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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

DJ Renatinha, Gonzagão e os livros

Por Izabel Gurgel (*)

Antes da última pandemia, a DJ Renatinha viajou com radiola e dois engradados de discos de vinil. Projeto "Long Play em Feiras e Romarias".

Em Juazeiro do Norte, radialistas subiram o Horto, levando discos para ouvir e conversar com ela. Em Canindé, cada fã de Roberto Carlos, mexendo nos discos, tinha pelo menos uma história coalhada de detalhes para contar para a DJ.

Na feira de Messejana, um adolescente se surpreendeu com Fiuk na capa de 'uma coisa tão antiga como aquela'. Era o pai do rapaz, Fábio Júnior, galã, galã na capa de um LP.

Na feira do Crato, a banca da DJ era perto da venda de farinha de mandioca dos irmãos Aniceto, da mais festejada banda cabaçal do Ceará.

Em Limoeiro do Norte, a filha do colecionador de música Osmar Onofre ficou in-vi-sí-vel por horas. Era o encontro de mestras e mestres da cultura tradicional popular e a banca da DJ parecia ter um ímã a atrair gente de todas as idades, de menos de oito a mais de oitenta. O lugar mais perto dela era depois de pencas de pessoas em rodas concêntricas, cada uma com sete vidas. Não arredaram pé. A brincadeira era pedir uma música e sair. Cadê que saía?

Quem não conhecia, queria saber como funcionava aquilo que aterrissara ali, direto de outro mundo. Lindo ver o mói de crianças de olhos arregalados, boca aberta e todo o interesse do mundo pelo que não conheciam. Conhecedores de LPs queriam fruir da presença da DJ, levá-la para outros terreiros, passear com ela mostrando o que ela mostrava, abrir velhos guarda-roupas cheios de discos doidos para serem ouvidos.

A banca-biblioteca sonora ambulante virou brinquedo. A quase dizer que valia por um parque de diversões todinho. Os discos rodando, rodando, passando de mão em mão, cada criatura contando do que lhe tocava, a bem dizer uma audiência sem ouvintes. Toda a gente dizia de si e de mundos.

No caminho, Pentecoste, Barbalha, outros lugares, e em cada parada uma cacimba de histórias parecia sair pela primeira vez para passear.

Ficou na memória a fila crescente, esticando, perto do museu-casarão-azul do Horto. Foi passando de boca em boca que, dentre os livros junto à banca da DJ, havia um que era botija desejada.

Peregrinação. Naquela manhã, todo tato do mundo se dedicou a apreciar "O Rei e o Baião", livro grande como bolo de tabuleiro. É um projeto contemplado pelo Ministério da Cultura via Fundo Nacional da Cultura e Instituto Brasileiro de Museus. Publicação da Fundação Athos Bulcão, Brasília, 2010. Organização: Bené Fonteles.

A foto da capa, do Seu (nosso) Chico Albuquerque (1917-2000), é Luiz Gonzaga (1912-1989) em preto e branco, estralando de vida, mais feliz do que sanfona chamando dança.

É livro de muitas vozes (textos, xilos, fotos, em ensaios encarte). Vou citar só duas, das professoras Elba Braga Ramalho e Sulamita Vieira, autoras também de publicações como "Luiz Gonzaga: a síntese poética e musical do sertão" e "Velhos Sanfoneiros".

Os livros cantam.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/08/26. Vida & Arte, p.2.


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Ler os cearás com água na boca

Por Izabel Gurgel (*)

Picolé de Jardim, embalado em papel Riacho. Desmancha-se no céu da boca a poesia geladinha. Jardim é um dos municípios do Cariri cearense. O picolé, uma das joias do Ceará. Cajá, castanha, tapioca, tamarindo. E mais sabores.

Wolga é refrigerante feito em Ipu. A memória registrou como Volga, o nome do rio. A etimologia, "do proto-eslavo", dá em "umidade, estado de molhado". Vi no site Origem da Palavra.

Ao ver Wolga, com "w" e não "v", pensei no café Wal-Can, de Waldemar Cavalcante, salvo um deslize outro da memória.

Em Juazeiro do Norte, a padaria Santa Liduina faz a bolacha Melindrosa, sequinha, quebra fácil à primeira mordida, com percussão. Tem uma Santa Liduina pertinho da Matriz de N. Sra. das Dores e outra na rua Santa Luzia, pertinho do mercado no Centro.

No Dicio, dicionário on line, escolhi três referências a melindre: "melindre em espanhol é o nome dado a vários tipos de doces, significando por extensão sutileza, delicadeza"; na culinária, é um "tipo de bolo de mel"; e "tendência da pessoa que se magoa com facilidade, especialmente por coisa sem muita importância". Curioso que a gente quase não usa para dizer homem melindroso. Deu nas melindrosas dos anos de 1920, virou fantasia de Carnaval. O desenho do vestir, vi em vestido, agora em 2026, na coleção Chanel. Dona Chanel dizia que buscava para as mulheres um figurino simples, digamos assim, como o dos homens.

Juazeiro do Norte consagrou a bolacha Lídia nas celebrações de entronização (e, a cada ano, renovação) do Sagrado Coração nas residências. O pesquisador Renato Dantas me contou da presença da bolacha, que levava o nome da filha do dono da panificação, nas mesas das famílias mais modestas em dias festivos em torno do sagrado coração do Filho.

Canjirão pra mim é sinônimo de tijolinho/tijolão de castanha da região do Aracati. No mercado de Aracati, soube há anos do "melhor canjirão" feito em forno a lenha. Vinha no Fortim. O cheiro do fogo na madeira preservado no sabor. Vi na semana coroada pelo jogo e torcida da Argentina um canjirão com rótulo dizendo da origem em Morada Nova.

Por falar em Argentina, Ceará é também uma delícia em doce de leite. De tantos modos quanto são as mãos que tocam o serviço. A mensal Feira da Reforma Agrária em Fortaleza, no Centro Frei Humberto, no bairro São João do Tauape, tem doce de leite de várias procedências. O último que levei pra casa não veio de lá, mas da banca de caldo de cana na estrada de Canindé, à esquerda de quem acaba de sair da estrada que vem de Maranguape. Sem rótulo, o bem cozido leite com açúcar é de Paramoti.

Volto à região do Aracati levada pelo cheiro da cozinha de Toinho Correia, do Cumbe, Toinho da Tenda do Cumbe que honrou as dunas e a paisagem de Canoa Quebrada com maravilhas como o bife da vovó (empanado) e o atolado de caranguejo, um risoto que viajava para festas sob encomenda e reinava onde quer que fosse servido. Patinhas empanadas estampam a travessa como jogadores de futebol, cheios de apetite por jogo, bordam o campo. Toinho é um craque nos doces. O de leite criou devoção. E me faz lembrar o de Dona Clarice, no Canindé do Peixe do Tião. Pra pirar, tem pirão. À beira do açude.

Sangrando corações das papilas gustativas. Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 19/07/26. Vida & Arte, p.2.


quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Cearense Melissa Gurgel alçada ao cargo de professor titular da Unicamp

Ontem (18/08/2026) foi dia de alegria para a família Gurgel Adeodato. A Melissa Gurgel Adeodato Vieira, filha dos jornalistas aposentados Márcia Gurgel e Adeodato Junior, foi aprovada em primeiro lugar como professora titular da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Melissa já desempenha o cargo de professora desde 2010 na própria universidade.

Aos 47 anos de idade, atinge o ápice da carreira acadêmica, tendo em seu robusto currículo mestrado e doutorado em Engenharia Química e três pós-doutorados, sendo um em Stuttgart, na Alemanha.

Melissa teve uma sólida base estudantil no Colégio Christus e na Universidade Federal do Ceará (UFC), por onde se graduou em Engenharia Química com diploma de Magna Cum Lauda, tendo sido, até então, o concludente com o maior IRA (Índice de Rendimento Acadêmico) da história desse curso da UFC. Fez parte do curso de Engenharia Química na École Centrale de Paris.

Desde 2023, ela compõe a lista de pesquisadores cientistas mais influentes no Mundo segundo ranking elaborado pela editora científica Elsevier e liderado por uma equipe de especialistas da Universidade de Stanford.

Nota do Blog do Marcelo Gurgel: Melissa Gurgel é uma querida sobrinha minha que obteve o primeiro lugar, disputando esse concurso público da Faculdade de Engenharia Química da Unicamp, com cinco concorrentes, sendo três da própria Unicamp e dois outros de fora. Ela está seguindo os brilhantes passos da minha irmã Meuris Gurgel, professora titular atualmente aposentada da Unicamp.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Lançamento do livro "Pediatria no Ceará: História e Pediatras"

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Realizado no dia 30 de julho de 2026, às 19h, na sede da Sociedade Cearense de Pediatria (Socep), à Rua Maria Tomásia, 701 – Aldeota, em Fortaleza-CE, o lançamento do livro "Pediatria no Ceará: História e Pediatras".

A obra é uma edição comemorativa aos 80 anos da Sociedade Cearense de Pediatria, a qual se uniu nesta iniciativa à Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Ceará, no compromisso comum de preservar a memória daqueles que dedicaram suas vidas aos cuidados das crianças e dos adolescentes em nosso Estado.

Apresentação, por Maria Sidneuma Melo Ventura

Prefácio, por João Cândido de Souza Borges

Autores: (Maria Sidneuma, João Borges e Marcelo Gurgel) e Coautores: (15)

Parte I - História e Evolução da Pediatria no Ceará 

Parte II - A Pediatria do Ceará em Livros

Parte III - Pediatras Atuantes no Ceará

Parte IV - Entrevistas com Pediatras Cearenses, conduzidas por Clara Studart e revisadas por Mirna Gurgel

Parte V - Apêndices e Anexos

Pósfacio, por Marcelo Gurgel Carlos da Silva 

Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2026

260p. Capa dura

ISBN: 978-85-420-1973-5

Obs.: Preço: R$ 100, 00 (cem reais), à venda na Socep.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Nova’Acts em 13/08/2026.

https://airblog-pg.blogspot.com/2026/08/1480-lancamento-do-livro-pediatria-no.html


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Fiar, tecer, tramar no Ceará das rabecas

Por Izabel Gurgel (*)

"Arte da Tradição - Mestres do Povo" (Expressão Gráfica e Laboratório de Estudos da Oralidade da Uece e UFC, 2005) reúne as mais de 50 matérias publicadas no Ceará. Quatro rabequeiros estão em "Artes da Tradição - Mestres do Povo": Raimundo Veríssimo, de batismo Raimundo Bezerra do Nascimento, de Itapipoca; Zé Oliveira, do Cariri, cego e artista como o pai, o cego Oliveira; mestre Silvino, Silvino Veras D'Ávila, de Irauçuba; e Antônio Hortênsio, da Varjota, também presente no livro "Mestres da Cultura Popular Tradicional do Ceará" (Secult Ceará, 2006), que reúne 11 mulheres e 25 homens reconhecidos Tesouros Vivos do Ceará pela lei estadual instituída em 2003.

"Ora direis, ouvir rabecas...". O professor Gilmar de Carvalho (1949-2021) assim finaliza o texto de apresentação do livro "Rabecas do Ceará" (Expressão Gráfica e Editora, 2006). No município de Graça, encontrou o mais velho dentre eles: Chico Flor, Francisco João da Silva, nascido em 1916. No município de Carnaubal, o mais novo dentre os 105 rabequeiros: Pedro Fontenele Sampaio, nascido em 1954.

"Ora direis, ouvir rabecas" é como Gilmar intitula o texto introdutório do livro "Tirinete - Rabecas da Tradição", de 2018, com 184 rabequistas e uma única mulher dentre eles, Ana Soares, de Umari. As artes de fazer e tocar rabeca estão em outras publicações, como "Mestres Santeiros - Retábulos do Ceará" (Museu do Ceará, 2004). Gilmar encontra em Guaraciaba do Norte o mestre Heráclito, nascido em 1910.

Cada livro, e todos eles com fotos de Francisco Sousa, é uma espécie de botija.

Leio e releio Gilmar, prestando atenção à presença de fiandeiras, rendeiras, bordadeiras. Mãos e mães que fiam e tecem, cortam e costuram, fazem e consertam redes de dormir, roupa de vestir, roupa de cama, mesa e banho. Fazem croché e outras artes têxteis. Para uso em casa, para sustento da casa. Anoto o nome delas. Mulheres com as quais Gilmar conversa, escutando-as sobre ofícios e labores, como a rendeira Maria Daniel, do serrote da Mataquiri, em Cascavel; Vicência Antônia Barbosa, Dona Miúda das bonecas de pano feitas desde a infância no sítio Bebida Nova, no Crato; a tecelã Dona Edite da rede de travessa, Maria Edite Pereira Santos, da Varjota dos Tremembé (as três no livro "Artes da Tradição"). Mulheres cujos nomes Gilmar faz seus entrevistados anunciarem como portadoras de 'ciência própria' para ganhar a vida, como as mães, avós e esposas dos rabequeiros. Dona Hilda Trajano, mãe do mestre Antônio Hortênsio, fiava algodão e tecia redes. Cada uma a seu modo, e todas elas, a tocar o cotidiano, a cuidar da casa, das crianças, dos adultos, por vezes da roça. E da almofada de renda, do tear, da grade com o labirinto, do bastidor com o bordado, do fio da vida. E da vida por um fio.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/07/26. Vida & Arte, p.2.


terça-feira, 4 de agosto de 2026

Lugares sagrados e turismo religioso

Por Rita Fabiana Arrais (*)

No último dia 10 de junho - durante a 113ª Reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) - aprovou-se o registro de bem cultural aos Lugares Sagrados da cidade de Juazeiro do Norte.

De acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Romaria (Sedetur) de Juazeiro do Norte o processo de solicitação do registro iniciou-se em 2018 com a juntada de um arcabouço documental, enfatizando a importância simbólica dos lugares às mais distintas manifestações religiosas dos fiéis que peregrinam na cidade desde 1889 quando impactados pelo milagre da hóstia e pela figura emergente do Padre Cícero Romão.

A comunidade do bem cultural demarca os seguintes lugares: a Basílica de Nossa Senhora das Dores, a Capela do Socorro, a Casa dos Milagres Padre Cícero, a Casa Museu Padre Cícero, o Santuário dos Franciscanos, o Rio Salgadinho, a Ladeira do Horto e o Complexo do Horto. São nestes espaços "no universo das devoções" onde o sagrado habita. O simbolismo destes lugares alcança seu ponto fulcral durante as romarias, momento em que os fiéis renovam sua fé, ao mesmo tempo em que ressignificam seus rituais.

Atualmente existem dez romarias por ano (Celebração em memória da morte da beata Maria de Araújo; Romaria de São Sebastião; Romaria de Nossa Senhora das Candeias; Romaria de nascimento do Padre Cícero; Romaria em memória da morte do Padre Cícero; Romaria de Nossa Senhora das Dores; Romaria de São Francisco; Romaria de Finados; Romaria de ordenação do Padre Cícero; Romaria do Ciclo Natalino). Estima-se que 2,5 a 3 milhões de romeiros participam destes eventos consolidando o turismo religioso como uma das principais atividades econômicas da Região Metropolitana do Cariri (RMC). Registre-se que com a lei federal nº 15.443 de 26 de junho de 2026 todas as romarias tiveram as datas inclusas no Calendário Turístico Oficial do Brasil.

É notório que estes eventos religiosos impulsionam o desenvolvimento e crescimento econômico da RMC, pois os setores do comércio, serviços e infraestrutura são positivamente impactados com a demanda constante, e consequentemente estimulam a geração de empregos, o aumento da renda e da arrecadação de tributos.

Quanto ao volume de dinheiro movimentado, estima-se que R$ 754 milhões são abarcados pela economia local e distribuídos em setores como o hoteleiro, restaurantes, mercado de artigos religiosos, transporte, entre outros. (Sedetur/2025)

Como dizia o Seu Luiz Gonzaga (1912-1989): "Olha lá no alto do horto, ele tá vivo o "padim" não tá morto!

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 3/07/26. Opinião. p.17.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Livro resgata a história da Pediatria cearense e preserva legado para futuras gerações

 


 Reportagem: Argollo de Menezes

CEO, Editor Jornal do Médico®️, Jornalista DRT-CE 1950 e Membro Honorário SOBRAMES-CE | Instagram@jornaldomedico

Resultado de quase 2 anos de pesquisa, Pediatria no Ceará: História e Pediatras reúne documentos raros, fotos inéditas e biografias dos ex-presidentes da Sociedade Cearense de Pediatria. Lançado pela SOCEP em parceria com a SOBRAMES-CE, o livro celebra o aniversário de 80 anos da entidade e busca preservar o legado da especialidade para as próximas gerações. Em entrevista inédita, o presidente da SOCEP, Dr. João Cândido de Sousa Borges, fala sobre os bastidores da pesquisa e a importância de preservar a memória dos profissionais que construíram a pediatria cearense.

Jornal do Médico® – Dr. João Borges, o livro começou a ser planejado em agosto de 2024, nos 80 anos da SOCEP. Como surgiu a ideia dessa parceria com a Sobrames-CE e os autores Sidneuma Ventura e Marcelo Gurgel para realizar esse resgate histórico?

Dr. João Borges: Já de um tempo eu tinha um desejo de registrar a história da Pediatria no Ceará…. A ideia da construção deste livro, ocorreu durante as comemorações dos 80 anos da Sociedade Cearense de Pediatria, em agosto de 2024, naquele momento tão significativo para a nossa instituição, percebemos que celebrar a história da SOCEP também significava preservar a memória da Pediatria cearense. Foi então que o colega Marcelo Gurgel, escritor e integrante da Sobrames-CE, propôs essa parceria, que foi prontamente acolhida pela SOCEP. Ao lado da Dra. Sidneuma Ventura, iniciamos um trabalho intenso de pesquisa, levantamento documental e reconstrução histórica. Desde o início, compreendemos que não se tratava apenas de produzir um livro, mas de deixar um legado para as futuras gerações de pediatras, registrando a trajetória daqueles que ajudaram e ajudam a construir a nossa especialidade no Ceará.

Desde o início, compreendemos que não se tratava apenas de produzir um livro, mas de deixar um legado para as futuras gerações de pediatras…”

Jornal do Médico® – O livro traz registros biográficos, documentos e a trajetória dos ex-presidentes da SOCEP. Para o leitor que terá a obra em mãos, quais são as principais relíquias históricas ou marcos da Pediatria cearense que ele encontrará nessas páginas?

Dr. João Borges: O leitor encontrará um verdadeiro patrimônio histórico da Pediatria Cearense. A obra reúne documentos, fotografias, registros institucionais, relatos históricos e biografias de profissionais que foram fundamentais para o desenvolvimento da especialidade em nosso Estado. Também apresenta a trajetória dos ex-presidentes da SOCEP, mostrando como cada gestão contribuiu para fortalecer a assistência à criança, a formação médica e a defesa profissional do pediatra. Mais do que conhecer datas e fatos, o leitor poderá compreender como a Pediatria evoluiu no Ceará, acompanhando as transformações da medicina, da sociedade e das políticas voltadas à saúde infantil.

Jornal do Médico® – Foram quase dois anos de pesquisas e reuniões periódicas. Durante esse processo de resgate de memórias, houve algum fato esquecido ou personagem da Pediatria que surpreendeu a comissão ao ser redescoberto?

Dr. João Borges: Sem dúvida. Ao longo das pesquisas, tivemos a oportunidade de redescobrir profissionais cuja contribuição foi decisiva para a consolidação da Pediatria no Ceará, mas que, com o passar do tempo, acabaram pouco lembrados pelas novas gerações. Também encontramos documentos, registros e relatos que revelam o enorme esforço dos pioneiros para estruturar serviços, formar especialistas e fortalecer o ensino pediátrico em nosso Estado. Cada reunião trazia novas descobertas, reforçando a percepção de que preservar essa memória era uma responsabilidade coletiva e uma forma de prestar homenagem àqueles que dedicaram suas vidas ao cuidado das crianças.

Tivemos a oportunidade de redescobrir profissionais cuja contribuição foi decisiva para a consolidação da Pediatria no Ceará, mas que acabaram pouco lembrados pelas novas gerações.

Jornal do Médico® – No prefácio, o senhor menciona que gerações de pediatras fizeram do cuidado à infância sua missão de vida. Como o senhor enxerga a evolução do perfil do pediatra no Ceará, desde os pioneiros até os profissionais de hoje?

Dr. João Borges: Os pioneiros construíram a Pediatria cearense em um contexto de muitos desafios, com recursos limitados, mas com enorme dedicação, compromisso e espírito de serviço. Foram eles que lançaram as bases da especialidade no nosso Estado. Hoje, encontramos uma Pediatria muito mais integrada ao conhecimento científico, às novas tecnologias e ao trabalho multiprofissional. Ao mesmo tempo, permanece inalterada a essência da profissão: o compromisso com a saúde, o desenvolvimento e o bem-estar da criança e do adolescente. Vejo com satisfação uma nova geração de pediatras preparada tecnicamente, comprometida com a educação continuada e consciente da importância da humanização no cuidado.

Jornal do Médico® – Citando o filósofo Cícero, o senhor destaca que a história é a “vida da memória”. Qual é a principal lição que esta obra comemorativa deixa para inspirar os estudantes e os novos pediatras que assumirão o futuro da especialidade no nosso Estado?

Dr. João Borges: A principal mensagem é que nenhuma instituição e nenhuma especialidade se fortalecem sem conhecer sua própria história. Este livro mostra que os avanços conquistados ao longo das décadas são fruto da dedicação, da competência e do espírito coletivo de muitos profissionais que vieram antes de nós. Espero que os estudantes e os jovens pediatras encontrem nestas páginas inspiração para exercer a Medicina com excelência técnica, ética, sensibilidade e compromisso humano. Conhecer o legado dos nossos pioneiros nos ajuda a compreender que também somos responsáveis por construir os próximos capítulos da história da Pediatria Cearense, sempre colocando a criança e o adolescente no centro de nossa missão.

Fonte: Jornal do médico, 22(207): 9-10, julho de 2026.

https://jornaldomedico.com.br/2026/07/29/livro-resgata-a-historia-da-pediatria-cearense-e-preserva-legado-para-futuras-geracoes/

terça-feira, 28 de julho de 2026

URCA: 40 anos promovendo o desenvolvendo regional

Por Carlos Kleber Oliveira (*)

A Universidade Regional do Cariri (Urca) nasceu de um sonho coletivo. Criada em 9 de junho de 1986 e implantada em 7 de março de 1987, foi resultado da mobilização de lideranças e da sociedade civil organizada, que compreendiam a importância de uma universidade pública no interior do Ceará para impulsionar o desenvolvimento regional por meio da educação, da ciência e da cultura.

Naquele momento, reunindo cursos oriundos da então Faculdade de Filosofia do Crato e da Universidade Estadual do Ceará, a instituição iniciou suas atividades com oito cursos de graduação, concentrados nos municípios de Crato e Juazeiro do Norte.

Ao longo desses 40 anos, a Urca cresceu e se consolidou como uma das mais importantes instituições de ensino superior do Nordeste. Atualmente, conta com 35 cursos de graduação, 13 mestrados, quatro doutorados e cerca de 20 especializações distribuídos em sete municípios - Crato, Juazeiro do Norte, Barbalha, Missão Velha, Campos Sales, Iguatu e Mauriti, além de ofertar 5 cursos de graduação na modalidade à distância, em vários municípios do Estado.

Durante esses anos a Urca formou aproximadamente 33 mil graduados, 944 mestres e 44 doutores, contribuindo decisivamente para a qualificação profissional e para o desenvolvimento social, econômico e cultural do Cariri e de todo o Ceará.

A presença da URCA pode ser percebida em praticamente todos os setores da sociedade, como docentes para a educação básica e superior, e profissionais para as áreas de saúde, indústria, serviços, construção civil, jurídica, além de desenvolver pesquisas voltadas para os desafios e potencialidades da região.

A Urca abriga ainda importantes equipamentos científicos e culturais. Se destaca o Geoparque Araripe Mundial da UNESCO, o primeiro das Américas, e que está intrinsicamente inserido no território da Araripe. Tem o Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, uma referência internacional na área da paleontologia, sendo também referência na repatriação de fósseis, que retornam ao território de origem.

A universidade possui em seu quadro pesquisadores que estão entre os 2% mais influentes do mundo. Participa ativamente de grandes projetos, que impactam no desenvolvimento, na preservação e no reconhecimento do território em que se situa, como por exemplo, dos esforços para que a Chapada do Araripe obtenha o reconhecimento como Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO.

Olhando para o futuro, a perspectiva é de continuidade do crescimento institucional, se consolidando como uma universidade cada vez mais inovadora, inclusiva e internacionalizada, mantendo seu compromisso histórico com o desenvolvimento regional.

(*) Reitor da Universidade Regional do Cariri (Urca).

Fonte: Publicado In: O Povo, de 26/06/26. Opinião, p.17.


segunda-feira, 20 de julho de 2026

BORA BRINCAR

Por Izabel Gurgel (*)

Chegamos em Alcântara para os últimos dias da Festa do Divino. Acompanhamos o Imperador e comitiva em cortejo, indo a cada uma das casas dos nove mordomos previamente escolhidos para receber a real visita. Era o começo da despedida, o Imperador agradecia a acolhida ao longo da temporada.

O cortejo incluía as mulheres caixeiras do Divino Espírito Santo, tocadoras responsáveis pela animação da sala de baile que havia em cada casa. Em cada casa, havia também uma sala do trono e uma do banquete. Os mordomos e suas famílias, o que meus olhos de visitante queriam e podiam perceber, eram a parte mais visível da mobilização de Alcântara inteira para a festa. O todo, sabemos, pode tocar algo maior do que a soma das partes.

Depois de Alcântara, dava mais gosto ainda ver, rever o documentário de Isa Grinspum Ferraz, com argumento de Antônio Risério, feito a partir do livro "O povo brasileiro", de Darcy Ribeiro (1922-1997). E encontrar Agostinho da Silva a dizer do desejo, da utopia de uma era sem fome, onde haveria abundância para todas as pessoas, e todos os seres experimentariam a plenitude. Ouvir Agostinho da Silva (1906-1994) sobre a figura do Imperador Criança, um menino ou uma menina fazendo a real presença viver naquele pedaço do mundo, é uma fala de sustança até hoje.

Dia desses, uma contadora de histórias com origem nos Inhamuns e moradora da serra de São Pedro, Caririaçu, me enviou um vídeo da feitura de uma iguaria da Festa do Divino em, salvo engano, algum lugar do imenso Tocantins. Atriz e produtora cultural, Thailyta Feitosa sabe bem que o que quer que seja necessário para uma cena, incontornável é a aplicação ao que precisa ser feito.

Os nove banquetes da (última?) noite de festa em Alcântara vez e outra figuram na memória. Pelo imenso trabalho que torna cada um deles possível. Pela inscrição que deixam em quem viveu pelo menos um deles. Mesmo que, como se deu conosco, nada tenham saboreado, uma vez que as crianças de Alcântara, como diz a boa saúde de uma criança, vivem tal noite tocadas pelo para-sempre e adivinhando os nunca-mais.

Fizemos todo o cortejo, casa após casa, com rapapés na sala do trono, um toque de caixa na sala de baile e a passagem à sala do banquete. As crianças nos antecediam, e pareciam coladas à cada mesa mui fartamente montada. Eram a mais bonita interdição do acesso às bebidas, comidas e lembrancinhas de cada casa. Elas viam melhor o bolo confeitado - cada um único, irrepetível - não porque se tornassem, elas próprias, partes da mesa, mas pelos olhos então nunca saciados da capacidade de se encantar, de lamber o mundo. Dia já clareando, de volta à pousada, provamos no café o doce de espécie servido na festa. E haveria, na manhã iniciada, o banquete final na casa do Imperador.

Foi o colega jornalista Arthur Gadelha ligar sobre a pauta de festa junina que ele acabara de receber e eu lembrar do serviço grande que uma festa requer. Já reparou como brilham cada vez mais as pessoas que brincam quadrilha? A brincadeira é a sustentação do todo-dia.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 21/06/26. Vida & Arte, p.2.


terça-feira, 14 de julho de 2026

ESTRATÉGIA ESTADUAL DE EDUCAÇÃO FINANCEIRA

 Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

O governador Elmano de Freitas acerta mais uma vez ao instituir a Estratégia Estadual de Educação Financeira (E3F), normatizada pelo Decreto nº 36.326/2024. Com base nas diretrizes dessa estratégia, formulamos e estamos executando o Programa de Educação Financeira do Estado do Ceará, em parceria com a Fundação Demócrito Rocha, instituição reconhecida por sua competência e ampla experiência em programas de educação a distância.

A Estratégia Estadual de Educação Financeira está estruturada em três pilares fundamentais: 1) compreensão do poder do dinheiro e identificação de riscos e oportunidades, incluindo o papel da previdência complementar; 2) prevenção de fraudes; e 3) conscientização sobre os jogos de apostas, abordando os problemas decorrentes da ludopatia (vício em jogos), da destruição da renda familiar e dos impactos negativos sobre a economia.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), a educação financeira é o processo pelo qual consumidores e investidores ampliam sua compreensão sobre produtos, conceitos e riscos financeiros. Por meio de informação e instrução, desenvolvem habilidades e confiança, tornando-se mais conscientes dos riscos e oportunidades existentes, podendo realizar escolhas mais responsáveis e adotar ações que contribuam para o bem-estar financeiro.

No âmbito nacional, o Governo Federal instituiu, por meio d Decreto Nº 7.397/2010, a Estratégia Nacional de Educação Financeira, com a finalidade de promover a educação financeira, securitária e previdenciária. Desde então, o Banco Central do Brasil vem difundido orientações para fortalecer a cultura financeira da população.

Os recentes avanços tecnológicos, especialmente a crescente digitalização e a expansão de produtos sustentáveis, têm implicações para as finanças pessoais. Esse cenário reforça a necessidade de aprimorar a educação financeira, capacitando as pessoas para a tomada de decisões mais acertadas e contribuindo para o fortalecimento da alfabetização e da literacia financeira, esta entendida como a capacidade de compreender e aplicar conceitos financeiros básicos e avançados.

Outro aspecto relevante do programa é sua dimensão comportamental. A iniciativa adota uma abordagem multidisciplinar alinhada às contribuições da Economia Comportamental. Como destaca Richard Thaler, ganhador do Prêmio Nobel de Economia: "A maior lição é que, assim que se percebe um problema comportamental, é possível inventar uma solução comportamental para ele."

Mais informações sobre o Programa de Educação Financeira do Estado do Ceará podem ser acessadas no portal da Fundação Demócrito Rocha: https://fdr.org.br/educacaofinanceira/

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 11/06/26. Opinião. p.15.

domingo, 12 de julho de 2026

Iprede completa 40 anos transformando a infância no Ceará II

 

Iprede completa 40 anos transformando a infância no Ceará II

Por Ana Rute Ramires, jornalista de O Povo

OP - Desde o início, vocês se preocuparam em cuidar não apenas das crianças, mas o contexto de cuidado de familiar...

Sulivan - Exatamente. Aí quando a gente passou a gerar esse vínculo, a gente viu que do outro lado passamos não é só uma mãe que é cuidadora, mas que essa cuidadora é uma mulher. O Iprede não enxergava a mulher, ele enxergava a mãe. O Iprede tem essa dívida imensa com a mulher. Foi quando nós passamos a criar, além da trajetória da criança, a trajetória feminina.

OP - Vocês mudaram esse olhar, como é hoje?

Sulivan - Esse olhar é fantástico, porque a gente passa a recuperar, não é só o peso da criança, a gente passa a recuperar um ser humano. A gente passa a garantir para aquela criança um futuro de qualidade e a gente passa a olhar para aquela mulher que chega ali, regra geral, a mulher que passa por maior privação de vida, que é não ter escolhas. Ela não tem escolha de absolutamente nada. Essa mulher, geralmente, recebe violência corporal do seu parceiro. Essa mulher não tem uma formação profissionalizada. Essa mulher vive de bico. Essa mulher não recebe elogios. Mas é essa figura mais sofrida da sociedade que supera, que dá volta por cima, que cresce, que sai da miséria, depois de gerar vínculo, levando seus filhos. É fantástico. Ela passa a ser provedora da sua família. Ela passa a dizer não para violência domiciliar e passa a ter uma outra estruturação organizada, saudável, garantindo qualidade de vida futura para os seus filhos.

OP - Quais projetos vocês desenvolvem com esse foco na mulher, na independência?

Sulivan - Apoio da forma mais ampla possível, a começar pela saúde. Nós temos a ginecologia que assiste a mulher em todos os seus sentidos, na prevenção, no tratamento da doença ginecológica, na implantação de DIU, retirada de DIU e biópsia, se for o caso fazer. Nós temos rodas de conversa com psicólogos, profissionais da área de saúde mental que assegura essa mulher uma escuta. E essa escuta direciona pro atendimento das suas necessidades e pro seu crescimento pessoal. Nós temos também para a mulher a formação profissionalizante. Hoje nós temos geralmente no Iprede mais de 30 tipos de curso que vai atender a mulher. Aquela que não pode sair de casa pro trabalho, exerce sua atividade profissional dentro da sua própria casa, seja ela na culinária, no corte de costura, na gastronomia ou na estética.

Além do impacto direto nas famílias assistidas, o centro, que completa quatro décadas no próximo dia 16, consolidou-se como um importante polo de pesquisa e intercâmbio acadêmico internacional. Ao O POVO, o médico pediatra Sulivan Mota, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidente do Iprede, descreve metodologias inovadoras de baixo custo desenvolvidas no instituto, que utilizam a arte, cultura e esporte para promover a inclusão.

Fonte: O Povo, 7/06/26. Aguanambi 282. p.12.


Iprede completa 40 anos transformando a infância no Ceará I

 Iprede completa 40 anos transformando a infância no Ceará I

Por Ana Rute Ramires, jornalista de O Povo

Sulivan Mota, médico pediatra e presidente do Instituto da Primeira Infância (Iprede) em Fortaleza, fala sobre as mudanças nas demandas da entidade

O Instituto da Primeira Infância (Iprede) foi criado 1986 para combater a desnutrição grave. Ao longo de 40 anos, a instituição vem transformando a infância de milhares de crianças e famílias. Atualmente, a organização destaca-se também no suporte a crianças com transtorno do espectro autista (TEA) e no empoderamento de mulheres em situação de vulnerabilidade, oferecendo desde cuidados médicos até formação profissional.

Além do impacto direto nas famílias assistidas, o centro, que completa quatro décadas no próximo dia 16, consolidou-se como um importante polo de pesquisa e intercâmbio acadêmico internacional. Ao O POVO, o médico pediatra Sulivan Mota, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) e presidente do Iprede, descreve metodologias inovadoras de baixo custo desenvolvidas no instituto, que utilizam a arte, cultura e esporte para promover a inclusão.

O POVO - No início, o foco do atendimento era a desnutrição. Após 40 anos, isso mudou. Qual o foco do atendimento hoje em dia?

Sulivan Mota - A grande diferença vem através das demandas. Na época que o Iprede foi fundado, na década de 80 — precisamente em junho de 86 — a demanda era desnutrição. Nós tínhamos que combater a desnutrição. Nós tínhamos um pouquinho mais de um terço de nossa infância toda desnutrida. E não era a desnutrição do primeiro e segundo grau. A grande maioria era do terceiro grau. Era aquela sensação de quando se entrava dentro do Iprede que nós estávamos chegando na África. Porque eram crianças realmente em estágios que nos diziam: "Isso não pode existir". Tinha aquelas crianças que só tinha realmente, como a expressão popular diz, o couro e os ossos, né? Eu me liguei ao Iprede por ser professor de pediatria, por dar aula sobre desnutrição e eu levava os alunos lá. Eu não sou fundador do Iprede. O Iprede foi fundado de uma forma muito mais linda do que fosse por mim. Ele foi fundado por sete mulheres dentro do Hospital Infantil Albert Sabin (HIAS). Essas mulheres todas, algumas Ana, algumas Maria, algumas Ana Maria, realmente chamando a memória da presença da mãe e da avó de Jesus, né, Ana e Maria. E fundada a casa, eu passei a frequentar. Frequentei durante 20 anos como professor, levando aluno, como voluntário depois. E, depois, há 20 anos, nós assumimos a direção. Quando nós assumimos, era aquele conceito dentro do mundo que o ser humano ele se formata nos primeiros seis anos de vida, que é a chamada primeira infância, ou até mesmo dentro da primeira metade, que é a primeiríssima infância, três anos. E o Iprede passou a reconhecer que mesmo a criança que chegava lá em vulnerabilidade social extrema era uma criança até 6 anos, era a primeira infância. Então, não havia mais aquela urgência extrema da desnutrição, mas havia uma urgência de se investir no ser humano em termos de formação, em termos de capital humano. E esse capital humano, ele é formado principalmente através dos afetos. O afeto leva ao brincar, leva ao cuidar e isso estava ausente nessa criança que chegava ao Iprede. Essa criança só tinha algo em comum, que era a falta de vínculo entre ela e sua mãe. E o Iprede então passou a buscar no mundo algum método e encontramos uma metodologia muito rica que é chamada MISC, que trabalha formando e fortalecendo o vínculo mãe e filho. É uma metodologia antiga, mas que tem um resultado maravilhoso. Uma metodologia que foi usada após Segunda Guerra Mundial e nós aplicamos ainda hoje no Iprede entre mãe e filhos que vêm oriundos da miséria. A miséria é uma desorganização social absoluta, desorganização social, profissional, familiar. Você ter uma mãe que não tem vínculo com seu filho, você vê o nível de desorganização. Essa criança que crescer, no sentido de não ter um porto seguro, não ter uma mediação, porque você só é mediado se você tiver alguém que você tem vínculo. Nessa mediação é que se estimula uma criança pelo brincar, pelo afeto, pelo afago, pelo contato que nós temos. A mãe que não tem vínculo com a criança, ela nem sequer toca o olho no olho da criança.

Fonte: O Povo, 7/06/26. Aguanambi 282. p.12.

quarta-feira, 8 de julho de 2026

FEIRANTES CARIRIENSES SOFREM COM PREÇOS DOS HORTIFRÚTIS

 Por Rita Fabiana Arrais (*)

A elevação dos preços dos alimentos ocupa a pauta da economia nacional em razão de pressionar o aumento da inflação, dificultando o cumprimento da meta central estipulada em 3% ao ano.

O grupo de hortifrúti encabeça os aumentos, desde o final de 2025, com a disparada dos preços da batata - inglesa (26,29%), tomate (12,97), cenoura (22.5%), pepino (48,60%), abobrinha (36,10%), alface (13,76%), cebola (27,47), brócolis (20,84) e a batata-doce (19,50%).

Dados compartilhados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destacam a prévia da inflação oficial –medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) - sendo de 0,62% no mês de maio.

Os impactos socioeconômicos são diversos, porém o que de imediato se verifica é a redução do poder de compra das famílias, e o comprometimento de uma fatia maior do salário para alimentação.

No Cariri o hábito de ir as feiras-livres e ao mercado é uma tradição regional que permite o crescimento e o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar, ao mesmo tempo em que fortalece a economia local.

É certo que o cenário apresentado afasta os demandantes destes espaços, como também reduz o volume das suas compras. Pelo lado dos ofertantes (permissionários e feirantes) os custos elevados- em razão da entressafra e das condições climáticas desfavoráveis - aquecem o mercado paralelo de atravessadores que inflam os preços para obterem uma margem de lucro maior.

Em visita in loco nas feiras-livres e mercados de Crato, Juazeiro do Norte e Barbalha verificou-se um aumento entre 15% e 20% sobre o valor das caixas de 25 kg de hortaliças (Cx de 25 Kg do Tomate Cajá por R$ 255,00 Reais e a Cx de 25 Kg da batata-inglesa por R$ 260,00 Reais) que chegam nas bancas e boxes do mercado.

É importante destacar que no Ceasa Cariri (Barbalha) os preços estão com valores bem mais acessíveis. No entanto a demanda constante e crescente do Crajubar que é estimulada por um calendário festivo de 12 meses, e um polo gastronômico consolidado permitem que as oscilações de preços ocorram com mais frequência.

Inseridos neste mercado competitivo, os ofertantes buscam agregar qualidade aos produtos a fim de diferenciar-se dos demais. Quanto a composição do preço final que chegará ao bolso dos consumidores, o objetivo é a fidelização da clientela, mesmo que para isso tenha que reduzir sua margem de lucro.

E quanto aos consumidores? O cenário é de aperto no orçamento familiar e de muita disposição física para transitar nas feiras em busca de melhores preços.

(*) Economista.

Fonte: O Povo, de 5/06/26. Opinião. p.19.

terça-feira, 7 de julho de 2026

O banho dos pássaros e a Casa Plebeu

Por Izabel Gurgel (*)

Fui conhecer o novo endereço do Plebeu Gabinete de Leitura. Que prospere (n)a abundância que oferece. A sofisticação do silêncio. A casa cheia de convites para prestar atenção. O trabalho do desejo, do sonho. O jardim tão pausa e pouso, perplexidade e pergunta.

Já foi lá? Tomara cada presença nossa se torne um encontro íntimo e público (tipo o que a criatura leitora pode instituir ao abrir um livro). Torcendo para a Casa Plebeu ter/ser o que vou chamar aqui de uma agenda-sem-microfone, para estar à altura do lugar que materializou. "Fala baixinho que é pra eu ouvir".

O banho dos passarinhos é por volta das quatro da tarde. Tem uma torneira na lateral da casa, que recebe toda a sombra da mangueira (sob a qual a gente só quer saber de viver). Tão perto do chão quanto as crianças, a torneira deságua nos vasilhames de barro para o banho diário, acontecimento que toda menina e todo menino precisam ver pelo menos uma vez na vida. Para que a memória, senhora movediça, vez e outra se banhe na inscrição e hidrate o cotidiano. Com frescor.

O muro da casa é um livro aberto para a rua, na rua. Preto no branco. Tem o nome de batismo, Plebeu Gabinete de Leitura. Muro-livro de página única, cada palavra conspira para o mais bonito sentido da outra. Mostraram com qual está casada a palavra biblioteca e eu pensei: "é um smart muro". O traço do muro-livre é da Luci Sacoleira.

Dá para fazer mil e uma conversas (conspiradoras, afinal um outro mundo é possível) desfrutando da qualidade da feitura dos bancos de madeira que se assembleiam junto à mesa redonda, vizinhos dos (outrora) bancos de praça. E deixar o olho passear... A lateral da casa é tão enfeitada que dá vontade de ter nascido oitão. Dami Cruz desenhou sete criaturas leitoras. Imparáveis. Vá ver logo porque acho que os temas da Família Cândido podem ser transferidos de lugar. Esplendem cor. Dona Lourdes, a mestra Maria de Lourdes Cândido Monteiro, está a rir de contente com o destino das placas de cerâmica criadas na casa da rua da Boa Vista, Juazeiro do Norte cantando a nação plebeia cujas mãos tecem mundos.

Bora tornar brinquedo a dança das cadeiras? Experimentar cada uma delas, dentro e fora da casa, na livraria loja ateliê, um fiteiro de achados. Sigo ao ar livre, à sombra. Fosse noite, esperava o Aracati passar.

Na rua Tibúrcio Frota, 504, no São João do Tauape, a Casa Plebeu é o labirinto de livros mais bonito de Fortaleza. Achar bonito é uma forma de entender, como nos disse Clarice. Ela também contou que, quando era criança, achava que os livros nasciam em árvores, como as frutas. Entendeu que eram feitos. E fez o que fez.

O Plebeu abre de terça a sábado, das 10h às 17 horas. Os pássaros têm dois dias para banho sem humanos à vista. Nos demais, ensinam a estar no mundo de tal modo que dele se possa sair cantando.

P.s.: Livros, sombra e água fresca, o Plebeu tem. Precisa é de uma geladeira. Aberta a lista de presentes para o canteiro-escola do Tauape.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 7/06/26. Vida & Arte, p.2.


terça-feira, 30 de junho de 2026

LEITURAS NO CÉU DA BOCA

Por Izabel Gurgel (*)

Brincamos, entre pessoas queridas, sobre testes de vida que podem ser feitos antes de tocar nossos enterros.

No meu caso, os últimos a serem feitos são simples como dizer até logo no dia-a-dia.

Pertinho do caixão, alguém comenta sobre um livro que está lendo. Fala com o entusiasmo das criaturas doidas por livro e leitura. Vislumbra o outro fruindo da graça de ler o dito cujo citado para, de fato, saber, sentindo, o que um irmão de "A Casa" (Natércia Campos), "Yuxin" (Ana Miranda), "Um defeito de cor" (Ana Maria Gonçalves), "O infinito em um junco - A invenção dos livros no mundo antigo" (Irene Vallejo) pode fazer nas veredas de alguém em estado de leitura, vasto sertão. A pessoa falante arremata o comentário: "Será que a Izabel leu? Não lembro de ter comentado com ela...".

Outra prova pode se dar com a mesma criatura leitora, desde que tenha a fome de viver para quem a gula é promessa de paraíso, uma biblioteca a ser incorporada. Aquela criatura que, saindo da sorveteria do Juarez (a da Barão de Studart), ainda que reconhecendo as mudanças no sorvete dos sorvetes de Fortaleza (e se não mudar, não há como permanecer, sabemos), a tal criatura quer nem que seja só uma mordida do picolé rosa choque avistado nas mãos de uma passante. Não importa se acabou de tomar um ou dois sorvetes, e lembrou do Juarez, ampliando os sentidos do termo presente, abrindo um freezer depois do outro e, de colherzinha na mão, vir ensinar a fazer de cada prova de sabor uma festa no céu da boca. Cajarana, capim santo, cajá tão felizes por encerrar a vida vegetal virando sorvete do Juarez.

Cheia da fome de viver, ao pé do meu caixão, a pessoa convida outra para um café com bolo da Walma Laena, tapioca da Lalá, ou pão de chapa de rua, tão passado que afina e nos faz pensar em papel manteiga. Se for amiga da onça, a pessoa falante vai saber cutucar diretamente a finada, sem vara. Pode citar o bolo de caco cuja lembrança fez Seu Nery - cozinheiro na casa de Arneiroz que ele transformou em pousada - inventar um passeio com a hóspede até o Planalto, na zona rural. Ele dirigindo não só o carro, mas dando ao deus do acaso a vez de manobrar o passeio para chegarem à casa de uns conhecidos bem na hora de festejar o calor da tarde, na calçada alta, com café que a gente precisa soprar antes de tomar. A mãos-de-fada dona da morada na rodagem estava botando na janela a travessa de bruaca de farinha de milho. Reluzia o açúcar com canela.

O outro teste de vida é tocar ou cantarolar "Reconvexo" na voz da Maria Bethânia ou uma canção de Carnaval com letra do Fausto Nilo. Pode ser baixinho.

Nas três provas, se a finada não levantar do caixão, pode tocar o enterro. Está mortinha da silva. E talvez danada por perder a volta do cemitério, entre pessoas muito queridas. Que sabem estar ao redor de uma mesa, ao pé de um balcão, ou em alguma beirada do mundo, olhando o tempo.

Mas tem gente que não sabe brincar.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 24/05/26. Vida & Arte, p.2.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

O legado do XV Consad: governança multinível e as transformações tecnológicas

Por Alexandre Sobreira Cialdini (*)

A governança multinível refere-se ao sistema que apoia a formulação de políticas e a tomada de decisões entre os governos nacionais, regionais e locais. Quando esses diferentes níveis de governo atuam de forma integrada, as políticas públicas têm maior probabilidade de sucesso, promovendo desenvolvimento em todos os lugares. No Brasil, a expressão é traduzida como governança interfederativa.

O avanço tecnológico tem transformado significativamente as interações entre a Administração Pública e os cidadãos, ampliando tanto a disponibilidade quanto a capacidade de gerenciamento de dados. Esse progresso possibilita decisões mais rápidas, simplifica tarefas cotidianas e viabiliza a prestação de serviços em tempo real, entre outros benefícios.

As discussões sobre governo multinível e transformações tecnológicas nortearam o XV Congresso Consad considerado o maior evento de gestão pública do Brasil e da América Latina. Pela primeira vez, o encontro foi realizado fora de Brasília.

O Ceará sediou o evento entre os dias 20 e 22 de maio, reunindo ministros, prefeitos, especialistas internacionais e mais de 3.100 participantes. Importantes instituições de pesquisa e ensino na área da administração pública estiveram presentes, entre elas, o Insper, a Fundação Getúlio Vargas, a Fundação Dom Cabral, a Universidade de São Paulo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada.

O encontro também contou com uma seção específica destinada aos projetos de inovação do Banco Interamericano de Desenvolvimento, com a apresentação de iniciativas desenvolvidas pelos estados no campo das transformações tecnológicas.

Pesquisadores de todo o país tiveram a oportunidade de apresentar trabalhos científicos voltados à gestão pública. Ao todo, foram submetidos 1.386 resumos, resultando na aprovação de 400 artigos. O congresso também promoveu palestras com 31 especialistas, entre elas a apresentação "Mulheres em posições de liderança no setor público", conduzida pela ministra do Supremo Tribunal Federal Cármen Lúcia.

Com poesia e emoção, a edição histórica do Congresso Consad foi encerrada pelo escritor e poeta cearense Bráulio Bessa. Em uma fala marcada pela sensibilidade, ele resgatou a força de suas origens e destacou a importância da resiliência ao afirmar que, em sua trajetória, substituiu a letra "D" de desistir, pela letra "R", de resistir. Como declamou o poeta:

"Acredite no poder da palavra desistir.

Tire o D, coloque um R, que você tem que resistir.

É uma pequena mudança

Que nos enche de esperança

E faz a gente seguir.

A vida não é tão fácil,

Viver não é sorrir.

A lagarta que rasteja,

Rasteja para evoluir.

Se transforma em borboleta

Depois voa por aí."

(*) Mestre em Economia e doutor em Administração Pública e Secretário de Finanças e Planejamento do Eusébio-Ceará.

Fonte: O Povo, de 28/05/26. Opinião. p.17.


domingo, 28 de junho de 2026

ICC recebe equipamento para radioterapia de alta precisão para tratamento contra câncer

Por Ana Rute Ramires, jornalista de O Povo

Equipamento foi entregue pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Agora Tem Especialistas, na tarde dessa terça-feira, 23

O Instituto do Câncer do Ceará (ICC) - Hospital Haroldo Juaçaba passa a contar com um acelerador linear Halcyon, um equipamento de alta tecnologia que realiza radioterapia com mais precisão e rapidez. Além do acelerador, no valor de R$ 7 milhões, outros novos equipamentos estão sendo incorporados pelo hospital.

Equipamento foi entregue pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Agora Tem Especialistas, na tarde dessa terça-feira, 23/06, no ICC, com a presença do secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales.

Ele explica que precisa ser feito um bunker — uma estrutura de concreto para a radiação — que custa mais R$ 4,5 milhões.

"Também estamos investindo na formação de radioterapeutas, físicos, médicos que são necessários para esse processo. E esse equipamento precisa ter um conjunto de outros equipamentos associados", detalha.

O acelerador linear permite a realização de tratamentos guiados por imagem com maior velocidade e precisão. Com isso, as sessões de radioterapia são mais rápidas e eficientes e o paciente permanece por menos tempo no equipamento.

O sistema permite localizar com exatidão a região a ser tratada antes de cada sessão, garantindo que a radiação seja direcionada ao tumor com máxima precisão e preservação dos tecidos saudáveis ao redor.

Ele explica que unidade também recebeu um PETscan, "que é um equipamento para fazer o rastreio com muita precocidade em relação à possibilidade do aparecimento do câncer ou para identificar o tratamento que foi satisfatório e resolutivo ou se teve uma recidiva em tempo adequado e de maneira muito precoce".

Entre os equipamentos incorporados ao ICC, estão a gama-câmara para medicina nuclear, utilizada em exames que avaliam o funcionamento de órgãos e tecidos por meio da utilização de radiofármacos, e um novo tomógrafo de alta performance.

Há um pleito de um aparelho de ressonância nuclear magnética no ICC. "São dois tomógrafos, seis aceleradores lineares e nós entendemos que uma instituição como essa é muito importante ter um aparelho de ressonância nuclear magnética", afirma Mozart Sales.

Nesta terça, outros dois aceleradores lineares foram entregues pelo ministério em São Paulo (SP) e em Sinop (MT). As entregas fazem parte do Programa Agora Tem Especialistas, que busca reduzir o tempo de espera no Sistema Único de Saúde (SUS).

Fortaleza adota sistema inovador para rastreamento de pacientes com predisposição ao câncer

Na ocasião, foi assinado um Termo de Cooperação para implantar em Fortaleza um sistema inovador voltado para rastreamento de pacientes com predisposição ao câncer. O compromisso foi firmado pelo prefeito Evandro Leitão, com o secretário do MS, Mozart Sales, e com Caio Juaçaba, CEO do Grupo Instituto do Câncer do Ceará (ICC).

O sistema Korina, desenvolvido pelo ICC, fará o cruzamento de dados com o histórico dos pacientes acompanhados na Rede de Atenção Primária à Saúde de Fortaleza.

Por meio dessa integração, será possível identificar moradores com maior risco de desenvolver doenças oncológicas, permitindo o fortalecimento de ações preventivas e o acompanhamento adequado desses pacientes.

A expectativa é rodar o sistema nos próximos meses na Capital e, posteriormente, estender para outros municípios do estado do Ceará.

"Nossa pauta estratégica é que a gente consiga detectar esse câncer mais precocemente através do rastreio junto aos pacientes do município e do estado do Ceará através de inteligência artificial", afirma Caio Juaçaba.

"A identificação desses pacientes para que a gente possa acolhê-los e tratar o quanto antes, para que a gente evite tanto a questão de um maior custo no futuro, como também uma melhor qualidade de vida para esse paciente", acrescenta Riane Azevedo, secretária de Saúde de Fortaleza.

Hospital

O ICC é referência estadual para diagnóstico, tratamento e cuidados paliativos do câncer

Fonte: O Povo, de 24/06/26.Cidades. p.14.


 

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