Lêda Maria Souto (*)
Pais queridos, unam-se aos filhos. Não
abram vagas para que outros ocupem seus mundos ainda grifados pela pureza
Recordando que o tempo é superior ao
espaço e que o caminhar bem, neste tempo, traz auxílios para a nossa sempre
indecisa aprendizagem, principalmente às questões de amor entre pais e filhos,
escolhemos usar este momento para uma reflexão.
A família - quem duvida? - é um
local da catequese dos filhos. E os filhos são herança do Senhor, graça, quer
os gerados pelo ventre materno, quer os filhos adotados e os adotivos que
chegam quando um dos pais assume nova relação e nela encontram alguém que os
aceita e deles espera a compreensão, o sinal verde para uma boa convivência e
também o doce embalo para todos juntos partilharem seu amor, amor que é um
sinal de plenitude da família na continuidade da mesma história de salvação.
A evolução do mundo não pode tirar
de você, papai, e de ninguém a integridade e o amor. O ser solidário, o pai
amoroso tem o rosto iluminado, os olhos brilhantes, os cabelos macios. De sua
boca deve brotar, sempre, o cântico do afeto entoado entre as estações da vida.
E os filhos precisam disso, precisam sentir em todas as idades que os pais são
a estrela guia, a coluna da sustentação para seus braços, a nívea floração.
Que os pais nunca estejam ocupados
para auxiliar os filhos. Para rezar com os filhos. Para suportar suas dúvidas e
crises, construindo para o amanhã um farol que ilumina e orientará, mesmo
distante, a liberdade acolhedora de seu amor. O casal que ama e gera a vida é a
verdadeira escultura viva, capaz de manifestar o Deus criador e salvador. Por
isso, o amor fecundo chega a ser o símbolo das realidades íntimas de Deus. Hoje
estamos empobrecidos de alegrias, de paz, de boas relações.
Os pais olham os filhos com medo,
porque as transformações da sociedade estão a provocá-los na sua juventude,
acenando para o mal. Daí a necessidade de outro cenário, em que o abrigo
familiar deve amadurecer a relação como a árvore que não apressa a sua seiva e
enfrenta tranquila as tempestades. E a paciência é tudo. A força poética e o
diálogo atraem a bem-aventurança, tendo seus próprios ritmos e fazendo jorrar a
água como de uma montanha. Dialogar, dialogar. Esta é a água para curar os
atritos entre pais e filhos.
Pais queridos, unam-se aos filhos.
Não abram vagas para que outros ocupem seus mundos ainda grifados pela pureza.
Desde criancinhas eles devem ser ajudados, observados, velados. Em todas as
idades, os filhos necessitam da presença divina dos pais, que têm o dever de
cumprir com seriedade e mansidão a sua missão educativa, como ensinam
frequentemente os sábios da Bíblia. E os filhos são chamados a receber e
praticar o mandamento “honra teu pai e tua mãe” (Ex. 20,12).
Que os ensinamentos religiosos, as
boas lições, a ternura e o olhar de fé, trocados entre pais e filhos fortaleçam
a educação, o respeito, as atenções e o desvendar de toda a beleza do
amanhecer, transformando-se em força geradora de boas mudanças, de
colaboradores com as transformações construtivas. O bem da família, não
esqueçam, papais homenageados, é decisivo para o futuro do mundo.
Lembrem-se do amor, como acontece
nas redes sociais não pode ser conectado ou desconectado ao gosto do usuário e
inclusive bloqueado rapidamente. A ausência do pai - física, afetiva, cognitiva
e espiritual - marca gravemente a vida familiar, a educação dos filhos e a sua
inserção na sociedade. Que o Dia dos Pais seja um dia de louvores e de
reflexão.
(*) Escritora e jornalista do O POVO.
Fonte: O Povo, de 13/08/2016, Opinião
p.11.
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