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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 741

Armado de admiração

Tenório Cavalcanti, udenista e adversário político de Vargas, foi ao Catete numa comissão de deputados. Andava nas manchetes dos jornais por causa de suas estripulias em Caxias, na base da "Lourdinha" (metralhadora) e da capa preta. Getúlio o cumprimentou, olhou bem para o volume do revólver embaixo do braço esquerdo, sob o paletó:

– Deputado, o senhor está armado?

Tenório ficou vermelho, mas não perdeu o bote:

- Armado de admiração por Vossa Excelência.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/357021/porandubas-n-741


sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Crônica: Chico Pinto e a riqueza que vinha dos 'vazios'... e outros causos

Chico Pinto e a riqueza que vinha dos 'vazios'

Amiga Claudinha me mandou essa, contada pelo Nonato, ex-lateral direito do Quixadá dos tempos de Xavante e Jacaré na zaga. Jura pela "Cruz de Deus" como é verdade. Pretensão! Lá pelas bandas de Ibaretama, precisamente na localidade de Macacos, bem na extrema, explica, morava um cidadão conhecido por Chico Pinto.

Chico tomava conta de uma fazendinha pertencente a um senhor residente no Conjunto José Walter, aqui em Fortaleza. Era homem trabalhador, e tinha duas grandes habilidades: gostava duma cachaça (amuada) e era muito animado para fazer menino (reprodutor).

— E não era de meia que eu fazia menino, não, viu?

Naquele tempo, existia um benefício que garantia um dinheiro quando a mulher tinha filho. E Chico Pinto, que já era pai duma ruma, descobriu que aquilo também podia virar patrimônio, investimento, meio de vida. Toda vez que a mulher paria, Chico recebia o dinheiro e comprava uma novilha.

E assim foi: menino pra cá, novilha pra lá, novilha pra cá, menino pra lá... até que conseguiu juntar quatro vacas e uma novilha - esta última comprada depois do nascimento do filho mais recente, um tal Júnior Filho. Certo dia, no meio duma bebedeira, Chico na mesa de bar se gabando de sua riqueza...

— Eu já tenho é quatro vacas e uma novilha! Tá pôde?

No mesmo estabelecimento encontrava-se Manuel Vieira, o famoso Mané Mago. Que tinha um jeito peculiar de beber cachaça - não ficava rico, nem valente. Perdia era o medo de dizer a verdade na cara dos outros. Ao ouvir Chico se pabulando de novo...

— Eu estou ficando é rico, homem!

... Mané Mago olhou bem no fucim do outro, deu mais um gole e soltou essa:

— Rico coisa nenhuma, macho! Tu não tem é nada! Tudo que tu tem vem é dos vazios da tua mulher!

Para quem conhece a linguagem dos antigos, "os vazios" não precisavam de explicação: era por onde os filhos chegavam ao mundo. Naquele caso, também por onde o dinheiro das crias acabava virando vaca. Chico Pinto, porém, não achou graça nenhuma. Ficou enfurecido, puxou uma faca e partiu para cima de Mané Mago.

O problema é que Mané Mago era tão magro que, segundo a tradição oral da região, se tivesse corrido de frente para o vento, chegava do outro lado da estrada antes do próprio corpo. A discussão virou briga, e Mané Mago acabou levando a pior. Depois da confusão, Chico Pinto deixou a região. Vendeu as vacas que havia conseguido juntar e foi embora.

O resultado de toda aquela história: Chico Pinto ficou sem as vacas, Mané Mago deixou a história por contar e seu Pedro, lá do José Walter, ficou sem morador na fazenda.

Desde então, quando alguém em Macacos começa a se gabar de patrimônio, sempre existe o risco de aparecer um Mané Mago da vida e perguntar:

— Mas esse patrimônio veio de onde mesmo, macho?

Naquela época, em Ibaretama, gente fazia menino por amor, por gosto... Chico Pinto fazia pensando na cotação da novilha.

Pra inglês ouvir!

Mundico trabalhou por 10 anos na casa de seu Jorge e dona Candinha, que "traçavam" um inglesinho até mais ou menos. Um dia, interessado em Michael Jackson, perguntou a seu Jorge como era "começar" em inglês e o patrão respondeu: "Begin!" E recomeçar, seu Jorge? "Rebegin". Parar? "Stop".

- E reparar?

- Restop!!!

Fonte: O POVO, de 25/09/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 16 de outubro de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 734

Voltei reanimado

Porandubas está de volta, depois de um bom tempo fora do ar. Recolheu-se, como o profeta Zaratustra, para analisar as curvas da vida e prenunciar os tempos de amanhã. Para não perder o costume volta com uma historinha do coronel Juca Peba, da PB.

O coronel Juca Peba

Desconfiado e matreiro, o coronel Juca Peba não era de muita conversa. Tinha dinheiro, e muito, guardado sob o travesseiro. Até o dia que inauguraram a Agência do Banco do Brasil, em Cajazeiras. A gerente foi procurar o coronel Juca Peba com o argumento:

– Coronel, bote o dinheiro no banco. Vai ser guardado, bem guardado, e vai render juros.

Depois de muita conversa, e muitos cafés no varandão da casa, o coronel, ainda desconfiado, foi ao banco com 100 contos numa bolsa de couro. Tirou devagar o pacote. Contou. Uma, duas, três vezes. Depositou. Matreiro, ficou na espreita, na calçada, olhando, espiando o movimento do banco. Para ver se aquele troço não era tramoia. A desconfiança aumentou. Entrou no banco. Foi ao Caixa. Ordenou:

– Quero os 100 contos que eu botei aqui. Já.

Aflito, o bancário foi buscar o dinheiro. O coronel pegou o maço. Conferiu. Uma, duas, três vezes. E devolveu, sob a expressão juramentada:

– Eu só queria mesmo conferir. Pode guardar.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/354213/porandubas-n-734

sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Crônica: Piquenique no cemitério dos outros... e outros causos

Piquenique no cemitério dos outros...

Claudinha - do Potengi contou-me e eu repasso sem medo de acreditar que não seja a mais cristalina verdade o ocorrido. Primeiro, o contexto da arrumação:

— Dizem que herança une a família. No meu caso, ela quase virou caso de polícia. Tudo começou quando meu esposo e eu resolvemos convencer a mãe dele, também minha tia e hoje com 94 anos, a fazer a partilha dos bens ainda em vida entre os cinco filhos.

Um "goipim d'água", o "fôrgo" recomposto e a amiga prossegue na contação: a herança não era uma fazenda milionária, mas alguns alqueires no interior do Ceará. E bastou tocar no assunto da partilha para ela descobrir que, quanto menor a herança, maior o arranca-rabo. Claudinha expôs que a primeira tentativa de realizar a dita divisão foi desastrosa - discussões, desentendimentos e até ameaças de cacete.

— A situação ficou tão séria que eu e meu marido chegamos a ter medo de andar na rua. Tudo por causa de um pedacinho véi de terra. Nunca imaginei viver uma história dessas.

— Marrapaz! E aí?

— E aí que, depois de muito diálogo, paciência, viagens e insistência, finalmente conseguimos: minha tia fez a partilha. Recebemos o nosso tão esperado quinhão de chão. Respiramos aliviados, pensando que a novela havia acabado. Só pensamos. Dias mais tarde surgiu nova surpresa.

A surpresa? Uma outra tia, dona do terreno vizinho ao da querela citada, decidiu doar parte da área para a construção de um... cemitério!

— Como o terreno do meu marido faz divisa com o dela, pediu justamente a assinatura dele para autorizar o projeto. Na mesma hora, tratei de avisar: — Já que a coisa tomou outro rumo, evite ir praquelas bandas. Conheço bem essas histórias.

— Por que não o Potengi ir ao interior, peitar a realidade? — indaguei com ingênua sinceridade.

— Porque daqui a pouco aparece alguém oferecendo uma cachacinha com nambu assada, ele se anima, assina esse papel e, quando eu der fé, em vez de um sítio cheio de vida, vou encontrar um cemitério nos meus costados.

Entendi, enfim, ouvindo a amiga querida finalizar:

— Briguei muito para conseguir aquele pedacinho de terra por nutrir um sonho simples: plantar algumas árvores, colocar uma rede e ouvir o canto dos passarinhos. Nunca imaginei que precisaria começar uma batalha para tirar um cemitério do alpendre de casa.

O golpista liso

Botaram dinheiro na conta da Maria — tramoia manjada — e pediram que o devolvesse. Tudo pelo zap. Com os dados dela em mão, colocados na tela do celular, a ideia era meter-lhe medo e fazê-la expor dados bancários. Maria descolada imaginou: se eu der cabimento, eles entram na minha conta e fazem a festa. Quanto foi o "depósito deliberadamente indevido" na conta de Maria? 30 reais. A resposta ao falsário foi ácida:

— Ô, seu fulerage! Primeiramente vá se... segundamente: tu vai ficar mais liso 30 reais, porque eu não vou devolver a merreca, não! Inda vou te excluir e te denunciar, abestado!

Aí dentro, my love!

Zezé das Cabras e a mulher Linosa em festa dos patrões, na cozinha de casa trabalhando. Recepção a um casal de ingleses. Patroa leva os gringos até onde cheiro bom da feijoada partia forte. Dirigindo-se à cozinheira, a estrangeira elogia o dicumê em preparo:

— Wonderful, baby! It smells good!

Diante de uma funcionária que não sabia patavina o que estavam falando, Zezé — o craque das Vila dos Industriários, já com duas na cabeça, instrui professoral:

— Amor, manda ver um 'my love' e a galega vai entender direitinho!

— Aí dentro, Zezé! — redarguiu Linosa, experimentando o caldo do feijão na mão.

Fonte: O POVO, de 11/09/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 2 de outubro de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 732

Abro a coluna com a Paraíba.

O médico João Izidro

João Izidro, pai do amigo Carlos Alberto e do psiquiatra-escritor Luís Carlos, era pediatra, clínico geral e sábio. Atendia famílias de todos os recantos dos fundões da Paraíba. Sua clientela incluía Luís Gomes, cidade do Rio Grande do Norte na fronteira com a Paraíba, onde este escriba nasceu e de onde, do alto da serra, contemplava Uiraúna, terra de Luiza Erundina. Um dia, em Cajazeiras, sua cidade, atendeu a uma velhinha que se queixava de "incômodo em todo o corpo". Fez as perguntas tradicionais:

– A senhora tosse?

– Às vezes, sim, às vezes, não.

– A senhora tem dor de cabeça?

– Às vezes, sim, às vezes, não.

– A senhora sente febre?

– Às vezes, sim, às vezes, não.

Paciente, o médico botou os óculos e escreveu a receita:

– Pegue a receita, minha senhora. Pode ir, a senhora vai melhorar.

A velhinha pegou a receita e tascou a pergunta:

– Doutor, e esse remédio, hein, como é que eu tomo?

A resposta do João veio no mesmo tom da voz da velhinha:

– Tome o remédio às vezes, sim, às vezes, não.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/352016/porandubas-n-732


sábado, 26 de setembro de 2026

Causo Médico: ROJO X ROXO

Esse fato aconteceu em uma escola médica, no final dos anos sessenta do século XX. Para acomodar um novo e improvisado professor, talvez admitido por injunções corporativas, acabou o dito cujo por assumir um cargo, como auxiliar de Bioquímica, cabendo-lhe, inicialmente, ministrar aulas práticas aos acadêmicos.

Em uma das práticas, que consistia em demonstrar a presença de fenolftaleína, o professor seguiu, passo a passo, os procedimentos estabelecidos, e pontificou:

– Agora, atentem para o nosso tubo de ensaio. É só aguardar alguns segundos, que o líquido nele contido ficará roxo, confirmando a presença da fenolftaleína.

Passado algum tempo, a substância ficou vermelha, em franca discordância do que o médico enunciara.

– Acho que cometi algum equívoco nas reações. Vamos fazer de novo, e bem devagar, pra não errar. Tá certo, turma!?

– Sim, professor – responderam, em uníssono, os poucos alunos presentes.

A prática foi reiniciada, observando, pausadamente, a sequência das reações, até o docente sentenciar:

– Pronto, meninos! Fizemos tudo direitinho! Esperem um pouquinho que vai ficar bem roxo.

Para decepção de todos, o líquido tomou uma cor vermelha rutilante. O professor pôs uma mão na cabeça, enquanto a outra sustentava o livro, e protesta:

– Não é possível! Eu segui tudo o que estava escrito no livro. Era pra dar roxo. A não ser que eu tenha falhado no manuseio dos produtos.

Os alunos continuavam sem entender o que se passava, e um deles indagou:

– Professor será que os produtos utilizados estão na validade?

– Sim, eles foram comprados na semana passada. Esse kit é novinho! Vamos fazer de outro modo. Dessa vez, eu cuidarei só da leitura e um de vocês vai fazer as reações. Alguém se habilita?

De imediato, um acadêmico apontou para uma colega e sugeriu:

– Professor, a Terezinha tem curso de técnica laboratorial e trabalha em um laboratório de análises clínicas. Acho que é a mais talhada para essa tarefa.

E assim foi feito: o mestre ditava e a experiente técnica realizava os procedimentos. Conclusa a operação, o tão esperado roxo não vingou; de novo, lá estava o vermelho das vezes anteriores.

O docente, mais do que intrigado com o resultado, ficou furioso e atacou:

– Este livro está redondamente errado! Aqui diz claramente que o resultado é roxo! No próximo semestre não vamos mais adotar essa porcaria!

Foi então que um dos estudantes pediu para ver a obra, cuja página com a citada prática estava marcada com um clip e o resultado final devidamente grifado pelo professor.

O aluno não se conteve e caiu na gargalhada ao se deparar que a obra estava escrita em castelhano e o desfecho grifado era: ROJO, um falso amigo para os lusófonos, que se traduz por vermelho na nossa “última flor do Lácio, inculta e bela”.

De fato, nunca o resultado poderia ser roxo ou violeta. Quem ficou roxo de vergonha foi o infeliz e desqualificado mestre, um desconhecedor do “falso amigo” do idioma mais falado na Espanha e na América Latina.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Sobrames/CE e da Academia Cearense de Médicos Escritores

Fonte: SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina, meu humor! Contando causos médicos. 2.ed. Fortaleza: Edição do Autor, 2022. 144p. p.29-30.

* Republicado. In: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Abril de 2025 - Edição n.43. p. 29-30 (online).


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Crônica: Djalma Babau e o "waze ariado" no Acaracuzinho ... e outros causos

Djalma Babau e o "waze ariado" no Acaracuzinho

"Me chamam Djalma Babau e tenho um alerta a fazer. Se o amigo conhece o tal "aplicativo gratuito de navegação por GPS para celulares que usa informações em tempo real compartilhadas pelos próprios motoristas para mostrar o melhor caminho", coidado! Cumpade Zé Barbosa, pouco chegado ao modernismo tecnológico, quase se lasca pela falta de categoria na lida com esse negócio! Vou contar a besteira que sucedeu.

Pouco "uberista", Babau inventou de ensinar ao motorista "a rodagem mais curta" para chegar à casa da filha mais velha, no Acaracuzinho, saindo do Siqueira. Desde que entrou no carro, sem reparar - nas fuças dele - o celular do chofer indicando o caminho traçado pelo programa, pôs-se a narrar o trajeto, empolgado à moda Gomes Farias. Motorista aparente se enfezar com o bodejado. A moça da máquina dizia:

- A quinhentos metros, vire à direita na Rua 116...

- Uma ova que vai virar à direita na 116! 116 é do grupo do leão no jogo do bicho. Sou Ceará. Caminhe mais uma coisinha, minha senhora, e siga até o bar de Nozinho!

Ao invés de explodir com os pitacos de Zé Barbosa, o motorista sabiamente deixar correr frouxo, para ver como ia terminar tudo, onde (não) iam chegar, só pra fazer o mal. Quando Zé deu fé, já divisava uma placa que anunciava: "Bem-vindos a Itapebussu". Sem mais o que dizer, cumpade Zé Barbosa reconhece que melou a vara e, acabrunhado, falou no ouvido do aplicativo:

- Tu tá é ariado, waze véi fulerage!

O "bilôto" que mudou uma vida

Já vi crente ir de joelhos a Canindé pagar promessa pro filho que passou no exame de admissão; esposa que rezou novena e trezena em agradecimento pela cura de doença braba no marido arreado; político que deu quinhentos contos à instituição de caridade por ter sido sufragado nas urnas com 15 votos; moça velha grávida de agradecimento a Santo Antônio pelo namorado que arrumou.

Contudo, a colega Francisca foi muito, muito além em sua imensa gratidão: acendeu 10 velas e orou pra mãe da pessoa que inventou a máquina de lavar. Pela primeira vez alguém fez algo assim. Acostumada e "bater roupa", primeiramente, nas águas corrente do Ereré (córrego que corta Pacajus a oeste), passou, depois, a lavar redes e peças de cama e mesa na lavanderia de casa, com sabão em barra, tacando um cacete de jucá no "espinhaço dos panos".

Toinho, marido da Francisca me mandou vídeo da mulher ajoelhada diante do eletrodoméstico, rezando contrita, rodeada de velas de uma semana. Assim falando:

- Obrigado, seu inventor! Apertando um bilôto, o colega tirou das minhas costas e braços uma tonelada! Se tiver uma rede pra nós lavar, manda! Pro senhor é de grátis! Amém!

Olhos nos ovos

Joseph, bodegueiro famoso de São Romão. Pacato e gentil, dizia-se "remediado", mas que tinha uma riqueza: o filho Peter Joaquim Muller Gregório, seu assistente no sortido estabelecimento. Pra contrabalançar, uma mulher braba feito "siri na latra" - Candinha. E era dezembro, mercearia enfeitada de detalhes natalinos. Chega a vendedora de ovos caipira - Lica, a generosa. 75 unidades numa caixa escura, lacrada. Joseph, de calção num tamborete, deixando aparecer "as partes", derrama-se todo ante a senhora estupefata:

- Lilica! Sempre novona e bonita! E isso aí, na caixa?!?

- São seus ovos, são seus ovos! - responde ela, olhos grelados nas 'ovanças' de Joseph.

Candinha ouve a conversa, de dentro de casa, e grita com o cão nos couros:

- Que raparigagem é essa aí? Hein?

Fazendo valer a autoridade, ordena ao filho Peter Joaquim e ao marido Joseph:

- Almoço tá quase pronto, Quinca! E tu, Zé, traga a farinha do pirão com os meus ovos!!!

Fonte: O POVO, de 28/08/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 18 de setembro de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 730

Abro a coluna com a solidariedade em Petrópolis.

Sou solidário e não pago

Antônio Carlos Portela era um senhor rico e bom. Dava aval a todo o mundo, em Petrópolis. Gostava de política. Gostava demais. Quando chegava a campanha eleitoral, sua maneira de ajudar os amigos era avalizar empréstimos para as despesas de campanha. Certa eleição, avalizou um título para um candidato a deputado, que perdeu feio e ficou em dificuldades de pagar. O gerente do banco, sabendo que não receberia do devedor, foi ao avalista:

– Senhor Portela, o título está vencido. Preciso que o senhor pague. Como avalista, o senhor é solidário.

– Sou, sim. Sou muito amigo dele e estou inteiramente solidário com ele. Se ele não pagou, é porque tem seus motivos. Porque estou solidário, não pago também.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/351366/porandubas-n-730



sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Crônica: Quando um guaxinim era o perigo! ... e outros causos

Quando um guaxinim era o perigo!

O motorista se chamava João, rapaz simpático, boa conversa. Eu, no banco de trás do táxi, lia no celular coisas da modernidade intrigante.

A certo instante, espantado com recente episódio de violência no Rio de Janeiro, quebrei o silêncio, dizendo que nesses tempos difíceis "só a proteção divina para nos guardar".

E João, morador da Vila União do amigo Jair Moraes, conta, em contraponto, quão tranquilo era o ir e vir há mais de 40 anos.

- Morávamos na beirada da Lagoa do Opaia e, jovem ainda, íamos ao Vuac - Vila União Atlético Clube, festa animada pelo conjunto Os Morcegos. De casa pra lá, uns 300 metros.

- "Sem os ladrões atrás", perigo nenhum no caminho, nera?

- Nenhum! Ainda assim, mamãe pedia cautela: "Cuidado com cobra e guaxinim!"

A relação glúten/glúteo

Além da dificuldade de ler que prestasse, a vista não ajudava essas coisas todas; os ouvidos, contudo, alcançavam o que os ói não abarcavam.

Prestes a se aposentar, caladão, Dandão é sujeito atento, determinado a aprender. Entre outras, sabe o que é "glúteo", ouvira por vezes a palavra da boca do patrão, Dr. Osvaldo - "bem saidinho".

"Fazedor de mandado" de Dr. Osvaldo, tinha já 20 anos, era por ele "parido".

- Pense numa pessoa pra eu gostar! Um pai pra mim! Dou a vida por ele!

Em casa, certa feita, Dandão ouve da filha Diana, por primeira vez, uma palavrinha parecida com glúteo - aquela "proteína natural encontrada em cereais como trigo, cevada e centeio".

Que consumida por pessoas com condições específicas, é um perigo - provoca reações adversas, a exemplo da autoimune doença celíaca.

A filha, com considerada alergia ao trigo, toda se coçando, é indagada pelo pai sobre a mazela manifestada.

- É intolerância ao glúten!

- Ao quê, Diana?!?

- Glúten, pai! Não sei como ainda tem gente que gosta...

A filha nem bem pronunciou a frase completa ("Não sei como ainda tem gente que gosta de pão") e Dandão, pensando tratar-se do "grupo de três músculos na parte de trás do quadril", corre e arremata:

- Pois eu sei quem gosta! Dr. Osvaldo dá o maior valor!

Esquecendo o que não lembrava

Mal cheiro medonho - de cocô ultrapassado - no consultório. E o senhor, lá dentro, com pressa pra relatar ao médico uma "incapacidade de criar novas memórias, decorrido algum momento", conhecida por amnésia anterógrada.

Põe-se a contar ao geriatra, que se esforça para manter-se calmo, o que sentia. Profissional incomodado enquanto investiga do que sofria "seu Bené", e poder traçar o melhor plano de cuidados.

O octogenário paciente se faz acompanhar da filha Isaura, cuidadora monossilábica, acostumada já com os senões do pai. Começa Bené a discorrer.

- Doutor, eu como uma pratada de feijão, mas é como eu não tivesse comido nada...

- Isaura, ele comeu ou não essa pratada de feijão? - pergunta o doutor.

- Comeu... - responde seca a protetora.

- E aí, dotozim - prossegue Bené -, bebo uma garapa, mas é como se não tivesse bebido.

- E ele, Isaura, bebeu?

- Bebeu...

Agora, explodindo a catinga do "resto de tudo o que o corpo (de seu Bené) não aproveitara dos alimentos digeridos", é o próprio paciente que revela o que tem:

- Como eu ia dizendo, tá com três dias que eu defeco direto nas calças, mas é como se eu não tivesse obrado...

- Tá explicado! Agora tá explicado!

Fonte: O POVO, de 14/08/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 4 de setembro de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 728

Abro com uma historinha de Frei Damião.

Casamento no Maranhão?

Acompanhemos a pregação do Frei Damião em Cajazeiras, na Paraíba. Com aquela voz que parecia sair das cavernas, perorava contra os amancebados, os luxuriosos, os desonestos, desfilando todos os pecados contra os 10 mandamentos. No meio do sermão, parou e perguntou:

– Quantos aqui são amancebados? Quantos vivem juntos e não casaram?

Centenas de pessoas levantaram a mão. O frei ameaçou:

– Nesse estado de barbárie, todos vocês vão para as profundezas do inferno. E serão queimados vivos. Vivos.

Começou a descrever a terra incandescente. E arrematou: "amanhã, quero todos os amancebados, aqui, para um casamento coletivo". Dia seguinte, lá estava a multidão. Começou a cerimônia. Frei Damião limpa o suor e joga a pergunta que ferveu na alma de muitos:

– Quem tiver algum impedimento contra esses sagrados matrimônios, que fale, agora, ou se cale para sempre.

Silêncio. De repente, vê-se, no meio da multidão, o braço no ar de Terezinha das Mercês, devota fervorosa de Senhora da Anunciação:

– Raimundinho de Doca num pode se casar, pois ele já é casado no Maranhão.

Perplexidade geral. Raimundinho, o açougueiro, toma um susto. Silêncio. Frei Damião, curioso, sai do púlpito. Multidão em transe. A companheira de Raimundinho, envergonhada, não sabe o que fazer. E muito menos o que dizer. O homem das carnes, encabulado, grita alto para todos ouvirem:

– Foi no Maranhão, no Maranhão. Faz muito tempo. É muito longe daqui. Muito longe, Frei Damião. E adepois, fui a Juazeiro para tomar as benção do padim Ciço.

O "santo italiano" do sertão nordestino baixou a cabeça. Chamou Raimundinho para perto e cochichou a penitência no ouvido:

– 100 terços e abstinência por 7 dias. Se não cumprir a ordem, os dois queimarão vivos no inferno.

Deu meia volta. Tomou lugar no púlpito. Milagre. O durão Frei Damião abençoou a todos.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/350256/porandubas-n-728


domingo, 30 de agosto de 2026

Causo Médico: A EQUIPE DE DISSECAÇÃO MATRIARCAL

Mesmo tendo decorrido mais de meio século, também temos boas recordações dos saudosos tempos da disciplina de Anatomia Humana, que bem merecem ser compartilhadas.

Valemo-nos aqui para trazer uma lembrança de nossa equipe de dissecação ao tempo em cursávamos a disciplina de Anatomia Humana do Curso de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 1973.1. Éramos Maria Edsoni Guerra Bezerra, Myria do Egyto Vieira de Sousa, Marcos Sandro Fernandes de Vasconcelos, Marcus Davis Machado Braga e Marcelo Gurgel Carlos da Silva.

Formávamos uma equipe que se diferenciava das demais, pois era a única “matriarcal”: as duas acadêmicas dissecavam o cadáver enquanto os rapazes davam o “apoio moral”, somente cuidando da leitura do livro-texto do Gardner e da visualização do Atlas de Anatomia do Gardner, cabendo as duas, seguindo o manual da dissecção, manejar pinças, bisturis e tesouras.

Recordamos que houve um dia em que as colegas Edsoni e Myria, talvez se sentindo exploradas pelos seus companheiros de equipe, decidiram cruzar os braços para que assumíssemos a dissecação, desprezando a nossa tentativa de convencimento de que elas gozariam da regalia do treinamento que “grosso modo” seria sonegada às acadêmicas de outras equipes.

Foi um horror para os três marmanjos, que pouco rendiam na exploração do corpo humano inerte, o que fez com que as duas estudantes se apiedassem dos viris mancebos e retomassem à prática de desbravar o estudo que nos foi legado por Andreas Vesalius, um seguidor de Aulus Cornelius Celsus, autor De Re Medica, após um longo período de obscurantismo da história da humanidade em que se vedava o exame dos corpos de pessoas falecidas.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Sócio jubilado da Associação Médica Cearense

* Extraído de SILVA, Marcelo Gurgel Carlos da. Medicina da UFC 1977-2022: 45 anos de formatura da Turma Prof. José Carlos Ribeiro. Fortaleza: Edição do autor, 2022. 160p. p.90.

* Republicado In: SILVA, M.G.C. da. Causo médico: a equipe de dissecação matriarcal. Revista AMC (Associação Médica Cearense). Fevereiro de 2025 - Edição n.41. p.6-7. (online).


sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Crônica: A colega doutora ... e outros causos

A colega doutora

Gente boa o Neto, homem de bem com quem é bom estar. Servidor e simpático, sóbrio é esse sujeito maravilhoso; lasca quando toma umas pôde a mais, aí é boneco federal, o que não inibe em absoluto a percepção que dele temos acerca do reconhecido valor humano. Sucede que o amigo, de poucas letras, aprontou de novo e foi chamado a responder processo, aberto pela própria esposa em momento de justificável aperreio.

E já está ele diante da juíza - audiência remota. A competente advogada dá as devidas orientações, no sentido de seu cliente tratar com "respeito e educação a digníssima juíza". Que use termos condizentes, mantenha a calma e responda apenas o que for perguntado. Mas vemos um Neto tenso, em risco de baldear o juízo e botar a causa a perder.

A advogada, cautelosa, reforça:

— Ao dirigir-se à meritíssima juíza, chame-a de doutora! Ou de excelência! Ouviu, Neto?

— Na hora, dona Maria!

Final da audiência e a douta juíza prolata:

— Sr. Francisco Neto, pelo que vejo, o senhor, réu primário, não é pessoa má, apenas mais uma vítima do álcool. Por isso, sua pena será a prestação de serviços comunitários.

— Obrigado, colega!!! Maravilha, colega!!!

Juíza ouviu os "colegas" e se riu, entendendo o contexto. Pediu maternal:

— Aproveite (o serviço comunitário) que é numa escola e estude. Seja decente e brilhe!

— Eita, dotorinha! A senhora é só o mí disbuiado!

Ô, taria!

Clarice é esperta. Cinco aninhos e, ouvidos atentos, sabe muito bem o que dizem em derredor, escutando com perfeição a coisa proferida. Estamos na casa da avó Dijé que, na sala, assiste às arrumações do marido-vovô em brincadeiras ingênuas com a netinharada ("calango na parede", "João atrepa", "carrapicho"). Lá pelas tantas, Dijé solta a forma foneticamente reduzida da palavra que, em seu uso informal, é utilizada para descrever bagunça, injustiça, diversão, fulerage, cachorrada...

— Ô taria!!!

Clarice, vigilante, vai até onde está Dijé e, professoral, corrige.

— Vó!!! Não é "taria"! É putaria! Aprende!

Fé muita, fé demais!

Primeiro ano de namoro do casal e Leléo leva Madinha pra passar final de semana na casa dos pais. Domingo bem cedo, é praxe, o jovem sai para o grupo de oração. Madinha fica, entabulando boa conversa com a cunhada. 10 horas da manhã e a moça sente cólicas - vontade urgente e súbita de evacuar. Corre em busca do banheiro. De lá, liga encabulada pro namorado; ele, absorto no culto, "pedindo, agradecendo e louvando o Senhor", não ouve a chamada. Uma, duas, três tentativas... Até que deu certo.

— Oi, amor! Jesus contigo!

— Para, Leléo! O negócio aqui fedeu! Fala baixo! Não volte pra casa sem um...

— ... sem um bocado de louvores abençoados pra te embalar, nunquinha!!!

— Não, Leléo! Não volte sem um desentupidor, o sanitário entalou! Tô no banheiro da sala, traga sem fazer enxame!

Largando vexado o culto, ele compra o desentupidor e, provando que o Senhor lhe tocou o coração, um buquê de rosas. Em casa, Evangelho de João palpitando ainda, entrega a "ferramenta de limpeza de desobstruir vasos sanitários" e as flores, murmurando discreto, na porta entreaberta do banheiro.

— Madinha, na casa de meu Pai há muitas moradas!

— É? Então por que justamente na sua a privada enguiçou? Hein? Me fala!

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 21 de agosto de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 727

Abro a coluna com uma historinha de Pernambuco.

Perspectivas e características

Quais as perspectivas que se apresentam ao Brasil nesse contexto de crise entre os Poderes? Confesso que não sei responder. Mas uma historinha de Pernambuco pode nos apresentar as perspectivas.

Luís Pereira, pintor de parede, dormiu com 200 votos e acordou como deputado Federal. Era suplente de Francisco Julião, líder das Ligas Camponesas, em Pernambuco, cassado pela ditadura. Chegou a Brasília de roupa nova e coração vibrando de alegria. Murilo Melo Filho melou o jogo, logo no aeroporto, com a pergunta abrupta:

– Deputado, como vai a situação?

Confuso, nervoso, surpreso, sem saber o que dizer, querendo causar boa impressão tascou:

– As perspectivas são piores do que as características.

Pois é, a esta altura, tem muito deputado imitando Luís Pereira e traçando o panorama do amanhã.

Começo minha análise política com o poema do beco, de Manuel Bandeira.

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?

-O que vejo é o beco.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/349574/porandubas-n-727


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Crônica: O lambedor ... e outros causos

O lambedor

A amiga Baixinha é conhecida internacionalmente no Jardim das Oliveiras por preparar o mais potente lambedor que se tem notícia no Ceará, de verdade. Orgulhosa de seu lambedor caseiro (xarope à base de agrião, malva-santa, "pepaconha", mastruz e demais ervas medicinais cozidas com mel, em alquimia que só ela sabe a receita), a querida Baixinha se gaba de já haver curado muita alergia e coqueluche pelaí.

- Meu lambedor já chegou à Inglaterra! Curou tosse braba de muito gringo! Sem falar de gente daqui do Brasil! Nada de gororoba de farmácia, meu lambedor é naturalmente milagrento!

Essa notícia maravilhosa me remeteu a um tio segundo - tio Manezinho, de meu pai, morador da Barra do Ceará. Ele tinha um cachorro pé duro com esse nome - "Lambedor". Estivemos na casa dele, ao lado do campo do Ferrim, num sábado à tarde, e enfim entendemos o porquê de tão doce e curativo nome - do cachorro. Lá estava o tio de papai refestelado na cadeira de palhinha e, deitado aos seus pés, o dito cachorro, diligente. Lambia-lhe solene, com gosto de gás, a ferida braba de sua canela, ao tempo em que espantava tudo que era mosquito em redor. Papai, horrorizado, deu um pulo e gritou:

- Tí Manezim, o Lambedor!!!!!!

- Peça uma colherada na cozinha à sua tia!

Português nós sabe...

Das Chagas, me confidenciou Paulo Marcelo (O Bigode), queria porque queria estudar Espanhol nas Casas de Cultura Estrangeira da UFC. E fez uma redação à direção, explicando os motivos da escolha do idioma castelhano de Cervantes. Passada uma semana, pegou o Campus do Pici/Unifor e foi bater no Benfica, pra saber o resultado de seu requerimento. Lá chegando, guiando-se pelo waze, a placa dizia em letras garrafais: "Casa de Cultura Hispânica".

Lendo aquilo, deu meia volta, decepcionado. Em casa, já, a mulher indaga de um marido claramente chateado com o que houve. Ele...

- Cacei, cacei e cacei hispanha e hispanhol e num vi nada disso por lá. Nããã!

O querido amigo é o mesmo que, certa vez, perguntado sobre a árvore "seringueira", respondeu que era a que dava "seringuela'.

Para admissão imediata

O empreendedor Jota Crocodilo (exportador de dindin light) está precisando dos seguintes profissionais - levar referências:

- Secador de cueca na base do assopro.

- Caçador de cururu escovado em beira de lagoa.

- Narrador de enterro de sogro enjoado.

- Descamador de peixe com as unhas.

- Animador de briga de galo.

- Comentarista de enterro.

- Analista de cururu enfezado.

- Instrutor de fie duma égua.

- Professor de natação em bacia.

- Decorador de cerca de arame farpado.

- Manicure de quiromante...

Novo cearensês

Água quebrada a frieza - Água tépida, no ponto exato de dar um banho - em criança.

Precisa só dum pezinho... - Basta um empurrão pruma briga, carece de pouca coisa para começar - a confusão, a briga...

Tirar a suja - Dar uma desculpa esfarrapada.

De testa - Frente a frente, misturando os bigodes.

Fonte: O POVO, de 17/07/2026. Coluna “Crônicas”, de Tarcísio Matos. p.2.


sexta-feira, 7 de agosto de 2026

FOLCLORE POLÍTICO: Porandubas 726

Abro a coluna com uma fábula.

Em cinco anos, tudo pode ocorrer

Um poderoso sultão, sábio entre os sábios, possuía um camelo muito inteligente. Obedecia a todas as ordens que nem precisavam ser emitidas de viva voz. Faltava-lhe apenas o dom da palavra. Esse detalhe entristecia sobremaneira o sultão. Um dia, decidiu convocar o Grande Conselho e chamou o grão-vizir.

- Quero que ensine meu camelo a falar!

- Mas isso é impossível.

- Cortem a cabeça dele! Tragam-me o adjunto!

Mesma afirmação de desejo sultanesco, mesma resposta, mesma sentença. A cena repetiu-se diversas vezes e cabeças rolaram. Exasperado o sultão declarou.

- Aquele que ensinar meu camelo a falar será meu grão-vizir.

Silêncio! O sultão repetiu a exortação. Eis que surgiu um humilde ajudante de cozinheiro. Disse:

-Dá-me, ó incomparável senhor, um prazo de cinco anos, e farei falar teu camelo.

Estupefação geral. Seguida do cumprimento da promessa.

-Doravante, és meu grão-vizir! Mas se falhares, sabes o que te espera!

- Bem sei!

Encantado, o jovem fez profunda reverência e saiu correndo para dar a boa notícia à esposa.

- Infeliz, acabas de assinar tua condenação.

- Não é bem assim, meu bem. Pedi cinco anos. Você sabe que muitas coisas poderão acontecer em cinco anos: morre o camelo, morre o sultão...

(Fábula enviada pelo atento Alexandru Solomon). Nada a ver com as próximas eleições.

Fonte: Gaudêncio Torquato (GT Marketing Comunicação).

https://www.migalhas.com.br/coluna/porandubas-politicas/349194/porandubas-n-726


 

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