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quinta-feira, 30 de julho de 2026

Livro resgata a história da Pediatria cearense e preserva legado para futuras gerações

 


 Reportagem: Argollo de Menezes

CEO, Editor Jornal do Médico®️, Jornalista DRT-CE 1950 e Membro Honorário SOBRAMES-CE | Instagram@jornaldomedico

Resultado de quase 2 anos de pesquisa, Pediatria no Ceará: História e Pediatras reúne documentos raros, fotos inéditas e biografias dos ex-presidentes da Sociedade Cearense de Pediatria. Lançado pela SOCEP em parceria com a SOBRAMES-CE, o livro celebra o aniversário de 80 anos da entidade e busca preservar o legado da especialidade para as próximas gerações. Em entrevista inédita, o presidente da SOCEP, Dr. João Cândido de Sousa Borges, fala sobre os bastidores da pesquisa e a importância de preservar a memória dos profissionais que construíram a pediatria cearense.

Jornal do Médico® – Dr. João Borges, o livro começou a ser planejado em agosto de 2024, nos 80 anos da SOCEP. Como surgiu a ideia dessa parceria com a Sobrames-CE e os autores Sidneuma Ventura e Marcelo Gurgel para realizar esse resgate histórico?

Dr. João Borges: Já de um tempo eu tinha um desejo de registrar a história da Pediatria no Ceará…. A ideia da construção deste livro, ocorreu durante as comemorações dos 80 anos da Sociedade Cearense de Pediatria, em agosto de 2024, naquele momento tão significativo para a nossa instituição, percebemos que celebrar a história da SOCEP também significava preservar a memória da Pediatria cearense. Foi então que o colega Marcelo Gurgel, escritor e integrante da Sobrames-CE, propôs essa parceria, que foi prontamente acolhida pela SOCEP. Ao lado da Dra. Sidneuma Ventura, iniciamos um trabalho intenso de pesquisa, levantamento documental e reconstrução histórica. Desde o início, compreendemos que não se tratava apenas de produzir um livro, mas de deixar um legado para as futuras gerações de pediatras, registrando a trajetória daqueles que ajudaram e ajudam a construir a nossa especialidade no Ceará.

Desde o início, compreendemos que não se tratava apenas de produzir um livro, mas de deixar um legado para as futuras gerações de pediatras…”

Jornal do Médico® – O livro traz registros biográficos, documentos e a trajetória dos ex-presidentes da SOCEP. Para o leitor que terá a obra em mãos, quais são as principais relíquias históricas ou marcos da Pediatria cearense que ele encontrará nessas páginas?

Dr. João Borges: O leitor encontrará um verdadeiro patrimônio histórico da Pediatria Cearense. A obra reúne documentos, fotografias, registros institucionais, relatos históricos e biografias de profissionais que foram fundamentais para o desenvolvimento da especialidade em nosso Estado. Também apresenta a trajetória dos ex-presidentes da SOCEP, mostrando como cada gestão contribuiu para fortalecer a assistência à criança, a formação médica e a defesa profissional do pediatra. Mais do que conhecer datas e fatos, o leitor poderá compreender como a Pediatria evoluiu no Ceará, acompanhando as transformações da medicina, da sociedade e das políticas voltadas à saúde infantil.

Jornal do Médico® – Foram quase dois anos de pesquisas e reuniões periódicas. Durante esse processo de resgate de memórias, houve algum fato esquecido ou personagem da Pediatria que surpreendeu a comissão ao ser redescoberto?

Dr. João Borges: Sem dúvida. Ao longo das pesquisas, tivemos a oportunidade de redescobrir profissionais cuja contribuição foi decisiva para a consolidação da Pediatria no Ceará, mas que, com o passar do tempo, acabaram pouco lembrados pelas novas gerações. Também encontramos documentos, registros e relatos que revelam o enorme esforço dos pioneiros para estruturar serviços, formar especialistas e fortalecer o ensino pediátrico em nosso Estado. Cada reunião trazia novas descobertas, reforçando a percepção de que preservar essa memória era uma responsabilidade coletiva e uma forma de prestar homenagem àqueles que dedicaram suas vidas ao cuidado das crianças.

Tivemos a oportunidade de redescobrir profissionais cuja contribuição foi decisiva para a consolidação da Pediatria no Ceará, mas que acabaram pouco lembrados pelas novas gerações.

Jornal do Médico® – No prefácio, o senhor menciona que gerações de pediatras fizeram do cuidado à infância sua missão de vida. Como o senhor enxerga a evolução do perfil do pediatra no Ceará, desde os pioneiros até os profissionais de hoje?

Dr. João Borges: Os pioneiros construíram a Pediatria cearense em um contexto de muitos desafios, com recursos limitados, mas com enorme dedicação, compromisso e espírito de serviço. Foram eles que lançaram as bases da especialidade no nosso Estado. Hoje, encontramos uma Pediatria muito mais integrada ao conhecimento científico, às novas tecnologias e ao trabalho multiprofissional. Ao mesmo tempo, permanece inalterada a essência da profissão: o compromisso com a saúde, o desenvolvimento e o bem-estar da criança e do adolescente. Vejo com satisfação uma nova geração de pediatras preparada tecnicamente, comprometida com a educação continuada e consciente da importância da humanização no cuidado.

Jornal do Médico® – Citando o filósofo Cícero, o senhor destaca que a história é a “vida da memória”. Qual é a principal lição que esta obra comemorativa deixa para inspirar os estudantes e os novos pediatras que assumirão o futuro da especialidade no nosso Estado?

Dr. João Borges: A principal mensagem é que nenhuma instituição e nenhuma especialidade se fortalecem sem conhecer sua própria história. Este livro mostra que os avanços conquistados ao longo das décadas são fruto da dedicação, da competência e do espírito coletivo de muitos profissionais que vieram antes de nós. Espero que os estudantes e os jovens pediatras encontrem nestas páginas inspiração para exercer a Medicina com excelência técnica, ética, sensibilidade e compromisso humano. Conhecer o legado dos nossos pioneiros nos ajuda a compreender que também somos responsáveis por construir os próximos capítulos da história da Pediatria Cearense, sempre colocando a criança e o adolescente no centro de nossa missão.

Fonte: Jornal do médico, 22(207): 9-10, julho de 2026.

https://jornaldomedico.com.br/2026/07/29/livro-resgata-a-historia-da-pediatria-cearense-e-preserva-legado-para-futuras-geracoes/

quarta-feira, 29 de julho de 2026

CONVITE: Lançamento do livro “Pediatria no Ceará: História e Pediatras”


A Sociedade Cearense de Pediatria (Socep) e a Sociedade Brasileira de Médicos Escritores – Regional Ceará (Sobrames-CE) convidam para a Solenidade de Lançamento do livro “Pediatria no Ceará: História e Pediatras”, uma obra dedicada a preservar a memória da pediatria cearense e homenagear os profissionais que fizeram e continuam fazendo parte dessa história.

O evento será realizado no dia 30 de julho de 2026 (quinta-feira), às 19h, na sede da Socep - Rua Maria Tomásia, 701 – Aldeota, Fortaleza-CE.

Atenciosamente,

João Cândido de Souza Borges                              Maria Sidneuma Melo Ventura

Presidente da Sociedade Cearense de Pediatria        Presidente da SOBRAMES-CE



sexta-feira, 10 de julho de 2026

Mensagens de pesar de confrades da Academia Cearense de Medicina paca o Acad. Alberto Lima

 

Essa fotografia é mais que a cara do Dr. Alberto Lima. Ela também expressa a sua genuína alma, bondosa e caridosa. Sempre simpático, bem humorado, cordial, Dr. Alberto Lima foi um médico exemplar, uma referência na pediatria do Ceará. Era meu amigo e o admirava muito. Que Deus o receba no Céu, porque aqui ele foi bom; e conforte a família enlutada. Nossas condolências à família.

9/7/2026

Sebastião Diógenes

ALBERTO LIMA

Por Sulivan Mota

Foi pediatra com alma. 

No Ceará desenvolveu uma pediatria competente e, sobretudo, humana.

No HGF e na Clínica que leva seu nome, aprendeu que curar é também acolher.  Que atender uma criança é abraçar uma família inteira.

Homem de ciência e de fé, entregava nos terços à Maria tudo aquilo que as mãos não alcançavam.

Que a Mãe de Jesus o receba.

A Pediatria cearense segue honrando seu nome, agradecida por quem dignificou nossa missão de proteger e cuidar de cada criança.

Obrigado Alberto.

Sulivan

Meus Confrades e Confreiras,

Fui informado que nosso Confrade Dr Alberto Lima acaba de falecer.

( solicito confirmação

César Pontes

Lamento profundamente. Uma das melhores pessoas que conheci. Conheci o Dr Alberto Lima no internato no HGF. A partir daí nasceu uma grande amizade.

Jean Crispim

Um dos maiores médicos do Ceará. Foi meu colega de plantão no HGF e Pediatra dos meus filhos. Além de grande Pediatra, foi Professor de Química.

Que Deus o tenha.

Luciano Pinheiro.

Convivi com ele à época do meu internato em 1979, no HGF. Posteriormente tive oportunidade de reencontrá-lo na elaboração de programação científica de congressos médicos. Também tive a satisfação de ter minha primogênita atendida por ele no Pronto Baby, ainda na 13 de Maio. Em todas essas oportunidades sempre foi de extrema disponibilidade, cordialidade e competência. Meus sentimentos à família e o desejo de que, tendo cumprido com denodo a sua passagem terrena, esteja sendo festejado na casa do Senhor!

Heládio Filho

Abalados com a infausta notícia do falecimento do nobre Confrade e estimado amigo Alberto Lima apresentamos comovidos pêsames a sua esposa Ana Lucia e família. João Evangelista e Zélia.

Grande tristeza!

Estou profundamente triste com a perda desse grande amigo.😢 Profundo devoto de Nossa Senhora do Carmo.

Embora não tenha nascido num 16 de julho, como eu, mas próximo disso (salvo engano 19/7), ele me dizia que se sentia como se tivesse nascido naquele dia. 😢

Quantas vezes nos encontramos na Santa Missa das 10h do domingo na Igreja do Carmo!😢

Ganhei dele um Escapulário de pano que ainda guardo com imensa devoção.😢

Nada é mais certo do que a festiva recepção promovida pela Flor do Carmelo ao apresentá-lo ao Divino Criador, logo após seu Juízo Particular, ocorrido de imediato, após sua Páscoa.

Como foi bom conhecê-lo, querido amigo Alberto!

Janedson

Tristeza. Grande pediatra. Qual a causa da morte? Estava en atividade e transferindo sua clinica para um shopping. A chamada nonadecada e perigisisdima.

Pedro Negreiros

Grande perda para a Medicina cearense e mais particularmente para a pediatria do Ceará.

Sua valiosa biografia está registrada no livro dos Membros Titulares da ACM e no livro “Pediatria no Ceará: história e pediatras”, da Sociedade Cearense de Pediaria, ora no prelo.

Marcelo Gurgel

dr Alberto Lima, confrade ilustre da ACM, um gentleman, pediatra extraordinário e excelente pessoa humana. Grande perda para a Medicina e Pediatria cearense. Que o Pai dos Céus o acolha em Sua Casa e conforte a família. Um abraço fraterno do Lucio Flávio.

A Academia Cearense de Medicina lamenta profundamente a perda do ilustre médico pediatra, Dr. Alberto Lima. Ser humano íntegro, profissional dedicado e admirado por todos os que o conheciam, o Dr. Alberto Lima deixa um exemplo de ética e e honradez. Que o bom Deus o acolha e conforte os familiares e amigos.

Ivan Mouta Fé

Dr. Alberto Lima,  Excelente Pediatra, Ser Humano Admirável. Partiu deixando uma rica e linda historia de dedicação e amor ao próximo. Que DEUS o receba em seus braços,  Abençoe e Conforte sua família nesse momento de Dor e de Saudade!

Anastácio

Nos deixou o grande mestre Dr. ALBERTO LIMA DE SOUZA, um dos mais destacados nomes da Pediatria do Ceará, em todos os tempos. Quiçá o mais cearense dos potiguares. Nenhum homem é insubstituível, mas somente alguns poucos são insuperaveis: eis um exemplo. Deitemos flores aos pés da sua memória benfajeja, e que a sua vida continue sendo lembrada como exemplo de profissional sem jaça e fraterno cidadão, inspurando as futuras gerações de pediatras.

Sem mais palavras... Em certas ocasiões, o silêncio é mais eloquente que o mais belo dos panegíricos.

Resquiescat in pace!

Eurípedes

Grande perda para medicina cearense, Dr. Alberto Lima, pessoa maravilhosa, que Deus conforte a família.

Sálvio Pinto

Nossas condolências a família Dr Alberto que fez da sua vida uma dedicação a pediatria. Dr Alberto está em paz no plano espiritual sob a Paz de Jesus

Sara Cavalcante

Alberto Lima,em terra, foi um benfeitor, uma vida dedicada ao PRÓXIMO: UM SANTO HODIERNO.

João Martins

Certo dia, Dr. Alberto me confidenciou que a grandeza das nossas vidas não se avalia pelos meros troféus terrenos e reles prestígios humanos, mas, segundo São Paulo ensina nas suas Cartas: após  o “bom combate”, pela coroa da justiça e a vida eterna na presença de Cristo.

“Porque estou certo de que isto mesmo, pela vossa súplica e pela provisão do Espírito de Jesus Cristo, me redundará em libertação, segundo a minha ardente expectativa e esperança de que em nada serei envergonhado; antes, com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 1:19-21).

Janedson

Uma grande perda pra medicina do nosso estado. Cuidou de uma legião de crianças, hoje alguns também médico. Meu sogro, sentia a morte de amigos da mesma idade: "está chegando tambem a minha hora".  Sua esposa era minha cliente, que atendia prazeirosamente, como fazia, como todas as esposas de colegas.

Lineu Jucá

quinta-feira, 9 de julho de 2026

Nota de pesar da Clínica Pediátrica Alberto Lima por seu dirigente

É com profundo pesar que a Clínica Pediátrica Alberto Lima comunica o falecimento de seu fundador, Dr. Alberto Lim a de Souza, ocorrido nesta quinta-feira, 9 de julho de 2026, em Fortaleza, aos 81 anos.

Médico pediatra formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte em 1969, o Dr. Alberto dedicou mais de cinco décadas à saúde das crianças do Ceará. Serviu por mais de vinte anos ao Hospital Geral de Fortaleza, onde chefiou a Enfermaria de Pediatria que hoje leva o seu nome. Foi um dos fundadores do Hospital Pronto-Baby e da Residência Médica em Pediatria do HGF, e membro titular da Cadeira 7 da Academia Cearense de Medicina.

Em 1984, fundou a clínica que carrega o seu nome e que, há 42 anos, acolhe gerações de famílias de Fortaleza e de todo o estado.

Mais do que um grande médico, o Dr. Alberto formou pessoas e nos deixou um modo de cuidar: com escuta, respeito e carinho por cada criança e cada família. Esse modo de cuidar permanece, e permanecerá, em cada consulta realizada nesta casa.

Ao Dr. Alberto, a nossa eterna gratidão. À sua esposa, Ana Lúcia, aos seus filhos e netos, o nosso abraço e a nossa solidariedade. E às famílias que ele atendeu ao longo de tantos anos, o nosso carinho: a dor de hoje é compartilhada.

Velório na Funerária Ternura: hoje, das 22h à meia-noite, com reinício amanhã (10/07) às 7h30. Missa às 9h30. Sepultamento às 11h, no Cemitério Parque da Paz.

Nota do Blog Grande perda para a Medicina cearense e mais particularmente para a pediatria do Ceará. Sua valiosa biografia está registrada no livro dos Membros Titulares da ACM e no livro “Pediatria no Ceará: história e patronos”, da Sociedade Cearense de Pediaria, ora no prelo.

Que Deus o acolha, no Seu amor e na Sua misericórdia e console seus familiares.

Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Editor do Blog


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Cranioestenose, detectar cedo é crucial

Por Eduardo Jucá (*)

É comum que, nos primeiros meses de vida, pais reparem em características diferentes no formato da cabeça de seus bebês. O que nem todos sabem é que, em alguns casos, essas alterações podem indicar uma condição chamada cranioestenose — o fechamento precoce de uma ou mais suturas do crânio, que pode afetar o crescimento cerebral e o desenvolvimento neurológico.

O crânio do bebê é formado por placas ósseas separadas por suturas, que funcionam como zonas de crescimento. Essas suturas devem permanecer abertas nos primeiros anos para permitir a expansão do cérebro. Quando uma ou mais se fecham antes da hora, o crânio cresce de forma irregular. Isso pode causar deformidades visíveis e, em alguns casos, levar a aumento da pressão ou atrasos no desenvolvimento.

O diagnóstico é clínico, com apoio de exames de imagem. O tratamento é cirúrgico e, quanto mais cedo feito, melhor o resultado. A cirurgia corrige a forma do crânio e garante espaço para o cérebro crescer com segurança.

Muitos casos ainda são identificados tarde, o que pode exigir cirurgias mais complexas. Por isso, é essencial que pediatras e famílias fiquem atentos a assimetrias, achatamentos ou alongamentos incomuns. Observar o formato da cabeça pode fazer toda a diferença.

Há também formas sindrômicas de cranioestenoses, associadas a alterações em outras regiões do crânio e da face, que exigem cuidado especial. É importante também diferenciar as cranioestenoses verdadeiras das condições de assimetrias posicionais, mais frequentes e geralmente sem necessidade de cirurgia. O tratamento deve ser feito por equipe multidisciplinar, com neurocirurgião, pediatra, geneticista e outros especialistas.

No dia 22 de novembro de 2025, acontecerá o I Simpósio de Cranioestenoses de Fortaleza, na Universidade de Fortaleza, reunindo especialistas do Brasil e do exterior, além de famílias de pacientes. O evento será um marco para difundir conhecimento, trocar experiências e reforçar a importância do diagnóstico precoce. Divulgar o conhecimento é essencial para ampliar o saber, gerar empatia e qualificar o cuidado com essa condição.

(*) Médico neurocirurgião pediátrico, professor, pesquisador e palestrante.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 20/11/2025. Opinião. p.18.


quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Precisamos falar sobre bronquiolite

Por Eurinice Cristino (*)

As doenças respiratórias nas crianças estão em alta. A bronquiolite, em especial, tem gerado grande preocupação aos pais e pressionado o sistema de saúde. Resultado do agravamento das síndromes gripais causado pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), na grande maioria dos casos, a infecção respiratória aguda afeta principalmente crianças menores de dois anos, sendo uma das principais causas de hospitalização nessa faixa etária. No entanto, outros vírus, como o rinovírus, adenovírus e influenza, também podem desencadear a doença.

O sinal é de alerta e a orientação é de que todo cuidado é pouco. A contaminação está relacionada ao contato com o vírus, que pode se dar por meio de ambientes aglomerados, fechados e contaminados, por contato próximo com criança ou adulto infectado e até devido a má higienização das mãos.

Em meio à situação que vivemos no Ceará, é fundamental que pais e cuidadores estejam atentos aos primeiros sinais de que a saúde do seu pequeno não vai bem. Muito semelhante aos sintomas de um resfriado comum, por apresentar inicialmente sintomas como coriza, febre baixa e tosse, a bronquiolite pode evoluir rapidamente para sinais graves, como dificuldade respiratória, chiado no peito e cianose (coloração azulada da pele devido à falta de oxigênio). Nessas situações, pode ser necessário suporte hospitalar, incluindo oxigenoterapia, hidratação intravenosa e até internação em UTI.

Hoje, ainda não existe uma vacina específica para a bronquiolite em bebês, mas já temos uma de aplicação em gestantes oferecida nas clínicas privadas de vacinação. A finalidade é prevenir doenças do trato respiratório inferior e suas formas graves em recém-nascidos e lactentes através dos anticorpos produzidos pela gestante vacinada que são transferidos por meio da placenta ao feto.

No entanto, outras medidas precisam ser tomadas. Entre elas conscientização e mudança de comportamentos de pais de recém-nascidos, principalmente, que devem evitar ao máximo receber visitas, evitar expor o bebê a ambientes fechados, aglomerados e a pessoas doentes; além de manter a casa arejada, com janelas abertas sempre que possível. Seguir medidas preventivas é sempre o melhor caminho. 

(*) Médica pediatra e especialista em desenvolvimento infantil.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 18/08/2025. Opinião. p.16.

quinta-feira, 31 de julho de 2025

UM PEDIATRA PARA CHAMAR DE SEU

Por João Borges (*)

A presença do pediatra é essencial em todas as instâncias do cuidado em saúde. Em cada etapa, ele é a ponte entre a ciência e o cuidado afetivo, a técnica e a escuta. É o pediatra que possibilita às famílias o acesso a uma assistência contínua, segura e personalizada. "Ter um pediatra para chamar de seu" descreve o vínculo de confiança, um relacionamento singular entre o pediatra e a família em todas as fases de seu desenvolvimento e dificuldades.

O acompanhamento desde o pré-natal até o adolescer é mais do que um ideal: é um direito e uma necessidade. A criança é um ser único, que se desenvolve dentro de um contexto familiar, social, econômico e cultural. Nenhuma outra especialidade médica é tão sensível e atenta a essa complexidade.

No contexto do serviço público, em pesquisa nacional (SBP-2024), apenas 20% dos pediatras aparecem com “vínculo seguro” através de Concurso Público. Essa situação mostra a fragilidade na assistência da criança e do adolescente. Ademais, é preocupante, a assistência nos serviços públicos de urgência e emergência onde 76% dos atendimentos são realizados por médicos generalistas e apenas 24% por Pediatras.

Esses dados confirmam a urgência de fortalecer a presença do pediatra em todos os níveis da atenção à saúde.

Na minha prática em consultório, sempre me senti mais seguro e eficiente ao cuidar de quem eu conhecia pelo nome, pelas suas histórias, pelos marcos de seu desenvolvimento. O vínculo formado dá profundidade à escuta, precisão às decisões médicas e, acima de tudo, humanidade entre médico, criança e família. Como bem canta Roberto Carlos "Em certos momentos difíceis da vida... a sua palavra de força, de fé e de carinho me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho”.

Essa sensação de amparo é exatamente o que o pediatra oferece para ser um “pediatra chamado de seu”.

Por fim, podemos escolher dedicar parte de nossas vidas para melhorar o mundo e colher os bons resultados dessa escolha.

Eu escolhi ser pediatra, pois acredito no valor inestimável de cada vida. Cada gesto de cuidado importa. Toda criança merece ser protegida e acompanhada com responsabilidade, empatia e amor.

(*) Médico pediatra. Presidente da Sociedade Cearense de Pediatria.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 27/07/2025. Opinião. p.20.

quarta-feira, 9 de abril de 2025

A SAÚDE DAS CRIANÇAS NA ESTAÇÃO CHUVOSA

Por Fernanda Colares (*)

A estação chuvosa em Fortaleza sempre traz um aumento significativo de doenças respiratórias e infecciosas, especialmente entre as crianças. A combinação de alta umidade, temperaturas mais baixas e ambientes fechados cria um cenário propício para a proliferação de vírus e bactérias. Como médica pediatra e diretora de Recursos Próprios da Unimed Fortaleza, reforço a importância de medidas preventivas para garantir o bem-estar dos pequenos durante esse período.

Doenças como gripes, resfriados, bronquiolites e pneumonias tornam-se mais comuns nessa época do ano. Além disso, a exposição a águas contaminadas pode levar a infecções gastrointestinais, dentre outros problemas. Para prevenir contaminações, é fundamental adotar bons hábitos de higiene, como lavar as mãos regularmente com água e sabão e manter os ambientes domésticos limpos e arejados.

A alimentação equilibrada desempenha um papel importante no fortalecimento do sistema imunológico das crianças. Uma dieta rica em frutas, verduras e proteínas fornece os nutrientes necessários para combater infecções. Manter a hidratação adequada também é essencial, pois auxilia na manutenção das funções corporais e na defesa contra agentes patogênicos.

A imunização é uma ferramenta poderosa na prevenção de doenças. Certifique-se de que a caderneta do seu filho esteja atualizada com vacinas contra rotavírus, pneumonia, gripe, covid-19 e dengue. A vacinação reduz significativamente o risco de complicações e hospitalizações.

Em situações em que sintomas como febre alta persistente por mais de 48 horas, tosse intensa acompanhada de dificuldade para respirar, vômitos ou diarreia com sinais de desidratação estejam presentes, é fundamental procurar atendimento médico imediato. Esses sinais podem indicar quadros que exigem avaliação profissional para um diagnóstico preciso e a adoção das medidas adequadas de tratamento.

Com a adoção de medidas preventivas simples e o acesso a serviços de saúde é possível atravessar esse período com segurança e tranquilidade.

(*) Médica pediatra e diretora de Recursos Próprios da Unimed Fortaleza.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 14/03/25. Opinião. p.16.


sábado, 17 de agosto de 2024

PIADAS: Curtas e Boas

Na Farmácia:

Velhinho: - Tem Viagra?

Funcionário: - Sim. Quantos o senhor deseja?

Velhinho: - Seis pastilhas. Mas corte-as em quatro pedacinhos cada.

Funcionário: - Posso cortá-las, mas… isso não vai lhe dar uma ereção completa.

Velhinho: - Não quero uma ereção completa, é só pra levantar um pouquinho e não fazer xixi no chinelo.

No Pediatra:

O homem leva o filho ao pediatra:

- Doutor, o meu filho já tem seis meses e ainda não abriu os olhos!

- Abra os olhos você! Este menino é filho de japonês!

Fonte: Disponível na home page “Tudoporemail”.Pia

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

E A SAÚDE DAS CRIANÇAS?

Por Valdester Cavalcante Pinto Jr. (*)

A morbidade e a mortalidade infantil, de há muito, constituem preocupação para a comunidade da saúde. Esforços resultaram em progresso, com estimativas globais de mortalidade de menores de 5 anos, tendo diminuído de 12,8 milhões, em 1990, para, aproximadamente, 5,0 milhões, em 2021.

Embora com dados encorajadores, a estatística da mortalidade infantil concentra-se, desproporcionalmente, entre as crianças das populações mais desfavorecidas em todos os países, e se prevê que os Estados-Membros da OMS não alcancem a meta de eliminá-la, como evitável em crianças menores de 5 anos, até 2030.

Evidentemente, para que os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) sejam alcançados em todo o mundo, a atenção à equidade não há de ser esquecida.

Problemas de saúde que exigem cirurgia são amplamente estruturais em crianças. As três anomalias congênitas graves, mais comuns - anomalias cardíacas, defeitos do tubo neural e síndrome de Down – exigem tratamento cirúrgico na totalidade ou por associação.

Estima-se, no entanto, que 1,75 bilhão de crianças, 87% das quais vivem em países de baixa e média renda, não tenham acesso a cuidados operatórios seguros, tornando a área cirúrgica pediátrica uma das mais negligenciadas e subfinanciadas da saúde infantil.

Condições cirúrgicas pediátricas não tratadas, também, resultam em grandes perdas econômicas. Uma criança que não recebe tratamento cirúrgico oportuno para seu defeito do tubo neural tem alta probabilidade de deficiência de locomoção e enfrenta muitos anos evitáveis, ??vividos com a doença. Do mesmo modo, aquelas com cardiopatias congênitas têm as vidas abreviadas e ou limitações cardiopulmonares não reversíveis.

Se o acesso insuficiente aos cuidados cirúrgicos constitui um problema de 12,3 bilhões de dólares americanos, que afeta em grande parte as crianças, e as convenções políticas internacionais aludem, com frequência, à necessidade de dar prioridade a esse contingente, por que o atendimento cirúrgico pediátrico não é apoiado como um bom investimento em saúde pública?

Reflexão sobre o artigo: Karel-Bart Celie. The importance of global bioethics to paediatric health care. The Lancet Child & Adolescent Health.2024. 8(5)

(*) Médico cirurgião cardiovascular pediátrico.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/07/2024. Opinião. p.20.

quinta-feira, 25 de julho de 2024

SOCIEDADE CEARENSE DE PEDIATRIA: 80 anos de bons serviços à infância no Ceará

Nos anos quarenta do século passado o Ceará se deparava com sérios e crônicos problemas da saúde de suas crianças. Segundo trabalho publicado por Hyder Correia Lima e Joaquim Eduardo de Alencar, em Fortaleza, entre 1933 e 1952, as taxas de mortalidade infantil alcançavam valores exorbitantes, de tal sorte que uma em cada três crianças nascidas vivas não completava o seu primeiro aniversário.

É nesse degradante cenário da Saúde Pública, que os pediatras cearenses Drs. José Fernandes e Carlos Ribeiro Pamplona, engajados no firme propósito de enfrentar a excruciante mortalidade infantil e de proporcionar melhores condições de vida às crianças cearenses, instituíram a SOCIEDADE CEARENSE DE PEDIATRIA – SOCEP, fundada em 15 de junho de 1944, na vigência da II Grande Guerra, quando o Brasil afiançara a sua participação junto às Tropas Aliadas contra os países do eixo Berlim-Roma-Tóquio.

Os jornais locais que circulavam na capital cearense: o Unitário, o Correio do Ceará, o Estado e o Povo, anunciaram em suas páginas, editadas em junho de 1944, com merecido destaque, a alvissareira notícia da criação da SOCEP, que aconteceria em reunião a ter lugar na sede do Centro Médico Cearense.

A primeira diretoria da SOCEP teve a seguinte composição: José Fernandes (presidente), Aloysio Soriano Aderaldo (vice-presidente), Otávio Pontes (primeiro secretário), Carlos Ribeiro Pamplona (segundo secretário), Pedro de Morais Borges (tesoureiro) e Aracy Aguiar (bibliotecária).

Após a diretoria liderada pelo Dr. José Fernandes (1944-46), o Dr. Carlos Ribeiro Pamplona assumiu a segunda diretoria, sendo o seu mandato alvo de sucessivas reconduções, tendo permanecido à frente da SOCEP, de 1947 a 1956, o que lhe confere o papel de fundador e de consolidador da novel entidade médica.

A SOCEP, que em 2024 completa os seus oitenta anos de funcionamento ininterrupto, é uma das mais longevas instituições societárias médicas do solo alencarino; são poucas as instituições aqui, ainda existentes, que a precederam em tempo de instalação, como o Centro Médico Cearense (a atual Associação Médica Cearense), fundado em 1913, a Sociedade Médica São Lucas e o Sindicato dos Médicos do Ceará, criados, respectivamente, em 1937 e 1941.

Desde o seu nascedouro, e ao longo de sua história, a SOCEP esteve irmanada com o poder público em pugnar pelas políticas públicas em prol da infância. Isso se fez e segue em curso, tanto institucionalmente como por meio de seu quadro de dirigentes e de associados, com vários deles guindados à condição de gestores da pasta da saúde estadual e de alguns dos maiores municípios do Ceará, bem como por meio de gerentes de programas específicos e de equipamentos nosocomiais voltados à saúde infantil; a Dra. Anamaria Cavalcante e Silva, que presidiu a SOCEP em três profícuas gestões, exemplifica a contento a interação da entidade maior dos pediatras cearenses e as autoridades sanitárias, logrando benfazejos e duradouros resultados sociais.

Uma prova inconteste dessa parceria pode ser visualizada na participação da SOCEP em várias iniciativas públicas relevantes, a exemplo do Programa Viva a Criança, do acompanhamento das PESMIC, que comprovaram a drástica redução da mortalidade infantil, da vinda do escritório local do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), da qualificação do Hospital Infantil Albert Sabin, como centro de excelência e de referência em saúde infantil; de não menor importância foi a contribuição que a SOCEP ofereceu ao Governo do Ceará em sua visionária e revolucionária institucionalização dos agentes comunitários de saúde.

Coube a SOCEP a realização de três grandes congressos brasileiros de pediatria (1985, 2000 e 2017). O congresso de 1985, presidido pela Dra. Anamaria Cavalcante e Silva, exitoso em seus múltiplos aspectos, foi superavitário, ensejando a captação de numerários suficientes para dotar a SOCEP de uma vistosa e funcional sede própria que se presta para suas reuniões administrativas e ainda para a educação continuada dos pediatras, associados ou não.

Recentemente, o Dr. João Borges, especialista em Pediatria com área de atuação em Neonatologia pela Sociedade Brasileira de Pediatria, especialista em Serviço de Saúde/Gestão Hospitalar pela Universidade Estadual de Campinas, sócio fundador e ex-presidente da Cooperativa dos Pediatras do Ceará, assumiu, pela terceira vez. a presidência da SOCEP, com mandato para o período 2024-2027.

Por suas proficientes gestões anteriores à frente dessa entidade, e consubstanciado na experiência que granjeou como presidente da Unimed Fortaleza, tem-se a garantia de que o Dr. João Borges marcará os 80 anos de criação da SOCEP, fazendo jus a lembrança do acendrado espírito público que norteou os fundadores dessa pujante sociedade médica especializada, os Drs. José Fernandes e Carlos Ribeiro Pamplona.

Cons. Marcelo Gurgel Carlos da Silva

Da Academia Cearense de Medicina (Cad. 18)

*Publicado In: Jornal do médico digital, 4(51): 17-19, julho de 2024. (Revista Médica Independente do Ceará).


terça-feira, 23 de julho de 2024

CEARÁ TEM ESCASSEZ DE PROFISSIONAIS PARA FAZER DIAGNÓSTICO DE AUTISMO

Por Lara Vieira, jornalista de O Povo, Editoria de Cidades.

Audiência discutiu propostas para melhorar os serviços oferecidos pelo SUS voltados a crianças diagnosticadas ou com suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA)

O Ceará tem escassez de profissionais capacitados para realizar diagnósticos precoces de Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Estado. Para minimizar a questão, propostas de melhorias para os serviços e políticas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) às pessoas com TEA serão encaminhadas aos órgãos e secretarias responsáveis pelas áreas de saúde e educação, municipais e estaduais.

O encaminhamento foi tirado da audiência pública sobre o déficit de atendimento especializado para crianças com TEA no Ceará, realizada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), na manhã dessa segunda-feira, 22, no auditório da Procuradoria Geral de Justiça (PGJ), no bairro Cambeba, Fortaleza. Participaram da audiência promotores de Justiça, representantes das Secretarias da Saúde de Fortaleza (SMS) e do Estado (Sesa), além de membros da sociedade civil.

A audiência foi aberta com palestra de Alexandre de Aquino, supervisor do serviço de psiquiatria da infância e adolescência do Hospital de Saúde Mental de Messejana (Professor Frota Pinto). Conforme o especialista, dados indicam que a prevalência de autismo está crescendo. Nos Estados Unidos, por exemplo, a estimativa é que 2,8% da população infantil seja diagnosticada com autismo.

Trazendo essa estimativa para Fortaleza, isso sugere que teríamos aproximadamente 24 mil crianças e adolescentes com autismo. Se cada um recebesse apenas um atendimento por ano, a rede de saúde precisaria atender 2 mil crianças por mês. Estamos falando de um contingente imenso de pessoas. Precisamos de muitos profissionais e uma rede ampla e bem preparada para atender a essas demandas”, ressaltou o especialista.

Conforme comentou o promotor de Justiça, Eneas Romero, que presidiu a audiência, o grande desafio do Estado é a baixa cobertura de atendimentos, que precisa ser discutida em termos de política pública, tanto pela Secretaria da Saúde do Estado quanto pelo município de Fortaleza. “Isso pode representar um atraso no acompanhamento e desenvolvimento do paciente, além da angústia de não saber exatamente qual a situação dele”, ressaltou Eneas Romero.

Luciana Passos Aragão, coordenadora das Rede de Atenção Primária e Psicossocial de Fortaleza, também ressaltou que uma das problemáticas observadas no município são os possíveis diagnósticos de TEA imprecisos. “Temos reavaliado crianças que foram mal diagnosticadas. Temos que trabalhar com os profissionais dos postos de saúde para realizar uma vigilância e encaminhar rapidamente essas crianças para reabilitação”, comenta.

Como conseguir atendimento especializado em TEA

Para conseguir tratamento especializado em TEA, o primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde. Após isso, a criança ou adolescente será direcionado a um centro especializado. Em Fortaleza, conforme apresentou a Secretaria Municipal da Saúde (SMS), no momento há 13 unidades, entre iniciativas estaduais e municipais, voltadas a atendimentos iniciais:

Núcleo de Tratamento e Estimulação Precoce (Nutep): 4 vagas

Hospital Infantil Filantrópico (SOPAI): 20 vagas

UAPS Maria de Loures: 90 vagas

Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) Fortaleza: 21 vagas

Casa da Esperança: 15 vagas

Centro de Atendimento Educacional Pestalozzi de Fortaleza: 2 vagas

Centro de Integração Psicossocial do Ceará: 8 vagas

Instituto Moreira de Sousa: 23 vagas

CIAR: 8 vagas

Policlínica Dr. João Pompeu Lopes Randal: 24 vagas

Policlínica Dr. Luiz Carlos Fontenele: 16 vagas

Policlínica Lusmar Veras Rodrigues: 12 vagas

Espaço Seres: 10 vagas

Em todo o Ceará, são 13 os Centros Especializados em Reabilitação (CER) que também fornecem acompanhamento especializado para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Eles estão situados em Caucaia, Fortaleza (3), Maracanaú, Eusébio, Pacajus, Russas, Iguatu, Barbalha, Crato e Sobral (2).

Com grande parte do Estado sem a cobertura dos CER, a coordenadora das Redes de Atenção à Saúde da Sesa, Rianna Nobre, declarou que a Sesa está planejando implantar 14 novos serviços de referência para pessoas com deficiência. “Estamos em fase de seleção de locais e preparação de infraestrutura”, disse.

Durante a Audiência Pública, o Promotor de Justiça Eneas Romero também cobrou que a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) apresente, em próxima audiência, dados sobre os quantitativos de pessoas diagnosticadas com autismo no Ceará, tanto crianças e adolescentes, como adultos. O quantitativo é importante para embasar políticas públicas voltadas ao grupo.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 23/07/2024. Cidades. p.17.


terça-feira, 25 de junho de 2024

O TEMPO OPORTUNO PARA O CORAÇÃO DAS CRIANÇAS

Por Valdester Cavalcante Pinto Jr. (*)

Para tudo há um tempo? Aprendi a empreender os melhores esforços para mudar o que, ao meu julgamento, precisa de uma nova direção. No cotidiano das operações do coração das crianças, vivo desafios que não representam privilégios pessoais - são de todos com quem divido essa tarefa. Falta compreensão das necessidades básicas ao exercício profissional, o que nos impõe conviver com conflitos morais e éticos.

É necessário sentir o problema, enxergar que você não está sozinho e, em seguida, propor a união de todos no mesmo propósito. Aqui deparamos a necessidade de respeitar os distintos pontos de vista e negociar em prol do bem comum, a sociedade. Para tanto, é necessário tempo que, na maioria das vezes, não é aquele da necessidade.

Nesse contexto, o Departamento de Cirurgia Cardiovascular Pediátrica (DCCVPed) da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (SBCCV), fundado há 21 anos, pleiteia sua área de atuação – houve resiliência para juntar os iguais, maturar ideias, consolidar objetivos, estabelecer e difundir conhecimentos.

E, por que uma área de atuação? - Porque cuidamos de crianças; porque têm doenças diferentes dos adultos (preferencialmente as congênitas que somam, a cada ano, 23 mil novos casos); porque há necessidade de treinamento específico; e porque precisa de dedicação para melhorar resultados.

À extensão do tempo, foi amadurecido dentro da nossa sociedade o fato de ser oportuna a concessão desse título. Como algumas coisas não se rompem tão facilmente com o tempo, muitos dos pontos que discutimos na contemporaneidade de nossa especialidade - Cirurgia Cardiovascular - precisam ser apreciadas num contexto de divergências no campo das ideias. Nesse processo, o DCCVPed tem debatido com a comunidade da cirurgia cardiovascular no sentido de esclarecer dúvidas quanto à formação e ao exercício profissional daqueles que enveredarem por esse caminho.

O tempo oportuno, que faz esse acontecimento ser especial e memorável, é sua significância quanto ao impacto na qualidade de vida das crianças e adolescentes cardiopatas, propósito de um Cirurgião Cardiovascular Pediátrico.

(*) Médico cirurgião cardiovascular pediátrico.

Fonte: Publicado In: O Povo, de 12/06/2024. Opinião. p.16.

quinta-feira, 18 de abril de 2024

PEDIATRIA, A CIÊNCIA DO HOMEM

Meraldo Zisman (*)

Médico-Psicoterapeuta

Lembro-me de ser este o título de um livro que muito me impressionou no início de minha carreira de Pediatra, sempre comprometida desde os tempos de estudante com o problema da fome no mundo; nos morros, alagados, mangues e altos da minha cidade natal – Recife – e com a humanização do médico e da nossa responsabilidade.

Sem envolvimento social do profissional de Saúde, a cura fica cada vez mais distante.

Inspirei-me, para pautar minha faina, no médico e pensador Argentino -— Florêncio Escardó (1904-1992) – catedrático de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, um dos primeiros a permitir que o internamento da criança fosse realizado juntamente com a mãe. Criou, para isto, uma escola de assistentes sociais para viabilizar esse projeto.

Separar a criança das mães é uma dupla agressão – dizia.

Conseguiu que muitos colégios da outrora conservadora, orgulhosa e rica sociedade argentina recebesse (em uma mesma sala de aula) rapazes e moças; antes, as mais importantes escolas primárias e secundárias eram exclusivamente masculinas, somente algumas poucas exclusivamente femininas. Jamais entendeu como se podia praticar a Pediatra isoladamente “como se a criança não tivesse família”.

A sua obra bibliográfica é vasta e variada. Foi ótimo letrista de tangos. E de livros não exclusivamente técnicos dedicados à família, às crianças e à humanização do pediatra. Segue abaixo, além deste seu livro que deu o nome a esse artigo, outros também importantes para mim como foi a Pediatria Psicossomática. Abaixo uma relação bibliográfica de autoria desse autor homenagem do escriba.  Dentre as suas obras, destacam-se:

Sexologia de la família. Ed. El Ateneo, Buenos Aires, 1970.

Carta abierta a los pacientes. Emecé Editores, Buenos Aires, 1972.

Para que los padres entiendan a sus hijos (con Lee Salk). Emecé Editores, Buenos Aires, 1973.

Pediatria psicossomática. El Ateneu, Buenos Aires, 1974.

Família y Sexo. Roberto O. Antônio Editor, Buenos Aires, 1976.

Anatomia de la família. El Ateneu, Buenos Aires, 1982.

Esses livros, por certo, jamais ficarão fora de moda. Vencerão a difícil prova do Tempo.

Oxalá meus colegas mais jovens lessem com o mesmo carinho as obras de Florêncio Escardó. Quando um jovem me pede um conselho para o que ler, digo:

Leia os clássicos.

(*) Professor Titular da Pediatria da Universidade de Pernambuco. Psicoterapeuta. Membro da Sobrames/PE, da União Brasileira de Escritores (UBE), da Academia Brasileira de Escritores Médicos (ABRAMES) e da Academia Recifense de Letras. Consultante Honorário da Universidade de Oxford (Grã-Bretanha).

 

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