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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

DJ Renatinha, Gonzagão e os livros

Por Izabel Gurgel (*)

Antes da última pandemia, a DJ Renatinha viajou com radiola e dois engradados de discos de vinil. Projeto "Long Play em Feiras e Romarias".

Em Juazeiro do Norte, radialistas subiram o Horto, levando discos para ouvir e conversar com ela. Em Canindé, cada fã de Roberto Carlos, mexendo nos discos, tinha pelo menos uma história coalhada de detalhes para contar para a DJ.

Na feira de Messejana, um adolescente se surpreendeu com Fiuk na capa de 'uma coisa tão antiga como aquela'. Era o pai do rapaz, Fábio Júnior, galã, galã na capa de um LP.

Na feira do Crato, a banca da DJ era perto da venda de farinha de mandioca dos irmãos Aniceto, da mais festejada banda cabaçal do Ceará.

Em Limoeiro do Norte, a filha do colecionador de música Osmar Onofre ficou in-vi-sí-vel por horas. Era o encontro de mestras e mestres da cultura tradicional popular e a banca da DJ parecia ter um ímã a atrair gente de todas as idades, de menos de oito a mais de oitenta. O lugar mais perto dela era depois de pencas de pessoas em rodas concêntricas, cada uma com sete vidas. Não arredaram pé. A brincadeira era pedir uma música e sair. Cadê que saía?

Quem não conhecia, queria saber como funcionava aquilo que aterrissara ali, direto de outro mundo. Lindo ver o mói de crianças de olhos arregalados, boca aberta e todo o interesse do mundo pelo que não conheciam. Conhecedores de LPs queriam fruir da presença da DJ, levá-la para outros terreiros, passear com ela mostrando o que ela mostrava, abrir velhos guarda-roupas cheios de discos doidos para serem ouvidos.

A banca-biblioteca sonora ambulante virou brinquedo. A quase dizer que valia por um parque de diversões todinho. Os discos rodando, rodando, passando de mão em mão, cada criatura contando do que lhe tocava, a bem dizer uma audiência sem ouvintes. Toda a gente dizia de si e de mundos.

No caminho, Pentecoste, Barbalha, outros lugares, e em cada parada uma cacimba de histórias parecia sair pela primeira vez para passear.

Ficou na memória a fila crescente, esticando, perto do museu-casarão-azul do Horto. Foi passando de boca em boca que, dentre os livros junto à banca da DJ, havia um que era botija desejada.

Peregrinação. Naquela manhã, todo tato do mundo se dedicou a apreciar "O Rei e o Baião", livro grande como bolo de tabuleiro. É um projeto contemplado pelo Ministério da Cultura via Fundo Nacional da Cultura e Instituto Brasileiro de Museus. Publicação da Fundação Athos Bulcão, Brasília, 2010. Organização: Bené Fonteles.

A foto da capa, do Seu (nosso) Chico Albuquerque (1917-2000), é Luiz Gonzaga (1912-1989) em preto e branco, estralando de vida, mais feliz do que sanfona chamando dança.

É livro de muitas vozes (textos, xilos, fotos, em ensaios encarte). Vou citar só duas, das professoras Elba Braga Ramalho e Sulamita Vieira, autoras também de publicações como "Luiz Gonzaga: a síntese poética e musical do sertão" e "Velhos Sanfoneiros".

Os livros cantam.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 2/08/26. Vida & Arte, p.2.


terça-feira, 1 de setembro de 2026

Escritor potiguar lança romance histórico sobre o Nordeste do século XIX

O romance histórico "Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas" será lançado pelo escritor Italo Gurgel no dia 1º de setembro, no Ideal Clube, em Fortaleza

Trazendo um romance histórico situado entre o Ceará e o Rio Grande do Norte, o livro "Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas” será lançado pelo escritor Ítalo Gurgel no dia 1º de setembro, no Ideal Clube, em Fortaleza.

A história acontece no século XIX, passeando entre Aracati (CE) e Caraúbas (RN). A protagonista Quitéria, que se transfere para o então vilarejo de Caraúbas, passa a descobrir aspectos fortes e também sensíveis na sua vida.

"Em Caraúbas, Quitéria se projetou como liderança, tendo tido forte participação no crescimento do vilarejo e na sua emancipação. Muito generosa e religiosa, prestou ajuda essencial na construção da Igreja Matriz", conta Ítalo ao Vida&Arte.

Personagens e acontecimentos reais e fictícios dialogam na trama, que busca mostrar homens e mulheres do Nordeste como os principais operários na construção de um novo Brasil. Recriar costumes e vozes é um dos objetivos, preservando a cultura regional.

O romance tem capítulos independentes que narram, aos poucos, a história de Quitéria. Há ainda trechos que trazem enredos paralelos, abordando Caraúbas e outros de seus habitantes.

Inspirações para a obra

O autor do romance de 370 páginas é Italo Gurgel, jornalista, professor e poeta natural de Caraúbas. Conforme ele, "Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas” surgiu a partir dos registros que encontrou sobre a cidade.

Escritores como a cearense Rachel de Queiroz, o alagoano Graciliano Ramos e os paraibanos José Lins do Rego e José Américo de Almeida estão entre as inspirações para a obra e para o apreço pela cultura regional.

Em segundo plano, a pesquisa histórica exerceu influência para a escrita do livro. Ainda que seja um romance, a intenção sempre foi ter um caráter memorialístico.

"A narrativa tomou forma naturalmente. Nem sempre aquilo que é planejado pelo escritor se concretiza. Muitas vezes, é o personagem quem 'decide' o que vai acontecer na cena seguinte. O meu cuidado era não transgredir os parâmetros da verossimilhança, da plausibilidade, da coerência histórica", completa o escritor.

Lançamento de "Dona Quitéria: A Senhora de Caraúbas"

Quando: terça-feira, 1º, às 19 horas

Onde: Ideal Clube (av. Monsenhor Tabosa, 1381 - Meireles)

Valor: R$ 100

Fonte: Publicado In: O Povo, de 1º/09/26. Vida & Arte. p.2.


sábado, 29 de agosto de 2026

Evento literário comemorativo dos 85 anos do Sindicato dos Médicos do Ceará

O Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), como um momento muito especial dentro das celebrações de seus 85 anos de história, realizou no Piazza Aldeota, na noite de ontem, 28 de agosto de 2026, o lançamento da obra "Escritos e prescritos: as mãos que curam também escrevem".

Trata-se de um livro, organizado por Vanessa Gomes de Moraes e impresso na Expressão Gráfica, que reúne textos de médicos autores e celebra a sensibilidade, a cultura e a riqueza da produção literária da classe médica.

Dessa antologia literária, participam 20 (vinte) autores, dos quais sete (Edmar Fernandes, Fernando Furtado, Luiz Barbosa, Fernando Melo. Francisco Eleutério, Marcelo Gurgel e Maria Sidneuma) são sócios da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE), sendo os quatro últimos mencionados, também, membros titulares da Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes).

Tomei parte dessa obra, publicando o texto: “Nossos elóquios acadêmicos” In: Sindicato dos Médicos do Ceará. Fortaleza: Simec/Expressão, 2026. 144p. p.88-91.

Congratulações merecidas cabem à atual diretoria do Simec e, especialmente, ao seu presidente Edmar Fernandes de Araújo Filho, por tão louvável iniciativa no da cultura.

Dr. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro da Sobrames-CE e da Acemes


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Lançamento do livro "Pediatria no Ceará: História e Pediatras"

Por Paulo Gurgel Carlos da Silva (*)

Realizado no dia 30 de julho de 2026, às 19h, na sede da Sociedade Cearense de Pediatria (Socep), à Rua Maria Tomásia, 701 – Aldeota, em Fortaleza-CE, o lançamento do livro "Pediatria no Ceará: História e Pediatras".

A obra é uma edição comemorativa aos 80 anos da Sociedade Cearense de Pediatria, a qual se uniu nesta iniciativa à Sociedade Brasileira de Médicos Escritores - Regional do Ceará, no compromisso comum de preservar a memória daqueles que dedicaram suas vidas aos cuidados das crianças e dos adolescentes em nosso Estado.

Apresentação, por Maria Sidneuma Melo Ventura

Prefácio, por João Cândido de Souza Borges

Autores: (Maria Sidneuma, João Borges e Marcelo Gurgel) e Coautores: (15)

Parte I - História e Evolução da Pediatria no Ceará 

Parte II - A Pediatria do Ceará em Livros

Parte III - Pediatras Atuantes no Ceará

Parte IV - Entrevistas com Pediatras Cearenses, conduzidas por Clara Studart e revisadas por Mirna Gurgel

Parte V - Apêndices e Anexos

Pósfacio, por Marcelo Gurgel Carlos da Silva 

Fortaleza: Expressão Gráfica e Editora, 2026

260p. Capa dura

ISBN: 978-85-420-1973-5

Obs.: Preço: R$ 100, 00 (cem reais), à venda na Socep.

(*) Médico pneumologista, escritor e blogueiro.

Postado por Paulo Gurgel no Blog Nova’Acts em 13/08/2026.

https://airblog-pg.blogspot.com/2026/08/1480-lancamento-do-livro-pediatria-no.html


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Médico e poeta lança livro no Ideal Clube

José Henrique Leal lança seu segundo livro unindo humanismo e inspiração lírica.

"À Luz da Memória", novo livro de José Henrique Leal, reúne poemas com temática que tem uma feição clássica, sem desprezar as percepções sentimentais e líricas provindas do coração e das muitas paisagens de sua terra Crateús. Foi lá onde viveu desde os três anos de idade vindo de Picos (PI) para desenvolver os primeiros estudos. O livro será lançado nesta quarta, 5, às 19 horas, no Ideal Clube.

Depois, Flávio Leitão de Carvalho, médico e escritor, membro da Academia Cearense de Letras, expressa que "Henrique, da sua adolescência até a sua adulticie, assumiu dois cadinhos fundidores de mentes iluminadas: os Seminário São José de Sobral e, em Fortaleza, o Seminário da Prainha". Certa noite, o poeta seminarista teve um sonho registrando seu adeus à possível vocação para o sacerdócio. E ingressou no Curso de Medicina da UFC.

"À luz da Memória" prova a dedicação poética de Henrique e trata de uma poesia mais conceitual que fantasiosa, daí a beleza de "A Chuva Benfazeja", "Uma Lacuna no Amar", "Entrega" e "Despertar para o Viver". Também, no novo livro, a ser apresentado esta noite pelo médico João Martins, é possível fazer um brinde com o poeta em sonetos revelando a configuração visível do conteúdo, que Henrique expõe com plena dominação de dois elementos: o significado (conceito) e o significante (forma linguística). É um livro que harmoniza o médico e pesquisador com a suavidade do poeta.

Lançamento "À luz da memória"

Quando: quarta, 5, às 19 horas

Onde: Salão do Ideal Clube (Avenida Monsenhor Tabosa, 1381 - Meireles) Entrada gratuita

Valor do livro: R$ 80,00

Fonte: Publicado In: O Povo, de 5/08/2026. Vida & Arte. p.3.


domingo, 2 de agosto de 2026

ACADEMIA CEARENSE DE MÉDICOS ESCRITORES: em biografias e crônicas

O livro, intitulado “Academia Cearense de Médicos Escritores: em biografias e crônicas”, está constituído de 40 (quarenta) textos alocados em cinco partes: I - Academia Revisitada; II - Crônicas Acadêmicas; III - Novos Acadêmicos; IV - Discursos Acadêmicos; e V - Pesares em Blog.

A Parte I, contendo cinco artigos, expõe elementos em comum dos membros titulares e dos patronos nas academias médicas cearenses Academia Cearense de Medicina (ACM) e Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes); discorre sobre a Revista da Acemes; descreve as especialidades e a atuação na docência dos titulares da Acemes.

A Parte II noticia a instalação da Acemes e sequencia com as posses desde as dos primeiros acadêmicos fundadores até as dos últimos titulares empossados. A III reproduz as biobibliografias de 20 (vinte) membros titulares da Acemes, que assumiram cadeiras vacantes após as posses dos titulares fundadores.

Na IV estão enfeixados quatro discursos pronunciados em eventos de interesse da Acemes e/ou realizados por essa confraria. Na V estão incluídas as transcrições de cinco notas de pesar, postadas em Blog, alusivas ao falecimento de membros acadêmicos da Acemes.

A coletânea foi editada na forma de um e-book produzido pelo Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp), sob os auspícios da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), podendo ser acessada e baixada livre e gratuitamente na home page da Alece.

Essa obra vale, por certo, como um registro parcial dos feitos da Acemes, a pioneira confraria estadual de médicos escritores no Brasil, em sua primeira década de funcionamento.

Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Membro titular fundador– Cad. 24

* Publicado In: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Julho de 2026- Edição n.58. p.13-13 (online).

 


quinta-feira, 30 de julho de 2026

Livro resgata a história da Pediatria cearense e preserva legado para futuras gerações

 


 Reportagem: Argollo de Menezes

CEO, Editor Jornal do Médico®️, Jornalista DRT-CE 1950 e Membro Honorário SOBRAMES-CE | Instagram@jornaldomedico

Resultado de quase 2 anos de pesquisa, Pediatria no Ceará: História e Pediatras reúne documentos raros, fotos inéditas e biografias dos ex-presidentes da Sociedade Cearense de Pediatria. Lançado pela SOCEP em parceria com a SOBRAMES-CE, o livro celebra o aniversário de 80 anos da entidade e busca preservar o legado da especialidade para as próximas gerações. Em entrevista inédita, o presidente da SOCEP, Dr. João Cândido de Sousa Borges, fala sobre os bastidores da pesquisa e a importância de preservar a memória dos profissionais que construíram a pediatria cearense.

Jornal do Médico® – Dr. João Borges, o livro começou a ser planejado em agosto de 2024, nos 80 anos da SOCEP. Como surgiu a ideia dessa parceria com a Sobrames-CE e os autores Sidneuma Ventura e Marcelo Gurgel para realizar esse resgate histórico?

Dr. João Borges: Já de um tempo eu tinha um desejo de registrar a história da Pediatria no Ceará…. A ideia da construção deste livro, ocorreu durante as comemorações dos 80 anos da Sociedade Cearense de Pediatria, em agosto de 2024, naquele momento tão significativo para a nossa instituição, percebemos que celebrar a história da SOCEP também significava preservar a memória da Pediatria cearense. Foi então que o colega Marcelo Gurgel, escritor e integrante da Sobrames-CE, propôs essa parceria, que foi prontamente acolhida pela SOCEP. Ao lado da Dra. Sidneuma Ventura, iniciamos um trabalho intenso de pesquisa, levantamento documental e reconstrução histórica. Desde o início, compreendemos que não se tratava apenas de produzir um livro, mas de deixar um legado para as futuras gerações de pediatras, registrando a trajetória daqueles que ajudaram e ajudam a construir a nossa especialidade no Ceará.

Desde o início, compreendemos que não se tratava apenas de produzir um livro, mas de deixar um legado para as futuras gerações de pediatras…”

Jornal do Médico® – O livro traz registros biográficos, documentos e a trajetória dos ex-presidentes da SOCEP. Para o leitor que terá a obra em mãos, quais são as principais relíquias históricas ou marcos da Pediatria cearense que ele encontrará nessas páginas?

Dr. João Borges: O leitor encontrará um verdadeiro patrimônio histórico da Pediatria Cearense. A obra reúne documentos, fotografias, registros institucionais, relatos históricos e biografias de profissionais que foram fundamentais para o desenvolvimento da especialidade em nosso Estado. Também apresenta a trajetória dos ex-presidentes da SOCEP, mostrando como cada gestão contribuiu para fortalecer a assistência à criança, a formação médica e a defesa profissional do pediatra. Mais do que conhecer datas e fatos, o leitor poderá compreender como a Pediatria evoluiu no Ceará, acompanhando as transformações da medicina, da sociedade e das políticas voltadas à saúde infantil.

Jornal do Médico® – Foram quase dois anos de pesquisas e reuniões periódicas. Durante esse processo de resgate de memórias, houve algum fato esquecido ou personagem da Pediatria que surpreendeu a comissão ao ser redescoberto?

Dr. João Borges: Sem dúvida. Ao longo das pesquisas, tivemos a oportunidade de redescobrir profissionais cuja contribuição foi decisiva para a consolidação da Pediatria no Ceará, mas que, com o passar do tempo, acabaram pouco lembrados pelas novas gerações. Também encontramos documentos, registros e relatos que revelam o enorme esforço dos pioneiros para estruturar serviços, formar especialistas e fortalecer o ensino pediátrico em nosso Estado. Cada reunião trazia novas descobertas, reforçando a percepção de que preservar essa memória era uma responsabilidade coletiva e uma forma de prestar homenagem àqueles que dedicaram suas vidas ao cuidado das crianças.

Tivemos a oportunidade de redescobrir profissionais cuja contribuição foi decisiva para a consolidação da Pediatria no Ceará, mas que acabaram pouco lembrados pelas novas gerações.

Jornal do Médico® – No prefácio, o senhor menciona que gerações de pediatras fizeram do cuidado à infância sua missão de vida. Como o senhor enxerga a evolução do perfil do pediatra no Ceará, desde os pioneiros até os profissionais de hoje?

Dr. João Borges: Os pioneiros construíram a Pediatria cearense em um contexto de muitos desafios, com recursos limitados, mas com enorme dedicação, compromisso e espírito de serviço. Foram eles que lançaram as bases da especialidade no nosso Estado. Hoje, encontramos uma Pediatria muito mais integrada ao conhecimento científico, às novas tecnologias e ao trabalho multiprofissional. Ao mesmo tempo, permanece inalterada a essência da profissão: o compromisso com a saúde, o desenvolvimento e o bem-estar da criança e do adolescente. Vejo com satisfação uma nova geração de pediatras preparada tecnicamente, comprometida com a educação continuada e consciente da importância da humanização no cuidado.

Jornal do Médico® – Citando o filósofo Cícero, o senhor destaca que a história é a “vida da memória”. Qual é a principal lição que esta obra comemorativa deixa para inspirar os estudantes e os novos pediatras que assumirão o futuro da especialidade no nosso Estado?

Dr. João Borges: A principal mensagem é que nenhuma instituição e nenhuma especialidade se fortalecem sem conhecer sua própria história. Este livro mostra que os avanços conquistados ao longo das décadas são fruto da dedicação, da competência e do espírito coletivo de muitos profissionais que vieram antes de nós. Espero que os estudantes e os jovens pediatras encontrem nestas páginas inspiração para exercer a Medicina com excelência técnica, ética, sensibilidade e compromisso humano. Conhecer o legado dos nossos pioneiros nos ajuda a compreender que também somos responsáveis por construir os próximos capítulos da história da Pediatria Cearense, sempre colocando a criança e o adolescente no centro de nossa missão.

Fonte: Jornal do médico, 22(207): 9-10, julho de 2026.

https://jornaldomedico.com.br/2026/07/29/livro-resgata-a-historia-da-pediatria-cearense-e-preserva-legado-para-futuras-geracoes/

quarta-feira, 29 de julho de 2026

CONVITE: Lançamento do livro “Pediatria no Ceará: História e Pediatras”


A Sociedade Cearense de Pediatria (Socep) e a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE) convidam para a Solenidade de Lançamento do livro “Pediatria no Ceará: História e Pediatras”, uma obra dedicada a preservar a memória da pediatria cearense e homenagear os profissionais que fizeram e continuam fazendo parte dessa história.

O evento será realizado no dia 30 de julho de 2026 (quinta-feira), às 19h, na sede da Socep - Rua Maria Tomásia, 701 – Aldeota, Fortaleza-CE.

Atenciosamente,

João Cândido de Souza Borges                              Maria Sidneuma Melo Ventura

Presidente da Sociedade Cearense de Pediatria        Presidente da SOBRAMES-CE



quarta-feira, 22 de julho de 2026

INESP: Lançamento do livro “Academia Cearense de Médicos Escritores: em biografias e crônicas”

Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece)

Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp)

Academia Cearense de Médicos Escritores (Acemes)

Convite para a solenidade de lançamento do livro Academia Cearense de Médicos Escritores em biografias e crônicas

Uma obra de Marcelo Gurgel Carlos da Silva.

A solenidade ocorrerá durante a palestra “A trajetória de um discurso poético”, proferida pelo professor e poeta Carlos Augusto Viana.

Dia: 23/7/2026 (quinta-feira).

Horário: 19h.

Traje: esporte fino.

Local: Núcleo do Obeso do Ceará, Av. Antônio Sales, 1.540 - Joaquim Távora, Fortaleza - CE.


terça-feira, 21 de julho de 2026

CONVITE: Lançamento do livro “Academia Cearense de Médicos Escritores: em biografias e crônicas”

A Academia Cearense de Médicos Escritores (ACEMES) e o Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp) convidam para o lançamento do livroAcademia Cearense de Médicos Escritores: em biografias e crônicas”, de autoria do Acad. Marcelo Gurgel Carlos da Silva. (Vide convite).

A apresentação será conduzida pelo acadêmico Luiz Moura Jr., presidente da ACEMES, que falará sobre o biografado, e, pelo Dr. João Milton Cunha, presidente do Inesp, que discorrerá sobre a edição da obra.

Data: 23 de julho de 2026 (quinta-feira).

Horário: 19 horas.

Local: Auditório do Núcleo do Obeso do Ceará – Av. Antônio Sales, 1.540, em Fortaleza-CE (em frente ao antigo Carrefour).

Acad. Luiz Gonzaga de Moura Jr.

Presidente da ACEMES


segunda-feira, 4 de maio de 2026

A Casa Virou História e o Amor Virou Livro

Por Raymundo Netto (*)

Quando adolescente, voltando de ônibus do colégio para casa, no caminho me deparava com uma construção de arquitetura única: a "Itapuca Villa".

Deslumbrante, triste e abandonada, ela pertenceu a uma família importante da cidade. Trazia extensa varanda de madeira no andar superior, centrada com um frontão decorado em lambrequins, com mãos francesas e treliças, tudo sustentado por vigas também de madeira robusta e rodeada por muitas portas com bandeiras envidraçadas e coloridas. Não havia um dia sequer em que eu não me sentasse à janela, ansioso para revê-la.

Ao final dos anos 1980, a casa foi aos poucos desmontada, resistindo até ser demolida no início da década de 1990. Hoje, o terreno é ocupado por uma escola assombrada por insaciáveis cupins.

Alguns anos depois, em 2004 - quando já havia trocado a minha profissão pelo cinema, quadrinhos, artes gráficas, magistério e por outras fatalidades -, decidi cumprir a ingênua promessa de escrever sobre aquele absurdo: a demolição de tamanho patrimônio.

Foi quando conheci o sr. José Américo Lopes, um homem de 90 anos, portador de memória prodigiosa. Numa tarde preguiçosa em sua casa na Barão de Aratanha, no Centro, me confidenciou ter lembranças "daquela casa". Nela, dizia, vivera uma grande história de amor. "Como assim?", perguntei, incrédulo. Sorrindo, pediu à filha, Cristina, que nos trouxesse determinada pasta com papéis. Era a tal história, só que escrita por ele mesmo: "Você gostaria de ler?" Em seguida, me falou um pouco sobre o que encontraria ali. "Você já escreveu algum livro, meu filho?", perguntou-me. "Não, eu nunca", respondi, enquanto folheava com vagar algumas páginas datilografadas por Cristina. Ela, temendo por aquele material, advertiu: "Pai, nós não temos cópia..." Ele tentou tranquilizá-la: "Filha, eu confio no moço". Na pasta, também repousavam cartas antigas. Quando as toquei, ele imediatamente as pediu: "Não vai precisar delas. Deixe-as comigo". Entreguei-lhe as cartas. Ele as acolheu com sorriso afetuoso e delicado, como quem recebe uma joia, e tirou do peito um nome sussurrado: "Olívia". Com carinho, acomodou o maço no colo e arrematou: "A história toda está aqui".

Saí de sua casa tomado de curiosidade, porém nem tanto pelo original que trazia em mãos, mas pelas cartas, aquelas as quais não pude ler. Afinal, que segredos trariam?

Na época, eu morava na Vila Doutor Alencar, um conjunto de casas geminadas no Monte Castelo, onde as crianças brincavam na estreita rua e os vizinhos, ao entardecer, colocavam as cadeiras na calçada. Ali, naquela calçada, sentei-me em minha cadeira de palhinha e pus-me a ler "Um Conto no Passado", a história de Américo Lopes: "Eu era um menino como qualquer outro que crescia, até então, em pequena cidade de ruas descalçadas, a me entreter sentado no cume de frade-de-pedra, esquecido do mundo..." Incrível, a história me envolveu de tal forma que não consegui parar até a sua última página. Nela, encontrei aquele homem ainda garoto e o acompanhei pela vida afora: os dramas, conflitos, a juventude e o primeiro amor: Olívia! E o mais interessante é que, enquanto Américo narrava a sua trajetória, revelava uma outra paixão: a sua cidade. Sim, a grande personagem do livro.

Voltei a conversar com ele e decidimos publicá-lo. Assim, por meio de um edital público, a obra "Um Conto no Passado: cadeiras na calçada" teve o seu primeiro lançamento em 2005, estando esgotada há bastante tempo.

Em 2026, passados 20 anos, a saga de Américo retorna em campanha de pré-venda, em edição comemorativa aos 300 anos de nossa Cidade. Você precisa conhecer esta que é a maior história de amor a Fortaleza de todos os tempos.

(*) Jornalista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/03/26. Vida & Arte, p.2.


250 ANOS DA RIQUEZA DAS NAÇÕES

Por Lauro Chaves Neto (*)

Publicado em 1776, em meio às transformações que antecederam a Revolução Industrial, A Riqueza das Nações, de Adam Smith, marcou o nascimento da economia como campo de análise. Junto com o Capital, de Karl Marx, e a Teoria Geral, de Keynes, são três das mais importantes influências para a Economia Política.

Ao romper com o pensamento mercantilista, a obra introduziu conceitos fundamentais como divisão do trabalho, livre concorrência e o papel dos incentivos na organização dos mercados. Mais do que um tratado econômico, tratou-se de um marco intelectual que buscava compreender as fontes da prosperidade das nações.

Adam Smith não escreveu apenas sobre mercados - escreveu contra privilégios. E é justamente aí que sua obra permanece atual.

Ao proteger ineficiências, transfere-se o custo para a sociedade - seja por meio de preços mais altos, menor produtividade ou oportunidades limitadas. Trata-se de um modelo que concentra ganhos e socializa perdas, ampliando as desigualdades sociais e territoriais, contrariando frontalmente a lógica defendida por Smith.

O problema não é a existência de regras, mas a sua assimetria. Regras que deveriam nivelar o jogo acabam sendo moldadas para favorecer poucos. O resultado é um sistema que penaliza quem produz, inova e compete de fato. A competitividade, hoje, exige sustentabilidade, inovação e capacidade de adaptação.

No pensamento de Adam Smith, a atuação do Estado não é descartada, mas deve ser orientada ao interesse público!

Há uma "boa intervenção", associada à provisão de bens públicos, à garantia da justiça, da segurança e de regras claras que assegurem a concorrência. Em contraste, a "má intervenção" ocorre quando políticas públicas passam a favorecer grupos específicos, por meio de privilégios, comprometendo a livre concorrência e a alocação eficiente de recursos.

Segundo Smith, quando o Estado se afasta do seu papel de garantidor do jogo e passa a interferir de forma desigual, a mão invisível deixa de promover eficiência e passa a conviver com distorções, reduzindo produtividade e inovação, e, em última instância, o bem-estar da sociedade.

(*) Consultor, professor doutor da Uece e conselheiro do Conselho Federal de Economia.

Fonte: O Povo, de 30/03/26. Opinião. p.20.


segunda-feira, 20 de abril de 2026

LIVROS ABANDONADOS

Por Saraiva Junior (*)

Como frequentador de livrarias e sebos de rua, tenho observado uma cena que vem se repetindo e me causando constrangimento: pessoas se dirigem aos vendedores, com pacotes, caixas e malas, oferecendo grandes quantidades de livros à venda. O gerente, no seu papel de comerciante, olha os livros com certo ar de desinteresse, às vezes barganha tudo por um preço irrisório ou sugere comprar no quilo e faz uma proposta humilhante.

A reação do outro é de espanto. O olhar incrédulo e o sorriso amarelo deixam transparecer um sentimento conflitante. Não me contenho e puxo conversa com empregados, gerentes e aqueles que pretendem se desfazer dos livros. Os motivos são diversos: dificuldades financeiras, separações, mudanças de casa e falecimentos.

Certa vez, uma viúva foi vender os livros e deparou-se com um preço longe do esperado. Ela disse não ter imaginado que livros tão importantes na formação do marido pudessem valer quase nada.

A situação me fez lembrar de quando resolvi doar as coleções de Jorge Amado, Hélio Silva e Moreira Campos para uma escola de ensino médio do interior do Ceará. Para minha surpresa, o diretor disse que a escola não receberia aqueles livros, pois, segundo ele, os alunos não tinham mesmo o hábito de ler e preferiam pesquisar no Google. Por fim, falou que esses autores eram comunistas.

Sabemos que, na verdade, os livros não apenas informam, mas ampliam o imaginário e transformam a experiência. Pensei em minha pequena biblioteca, com algumas joias de Machado, Dostoiévski, Tchekhov, Calvino, Saramago, García Marquez, Natalia Ginzburg, Clarice Lispector, Lygia Fagundes Telles, Graciliano Ramos, Lira Neto, Pedro Salgueiro, Deodato Aquino, Raymundo Netto, dentre outras.

A expressão de espanto no rosto da viúva segue gravada na minha memória. O desrespeito ao livro pode marcar mais uma etapa do nosso retrocesso como humanidade. Então resolvi conversar com minha companheira e meus filhos. Pedi a eles que não vendessem meus livros, que os dividissem entre si de acordo com o gosto de cada um. O restante deverá ser doado à biblioteca pública do município, à espera do encontro amoroso com um futuro leitor.

(*) Escritor e ex-conselheiro do Conselho de Leitores de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/03/26. Opinião. p.19.

domingo, 8 de março de 2026

O LIVRO “DIÁRIO DE UM ARENGUEIRO”

 

Para celebrar a chegada dos seus setenta anos de idade, Luiz Gonzaga de Moura Jr., como cultor da boa prosa e praticante da bela escrita, decidiu demarcar o momento, com algo mais duradouro, na forma de um livro que pudesse ser compartilhado por diferentes públicos.

O “Diário de um Arengueiro: motes, mitos e estórias – sátira e folclore médico” é uma robusta obra, de 384 páginas, contendo a apresentação do próprio Luiz Moura Jr. e o prefácio do seu dileto amigo e colega de turma médica, o capitão-poeta Walter Miranda, cujas receitas obtidas nos sucessivos lançamentos realizados ou programados, direcionam-se, prioritariamente, ao IPREDE.

Vale salientar, dentre os lançamentos acontecidos, o do evento natalino da Academia Cearense de Medicina (ACM) que ocorreu, exatamente, em 5 de dezembro de 2025, oportunidade em que o autor/organizador aniversariava e ele pode comemorar os seus 70 anos de idade, em harmonia com os seus confrades da ACM.

Efetivamente, esse livro está graficamente no formato único, mas poderia ter sido disposto em dois volumes separados: o primeiro, de escritos da autoria de Luiz Moura Jr, contaria com 49 (quarenta e nove) trabalhos distribuídos em três partes, assim segmentadas: Contos e Crônicas do Folclore Médico (33), Poesias (9) e Do Mundo Obeso para o Mundo Magro (7); o segundo volume, contemplaria 86 (oitenta e seis) depoimentos e manifestações, em prosa ou em versos, redigidos por familiares, amigos, colegas e confrades, que prestaram valiosas e tocantes homenagens ao septuagenário em epígrafe, traduzindo o afeto e o respeito que Luiz Gonzaga de Moura Júnior acumulou, no percurso de suas sete décadas de vida, desde quando estreou no “frutífero Cariri cearense”.

Por derradeiro, espera-se que o bom exemplo memorialístico, dado aqui por Luiz Moura, sirva de inspiração a que outros que, muito em breve, se tornarão cinquentenários, sexagenários, setuagenário etc., possam registrar seus feitos em livros memoriais, sejam da própria lavra ou frutos da colaboração de terceiros, que concorrerão para preservar as suas lembranças entre amigos e familiares.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da ACM (Cad. 18) e da ACEMES (Cad. 24)

* Versão curta publicada In: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Fevereiro de 2026- Edição n.53. p.11-11 (online).

terça-feira, 3 de março de 2026

Lançamento do livro “Árias e Areias” de Pedro Bezerra de Araújo

Por Pedro Bezerra de Araújo – Pierre Nadie

Árias e Areias são 314 páginas, que fazem dançar ritmos que moldam relacionamentos, ao som de árias que cantam o amor, a amizade e acontecimentos do dia-a-dia, bem como as areias que tanto podem construir como podem esvair-se ao balanço das ondas do mar ou ao sopro dos ventos tempestuosos. São versos livres, ao sabor da sensibilidade de ver, sorrir, abraçar e amar e motivar o pensar.

"Com o raiar do dia, / O sol põe-me a cogitar: / O amor de onde vem? / E a amizade vem de onde?/ Das areias do mar / Ou das árias de Mozart?"


domingo, 15 de fevereiro de 2026

INSTITUTO DO CÂNCER DO CEARÁ: Jubileu de Carvalho

O Instituto do Câncer do Ceará (ICC) completou, em novembro de 2024, os seus 80 anos de fundação, alicerçado no amplo reconhecimento público que detém dos préstimos ofertados no Ceará, à conta dos seus serviços de oncologia, como instituição filantrópica, o que é motivo a ser grandiosamente festejado pelo povo cearense.

Ao cabo dos primeiros setenta anos de existência do ICC, com a valiosa colaboração da Profa. Elsie Studart, por duas décadas, foi possível expor as suas efemérides e os seus feitos institucionais, em distintas mídias, com referência especialmente a livros comemorativos, como os que assinalaram os 50, 60, 65 e 70 anos dessa pujante entidade.

Em sessão solene do Instituto do Ceará: Histórico, Geográfico e Antropológico, transcorrida a 22/06/2015, deu-se o lançamento de “Instituto do Câncer do Ceará: 70 anos de conquistas”, livro que, reunindo maiormente crônicas e ensaios, teve a evidenciada proposta de narrar as conquistas do ICC, no correr das suas sete décadas de funcionamento.

Agora, em 2025, passados dez anos do feito literário anterior, para celebrar o jubileu de carvalho, torna-se pública, como forma de atualização das crônicas mais recentes do ICC, a obra “Instituto do Câncer do Ceará: jubileu de carvalho, cuja ênfase principal foi o resgate das publicações precedentes, descortinando os registros escritos de uma exitosa trajetória, iniciada há 80 anos por dez médicos e um padre, que sonharam erigir, no Ceará, uma entidade para, originalmente, prestar atendimentos a pessoas desvalidas portadoras de câncer.

Esse livro, lançado no ICC em 17/10/2025, em comemoração do Dia do Médico, e prefaciado pelo notável urologista Prof. Dr. Lúcio Flávio Gonzaga Silva, está distribuído em seis partes: I – A História do ICC em Livros, II – Dirigentes do ICC em Livros, III – Discursos & Crônicas, IV – Homenagens Institucionais, V – Homenagens Pessoais e VI – Apêndices & Anexos.

Aos nossos fundadores do ICC, abnegados e pioneiros desbravadores, todos eles trasladados deste mundo menor, comporta reiterar a gratidão de todos os cearenses, pelo tão importante legado, semeado e cultivado, que eles fincaram no Ceará.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico epidemiologista do ICC

* Publicado In: Revista AMC (Associação Médica Cearense). Outubro de 2025 - Edição n.49. p.16 (online).

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

LAUDATE: homenagens a confrades das academias médicas do Ceará

Por Antônio Augusto Guimarães Lima (*)

O livro Laudate – Aos Confrades das Academias Médicas do Ceará, de Marcelo Gurgel Carlos da Silva, é uma obra dedicada à valorização da história, da ética e da identidade das academias médicas do Estado. Publicado pelas Edições INESP (ALECE), o livro reúne registros históricos, homenagens a confrades e reflexões sobre o papel dessas instituições na preservação da tradição médica.

Mais do que um tributo, Laudate propõe uma reflexão sobre os desafios contemporâneos da profissão, especialmente diante das mudanças no ensino médico e na organização da assistência à saúde. O autor destaca que as academias não são apenas espaços honoríficos, mas centros de memória, cultura e responsabilidade moral.

Ao resgatar trajetórias de médicos que marcaram a história do Ceará, a obra reforça a importância da continuidade institucional e da formação humanística. O livro se dirige a médicos, professores e interessados na história da medicina, funcionando como um convite à preservação do legado profissional e ao fortalecimento dos valores éticos que sustentam a prática médica.

(*) Membro titular da Academia Cearense de Medicina.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

CONVITE Lançamento da obra Laudate

O Presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Deputado Estadual Romeu Aldigueri, o Presidente da Academia Cearense de Medicina, Acadêmico José Henrique Leal Cardoso, e o Diretor-Executivo do Instituto de Estudos e Pesquisas sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp), Prof. Dr. João Milton Cunha de Miranda convidam para a solenidade de lançamento da obra Laudate – Aos confrades das academias médicas do Ceará, de autoria do Acadêmico Marcelo Gurgel Carlos da Silva, Presidente da Academia Cearense de Saúde Pública.

Dia: 11/02/2026 (quarta-feira).

Horário: 15h.

Local: Auditório da Reitoria da Universidade Federal do Ceará (UFC), Avenida da Universidade, nº 2853, Benfica, Fortaleza-CE.


sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

ICC: importa fazer o bem

O Instituto do Câncer do Ceará (ICC), fundado em 1944, preserva a tradição de registrar a sua trajetória em livros impressos, institucionais ou de autoria de seus colaboradores.

Ao cabo dos 80 anos de existência do ICC, foi possível expor as suas efemérides e os seus feitos institucionais, em distintas mídias, com referência especialmente a livros comemorativos, como os que assinalaram os 50, 60, 65 e 70 anos dessa pujante entidade.

O ápice dessa sequência editorial foi alcançado agora, quando do término das celebrações dos 80 anos do ICC, ao se publicar a obra monumental "Importa fazer o bem", elaborada pela jornalista, publicitária e escritora profissional Angela Barros Leal, que organizou e redigiu, com os seus reconhecidos esmero e apuro, um magnífico trabalho, recorrendo a uma escrita coloquial e atraente ao leitor, que o induz a percorrer as páginas tão bem permeadas de ilustrações pertinentes.

Angela Barros Leal é formada em Comunicação Social pela UFC e em Biblioteconomia e Documentação pela Escola de Biblioteconomia e Documentação de São Carlos- SP, e atuou por quase 20 anos como jornalista em mídias locais. Como escritora, com cerca de 28 obras publicadas, e pesquisadora, Angela se dedica à documentação da história e da cultura do Ceará.

É sócia efetiva do Instituto do Ceará; Histórico Geográfico e Antropológico, o que reforça seu papel de importante intelectual contemporânea, que contribui de forma marcante para a preservação da memória e da história do Ceará.

Esse livro, cujo título remonta ao lema de vida do Dr. Haroldo Juaçaba, está distribuído em cinco capítulos, muito bem articulados: 1. Como chegamos até aqui; 2. Quem somos hoje; 3. Quem faz de nós o que somos; 4. Que valores nos movem; e 5. Onde queremos chegar.

Para a construção desse livro, Angela Barros Leal se valeu da farta pesquisa documental e das entrevistas de um alentado número de informantes-chave, fazendo gravações que, após digitadas, passaram por uma refinada elaboração e daí extraídos os elementos fundamentais à redação final.

O livro contém a participação pré-textual e pós-textual dos atuais dirigentes do ICC: Lúcio Alcântara (Presidente de Honra), Sérgio Juaçaba (Presidente) e Caio Juaçaba (CEO).

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Médico epidemiologista do ICC

Fonte: Publicado In: O Povo, de 11/12/25. Opinião, p.16.


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

SEBO DO GERALDO

Por Pedro Salgueiro (*)

A frase marcante da autobiografia "De amor e trevas", do israelense Amós Oz, me remete sempre aos "sebos" de velhos livros: "Quando eu era pequeno, queria ser um livro quando crescesse. Não escritor de livros, livro mesmo. Gente se pode matar como formigas. Escritores também não são tão difíceis de matar.

Mas livros, mesmo se os destruirmos metodicamente, sempre há chance de sobrar algum, nem que seja apenas um exemplar, a continuar sua vida de prateleira, eterna, discreta e silenciosa em uma estante esquecida de alguma biblioteca remota". Sebos que frequentei pela vida inteira; pois os sebos, a despeito de parecerem "cemitérios de livros", ou "museus de livros", são na verdade "maternidade de livros", pois se não nascem nesses ambientes geralmente caóticos, renascem, voltam para a vida.

Já vi amigo escritor dar chilique por ter encontrado livro seu, devidamente autografado, na prateleira de um sebo, o que nunca entendi, porque fico numa felicidade sincera, pois sei que ali ele começará vida nova, eterna feito Sísifo, nesse vai-e-volta contínuo que as obras fazem entre as ditas livrarias e os sebos.

Para fortalecer meu argumento ao vaidoso amigo escrevinhador, sustento que finalmente o livro dele se tornou um "clássico", e que meu próximo lançamento se dará diretamente numa dessas "maternidades de livros", para encurtar o caminho que ele naturalmente fará.

Um desses templos sagrados dedicados aos livros, que frequento há mais de duas décadas, funciona numa casa verde forte na rua 24 de Maio, em pleno Centro de Fortaleza, numa área aparentemente inóspita às "coisas da cultura", de comércios variados, desde bares e restaurantes frequentados por trabalhadores da região a lojas de ventiladores, paradas de ônibus e consertos vários.

Quem entrava na porta larga era recebido pelo sorriso cativante do senhor Geraldo, que acompanhado pela sua fiel escudeira, a cunhada e funcionária Estela, deixava o freguês à vontade para se perder nos muitos corredores entulhados de livros, numa aparente desorganização que assusta; digo aparente porque quem ia (vai) conhecendo descobre que existe uma ótima organização no meio do caos: cada assunto na sua vereda, cada livro na sua estrada, nesse imenso sertão de livros.

Apesar da amizade longa com o proprietário, de já o considerar um amigo próximo, nunca troquei uma palavra sobre livros com ele, que seu Geraldo era de outra natureza, dos homens da vida e que adorava falar sobre a vida; queria vê-lo feliz perguntasse sobre como ele começou essa longa aventura com os livros, ele marejava os olhos contando que "comecei mesmo foi na pedra, os livros poucos e espalhados na calçada, era ali perto dos correios, depois da Praça do Ferreira", daí invariavelmente descambava a falar das coisas que passava na época, onde guardava os parcos exemplares, até conseguir comprar uma banca de revista, onde passou a funcionar.

Nesse tempo todo de rápidas e entrecortadas conversas atrapalhada por fregueses, fiquei sabendo não só dos livros e sua vigem longa da "pedra" até aquela loja grande abarrotada de revistas, discos e principalmente de livros, mas de detalhes de suas sofrida mas gostosa vida de negociante de papel.

Precisaria não de uma crônica, porém de um livro inteiro para falar dessa aventura quixotesca do seu Geraldo, vida simples apesar do êxito (sempre foi o mais lembrado para reportagens e entrevistas sobre o assunto dos jornais e TVs, vez em quando estudantes iam lá para ouvi-lo), tão simples que um dia como hoje, sexta-feira, ele estaria sentado em seu velho birô com uma gaveta cheia de moedas, distribuindo-as para uma fila de velhinhos que desde cedo rondavam sua calçada.

Quando eu chegava, nessa ocasião das sextas, invariavelmente perguntava: "Geraldo, tá bom de aumentar essa cota para 5 reais!", no que ele abria um sorriso largo e respondia: "Tá querendo me quebrar!?", e desatava a contar quando fez essa promessa das moedinhas da sexta-feira.

Não tive coragem de ir ao seu velório e enterro, nem de voltar ao velho sebo da 24 de Maio, mesmo sabendo que só tenho boas lembranças de lá, mesmo sabendo que sua viúva Albaniza, seu filho Janderson e sua cunhada Estela levarão adiante essa aventura sem fim de vender sonhos.

(*) Cronista e articulista de O Povo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 17/10/25. Vida & Arte, p.2.

 

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