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quinta-feira, 11 de maio de 2023

OBESIDADE, UMA DOENÇA ESTIGMATIZADA

Por Paulo Campelo (*)

Não é fácil conviver com a obesidade. Meu lugar de fala não é de quem tem obesidade, mas de quem trata essa doença crônica, complexa e que já atinge quase 20% da população brasileira e da capital cearense. Se contarmos que temos quase 60% dos brasileiros acima do peso, podemos vislumbrar o grave cenário que se aproxima.

No Brasil, a World Obesity Federation estima que até 2030 serão 29 milhões de mulheres, 21 milhões de homens e 7,7 milhões de crianças com obesidade - 30% da população. É um grave problema de saúde pública e fazemos esse alerta no entorno do Dia Mundial da Obesidade, 4 de março.

No meu consultório recebo pacientes para cirurgia bariátrica com obesidade e doenças associadas, as chamadas comorbidades, já instaladas e descompensadas que lutam não só contra o peso, mas contra a hipertensão, diabetes, gordura no fígado, dores nos joelhos e coluna, refluxo, depressão, ansiedade, limitações físicas, baixa estima.

Isso tudo piora com a estigmatização da "pessoa gorda" que não tem uma cadeira adequada para sentar, que não encontra o que vestir, que perde oportunidades de trabalho, que é ridicularizada na rua pela sua aparência, que é taxada de "fraca" ou "preguiçosa" por não conseguir perder peso. Isso está errado!

Obesidade é uma doença e na sua complexidade e multifatorialidade precisa ser tratada da mesma forma. A pessoa com obesidade deve ser acolhida e, muitas vezes, recebo relatos de discriminação do próprio profissional de saúde. Outro dia uma paciente me relatou que um profissional disse que ela "tinha que nascer de novo". Isso é inadmissível.

De outro lado, temos ainda outro contexto ainda mais preocupante no Brasil, o dos invisíveis, os que dificilmente terão acesso a tratamentos para a obesidade mórbida, como a cirurgia bariátrica. São pessoas que se alimentam do que é possível, comidas de baixo custo, ultraprocessadas, com alto teor de gorduras e carboidratos, bebidas açucaradas, não comem frutas nem verduras e legumes e pouquíssimas carnes. Alguns países já repensaram formas de cuidar da alimentação de sua população na forma na lei. E nós precisamos fazer isso também para barrar a epidemia de obesidade. 

(*) Médico. Cirurgião bariátrico.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/04/2023. Opinião. p.18.

quinta-feira, 26 de agosto de 2021

A GRAVE RELAÇÃO ENTRE OBESIDADE E COVID-19

Por Paulo Eduardo Campelo (*)

O mundo vive hoje com duas pandemias graves e de grande impacto na vida das pessoas: a obesidade e a Covid-19. A obesidade, pandemia mundial do século XXI, mais do que duplicou desde 1980.

Em 2019, mais de 2,3 bilhões de pessoas no mundo têm excesso de peso. Nesse grupo, temos 650 milhões com obesidade - quantitativo que representa mais que o dobro da população dos Estados Unidos.

Um dado ainda mais preocupante são as 41 milhões de crianças com menos de cinco anos com excesso de peso ou obesidade em 2019, segundo a Unicef.

Com alto nível de gravidade, de forma rápida e crescente, há pouco mais de um ano enfrentamos a Covid-19, outra pandemia do século XXI, e, até o momento, são 128 milhões de pessoas atingidas no mundo.

Quando juntamos os dois graves problemas de saúde pública, não há um quadro favorável. O pior é a correlação entre as duas pandemias: pacientes acometidos pelo coronavírus com índice de massa corporal (IMC) mais elevados, ou seja, com obesidade, apresentam maior risco de hospitalização.

Estudo do Centers for Disease Control and Prevention (CDC-EUA) com quase 150 mil pacientes adultos internados com Covid-19 demonstrou que 50,8% tinham obesidade.

O mesmo estudo demonstra que, quanto maior a obesidade, maior o risco de internação e também de morte.

O risco de morte aumentou mais de 8% para os pacientes com obesidade grau 1 (IMC de 30 a 34,9) para 61% em pacientes com obesidade grau 3, com IMC igual ou maior que 45.

Fato é que já sabíamos da correlação da obesidade com as doenças cardiovasculares, o diabetes tipo 2 e vários tipos de câncer e que as doenças cardiovasculares e câner são as doenças que mais matam no mundo em números por milhão de habitantes.

A obesidade é uma pandemia complexa e silenciosa, em evolução nas últimas décadas, de tratamento multidisciplinar e que ainda é negligenciada.

Já a Covid-19 é uma pandemia aguda e recente que pode ser agravada pela obesidade, mas que vacinas têm sido promissoras na prevenção e gravidade.

O nosso alerta é que ambas precisam de políticas públicas de prevenção, atenção e muito cuidado nas suas condutas para evitar mortes precoces. 

(*) Cirurgião geral e bariátrico.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/7/2021. Opinião. p.18.

domingo, 23 de outubro de 2016

O QUE FAZ ENGORDAR


 Fonte: Circulando por e-mail (internet). Montagem sem autoria explícita.
 

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