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domingo, 16 de agosto de 2026

Florence Nightingale: Legado que perdura

Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.

Florence Nightingale fundou a primeira escola laica de formação de enfermeiras do mundo. No artigo "De Florence Nightingale à pandemia Covid-19: o legado que queremos", publicado na revista científica Texto & Contexto - Enfermagem, Maria Itayra Padilha, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e pós-doutora em História da Enfermagem e Saúde, fala sobre esse legado na formação.

"A iniciativa serviu como semente de um novo status para a Enfermagem como profissão, e para a criação de inúmeras outras instituições de ensino espalhadas pelo mundo, fundadas por ex-alunas, implantando o chamado Sistema Nightingaleano de Ensino de Enfermagem, inclusive no Brasil."

A Escola de Enfermagem Anna Nery, fundada em 1920, no Rio de Janeiro, foi a primeira instituição estruturada sob os pilares do sistema de Florence Nightingale no Brasil.

A professora Maria Itayra explica que Anna Justina Ferreira Nery, que deu nome à escola, foi outro exemplo de atuação na linha de frente em guerras. A brasileira prestou cuidados aos feridos na Guerra do Paraguai, em 1860, e posteriormente recebeu o título de "primeira enfermeira brasileira".

A fundação da escola se deu pela atuação do Departamento Nacional de Saúde Pública, liderado pelo médico Carlos Chagas, e pela Fundação Rockfeller, que se aliou ao governo brasileiro e trouxe enfermeiras norte-americanas ao Brasil numa missão para implantar a enfermagem moderna no País.

A professora Maria Angélica de Almeida Peres, da UFRJ, destaca que é preciso considerar o contexto histórico para entender as características da enfermagem natingueliana.

A historiadora observa que uma aparente "submissão" de Florence aos médicos era, na verdade, uma estratégia política consciente. Ela sabia que, para a profissão vingar, precisava primeiro se estabelecer dentro das condições possíveis para mulheres no século XIX.

Florence faleceu aos 90 anos, em 13 de agosto de 1910, e foi sepultada ao lado dos túmulos de outros membros da família em East Wellow, Hampshire.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Caderno Ciência & Saúde. Etc. p. 19.


Florence Nightingale: Pioneirismo na ciência de dados

Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.

Conforme os registros do projeto da Universidade de Guelph, em março de 1854, chegaram relatos sobre as condições terríveis e a falta de suprimentos médicos sofridas pelos soldados feridos que lutavam na Guerra da Crimeia. O Ministro da Guerra convidou Florence para supervisionar a introdução de enfermeiras nos hospitais militares na Turquia.

Com um grupo de 38 enfermeiras, Florence chegou a Scutari e começou a organizar os hospitais para melhorar o fornecimento de alimentos, cobertores e camas, bem como as condições gerais e a higiene.

O conflito registrou mortalidade alarmante, mas a grande maioria ia a óbito por doenças evitáveis (como tifo e cólera) e não por ferimentos de combate.

A metodologia que ela desenvolveu para analisar o que deu errado fundamentaria suas campanhas por reformas sociais e de saúde. Quando retornou a Londres, Nightingale contou com a colaboração de William Farr, superintendente de Estatísticas do Registro Geral e o mais renomado estatístico médico da época.

Com ele, ela analisou os dados oficiais e publicou seus icônicos diagramas de área polar. Seus gráficos (como o famoso Diagrama da Rosa) demonstraram que as mortes disparavam devido às péssimas condições sanitárias.

Após uma força-tarefa higienizar os esgotos e a ventilação, a mortalidade britânica despencou de 23% para apenas 2,5%. Em contraste, a taxa francesa, que não adotou as reformas a tempo, subiu.

A teoria ambientalista de Florence Nightingale é o que ela descreve como cuidado necessário a recuperação do doente, destacando que o ambiente tem que ser favorável a esse processo, focando em questões sanitárias como controle de excrementos, oferta de água limpa, luz solar e ventilação, como detalha Maria Angélica de Almeida Peres, professora da Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Caderno Ciência & Saúde. Etc. p. 19.


sábado, 15 de agosto de 2026

Florence Nightingale: Origens e formação da "Dama da Lâmpada"

Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.

Florence Nightingale nasceu em Florença, na Itália, no dia 12 de maio de 1820, na época em que seus pais, aristocratas britânicos, residiam no país. Na infância, ela era estudiosa e se interessava especialmente por matemática.

Ela teria sentido um "chamado" de Deus e acreditava estar destinada a fazer algo maior, conforme registros do Florence Nightingale Museum, localizado no St Thomas' Hospital, em Londres, Inglaterra, onde ela fundou sua escola de enfermagem.

Na Inglaterra vitoriana, esperava-se que mulheres de sua posição se dedicassem ao casamento e à vida doméstica, papéis que ela ativamente rejeitou.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Caderno Ciência & Saúde. Etc. p. 19.


O legado de Florence Nightingale, a precursora da enfermagem moderna

Por Ana Rute Ramires e Ana Sá, jornalistas de O Povo.

Além da "Dama da Lâmpada", Florence Nightingale foi uma estatística, estrategista e cientista brilhante, cujas contribuições perduram até hoje

Durante as noites, ela percorria os corredores do Hospital de Scutari (Istambul, Turquia) carregando uma lâmpada para vigiar e prestar cuidados aos soldados feridos. Enquanto o exército britânico lutava na Guerra da Crimeia (1854-1856), Florence Nightingale travava uma guerra interna contra a sujeira, o ar estagnado e a negligência que tiravam mais vidas do que as próprias armas.

Foi esse ritual de cuidado e vigilância que cristalizou a figura da "Dama da Lâmpada", transformando uma voluntária obstinada na precursora da enfermagem científica moderna. Florence foi pioneira em formular políticas de saúde pública integradas ao bem-estar social, defendendo que a saúde dependia de habitação, saneamento e nutrição.

Sua maior conquista foi transformar a enfermagem em uma profissão "respeitável" para as mulheres e, em 1860, ela fundou a primeira escola de formação profissional para enfermeiras, a Nightingale Training School, no St Thomas' Hospital, em Londres.

De acordo com Maria Angélica de Almeida Peres, professora e pesquisadora em História da Enfermagem da Escola de Enfermagem Anna Nery, da Universidade Federal do Rio de Jeneiro (UFRJ), a principal contribuição de Florence Nightingale foi a profissionalização da enfermagem, transformando uma prática que antes era puramente caritativa ou leiga em uma ciência com conhecimento próprio e autônomo.

O projeto The Collected Works of Florence Nightingale (CFN), da Universidade de Guelph, Canadá, reúne um acervo massivo de cartas, livros e artigos de jornais da época (The Times, The Lancet) sobre ela.

Conforme informações disponíveis no site do projeto, ela foi uma cientista social empírica e introduziu a saúde baseada em evidências, usando estatísticas e dados para monitorar reformas, priorizar a prevenção e evitar danos hospitalares.

A imagem da mulher verificando se tudo estava bem à noite lhe rendeu o apelido de "Dama da Lâmpada", além do respeito dos soldados britânicos.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Caderno Ciência & Saúde. p. 19.


sábado, 8 de agosto de 2026

CIÊNCIA DO CUIDAR: A enfermagem na alta complexidade III

Por Ana Rute Ramires, Ana Sá e Samuel Setúbal

De Nightingale ao piso salarial: uma trajetória centenária

1853-1856. Durante a Guerra da Crimeia, a britânica Florence Nightingale institui regras sanitárias e estatísticas, criando o marco fundante da enfermagem moderna. À ela é outorgada o título de fundadora da enfermagem mundial.

1860. Nightingale fundou a primeira escola de enfermagem do mundo, em Londres, transformando a enfermagem em ciência.

1890. No Brasil, é fundada a primeira Escola de Enfermagem, chamada Alfredo Pinto,
no Rio de Janeiro.

1923. É criada a Escola de Enfermagem Anna Nery — figura emblemática na história da enfermagem brasileira, principalmente pela atuação na Guerra do Paraguai.

1926. A Associação Brasileira de Enfermagem (Aben) é criada, denominada anteriormente denominada de Associação Nacional de Enfermeiras Diplomadas (Aned).

1955. A profissão da enfermagem é regulamentada (Lei nº 604), assegurando território profissional, exclusividade do exercício para a categoria no País, o que exigirá diploma e registro profissional para o exercício legal da profissão.

1973. É criado o Conselho Federal de Enfermagem.

1986. Lei do Exercício Profissional (1986) e seu decreto regulamentador (1987) atualizam a norma de 1955, traz modernização e divide a categoria formalmente em níveis de formação.

1987. É fundada a entidade sindical nacional: Federação Nacional dos Enfermeiros.

2022. Lei n.º 14.434, institui o Piso Salarial Nacional para enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e parteiras.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/07/26. Caderno Ciência & Saúde. p. 13-14.

CIÊNCIA DO CUIDAR: A enfermagem na alta complexidade II

Por Ana Rute Ramires, Ana Sá e Samuel Setúbal

Força de trabalho no Brasil é feminina

Segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), 87% da força de trabalho na enfermagem brasileira é de mulheres.

"Enfermagem é feminina, com traços de uma força de trabalho jovem em sua maioria, hegemônica na Saúde e que se constitui como equipe profissional que atua em harmonia e competência em todo o território nacional", analisa Maria Helena Machado, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz).

Cientista social e doutora em Sociologia, ela coordenou a pesquisa nacional intitulada "O perfil da Enfermagem no Brasil" (Fiocruz-Cofen, 2017).

A maioria feminina na enfermagem se mantém seja na categoria de enfermeira(o), seja entre os técnicos e auxiliares de enfermagem, chegando a mais de 80%, já constatado na pesquisa.

A pesquisadora acrescenta que a categoria está presente em todas as regiões geográficas do País, com mais de três milhões de profissionais.

A ciência do cuidado: humanismo, observação, protocolos rígidos e decisões rápidas

Em meio à explosão na demanda por profissionais especializados durante a pandemia de Covid-19, a missão chamou a enfermeira Ana Lívia Girão, que à época atuava em sala de aula, de volta para as UTIs. Em um momento de incertezas e medos, ela retornou à linha de frente da terapia intensiva.

"Eu me sentia muito mal de estar ensinando para os meus alunos uma coisa que eu não estava mais colocando em prática. E estava tendo a demanda de profissionais especializados na área", relata Ana Lívia, doutora em Cuidados Clínicos em Saúde e coordenadora de enfermagem de terapia intensiva do Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza.

No cenário de caos vivenciado durante a pandemia, a enfermagem liderou a montagem de leitos, o dimensionamento de pessoal e a gestão de equipamentos vitais nas unidades de saúde, provando ser um pilar de sustentação.

O diagnóstico de enfermagem foca nos cuidados necessários para o restabelecimento do paciente. Jéssica Benevides, doutora em Enfermagem e coordenadora de enfermagem de terapia intensiva no IJF, detalha que a autonomia da enfermagem no processo de saúde manifesta-se através do Processo de Enfermagem.

O método científico, conforme a profissional, é dividido em cinco etapas: histórico (coleta de dados para entender o estado do paciente), diagnóstico (identificação das necessidades de cuidado), planejamento (elaboração do que será feito com base nas prioridades elencadas), implementação (execução das ações planejadas) e reavaliação (análise contínua dos resultados para ajustar o ciclo de cuidado conforme a evolução do paciente).

Enquanto outras categorias passam pelo leito em momentos específicos, a equipe de enfermagem permanece 24 horas ao lado do paciente, o que permite identificar precocemente alterações clínicas. Jéssica e Ana Lívia explicam que a equipe de enfermagem é treinada para perceber alterações clínicas (como desorientação ou queda de débito urinário) antes que uma parada cardiorrespiratória ocorra, agindo preventivamente.

Também cabe à enfermagem decidir prioridades clínicas, gerenciar recursos escassos e tomar decisões autônomas, como definir qual paciente necessita de monitoramento mais intensivo em um cenário de alta demanda.

Jéssica Benevides frisa que a atuação da enfermagem é feita em parceria e diálogo com as demais profissões, sempre com o intuito de atingir o mesmo objetivo: o bem-estar e a evolução clínica do paciente.

As coordenadoras destacam que essa atuação científica é aliada a um olhar humanizado, que enxerga o paciente não apenas como um diagnóstico de trauma, por exemplo, mas como o pai ou filho de alguém, integrando a técnica à sensibilidade necessária para cuidar de quem está em vulnerabilidade.

Para as profissionais, o momento de fechar unidades de terapia intensiva após passado o período crítico da Covid-19 foi marcante. "No dia que a gente foi fechar mesmo [a unidade], que olhou um pro outro assim mesmo sem nem a gente se conhecer direito. A gente não conhecia as pessoas direito porque era todo mundo todo coberto... Olhou um pro outro como se dissesse assim: 'Obrigada, a gente conseguiu'", compartilha.

A segunda reportagem da série "Enfermagem: a espinha dorsal da saúde" abordará a formação profissional e a luta por valorização da categoria.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/07/26. Caderno Ciência & Saúde. p. 13-14.


CIÊNCIA DO CUIDAR: A enfermagem na alta complexidade I

Por Ana Rute Ramires, Ana Sá e Samuel Setúbal

|CARTOLA | A ciência do cuidado é a espinha dorsal da saúde, com mais de 3 milhões de profissionais no Brasil. Na alta complexidade, a atuação é estratégica

Uma linha de frente por muito tempo invisibilizada, mas cuja atuação no suporte à saúde sempre definiu a diferença entre a vida e a morte. Ainda no século XIX, a fundadora da enfermagem moderna, Florence Nightingale (1820-1910), ensinou: "Existe cuidado sem cura, mas não existe cura sem cuidado".

A ciência do cuidado guia a atuação de mais de três milhões de profissionais atualmente no Brasil, entre enfermeiros (837.636), técnicos (1.935.341) e auxiliares (264.283), conforme dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). A categoria hegemônica é a espinha dorsal do Sistema Único de Saúde (SUS), coordenando fluxos e garantindo a segurança assistencial.

Tudo começou no século XIX, na Guerra da Crimeia, quando Florence Nightingale, considerada fundadora da enfermagem mundial, aplicou práticas de higiene que salvaram milhares de vidas. De lá pra cá, a categoria se organizou e, baseada em evidências científicas, definiu protocolos rígidos, se consolidando com uma atuação estratégica em áreas como a alta complexidade.

Helga Regina Bresciani, segunda-secretária do Cofen, detalha que a enfermagem atua como um pilar estratégico e de suporte à vida. Ela salienta que a autonomia profissional é baseada em evidências científicas e que o enfermeiro exerce funções de planejamento, gestão e tomada de decisão crítica.

"A enfermagem cuida das pessoas em suas necessidades. Então, nós estamos em todas as áreas da saúde, na atenção primária, na média complexidade, na alta complexidade, em consultórios de enfermagem, em trabalhos no pré-hospitalar, nas emergências", cita.

A secretária do Cofen destaca que, na alta complexidade, o enfermeiro é responsável por gerenciar tecnologias duras, como ventiladores mecânicos e sistemas de circulação extracorpórea, além de monitorar ininterruptamente os sinais vitais do paciente crítico.

"A ciência da saúde, a ciência de enfermagem, ela evolui muito rapidamente... a enfermagem ao longo dos anos acompanha essa evolução em suas capacitações, na educação permanente, na formação", afirma.

A prática da enfermagem é regida por normas rígidas e resoluções do Cofen, que garantem que procedimentos complexos, como o uso de ultrassom à beira leito para punções e a prescrição de medicamentos em protocolos institucionais, sejam realizados com segurança e respaldo legal.

Maria Helena Machado, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (ENSP/Fiocruz), explica que a autonomia profissional da enfermagem "advém da base cognitiva de conhecimento (teórico e prático)" que os profissionais adquirem na sua formação profissional básica e é aprofundada na pós-formação.

Portanto, segundo ela, "a autonomia profissional advém fortemente na capacidade que cada profissão tem de responder às demandas e desafios que o processo de trabalho exige no cotidiano do mundo do trabalho".

"A enfermagem faz parte dessas profissões que adquiriu, ao longo de sua existência, essa base cognitiva que lhe assegura autonomia plena em suas ações, emanando para sua equipe técnica (técnicos e auxiliares de enfermagem) orientações e direcionamento para suas atividades no cotidiano do trabalho", afirma a pesquisadora.

A responsabilidade de salvar vidas diariamente, contudo, contrasta com a luta histórica pela efetivação do piso salarial e por condições dignas de trabalho. "Se você fosse perguntar a valorização financeira, a gente não é valorizada. Nós estamos vendo pela dificuldade que a gente tem de implantar o piso básico para a profissão", critica Helga Bresciani, do Cofen.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/07/26. Caderno Ciência & Saúde. p. 13-14.


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Livro resgata a história da Pediatria cearense e preserva legado para futuras gerações

 


 Reportagem: Argollo de Menezes

CEO, Editor Jornal do Médico®️, Jornalista DRT-CE 1950 e Membro Honorário SOBRAMES-CE | Instagram@jornaldomedico

Resultado de quase 2 anos de pesquisa, Pediatria no Ceará: História e Pediatras reúne documentos raros, fotos inéditas e biografias dos ex-presidentes da Sociedade Cearense de Pediatria. Lançado pela SOCEP em parceria com a SOBRAMES-CE, o livro celebra o aniversário de 80 anos da entidade e busca preservar o legado da especialidade para as próximas gerações. Em entrevista inédita, o presidente da SOCEP, Dr. João Cândido de Sousa Borges, fala sobre os bastidores da pesquisa e a importância de preservar a memória dos profissionais que construíram a pediatria cearense.

Jornal do Médico® – Dr. João Borges, o livro começou a ser planejado em agosto de 2024, nos 80 anos da SOCEP. Como surgiu a ideia dessa parceria com a Sobrames-CE e os autores Sidneuma Ventura e Marcelo Gurgel para realizar esse resgate histórico?

Dr. João Borges: Já de um tempo eu tinha um desejo de registrar a história da Pediatria no Ceará…. A ideia da construção deste livro, ocorreu durante as comemorações dos 80 anos da Sociedade Cearense de Pediatria, em agosto de 2024, naquele momento tão significativo para a nossa instituição, percebemos que celebrar a história da SOCEP também significava preservar a memória da Pediatria cearense. Foi então que o colega Marcelo Gurgel, escritor e integrante da Sobrames-CE, propôs essa parceria, que foi prontamente acolhida pela SOCEP. Ao lado da Dra. Sidneuma Ventura, iniciamos um trabalho intenso de pesquisa, levantamento documental e reconstrução histórica. Desde o início, compreendemos que não se tratava apenas de produzir um livro, mas de deixar um legado para as futuras gerações de pediatras, registrando a trajetória daqueles que ajudaram e ajudam a construir a nossa especialidade no Ceará.

Desde o início, compreendemos que não se tratava apenas de produzir um livro, mas de deixar um legado para as futuras gerações de pediatras…”

Jornal do Médico® – O livro traz registros biográficos, documentos e a trajetória dos ex-presidentes da SOCEP. Para o leitor que terá a obra em mãos, quais são as principais relíquias históricas ou marcos da Pediatria cearense que ele encontrará nessas páginas?

Dr. João Borges: O leitor encontrará um verdadeiro patrimônio histórico da Pediatria Cearense. A obra reúne documentos, fotografias, registros institucionais, relatos históricos e biografias de profissionais que foram fundamentais para o desenvolvimento da especialidade em nosso Estado. Também apresenta a trajetória dos ex-presidentes da SOCEP, mostrando como cada gestão contribuiu para fortalecer a assistência à criança, a formação médica e a defesa profissional do pediatra. Mais do que conhecer datas e fatos, o leitor poderá compreender como a Pediatria evoluiu no Ceará, acompanhando as transformações da medicina, da sociedade e das políticas voltadas à saúde infantil.

Jornal do Médico® – Foram quase dois anos de pesquisas e reuniões periódicas. Durante esse processo de resgate de memórias, houve algum fato esquecido ou personagem da Pediatria que surpreendeu a comissão ao ser redescoberto?

Dr. João Borges: Sem dúvida. Ao longo das pesquisas, tivemos a oportunidade de redescobrir profissionais cuja contribuição foi decisiva para a consolidação da Pediatria no Ceará, mas que, com o passar do tempo, acabaram pouco lembrados pelas novas gerações. Também encontramos documentos, registros e relatos que revelam o enorme esforço dos pioneiros para estruturar serviços, formar especialistas e fortalecer o ensino pediátrico em nosso Estado. Cada reunião trazia novas descobertas, reforçando a percepção de que preservar essa memória era uma responsabilidade coletiva e uma forma de prestar homenagem àqueles que dedicaram suas vidas ao cuidado das crianças.

Tivemos a oportunidade de redescobrir profissionais cuja contribuição foi decisiva para a consolidação da Pediatria no Ceará, mas que acabaram pouco lembrados pelas novas gerações.

Jornal do Médico® – No prefácio, o senhor menciona que gerações de pediatras fizeram do cuidado à infância sua missão de vida. Como o senhor enxerga a evolução do perfil do pediatra no Ceará, desde os pioneiros até os profissionais de hoje?

Dr. João Borges: Os pioneiros construíram a Pediatria cearense em um contexto de muitos desafios, com recursos limitados, mas com enorme dedicação, compromisso e espírito de serviço. Foram eles que lançaram as bases da especialidade no nosso Estado. Hoje, encontramos uma Pediatria muito mais integrada ao conhecimento científico, às novas tecnologias e ao trabalho multiprofissional. Ao mesmo tempo, permanece inalterada a essência da profissão: o compromisso com a saúde, o desenvolvimento e o bem-estar da criança e do adolescente. Vejo com satisfação uma nova geração de pediatras preparada tecnicamente, comprometida com a educação continuada e consciente da importância da humanização no cuidado.

Jornal do Médico® – Citando o filósofo Cícero, o senhor destaca que a história é a “vida da memória”. Qual é a principal lição que esta obra comemorativa deixa para inspirar os estudantes e os novos pediatras que assumirão o futuro da especialidade no nosso Estado?

Dr. João Borges: A principal mensagem é que nenhuma instituição e nenhuma especialidade se fortalecem sem conhecer sua própria história. Este livro mostra que os avanços conquistados ao longo das décadas são fruto da dedicação, da competência e do espírito coletivo de muitos profissionais que vieram antes de nós. Espero que os estudantes e os jovens pediatras encontrem nestas páginas inspiração para exercer a Medicina com excelência técnica, ética, sensibilidade e compromisso humano. Conhecer o legado dos nossos pioneiros nos ajuda a compreender que também somos responsáveis por construir os próximos capítulos da história da Pediatria Cearense, sempre colocando a criança e o adolescente no centro de nossa missão.

Fonte: Jornal do médico, 22(207): 9-10, julho de 2026.

https://jornaldomedico.com.br/2026/07/29/livro-resgata-a-historia-da-pediatria-cearense-e-preserva-legado-para-futuras-geracoes/

sábado, 11 de julho de 2026

AS MAIORES HISTÓRIAS DE AMOR DA HISTÓRIA IV

6. Napolão e Josephine – Um amor que nunca enfraqueceu

Napoleão Bonaparte, o gênio militar que ascendeu para se tornar Imperador da França, conheceu Josephine de Beauharnais em 1795. Na época, Josephine era viúva e mãe de dois filhos, enquanto Napoleão era um jovem general em ascensão. A conexão deles foi instantânea, e eles se casaram um ano depois, em 1796. O charme e o calor de Josephine proporcionaram um contraste marcante com a natureza disciplinada e determinada de Napoleão.

Embora o amor deles fosse profundo, o casamento enfrentou desafios desde o início. A devoção de Napoleão às suas campanhas militares frequentemente o afastava por longos períodos, e Josephine lutava com suas ausências prolongadas. Apesar dos esforços, o casal não conseguiu produzir um herdeiro homem, uma questão de grande importância para as ambições de Napoleão.

Em 1809, percebendo que Josephine não lhe daria um herdeiro, Napoleão tomou a decisão dolorosa de se divorciar dela. Apesar da separação, eles permaneceram profundamente conectados. Napoleão garantiu que Josephine fosse bem cuidada, concedendo a ela o título de Duquesa de Navarra e permitindo que ela permanecesse na França. Dizem que mesmo em seus momentos finais em 1821, Napoleão disse o nome dela em suas últimas palavras: "França, o exército, a chefe do exército, Josephine".

7. Ciro, o Grande e Cassandane – Um império construído sobre o amor

Ciro, o Grande, é mais conhecido por fundar o Império Aquemênida no século VI a.C. Ele uniu as tribos persas, conquistou os medos em 550 a.C. e expandiu seu governo pelo Oriente Próximo. Mas além de seus sucessos militares, ele tinha uma parceria profunda com sua esposa, Cassandane.

Cassandane, também conhecida como Atossa, era filha de um poderoso rei medo. O casamento deles foi inicialmente uma aliança estratégica entre as dinastias persa e meda, mas com o tempo, evoluiu para algo muito mais profundo. Cassandane se tornou uma das conselheiras mais confiáveis de Ciro, compartilhando suas vitórias e lutas. Juntos, eles tiveram vários filhos, incluindo Cambises II e Esmerdis, que mais tarde desempenhariam papéis na história persa.

Embora Ciro seja lembrado principalmente por suas conquistas, ele também era conhecido por sua abordagem humana à governança. Ao contrário de muitos governantes de sua época, ele respeitava as tradições, religiões e culturas dos povos que conquistou. Alguns historiadores acreditam que Cassandane desempenhou um papel na formação dessa abordagem, influenciando Ciro a governar com justiça e tolerância.

Quando Cassandane faleceu, Ciro ficou arrasado. Ele organizou elaboradas cerimônias fúnebres em sua homenagem, um gesto raro para governantes da época. A história de amor deles não apenas deixou um impacto pessoal em Ciro, mas também ajudou a definir os valores que moldaram o Império Persa para as gerações futuras.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


AS MAIORES HISTÓRIAS DE AMOR DA HISTÓRIA III

4. Akhenaton e Nefertiti – Um casal real

No antigo Egito, o faraó Akhenaton e a rainha Nefertiti compartilhavam não apenas um amor profundo, mas também uma visão de transformação religiosa. Seu reinado foi um dos períodos mais radicais da história egípcia.

Akhenaton, originalmente conhecido como Amenhotep IV, mudou o cenário religioso do Egito ao promover a adoração de um único deus, Aton, em vez das crenças politeístas tradicionais. Nefertiti não era apenas sua rainha, mas sua igual, participando ativamente de decisões religiosas e políticas. Juntos, eles estabeleceram uma nova capital, Amarna, onde podiam praticar sua fé livremente.

Embora seu reinado tenha durado pouco, sua influência foi duradoura. A imagem de Nefertiti, imortalizada em um busto famoso descoberto nos tempos modernos, continua sendo um dos símbolos mais reconhecíveis da beleza e do poder egípcios. Embora sua história de amor tenha terminado em mistério, com algumas teorias sugerindo que Nefertiti governou após a morte de Akhenaton, sua parceria deixou uma marca duradoura na história.

5. Rainha Vitória e Príncipe Alberto – Uma história de amor que definiu uma era 

Ao contrário de muitos casamentos reais de sua época, a união da Rainha Vitória e do Príncipe Alberto foi construída com base em afeição genuína. O relacionamento deles se tornou um aspecto definidor da era vitoriana, moldando não apenas suas vidas pessoais, mas também a sociedade britânica.

Vitória conheceu Alberto, seu primo, antes de se tornar rainha. O casamento deles em 1840 foi mais do que uma aliança política — foi uma parceria profunda. Alberto desempenhou um papel essencial em aconselhar Vitória sobre questões políticas e defendeu causas como educação e progresso tecnológico. Juntos, eles tiveram nove filhos, dando um exemplo de vida familiar que influenciou os ideais vitorianos.

Tragicamente, Alberto morreu aos 42 anos, deixando Vitória devastada. Ela usou preto pelo resto da vida e se retirou de aparições públicas por anos. Embora ela continuasse a governar, sua dor era evidente em tudo o que ela fazia. Ainda hoje, sua história de amor continua sendo uma das mais conhecidas da história britânica.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


AS MAIORES HISTÓRIAS DE AMOR DA HISTÓRIA II

 2. Shah Jahan e Mumtaz Mahal – Amor eternizado em pedra

Quando o Imperador Shah Jahan do Império Mughal perdeu sua amada esposa, Mumtaz Mahal, ele transformou sua dor em algo extraordinário — o Taj Mahal. Esta estrutura de tirar o fôlego, construída como uma homenagem a ela, continua sendo um dos símbolos de amor mais famosos do mundo.

Shah Jahan governou de 1628 a 1658 e teve várias esposas, mas Mumtaz Mahal era sua confidente mais próxima. Ela desempenhou um papel essencial em sua vida, oferecendo conselhos e apoio. A morte dela durante o parto o devastou, e ele jurou honrar sua memória de uma forma incomparável.

Ao longo de 20 anos, milhares de artesãos e arquitetos trabalharam no Taj Mahal, uma obra-prima de mármore branco, entalhes intrincados e design simétrico. O monumento ainda atrai milhões de visitantes a cada ano, servindo como um lembrete de um amor que transcendeu o tempo. Os últimos anos de Shah Jahan foram cheios de tristeza — seu filho o derrubou, e ele passou o resto de sua vida preso, só podendo ver o Taj Mahal de uma janela.

3. Nero e Poppaea Sabina – Paixão que levou à destruição

A Roma Antiga estava cheia de histórias de amor dramáticas, mas poucas foram tão escandalosas quanto a do Imperador Nero e Popéia Sabina. O relacionamento deles foi construído com base na ambição e no excesso, e acabou em tragédia.

Nero era casado com Otávia, mas o casamento deles era infeliz. Seu caso com Popéia, uma mulher casada conhecida por sua beleza e influência, causou um escândalo. Nero acusou Otávia de infidelidade para justificar o divórcio. Mais tarde, ela foi exilada e eventualmente morta. Com Otávia morta, Nero e Popéia se casaram em uma cerimônia extravagante, vivendo uma vida de luxo e indolência.

O relacionamento deles tomou um rumo sombrio quando, em um acesso de raiva, Nero supostamente chutou Popéia enquanto ela estava grávida, levando à sua morte. Consumido pela dor, ele a enterrou em uma tumba elaborada, mas sua própria queda ocorreu logo depois. Seu reinado entrou em caos, terminando com seu suicídio quando Roma se voltou contra ele.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


AS MAIORES HISTÓRIAS DE AMOR DA HISTÓRIA I

 Ao longo da história, o amor frequentemente se entrelaçou com poder e política. Alguns romances fortaleceram reinos, enquanto outros levaram à queda e ao desespero. Por trás das manobras políticas e dos grandes gestos, esses relacionamentos eram movidos pela paixão, ambição e, às vezes, tragédia. Essas histórias revelam não apenas a paixão entre os indivíduos, mas também como seus relacionamentos influenciaram o curso da história. Vamos explorar alguns desses casais inesquecíveis.

1. Cleópatra e Marco Antônio – Um amor que terminou em tragédia

Uma das histórias de amor mais famosas da história é a de Cleópatra, a última rainha do Egito, e Marco Antônio, um general romano. O relacionamento deles não era apenas pessoal, mas também político, remodelando as lutas de poder do mundo antigo.

Cleópatra, conhecida por sua inteligência e charme, conheceu Antônio em 41 a.C. Os dois rapidamente se tornaram aliados e amantes, unindo-se contra seu inimigo comum, Otaviano. O tempo que passaram juntos foi repleto de grandes festas e exibições extravagantes em Alexandria, mas seu amor também gerou controvérsia. Antônio já era casado com Otávia, e sua decisão de deixá-la por Cleópatra prejudicou sua reputação em Roma. Sua aliança com uma rainha estrangeira fez muitos questionarem sua lealdade a Roma, dando a Otaviano uma vantagem em sua rivalidade política.

O destino deles foi selado na Batalha de Ácio em 31 a.C., onde as forças de Antônio e Cleópatra foram derrotadas. Eles recuaram para Alexandria, onde o exército de Otaviano logo os cercou. De acordo com relatos históricos, Cleópatra fingiu sua morte para evitar a captura. Ao ouvir isso, Antônio, acreditando que ela havia partido, tirou a própria vida. Cleópatra mais tarde também acabou com a própria vida, possivelmente usando uma cobra venenosa. Com suas mortes, o Egito caiu sob o domínio romano, marcando o fim da dinastia ptolomaica.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

sábado, 20 de junho de 2026

Cientistas Subestimados Que Estavam Certos III

Alfred Wegener (1880-1930)

Proponente da teoria da deriva continental

Wagener era um geofísico e meteorologista, cuja vida é tão trágica quanto excitante. Wegener estuda amostras de terra de vários continentes e notou um padrão estranho: a composição das amostras das Américas era estranhamente semelhante à da Europa Ocidental, e os fósseis e rochas australianos tinham uma estranha semelhança com os da Ásia e da Nova Zelândia.

Isso o levou a sugerir em uma série de documentos que os continentes da Terra podem se mover ao longo de milhões de anos. Mais uma vez, a teoria de Wegener também foi rejeitada por outros cientistas na época.

Em 1930, ele foi em uma expedição à Groenlândia e morreu com a idade de 50 anos. Somente anos depois, na década de 1960, a teoria da deriva continental foi estabelecida como um fato científico.

Nicolau Copérnico (1473-1543)

Descobriu o Sistema Solar Heliocêntrico

Durante a antiguidade, os cientistas estabeleceram que vivemos em um sistema solar heliocêntrico, o que significa que todos os planetas giram em torno do sol. No entanto, esse conhecimento foi perdido por centenas de anos, até que Copérnico o restabeleceu em 1543 em seu livro Das Revoluções das Esferas Celestes, que foi amplamente ignorado, e as pessoas continuaram acreditando que a Terra era o centro do universo.

O que também prejudicou foi que a igreja católica condenou seu livro e o baniu por séculos. Ainda assim, o estudo de Copérnico é considerado uma das realizações astronômicas mais notáveis da Idade Média e Copérnico é conhecido por praticamente todos.

O mesmo se aplica a outros quatro dedicados cientistas que discutimos neste artigo. Essas histórias mostram que a persistência e a devoção à verdade transcendem o tempo, ao passo que o escárnio e a malevolência não são. Portanto, seja corajoso e não tenha medo de falar sua verdade.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Cientistas Subestimados Que Estavam Certos II

Gregor Mendel (1822-1884)

Descobriu a herança genética

Um monge por característica, Gregor Mendel era um cientista nato: ele era um matemático talentoso e um brilhante biólogo. Mendel sozinho fundou a ciência da genética quando, enquanto trabalhava no jardim do mosteiro, notou que algumas das flores de ervilha tinham uma coloração mista, enquanto outras tinham apenas uma cor.

Isso o fez pensar que existem algumas características, como a cor das flores, que devem ser passadas de geração para geração, e quando essas características são diferentes na planta “mãe” e “pai”, ela pode produzir uma característica mista. Ele então continuou cruzando plantas de ervilha com vários traços e traçou os mecanismos básicos de herança genética, que ele publicou em um artigo que foi completamente ignorado.

Mendel seguiu em frente com sua vida e se tornou o abade de seu mosteiro. Apenas 16 anos após sua morte, seu trabalho foi redescoberto e se tornou a base da genética, como a conhecemos hoje.

William B. Coley (1862-1936)

O Fundador da Imunoterapia

No final do século 19, não havia radiação, quimioterapia ou drogas contra o câncer, e o procedimento padrão para tumores cancerígenos envolvia cortar tumores ou tecidos cancerígenos. William Coley era um cirurgião de ossos que trabalhava no New York Cancer Hospital.

Ele notou que alguns pacientes que sofriam de infecções bacterianas, como infecções por estreptococos, tinham maior probabilidade de se recuperar de câncer sem cirurgias do que outros pacientes. Isso fez com que Coley injetasse vários pacientes com uma versão enfraquecida de estreptococos e outra bactéria, o que, em alguns casos, fazia o câncer do paciente diminuir drasticamente, mas em outros, os pacientes acabavam morrendo devido às infecções que ele administrava.

Esse tratamento para o câncer era chamado de toxinas de Coley, e ele e alguns outros médicos usaram a teoria de Coley para tratar o câncer. Infelizmente, a teoria de Coley não foi bem aceita na comunidade científica e foi esquecida por quase meio século.

Somente na década de 1960, muitos anos após sua morte, a ideia de imunoterapia reapareceu na pesquisa médica, e os numerosos artigos de Coley tiveram um papel importante no estabelecimento desse campo de tratamento do câncer.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.


Cientistas Subestimados Que Estavam Certos I

Se você e suas ideias forem rejeitadas uma e outra vez, embora saiba que você está certo, nunca desista. As histórias de vida desses cinco cientistas provam que, às vezes, é preciso muito tempo para que as pessoas apreciem seu esforço, pois cada uma delas foi rejeitada em sua vida ou até mesmo envergonhada por suas teorias.

No final, no entanto, todos os cinco cientistas se mostraram corretos e a ciência moderna recebeu muito conhecimento e inspiração inestimáveis de suas pesquisas científicas. Vamos ser inspirados por suas vidas e aprender a perseverar, não importa o que aconteça.

Ignaz Semmelweis (1818-1865)

O pai da desinfecção

Semmelweis foi o primeiro médico a sugerir que doenças infecciosas podem se espalhar quando os médicos não lavam as mãos ou desinfetam suas ferramentas, anos antes de aprendermos sobre a teoria microbiana das doenças. Semmelweis era um obstetra em Viena, cuja observação foi que a taxa de mortalidade das mulheres pós-parto era muito maior nos partos hospitalares do que nos nascidos de parteira.

Ele acreditava que isso acontecia porque os médicos da época costumavam examinar rotineiramente cadáveres e realizar autópsias, e depois continuariam a assistir partos, os quais, como Semmelweis concluiu, devem ter espalhado a doença para as mulheres. Para neutralizar isso, ele fez os médicos e enfermeiros lavarem as mãos antes de ajudar no parto e até mesmo começarem a desinfetar as ferramentas.

sso diminuiu a taxa de mortalidade das mortes pós-parto quase imediatamente, e Semmelweis publicou vários artigos sobre esse fenômeno, mas ninguém acreditou nele. Ele foi demitido de seu trabalho em Viena e continuou sua prática em Budapeste, e lá também, as taxas de mortalidade entre as mulheres caíram em 25%.

Desmoralizado e intrigado pela ignorância da comunidade científica, Semmelweis desenvolveu depressão clínica e foi administrado em uma instalação mental, onde ele morreu inesperadamente, provavelmente devido a ferimentos que sofreu do pessoal do hospital em uma tentativa de fugir.

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.

terça-feira, 16 de junho de 2026

53 anos da Faculdade de Educação Ciências e Letras do Sertão Central

Por Pe. Francisco Artur Pinheiro Alves (*)

Neste dia 10 de maio, a Feclesc completa 53 anos de história. Criada por lei municipal, pela Câmara Municipal de Quixadá, em 10 de maio de 1973, a Faculdade passou por várias etapas, numa luta contínua por sua consolidação como instituição de ensino superior na região do Sertão Central.

Sua primeira denominação foi Faculdade de Filosofia de Quixadá. Nesta fase inicial tinha como mantenedora a Prefeitura do Municipal de Quixadá.

Em 1976, percebendo-se que não cabia ao município, manter uma instituição de nível superior, foi criada a fundação Educacional do Sertão Central - Funesc, para ser a mantenedora da faculdade. Na ocasião foi também mudado o seu nome, passando a denominar-se Faculdade João XVIII, em homenagem ao Papa homônimo.

Neste período conseguiu instar-se em um terreno de 10.000m², doado por um cidadão local, sr. Joaquim Gomes da Silva, conhecido carinhosamente como Sr. Quinzinho. Foi construída sua sede, com um bloco administrativo e uma Biblioteca e dois blocos de sala aula.

Em 1983, foi encampada pela Fundação Universidade Estadual do Ceará, dentro de um projeto de expansão que contemplou outros municípios, dentre os quais, Iguatu Crateús, Itapipoca, Limoeiro do Norte.

Inicia-se uma nova fase com a realização de concurso público para professores. Os primeiros cursos são criados, vestibulares foram realizados semestralmente e a foi assim, florescendo. Houve uma interrupção na oferta de vestibular, mas foi superada, com a organização e entrega dos projetos profissiográfico dos cursos, pela UECE, junto ao Conselho Federal de Educação.

Após esta fase, novos concursos aconteceram, foi feita uma reestruturação acadêmica, com a criação dos departamentos, a aprovação do Regimento interno, a criação do Curso de Letras, a construção da Residência Universitária, novos blocos de sala de aula, laboratórios de Ciências, auditório e mais concursos, agora para Mestres e doutores.

Hoje, além dos cursos iniciais, Feclesc tem novos cursos e avança na Pós- Graduação, com Mestrados e o primeiro Doutorado, consolidando-se como instituição de nível superior, na região e no interior do Estado.

Oficialmente a Feclesc está comemorando 43 anos, contagem que se inicia com sua anexação pela Uece. Como estudioso e testemunha de sua história, defendemos que esta data seja mudada, já que 10 anos antes da anexação a Feclesc já existia, conforme foi descrito no início deste texto.

Com 43 ou 53 anos, a Feclesc ainda é criança, comparada às universidades e Faculdades nacionais e internacionais. Mesmo ainda na sua infância, ela já deu um grande contributo à região na qual está inserida e dará muito mais no porvir. Viva a Universidade Pública e gratuita, viva a FECLESC, que está contribuindo, com outros centros e faculdades da Uece, com a democratização do acesso à educação superior do Ceará.

(*) Diretor da Fecelsc entre 1992 e 1996.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/05/26. Opinião. p.17.


segunda-feira, 4 de maio de 2026

250 ANOS DA RIQUEZA DAS NAÇÕES

Por Lauro Chaves Neto (*)

Publicado em 1776, em meio às transformações que antecederam a Revolução Industrial, A Riqueza das Nações, de Adam Smith, marcou o nascimento da economia como campo de análise. Junto com o Capital, de Karl Marx, e a Teoria Geral, de Keynes, são três das mais importantes influências para a Economia Política.

Ao romper com o pensamento mercantilista, a obra introduziu conceitos fundamentais como divisão do trabalho, livre concorrência e o papel dos incentivos na organização dos mercados. Mais do que um tratado econômico, tratou-se de um marco intelectual que buscava compreender as fontes da prosperidade das nações.

Adam Smith não escreveu apenas sobre mercados - escreveu contra privilégios. E é justamente aí que sua obra permanece atual.

Ao proteger ineficiências, transfere-se o custo para a sociedade - seja por meio de preços mais altos, menor produtividade ou oportunidades limitadas. Trata-se de um modelo que concentra ganhos e socializa perdas, ampliando as desigualdades sociais e territoriais, contrariando frontalmente a lógica defendida por Smith.

O problema não é a existência de regras, mas a sua assimetria. Regras que deveriam nivelar o jogo acabam sendo moldadas para favorecer poucos. O resultado é um sistema que penaliza quem produz, inova e compete de fato. A competitividade, hoje, exige sustentabilidade, inovação e capacidade de adaptação.

No pensamento de Adam Smith, a atuação do Estado não é descartada, mas deve ser orientada ao interesse público!

Há uma "boa intervenção", associada à provisão de bens públicos, à garantia da justiça, da segurança e de regras claras que assegurem a concorrência. Em contraste, a "má intervenção" ocorre quando políticas públicas passam a favorecer grupos específicos, por meio de privilégios, comprometendo a livre concorrência e a alocação eficiente de recursos.

Segundo Smith, quando o Estado se afasta do seu papel de garantidor do jogo e passa a interferir de forma desigual, a mão invisível deixa de promover eficiência e passa a conviver com distorções, reduzindo produtividade e inovação, e, em última instância, o bem-estar da sociedade.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 30/03/26. Opinião. p.20.


 

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