Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Família. Mostrar todas as postagens

domingo, 23 de agosto de 2026

Melissa Gurgel, professora titular da FEQ/Unicamp

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Minha sobrinha Melissa Gurgel Adeodato Vieira, filha dos jornalistas aposentados Márcia Gurgel e Adeodato Junior, foi aprovada em primeiro lugar como professora titular da Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (FEQ/UNICAMP). Ela já desempenha o cargo de professora desde 2010 na própria universidade.

Aos 47 anos de idade, atinge o ápice de sua carreira acadêmica, cujo currículo já apresenta mestrado e doutorado em Engenharia Química e três pós-doutorados, sendo um destes em Stuttgart, na Alemanha.

Desde 2023, ela compõe a lista de pesquisadores cientistas mais influentes no Mundo, segundo ranking elaborado pela editora científica Elsevier.

Ela está seguindo os brilhantes passos da minha irmã Meuris Gurgel, professora titular atualmente aposentada da Unicamp.

Postagens sobre Melissa no blog "Linha do Tempo":

2009 MELISSA APROVADA

2010 O COBEQ DE 2010

2016 MEURIS E MELISSA, ORIENTADORAS DE TESE DE MESTRADO

2023 NO RANKING DOS PESQUISADORES INFLUENTES

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Linha do Tempo em 31/08/2025.

https://gurgel-carlos.blogspot.com/2026/08/melissa-gurgel-professora-titular-da.html


terça-feira, 18 de agosto de 2026

MEU AMADO PAI

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Como seguirei sem ouvir a sua voz, sem ouvir a sua risada maravilhosa, sem ouvir o senhor dizer que a casa estava mais bonita quando eu dormia com vocês? Como será não ouvir o senhor perguntar: "Cadê os meninos, minha filha?"? Como será escrever sem ter o meu maior admirador para fazer os comentários amorosos, hiperbólicos e suspeitíssimos - afinal, eram seus, papai? Como seguirei sem o meu melhor amigo, que segurou a minha mão quando eu não tive condições de me sustentar? Como será viver sem o seu olhar e o seu sorriso apaixonados por mim, pai? Como será não ouvir o senhor dizer: "O vovô é axaponado pela Maína"?

Pai, me falta um pedaço. Já não sou mais a mesma. Ao mesmo tempo, algo se expande. Suas raízes se aprofundam em mim. É algo inominável, mas talvez as palavras de Drummond se aproximem do que eu sinto: "A ausência é um estar em mim, e essa ausência assimilada ninguém a rouba mais de mim".

Pai, agradeço a Deus por ter dormido na sua casa na sua última noite. Quando cheguei, conversamos sobre o meu aniversário, que se aproxima, e eu lhe disse: "Vou fazer 45 anos, pai". E o senhor me respondeu: "É muito tempo, minha filha. Mais que o dobro da idade que eu tinha quando perdi o papai".

Ao acordar, dei-lhe um beijo de bom-dia, e o senhor me disse, pela última vez: "A casa está mais bonita!" Depois, voltou-se para a mamãe e perguntou: "Guidinha, quer casar comigo?" Sorri e perguntei: "Quer renovar os votos, pai?" E o senhor respondeu, brincando: "Não. Quero casar de novo com ela".

Lembra do passarinho que vi de longe e mostrei ao senhor, pai? Outro dia, enviei-lhe um vídeo de um bem-te-vi cantando na minha casa, e o senhor me escreveu: "Ele deve estar falando uma coisa muito boa, minha filha". Agora, pai, sempre que um passarinho cantar, vou sentir que é o senhor me falando coisas boas.

Lembra que eu lhe contei que o meu dia anterior tinha sido muito bonito? Que eu tinha ido à Praia de Iracema ver o pôr do sol e senti tanta vontade de tomar banho de mar - porque foi o senhor, pai, quem me ensinou a amar o mar - que entrei de roupa e tudo, e o senhor sorriu? Mostrei também ao senhor a foto de uma criança brincando, e o senhor repetiu uma frase que dizia tantas vezes: "Criança é uma maravilha!"

No seu último dia, pai, o vento soprava forte. Lembra que o senhor dizia: "Dizem que, quando a gente sente o vento no rosto, é Deus nos acariciando." Ele o acariciou, papai.

Lembra que ouvimos juntos "Todo Sentimento", do Chico?

O senhor descansou nos meus braços, papai, que tenham sido o colo do amor mais profundo que uma filha pode oferecer a um pai.

Depois de te perder

Te encontro, com certeza

Talvez num tempo da delicadeza

Onde não diremos nada

Nada aconteceu

Apenas seguirei, como encantada ao lado teu

Da sua sempre, Ticinha

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/07/2026. Opinião. p.17.


domingo, 9 de agosto de 2026

PAI QUERIDO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Pai querido,

Eu venho te agradecer

Pela vida e pelo amor,

Que me deste,

Desde o nascer.

 

Pelos exemplos de fé

De resistência aos atropelos

De resiliência nas quedas

Que, no silêncio, me deste.

 

Para mim foste perfeito,

Mesmo nas tuas imperfeições.

Quanto trabalho eu te dei,

E tu nunca me deixaste na mão.

 

Perdão pelos dissabores que te dei,

Gratidão pelo teu amor e carinho,

Pelos conselhos, correções e castigos

Com eles aprendi, cresci e amadureci

 

Eu te vejo em celeste dimensão,

No céu, com Maria, mãe de Jesus,

Ao lado de muitas outras Marias,

Uma delas é minha mãe querida.

 

Por ti, Papai, elevo

Uma ardente prece de amor.

Sê feliz e abençoa-me

Até um dia juntos pra sempre.

 

Com esta mensagem, abraçando meu pai, que já partiu, saúdo todos os pais, tanto os vivos como os que se transmudaram para os páramos da eternidade, onde todos nos encontraremos um dia.

Pedro Bezerra de Araújo

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 9/08/26.


domingo, 24 de maio de 2026

UMA SINGELA REFLEXÃO

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Os pais, geralmente, intentam propiciar aos seus filhos todo conforto possível, mesmo os mais humildes e conforme suas possibilidades.

O filhote humano, ao nascer, é, dentre todas as criaturas, o mais desprotegido e, portanto, necessitado de mais cuidados.

O carinho e o afeto são laços, que nunca se devem romper, nem se confundir com o respeito, a gratidão, o amparo e, sobretudo, a autodeterminação. Filhos não são pajens, nem reféns da família. Devem ser educados para a realidade da vida, nos seus contraditórios, nas suas avenidas, como nas suas picadas.

O ninho familiar, por mais aconchegante que seja, não pode esconder os espinhos da jornada, que deverá encetar, sob a justificativa de proteção. O conforto eterno paralisa o dinamismo mental e o aconchego excessivo acomoda e congela a definição de rumos, a inserção social e a busca de sonhos: assim, os filhos nunca partirão para construir sua autonomia.

Lembro-me aqui do que fazem as águias. Aos seus filhotes nada falta, mas, quando ‘adolescem’, o ninho é desfeito e eles são impelidos a iniciarem seus voos. É o desconforto que os impulsiona a assumirem o poder de suas asas, que os obriga a crescer e a buscar seus sonhos.

O dever é carregá-los na sua pequenez, todavia, mais tarde, é fazê-los sentir a firmeza de seus pés e a pujança de seus sonhos, bem como ajudá-los a descobrir que podem e devem administrar sua vida: seu crescer não pode ser apenas físico, mas conjuntural, no holismo, que a vida abrange: social, econômico, ético, moral, espiritual.

Conforto demais é prisão e não amor. Mantém eternos bebês, quando o mundo precisa de homens e mulheres de escol e de fé.

O bem viver atrela-se, prioritariamente, a escolhas do querer e à determinação da mente, que jamais serão substabelecidas.

Um bom domingo, com as bênçãos de Deus!!!

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 12/04/26.

domingo, 10 de maio de 2026

Mãe, esteio da vida

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Nas caladas do tempo, a escalada da vida. E com ela todo o universo vibra, enquanto um ser salta do ventre de uma mulher para lançar-se à maior epopeia da vida.

Esta mulher, mãe de todo vivente, traz o nome sagrado de mãe; ela partilha suas energias, sua essência de humana raça para que um outro humano se faça e se desenvolva de suas entranhas.

A história da maternidade vem atravessando tempos e culturas e sempre com a significação da força da resiliência, da superação e do amor incondicional, bem como sem isenção de dores e sofrimentos.

A natureza outorgou à mulher o poder e a dignidade não apenas da procriação, numa invejável colaboração com o Criador, mas de fundamental valor e inigualável, na convivência da humanidade. Nenhum outro ser humano tem tamanha pujança da mulher, nem jamais a suplantará, no carinho, na dedicação, na maneira de encarar o mundo e ver a realidade.

Mãe não se atrela a nenhum estereótipo, nem se fecha em nenhuma ideologia, nem também se circunscreve a opiniões contraditórias e tentativas ‘fugidias’ da própria natureza da mulher.

Na esteira da história, a mãe é considerada o pilar do filho e este, conforme afirma Sófocles, é a âncora da vida da mãe. Não apenas a mãe biológica, mas aquela que adota e que se dedica a filhos não, biologicamente, seus.

A maternidade vai além da dimensão biológica, ela vem moldando valores e princípios, subjetividade e compreensão da família, da sociedade, do mundo, a iniciar no colo da mãe. A mãe não é a rainha do lar, ela é, de fato e de direito, a Rainha da vida.

A hodiernidade, metida em avanços científicos e tecnológicos, muitos capitaneados por mulheres-mães, tem cultuado uma visão um tanto esdrúxula e, mesmo, improcedente da maternidade, negligenciando e/ou negando suas características intrínsecas ao ser-mulher. Não é a ‘existência’ mulher, que deve se adequar ao sistema, todavia, é o sistema que deve abrir espaço para que a mulher possa se realizar, em conformidade com o seu desiderato de livre arbítrio – maternidade ou não –, sem abdicar de sonhos profissionais e afins.

Por que a maternidade causa impacto no mercado de trabalho? Por que desconsiderar mulheres-mães, em muitas atividades laborais?

Ora, uma sociedade, que não privilegia a maternidade, escanteia toda uma geração do desenvolvimento psicológico, ético, moral e espiritual, pois é no aconchego materno que começa a educação da criança. A essa altura, cabe o enunciado de Pitágoras, ao dizer que educar as crianças é necessário para não punir os adultos, ou seja, para que a sociedade tenha adultos éticos, honestos e justos.

Freud argumenta que a mãe é o primeiro objeto de amor e desejo do bebê e o mais fundamental. E isto é imprescindível na formação do ego e na estruturação psíquica, pois, este primeiro vínculo ‘esculpe’ todas as relações futuras do indivíduo. Daí que a maternidade deve ser celebrada e não mitigada pelo mercado de trabalho e pelas instituições. Injuriar a maternidade não é apenas agredir a natureza, senão, também, tentar justificar o injustificável.

É a mãe que dá as primeiras matrizes sociais, psicológicas, espirituais ao seu filho. É a mãe que mostra a seu filho como reagir, mesmo, aos instintos naturais de medo, tristeza, mágoa e outros. É a mãe que testemunha ao filho como cuidar de si e como cuidar dos outros.

Certa vez, entrou no meu consultório uma família para consultar seu filho de três aninhos; após a consulta, o marido ficou um instante comigo e segredou-me: ‘eu tenho inveja de minha mulher que está grávida, como gostaria de sentir o bebê, como ela o sente no seu ventre, mas me conformo em auscultar seus movimentos através do ventre de minha esposa’.

Ser mãe é privilégio único e absoluto da mulher, partilhando do dom da criação, da doação e de um amor tão forte e ardente.

Nesta efeméride, em que se elogiam as mães, relembro o exemplo de Maria, mãe de Jesus, que lhe ensinou valores humanos e virtudes espirituais, com dedicação, carinho e amor. Relembro, também, as mães solo e as mães trabalhadoras, que suportam dificuldades financeiras, tão vulneráveis a preconceitos e intolerâncias. Saúdo ainda as mães empreendedoras, que sabem equilibrar sua vida pessoal, profissional e o cuidado e a atenção aos filhos.

Enfim, um convite a todos os filhos e filhas para respeitarem e cuidarem de quem os gerou e cuidou e ainda cuida, pois, a mãe nunca esquece os filhos.

E que a sociedade aprenda a respeitar a dignidade das mães.

Nós somos o legado de nossas mães, que se estende por gerações, e é reconhecido como pilar de amor e sabedoria na família.

A todas as mães vivas e falecidas, de todas as raças e de todas as cores, de todas as espiritualidades e de todos os credos, de todos os níveis, mães biológicas e mães de amor e acolhimento, o meu mais profundo amplexo oracional e a eterna gratidão de todos nós 'humanos'. Vós sois a alma do mundo, a alavanca da dignidade e o esteio da vida. Nós   filhos e filhas, ajoelhados, vos veneramos e benditos os que vos reconhecem, vos amam e vos cuidam, com respeito, atenção e carinho, todos os dias de vossa vida.

(*) Pediatra e professor da Uece aposentado. Enviado por WhatsApp em 10/05/26.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

ERA UMA VEZ UM VIOLINO

Por Sofia Lerche Vieira (*)

Era uma vez um violino que viajou por muitos lugares devido às constantes mudanças da família de um oficial do Exército. Quando menino, o Pai havia estudado o instrumento que, então, fazia parte da educação musical de crianças. Aos nove anos, as aulas cessaram. O aspirante a violinista foi matriculado no Colégio Militar de Fortaleza, onde a instrução militar prevalecia. Adulto, vez por outra, ele evocava com certa melancolia suas lembranças de tocar: "Taí, eu fiz tudo pra você gostar de mim" ... O violino silencioso permaneceu na família.

Nenhum dos filhos expressou qualquer vocação musical. A mãe até que tentou, introduzindo as crianças a sessões de piano e acordeom. Apesar do esforço, não funcionou.

Para encurtar uma história longa, o violino bolou por aí uma vida. Quando o Pai faleceu aos 101 anos e sua casa foi desfeita, o violino foi achado quebrado, sem cordas e com o arco em pedaços. Os filhos decidiram que quem herdaria o instrumento seria a filha caçula por ter uma neta que começou a aprender violino muito pequena. Entre optar por fazer do violino um enfeite ou devolver-lhe vida, a decisão dela foi por tentar restaurar.

Depois de muito perguntar por Fortaleza e muita gente se envolver na procura, foi localizado um luthier, em Aquiraz, segundo as indicações, o único capaz de restaurar o violino sem vida. Depois de idas e vindas, a opinião predominante era de que o esforço financeiro e de tempo de restauro (4-5 meses) talvez não compensasse. Mas, convencida do contrário, a filha mais nova optou por um ato de preservação da memória do Pai e de aposta no futuro.

O processo de restauro é lento e meticuloso. O luthier se revelou a pessoa certa na hora certa. Passados meses de trabalho incansável, eis que o violino foi transmutado em presente de Natal para a neta aprendiz de violino, hoje com oito anos. Se ela vai, ou não, praticar no instrumento do bisavô, ainda é cedo para afirmar. Certo é que recuperar o velho violino comoveu a família. Se nossos amores se vão, de algum modo, o legado das coisas que ficam é um talismã para os dias que virão. Feliz Ano Novo!

(*) Professora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Uece e consultora da FGV-RJ.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 29/12/25. Opinião. p.16.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Natal dos descendentes de Almerinda Gurgel & Paulo Coêlho em 2025

Por Marcelo Gurgel Carlos da Silva (*)

Parte dos descendentes do casal Almerinda Gurgel Valente & Paulo Pimenta Coêlho, representados pelo filho Edmar Gurgel, por muitos netos, alguns bisnetos e até trinetos, se fez presente no encontro natalino de nossa família.

Esse encontro, liderado pelo primo Sílvio, filho do tio Edmar, aconteceu no Espaço MGM, localizado no bairro de Fátima, das 16h às 20h de ontem, dia 14/12/25, reunindo cerca de setenta pessoas.

Dos filhos de Elda, faltaram apenas o Sérgio, retido em Juazeiro do Norte, e o Paulo, que por motivos superiores não puderam se fazer presentes.

Ao som de Tiago Sampaio, um bom cantor, acompanhado de violão e de teclado, e por vezes entremeado por interpretações do Paulinho, filho do primo Paulo César, passamos uma tarde-noite muito agravável, saboreando as apetitosas guloseimas cuidadosamente feitas pela prima Solange Gurgel, gerando um tempo de encanto e de descontração dos parentes da família Gurgel.

O ponto alto da festao foi a apresentação da brochura “O LEGADO DE ELMA: uma família, uma história”, organizada por Maria Goretti e Eleazar Ribeiro, filha e genro da tia Elma, contendo mensagens dos filhos, netos e de outros familiares da homenageada, falecida em 27/08/2022, seguida da projeção de slides com fotografias selecionadas pelo casal Goretti e Eleazar.

A família da tia Elma doou vinte exemplares dessa obra aos primos do lado materno participantes do evento.

Ao final do encontro foram sorteados, entre os adultos presentes, vinte exemplares dos seguintes títulos de livros: “Cum Laude”, “Fora de Forma: contando causos da caserna”, “Selecta Literária” e “Fortaleza: de encantos e (des)encantos”, cedidos gentilmente por Marcelo Gurgel.

Não houve tempo para repetir a projeção do audiovisual, produzido pelo nosso primo Renato, com base no acervo de fotografias pertencentes aos descendentes de Elda e Edmar Gurgel, que se comprometeu de o compartilhar nos grupos de WhatsApp da família Gurgel.

Após a apresentação dos slides e a distribuição dos livros, os participantes se posicionaram para uma fotografia oficial panorâmica, para servir de registro iconográfico da confraternização do nosso clã de 2025.

A data do encontro do próximo ano não foi, previamente, agendada, mas nele se pretende render homenagens aos nossos queridos tios Edson e Edmar.

(*) Memorialista da família Gurgel-Carlos em Fortaleza


quinta-feira, 20 de novembro de 2025

LUIZ CARLOS DA SILVA: 25 anos de saudades

 

Em 20/11/2000, o advogado, professor e contador Luiz Carlos da Silva, aos 82 anos de idade, deixou esse mundo menor e voltou à Casa do Pai.

Agora se completam 25 anos da sua partida e, por todo esse período, seus filhos e netos depositaram suas lembranças, de forma concreta, em dois livros em sua homenagem: um, para marcar os 90 anos, se vivo fosse; e outro, para celebrar o seu centenário de nascimento.

A sua consorte Elda Gurgel e Silva, da duradoura união de mais de 53 anos, apenas desfeita por seu falecimento, após 21 anos de viuvez, partiu em 9/04/2022 para reencontrá-lo, espiritualmente, nos páramos celestiais. Enquanto viúva, ela foi muito amada e vivenciou a condição de matriarca pela prole numerosa, que gravitava em seu entorno, e postumamente a reverenciou em um livro.

Nossos genitores não constituíram um patrimônio familiar, disposto em bens físicos ou materiais, que amiúde aportam escaramuças entre herdeiros; contudo, nos legaram, como herança maior, algo imaterial, e. quiçá, intangível: a educação de seus filhos, que vem se transmitindo aos descendentes, na sequência de gerações, atingindo seus netos e bisnetos.

Nosso pai, como educador, se jubilava com a graduação, ano a ano, de todos os seus filhos, em instituições públicas, que, em seguida, cursaram pós-graduação e se engajaram no magistério superior, e ainda pode acompanhar a chegada dos primeiros netos ao ensino superior.

Ele, como advogado, estaria radiante de orgulho, se conosco estivesse, em saber que todos os seus netos estão hoje formados e atuantes em diversas ocupações, com destaque para os sete deles operadores do Direito.

Como beletrista e cultor da última flor do Lácio, atributos adquiridos ao tempo aluno marista, nosso genitor estaria fartamente realizado por ver tantos filhos, e até alguns netos, com pendores literários, manejando a pena com arte e primor.

Dono de preciosa oratória e provido de conhecimentos enciclopédicos, ele ainda não mereceu homenagens em logradouros públicos que lhe são devidas; no entanto, são bem poucos os cidadãos cearenses que, a exemplo dele, possuem suas histórias de vida narradas em livros ou artigos, fato que concorre para reavivar nossas recordações nos 25 anos de saudades incontidas, desde quando foi acolhido nos braços do Pai Eterno.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Filho de Luiz Carlos da Silva

* Publicado In: O Povo, de 20/11/2025. Opinião, p.18.


domingo, 9 de novembro de 2025

Em nome do Pai

Por Patrícia Soares de Sá Cavalcante (*)

Quando eu era pequena, tive um sonho. Vi meu avô Ari caminhando entre outras pessoas na rua. Ele não me via. Senti uma alegria imensa, mas também o receio de não encontrá-lo novamente. Era urgente contar ao papai que ele estava vivo.

Meu avô morreu antes de eu nascer. Cresci sabendo que era possível perder cedo demais alguém muito importante. Isso me angustiava. Por outro lado - talvez pela ausência precoce do meu avô - ganhei um pai amoroso, cuidadoso, que nos transmitiu o gosto e o valor da intimidade.

Embora não o tenha conhecido, o vovô sempre esteve presente em nossa mesa. Papai, um exímio contador de histórias, fez-nos imaginá-lo vividamente: um homem inteligente, culto, à frente de seu tempo, irônico, dedicado à família e extremamente corajoso.

Já adulta, numa tarde na Livraria da Vila, em São Paulo, tomávamos café quando papai me contou algo que eu não sabia:

- Minha filha, depois que o papai morreu, sempre que eu tinha alguma dúvida em um momento difícil, eu sonhava com ele. No sonho, ele me dava a solução. Depois, continuei a sonhar, mas ele já não falava nada. Com o tempo, deixei de sonhar.

Ah, como eu queria sonhar com ele de novo! - disse, rindo emocionado. Não sei se percebeu a minha comoção. Aquilo me atravessou: por um instante, senti a dor que ele carregava pela ausência precoce do pai. Mas o meu pai fez da ausência, presença. Há 25 anos, em um momento de recomeço profissional, homenageou o próprio pai dando o seu nome à Escola Ari de Sá Cavalcante.

Desde então, honra esse legado oferecendo um ensino de excelência e transformando o futuro de tantos jovens estudantes. Em 2025, recebeu o Troféu Sereia de Ouro, concedido pelo Grupo Edson Queiroz, e, com humildade, reconheceu que o prêmio pertence a todos os que fazem a escola.

Na vida íntima, preserva a memória do vovô através de um amor devotado. Talvez seja esse o sentido mais profundo do amor: o desejo - e a capacidade - de manter viva a lembrança do outro em nós.

"O beijo do meu pai, o primeiro que não teria em toda a vida. Ele também veio beijar--me. Não me deixou em um instante ainda. Mora em mim." Blanchard Girão.

(*) Médica psiquiatra.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/10/2025. Opinião. p.18.

quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Saúde como escudo contra a violência doméstica

Por Priscila Figueiredo (*)

A violência doméstica permanece como uma chaga social que afeta milhares de mulheres brasileiras diariamente. No Ceará, dados revelam uma realidade preocupante que exige ação coordenada entre diversos setores. Neste contexto, o acesso aos serviços de saúde emerge como ferramenta fundamental na prevenção e combate a este tipo de violência.

Profissionais de saúde são frequentemente os primeiros a identificar sinais de violência doméstica. Uma consulta de rotina pode revelar marcas físicas ou comportamentos que indicam abuso. Hematomas em locais específicos, fraturas recorrentes, ansiedade excessiva ou relutância em falar sobre ferimentos são indicadores que merecem atenção especial. Quando adequadamente capacitados, esses profissionais tornam-se agentes essenciais na rede de proteção, oferecendo acolhimento, orientação e encaminhamento às vítimas.

A Agenda 2030 da ONU reconhece esta interconexão. O ODS 5, especificamente a meta 5.2, visa eliminar todas as formas de violência contra mulheres e meninas. Para alcançá-la, o ODS 17 destaca a importância das parcerias: unidades de saúde trabalhando com delegacias especializadas, centros de referência, assistência social e o sistema de justiça.

O acolhimento humanizado nos postos de saúde e hospitais cria ambiente seguro para que vítimas relatem suas experiências. A privacidade durante consultas, a escuta sem julgamentos e o respeito ao tempo da vítima são elementos fundamentais nesse processo. Quando uma mulher encontra no posto de saúde um ambiente seguro para relatar sua situação, inicia-se um processo de ruptura do ciclo de violência.

No entanto, ainda enfrentamos desafios. A subnotificação dos casos, a falta de recursos adequados e a necessidade de melhor articulação entre os serviços representam obstáculos a serem superados. É necessário investir na formação continuada dos profissionais de saúde, criar protocolos claros de atendimento e fortalecer a articulação entre os serviços. A saúde pública não pode ser vista isoladamente, mas como parte de uma estratégia integrada de proteção.

A redução da violência doméstica passa, inevitavelmente, pelo fortalecimento do SUS e pela construção de pontes entre saúde, segurança e justiça. Cada unidade básica de saúde pode ser um ponto de apoio na construção de uma sociedade mais justa e segura para todas as mulheres.

(*) Médica e ex-prefeita de Quiterianópolis.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 30/08/2025. Opinião. p.16.


sábado, 23 de agosto de 2025

MÃE É MÃE... SOGRA É SOGRA!

O rapaz chega em casa muito animado e diz para sua mãe que se apaixonou e quer se casar. A mãe inicia uma série de perguntas e ele faz a seguinte proposição:

- Mãe, por brincadeira, vou trazer aqui amanhã três mulheres e você irá tentar adivinhar com qual delas eu irei me casar.

A mãe acaba por concordar com o teste. No dia seguinte, ele traz a sua casa três mulheres lindíssimas.

Elas sentam-se no sofá e ficam conversando com a mãe do rapaz durante um bom tempo. Depois de horas de conversa entre elas o rapaz chega e pergunta:

- Então mãe, você é capaz de adivinhar com qual eu vou me casar? A mãe responde imediatamente:

- Com a do meio.

O rapaz fica surpreso e pergunta:

- É incrível mãe. Você acertou! Mas como é que adivinhou?

A mãe responde:

- Não gostei dela...

Fonte: Internet (circulando por e-mail e i-phones). (Autor desconhecido).

domingo, 10 de agosto de 2025

Pai – O Mestre da Vida

Edson Gurgel Coelho

             No início do tempo, Deus criou o universo com a beleza da natureza, no verde das florestas e no azul dos mares. Com sabedoria e divina bondade. Ele criou o homem à sua imagem e semelhança, soprando-lhe, no corpo, o espírito da vida e o conhecimento da ordem do mundo para povoá-lo e dirigir suas obras.

Como companheira, Deus lhe deu a mais bela de sua criação – a mulher – para perpetuar suas gerações em todos os recantos da terra.

Assim, o homem, em união com a mulher, gera os filhos, nutrindo, em seu coração, o que existe de mais sublime – o sentimento de pai – para, então, doar à sua descendência a luz divina do amor.

Em todo o ciclo da vida:

- na INFÂNCIA – ele, com a esposa, dedica aos filhos todo o zelo e carinho para prover o seu crescimento e bem-estar;

- na ADOLESCÊNCIA – época das ilusões e dos sonhos coloridos, descobre para os filhos os primeiros mistérios do amor; e

- na FASE ADULTA – semeia, na sua descendência, o respeito à dignidade para conviver com as pessoas e formar sua emancipação social.

Finalmente, ser pai é ter uma vida de lutas e trabalhos para formar a família; e, em longo tempo depois, cansado pela idade e sofrimentos, é que ele retorna a sua própria estrada, mas sempre mantendo o amor e a dedicação a seus filhos.

Nesta comemoração, nós – filhos e filhas – abracemos, com amor e gratidão, o nosso querido PAI – O MESTRE DE NOSSA VIDA!

Recordemos, com a dor da saudade, a memória do pai que já saiu desta vida e que ele, após cumprir sua missão, já está juntinho de DEUS _ NOSSO PAI DE INFINITA BONDADE!

 Feliz “Dia dos Pais”!

Nota do Editor do Blog: A mensagem acima, em arquivo datado de 4 de agosto de 2009, é de autoria do economista Edson Gurgel Coelho, meu tio materno, irmão de minha mãe Elda Gurgel e Silva.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva



quinta-feira, 24 de julho de 2025

AMIGOS

Por Tales de Sá Cavalcante (*)

Na década de 50, minha mãe, Hildete, e meu pai, Ari, iniciaram a edificação da casa de seu sítio ao mesmo tempo que seu vizinho começava a sua. Os imóveis situam-se às margens da bucólica lagoa tão enaltecida por José de Alencar em "Iracema". Descreve o autor em sua ficção que Messejana tem o significado de "lagoa abandonada", onde se deu o abandono de Iracema por Martim.

Ali meu pai e seu vizinho, em vez de abandonarem o próximo, resolveram unir-se. Construíram uma cacimba circular dividida ao meio pelo muro que, se fosse uma linha reta, seria o diâmetro. Com uso esporádico, a água poderia ser repartida. Será que hoje 2 confinantes concordariam em usar o mesmo poço? Talvez não adotassem o lema dos 3 mosqueteiros de Alexandre Dumas, pai. E então qualquer um seguiria por si e mais ninguém.

Que o exemplo da cacimba nos estimule a conseguir, possuir e preservar amigos, atitudes que inclusive proporcionam boa saúde física, mental e emocional. Renunciemos, portanto, ao egoísmo motivado por fatores vários dos novos tempos, principalmente o uso de celular. Como experiência, sugiro ao leitor que, quando em um restaurante, conte em cada mesa o número de pessoas que dialogam entre si e quantas preferem o múltiplo uso do telefone móvel ao desprezarem quem está a seu lado.

A maior vivência em coletividade traria paz e, por consequência, menos violência ao nosso país, e assim nos aproximaríamos do nível de Weggis, na Suíça. Nessa pequena cidade, a seleção brasileira concentrou-se antes da Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Lá, "a única delegacia policial existente só abria duas vezes por semana, e seu prefeito, à época, não lembrava quando aconteceu o último crime".

Hoje, a mídia diz não haver registro de crimes na história da cidade. "E a delegacia, um pequeno escritório, abre três vezes na semana. Quem quiser reclamar algo, preenche um formulário e coloca numa caixa de correio." Chegaremos a esse grau? Que tal seguir o indígena que treinava para sua flecha alcançar a Lua? Nunca alcançou, porém era a que ia mais longe.

(*) Reitor do FB UNI e Dir. Superintendente da Org. Educ. Farias Brito. Presidente da Academia Cearense de Letras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/06/25. Opinião, p.18.

domingo, 8 de junho de 2025

O VELHO CÃO QUE BUSCA ABRIGO COM O VIZINHO

Um cão velho e cansado perambulava pelo meu quintal. Eu podia ver pela coleira e pela barriga cheia que ele tinha uma casa.

Ele me seguiu até minha casa, desceu comigo pelo corredor e adormeceu no sofá. Uma hora depois, ele foi até a porta, eu abri e ele foi embora. No dia seguinte, ele voltou, retomou a mesma posição no sofá e dormiu por uma hora.

Isso continuou por várias semanas. Curioso, coloquei uma nota na coleira dele para que seus donos vissem: "Toda tarde, seu cachorro vem à minha casa somente para dormir".

No dia seguinte, o cachorro chegou com uma outra nota fixada em sua coleira: "Ele mora em uma casa com quatro crianças - ele está tentando recuperar seu sono. Será que posso ir com ele amanhã?"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sábado, 7 de junho de 2025

COMO VOCÊ SABE DISSO MENINO?

A única maneira que um casal encontrou para ter privacidade em uma tarde de domingo e dar uma namoradinha no quarto foi a seguinte: dar ao filho de 8 anos um sorvete bem grande e pedir para que ele fique na sacada do apartamento analisando tudo que acontece na vizinhança. Paulinho, o garoto, não pensou duas vezes: pegou o picolé e começou a narração dos fatos, e os pais também foram para o quarto colocar o plano em operação...

"Há um carro sendo rebocado do estacionamento", ele falou. Alguns momentos depois: "Uma ambulância acabou de parar na casa da dona Maria". "Parece que o Anderson tem uma visita", ele gritou. Depois de 2 minutos Paulinho fala: "O Fernando está montando uma bicicleta nova".

E somente alguns minutos depois ele grita novamente: "Parece que os Santos estão se mudando." E: "Olha só, o Vítor ganhou um skate novo." Mais alguns momentos, Paulinho exclama bem alto: "Os Silva estão brincando no quarto!"

Assustado, o pai e a mãe quase caíram da cama. O pai, então, cautelosamente perguntou:

"Como você sabe que eles estão... 'brincando' no quarto?"

"É simples, pai: o Joãozinho também está com um sorvete na varanda!"

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

terça-feira, 3 de junho de 2025

AQUÁRIO INVISÍVEL

Por Maurício Filizola (*)

Imagine um peixe dourado, nadando em círculos dentro de um aquário reluzente. Alimentado todos os dias, protegido das correntezas do mundo lá fora, ele vive. Mas nunca sai do lugar. O vidro é transparente, quase invisível. E é justamente por isso que parece não haver prisão. Afinal, por que lutar contra aquilo que nem se vê?

O Brasil está criando, há pelo menos duas décadas, uma geração que cresce dentro desse aquário. Um sistema de ajuda do estado que, se por um lado oferece socorro imediato, por outro não ensina a nadar em mar aberto. O problema não é a mão estendida — é o tempo em que ela permanece estendida, impedindo o outro de se levantar.

Mais de 20 milhões de famílias vivem hoje do Bolsa Família. Um número maior que toda a população do Chile. São cerca de 14 bilhões de reais por mês em auxílios — o equivalente a milhares de escolas modernas ou hospitais funcionando a pleno vapor. Mas o que se entrega, no fim, é só o peixe. E quase nunca, a vara.

A armadilha é sutil. Quanto mais tempo o cidadão passa dentro do sistema de benefícios, mais difícil se torna sair dele. Empregos formais são recusados por medo de perder o auxílio. Pequenas empresas não conseguem contratar. A economia enfraquece. E a dignidade, que só floresce com independência, começa a murchar.

O governo, em vez de preparar o terreno para o voo, vai podando as asas. Porque quem aprende a pescar pode não voltar mais ao cais para buscar migalhas. E uma população dependente é uma população domesticada — grata, fiel, previsível nas urnas.

Mas a verdade incômoda precisa ser dita:

Uma nação só prospera quando tira seu povo da estagnação e o coloca em movimento.

É urgente reconstruir o pacto social com base na autonomia, não na dependência. Oferecer educação de qualidade, capacitação profissional e oportunidades reais de trabalho. O maior programa social que pode existir é um emprego digno, uma carteira assinada, um negócio próprio, uma chance verdadeira.

Porque o ser humano foi feito para navegar, não para nadar em círculos.

Peixe alimentado demais esquece o mar.

Mas é nele que está a liberdade.

E só nela, a prosperidade verdadeira.

(*) Diretor da Confederação do Comércio. Articulista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 10/05/25. Opinião, p.19.


sexta-feira, 30 de maio de 2025

Planejamento familiar e economia cearense

Por Priscilla Figueiredo (*)

O planejamento familiar tem um impacto econômico significativo na vida das mulheres cearenses e de outras regiões do Brasil. O Ceará tem avançado nas políticas públicas de distribuição de renda e apoio às famílias, mas desafios socioeconômicos e culturais ainda limitam o protagonismo feminino. Nesse contexto, o planejamento familiar é essencial para o empoderamento econômico das mulheres.

Com acesso a métodos contraceptivos e informações sobre planejamento familiar, as mulheres podem decidir quando e quantos filhos terão, permitindo maior investimento em educação e carreira, o que aumenta suas chances de ingressar e permanecer no mercado de trabalho. No Ceará, onde muitas enfrentam dificuldades para acessar contraceptivos de longa duração, políticas públicas podem reduzir a evasão escolar e profissional decorrente de gravidezes não planejadas.

Famílias menores tendem a ter menos despesas, melhorando a qualidade de vida e reduzindo a pressão financeira. Em um estado onde muitas mulheres são chefes de família, o controle sobre a natalidade pode contribuir para uma distribuição mais eficiente dos recursos. Isso ajuda a reduzir a pobreza, permitindo mais investimentos em educação e saúde dos filhos, impulsionando o desenvolvimento econômico da família e da comunidade.

O planejamento familiar também fortalece a autonomia feminina e a liderança, promovendo equidade de gênero. Com maior controle sobre a vida reprodutiva, a participação feminina na economia cresce, beneficiando o desenvolvimento local. Mulheres economicamente ativas investem mais em suas famílias e comunidades, criando um ciclo positivo de crescimento.

A economia do Ceará ainda depende de setores informais e de baixa renda. Por isso, linhas de crédito, incentivo ao empreendedorismo e capacitações financeiras são essenciais para fortalecer a renda feminina. No entanto, políticas públicas que promovam a educação sexual ainda enfrentam tabus socio-culturais.

Garantir acesso a contraceptivos e atendimento médico de qualidade maximiza o impacto positivo do planejamento familiar. Ao permitir escolhas reprodutivas informadas, ele contribui para reduzir a pobreza, aumentar a participação feminina no mercado de trabalho e melhorar a qualidade de vida das famílias, consolidando-se como uma ferramenta poderosa para o empoderamento das mulheres cearenses.

(*) Médico e ex-prefeita de Quiterianópolis

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1/05/2025. Opinião. p.22.

domingo, 4 de maio de 2025

O PRIMEIRO EXAME DO BEBÊ TEVE OUTRO RESULTADO...

Uma mulher e um bebê de alguns meses de vida estavam na sala de espera do médico esperando a sua chegada. Este seria o primeiro exame do bebê. O médico chega e eles entram no consultório.

Quando o doutor começou a examinar o bebê, ele ficou preocupado ao verificar o peso, pois estava baixo. Ela perguntou se o bebê estava sendo amamentado ou alimentado com mamadeira.

“Ele é amamentado”, disse a mulher.

“Que estranho... Bem, então preciso fazer um exame extra.

A senhora pode, por favor, tirar a blusa e o sutiã?”

Ela assim o fez e ele começou a examinar. Ele apertou os mamilos, depois apertou ambos os seios por um tempo em um exame bem detalhado. Ele franziu a testa, depois continuou apertando e pressionando por mais alguns minutos.

Depois do exame, o médico disse que ela poderia se vestir de novo.

“Agora descobri por que esse bebê está abaixo do peso – a senhora não tem nada de leite!”

“Eu sei”, ela disse. “Eu sou a avó dele, mas fiquei bem satisfeita com o exame.”

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

quarta-feira, 16 de abril de 2025

HOLDING FAMILIAR: é o fim do inventário e da partilha?

Por Antônio Araújo (*)

O que se entende por holding familiar? Esta pergunta me foi feita por um médico, com quem me consultei há alguns dias; igualmente, foi-me feita por um ex-aluno, com quem me encontrei na secção de hortifrúti do supermercado, e se repetiu várias vezes em mensagens que recebi pelo WhatsApp.

Esta pergunta anda nas cabeças e anda nas bocas de quem construiu um patrimônio e quer saber se é possível transmiti-lo aos seus herdeiros por um processo de partilha mais rápido e menos oneroso do que o tradicional inventário e partilha.

A essas pessoas eu respondo que é possível, por meio da holding familiar, descrita aqui em poucas palavras, apesar da complexidade do tema, a começar pela ideia de que, no direito societário, este conceito se refere a um sistema de organização do patrimônio familiar.

Tal sistema, na maioria dos casos, é formado por uma sociedade limitada, que incorpora ao seu capital social os bens do sócio fundador que, por sua vez, distribui cotas da sociedade para os seus herdeiros e, eventualmente, para outras pessoas, conforme o seu desejo.

Vale ressaltar que a criação da holding familiar se inicia com o seu registro na Junta Comercial, sob a orientação de advogado e contador, e o seu capital é integralizado com os bens da família, que migram do CPF do proprietário para o CNPJ da empresa.

Essa holding é regida por contrato social com cláusulas de direitos e obrigações dos sócios, entre elas, a cláusula de usufruto e a cláusula de administração vitalícia, que garantem ao proprietário o controle do patrimônio até o fim da sua vida, antes da sucessão hereditária, depois que ele falecer.

A propósito, esta sucessão é desburocratizada, rápida e menos onerosa, em comparação com o inventário, e basta que os herdeiros compareçam à Junta Comercial com a certidão de óbito do de cujus para comprovar o fim do usufruto e efetivar o que determina as cotas.

Para tanto, é necessário pagar o ITCMD, cuja base de cálculo é o valor do bem declarado no imposto de renda, portanto, inferior ao valor venal, como ocorre no inventário. Mas cada caso é um caso, e dada a complexidade do tema, é fundamental a orientação do advogado.

(*) Advogado.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 15/03/25. Opinião, p.16.

 

Free Blog Counter
Poker Blog