércio e serviços incipientes. As opções de lazer concentravam-se no Centro, especialmente na Cidade das Crianças, Praça do Ferreira e cines São Luiz e Diogo.

A orla contemplava os principais clubes sociais, o Náutico, o Ideal e o Líbano. A Praia do Futuro era uma esperança no próprio nome, mas o elevado índice de maresia não possibilitou a ocupação imobiliária prevista.

O BNB, como motor de desenvolvimento, contribuía para o crescimento das atividades econômicas e, pela visão de formação de pessoas, colaborava com técnicos de elevado padrão, a ocuparem postos de destaque, especialmente em instituições públicas nos três níveis de governo.

O sonho da Uece viria a se concretizar em 1975, com a visão de interiorização do ensino e formação de professores, mas já demonstrando aptidão para outras áreas. Hoje, o curso de nível internacional de Ciências Veterinárias, o elevado nível de pesquisa e a excelência em inovação são conquistas que a colocam em destaque no Brasil e no mundo.

A nova Fortaleza, dos edifícios de mais de 150 metros e 2,6 milhões de habitantes, tem hoje uma orla revitalizada e posição de destaque nacional na economia. O Estádio do Castelão de 1973, transformado na Arena Castelão (padrão Fifa), e uma cidade policêntrica com hubs de inovação e parques urbanos trazem-nos uma certa saudade daqueles tempos.

Contudo, esse saudosismo não imobiliza o presente; antes, permite-nos valorizar a fênix urbana em que Fortaleza se tornou ao completar três séculos. O crescimento acelerado, iniciado na década de 1970, não empana o seu carisma de "Loura Desposada do Sol".

Parabéns, Fortaleza!

(*) Professor aposentado da Uece, membro da Academia Cearense de Administração (Acad) e conselheiro do CRA-CE. Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/04/26. Opinião. p.18.


segunda-feira, 30 de março de 2026

Ceará se prepara para receber a nova Diocese de Baturité

Por Carlos Daniel, jornalista de O Povo.

Celebração histórica ocorre no próximo dia 25 e deve reunir cerca de 10 mil fiéis, além de forte esquema de segurança na cidade

A Arquidiocese de Fortaleza apresentou, nesta quarta-feira, 18, os detalhes da criação da nova Diocese de Baturité. A instalação canônica está marcada para o próximo dia 25 de março e deve reunir milhares de fiéis, além de autoridades civis e religiosas de todo o Ceará. O evento contará com um esquema especial de segurança e uma ampla estrutura para acolher o público.

Durante coletiva de imprensa realizada no Palácio Entre Rios, em Baturité, o padre José Benício Nogueira afirmou que a cidade se prepara para receber cerca de 10 mil pessoas.

A programação oficial terá início às 17h30min, com a entrada do novo bispo, dom Luiz Gonzaga Pepeu — conhecido como dom Pepeu — na Catedral de Nossa Senhora da Palma, onde ocorrerão os ritos de instalação e posse, em cerimônia privada. Em seguida, às 18h30min, será celebrada uma missa campal no patamar da igreja, aberta ao público.

Ao todo, estão confirmados 41 bispos, mais de 250 sacerdotes, cerca de 50 religiosos e mais de 30 diáconos. A cerimônia marca um momento histórico para a Igreja Católica no Ceará.

Marco histórico para a Igreja no Ceará

O padre Vanderlúcio Souza, representante da Arquidiocese de Fortaleza, afirmou que “a igreja no Ceará vive um momento histórico e de grande significado pastoral” com a criação do novo episcopado.

A nova diocese é a décima do Ceará e a primeira criada pelo papa Leão XIV no Brasil. O anúncio foi feito no dia 1º de janeiro deste ano e simboliza, segundo o padre Vanderlúcio, o fortalecimento da presença da Igreja na região do Maciço de Baturité, ampliando a ação evangelizadora e o cuidado pastoral com as comunidades.

Estrutura e organização da nova diocese

A Diocese de Baturité abrangerá 21 paróquias distribuídas em 14 municípios da região, sendo Canindé, Caridade, Guaramiranga, Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia, Paramoti, Redenção, Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira e a própria cidade de Baturité.

Como parte da estruturação da nova diocese, a Prefeitura de Baturité anunciou a doação de um terreno de aproximadamente quatro hectares. Localizado da igreja da Sagrada Família, no conjunto Maria José Viana, o espaço será destinado à construção dos equipamentos da cúria diocesana

Dom Luiz Gonzaga Pepeu será o primeiro bispo da nova circunscrição e chegará ao Ceará no dia 24 de março, sendo recebido em Fortaleza por dom Gregório antes de seguir para Baturité.

A posse canônica ocorrerá durante a cerimônia do dia 25, oficializando a missão do novo bispo e a estrutura eclesial da diocese. A celebração contará com a presença de representantes do Vaticano, incluindo o cardeal Sérgio da Rocha.

Esquema de segurança e organização do trânsito

Para garantir a tranquilidade do evento, foi montada uma operação integrada envolvendo forças de segurança estaduais e municipais. Cerca de 150 policiais militares atuarão diretamente na operação, que começa já no dia 24 de março, com o reforço do policiamento nos principais pontos da cidade.

O planejamento prevê a divisão das áreas de atuação em zonas de segurança, com policiamento a pé nas imediações da catedral, além do apoio de unidades especializadas, como cavalaria, Batalhão de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (Raio) e Polícia Rodoviária Estadual, que atuará nas vias de acesso ao município.

O Corpo de Bombeiros e equipes de saúde também estarão de prontidão para atendimentos emergenciais, enquanto agentes de trânsito irão coordenar o fluxo de veículos. As ruas no entorno da Praça da Matriz serão interditadas para garantir a circulação dos pedestres e a realização da missa campal.

Além disso, a prefeitura organizará espaços de apoio, como praça de alimentação e áreas específicas para ambulantes, com o objetivo de oferecer melhor estrutura aos visitantes e evitar aglomerações em pontos críticos.

Transmissão do evento

A instalação da Diocese de Baturité será transmitida ao vivo em rede nacional por emissoras de televisão católicas, além de plataformas digitais.

Entre os veículos que farão a transmissão estão Rede Vida, TV Evangelizar, Sistema Shalom de Comunicação, além de emissoras de rádio local. (Colaborou Penélope Menezes)

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/03/26. Cidades. p.14.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Baturité – Uma nova Igreja no coração do Ceará

Por Pe. Raphael Silva Maciel (*)

Por ordem de Jesus Cristo, os apóstolos foram por todo o mundo anunciando o Evangelho (cf. Mc 16,15) e pondo os fundamentos do que conhecemos como Dioceses, que tem à sua frente um autêntico Sucessor dos Apóstolos, que desde os tempos apostólicos são chamados de bispos. Como fruto da missão da Igreja, há quase 172 anos era criada a Diocese do Ceará. Daquele primeiro núcleo nasceram outras 9 Dioceses, sendo mais jovem a recém-criada Diocese de Baturité.

O papa Leão XIV, na sua solicitude pela evangelização e salvação das almas, acatou o pedido dos Bispos do Ceará, unidos ao Arcebispo Metropolitano, de erigir mais uma nova Diocese do Estado que concentra a segunda maior população católica do Brasil. Encravada no maciço de Baturité e em partes do Sertão Central, a nova Diocese nasce com 21 Paróquias, em 14 municípios, sob a guia de um Sucessor dos Apóstolos, Dom Luís Gonzaga Pepeu.

Além da grande devoção à Nossa Senhora da Palma e São Francisco das Chagas, a Diocese também abraça a devoção e causa de canonização da Serva de Deus Irmã Clemência de Oliveira. Sem dúvida, essas devoções são sinais maravilhosos da presença da fé católica e do espírito missionário nas terras da nova Diocese.

Baturité significa “serra verdadeira” ou “de onde sai água boa”. Na serra ou no sertão muitas águas boas jorrarão: águas da graça divina que continuarão a percorrer os vales e rincões, dando esperança em tempos de dificuldades, para um povo que sempre pôs sua fé na Providência divina.

Pelo território da Diocese muitos já passaram, dando suas melhores forças até chegar a esse dia histórico: jesuítas, capuchinhos, frades menores, padres diocesanos, religiosas, fiéis leigos, que em conformidade com o Evangelho foram audazes na difusão da obra de Deus e no ensino da fé cristã. Baturité é a primeira Diocese brasileira criada por Leão XIV, fato histórico não só para o Ceará, mas para todo o Brasil. Viva a Diocese de Baturité!

(*) Sacerdote diocesano de Fortaleza. Missionário da Misericórdia.

Fonte: O Povo, de 25/03/2026. Opinião. p.16.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Natal dos descendentes de Almerinda Gurgel & Paulo Coêlho em 2025

Por Marcelo Gurgel Carlos da Silva (*)

Parte dos descendentes do casal Almerinda Gurgel Valente & Paulo Pimenta Coêlho, representados pelo filho Edmar Gurgel, por muitos netos, alguns bisnetos e até trinetos, se fez presente no encontro natalino de nossa família.

Esse encontro, liderado pelo primo Sílvio, filho do tio Edmar, aconteceu no Espaço MGM, localizado no bairro de Fátima, das 16h às 20h de ontem, dia 14/12/25, reunindo cerca de setenta pessoas.

Dos filhos de Elda, faltaram apenas o Sérgio, retido em Juazeiro do Norte, e o Paulo, que por motivos superiores não puderam se fazer presentes.

Ao som de Tiago Sampaio, um bom cantor, acompanhado de violão e de teclado, e por vezes entremeado por interpretações do Paulinho, filho do primo Paulo César, passamos uma tarde-noite muito agravável, saboreando as apetitosas guloseimas cuidadosamente feitas pela prima Solange Gurgel, gerando um tempo de encanto e de descontração dos parentes da família Gurgel.

O ponto alto da festao foi a apresentação da brochura “O LEGADO DE ELMA: uma família, uma história”, organizada por Maria Goretti e Eleazar Ribeiro, filha e genro da tia Elma, contendo mensagens dos filhos, netos e de outros familiares da homenageada, falecida em 27/08/2022, seguida da projeção de slides com fotografias selecionadas pelo casal Goretti e Eleazar.

A família da tia Elma doou vinte exemplares dessa obra aos primos do lado materno participantes do evento.

Ao final do encontro foram sorteados, entre os adultos presentes, vinte exemplares dos seguintes títulos de livros: “Cum Laude”, “Fora de Forma: contando causos da caserna”, “Selecta Literária” e “Fortaleza: de encantos e (des)encantos”, cedidos gentilmente por Marcelo Gurgel.

Não houve tempo para repetir a projeção do audiovisual, produzido pelo nosso primo Renato, com base no acervo de fotografias pertencentes aos descendentes de Elda e Edmar Gurgel, que se comprometeu de o compartilhar nos grupos de WhatsApp da família Gurgel.

Após a apresentação dos slides e a distribuição dos livros, os participantes se posicionaram para uma fotografia oficial panorâmica, para servir de registro iconográfico da confraternização do nosso clã de 2025.

A data do encontro do próximo ano não foi, previamente, agendada, mas nele se pretende render homenagens aos nossos queridos tios Edson e Edmar.

(*) Memorialista da família Gurgel-Carlos em Fortaleza


sábado, 29 de novembro de 2025

Comenda Dr. Waldemar Alcântara – ICC 2025

Fui distinguido ontem, 28/11/2025, por ocasião da Solenidade alusiva ao aniversário dos 81 anos de fundação do Instituto do Câncer do Ceará (ICC), realizada em Fortaleza, no Auditório Lúcio Alcântara do ICC, com a “Comenda Dr. Waldemar Alcântara”.

Trata-se de uma honraria que reconhece e homenageia aqueles que, de forma significativa, contribuíram para a construção e evolução da Rede ICC, conferida, por decisão unânime, pelo ICC, em reconhecimento dos anos de dedicação e contribuição permanente.

Nesse ano de 2025, o ICC reconheceu e homenageou com a Comenda Dr. Waldemar Alcântara dois colaboradores considerados importantes para a instituição, no caso a física-médica Rebecca Mourão e o médico Marcelo Gurgel.

O texto da placa a mim entregue, motivo de júbilo e da minha gratidão, contém os seguintes dizeres:

“Ilustre Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Você representa uma verdadeira fonte de inspiração para todos da Rede ICC Saúde. Sua atuação perpetua o legado de cuidado dos nossos fundadores. Seu entusiasmo profissional nos relembra o potencial transformador que possuímos quando aliamos conhecimento científico, excelência e empatia.

Expressamos nossa mais sincera gratidão, cientes de que o seu comprometimento e a sua excelência funcional não apenas honram o legado do Dr. Waldemar Alcântara, mas também de todos os fundadores da Rede ICC Saúde, e nos inspira a elevar o padrão da oncologia, deixando um marco eterno na história da saúde brasileira.

Com sincera estima e reconhecimento,

Sérgio Juaçaba - Presidente da Rede ICC Saúde

Fortaleza, 28 de novembro de 2025

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico do Instituto do Câncer do Ceará


domingo, 10 de agosto de 2025

Pai – O Mestre da Vida

Edson Gurgel Coelho

             No início do tempo, Deus criou o universo com a beleza da natureza, no verde das florestas e no azul dos mares. Com sabedoria e divina bondade. Ele criou o homem à sua imagem e semelhança, soprando-lhe, no corpo, o espírito da vida e o conhecimento da ordem do mundo para povoá-lo e dirigir suas obras.

Como companheira, Deus lhe deu a mais bela de sua criação – a mulher – para perpetuar suas gerações em todos os recantos da terra.

Assim, o homem, em união com a mulher, gera os filhos, nutrindo, em seu coração, o que existe de mais sublime – o sentimento de pai – para, então, doar à sua descendência a luz divina do amor.

Em todo o ciclo da vida:

- na INFÂNCIA – ele, com a esposa, dedica aos filhos todo o zelo e carinho para prover o seu crescimento e bem-estar;

- na ADOLESCÊNCIA – época das ilusões e dos sonhos coloridos, descobre para os filhos os primeiros mistérios do amor; e

- na FASE ADULTA – semeia, na sua descendência, o respeito à dignidade para conviver com as pessoas e formar sua emancipação social.

Finalmente, ser pai é ter uma vida de lutas e trabalhos para formar a família; e, em longo tempo depois, cansado pela idade e sofrimentos, é que ele retorna a sua própria estrada, mas sempre mantendo o amor e a dedicação a seus filhos.

Nesta comemoração, nós – filhos e filhas – abracemos, com amor e gratidão, o nosso querido PAI – O MESTRE DE NOSSA VIDA!

Recordemos, com a dor da saudade, a memória do pai que já saiu desta vida e que ele, após cumprir sua missão, já está juntinho de DEUS _ NOSSO PAI DE INFINITA BONDADE!

 Feliz “Dia dos Pais”!

Nota do Editor do Blog: A mensagem acima, em arquivo datado de 4 de agosto de 2009, é de autoria do economista Edson Gurgel Coelho, meu tio materno, irmão de minha mãe Elda Gurgel e Silva.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva



segunda-feira, 23 de junho de 2025

À PROCURA DO CAFÉ JAVA

Por Raymundo Netto (*)

O Café Java, o original, foi fundado em 1886, num canto da Praça do Ferreira, quase em frente ao atual prédio da Caixa Econômica, pelo popular Mané Coco, marmorista, bombeiro voluntário e um dos personagens da historiografia do cinema no estado. Com influência francesa, sua estrutura em madeira seguia a estética "art noveau", com uso de lambrequins – elementos ornamentais recortados em madeira para adornar os beirais para baixo e para cima –, convergindo na cumeeira – era um telhado de duas águas –, e guardando a parte de cima da sua fachada, de ponta a ponta, uma grade de taliscas também de madeira. Era nele que se reunia, anualmente, no 1º de abril, a “tropa” responsável pela organização da “maior festa popular da Fortaleza antiga”: o Festival da Potoca, ou, melhor dizendo, da mentira! Também ali se encontravam os apreciadores da aguardente do Cumbe, trazida pelo Mané Coco. Os seus clientes passavam pelo imenso “Cajueiro da Mentira” e colhiam de seus galhos mais caídos os suculentos cajus para degustar com a boa pinga, enquanto outros bebiam o cafezinho simples, coado na hora, jogavam dominó e/ou esbanjavam seus sonhos, ideias e escritos. Entre eles, Ulisses Bezerra (27) e Sabino Batista (24) sugeriram a um jovem amigo poeta, o irreverente Antônio Sales (24), a criação de um grêmio literário. Ora, o Sales não curtiu. Disse: “Só se fosse uma coisa nova, original e mesmo um tanto escandalosa, que sacudisse o nosso meio e tivesse repercussão lá fora”. Ele não gostava de formalidades, retóricas, discursos e academias. Mas, provocado, criou o título e elaborou o seu “Programa de Instalação”, uma espécie de Estatuto, menos oficial e mais debochado. Assim, em 30 de maio de 1892, em um imóvel alugado na rua Formosa, 105, fundaram a mais original agremiação artístico-literária do Ceará: a Padaria Espiritual (1892-1898). Depois do disputado evento, todos se dirigiram para tomar um cafezinho no Café Tristão, do qual nunca ouvi falar. Na verdade, nas Atas da Padaria Espiritual, não encontramos registro de nenhuma “fornada” (sessão) dos “padeiros” (gremistas) que tenha acontecido no Café Java, embora, ainda em 1892, após terminada uma delas, se dirigiram a ele. Também sabemos que, quando da distribuição de seu informativo “O Pão”, os padeiros se abancavam no Java como ponto estratégico de encontro e venda aos seus leitores. Em 1920, porém, o prefeito mandou derrubar os quiosques, vítimas do “progresso”. O Mané Coco havia vendido o Java há décadas e teria outro Café, o Central, novo ponto de encontro dos últimos padeiros.

Quando houve o anúncio, pela Academia Cearense de Letras, de um “outro Café Java”, também no Centro, mas em local diferente do original, acompanhei. Estranhei tratar-se de uma “réplica”, o que visivelmente não é, pois é totalmente diverso, não só no material da estrutura, que é de ferro, como em toda a sua arquitetura e ornamentos.

Não sei se realmente esse negócio vai vingar, se será possível, diante do eterno descaso ao Centro, realizar tais programações culturais naquele espaço, que é bastante reduzido, além de ser possivelmente uma onerosa manutenção. E dói demais assistir, logo ao lado, a igreja mais antiga da cidade quase se desmanchando à própria sorte. Eu, da forma como gosto e acredito em livros, acho que seria uma homenagem mais relevante à Padaria, a publicação e a democratização do acesso à população cearense da prometida coleção “Biblioteca da Padaria Espiritual”, composta de cerca de 14 títulos desses padeiros, pois muita gente diz comemorar essa agremiação sem nunca sequer ter lido uma dessas obras por eles escritas, simplesmente porque não são acessíveis! “Fornecer pão de espírito aos povos em geral” não era o objetivo maior da Padaria? Então, como diria Antônio Sales em suas sessões: “Está aberta a fornada”.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/05/25. Vida & Arte, p.2.

Nota do Editor do Blog: Havia um problema burocrático envolvendo a Prefeitura Municipal de Fortaleza e a empresa concessionária do serviço que assumiria a gestão da cafeteria que, felizmente, já foi sanado. No dia 10/06/25, a Academia Cearense de Letras (ACL), contando com apoio e patrocínio do seu presidente, o Prof. Tales de Sá Cavalcante, ofereceu uma recepção que acolheu muitos convidados, para um evento de congraçamento.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Cad. 25 da ACL

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Os 80 anos do Instituto do Câncer do Ceará

Por Marcelo Gurgel Carlos da Silva (*)

A celebração dos 80 anos do ICC, iniciada em novembro de 2024, não é apenas uma comemoração da sua história, mas uma ratificação dos seus valores fundamentais: inovação, excelência e, acima de tudo, empatia.

Em 1944, um grupo composto por dez abnegados médicos e um religioso, todos eles preocupados com o crescimento dos casos de câncer no Ceará, se uniu com o objetivo de criar uma entidade para prestar atendimento aos pacientes de câncer e promover a cancerologia no estado do Ceará. Surgiu assim, em 25/11/1944, o Instituto do Câncer do Ceará (ICC), que iniciou seus atendimentos à população mais despojada de recursos na Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza.

O ICC prosseguiu com o intuito de assegurar aos pacientes um tratamento à altura das suas necessidades. A primeira conquista foi a radioterapia. Depois, o serviço de prevenção e a quimioterapia.

Em 1995, o então presidente do ICC, o Dr. Haroldo Gondim Juaçaba, começou a construção do Hospital do Câncer do Ceará. Quatro anos mais tarde, esse empreendimento, hoje denominado Hospital Haroldo Juaçaba, foi concluído e inaugurado em novembro de 1999.

Em 2014, ao ensejo das comemorações dos seus 70 anos de fundação, o ICC apresentou o projeto de construção do Anexo II e inaugurou a nova sede da Casa Vida, aumentando a sua capacidade de acolher pacientes em tratamento no ICC, oriundos do interior cearense.

No último decênio, o ICC experimentou notáveis progressos que consolidaram a sua posição nos cenários regional e nacional, tanto na assistência oncológica, com sua linha de cuidado integral, como um centro de referência na formação de especialistas, via especialização, residências e mestrado, e na pesquisa oncológica, mercê da sua participação em pesquisas clínicas patrocinadas e da aprovação de duas investigações financiadas pelo Programa Nacional de Atenção à Oncológica (Pronon).

A celebração dos 80 anos do ICC, iniciada em novembro de 2024, não é apenas uma comemoração da sua história, mas uma ratificação dos seus valores fundamentais: inovação, excelência e, acima de tudo, empatia. A programação, que inclui eventos científicos, culturais e sociais, reflete a atuação multifacetada da instituição.

Hoje, o ICC é uma instituição moderna, com a gradual incorporação de avançadas tecnologias de diagnóstico e tratamento, e eficiente, no gerenciamento dos seus recursos, possuindo um amplo reconhecimento social do povo cearense.

(*) Médico epidemiologista do Instituto do Câncer do Ceará (ICC.)

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/11/2024. Opinião. p.19.


quinta-feira, 17 de outubro de 2024

UM PRESENTE PARA OS CONVIDADOS

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Para nosso estado, foi uma grande vitória a inauguração, em 1949, de sua primeira revenda de carros. J. Macêdo passava a representar a Jeep da Willys-Overland. Após alguns anos, o articulista e demais garotos residentes nas proximidades da empresa festejaram a instalação de um freezer no posto Willys, a funcionar na concessionária. O colaborador Eduardo manobrava a única bomba de gasolina existente e acumulava o seu trabalho com as vendas do único produto da "loja de conveniência" da época, a deliciosa Coca-Cola. Nos momentos raros de dinheiro no bolso, eu sentia um imenso prazer ao saborear o refrigerante.

Os 50 anos do qualificado grupo empresarial foram celebrados com uma exibição da Orquestra de Câmara da Filarmônica de Hamburgo. E, agora, J. Macêdo trouxe a outros convidados e a mim um outro tipo de prazer na comemoração de 85 anos e ingresso da terceira geração da corporação. Fomos presenteados com uma primorosa apresentação da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo. Os conceituados líderes do grupo, Roberto e Amarílio Macêdo, e seus companheiros de trabalho nos trouxeram Heitor Villa-Lobos, Carlos Gomes, Carl Maria von Weber, Alberto Ginastera e o cearense Alberto Nepomuceno em magistral performance da OSESP, no Theatro José de Alencar. 

O modelar empresário José Dias de Macêdo dizia: "Desde que criei a nossa empresa, sempre me preocupei em encontrar formas de torná-la sólida e duradoura." "Costumo dizer que procurei, em toda a minha vida, cercar-me de profissionais melhores do que eu."

Os que fizeram, fazem e farão a J. Macêdo, em especial, o grande gestor José Macêdo, pioneiro, ousado e empreendedor, provaram que empresários, além de crescimento econômico, geração de empregos com adequada remuneração, educação, responsabilidade social, podem também dar bons exemplos culturais. Por trazer 60 músicos e consequentes composições de alto nível, J. Macêdo faz a sua parte. Que os convidados, a concederem ao seu aparelho auditivo mais uma chance de ouvirem música erudita, resolvam oferecer chances a outros cearenses para que estes recebam, com maior frequência, tão preciosos acordes.

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/09/24. Opinião, p.20.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

SOCIEDADE CEARENSE DE PEDIATRIA: 80 anos de bons serviços à infância no Ceará

Nos anos quarenta do século passado o Ceará se deparava com sérios e crônicos problemas da saúde de suas crianças. Segundo trabalho publicado por Hyder Correia Lima e Joaquim Eduardo de Alencar, em Fortaleza, entre 1933 e 1952, as taxas de mortalidade infantil alcançavam valores exorbitantes, de tal sorte que uma em cada três crianças nascidas vivas não completava o seu primeiro aniversário.

É nesse degradante cenário da Saúde Pública, que os pediatras cearenses Drs. José Fernandes e Carlos Ribeiro Pamplona, engajados no firme propósito de enfrentar a excruciante mortalidade infantil e de proporcionar melhores condições de vida às crianças cearenses, instituíram a SOCIEDADE CEARENSE DE PEDIATRIA – SOCEP, fundada em 15 de junho de 1944, na vigência da II Grande Guerra, quando o Brasil afiançara a sua participação junto às Tropas Aliadas contra os países do eixo Berlim-Roma-Tóquio.

Os jornais locais que circulavam na capital cearense: o Unitário, o Correio do Ceará, o Estado e o Povo, anunciaram em suas páginas, editadas em junho de 1944, com merecido destaque, a alvissareira notícia da criação da SOCEP, que aconteceria em reunião a ter lugar na sede do Centro Médico Cearense.

A primeira diretoria da SOCEP teve a seguinte composição: José Fernandes (presidente), Aloysio Soriano Aderaldo (vice-presidente), Otávio Pontes (primeiro secretário), Carlos Ribeiro Pamplona (segundo secretário), Pedro de Morais Borges (tesoureiro) e Aracy Aguiar (bibliotecária).

Após a diretoria liderada pelo Dr. José Fernandes (1944-46), o Dr. Carlos Ribeiro Pamplona assumiu a segunda diretoria, sendo o seu mandato alvo de sucessivas reconduções, tendo permanecido à frente da SOCEP, de 1947 a 1956, o que lhe confere o papel de fundador e de consolidador da novel entidade médica.

A SOCEP, que em 2024 completa os seus oitenta anos de funcionamento ininterrupto, é uma das mais longevas instituições societárias médicas do solo alencarino; são poucas as instituições aqui, ainda existentes, que a precederam em tempo de instalação, como o Centro Médico Cearense (a atual Associação Médica Cearense), fundado em 1913, a Sociedade Médica São Lucas e o Sindicato dos Médicos do Ceará, criados, respectivamente, em 1937 e 1941.

Desde o seu nascedouro, e ao longo de sua história, a SOCEP esteve irmanada com o poder público em pugnar pelas políticas públicas em prol da infância. Isso se fez e segue em curso, tanto institucionalmente como por meio de seu quadro de dirigentes e de associados, com vários deles guindados à condição de gestores da pasta da saúde estadual e de alguns dos maiores municípios do Ceará, bem como por meio de gerentes de programas específicos e de equipamentos nosocomiais voltados à saúde infantil; a Dra. Anamaria Cavalcante e Silva, que presidiu a SOCEP em três profícuas gestões, exemplifica a contento a interação da entidade maior dos pediatras cearenses e as autoridades sanitárias, logrando benfazejos e duradouros resultados sociais.

Uma prova inconteste dessa parceria pode ser visualizada na participação da SOCEP em várias iniciativas públicas relevantes, a exemplo do Programa Viva a Criança, do acompanhamento das PESMIC, que comprovaram a drástica redução da mortalidade infantil, da vinda do escritório local do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da qualificação do Hospital Infantil Albert Sabin, como centro de excelência e de referência em saúde infantil; de não menor importância foi a contribuição que a SOCEP ofereceu ao Governo do Ceará em sua visionária e revolucionária institucionalização dos agentes comunitários de saúde.

Coube a SOCEP a realização de três grandes congressos brasileiros de pediatria (1985, 2000 e 2017). O congresso de 1985, presidido pela Dra. Anamaria Cavalcante e Silva, exitoso em seus múltiplos aspectos, foi superavitário, ensejando a captação de numerários suficientes para dotar a SOCEP de uma vistosa e funcional sede própria que se presta para suas reuniões administrativas e ainda para a educação continuada dos pediatras, associados ou não.

Recentemente, o Dr. João Borges, especialista em Pediatria com área de atuação em Neonatologia pela Sociedade Brasileira de Pediatria, especialista em Serviço de Saúde/Gestão Hospitalar pela Universidade Estadual de Campinas, sócio fundador e ex-presidente da Cooperativa dos Pediatras do Ceará, assumiu, pela terceira vez. a presidência da SOCEP, com mandato para o período 2024-2027.

Por suas proficientes gestões anteriores à frente dessa entidade, e consubstanciado na experiência que granjeou como presidente da Unimed Fortaleza, tem-se a garantia de que o Dr. João Borges marcará os 80 anos de criação da SOCEP, fazendo jus a lembrança do acendrado espírito público que norteou os fundadores dessa pujante sociedade médica especializada, os Drs. José Fernandes e Carlos Ribeiro Pamplona.

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina (Cad. 18)

*Publicado In: Jornal do médico digital, 4(51): 17-19, julho de 2024. (Revista Médica Independente do Ceará).


segunda-feira, 27 de março de 2023

UNIFOR 50 ANOS!

UNIFOR 50 ANOS!

Por Sabrina Matos (*)

Em 2013 a editoria de Opinião do O POVO acolheu minha sugestão de uma página temática com o tema "40 anos da Unifor", página na qual três artigos discorreram acerca dessas quatro décadas, um deles escrito pelo então chanceler Airton Queiroz, outro pela então reitora Fátima Veras e um terceiro escrito por mim, ex-aluna e professora da Unifor.

Agora em 2023 a Universidade de Fortaleza completa meio século de história e continua, mais do que nunca, sua missão de ensinar e aprender. "Nosso ofício é ensinar. Nossa paixão é aprender". Chega aos 50 anos sustentando a insígnia de seu fundador, Edson Queiroz, que foi ousado e destemido ao instalar a primeira universidade particular (que já nasceu universidade) na nossa capital. Foi um visionário que acreditou na importância da educação em uma região carente e castigada. Acreditou que a educação nos possibilita mudar qualquer realidade. Acreditou que com a educação podemos expandir horizontes possíveis e inventar constantemente alternativas de mundos viáveis.

Dois mil e vinte e três é um ano de comemorações na nossa Unifor, a melhor universidade particular do país. Como marco desses cinquenta anos foi anunciada a nova identidade visual ancorada nos três arcos que indicavam uma linha reta em direção ao futuro e que agora se transformam em três arcos em direções distintas representando ensino, pesquisa e extensão; ciência, arte e educação; Fortaleza, Ceará e Brasil; e passado, presente e futuro.

No último dia 16 a Fundação Edson Queiroz inaugurou a exposição "Elas - De Musas a Autoras", no Espaço Cultural, com visitação gratuita até dezembro. No próximo mês de abril, nos dias 11, 12 e 13, no Auditório da Biblioteca, teremos o Simpósio Internacional de Psicanálise da Unifor, evento que mobiliza alunos da graduação, da pós-graduação, ex-alunos e uma comissão organizadora que não mede esforços para que possamos dilatar os sentidos, as tramas e os afetos da invenção freudiana, lançando olhares na obra do mestre vienense que completa cem anos - "O Eu e o Isso", evento também gratuito e aberto ao público em geral. As inscrições iniciam-se na próxima semana através do site da universidade.

Esses e muitos outros eventos comemorativos, assim como os múltiplos agenciamentos produzidos reiteradamente no cotidiano, tornam belo, provocativo e estimulante o espaço acadêmico da Universidade de Fortaleza. E apraz-me fazer parte desse time!

(*) Psicóloga e psicanalista. Professora da Unifor.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/03/23. Opinião, p.28.

quinta-feira, 16 de março de 2023

MEDICINA NA UECE, 20 ANOS EM FORMAÇÃO

Por João Brainer Clares de Andrade (*)

Chegamos a 20 anos de uma formação médica humana e vocacionada às necessidades da saúde cearense. Crescemos, a despeito da desconfiança e até esforços de findar o sonho de uma jovem universidade em assumir ainda mais protagonismo social. Nascemos do amadurecimento institucional, impulsionados por reconhecidos cursos de graduação e pós-graduação, do seio acolhedor da rede pública estadual de saúde. No entanto, enfrentamos desafios que seriam talvez suficientes por findar nossos anseios, se não fosse a resistência e criatividade do Itaperi e de seus parceiros.

Uece conseguiu: são 20 anos de ensino médico que lança profissionais dentro e fora do Ceará; dentro e fora do Brasil. Otimizamos a estrutura que havia, captamos recursos, aprimoramos, criamos. Hoje somos três campi, três hospitais universitários e a rede estadual hospitalar devotada à missão de formar 160 médicos a partir de um colegiado multidisciplinar que vai das ciências sociais à genética médica com o mesmo peso da técnica científica e da humana.

Nascemos dos desafios. Os desbravadores sempre souberam que não seria fácil, mas os problemas nos nutriram a inteligência. Resistimos à aridez dos recursos em estrutura, às investidas contrárias dentro da nossa própria rede e à escassez gritante de professores efetivos. Apesar das deficiências e batalhas por vencer, chegamos aos 20 anos com a musculatura que os desafios nos proporcionaram; e, fortes, estamos aptos a seguir para muito mais distante.

Chegamos firmes para assistirmos às primeiras colocações no Enade no país, vendo ex-alunos abrilhantarem a Medicina brasileira e até internacional. A Uece formou brilhantes! E o reconhecimento, mesmo que tardio, coroa nossa maturidade: chegamos firmes para também assistirmos ao maior hospital cearense em nossas tão férteis terras. Nosso sonho se tornou real.

As conquistas não findam nossos sonhos, no entanto. Temos carência de docentes para atender à expansão e à consolidação do curso; além de estrutura de laboratórios de ensino que permitam simulações realísticas e atendimentos ambulatoriais. O espírito inovador que soube conciliar a inteligência ao tempo da máquina pública prova a cada dia seu papel de transformação de um curso de Medicina - e assim seguirmos firmes para continuar ajudando a mudar a vida de milhões de cearenses. 

(*) Médico neurologista. Egresso da MedUece. Doutor pela Unifesp e Columbia University.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 16/03/2022. Opinião. p.21.


sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

MEDICINA DA UFC (1977-2022): 45 anos de formatura da Turma Prof. José Carlos Ribeiro

Eu tinha sido instado por colegas a cuidar da organização do terceiro livro da nossa turma de médicos formada pela Universidade Federal do Ceará (UFC), o que poderia ser viável, considerando os dez anos decorridos da obra anterior.

Eu estava de acordo em assumir novamente esse encargo, mas definido que a linha editorial dessa obra fosse pertinente aos tempos de acadêmicos, e, portanto, mais nos moldes do livro dos 30 anos, ficando para 2027, quando a maioria de nós será composta de “jubilados”, com já meio século de labuta médica, a organização da obra do nosso cinquentenário enfeixando nossas atividades profissionais.

Imbuído desse espírito, fui prospectar nos escaninhos da minha longínqua memória, de fatos transcorridos há cerca de meio século, produzindo 23 (vinte e três) narrativas que ficaram distribuídas nas três primeiras Partes desta obra: I – Recordações Pré-universitárias; II – Recordações Universitárias; e III – Homenagens Funcionais. Essas narrativas foram antecipadas e detidamente discutidas com o Prof. Dr. Sebastião Diógenes Pinheiro, que sempre me emulou a que eu transpusesse para o papel lembranças que poderiam se dissipar na passagem dos tempos, sonegando às gerações futuras o direito ao acesso de tão preciosos informes.

Por ser um conhecido “causeur”, com centenas de causos médicos descritos e publicados em livros, e outros tantos ainda inéditos, achei por bem criar a Parte IV – Causos da Medicina UFC Turma 1977, reservada a causos de tempos universitários. Contudo, para não olhar só para o meu próprio umbigo, me vali dos préstimos de outros colegas bons contadores de causos para que oferecessem suas contribuições pessoais que viriam a se aglutinar com cinco causos meus relacionados às disciplinas de Anatomia. De pronto, estimulados por mim, cinco colegas: José Luciano Sidney Marques, José Ramon Porto Pinheiro, Lineu Ferreira Jucá, Lúcio Flávio Gonzaga Silva e Solon Vieira de Albuquerque, aquiesceram em contar causos e curiosidades, dos quais foram protagonistas.

Com a intenção de agregar demais colegas da turma, concebeu-se a Parte V – Autobiografias Universitárias, destinada ao acolhimento das lembranças de cada um até à solenidade da colação de grau em 23 de dezembro de 1977. Para manter um certo padrão de uniformidade, ficou estabelecido que essas memórias deveriam conter entre 2.900 e 3.100 caracteres com espaços, correspondentes a duas páginas desse livro, e se ater ao período anterior à formatura, com a promessa de que os fatos alusivos à vida de médico seriam objeto de descrição nas autobiografias do livro comemorativo do nosso Jubileu Áureo.

Responderam positivamente à minha conclamação os seguintes colegas: Francisco Delano Campos Macedo, Francisco Jean Crispim Ribeiro, Iracema Salatiel Barbosa de Alencar, Janedson Baima Bezerra, João Ferreira Brito Filho, José Fernandes Dantas, José Henrique Gurgel, José Luciano Sidney Marques, José Ramon Porto Pinheiro, Laura Cidrão Frota, Lineu Ferreira Jucá, Lúcio Flávio Gonzaga Silva, Luís Eduardo Callado, Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Maria Edsoni Guerra Bezerra, Maria Roseli Monteiro Callado, Raimundo José Barbosa do Carmo, Sara Lúcia Ferreira Cavalcante, Solon Vieira de Albuquerque, Stella Maria Torres Furlani e Zaqueu Torres Esmeraldo.

Na Parte VI – Posfácio / Anexos / Apêndices, além dos sumários dos dois livros anteriormente editados, foi inclusa uma Iconografia Universitária, exibindo reprodução de fotografias oriundas dos álbuns de formatura cortesmente cedidas pelos colegas Raimundo José Barbosa do Carmo e Solon Vieira de Albuquerque, aos quais muito agradeço.

Esse livro foi ricamente ornado na sua abertura e no fechamento, respectivamente, pelos prefácio e posfácio, da lavra dos amigos, colegas e confrades da Academia Cearense de Medicina, Elias Geovani Boutala Salomão e Sebastião Diógenes Pinheiro, ambos ex-coordenadores do Curso de Medicina da UFC e seguidamente homenageados por turmas de médicos diplomados por essa instituição.

Por último, mas não menos importante, assinalo os meus agradecimentos a todos que contribuíram com seus textos e suprimentos que ajudaram a ilustrar essa publicação.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina – Cad. 18

*Publicado In: Revista Digital Jornal do Médico. Ano III, Nº 34, dezembro de 2022 p.34-36. 

domingo, 20 de novembro de 2022

Comemorações dos 45 anos de formatura em Medicina da UFC (Turma Prof. José Carlos Ribeiro)


Parte dos colegas participantes das comemorações dos 45 anos de formatura em Medicina da Turma Prof. José Carlos Ribeiro da UFC. (Foto cedida por Angelita de Castro).

Dos concludentes da Turma Prof. José Carlos Ribeiro, 23 (vinte e três) colegas, muitos deles acompanhados de familiares, se fizeram presentes no Hotel Dom Pedro Laguna, em Aquiraz-CE, de 18 a 20 de novembro de 2022, onde cumpriram uma ampla programação, marcada por momentos inesquecíveis, e repletos de saudades e plenos de afetos, para celebrarem os 45 anos da formatura em Medicina, cuja solenidade de colação de grau se deu em 23 de dezembro de 1977.

Os colegas se apresentaram para registro de hospedagem na tarde da sexta-feira (18/11/22) e depois do jantar seguiu-se um momento para festivas conversas entre colegas.

Da programação, dentre outras atividades, constaram na manhã do sábado (19/11/22) palavra de acolhimento espiritual, conduzida pelo colega Dr. João Brito, a saudação aos colegas proferida pela colega Dra. Sara Cavalcante, o lançamento e a distribuição de livros comemorativos produzidos por Marcelo Gurgel, a projeção de um audiovisual, acompanhado da entrega de um pendrive contendo mais de 1.600 arquivos de documentos e imagens relacionados à nossa turma.

Na tarde do sábado, a artista Carolzinha, uma versátil sanfoneira, propiciou uma grande animação musical regada a cantos e danças, sobretudo ao ritmo do autêntico forró pé-de-serra.

Após o jantar, foi feita uma sessão de fotografias, sendo seguida por uma longa rodada de contação de causos, com revezamentos entre os narradores, gerando um ambiente de forte descontração e de humor entre os pares ali presentes.

Na manhã de hoje (20/11/22), após o café no hotel, os colegas se despediram, inteiramente satisfeitos e alimentando a expectativa de que tais encontros sejam mais frequentes.

Os 23 colegas participantes do encontro foram: Ângela Pio de Almeida, Ângela Carneiro, Consuelo Pereira da Costa, Eliane Alves de Morais, Fátima Carneiro, Francisco Delano Campos Macedo, Iracema Salatiel Barbosa de Alencar, João Ferreira Brito Filho, José Adão Lopes, José Carlos Vasconcelos, José Fernandes Dantas, José Leônidas Alves, Laura Cidrão Frota, Luís Eduardo Callado, Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Maria Lúcia Viana, Maria Roseli Monteiro Callado, Myria do Egito Vieira de Souza, Raimundo Barbosa do Carmo, Sara Lúcia Ferreira Cavalcante, Stella Maria Torres Furlani, Valério César Silveira Gomes e Zilzo Leandro Evangelista.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico pela UFC Turma de Dezembro de 1977

sábado, 5 de novembro de 2022

COMEMORAÇÃO DOS 40 ANOS DE FUNDAÇÃO DA SOBRAMES/CE

 

Ocupantes da mesa diretora: Flávio Leitão (ACL), José Maria Chaves (ACEMES), Arruda Bastos (Sobrames/CE), Marcelo Gurgel (Instituto do Ceará) e Henrique Leal (ACM).

Uma distinta audiência, composta por aproximadamente sessenta pessoas, participou em 4/11/22, no Auditório do segundo andar do prédio da Unichristus, no Campus Parque Ecológico, em Fortaleza, da solenidade comemorativa dos 40 anos da fundação da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará, a Sobrames/CE.

A primeira parte do evento foi o lançamento da Antologia da Sobrames de 2022, intitulada Limiar da Criação, cuja apresentação ficou sob o meu encargo. Na sequência, foi projetado um audiovisual por mim concebido exibindo as capas das 39 antologias, acompanhadas com informações sobre o número de participantes e de contribuições nelas contidas.

A segunda parte da solenidade foi reservada às homenagens a sete ex-presidentes da Sobrames/CE, no caso, os quatro primeiros presidentes: Drs. Emanuel de Carvalho, Paulo Gurgel Carlos da Silva, Geraldo Beserra da Silva e Luiz Gonzaga Moura Jr., todos ainda entre nós; e também a três outros ex-presidentes, na forma de homenagens póstumas: Drs. Pedro Henrique Saraiva Leão, José Telles da Silva e Celina Côrte Pinheiro.

A saudação aos homenageados em nome da Sobrames/CE foi feita pelo ex-presidente José Maria Chaves e a fala de agradecimento, como representante dos agraciados com certificados de agradecimento e de gratidão, coube ao Dr. Paulo Gurgel Carlos da Silva.

O discurso de encerramento foi pronunciado pelo Raimundo José Arruda Bastos, presidente da Sobrames/CE.

Após a solenidade foi oferecido um coquetel ao público presente.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Ex-presidente da Sobrames/CE


domingo, 30 de outubro de 2022

Comemoração dos 10 anos de formatura da Turma Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva da MedUece

 

Profs. Marcelo Gurgel (Nome da Turma) e Paula Frassinetti Fernandes (Paraninfa), ao centro e ladeados por alguns egressos da MedUece 2012, na comemoração dos dez anos de formatura. (Foto cedida por Paula Frassinetti Fernandes).

Dos 39 concludentes da Turma Prof. Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva do Curso de Medicina da Uece, quase trinta aderiram às comemorações dos 10 anos de formatura que foram concentradas no Hotel Santuário das Águias, em Aquirás-CE, nos dias 28, 29 e 30 de outubro de 2022.

Na noite de ontem (29/10/22), ocorreu, nesse hotel citado, um jantar de confraternização, animado por um excelente conjunto musical, em um clima de descontração, envolvendo médicos e seus cônjuges, e até com filhos nascidos pós-formatura.

O evento acima fez parte da programação traçada pela Comissão Organizadora e teve início com a fala do Dr. Willian Silva, o qual na condição de representante dessa comissão resgatou as boas lembranças dos tempos de universitários e salientou a importância do congraçamento entre seus colegas, após dez anos de diplomados.

O Dr. Willian Silva, atualmente radicado no Maranhão, onde exerce a especialidade de Otorrinolaringologia e leciona no curso de Medicina de uma instituição federal de ensino sediada em Imperatiz-MA. Veio com a sua esposa Carol, também integrante dessa turma, é dermatologista em Imperatiz-MA, juntamente com os dois filhos do ilustre casal de médicos.

Na sequência, a Profa. Paula Frassinetti Fernandes, a paraninfa dessa turma, pronunciou um belo discurso de saudação, sendo seguida pela a minha fala, que rememorou a mensagem de agradecimento por ter sido honrado ao denominar a quinta turma de médicos formados pela Uece.

 

Momento jubiloso de parte dos egressos da MedUece 2012, na comemoração dos dez anos de formatura. (Foto cedida por Paula Frassinetti Fernandes).

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Nome da Turma de 2012 da MedUece


 

Free Blog Counter
Poker Blog